Jornal da Manhã em Coluna – 2 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, entrevista com o deputado federal Eduardo Velloso e cobertura de Gledson Albano em Cruzeiro do Sul.

Palácio em tremor

A política do Acre amanheceu com barulho de parede rachando no Palácio Rio Branco. Não foi apenas a frase da governadora Mailza Assis chamando Eduardo Velloso de “novo senador” que mexeu no tabuleiro. Foi a frase chegando no mesmo momento em que aliados históricos de Gladson Cameli começam a perder espaço dentro do governo.

Quando a troca acontece em cargo pequeno, o Palácio chama de ajuste. Quando passa pela Casa Civil, pelo Deracre e por nomes ligados ao ex-governador, a palavra muda de tamanho. Já não parece manutenção. Parece rearrumação de poder.

Donadoni fora da costura

A saída de Jonathan Xavier Donadoni da Casa Civil abriu a semana política com uma pergunta difícil de empurrar para debaixo do tapete. A Casa Civil não é uma sala comum. É o lugar onde se costura governo, se destrava nomeação, se conversa com deputado, se escuta prefeito e se segura crise antes que ela vire manchete.

Donadoni era visto como nome herdado da gestão Gladson Cameli. Ao tirá-lo da cadeira, Mailza mexeu numa peça administrativa, mas atingiu um símbolo político. Em governo rachado, símbolo fala alto.

Mário Neto também caiu

Depois de Donadoni, veio Mário Vieira da Silva Neto, o Mário Neto, exonerado da Diretoria de Gestão de Atos Oficiais da Casa Civil. A queda reforçou a leitura de que a mudança não parou no chefe. Alcançou o entorno.

Mário Neto era ligado à engrenagem da Casa Civil e atuava em área sensível da máquina. Quando sai o comandante e depois sai o braço direito, a conversa de bastidor ganha corpo. O governo pode chamar de decisão pontual. A política chama de limpa.

Sula saiu do Deracre

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa mais fora de Rio Branco do que muita gente imagina. No interior, Deracre não é sigla. É ramal aberto, ponte de madeira, bueiro, patrol, máquina chegando antes da chuva e produtor conseguindo tirar a produção do roçado.

Quando a presidente deixa o cargo reclamando de falta de condições para trabalhar, o problema deixa de ser gabinete e vira estrada. No Juruá, o eleitor entende essa linguagem sem precisar de tradução.

Gladson tenta apagar o fogo

Gladson Cameli apareceu na Expoacre Juruá, tirou foto, conversou, circulou e mostrou que ainda tem força de rua. Esse é o ponto que incomoda adversários e aliados: mesmo ferido juridicamente, Gladson continua carregando presença popular.

A cena é conhecida no Acre. O processo corre em Brasília, a política corre na rua e o eleitor olha as duas coisas ao mesmo tempo. Gladson sabe disso. Por isso aparece. Quem some, perde antes de pedir voto.

Avião no chão

O avião PT-WGK, registrado em nome de Gladson Cameli, voltou ao centro da Operação Ptolomeu após informação de nova apreensão pela Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, por ordem atribuída à ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.

A imagem do avião parado no aeroporto tem força política própria. Num Acre em que deslocamento aéreo, poder e dinheiro público sempre rendem conversa, uma aeronave sob restrição judicial vira mais que patrimônio. Vira fotografia de crise.

Frase de Mailza virou senha

Quando Mailza chamou Eduardo Velloso de “novo senador”, a frase saiu do protocolo e entrou no cálculo eleitoral. Pode ter sido gentileza. Pode ter sido lapso. Pode ter sido recado. O problema é que, em ano de montagem de chapa, ninguém ouve frase solta.

A pergunta que ficou no estúdio foi direta: se Velloso entra na disputa ao Senado pelo campo da governadora, quem perde espaço? Gladson? Márcio Bittar? Outro nome da base? No Acre, duas vagas parecem muitas até o momento em que todos querem sentar nelas.

Velloso não fugiu

Eduardo Velloso foi ao Jornal da Manhã no dia em que muitos prefeririam agenda longe de microfone. Isso conta. Política também se mede pela disposição de responder quando a pergunta vem sem anestesia.

Velloso não fechou a equação da chapa, mas deixou claro que está se movimentando. Falou como pré-candidato, defendeu entregas na saúde, valorizou o Juruá e tentou transformar a frase de Mailza em empurrão, não em armadilha.

Saúde como palanque

Velloso escolheu a saúde como território político. Falou de ressonância, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas e atendimento nos municípios isolados. É uma escolha esperta porque, no Juruá, saúde não é tema abstrato. É madrugada na estrada, espera por exame, família fazendo vaquinha, paciente tentando chegar vivo a Rio Branco.

Quando o deputado diz que a maior dor das pessoas é a saúde, não está apenas descrevendo um problema. Está escolhendo o lugar de onde quer falar com o eleitor.

Clodoaldo virou fiador

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues apareceu ao lado de Velloso como mais que convidado. Entrou como fiador político da relação do deputado federal com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo disse que encontrou em Velloso um parceiro para tocar demandas do mandato. Em política local, isso pesa. Deputado estadual precisa de estrada, prédio, ambulância, iluminação, entidade atendida e recurso chegando. Sem isso, discurso fica sem chão.

Delcimar na mesa

O momento mais forte da entrevista veio quando Velloso convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher de Clodoaldo Rodrigues, para ser sua primeira suplente ao Senado.

O convite foi feito ao vivo, sem Delcimar no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e lembrou que a decisão cabe a ela. A cena, porém, já fez o serviço político. Velloso mostrou que não está apenas pensando em candidatura. Está começando a montar chapa.

Juruá como base

Escolher Delcimar não é detalhe. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e tem ligação direta com uma região que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

Velloso está tentando amarrar saúde, emenda, prefeitura, mandato estadual e identidade regional no mesmo pacote. É um movimento claro: transformar o Juruá em base de largada para uma disputa majoritária.

Peru entrou na conversa

Velloso também levou para o rádio a defesa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Falou de rota mais barata, comércio, interesse asiático e presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá.

A pauta parece distante para quem olha só a briga eleitoral, mas não é. O Juruá vive o isolamento no preço do frete, no custo do combustível, na dificuldade de vender e comprar. Quando alguém fala em saída pelo Pacífico, está falando com o comerciante, o produtor e o jovem que quer ver a região deixar de ser fim de linha.

Madson e Ney no radar

Nos bastidores, Madson Cameli e Ney Amorim aparecem como nomes observados na reorganização do governo. Madson, marido da governadora e chefe de gabinete, virou alvo das críticas sobre articulação política. Ney surge como operador chamado para tentar reorganizar uma casa que perdeu escuta.

O problema é que articulação não se resolve só com nome novo entrando na conversa. Governo que deixa prefeito esperando, deputado contrariado e aliado sem resposta começa a perder antes da convenção.

Alan Rick colhe defecções

A ida do prefeito Zequinha Lima para o campo de Alan Rick continua ecoando. No Juruá, Zequinha não é apoio lateral. É prefeito de Cruzeiro do Sul, com presença numa região decisiva.

Quando um prefeito desse tamanho se move, outros observam. Uns por convicção. Outros por sobrevivência. No Acre, debandada raramente começa com barulho. Primeiro vem o silêncio. Depois a foto ao lado do adversário.

Bocalom não quer ser vice

A conversa sobre uma possível aproximação de Mailza com Tião Bocalom entrou no debate com um problema evidente: Bocalom não construiu candidatura ao governo para virar acessório de chapa alheia.

Quem conhece o ex-prefeito de Rio Branco sabe que ele gosta de campanha com o nome dele no centro. Uma composição só faria sentido se entregasse algo maior do que acomodação de última hora. Até aqui, a pergunta segue sem resposta: quem cede primeiro?

Márcio Bittar na conta

A fala de Mailza sobre Velloso também respinga em Márcio Bittar. Se a governadora começa a tratar outro nome como senador, o senador atual precisa medir o tamanho do sinal.

Bittar tem mandato, presença em Brasília e máquina política. Mas 2026 não será eleição de conforto para ninguém. Com Jorge Viana competitivo, Gladson tentando sobreviver juridicamente e Velloso buscando espaço, a disputa ao Senado virou corredor estreito.

Gastos com voos voltam à pista

O Jornal da Manhã também colocou na mesa os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas como jato, com valores citados acima de R$ 13,5 milhões entre 2023 e 2026, ligados a pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo e ao contrato 34/2023.

Esse tipo de dado entra na política com força porque conversa com uma sensação simples do eleitor: enquanto o cidadão espera consulta, estrada e resposta, o governo precisa explicar por que gastar tanto para voar. Número público sem explicação vira munição.

Crítica não é gênero

A bancada também respondeu às acusações de que as críticas ao governo teriam relação com o fato de Mailza ser mulher. O ponto foi colocado de forma direta: a cobrança recai sobre atos administrativos, decisões políticas, gastos públicos e escolhas de governo.

Mulher na política deve ser respeitada. Governadora no poder deve ser cobrada. Uma coisa não anula a outra. Quem ocupa a cadeira principal do Estado entra na vitrine porque suas decisões alcançam a vida de muita gente.

Eleitor fora da bolha

A frase mais importante da manhã talvez não tenha sido sobre cargo, exoneração ou chapa. Foi sobre o eleitor. O governo pode reorganizar gabinete, trocar articulador, apagar incêndio e chamar crise de ajuste. Mas quem decide a eleição está fora do Palácio.

Está no ramal esperando máquina, na fila da saúde, no comércio pagando frete caro, na feira ouvindo rádio, no carro indo para o trabalho, no Juruá olhando quem aparece e quem só manda recado. No fim, é esse eleitor que vai dizer se a rachadura era pequena ou se o prédio inteiro já estava cedendo.

No Jornal da Manhã, Velloso convida Delcimar Leite para primeira suplência ao Senado

O deputado federal Eduardo Velloso fez nesta quinta-feira, 2, em Cruzeiro do Sul, o movimento mais explícito até agora na montagem de sua pré-campanha ao Senado: convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, para ser a primeira suplente em sua chapa. O convite foi feito ao vivo, em primeira mão no Jornal da Manhã, em tom de surpresa, depois de Velloso admitir que havia pedido a Clodoaldo para levar Delcimar ao encontro porque queria fazer o chamado pessoalmente.

“Eu quero fazer um convite aqui. Eu tinha pedido para o Clodoaldo trazer a esposa dele, Delcimar, porque eu queria fazer um convite para ela, para que ela seja a minha primeira suplente. Eu não sei se ela vai aceitar ou não”, disse Velloso, antes de passar a palavra ao deputado estadual.

Delcimar não estava presente no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e deixou claro que a decisão caberá a ela. “A resposta tem que ser dela”, afirmou. Em seguida, o deputado brincou com a situação, disse que precisaria conversar em casa e evitou aceitar o convite em nome da mulher. A reação arrancou comentários da bancada, que tratou o anúncio como a primeira peça concreta da chapa que Velloso tenta montar para disputar uma vaga no Senado em 2026.

O gesto tem peso político porque Delcimar não é apenas a mulher de Clodoaldo. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e carrega presença direta no Juruá, região que Velloso tem tratado como base prioritária para seu projeto majoritário. Ao chamá-la para a primeira suplência, o deputado federal tenta amarrar três forças no mesmo movimento: a estrutura municipal de Cruzeiro do Sul, o mandato estadual de Clodoaldo e o eleitorado regional que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

A fala também deixa Velloso em posição mais clara na sucessão. Até aqui, ele vinha tratando a candidatura ao Senado como uma construção em andamento, repetindo que sua pré-candidatura está crescendo e que busca diálogo com a população. O convite a Delcimar, no entanto, muda o tom. Ninguém oferece primeira suplência sem estar montando chapa. E ninguém escolhe uma vice-prefeita do Juruá por acaso.

Clodoaldo, que acompanhava Velloso na entrevista, virou personagem central do anúncio. Ele já vinha defendendo publicamente que o deputado federal tem condições de disputar o Senado mesmo fora de uma composição fechada com o governo. Ao ser colocado diante do convite à mulher, preferiu não atropelar Delcimar, mas também não rompeu o clima de aliança. A parceria, que já vinha aparecendo em emendas, agendas e discursos conjuntos, ganhou forma eleitoral.

A primeira suplência ao Senado não é cargo decorativo. Em uma eleição majoritária, ela ajuda a dar musculatura política à chapa, amplia bases regionais e pode virar mandato em caso de licença, renúncia ou afastamento do titular. Foi justamente esse cenário que entrou na conversa depois do convite: se Velloso vencer e, no futuro, deixar o Senado por algum motivo, Delcimar poderia assumir a cadeira.

A resposta definitiva de Delcimar ainda não saiu. Mas o convite foi feito, ao vivo, em primeira mão, diante de Clodoaldo e de uma audiência que acompanhou a pré-campanha sair do campo da especulação para a montagem de chapa. No Acre, esse tipo de gesto raramente acontece por acaso. Velloso escolheu Cruzeiro do Sul para abrir a jogada, escolheu Delcimar para testar a força do Juruá e colocou Clodoaldo diante de uma decisão que pode levar a aliança dos dois para dentro da disputa mais importante de 2026.

Com Clodoaldo ao lado, Velloso mira Senado e promete interior mais perto da saúde

O deputado federal Eduardo Velloso transformou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quinta-feira, 2 de julho, em Cruzeiro do Sul, numa largada pública para tentar ocupar espaço na disputa pelo Senado e vender ao Vale do Juruá uma ideia simples: a saúde será o centro do seu discurso, das suas alianças e da sua tentativa de subir de patamar na política acreana. Ao lado do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, Velloso falou de ressonância destravada, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas, atendimento nos municípios isolados, ligação com o Peru e de uma pré-candidatura que, nas palavras dele, está “cada vez mais crescendo”. A entrevista ganhou peso porque veio um dia depois de a governadora Mailza Assis aparecer em vídeo tratando o parlamentar como “novo senador”, frase que colocou fogo na sucessão de 2026 e obrigou Velloso a responder, no rádio, se já está dentro da chapa governista.

A pergunta veio direta. Chico Melo lembrou que Velloso havia entrado na política depois de uma vida profissional estável, como médico e empresário, e quis saber o que o empurrou para esse caminho. A resposta levou a conversa para o ponto que o deputado escolheu como território político: a dificuldade de atendimento no interior. Velloso citou a ressonância que estava parada, a chegada da cardiologia, a oftalmologia e a rotina de quem vive em Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que dependem de Cruzeiro do Sul quando a dor passa do limite do que o município consegue resolver. “A maior dor das pessoas é a saúde”, disse o deputado, antes de defender que cada município tenha, pelo menos, ortopedista, cirurgião, anestesista, clínico e pediatra.

Essa frase explica por que a entrevista não ficou presa apenas ao jogo eleitoral. No Juruá, saúde é disputa política porque é também a vida concreta de quem precisa sair de madrugada atrás de consulta, de quem espera exame, de quem sofre acidente em campo de futebol e encontra apenas um raio-x sem especialista para fechar diagnóstico, de quem depende de regulação para Rio Branco quando o problema já não pode esperar. Velloso sabe disso. E, como médico, tenta transformar essa experiência em capital político. Na Câmara dos Deputados, ele aparece oficialmente como Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna, deputado federal do Acre, filiado ao Solidariedade, médico de formação e integrante titular da Comissão de Saúde em 2026.

O anúncio mais imediato da manhã foi a entrega de 103 óculos para famílias sem condições de comprar, numa ação em parceria com o prefeito Zequinha Lima. Velloso disse que tinha o sonho de levar esse atendimento ao Juruá e creditou ao prefeito de Cruzeiro do Sul a execução da agenda. O deputado também citou a parceria com Clodoaldo, Maria Antônia e “Deda” ao afirmar que mais de R$ 10 milhões foram levados apenas para a saúde de Cruzeiro do Sul. Ele ligou esse dinheiro aos mutirões realizados no município e disse que as ações ajudaram a melhorar o atendimento da população.

Os números oficiais da Câmara reforçam o tamanho da aposta de Velloso na área. Em 2026, aparecem no orçamento R$ 11,8 milhões autorizados para estruturação de unidades de atenção especializada em saúde no Acre e R$ 7,5 milhões para custeio temporário da atenção primária. Também há R$ 13,5 milhões em transferências especiais no Estado. No ano anterior, em 2025, a Câmara registrou R$ 7,9 milhões autorizados, empenhados e pagos para custeio da atenção primária e R$ 11,4 milhões pagos em transferências especiais no Acre.

O que Velloso tentou fazer no rádio foi dar rosto a esses valores. A política de emendas costuma chegar ao eleitor como número solto, difícil de acompanhar, mas no interior ela vira ambulância, reforma, mutirão, exame, cadeira em unidade de saúde, iluminação de campo, apoio a instituição social ou quilômetro de asfalto. Foi nesse ponto que Clodoaldo Rodrigues entrou com força na entrevista. Ele não apareceu apenas como aliado sentado ao lado. Apareceu como fiador da relação de Velloso com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo, cujo nome completo é Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, é deputado estadual pelo PP na Assembleia Legislativa do Acre. O cadastro oficial do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo registra o parlamentar como filiado ao Progressistas e representante da Aleac. Na entrevista, ele fez questão de dizer que não votou em Velloso para deputado federal em 2022, mas acabou encontrando nele o principal parceiro para tocar demandas do mandato. “Quem é patrocinador? Só tenho o Velloso por enquanto”, disse Clodoaldo, numa frase que mostra tanto a gratidão política quanto a dependência de deputados estaduais em relação a emendas federais para atender suas bases.

Clodoaldo citou recursos para a Delegacia de Cruzeiro do Sul, o Educandário, os bombeiros, a Polícia Militar e outras instituições. Falou ainda de R$ 2,8 milhões destinados em dezembro de 2025 para entidades de Cruzeiro do Sul e para a iluminação do campo da Vila Santa Rosa, pedido ligado à vice-prefeita Delcimar Leite. Depois, ampliou a conta: disse que Velloso colocou R$ 3 milhões em suas mãos para o ramal Mariana de Cima e que o total no Deracre chega a R$ 11 milhões para obras na região do Juruá.

A fala de Clodoaldo também ajudou Velloso a atravessar a parte mais delicada da entrevista: a pergunta sobre Senado. A governadora Mailza Assis havia chamado o deputado de “novo senador”, e a frase foi lida imediatamente como recado sobre a composição da chapa governista. Velloso não cravou lugar na chapa, mas também não recuou. Disse que a pré-candidatura está crescendo e brincou que agora estaria “conquistando o coração” da governadora. Clodoaldo foi mais direto ao defender que Velloso pode ser candidato ao Senado com ou sem a presença formal na chapa de Mailza. Para ele, eleição majoritária tem outro comportamento e o deputado federal já tem condições de disputar.

Essa diferença de tom foi uma das partes mais reveladoras da manhã. Velloso mediu as palavras para não fechar portas. Clodoaldo falou como quem já trabalha a candidatura na rua. O deputado estadual disse que, quando Velloso pensou em disputar o Senado, chegou a aconselhá-lo a buscar a reeleição para a Câmara, mas agora trata o projeto como posto. A avaliação dele tem lógica eleitoral: Velloso entrou no debate com imagem ligada à saúde, circula com entrega concreta no Juruá, mantém interlocução com o governo e tenta ocupar uma vaga num cenário em que a sucessão estadual ainda depende de acordos mal resolvidos entre Mailza, Gladson Cameli, partidos da base e lideranças que querem espaço na majoritária.

A entrevista também atravessou um tema que vai além do Acre e mira a economia regional. Velloso defendeu que o Vale do Juruá pode ser porta de um novo ciclo por causa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Ele falou da presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá, entre elas um senador, um governador e representantes daquela região. O argumento do deputado é econômico: uma rota mais barata de transporte atrai quem quer comprar e vender, inclusive mercados asiáticos e a China.

Essa pauta não é detalhe. Quando um deputado fala em saúde no primeiro bloco e em Peru no segundo, ele tenta juntar duas dores antigas do Acre: o isolamento do cidadão diante do serviço público e o isolamento econômico diante dos grandes corredores de comércio. O Juruá conhece os dois problemas. A família que procura atendimento especializado e o comerciante que paga caro pelo frete fazem parte da mesma geografia. Velloso tenta dizer que pode tratar das duas pontas: levar especialista para perto de quem precisa e abrir caminho para que a região deixe de viver como fim de linha.

A presença da médica cardiologista Regiane Velloso, esposa do deputado, deu uma camada concreta ao debate sobre saúde. Ela lembrou que voltou ao Acre em 2006, trabalha como cardiologista na Fundação Hospitalar e ajudou a montar o serviço de alta complexidade em cardiologia, com cateterismo, stent e cirurgia cardíaca. Na entrevista, Regiane disse que, durante a campanha de 2022, percebeu que pacientes do Juruá com infarto não conseguiam chegar a Rio Branco a tempo. A partir daí, nasceu a promessa de levar cardiologia ao Hospital do Juruá. Dois anos depois, segundo ela, o serviço da Hemocárdio já funciona dentro da unidade.

Velloso completou esse ponto com um dado forte: mais de 1.360 procedimentos de coração realizados em Cruzeiro do Sul. Para o deputado, cada procedimento representa vida preservada e deslocamento evitado. Essa é a parte da entrevista com maior capacidade de chegar ao eleitor sem tradução política. Quem já viu um parente enfartar no interior entende a diferença entre ter atendimento perto e depender de viagem para a capital.

No fim, o Jornal da Manhã colocou Velloso diante de três testes ao mesmo tempo. O primeiro foi explicar por que quer o Senado. O segundo foi mostrar o que já entregou. O terceiro foi responder se sua candidatura nasce dentro do projeto de Mailza ou se tem fôlego próprio para sobreviver fora dele. Ele não fechou a equação, mas deixou claro que está em campanha. Falou como pré-candidato, apresentou serviços, chamou aliados para perto, usou a saúde como vitrine e deixou Clodoaldo fazer a defesa mais aberta de seu nome.

A entrevista também mostrou que Clodoaldo quer entregar o mandato com marca própria no Juruá. Ele disse que pode até não ser reeleito, mas desafiou qualquer deputado estadual a provar que colocou mais recursos ou teve mais presença em Cruzeiro do Sul e na região. É uma fala de quem sabe que a disputa de 2026 não será apenas por partido ou palanque. Será por lembrança. Quem levou recurso, quem apareceu, quem atendeu, quem abriu porta e quem sumiu.

Velloso saiu do estúdio com uma frase da governadora nas costas, um aliado estadual ao lado e uma agenda de saúde na mão. Não é pouco. Mas também não resolve tudo. O caminho até o Senado exige mais que mutirão, óculos, emenda e boa entrevista. Exige costura partidária, resistência a crises, capacidade de explicar alianças e, sobretudo, prova de que os recursos anunciados viram serviço permanente. No Juruá, promessa tem prazo curto. O eleitor escuta no rádio pela manhã e cobra na rua no mesmo dia.

Jorge Viana percorre sete municípios do Juruá e defende agenda suprapartidária pelo Acre

O pré-candidato ao Senado Jorge Viana cumpre nesta semana uma agenda política em sete municípios do Vale do Juruá e de regiões de difícil acesso do Acre, com visitas a Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa do Purus. A viagem faz parte da estratégia de ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais, lideranças comunitárias e moradores em torno de uma plataforma voltada a investimentos, infraestrutura e fortalecimento dos municípios.

Durante os encontros, Jorge Viana defendeu que a disputa eleitoral seja conduzida sem centralidade em pautas ideológicas. O ex-senador afirmou que pretende construir um movimento suprapartidário e atuar em Brasília como representante dos interesses do Acre. “Quero ser senador do Acre, não de um partido. Meu compromisso é representar todos os acreanos e fazer a interlocução necessária para trazer investimentos e soluções para os problemas do nosso Estado”, disse.

Em Cruzeiro do Sul, maior cidade do Vale do Juruá, Jorge visitou a prefeitura e se reuniu com o prefeito Zequinha Lima. Também manteve conversas com vereadores, empresários, produtores rurais e representantes de diferentes setores da sociedade. A agenda tratou de demandas locais e de projetos considerados prioritários para a região.

Em Mâncio Lima, Jorge esteve acompanhado do ex-deputado Jonas Lima e foi recebido pelo prefeito José Luiz. A programação incluiu reunião na Câmara Municipal, com a presença do presidente da Casa e da maioria dos vereadores. O pré-candidato também participou de encontros com produtores rurais, especialmente cafeicultores, e de uma agenda da Coopercafé, que reuniu cooperados e lideranças políticas, entre elas a ex-deputada federal Perpétua Almeida.

A cafeicultura e a agricultura familiar foram tratadas como áreas estratégicas para a economia regional. Jorge afirmou que o Juruá tem potencial para ampliar a produção, gerar renda e fortalecer cooperativas, desde que os municípios tenham apoio técnico, crédito, infraestrutura e canais de escoamento.

Em Rodrigues Alves, Jorge foi recebido pelo prefeito Salatiel Magalhães, pelo presidente da Câmara, vereador Marcelo, e por vereadores do município. A pauta incluiu alternativas para fortalecer a economia local, com foco na agricultura familiar, além da defesa de projetos estruturantes para os municípios do Juruá. Ele também se reuniu com apoiadores na casa do ex-prefeito Burica e de sua esposa, Mônica.

Após passar por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, Jorge seguiu para os municípios mais isolados da região. Ao longo da viagem, ele repetiu que o Acre precisa retomar uma agenda de planejamento, cooperação institucional e investimentos. Entre as prioridades citadas estão a recuperação da BR-364 e obras capazes de melhorar a integração entre os municípios.

O pré-candidato também afirmou que pretende atuar como interlocutor do Acre junto ao governo federal e a uma eventual nova gestão do presidente Lula, caso o petista dispute e vença a eleição presidencial. Para Jorge, a superação da polarização política é uma condição para o Estado ampliar sua capacidade de negociação em Brasília e garantir recursos para áreas consideradas estratégicas.

“Aqui tem Acre” tem sido a mensagem usada por Jorge Viana nas agendas no interior. A frase resume o esforço de apresentar a pré-campanha como uma articulação voltada aos municípios, com ênfase em desenvolvimento regional, diálogo político e aproximação com lideranças locais.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Indecisos ainda pesam no Acre em pesquisa que mostra Alan Rick e Gladson Cameli na frente

A pesquisa Delta/TV Gazeta divulgada nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, mostra que a disputa eleitoral no Acre ainda tem amplo espaço para mudanças, apesar da liderança do senador Alan Rick (Republicanos) na corrida pelo governo e do ex-governador Gladson Cameli (PP) na disputa ao Senado. O dado que mantém o cenário aberto é o tamanho do eleitorado sem definição: na espontânea, 69,11% não souberam ou não responderam para governador e 73,93% aparecem sem voto definido para senador.

No cenário estimulado para o governo, quando os nomes são apresentados aos entrevistados, Alan Rick aparece em primeiro lugar, com 39,55% das intenções de voto. A governadora Mailza Assis (PP) ocupa a segunda posição, com 19,40%, em empate técnico com Tião Bocalom (PSDB), que registra 17,07%. Thor Dantas (PSB) soma 2%. Brancos e nulos são 2,58%, e outros 19,40% não souberam ou não responderam.

A comparação com a rodada de março mostra estabilidade na liderança. Alan Rick tinha 40,36% e agora aparece com 39,55%. Mailza passou de 20,78% para 19,40%. Bocalom subiu de 15,60% para 17,07%. As oscilações ficam dentro da margem de erro, de três pontos percentuais.

Nas simulações de segundo turno, Alan Rick venceria os principais adversários testados. Contra Mailza Assis, o senador marca 50,87%, enquanto a governadora aparece com 27,14%. Contra Bocalom, Alan chega a 54,62%, diante de 22,98% do tucano. Nos dois cenários, o percentual de eleitores que não souberam ou não responderam é de 16,90%.

O levantamento também mediu um cenário sem Alan Rick. Nessa hipótese, Mailza Assis lidera com 43,13%, contra 27,48% de Tião Bocalom. Brancos e nulos somam 10,24%, e 19,15% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Na espontânea para o governo, Alan Rick tem 14,99%, Mailza Assis aparece com 8,99%, Bocalom registra 4,91% e Thor Dantas soma 0,75%. O resultado mostra que a maioria do eleitorado ainda não consolidou voto sem o estímulo da lista de nomes.

A rejeição é maior para Tião Bocalom, citado por 31,14% dos entrevistados como candidato em quem não votariam de jeito nenhum. Thor Dantas aparece com 25,31%, Mailza Assis com 11,99% e Alan Rick com 11,16%. Outros 20,40% não souberam ou não responderam.

Na disputa ao Senado, Gladson Cameli lidera o cenário estimulado, com 21,73% das citações somadas entre primeira e segunda opção de voto. Márcio Bittar (PL) aparece em segundo, com 19,11%, seguido por Jorge Viana (PT), com 14,69%. Mara Rocha soma 10,95%, Sérgio Petecão tem 9,57%, Eduardo Veloso registra 6,41% e Inácio Moreira aparece com 0,83%. Os indecisos ou sem resposta somam 13,28%.

Sem Gladson Cameli na lista, Márcio Bittar assume a primeira posição, com 21,64%. Jorge Viana aparece com 15,57%, Mara Rocha tem 14,53%, Sérgio Petecão soma 11,53%, Eduardo Veloso registra 8,78%, Jéssica Sales aparece com 7,95% e Inácio Moreira marca 1%. Em outro cenário, sem Gladson e com Coronel Ulysses, Bittar também lidera, com 22,36%, seguido por Jorge Viana, com 15,52%, Mara Rocha, com 14,36%, e Petecão, com 12,82%.

Na espontânea para o Senado, Gladson Cameli aparece com 8,83%, Márcio Bittar tem 7,49% e Jorge Viana soma 5,33%. Jéssica Sales registra 1,67%, Mara Rocha tem 0,58%, Eduardo Veloso aparece com 0,42% e Coronel Ulysses soma 0,17%. O volume de eleitores sem definição, acima de 70%, reforça que a corrida pelas duas vagas ainda depende de articulação política, exposição dos candidatos e consolidação das alianças.

A pesquisa ouviu 1.201 eleitores entre os dias 1º e 6 de junho, em 18 municípios do Acre. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números AC-09056/2026 e BR-03074/2026.

Jorge Viana lidera corrida ao Senado no Acre e sai na frente em nova pesquisa do Paraná Pesquisas

Jorge Viana, do PT, apareceu na frente na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 3. No cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador marcou 34,7% das intenções de voto, à frente de Gladson Cameli, do PP, com 32,6%, e de Márcio Bittar, do PL, com 29,9%. Os três estão em empate técnico por causa da margem de erro de 3,2 pontos percentuais, mas o levantamento coloca Jorge Viana numericamente na liderança.

A pesquisa mostra um cenário aberto, mas com um dado político que chamou atenção: Jorge Viana reaparece no topo de uma disputa majoritária no Acre e entra no debate de 2026 com um sinal de força eleitoral. Atrás dos três primeiros colocados aparecem Coronel Ulysses, com 21,9%; Mara Rocha, com 21,6%; Sérgio Petecão, com 13,9%; Jéssica Sales, com 11,3%; Eduardo Velloso, com 9%; e Júnior Feitosa, com 1,6%.

Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais passa de 100%. O levantamento ouviu mil eleitores em 18 municípios do Acre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número AC-01182/2026.

No comentário feito no Jornal da Manhã desta quarta-feira, Rogério Wenceslau tratou a liderança de Jorge Viana como a principal surpresa do levantamento. Para ele, o resultado muda o eixo inicial da disputa e recoloca o petista em posição central no tabuleiro político do Acre. A leitura é que, mesmo dentro do empate técnico, o fato de Jorge Viana aparecer na frente produz efeito político imediato, principalmente porque o cenário até aqui era de maior expectativa em torno dos nomes ligados à direita e ao grupo governista.

A dianteira de Jorge Viana também amplia o peso de sua possível candidatura num momento em que os partidos ainda fazem contas e ajustam estratégias para 2026. A pesquisa não define a eleição, mas entrega uma fotografia relevante do cenário atual e mostra que o petista largou à frente nesta rodada, com capital político para influenciar alianças, discursos e movimentos dos adversários.

No mesmo comentário, Wenceslau destacou ainda os números da corrida pelo governo do Acre, que também reforçam a antecipação da sucessão estadual. No cenário estimulado, Alan Rick aparece com 41,2%, Mailza Assis tem 24,4%, Tião Bocalom soma 16,1% e Thor Dantas registra 3,8%. A combinação dos dois quadros mostra que a disputa de 2026 já começou a ganhar forma no Estado.

Vale lembrar que Gladson Cameli ficou inelegível após ser condenado em 6 de maio de 2026 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e 9 meses de prisão, com perda do cargo, no processo que apurou corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Cameli nega irregularidades e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Jorge Viana diz que Acre vive crise de resultados e afirma que Gladson Cameli está inelegível após condenação no STJ

Jorge Viana afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira, 25 de maio, em Cruzeiro do Sul, que o Acre atravessa um momento de perda de capacidade política, concentração de poder sem entrega de resultados e abandono de prioridades estruturais, como a BR-364. Ao comentar a situação do ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador e pré-candidato ao Senado disse lamentar o caso, negou qualquer participação do PT na origem do processo e afirmou que, na sua avaliação, a condenação em órgão colegiado torna Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A avaliação de Jorge sobre o Acre partiu de uma comparação entre o volume de poder acumulado pelo grupo que venceu as últimas eleições e a situação concreta enfrentada pela população. Para ele, o estado deu a um mesmo campo político o controle do governo, da bancada federal, das prefeituras mais importantes e da representação no Senado, mas não recebeu em troca obras, serviços e respostas proporcionais. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou.

Jorge disse que pesquisas qualitativas feitas em Cruzeiro do Sul mostram uma cobrança direta da população por realizações. Segundo ele, o sentimento ouvido nas conversas é de frustração com promessas não cumpridas e com a falta de obras estruturantes. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

A BR-364 foi usada por Jorge como o exemplo mais visível da situação atual do Acre. Ele relatou ter chegado a Cruzeiro do Sul pela estrada, depois de passar por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano, e classificou a situação da rodovia como “uma verdadeira tragédia”. Para o ex-governador, o problema deveria unir governo, bancada federal e lideranças políticas, independentemente de partido. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou.

Mesmo aliado do presidente Lula, Jorge disse que também cobrará o governo federal pela situação da rodovia. Afirmou que os recursos voltaram a ser destinados à estrada, mas que a execução ainda não chegou ao resultado esperado pela população. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, disse. Para ele, a bancada federal deveria concentrar emendas e pressão política na recuperação da BR-364, em vez de pulverizar recursos em ações menores. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Ao falar sobre a crise política acreana, Jorge evitou reduzir o debate à disputa entre esquerda e direita. Disse que o eleitor quer entrega, presença do Estado e capacidade de resolver problemas concretos. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, afirmou. Em seguida, completou: “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”.

A fala mais sensível da entrevista veio quando Jorge foi questionado sobre Gladson Cameli. O ex-governador disse lamentar profundamente a condenação e afirmou que não celebra a queda de adversários políticos. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, disse. Em seguida, buscou afastar qualquer ligação entre o processo e o PT, lembrando que as investigações começaram em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou.

Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha ao tratar da origem política da denúncia contra Gladson. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, afirmou. Com essa fala, o pré-candidato tentou deslocar o caso do campo da disputa PT contra Gladson e situá-lo dentro das próprias rupturas internas do grupo político que governou o Acre nos últimos anos.

Sobre os efeitos eleitorais da condenação, Jorge foi direto ao afirmar que, em sua leitura, Gladson está inelegível. Ele citou a Lei da Ficha Limpa e disse que a decisão do STJ tem peso por ter sido tomada por um colegiado. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. Apesar disso, disse esperar que o ex-governador consiga recorrer.

Jorge negou que sua pré-candidatura dependa da retirada de Gladson da disputa. Segundo ele, estava preparado para enfrentar a eleição mesmo com o ex-governador no páreo, inclusive porque parte do eleitorado poderia votar nos dois para o Senado. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, afirmou.

Na avaliação de Jorge, o Acre precisa sair da paralisia política provocada por brigas, extremismos e disputas pessoais. Ele defendeu a recomposição de pontes, mas associou essa postura à cobrança por resultados. O ex-governador disse que não quer voltar ao Senado para atacar o estado ou alimentar conflitos, e sim para recuperar interlocução em Brasília, buscar investimentos e colocar a infraestrutura no centro da pauta. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.