Rio Branco reforça drenagem e limpeza na Baixada da Sobral

A Prefeitura de Rio Branco ampliou nesta quarta-feira (26) os serviços de limpeza de córregos, retirada de entulhos e manutenção da drenagem na Baixada da Sobral. As intervenções fazem parte das ações preventivas para reduzir alagamentos e enxurradas durante o período de chuvas e incluem ainda a implantação de galerias em ruas da região.

As equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade trabalham em duas frentes. Nos pontos onde máquinas não conseguem acessar, a limpeza é feita manualmente. Nos demais locais, uma escavadeira auxilia na retirada de resíduos e na manutenção dos córregos.

A Baixada da Sobral já recebe a terceira rodada de limpeza preventiva dos canais. Os serviços estão concentrados na Rua Liberdade, enquanto outros bairros, como São Sebastião e Flávio de Castro, também passaram por intervenções.

Além da zeladoria, obras de drenagem são executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana. A prefeitura informou que a implantação de galerias está em fase de conclusão e pretende aumentar a capacidade de escoamento da água em áreas atingidas por transbordamentos durante chuvas fortes.

Parte da obra ficou temporariamente paralisada para ajustes nas dimensões das aduelas utilizadas na estrutura. Com a adequação concluída, a previsão é de que a empresa responsável retome o serviço na sexta-feira (28).

Outras galerias já foram implantadas na Rua Mendissá e em mais três vias da região. A estratégia é criar novos pontos de passagem para a água e diminuir os impactos das enxurradas sobre moradores e imóveis da Baixada da Sobral.

O secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony da Rocha Roque, afirmou que o trabalho antecede o período de maior volume de chuvas. “Na Baixada da Sobral, já estamos na terceira execução dos córregos, fazendo esse trabalho preventivo”, declarou.

O secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, disse que a construção das galerias busca diminuir problemas provocados pelo transbordamento dos córregos. Segundo ele, as intervenções serão mantidas até a conclusão dos serviços previstos para a região.

A prefeitura também pediu que a população evite descartar resíduos em córregos, canais e outros pontos de drenagem. O lixo acumulado pode obstruir a passagem da água e contribuir para alagamentos mesmo depois da realização das limpezas.

No córrego Juarez Távora, o serviço já chegou à segunda limpeza neste ano. A programação municipal prevê que as equipes avancem para outros bairros da capital.

TRE do Acre encerra instrução em processo que pode barrar candidatura de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre encerrou a fase de instrução do processo de registro de candidatura de Gladson Cameli ao Senado nas eleições de 2026 e remeteu os autos à Procuradoria Regional Eleitoral para manifestação no prazo de três dias. A decisão foi assinada pelo juiz-membro Thalles Vinicius de Souza Sales, relator do caso, em Rio Branco, no âmbito do pedido apresentado pela coligação Avança Acre.

O processo envolve a ação de impugnação ao registro de candidatura ajuizada pela Procuradoria Regional Eleitoral. O órgão aponta inelegibilidade com base na Lei Complementar nº 64/1990, em razão da condenação de Cameli pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça na Ação Penal nº 1.076/DF. A condenação foi de 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de multa e indenização, pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também tramita nos autos uma notícia de inelegibilidade apresentada por Joaquim Pedro de Morais Filho, com fundamentos semelhantes aos da impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral. A Secretaria Judiciária informou que os requisitos formais de elegibilidade foram preenchidos e que houve juntada posterior de certidões criminais para fins eleitorais expedidas pelo STJ e pela Justiça Federal de 1º e 2º graus, além do Diário Oficial com o ato de desincompatibilização do cargo de governador do Acre.

Na contestação, a defesa de Gladson Cameli levantou preliminares sobre a redistribuição do processo por prevenção, pediu o não conhecimento da notícia de inelegibilidade por suposto vício formal e extemporaneidade e defendeu a possibilidade de a Justiça Eleitoral examinar a validade do título penal diante de decisões do Supremo Tribunal Federal.

No mérito, a defesa alegou ofensa ao duplo grau de jurisdição, citou reflexos de decisão do STF no Habeas Corpus nº 247.281/DF sobre relatórios de inteligência financeira, mencionou a tramitação do HC nº 273.968/DF com pedido liminar para suspender os efeitos da condenação e pediu, de forma subsidiária, o sobrestamento do processo até deliberação cautelar do Supremo.

O relator entendeu que o caso está suficientemente instruído com os documentos já apresentados e que a controvérsia é de natureza jurídica e documental. Por isso, rejeitou a necessidade de produção de novas provas e dispensou alegações finais, em razão da ausência de fase probatória.

A questão sobre eventual irregularidade na redistribuição do processo por prevenção não foi decidida monocraticamente. O juiz Thalles Vinicius de Souza Sales determinou que esse ponto, assim como as demais preliminares, a notícia de inelegibilidade, o pedido de sobrestamento e o mérito da impugnação sejam analisados diretamente pelo plenário do TRE do Acre na sessão de julgamento definitivo.

Com a decisão, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá se manifestar sobre a contestação e a documentação apresentada pela defesa. Depois disso, os autos voltarão conclusos para andamento do processo no tribunal.

Jorge Viana visita Polo Wilson Pinheiro e ouve demandas de produtores na Transacreana

O candidato ao Senado pelo PT, Jorge Viana, visitou nesta quarta-feira (26) o Polo Agroflorestal Wilson Pinheiro, na região da Transacreana, em Rio Branco. Durante o encontro, produtores rurais relataram dificuldades relacionadas a estradas, assistência técnica, crédito, escoamento da produção e comercialização de alimentos.

Criado em 1999, durante o primeiro mandato de Viana como governador do Acre, o Polo Wilson Pinheiro surgiu como parte de uma política de incentivo à agricultura familiar. A experiência dos polos agroflorestais havia começado ainda em 1993, quando ele administrava a Prefeitura de Rio Branco.

A reunião ocorreu na casa do presidente da Cooperativa de Agricultura Familiar e Economia Solidária do Vale do Baixo Acre (Coopafes), Antônio Werneck. Moradores que vivem na comunidade desde os primeiros anos do projeto participaram do encontro e relataram as mudanças ocorridas na região ao longo de mais de duas décadas.

O polo recebeu inicialmente cerca de 40 famílias. Atualmente, aproximadamente 190 famílias vivem na localidade, de acordo com moradores. Entre as atividades desenvolvidas estão o cultivo de macaxeira, banana, hortaliças e folhagens, além da criação de galinhas, porcos e outros pequenos animais.

Viana afirmou que a permanência das famílias e da produção agrícola na área demonstra a continuidade do projeto implantado há mais de 20 anos. “Os polos agroflorestais estão entre os projetos mais importantes que fizemos na Prefeitura de Rio Branco e no Governo do Estado. Não foi apenas uma semente: ela frutificou”, disse.

Uma das moradoras mais antigas e presidente da Associação de Moradores e Produtores Rurais do Polo Wilson Pinheiro, Sheila defendeu a ampliação das políticas públicas destinadas à população rural. Segundo ela, famílias que chegaram ao local nos primeiros anos conseguiram permanecer na área, trabalhar e criar os filhos na comunidade.

Antônio Werneck também relatou que alguns dos primeiros moradores participaram da reunião. Para o presidente da Coopafes, a principal preocupação agora é garantir condições para que as famílias continuem produzindo e comercializando os alimentos.

Ao ouvir as reivindicações, Viana defendeu investimentos em infraestrutura rural, assistência técnica, crédito e acesso ao mercado. “Quem produz no campo precisa de estrada, assistência técnica, crédito, condições para produzir e mercado para vender”, afirmou.

A visita ocorreu durante a campanha eleitoral de 2026. Viana disputa uma das vagas do Acre no Senado e tem colocado temas relacionados à produção rural e à agricultura familiar entre os assuntos abordados em compromissos de campanha.

Ana Castela terá cachê de R$ 850 mil e acumula milhões em shows pagos com dinheiro público

A cantora Ana Castela terá mais um cachê bancado com recursos públicos nesta semana. A artista foi contratada por R$ 850 mil para se apresentar nesta quinta-feira, 27, na Expo São Fidélis, no Rio de Janeiro. O valor será coberto com recursos federais destinados ao município por meio de uma emenda de R$ 1 milhão da Comissão de Turismo da Câmara, indicada pela deputada federal Dani Cunha (PL-RJ).

A Prefeitura de São Fidélis acrescentará R$ 50 mil de contrapartida. O orçamento de R$ 1,05 milhão será utilizado nos cachês de Ana Castela, de R$ 850 mil, e da dupla Antony e Gabriel, de R$ 200 mil. Até a última consulta divulgada nesta terça-feira, 25, o pagamento da cantora ainda não aparecia no Transferegov. Pelo contrato, o repasse pode ser realizado até o dia da apresentação.

O contrato no Rio de Janeiro é parte de uma sequência de apresentações da cantora financiadas por prefeituras e governos estaduais. Levantamento do projeto Farras, do De Olho nos Ruralistas, citado pelo Metrópoles, identificou R$ 73 milhões em contratos públicos para 93 apresentações de Ana Castela entre janeiro de 2024 e março de 2026.

Outro levantamento, realizado pelo Metrópoles a partir dos registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), encontrou somente em 2026 26 contratações feitas por prefeituras, que somam R$ 22,68 milhões. Entre os contratos aparecem apresentações na faixa de R$ 800 mil a R$ 900 mil e um cachê de R$ 1,3 milhão em Barbacena, Minas Gerais.

Paraná pagou R$ 12,6 milhões a Ana Castela

Um novo painel divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná ajuda a dimensionar quanto do mercado de grandes shows é sustentado pelo orçamento público.

De 2021 até o primeiro semestre de 2026, os municípios paranaenses registraram aproximadamente R$ 1,2 bilhão em despesas com shows e eventos artísticos. O levantamento reúne 10,9 mil empenhos de pelo menos R$ 20 mil classificados nas rubricas de festividades, homenagens e contratação artística e cultural. Foram identificadas 1.158 atrações no período.

Ana Castela ocupa a terceira posição entre os artistas identificados com os maiores valores recebidos no Paraná, com R$ 12,6 milhões. Segundo levantamento do Metrópoles sobre o painel do TCE, foram 31 apresentações, o que representa média próxima de R$ 407 mil por contratação no período analisado.

À frente dela aparecem Fernando & Sorocaba, com R$ 18,1 milhões, e Guilherme & Benuto, com aproximadamente R$ 13 milhões. Na sequência estão Maiara & Maraisa, com R$ 11,2 milhões; Luan Pereira, R$ 11,1 milhões; Leonardo, R$ 10,6 milhões; e Clayton & Romário, com R$ 10,4 milhões.

A análise feita pelo Metrópoles encontrou ainda uma característica no topo da lista: os 60 artistas com maiores valores identificados no painel são ligados ao sertanejo. A classificação por gênero musical é da reportagem, e não do TCE-PR.

O volume de gastos das prefeituras cresceu nos últimos anos. Foram R$ 25,1 milhões em 2021, ainda durante a pandemia, R$ 146,4 milhões em 2022, R$ 212,4 milhões em 2023, R$ 292,2 milhões em 2024 e R$ 403,5 milhões em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, os registros já somavam R$ 144,7 milhões.

O próprio Tribunal faz uma ressalva sobre os números. Aproximadamente metade do dinheiro registrado não permitiu identificar claramente qual artista recebeu o recurso. O Metrópoles calcula em cerca de R$ 595 milhões o conjunto de empenhos sem discriminação das atrações. Por isso, o ranking mostra os maiores valores entre os artistas que puderam ser identificados nos registros, e não necessariamente todos os maiores beneficiários do R$ 1,2 bilhão.

O TCE também identificou casos que serão analisados separadamente por possíveis problemas na origem dos recursos. Há registros com indícios de utilização de verbas contabilmente vinculadas à saúde, educação básica, Fundo do Idoso, Corpo de Bombeiros e iluminação pública. O Tribunal informou que deverá instaurar procedimentos quando houver confirmação de uso irregular. Isso não significa que o conjunto das despesas com shows seja irregular.

Ana Castela também foi contratada pelo Governo do Acre

No Acre, Ana Castela esteve entre as atrações nacionais da Expoacre 2026, realizada neste mês em Rio Branco. A apresentação ocorreu no dia 6 de agosto e foi custeada pelo Governo do Estado.

A Casa Civil contratou Ana Castela e Leonardo em um mesmo instrumento, o Contrato CC nº 45/2026, no valor total de R$ 2,55 milhões. O contrato foi firmado com a Apolo Assessoria e contempla as duas apresentações, bandas, equipes técnicas e produção artística. Os registros públicos, porém, não individualizam quanto dos R$ 2,55 milhões corresponde a Leonardo e quanto foi destinado a Ana Castela.

Até o fim da execução da programação, os cinco contratos das atrações nacionais bancadas diretamente pelo Estado na Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que passou a constar como liquidado e pago nos registros financeiros consultados pelo Integração Net.

Além dos R$ 2,55 milhões destinados conjuntamente a Leonardo e Ana Castela, o governo contratou Wesley Safadão por R$ 1,8 milhão, Natanzinho Lima por R$ 1,3 milhão, Padre Fábio de Melo por R$ 500 mil e a Banda Som e Louvor por R$ 300 mil.

Os R$ 6,45 milhões correspondem apenas às principais apresentações musicais pagas pela Casa Civil. O valor não inclui palco, iluminação, sonorização, segurança, reforma do Parque de Exposições, alimentação, transporte e outras despesas da Expoacre.

Juruá teve mais R$ 6,25 milhões previstos para cachês

Pouco mais de um mês antes, o Governo do Acre também havia financiado a programação nacional da Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul.

O Plano de Trabalho do Termo de Colaboração firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar reservou R$ 6,25 milhões para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão; Ícaro & Gilmar, R$ 750 mil; Tierry, R$ 650 mil; Padre Fábio de Melo, R$ 650 mil; e Banda Morada, R$ 400 mil.

Neste caso, os valores são os cachês previstos no Plano de Trabalho. O governo transferiu R$ 15.848.310 à Associação Transformar para a realização da feira, dentro de uma parceria com valor global de R$ 16.648.310. Como o repasse ocorreu de forma global para a entidade, a comprovação do valor efetivamente pago a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Além dos cachês, o plano reservou outros R$ 2.448.520 para produção e logística das atrações nacionais, incluindo passagens, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e direitos autorais.

Somados, os cachês contratados em Rio Branco e os valores previstos para as atrações nacionais no Juruá chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Desse total, R$ 6,45 milhões correspondem aos contratos da Expoacre de Rio Branco que aparecem como pagos e R$ 6,25 milhões ao orçamento destinado aos seis shows nacionais da Expoacre Juruá.

Os dados do Paraná e as contratações realizadas no Acre mostram que os grandes shows sertanejos ocupam uma parcela relevante do mercado de eventos financiados pelo poder público. No caso de Ana Castela, os registros disponíveis permitem acompanhar essa presença em diferentes escalas: R$ 12,6 milhões identificados pelo TCE somente em municípios paranaenses desde 2021, R$ 22,68 milhões em contratos municipais encontrados no PNCP em 2026 e uma nova apresentação de R$ 850 mil prevista para esta semana em São Fidélis. No Acre, a cantora integrou um contrato conjunto de R$ 2,55 milhões pago pelo Governo do Estado para a Expoacre.

Flávio Bolsonaro promete ligação rodoviária do Acre com o Peru em vídeo divulgado por Márcio Bittar

O senador Márcio Bittar, candidato à reeleição pelo Acre, divulgou um vídeo em que Flávio Bolsonaro assume o compromisso de apoiar uma ligação rodoviária entre o estado e o Peru. Na gravação, Bittar apresenta a obra como estratégica para ampliar a integração internacional e pede que Flávio assuma publicamente o compromisso de executá-la em um eventual governo.

Bittar inicia o vídeo fazendo uma defesa de Jair Bolsonaro e afirma que o ex-presidente precisa do apoio de seus aliados. Em seguida, lembra que Bolsonaro discutiu com autoridades peruanas o aprofundamento das relações entre os dois países e cita a reconstrução da BR-364 e a continuidade da conexão rodoviária entre Cruzeiro do Sul e o território peruano.

“Você pode, em nome do teu pai, em nome de todo o povo acreano, assumir esse compromisso?”, pergunta Bittar.

Flávio Bolsonaro responde que a infraestrutura estaria entre as prioridades de seu governo e afirma que pretende organizar as contas públicas para ampliar os investimentos no Acre.

“Márcio Bittar e povo do Acre. O compromisso está assumido. Infraestrutura vai ser uma prioridade no nosso governo”, declarou.

Na sequência, Flávio relaciona a proposta à criação de uma rota de integração entre o Brasil e mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico. Ele afirma que a ligação representa um caminho mais curto para o comércio internacional e diz que a distância restante não pode impedir a execução do projeto.

“É a conexão do Brasil com a Ásia. É o caminho mais curto, mais efetivo. E não são duzentos quilômetros que vão separar a prosperidade no Acre do futuro do nosso Brasil”, afirmou.

Flávio encerra a declaração reforçando o compromisso apresentado por Bittar. “Pode contar com esse compromisso. Essa obra vai sair.”

A ligação terrestre do Acre com o Peru é uma pauta recorrente no debate sobre infraestrutura e integração regional. No vídeo, Bittar associa diretamente a proposta à agenda de desenvolvimento do estado e tenta obter de Flávio Bolsonaro uma garantia política para a continuidade do projeto.

O Silêncio de Mailza Cameli: Entre as Cordas do Próprio Mandato

Uma sabatina política não é apenas um teste de propostas. Para quem ocupa o governo, é também o momento em que promessa e realidade ficam frente a frente. Na noite de terça-feira (25), durante a sabatina da TV Rio Branco, a candidata à reeleição Mailza Cameli (PP) enfrentou justamente esse problema: falar sobre o Acre que pretende entregar sem conseguir escapar do Acre que já administra.

Em vários momentos, a resposta veio na forma de silêncio, hesitação ou frases que não alcançaram a pergunta. Podemos dizer que é a segunda sabatina seguida tendo o mesmo problema.

O primeiro sinal apareceu no bloco sobre gestão pública. A jornalista Marcela Jansen pediu que Mailza apontasse, dentro da própria administração, onde o dinheiro público não estava sendo bem gasto e o que faria para corrigir o problema. Era uma oportunidade para reconhecer falhas, indicar prioridades e mostrar o que mudaria dentro de um governo que já é seu.

Mailza não apontou nenhuma.

Falou em “cortar gastos” e “planejamento”, mas não identificou onde existem excessos, desperdícios ou escolhas equivocadas dentro da máquina pública. Para uma candidata de oposição, uma resposta genérica poderia ser apenas falta de informação. Para quem governa, a ausência de exemplos pesa de outra forma.

A dificuldade voltou quando o assunto passou para desenvolvimento econômico. Evandro Cordeiro perguntou objetivamente se Mailza recriaria uma secretaria voltada aos pequenos negócios. A governadora não respondeu diretamente. Preferiu falar em “desburocratização” e recorreu à Expoacre para sustentar a resposta.

A pergunta, porém, continuou praticamente onde estava.

No bloco de assistência social, Mailza citou o “guarda-roupa social” entre as ações desenvolvidas pelo governo. A iniciativa pode atender uma necessidade imediata, mas chama atenção quando aparece no mesmo debate em que se cobra uma estratégia para enfrentar problemas estruturais de renda e vulnerabilidade. Assistência emergencial e política de desenvolvimento não são a mesma coisa — e a sabatina cobrava justamente essa diferença.

O momento mais desconfortável, porém, veio na administração do próprio tempo.

Questionada sobre como pretende entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador. Foi advertida, interrompeu a fala e perdeu o ritmo justamente na pergunta em que deveria apresentar sua visão para os próximos quatro anos.

Depois, quando recebeu o direito de resposta para rebater Alan Rick sobre a Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR), surgiu outra hesitação. Mailza afirmou que a delegacia não havia sido extinta, mas colocada “num outro departamento”. A explicação saiu entre pausas e dificuldade para organizar a defesa de uma decisão tomada dentro da estrutura de segurança pública do próprio governo.

É nesse ponto que a sabatina expôs uma fragilidade maior.

Mailza não estava sendo questionada apenas sobre aquilo que pretende fazer. Estava sendo cobrada também pelo que já pode fazer.

Isso ficou evidente ao tratar do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos servidores. Falar em melhorias futuras no PCCR enquanto se ocupa atualmente o comando do Executivo cria uma pergunta inevitável: por que deixar para um eventual próximo mandato aquilo que já pode começar a ser enfrentado agora?

Esse foi o fio que atravessou boa parte da entrevista.

Quando perguntada sobre os problemas do governo, Mailza evitou apontá-los. Quando provocada a apresentar respostas concretas para o desenvolvimento, contornou algumas perguntas. Quando chegou a hora de projetar 2030, perdeu-se numa disputa pelo direito de resposta.

Para quem busca um primeiro mandato, prometer é parte natural da campanha. Para quem tenta permanecer no governo, a promessa sempre encontra o presente no meio do caminho.

E foi justamente o presente que mais apertou Mailza contra as cordas durante a sabatina.

Ao final, ficou menos a imagem de uma governadora apresentando o próximo Acre e mais a de uma candidata tentando atravessar as perguntas sem ter de confrontar diretamente as limitações do Acre que já governa.

Foto: Contilnet

Alan Rick promete barrar condenados por violência doméstica de cargos públicos no Acre

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao governo do Acre, afirmou na noite de terça-feira, 25 de agosto, durante a sabatina da TV Rio Branco, que pretende impedir a permanência de condenados por violência doméstica em cargos públicos e acusou o Executivo estadual de não cumprir uma legislação já aprovada sobre o tema. A declaração surgiu durante uma pergunta da jornalista Marcela Jansen sobre a relação de um eventual governo de Alan com a Assembleia Legislativa e sobre leis que são aprovadas, mas não chegam a ser efetivamente cumpridas. A sabatina reuniu os candidatos ao Palácio Rio Branco e foi realizada na sede da emissora, em Rio Branco.

Alan começou a resposta defendendo uma relação institucional entre governo e Assembleia. Disse que pretende respeitar a oposição, construir uma base parlamentar para aprovar projetos do Executivo e preservar a independência entre os poderes. “Todo governo precisa construir um relacionamento republicano institucional com a Assembleia Legislativa”, afirmou. Para o candidato, a oposição também cumpre uma função ao cobrar o governo e apontar erros da administração.

A resposta mudou de direção quando Alan passou a tratar de leis estaduais que, na avaliação dele, não são cumpridas. Foi nesse momento que escolheu a violência contra a mulher como exemplo. “Existem leis importantes aprovadas pela Assembleia que não são aplicadas. Vou dar um exemplo. Uma lei de 2024 estabelece uma regra que eu acho fundamental: agressor de mulher não pode ter cargo público”, declarou. Em seguida, repetiu: “Agressor de mulher não pode ter cargo público”.

A norma citada por Alan surgiu em 2024, com o Projeto de Lei nº 230/2024, apresentado na Assembleia Legislativa em 13 de novembro daquele ano pela deputada Michelle Melo. A proposta só se transformou em lei em 24 de março de 2025, quando foi sancionada como Lei Estadual nº 4.577.

A Lei nº 4.577 proíbe a nomeação para cargos públicos, administrativos e políticos de pessoas condenadas por violência doméstica e familiar, nos termos da Lei Maria da Penha, e também por crimes contra a dignidade sexual previstos no Código Penal. A restrição começa apenas quando existe condenação com trânsito em julgado, quando já não cabem recursos, e permanece até o cumprimento da pena.

Na sabatina, Alan foi além da defesa da norma e fez uma cobrança direta ao Executivo. “Essa lei de 2024 não está sendo devidamente exercida pelo Executivo”, afirmou. “Essa é uma lei que certamente será obedecida e executada em nosso governo”, disse.

O candidato também relacionou a promessa aos números da violência contra as mulheres no Acre. “Nós vamos enfrentar essa violência contra a mulher. Uma violência que nos maltrata. O Acre é campeão nacional de feminicídio”, afirmou. Nesse ponto, a declaração encontra respaldo no levantamento nacional mais recente com dados consolidados de um ano inteiro. O Acre registrou 14 feminicídios em 2025 e chegou à taxa de 3,2 mortes para cada 100 mil mulheres, a maior entre as unidades da Federação. A média brasileira ficou em 1,4. Os números fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em julho de 2026.

O debate político aberto pela declaração de Alan toca diretamente numa situação presente dentro do Palácio Rio Branco. Desde 8 de abril deste ano, Madson de Castro Cameli ocupa o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora Mailza Assis. A nomeação foi feita pelo Decreto nº 13.338-P.

Madson foi investigado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público do Acre em 2024 em um caso de violência doméstica envolvendo sua ex-mulher. O MPAC confirmou à época que a vítima recebeu atendimento do Centro de Atendimento à Vítima, que havia medida protetiva deferida e que o inquérito estava sob análise da Promotoria de Justiça de Cruzeiro do Sul. Posteriormente, a denúncia por lesão corporal e violência psicológica foi noticiada por diferentes veículos acreanos. Em junho de 2025, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre negou habeas corpus apresentado pela defesa para interromper a ação penal, entendendo que a discussão deveria continuar no processo de origem.