O pré-candidato ao Senado Jorge Viana cumpre nesta semana uma agenda política em sete municípios do Vale do Juruá e de regiões de difícil acesso do Acre, com visitas a Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa do Purus. A viagem faz parte da estratégia de ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais, lideranças comunitárias e moradores em torno de uma plataforma voltada a investimentos, infraestrutura e fortalecimento dos municípios.
Durante os encontros, Jorge Viana defendeu que a disputa eleitoral seja conduzida sem centralidade em pautas ideológicas. O ex-senador afirmou que pretende construir um movimento suprapartidário e atuar em Brasília como representante dos interesses do Acre. “Quero ser senador do Acre, não de um partido. Meu compromisso é representar todos os acreanos e fazer a interlocução necessária para trazer investimentos e soluções para os problemas do nosso Estado”, disse.
Em Cruzeiro do Sul, maior cidade do Vale do Juruá, Jorge visitou a prefeitura e se reuniu com o prefeito Zequinha Lima. Também manteve conversas com vereadores, empresários, produtores rurais e representantes de diferentes setores da sociedade. A agenda tratou de demandas locais e de projetos considerados prioritários para a região.
Em Mâncio Lima, Jorge esteve acompanhado do ex-deputado Jonas Lima e foi recebido pelo prefeito José Luiz. A programação incluiu reunião na Câmara Municipal, com a presença do presidente da Casa e da maioria dos vereadores. O pré-candidato também participou de encontros com produtores rurais, especialmente cafeicultores, e de uma agenda da Coopercafé, que reuniu cooperados e lideranças políticas, entre elas a ex-deputada federal Perpétua Almeida.
A cafeicultura e a agricultura familiar foram tratadas como áreas estratégicas para a economia regional. Jorge afirmou que o Juruá tem potencial para ampliar a produção, gerar renda e fortalecer cooperativas, desde que os municípios tenham apoio técnico, crédito, infraestrutura e canais de escoamento.
Em Rodrigues Alves, Jorge foi recebido pelo prefeito Salatiel Magalhães, pelo presidente da Câmara, vereador Marcelo, e por vereadores do município. A pauta incluiu alternativas para fortalecer a economia local, com foco na agricultura familiar, além da defesa de projetos estruturantes para os municípios do Juruá. Ele também se reuniu com apoiadores na casa do ex-prefeito Burica e de sua esposa, Mônica.
Após passar por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, Jorge seguiu para os municípios mais isolados da região. Ao longo da viagem, ele repetiu que o Acre precisa retomar uma agenda de planejamento, cooperação institucional e investimentos. Entre as prioridades citadas estão a recuperação da BR-364 e obras capazes de melhorar a integração entre os municípios.
O pré-candidato também afirmou que pretende atuar como interlocutor do Acre junto ao governo federal e a uma eventual nova gestão do presidente Lula, caso o petista dispute e vença a eleição presidencial. Para Jorge, a superação da polarização política é uma condição para o Estado ampliar sua capacidade de negociação em Brasília e garantir recursos para áreas consideradas estratégicas.
“Aqui tem Acre” tem sido a mensagem usada por Jorge Viana nas agendas no interior. A frase resume o esforço de apresentar a pré-campanha como uma articulação voltada aos municípios, com ênfase em desenvolvimento regional, diálogo político e aproximação com lideranças locais.
O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.
A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.
O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.
A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.
Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.
Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.
Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.
A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”
A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”
Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.
A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”
Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.
A pesquisa Delta/TV Gazeta divulgada nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, mostra que a disputa eleitoral no Acre ainda tem amplo espaço para mudanças, apesar da liderança do senador Alan Rick (Republicanos) na corrida pelo governo e do ex-governador Gladson Cameli (PP) na disputa ao Senado. O dado que mantém o cenário aberto é o tamanho do eleitorado sem definição: na espontânea, 69,11% não souberam ou não responderam para governador e 73,93% aparecem sem voto definido para senador.
No cenário estimulado para o governo, quando os nomes são apresentados aos entrevistados, Alan Rick aparece em primeiro lugar, com 39,55% das intenções de voto. A governadora Mailza Assis (PP) ocupa a segunda posição, com 19,40%, em empate técnico com Tião Bocalom (PSDB), que registra 17,07%. Thor Dantas (PSB) soma 2%. Brancos e nulos são 2,58%, e outros 19,40% não souberam ou não responderam.
A comparação com a rodada de março mostra estabilidade na liderança. Alan Rick tinha 40,36% e agora aparece com 39,55%. Mailza passou de 20,78% para 19,40%. Bocalom subiu de 15,60% para 17,07%. As oscilações ficam dentro da margem de erro, de três pontos percentuais.
Nas simulações de segundo turno, Alan Rick venceria os principais adversários testados. Contra Mailza Assis, o senador marca 50,87%, enquanto a governadora aparece com 27,14%. Contra Bocalom, Alan chega a 54,62%, diante de 22,98% do tucano. Nos dois cenários, o percentual de eleitores que não souberam ou não responderam é de 16,90%.
O levantamento também mediu um cenário sem Alan Rick. Nessa hipótese, Mailza Assis lidera com 43,13%, contra 27,48% de Tião Bocalom. Brancos e nulos somam 10,24%, e 19,15% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Na espontânea para o governo, Alan Rick tem 14,99%, Mailza Assis aparece com 8,99%, Bocalom registra 4,91% e Thor Dantas soma 0,75%. O resultado mostra que a maioria do eleitorado ainda não consolidou voto sem o estímulo da lista de nomes.
A rejeição é maior para Tião Bocalom, citado por 31,14% dos entrevistados como candidato em quem não votariam de jeito nenhum. Thor Dantas aparece com 25,31%, Mailza Assis com 11,99% e Alan Rick com 11,16%. Outros 20,40% não souberam ou não responderam.
Na disputa ao Senado, Gladson Cameli lidera o cenário estimulado, com 21,73% das citações somadas entre primeira e segunda opção de voto. Márcio Bittar (PL) aparece em segundo, com 19,11%, seguido por Jorge Viana (PT), com 14,69%. Mara Rocha soma 10,95%, Sérgio Petecão tem 9,57%, Eduardo Veloso registra 6,41% e Inácio Moreira aparece com 0,83%. Os indecisos ou sem resposta somam 13,28%.
Sem Gladson Cameli na lista, Márcio Bittar assume a primeira posição, com 21,64%. Jorge Viana aparece com 15,57%, Mara Rocha tem 14,53%, Sérgio Petecão soma 11,53%, Eduardo Veloso registra 8,78%, Jéssica Sales aparece com 7,95% e Inácio Moreira marca 1%. Em outro cenário, sem Gladson e com Coronel Ulysses, Bittar também lidera, com 22,36%, seguido por Jorge Viana, com 15,52%, Mara Rocha, com 14,36%, e Petecão, com 12,82%.
Na espontânea para o Senado, Gladson Cameli aparece com 8,83%, Márcio Bittar tem 7,49% e Jorge Viana soma 5,33%. Jéssica Sales registra 1,67%, Mara Rocha tem 0,58%, Eduardo Veloso aparece com 0,42% e Coronel Ulysses soma 0,17%. O volume de eleitores sem definição, acima de 70%, reforça que a corrida pelas duas vagas ainda depende de articulação política, exposição dos candidatos e consolidação das alianças.
A pesquisa ouviu 1.201 eleitores entre os dias 1º e 6 de junho, em 18 municípios do Acre. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números AC-09056/2026 e BR-03074/2026.
Jorge Viana, do PT, apareceu na frente na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 3. No cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador marcou 34,7% das intenções de voto, à frente de Gladson Cameli, do PP, com 32,6%, e de Márcio Bittar, do PL, com 29,9%. Os três estão em empate técnico por causa da margem de erro de 3,2 pontos percentuais, mas o levantamento coloca Jorge Viana numericamente na liderança.
A pesquisa mostra um cenário aberto, mas com um dado político que chamou atenção: Jorge Viana reaparece no topo de uma disputa majoritária no Acre e entra no debate de 2026 com um sinal de força eleitoral. Atrás dos três primeiros colocados aparecem Coronel Ulysses, com 21,9%; Mara Rocha, com 21,6%; Sérgio Petecão, com 13,9%; Jéssica Sales, com 11,3%; Eduardo Velloso, com 9%; e Júnior Feitosa, com 1,6%.
Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais passa de 100%. O levantamento ouviu mil eleitores em 18 municípios do Acre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número AC-01182/2026.
No comentário feito no Jornal da Manhã desta quarta-feira, Rogério Wenceslau tratou a liderança de Jorge Viana como a principal surpresa do levantamento. Para ele, o resultado muda o eixo inicial da disputa e recoloca o petista em posição central no tabuleiro político do Acre. A leitura é que, mesmo dentro do empate técnico, o fato de Jorge Viana aparecer na frente produz efeito político imediato, principalmente porque o cenário até aqui era de maior expectativa em torno dos nomes ligados à direita e ao grupo governista.
A dianteira de Jorge Viana também amplia o peso de sua possível candidatura num momento em que os partidos ainda fazem contas e ajustam estratégias para 2026. A pesquisa não define a eleição, mas entrega uma fotografia relevante do cenário atual e mostra que o petista largou à frente nesta rodada, com capital político para influenciar alianças, discursos e movimentos dos adversários.
No mesmo comentário, Wenceslau destacou ainda os números da corrida pelo governo do Acre, que também reforçam a antecipação da sucessão estadual. No cenário estimulado, Alan Rick aparece com 41,2%, Mailza Assis tem 24,4%, Tião Bocalom soma 16,1% e Thor Dantas registra 3,8%. A combinação dos dois quadros mostra que a disputa de 2026 já começou a ganhar forma no Estado.
Vale lembrar que Gladson Cameli ficou inelegível após ser condenado em 6 de maio de 2026 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e 9 meses de prisão, com perda do cargo, no processo que apurou corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Cameli nega irregularidades e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
Jorge Viana afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira, 25 de maio, em Cruzeiro do Sul, que o Acre atravessa um momento de perda de capacidade política, concentração de poder sem entrega de resultados e abandono de prioridades estruturais, como a BR-364. Ao comentar a situação do ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador e pré-candidato ao Senado disse lamentar o caso, negou qualquer participação do PT na origem do processo e afirmou que, na sua avaliação, a condenação em órgão colegiado torna Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa.
A avaliação de Jorge sobre o Acre partiu de uma comparação entre o volume de poder acumulado pelo grupo que venceu as últimas eleições e a situação concreta enfrentada pela população. Para ele, o estado deu a um mesmo campo político o controle do governo, da bancada federal, das prefeituras mais importantes e da representação no Senado, mas não recebeu em troca obras, serviços e respostas proporcionais. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou.
Jorge disse que pesquisas qualitativas feitas em Cruzeiro do Sul mostram uma cobrança direta da população por realizações. Segundo ele, o sentimento ouvido nas conversas é de frustração com promessas não cumpridas e com a falta de obras estruturantes. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.
A BR-364 foi usada por Jorge como o exemplo mais visível da situação atual do Acre. Ele relatou ter chegado a Cruzeiro do Sul pela estrada, depois de passar por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano, e classificou a situação da rodovia como “uma verdadeira tragédia”. Para o ex-governador, o problema deveria unir governo, bancada federal e lideranças políticas, independentemente de partido. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou.
Mesmo aliado do presidente Lula, Jorge disse que também cobrará o governo federal pela situação da rodovia. Afirmou que os recursos voltaram a ser destinados à estrada, mas que a execução ainda não chegou ao resultado esperado pela população. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, disse. Para ele, a bancada federal deveria concentrar emendas e pressão política na recuperação da BR-364, em vez de pulverizar recursos em ações menores. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.
Ao falar sobre a crise política acreana, Jorge evitou reduzir o debate à disputa entre esquerda e direita. Disse que o eleitor quer entrega, presença do Estado e capacidade de resolver problemas concretos. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, afirmou. Em seguida, completou: “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”.
A fala mais sensível da entrevista veio quando Jorge foi questionado sobre Gladson Cameli. O ex-governador disse lamentar profundamente a condenação e afirmou que não celebra a queda de adversários políticos. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, disse. Em seguida, buscou afastar qualquer ligação entre o processo e o PT, lembrando que as investigações começaram em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou.
Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha ao tratar da origem política da denúncia contra Gladson. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, afirmou. Com essa fala, o pré-candidato tentou deslocar o caso do campo da disputa PT contra Gladson e situá-lo dentro das próprias rupturas internas do grupo político que governou o Acre nos últimos anos.
Sobre os efeitos eleitorais da condenação, Jorge foi direto ao afirmar que, em sua leitura, Gladson está inelegível. Ele citou a Lei da Ficha Limpa e disse que a decisão do STJ tem peso por ter sido tomada por um colegiado. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. Apesar disso, disse esperar que o ex-governador consiga recorrer.
Jorge negou que sua pré-candidatura dependa da retirada de Gladson da disputa. Segundo ele, estava preparado para enfrentar a eleição mesmo com o ex-governador no páreo, inclusive porque parte do eleitorado poderia votar nos dois para o Senado. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, afirmou.
Na avaliação de Jorge, o Acre precisa sair da paralisia política provocada por brigas, extremismos e disputas pessoais. Ele defendeu a recomposição de pontes, mas associou essa postura à cobrança por resultados. O ex-governador disse que não quer voltar ao Senado para atacar o estado ou alimentar conflitos, e sim para recuperar interlocução em Brasília, buscar investimentos e colocar a infraestrutura no centro da pauta. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.
A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.
A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.
Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.
O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.
A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.
No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.
Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.
A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.
Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.
O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.
Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.
A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.
A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.
Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.
O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.
O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.
Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.
A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.
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