Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.

Retomada do Arco Viário de Rio Branco reacende obra estratégica para desafogar trânsito da capital

O governo do Acre retomou as obras do Arco Viário de Rio Branco, projeto tratado como uma das principais intervenções de mobilidade urbana em andamento na capital. A nova etapa dos serviços começou nesta sexta-feira (15), com atuação em diferentes frentes para preparar a estrutura da via que deve retirar parte do tráfego pesado das áreas centrais e abrir um novo eixo de circulação no município.

As equipes trabalham na remoção de trechos comprometidos, na regularização do subleito, no transporte e espalhamento de material para a sub-base da pista e na limpeza mecanizada ao longo do percurso. A retomada marca a reativação de uma obra esperada há anos e recoloca em andamento um corredor viário pensado para reorganizar o fluxo entre pontos estratégicos de Rio Branco.

Durante o acompanhamento dos trabalhos, a governadora Mailza Assis afirmou que a intervenção deve mudar a dinâmica do trânsito na capital. “Vai transformar a circulação em Rio Branco”, disse. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o avanço da obra atende a uma cobrança recorrente da população e reforçou o compromisso de manter a execução dentro do cronograma previsto.

O traçado do Arco Viário foi dividido em quatro lotes. O primeiro trecho liga a BR-364, na Vila Custódio Freire, à AC-10. O segundo segue do entroncamento da AC-10 até a Estrada do Quixadá. O terceiro vai da Estrada do Quixadá até a 6ª Ponte. O quarto trecho conecta a 6ª Ponte à BR-364, completando o anel projetado para redistribuir o tráfego e ampliar a conexão entre regiões da cidade.

O investimento total na obra é de R$ 105 milhões. Os recursos vêm do Programa de Infraestrutura e Saneamento do Estado do Acre, com financiamento externo, além de R$ 38 milhões destinados por emenda parlamentar. Com a retomada, o governo aposta na conclusão de uma via que deve alterar a logística urbana de Rio Branco e reduzir a pressão sobre avenidas e acessos já sobrecarregados.

Transporte intermunicipal no Acre vira alvo de pacote duplo: tarifa temporária sobe 15% e fiscalização mira clandestinos nas estradas

A recomposição temporária de 15% nas tarifas do transporte rodoviário intermunicipal entrou em vigor no Acre nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, ao mesmo tempo em que o governo estadual intensificou ações de fiscalização nas rotas entre municípios para coibir o transporte irregular e reforçar a segurança dos passageiros. As duas frentes foram tratadas como parte de um mesmo esforço para sustentar a operação das linhas regulares em um período de alta de custos e de deterioração de trechos rodoviários, com impacto direto na BR-364.

A autorização do reajuste extraordinário e temporário foi aprovada pelo Conselho Superior da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Acre (Ageac) e prevê reavaliação ao fim do período estabelecido. A agência vinculou a revisão à evolução do cenário econômico e do preço dos combustíveis, além do custo de manutenção da frota, que aumentou com o desgaste provocado por trechos críticos de rodovias. O presidente da Ageac, Luís Almir Brandão, afirmou que a recomposição tem caráter excepcional e foi adotada para manter a regularidade do serviço. “Quem depende do transporte intermunicipal precisa ter segurança de que o serviço continuará funcionando com regularidade”, disse.

A BR-364 segue como o principal ponto de pressão sobre o sistema por concentrar parte relevante do deslocamento de passageiros e do abastecimento entre Rio Branco e o interior, especialmente na ligação com Cruzeiro do Sul. A piora da trafegabilidade, com aumento do tempo de viagem e ocorrência de avarias, elevou gastos operacionais e exigiu ajustes de horários e escalas. Em períodos de maior comprometimento do pavimento, o tempo de deslocamento pode se alongar de forma significativa, afetando a previsibilidade das viagens e ampliando despesas com peças, pneus e serviços mecânicos.

No campo do controle, as operações de fiscalização ganharam reforço com integração entre a Ageac e órgãos de segurança, incluindo ações em pontos estratégicos e rotas de maior fluxo. O objetivo é conter o transporte clandestino, que disputa passageiros com o serviço regular, opera fora de parâmetros de segurança e, segundo o governo, fragiliza a sustentabilidade financeira das linhas autorizadas. Brandão afirmou que a cooperação técnica elevou a capacidade de fiscalização e ampliou o alcance das abordagens. O delegado-geral da Polícia Civil, José Henrique Maciel, disse que a integração melhora a resposta e a responsabilização em ocorrências associadas ao transporte irregular. “Com esse trabalho, conseguimos tratar as ocorrências com mais precisão, avançar na responsabilização e fortalecer o controle nas rotas intermunicipais”, declarou.

Além das medidas imediatas, o governo articula mudanças para o financiamento do sistema. A Ageac mantém tratativas com a Secretaria de Estado da Fazenda para avançar em regularização fiscal das empresas, com instrumentos vinculados a programas de recuperação de débitos e manutenção de benefícios tributários que aliviam custos do setor. Entre esses mecanismos, está a redução da base de cálculo do ICMS no transporte intermunicipal de passageiros, apontada como forma de diminuir a carga efetiva sobre a prestação do serviço.

Outra proposta em elaboração envolve um projeto de lei, com participação da Procuradoria-Geral do Estado e acompanhamento da Casa Civil, para criar subsídios destinados ao custeio de gratuidades e descontos previstos em lei para públicos como idosos, pessoas com deficiência e estudantes. A intenção é assegurar o direito ao benefício sem transferir integralmente o custo para o passageiro pagante e sem comprometer o equilíbrio econômico das empresas, sobretudo em rotas longas e de menor demanda.

Com a tarifa reajustada de forma temporária, fiscalização ampliada e discussão sobre subsídios e tributos em andamento, o transporte intermunicipal no Acre entra em uma fase de ajustes simultâneos, pressionada pela infraestrutura rodoviária, pelo custo operacional e pela necessidade de manter linhas regulares em funcionamento em todo o estado.