TRF1 mantém condenação por uso indevido de conhecimento Ashaninka sobre murumuru no Acre

A decisão divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal recoloca no centro do debate o direito dos povos indígenas sobre o uso econômico de conhecimentos tradicionais na Amazônia. A 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve a condenação do pesquisador Fábio Fernandes Dias e da empresa Tawaya por exploração indevida de saberes associados ao murumuru do povo Ashaninka do Rio Amônia, no Acre, e fixou indenização por danos materiais correspondente a 20% do faturamento bruto obtido com produtos derivados da espécie, além de R$ 200 mil por danos morais coletivos.

A decisão representa mais uma vitória judicial dos Ashaninka em uma disputa que se arrasta há décadas e envolve pesquisa científica, biodiversidade, propriedade intelectual e repartição de benefícios. O julgamento reforça o entendimento de que o aproveitamento comercial do murumuru não pode ser dissociado da pesquisa realizada dentro do território indígena, com participação direta da comunidade e regras previamente estabelecidas sobre a titularidade dos resultados.

O caso teve origem nos anos 1990, quando a Apiwtxa, associação que representa os Ashaninka do Rio Amônia, firmou parceria para desenvolver um projeto de uso sustentável dos recursos naturais da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. A iniciativa buscava alternativas de geração de renda sem destruição da floresta. Nesse contexto, o pesquisador Fábio Fernandes Dias atuou como técnico do projeto e acompanhou estudos sobre óleos, sementes, essências, folhas, polpas e castanhas de diversas espécies nativas.

Foi nesse processo que o murumuru passou a chamar atenção pelo potencial de uso na indústria de cosméticos. A controvérsia começou depois do encerramento da parceria, quando Dias fundou a empresa Tawaya e passou a desenvolver produtos a partir de óleos e gorduras extrativistas. Os Ashaninka sustentaram que o uso comercial do murumuru nasceu da pesquisa feita no território indígena, com conhecimento compartilhado pela comunidade, e que esse patrimônio não poderia ser apropriado como iniciativa individual nem explorado sem consentimento e sem divisão dos ganhos.

Ao longo da disputa, ganhou força o entendimento de que os indígenas não atuaram apenas como fornecedores de informação ou de matéria-prima. Eles participaram da construção do conhecimento que deu valor econômico ao produto. O convênio firmado à época previa que relatórios, testes, mapas, fotografias e demais resultados da pesquisa pertenciam conjuntamente às instituições envolvidas e que eventual patente, marca, processo ou rendimento exigiria nova pactuação.

O processo judicial começou em 2007, depois de apuração aberta pelo MPF no Acre sobre o uso indevido do conhecimento tradicional associado ao povo Ashaninka. Em 2013, a Justiça Federal já havia condenado o pesquisador e a Tawaya ao pagamento de indenização, além de determinar providências ligadas à patente e à entrega de documentos da pesquisa. Em 2019, a empresa também sofreu derrota na esfera administrativa, com a manutenção de multa de R$ 5 milhões por uso indevido do conhecimento tradicional e ausência de repartição de benefícios.

A decisão tornada pública hoje amplia o alcance dessa reparação ao estabelecer indenização calculada sobre o faturamento bruto com produtos derivados do murumuru. O julgamento também reafirma um ponto central na disputa: o conhecimento tradicional, o território, a participação da comunidade e o desenvolvimento comercial do produto fazem parte da mesma cadeia de valor.

Para os Ashaninka, o resultado reforça um princípio que ultrapassa este caso específico. A discussão não se limita ao uso de uma palmeira amazônica, mas ao reconhecimento de que povos indígenas produzem conhecimento, participam da construção de soluções econômicas ligadas à floresta e têm direito de decidir sobre o uso desse patrimônio e de receber parte justa dos benefícios gerados.

Educação leva estudantes de Rio Branco a Orlando e encerra roteiro com despedida nos parques da Disney e Universal

Entre lágrimas, abraços e relatos de despedida, estudantes da educação municipal de Rio Branco encerraram nos dias 13 e 14 de maio, em Orlando, a etapa final de uma viagem internacional que reuniu parques temáticos e atividades de aprendizagem. Depois de passarem por experiências na Disney, na Universal Studios e na NASA, os alunos fecharam o roteiro com visitas ao Universal Islands of Adventure, no dia 13, e ao Magic Kingdom, no dia 14.

No Islands of Adventure, o grupo percorreu áreas ligadas a aventura, fantasia, super-heróis, dinossauros e franquias do cinema. Um dos pontos de maior expectativa foi a área de Harry Potter, onde os estudantes conheceram a atração Harry Potter and the Forbidden Journey, instalada no Castelo de Hogwarts, em um percurso que mistura movimento, narrativa, tecnologia e efeitos visuais. O roteiro no parque também incluiu montanhas-russas e simuladores entre as atrações mais procuradas pelos visitantes.

No dia seguinte, a programação seguiu para o Magic Kingdom, parque mais tradicional do Walt Disney World Resort. Os estudantes passaram por áreas como Adventureland e Fantasyland, conheceram a atração Peter Pan’s Flight, inspirada na animação de 1953, e embarcaram na Pirates of the Caribbean. À noite, o grupo acompanhou diante do Castelo da Cinderela o show Happily Ever After, com fogos, projeções, lasers e trilha sonora, no momento que marcou o fim da passagem pelos parques temáticos.

A despedida foi resumida pelos próprios alunos como uma experiência que uniu sonho, esforço e descoberta. Ana Luiza Montalvão afirmou que viveu “um sonho realizado com sucesso” e disse ter aprendido na NASA e nos parques que “não devemos desistir dos nossos sonhos”. Carlos Davi Mendonça definiu os oito dias de viagem como um período de “muita aventura, muita emoção e muita conexão”. Yasmin Matos afirmou que realizou um desejo de infância depois de se dedicar aos estudos e fazer a prova de seleção.

Entre os educadores, a avaliação foi de que a viagem ultrapassou o entretenimento. Hélio Sebastião da Silva, gerente do Departamento de Ensino Fundamental, afirmou que os estudantes voltam com novos conhecimentos, novos sonhos e novas metas de vida. “A educação transforma vidas”, disse. A professora Jocilda Melo relatou que acompanhar os alunos no encerramento da programação foi a realização de um trabalho construído pela educação e destacou a organização da viagem e o cuidado com os estudantes ao longo de todo o percurso. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a continuidade do projeto amplia a oportunidade para outras crianças viverem a mesma experiência.

O encerramento no Islands of Adventure e no Magic Kingdom fechou uma etapa de oito dias em que os estudantes tiveram contato com ciência, tecnologia, cultura, cinema e imaginação. No retorno a Rio Branco, o grupo leva lembranças da viagem, novas amizades e a percepção de que o desempenho escolar pode abrir caminhos antes vistos como distantes.

Retomada do Arco Viário de Rio Branco reacende obra estratégica para desafogar trânsito da capital

O governo do Acre retomou as obras do Arco Viário de Rio Branco, projeto tratado como uma das principais intervenções de mobilidade urbana em andamento na capital. A nova etapa dos serviços começou nesta sexta-feira (15), com atuação em diferentes frentes para preparar a estrutura da via que deve retirar parte do tráfego pesado das áreas centrais e abrir um novo eixo de circulação no município.

As equipes trabalham na remoção de trechos comprometidos, na regularização do subleito, no transporte e espalhamento de material para a sub-base da pista e na limpeza mecanizada ao longo do percurso. A retomada marca a reativação de uma obra esperada há anos e recoloca em andamento um corredor viário pensado para reorganizar o fluxo entre pontos estratégicos de Rio Branco.

Durante o acompanhamento dos trabalhos, a governadora Mailza Assis afirmou que a intervenção deve mudar a dinâmica do trânsito na capital. “Vai transformar a circulação em Rio Branco”, disse. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o avanço da obra atende a uma cobrança recorrente da população e reforçou o compromisso de manter a execução dentro do cronograma previsto.

O traçado do Arco Viário foi dividido em quatro lotes. O primeiro trecho liga a BR-364, na Vila Custódio Freire, à AC-10. O segundo segue do entroncamento da AC-10 até a Estrada do Quixadá. O terceiro vai da Estrada do Quixadá até a 6ª Ponte. O quarto trecho conecta a 6ª Ponte à BR-364, completando o anel projetado para redistribuir o tráfego e ampliar a conexão entre regiões da cidade.

O investimento total na obra é de R$ 105 milhões. Os recursos vêm do Programa de Infraestrutura e Saneamento do Estado do Acre, com financiamento externo, além de R$ 38 milhões destinados por emenda parlamentar. Com a retomada, o governo aposta na conclusão de uma via que deve alterar a logística urbana de Rio Branco e reduzir a pressão sobre avenidas e acessos já sobrecarregados.

Saúde e cidadania alcançam todos os presos do Acre em ação encerrada em Cruzeiro do Sul

Cruzeiro do Sul foi o último destino da Ação de Cidadania que levou atendimento de saúde e serviços de assistência a 100% dos reeducandos do sistema prisional do Acre. A etapa final ocorreu nesta sexta-feira, 15 de maio, na unidade Manoel Néri da Silva, no Vale do Juruá, encerrando uma mobilização que percorreu cinco municípios e oito unidades prisionais com consultas médicas, vacinação, testes rápidos, coleta de exames e atendimento odontológico para a população privada de liberdade e para servidores.

A força-tarefa reuniu o Instituto de Administração Penitenciária do Acre, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Saúde, em articulação com a Secretaria Nacional de Políticas Penais, a Fundação Oswaldo Cruz, o Ministério da Saúde e as secretarias municipais de saúde. Em Cruzeiro do Sul, a ação somou 829 atendimentos. No balanço geral, foram alcançados 5.221 reeducandos em todo o estado.

O percurso começou por Senador Guiomard, seguiu por Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá, até chegar a Cruzeiro do Sul. Em Senador Guiomard, foram atendidos 506 presos. Em Rio Branco, 2.972. Em Sena Madureira, 450. Em Tarauacá, 464. A última etapa consolidou o alcance integral da população carcerária acreana.

Além da assistência aos internos, a programação incluiu cuidados voltados aos profissionais do sistema, com serviços como massagem, auriculoterapia e ventosaterapia. A proposta foi ampliar a atenção à saúde dentro das unidades e atender também quem atua diretamente na rotina prisional.

O diretor da unidade de Cruzeiro do Sul, Elves Barros, classificou a mobilização como inédita. “Foi um marco, foi histórico essa ação de hoje. Nunca tinha acontecido uma ação dessa magnitude”, afirmou. A assistente social Nayana Neves, que atua há 17 anos no sistema, disse que nunca havia acompanhado uma ação desse porte e associou a iniciativa à necessidade de atenção à saúde física e emocional dos servidores.

Na avaliação da coordenação da ação, o trabalho também abriu caminho para o mapeamento do perfil epidemiológico da população prisional no Acre. O levantamento permite identificar doenças recorrentes, rastrear casos que exigem acompanhamento e organizar encaminhamentos para tratamento. O coordenador da Senappen, Kleber Carlos Morais, afirmou que a iniciativa fortalece o planejamento da assistência nas unidades e amplia a capacidade de resposta da rede de saúde.

Entre os reeducandos, o atendimento foi recebido como oportunidade de acesso a cuidados que nem sempre chegam com rapidez ao ambiente prisional. Um dos internos atendidos relatou que precisava de assistência médica e odontológica e afirmou que o cuidado com a saúde também faz parte do processo de reconstrução de vida.

Com o encerramento em Cruzeiro do Sul, o Acre conclui uma operação de alcance estadual voltada à ampliação do acesso à saúde no sistema penitenciário, com foco em diagnóstico, prevenção e dignidade para presos e servidores.

MPAC pede à Justiça interdição de abrigo em Brasileia e transferência imediata de acolhidos

O Ministério Público do Acre pediu à Justiça a interdição temporária da Instituição de Acolhimento Regional do Alto Acre, em Brasileia, e a transferência imediata das crianças e adolescentes atendidos no local para unidades com condições adequadas de funcionamento. A medida foi apresentada em caráter de urgência após a identificação de falhas estruturais, administrativas e operacionais no serviço de acolhimento.

A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça Cível de Brasileia. Entre os problemas apontados estão episódios de evasão de acolhidos, deficiência na vigilância institucional, ocorrências ligadas à segurança interna e falhas no acompanhamento dos adolescentes atendidos pela unidade mantida pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços Socioassistenciais.

O Ministério Público também relatou fragilidades na articulação com a rede de proteção, indícios de irregularidades administrativas e problemas no ambiente de trabalho da equipe vinculada à instituição. Para o órgão, o quadro compromete a proteção integral dos acolhidos e exige resposta imediata do poder público.

Além da remoção dos menores para locais aptos a recebê-los, o pedido inclui a destinação de recursos públicos para a construção de uma nova sede, em conformidade com as normas do Sistema Único de Assistência Social e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. A manifestação também cobra a contratação de equipe técnica qualificada por meio de processo seletivo objetivo.

O pedido de tutela de urgência aguarda análise do Poder Judiciário.

Circuito Sesc de Corridas movimenta Rio Branco neste domingo com provas e serviços de saúde

Rio Branco recebe neste domingo, 17 de maio, o Circuito Sesc de Corridas, uma das ações da Semana S 2026 no Acre. A programação começa às 6h, no Sesc Bosque, com percursos de 3 km, 5 km e 10 km e reúne esporte, atendimento em saúde e atividades voltadas à qualidade de vida.

A corrida foi organizada para atender participantes de diferentes perfis, dos iniciantes aos atletas mais experientes, em um evento que também amplia a programação da Semana S na capital acreana. Ao longo do trajeto, os corredores contarão com cinco pontos de hidratação, apoio de ambulância e distribuição de frutas na chegada.

A estrutura montada para o domingo inclui ainda uma série de serviços gratuitos de saúde para o público. Estão previstos atendimentos com aferição de pressão arterial, teste de glicemia, orientações sobre diabetes e hipertensão, ações de saúde bucal e atividades preventivas ligadas ao câncer de mama, de próstata e de pele.

A entrega dos kits aos inscritos ocorreu na sexta-feira, 15 de maio, no Sesc Bosque, em preparação para a prova. A expectativa é de que o circuito reúna competidores e público em uma manhã dedicada ao incentivo à prática esportiva e à prevenção em saúde.

A Semana S é promovida nacionalmente pelo Sistema CNC-Sesc-Senac e reúne ações gratuitas em áreas como esporte, lazer, educação, cidadania e qualificação profissional. No Acre, a programação é realizada com participação de instituições do comércio e do sistema sindical.

Prefeitura de Rodrigues Alves homenageia garis com café da manhã e sorteios no Parque Municipal

A Prefeitura de Rodrigues Alves realizou nesta sexta-feira (15), no Parque Municipal, uma programação especial em homenagem ao Dia do Gari, celebrado neste sábado (16). A ação, organizada pela Secretaria de Meio Ambiente, reuniu profissionais da limpeza urbana em um momento de reconhecimento pelo trabalho diário feito nas ruas da cidade.

A programação incluiu homenagens, confraternização e atividades voltadas à valorização dos servidores que atuam na limpeza pública. Os trabalhadores foram recebidos com um café da manhã e participaram de sorteios de prêmios, em uma agenda marcada por agradecimentos e pela celebração dos serviços prestados ao município.

Durante o encontro, a gestão municipal reforçou a importância dos garis para a manutenção da cidade limpa, organizada e com melhores condições de saúde para a população. O trabalho da categoria foi associado ao funcionamento dos serviços públicos essenciais e à rotina de todos os bairros de Rodrigues Alves.

A homenagem também integrou o conjunto de ações da administração voltadas à valorização dos servidores públicos e ao fortalecimento das políticas de cuidado com o meio ambiente e a limpeza urbana. Ao reconhecer a atuação dos profissionais, o município destacou a contribuição diária dos garis para a qualidade de vida da população.

PF aponta pai de Vorcaro como chefe de “A Turma” e caso Master chega ao STF no rastro do filme de Bolsonaro

A prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, colocou uma nova peça no centro do caso Master e abriu mais uma frente de pressão sobre o entorno de Flávio Bolsonaro. Na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, 14, a Polícia Federal afirmou que Henrique exercia papel central no comando de “A Turma”, grupo descrito pelos investigadores como a milícia pessoal montada para monitorar, intimidar desafetos e levantar informações sigilosas de interesse do núcleo ligado ao antigo Banco Master.

Segundo a investigação, a estrutura operava com consultas ilegais, vazamento de dados, ataques digitais e uso de agentes para acompanhar apurações em curso. Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça registrou que Henrique não apenas se beneficiava das ações do grupo, mas também solicitava serviços, financiava a engrenagem e manteve contato com operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações.

A nova etapa da apuração avançou no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal abriu outra frente sobre o mesmo universo de relações. Nesta sexta-feira, 15, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma investigação preliminar sigilosa para apurar o direcionamento de emendas parlamentares a entidades e empresas ligadas à produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A apuração envolve pedidos de esclarecimento a deputados do PL e mira repasses vinculados a projetos culturais conectados ao grupo empresarial que aparece na produção da obra.

O avanço das duas frentes ampliou o desgaste sobre Flávio Bolsonaro depois da revelação de áudios e mensagens em que o senador pede recursos a Daniel Vorcaro para concluir o longa. Flávio admitiu que buscou patrocínio privado para o filme e nega qualquer irregularidade ou oferta de contrapartida. A produtora sustenta que não recebeu dinheiro de Vorcaro.

Com a prisão do pai de Vorcaro e a entrada do STF no caso das emendas, o episódio deixou de ser apenas um embaraço político e passou a reunir, ao mesmo tempo, investigação sobre a rede de intimidação atribuída ao entorno do banqueiro e apuração sobre o caminho de verbas públicas ligadas à produtora do filme. A crise atinge em cheio a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta conter danos enquanto aliados já tratam o caso como um novo foco de desgaste nacional.

Governo do Acre retoma travessia gratuita de balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves após obra emergencial

O governo do Acre restabeleceu a travessia gratuita por balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves nesta quinta-feira (14) depois de concluir a construção de um novo acesso provisório no porto, permitindo a retomada do transporte de moradores, veículos e cargas pela ligação fluvial no Rio Juruá. A operação havia sido interrompida por segurança após a erosão provocada pela vazante do rio derrubar parte da estrutura de acesso no domingo (10).

A interdição foi adotada na segunda-feira (11), quando equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) iniciaram a limpeza da área, o nivelamento do terreno e a recomposição da rampa. A travessia voltou a funcionar ainda na noite de quarta-feira (13), com manutenção prevista para ser feita diariamente, já que a variação rápida do nível do Juruá altera as condições do embarque e desembarque.

O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que a recomposição do acesso é recorrente e depende do comportamento do rio. “Por determinação da governadora Mailza Assis, nossas equipes atuaram para restabelecer a travessia com segurança para a população. Esse trabalho é realizado há mais de 10 anos porque o acesso depende diretamente do comportamento do rio. Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, disse.

Além do serviço no porto, o governo estadual informou que executou melhorias na AC-407, rodovia que conecta Rodrigues Alves e sustenta parte do fluxo de deslocamento e abastecimento do município, em complemento à travessia fluvial.

Para substituir a balsa e garantir uma ligação definitiva, a alternativa em curso é a construção de uma ponte sobre o Rio Juruá, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo o órgão, a previsão é iniciar a obra em 2026 e concluir em 2028. O edital para elaboração do projeto executivo já foi lançado e, após essa etapa, será aberta a licitação para execução. A ponte deverá ser implantada acima do ponto atual de travessia e com altura suficiente para permitir a passagem do navio hospital da Marinha do Brasil, que atende comunidades ribeirinhas da região.

Doce como mel, Mâncio Lima vira a queridinha da bancada federal

Mâncio Lima, conhecida como a terra do mel, vive um momento especialmente doce na relação com Brasília. De uma só vez, a Prefeitura aparece recebendo apoio de senadores e deputados federais de diferentes campos políticos, todos colocando recursos no município e todos ganhando espaço na vitrine montada pela gestão do prefeito Zé Luiz.

Para a população, a notícia é boa. Dinheiro pago significa possibilidade real de melhorar atendimento, comprar insumos, manter unidades funcionando e reforçar serviços básicos. Mas, na política, quando o mel escorre de todos os lados, também cabe perguntar: por que tanta disposição da bancada federal em adoçar justamente Mâncio Lima?

A prefeito divulgou que R$ 6.507.780 já estão na conta do município para reforçar a saúde, por meio do Incremento PAP, voltado ao custeio da Atenção Primária. A lista reúne quase um retrato da bancada acreana: R$ 2 milhões do senador Sérgio Petecão, R$ 500 mil do senador Márcio Bittar, R$ 500 mil do senador Alan Rick, R$ 2,126 milhões do deputado federal Zezinho Barbary, R$ 200 mil do deputado federal Eduardo Velloso e R$ 1.181.780 da deputada federal Antônia Lúcia.

A frase escolhida pela comunicação da Prefeitura diz muito: “tá na conta da Prefeitura”. Não é uma promessa distante, não é só foto em gabinete, não é apenas reunião em Brasília. É dinheiro pago. E, politicamente, dinheiro pago fala alto, principalmente em ano de movimentação pré-eleitoral.

O prefeito Zé Luiz também entrou no tom. Ao encerrar agenda em Brasília, escreveu nas redes sociais que voltava com “o coração cheio de gratidão” e com a certeza de que a gestão está “no caminho certo”, buscando investimentos e melhorias para Mâncio Lima. Em seguida, agradeceu aos parlamentares parceiros que, segundo ele, estão contribuindo para fortalecer a saúde do município, garantir mais atendimento, estrutura e qualidade de vida à população.

A fala é institucional, mas tem cálculo político. Zé Luiz aparece como o prefeito que vai a Brasília, abre portas, conversa com todos e volta com resultado. Não escolhe apenas um padrinho. Agradece a vários. E, com isso, transforma a Prefeitura em ponto de convergência de interesses da bancada federal.

A pergunta que fica é simples: Mâncio Lima está recebendo porque tem mais demanda, porque tem melhor articulação, porque o prefeito soube se posicionar ou porque o município virou vitrine política no Juruá?

A cidade tem necessidades reais. É município de fronteira, com comunidades distantes, população rural, desafios de transporte, saúde e infraestrutura. Não se discute se Mâncio Lima precisa de investimento. Precisa. O que se discute é o peso político dessa escolha e se a distribuição dos recursos está sendo equilibrada em relação às demais prefeituras da região.

Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Cruzeiro do Sul e outros municípios do Juruá também enfrentam filas na saúde, problemas de ramais, deslocamentos difíceis, comunidades isoladas e pressão sobre os serviços públicos. Estão recebendo na mesma intensidade? Têm o mesmo acesso aos gabinetes? Conseguem transformar emenda em dinheiro pago com a mesma velocidade?

A própria Prefeitura já vinha alimentando essa narrativa de força em Brasília. Antes desse pacote de mais de R$ 6,5 milhões para a saúde, a gestão anunciou quase R$ 10 milhões em recursos federais para infraestrutura, abastecimento de água, saúde e maquinários. Um bom dinheiro pra cidade, hein.

Ou seja, não é um episódio isolado. É uma sequência. Agenda em Brasília, foto com parlamentar, anúncio de recurso, card nas redes sociais, agradecimento público e reforço da imagem de uma gestão com trânsito federal. A Prefeitura entendeu que emenda parlamentar não é apenas orçamento. É também narrativa.

E a bancada também sabe disso. Cada senador e deputado que aparece destinando recursos para Mâncio Lima planta presença no município. Mostra serviço. Ocupa espaço. Fortalece laços locais. Em ano pré-eleitoral, esse tipo de relação vale muito mais do que uma simples postagem de agradecimento.

Por isso, o caso de Mâncio Lima merece ser observado além da comemoração. A cidade está recebendo recursos importantes, mas a concentração de apoios acende uma questão política: a bancada federal está olhando para o Juruá com critérios equilibrados ou cada parlamentar está escolhendo onde o retorno político parece mais promissor?

Na terra do mel, Brasília parece ter encontrado uma colmeia disputada. A população pode ganhar com os recursos. Mas a política também está de olho na colheita.