Mâncio Lima recebe 11 máquinas para recuperar mais de 300 quilômetros de ramais

Mâncio Lima vai receber 11 máquinas para reforçar a recuperação de mais de 300 quilômetros de ramais do município, após o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, nesta sexta-feira, 12. A ação do Governo do Acre amplia os investimentos em infraestrutura rural e busca melhorar o acesso de produtores e comunidades da zona rural.

O anúncio foi acompanhado pelo prefeito Zé Luiz, que participou do evento e confirmou o início imediato dos serviços no município. A expectativa é de que o reforço na estrutura permita acelerar a recuperação das estradas vicinais e garantir melhores condições de tráfego em áreas usadas diariamente para o escoamento da produção e o deslocamento de moradores.

Durante o lançamento, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que o governo mantém apoio aos municípios para melhorar a trafegabilidade nos ramais. “Estamos trabalhando em parceria para garantir melhores condições de trafegabilidade nos ramais e atender a população com responsabilidade”, declarou.

A governadora Mailza Assis disse que a operação tem foco no acesso das famílias, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da qualidade de vida da população. “Nosso objetivo é assegurar o acesso das famílias, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.

O prefeito Zé Luiz classificou a chegada das máquinas como um avanço para Mâncio Lima e destacou o impacto da medida para a zona rural. “Receber essas máquinas representa um grande avanço para o nosso município. Vamos iniciar os trabalhos de imediato para garantir melhores condições de trafegabilidade, fortalecer a produção rural e oferecer mais qualidade de vida às famílias que dependem dos ramais”, disse.

A Operação Verão prevê investimentos em diferentes regiões do Acre para a recuperação de ramais, rodovias e pontes, em uma estratégia de atuação conjunta entre o governo estadual, prefeituras e comunidades rurais.

Governo lança linha com juros reduzidos para motociclistas de aplicativo

O governo federal lançou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, em Brasília, uma linha de crédito para motociclistas e entregadores de aplicativos financiarem motos e bicicletas elétricas produzidas no país. Batizado de Move Brasil – Entregadores e Motoapp, o programa prevê juros de 12,5% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, financiamento de 100% do valor do veículo, sem entrada, e prazo de até 48 meses, com dois meses de carência. Durante o anúncio no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida busca tirar esses trabalhadores da invisibilidade e ampliar o acesso ao crédito e à renovação da frota.

Pelas regras divulgadas, poderão aderir ao programa profissionais cadastrados em plataformas há pelo menos seis meses e com no mínimo 100 corridas ou entregas realizadas, além de motofretistas, mototaxistas e ciclistas com carteira assinada há pelo menos seis meses. Para veículos que exigem habilitação, será preciso apresentar CNH na categoria A. O cadastro começa em 15 de junho na plataforma oficial do programa, e a busca pelo financiamento nos bancos participantes poderá ser feita a partir de 13 de julho, depois da confirmação de elegibilidade e da análise de crédito pelas instituições financeiras.

O programa permite a compra de um veículo zero-quilômetro por CPF e abrange motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas, além de modelos elétricos e bicicletas elétricas dentro dos limites definidos pelo governo. Também entram no financiamento o seguro prestamista e, no caso das empresas, baterias, pontos de troca e sistemas de recarga para motos elétricas. A meta oficial é viabilizar a aquisição de cerca de 100 mil motocicletas. Segundo o ministro Guilherme Boulos, a linha foi desenhada para oferecer custo bem abaixo do mercado, onde os juros médios para a compra de motos estão em torno de 27% ao ano.

Cruzeiro do Sul reúne órgãos e cooperativa em ação de limpeza e preservação do Rio Juruá

Cruzeiro do Sul realizou uma ação de limpeza e conscientização ambiental nas margens do Rio Juruá, com participação da prefeitura, órgãos estaduais e federais e entidades locais. A mobilização integrou a programação do Mês do Meio Ambiente e fez parte do Dia D de Limpeza de Cursos Hídricos, com foco na retirada de resíduos e na orientação sobre descarte correto do lixo.

A atividade começou no Porto Central, no cais da cidade, e concentrou esforços na remoção de materiais acumulados nas margens do rio. A ação também buscou orientar barqueiros, ribeirinhos e passageiros que usam a hidrovia entre Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e municípios do Amazonas. Participaram da mobilização a Secretaria Municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, a Secretaria de Obras, por meio do Departamento de Limpeza Pública, a Defesa Civil, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros, a Marinha, o 61º BIS e a Coopersul.

A iniciativa foi tratada pelos organizadores como uma medida de limpeza imediata e de educação ambiental. A secretária municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Edna Fonseca, afirmou que o rio não pode ser tratado como destino final do lixo e defendeu orientação contínua aos usuários da via fluvial. O presidente da Coopersul, Eutimar Sombra, também alertou para os impactos do descarte irregular em um cenário de previsão de estiagem severa, com risco ambiental e reflexos para a saúde das comunidades ribeirinhas.

Durante a mobilização, o Corpo de Bombeiros chamou atenção para os cuidados no transporte de combustível pelos rios durante o período seco. A orientação foi para que embarcações redobrem a atenção com a redução do nível das águas, a fim de evitar acidentes e contaminação. A avaliação entre os participantes é de que a força-tarefa reforça a presença do poder público no rio e tenta consolidar a preservação do Juruá como pauta permanente no Vale do Juruá.

Operação Ptolomeu fica travada no Acre e 12 investigados seguem sem denúncia

Dois anos e meio depois de a Operação Ptolomeu abrir a primeira frente criminal contra o esquema de corrupção investigado no governo do Acre, o processo que mira 12 investigados sem foro privilegiado continua parado no Ministério Público Estadual, em Rio Branco, sem denúncia oferecida, sem data para chegar à promotoria responsável e sem previsão de julgamento. A informação foi trazida pela TV Gazeta, no jornal Gazeta em Manchete de quinta-feira, dia 11, e expõe o contraste entre a condenação do ex-governador Gladson Cameli no Superior Tribunal de Justiça e a lentidão da parte local do caso.

O ex-governador foi condenado pela Corte Especial do STJ a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado. A ação em Brasília tratou de crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, porém, a parte que envolve familiares, ex-secretários, empresários e servidores ainda não atravessou a etapa decisiva da denúncia criminal. Sem esse ato, ninguém vira réu na primeira instância, a instrução não começa e a responsabilização dos demais personagens fica suspensa.

A primeira ação penal nascida da Ptolomeu ficou conhecida como caso Murano. Ela trata de contratos de obras e recuperação de prédios públicos estaduais que, pela acusação, foram usados para desviar dinheiro do Estado por meio de uma empresa de fachada. A engrenagem passava pela cessão de CNPJ, pela contratação formal de uma empresa sem estrutura real para executar o serviço e pela movimentação de cerca de R$ 18 milhões. Desse total, R$ 11 milhões aparecem ligados diretamente a sobrepreço e superfaturamento. Na prática, o que deveria virar obra pública virou prova de um mecanismo que drenava recursos do orçamento acreano por dentro dos próprios contratos oficiais.

A lista dos investigados que desceu para a Justiça de primeiro grau alcança o núcleo familiar e administrativo de Gladson Cameli. Estão nela a ex-esposa Ana Paula Corrêa da Silva Cameli, o irmão Gledson de Lima Cameli, o pai Eládio Cameli, o ex-secretário de Obras Thiago Caetano, os empresários Gabriel Látia de Araújo e Souza e Uudson Marcelo Amaral de Souza, além de servidores estaduais ligados ao funcionamento das licitações. São nomes que, pela investigação original, ajudariam a explicar como uma fraude desse tamanho não nasce apenas da assinatura de uma autoridade, mas de uma rede que prepara edital, valida medição, libera pagamento, empresta empresa e dá aparência legal ao desvio.

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, mandou a parte dos acusados sem foro para a Justiça Federal do Acre em dezembro de 2023. Depois disso, os autos passaram pelo Tribunal de Justiça e chegaram ao Ministério Público do Acre. A instituição reconheceu que recebeu o processo, mas atribuiu a demora ao fluxo interno. “O processo foi recebido pela instituição, mas ainda não chegou à promotoria responsável, que é a Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social”, informou o MPAC à TV Gazeta.

Essa frase resume o impasse. Não se trata de absolvição, arquivamento ou decisão judicial que encerrou a apuração. O processo existe, os nomes existem, os valores existem e a condenação no STJ já fixou, em outro braço da mesma operação, a existência de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos. O que falta, no Acre, é o ato processual básico para que os demais investigados respondam formalmente às acusações perante a Justiça.

A demora cria uma desigualdade difícil de explicar ao cidadão que paga imposto e vê escola, hospital, estrada e prédio público dependerem de cada real do orçamento. O ex-governador recebeu uma pena pesada por crimes ligados a licitações e lavagem de dinheiro, mas a engrenagem local que teria dado sustentação ao esquema continua sem enfrentamento criminal efetivo na primeira instância.

A consequência não é apenas jurídica. Quando um processo desse porte fica parado, o tempo trabalha contra a memória das provas, contra a recuperação do dinheiro e contra a confiança pública nas instituições. Cada mês sem denúncia empurra para mais longe a resposta sobre quem assinou, quem recebeu, quem intermediou, quem lavou dinheiro e quem se beneficiou dos contratos. Também distancia o Estado da possibilidade de recompor o prejuízo causado aos cofres públicos.

No STJ, a condenação de Gladson Cameli tratou de crimes que atravessam a administração pública por dentro: organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, a parte desmembrada ainda espera o Ministério Público transformar os autos em denúncia ou apontar, de forma fundamentada, outro caminho processual.

A Operação Ptolomeu começou como uma investigação sobre corrupção na cúpula do poder estadual e avançou sobre contratos, obras, empresas e movimentações financeiras. O caso Murano é uma das peças dessa arquitetura. Ele não trata de um episódio isolado, mas de uma forma de operação: empresas usadas como fachada, contratos públicos como porta de entrada, servidores e empresários como operadores, dinheiro público como alvo.

É por isso que a estagnação no Ministério Público do Acre pesa mais do que uma demora comum de cartório. Ela mantém sem resposta a parte mais próxima do cotidiano acreano: os personagens que circularam nos órgãos estaduais, as empresas que receberam, os servidores que tocaram os processos e os familiares que aparecem no entorno do ex-governador. Enquanto essa etapa não anda, a Ptolomeu fica partida em duas realidades. Em Brasília, uma condenação histórica. Em Rio Branco, um processo ainda preso antes da largada.

Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Ortiz cresce160% em contratos com o governo em apenas um ano, questiona coluna da Gina e reacende pergunta que o MPAC já fez! 

A Coluna da Gina Menezes, no portal Folha do Acre, trouxe nesta semana um questionamento que merece sair dos bastidores políticos e entrar no campo da transparência pública: qual é, afinal, o tamanho da Ortiz no Acre?

A provocação da coluna chama atenção para a força de um grupo empresarial que há anos opera em uma área sensível para o Estado: o transporte aéreo. Mas o ponto mais relevante não está apenas na influência política ou econômica atribuída à família. Está em uma pergunta que o próprio Ministério Público do Acre já havia colocado oficialmente: como os contratos da Ortiz Táxi Aéreo com o governo estadual cresceram mais de 160% de 2024 para 2025?

A questão aparece em portaria da Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Patrimônio Público, assinada pela promotora Myrna Teixeira Mendoza. O procedimento foi instaurado para apurar o fretamento de aeronaves a serviço do governo do Estado em 2025, em contratos considerados de valores vultuosos com a empresa Ortiz Táxi Aéreo.

No documento, o MPAC afirma que houve “evolução exponencial” dos valores contratados ao longo dos anos, com aumento superior a 160% de 2024 para 2025, em um intervalo de apenas um ano, sem justificativa técnica amplamente divulgada. A Promotoria também registra que os contratos acumulados com a empresa desde 2019 ultrapassam R$ 84 milhões.

Esse é o centro da discussão. Em um estado onde o transporte aéreo tem importância real para deslocamentos oficiais, atendimento de regiões isoladas, transporte de pessoal, cargas e apoio a serviços públicos, a contratação de aeronaves pode ser necessária. O que o MPAC quer entender é outra coisa: por que a despesa cresceu tanto e em tão pouco tempo?

A Ortiz aparece, hoje, como uma das principais empresas do setor aéreo no Acre. A empresa presta serviços de fretamento de aeronaves e tem relação contratual com o poder público estadual, especialmente em demandas ligadas à Casa Civil, ao Gabinete do Governador e a outros órgãos participantes de processos de registro de preços.

Em 2024, termo aditivo publicado no Diário Oficial registrou contrato entre a Casa Civil e a Ortiz Táxi Aéreo para prestação de serviços de fretamento de aeronaves, com transporte de pessoal em trechos nacionais, interestaduais, intermunicipais e internacionais. O contrato tinha como finalidade atender às necessidades do Gabinete do Governador e da Secretaria de Estado da Casa Civil, com valor anual estimado de R$ 6,825 milhões.

Já em 2025, a empresa voltou a aparecer em contratação de grande porte. No Pregão Eletrônico SRP nº 390/2025, a planilha comparativa de preços aponta a Ortiz como vencedora de dois itens para fretamento de aeronaves: um monomotor turboélice do tipo Caravan e um bimotor turboélice pressurizado do tipo King Air. O total classificado em favor da empresa chegou a R$ 49,509 milhões.

É importante registrar que ata de registro de preços não significa, automaticamente, execução integral de todo o valor previsto. Ainda assim, o tamanho do processo ajuda a explicar por que a Promotoria decidiu olhar para a evolução desses contratos.

O pregão também foi alvo de disputa administrativa. A Rio Branco Aerotáxi recorreu contra a habilitação da Ortiz no item referente à aeronave bimotor turboélice pressurizada do tipo King Air. A concorrente alegou que a empresa não teria apresentado, naquele momento, documentação suficiente para comprovar a disponibilidade da aeronave e homologações necessárias junto à Anac.

A Ortiz, por sua vez, defendeu que as exigências apontadas pela concorrente diziam respeito à fase de contratação, e não à habilitação. O pregoeiro negou o recurso e manteve a empresa como vencedora do grupo 02 do processo.

A decisão administrativa, no entanto, não elimina o questionamento maior levantado pelo Ministério Público. O procedimento da Promotoria não trata apenas de uma disputa entre empresas, mas da necessidade de explicar o crescimento acelerado dos gastos públicos com fretamento de aeronaves.

A portaria também menciona o uso de justificativas genéricas, falta de transparência ativa e possível uso inadequado das aeronaves para finalidades diversas do contrato. Por isso, o MPAC determinou a formalização do procedimento e solicitou diligência ao Núcleo de Apoio Técnico, responsável por analisar a documentação reunida.

A Coluna da Gina acerta ao recolocar a Ortiz no centro do debate público. Mas o ponto mais concreto não é apenas dizer que o grupo é poderoso. É mostrar que esse poder empresarial se cruza com contratos públicos, logística aérea e dinheiro do Estado.

A pergunta que precisa ser respondida não é retórica. Ela já foi feita pelo Ministério Público: o que justifica um crescimento de mais de 160% nos valores contratados com a Ortiz entre 2024 e 2025?

A resposta cabe ao governo do Acre, aos órgãos contratantes e à própria documentação dos processos administrativos. Em um contrato dessa dimensão, transparência não é favor. É obrigação.

Foto: Charles Bezerra – @charlesbzrr