Flávio Bolsonaro apoia Mara Rocha e Márcio Bittar ao Senado no Acre e deixa Gladson fora da lista

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou apoio a Márcio Bittar e Mara Rocha na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026. A definição foi apresentada em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 6, dentro de uma estratégia nacional para fortalecer palanques estaduais e ampliar a bancada aliada no Congresso.

No Acre, a escolha junta o PL de Márcio Bittar ao Republicanos de Mara Rocha. Os dois nomes passam a compor o palanque senatorial de Flávio no estado, em uma movimentação que busca organizar a direita em torno da candidatura presidencial do senador. A lista nacional apresentada por Flávio reúne 47 candidatos ao Senado em todas as unidades da Federação.

A decisão também reorganiza o cenário local porque deixa Gladson Cameli fora do grupo anunciado por Flávio, mesmo depois de o ex-governador ter declarado apoio ao presidenciável. Em março, durante o lançamento da União Progressista e recentemente em entrevista, Gladson afirmou que seu voto e seu apoio seriam para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A ausência de Gladson pesa mais porque ele tenta manter espaço na corrida ao Senado em meio aos efeitos da condenação no Superior Tribunal de Justiça. Em maio, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado o tornou inelegível por oito anos, salvo decisão judicial que suspenda os efeitos da condenação.

Com isso, a lista de Flávio expõe um novo desenho político no Acre: Bittar e Mara foram incorporados ao projeto nacional do PL, enquanto Gladson, mesmo aliado declarado do presidenciável, ficou fora da indicação formal para o Senado. Na prática, o ex-governador foi deixado de lado no momento em que Flávio buscou consolidar candidaturas com maior viabilidade jurídica e eleitoral para sustentar sua campanha no estado.

A disputa acreana continua aberta. Pesquisas recentes colocam Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha entre os nomes mais competitivos para as duas vagas, com variações conforme o cenário testado. A diferença agora é que Flávio Bolsonaro passou a tratar Bittar e Mara como seus nomes para o Senado, deixando Gladson em posição mais isolada dentro do campo conservador.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.