Jorge Viana defende união política no Acre durante entrega de máquinas do Programa Inova

Jorge Viana defendeu nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, em Rio Branco, a união entre governo federal, bancada acreana e prefeituras durante a cerimônia de entrega de máquinas, veículos e equipamentos do Programa Inova. Ao falar no evento, que reuniu o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, além de autoridades estaduais e municipais, o ex-governador disse que o Acre depende de articulação política para ampliar investimentos e acelerar obras e ações no estado.

No discurso, Jorge Viana transformou a solenidade em um recado político e administrativo. Disse que “a causa tem que ser o Acre” e afirmou que divergências partidárias não podem se sobrepor aos interesses do estado. Também citou a necessidade de cooperação entre diferentes esferas de poder para garantir resultados em áreas como infraestrutura, produção rural, saúde e educação.

Ao comentar o lançamento do programa, Viana apresentou a entrega como exemplo de convergência institucional. Ele lembrou que já trabalhou com governos de partidos diferentes e afirmou que as principais obras e projetos executados no Acre dependeram de apoio federal. Em outro trecho, recorreu a um provérbio para reforçar a defesa da aliança entre lideranças políticas, ao dizer que quem quer avançar mais longe não consegue caminhar sozinho.

A agenda marcou o início da distribuição de centenas de equipamentos no estado dentro de um programa que prevê mais de 2 mil máquinas, veículos e equipamentos para os municípios acreanos, com investimentos acima de R$ 223 milhões. O pacote é voltado ao fortalecimento da produção rural, recuperação de ramais, mecanização agrícola e melhoria da infraestrutura local.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Acre recebe 1,6 mil máquinas em pacote de R$ 206 milhões do programa Inova

O governo federal lançou nesta sexta-feira (5), em Rio Branco, o programa Inova no Acre e anunciou a entrega de mais de 1,6 mil máquinas, equipamentos e veículos para os 22 municípios do estado, em um pacote de R$ 206 milhões. A medida mira o reforço da infraestrutura, a recuperação de ramais, o apoio à produção rural e a ampliação de serviços públicos em áreas urbanas e isoladas.

A agenda foi conduzida pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, com participação da governadora Mailza Assis. O conjunto inclui retroescavadeiras, motoniveladoras, tratores agrícolas e outros equipamentos voltados ao escoamento da produção, à manutenção de vias, à mobilidade e ao atendimento de demandas emergenciais.

A proposta do programa é ampliar a capacidade operacional de prefeituras e órgãos públicos, sobretudo em regiões com maior dificuldade de acesso e menor estrutura. No Acre, a expectativa é que a nova frota seja usada em frentes como recuperação de estradas vicinais, apoio à agricultura familiar, transporte de insumos e atendimento a comunidades afetadas por cheias e períodos de estiagem.

Os recursos destinados ao estado foram viabilizados por emenda da bancada federal acreana. Pelo modelo adotado, os parlamentares indicaram os equipamentos e os beneficiários, enquanto a aquisição ficou sob responsabilidade do ministério. A iniciativa foi apresentada como a maior entrega de máquinas já feita no estado dentro desse formato.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Bocalom defende produção, critica assistencialismo e cobra ação conjunta em infraestrutura e segurança no Acre

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom afirmou, em entrevista ao podcast Bar do Vaz, que o Acre precisa trocar um modelo econômico baseado em dependência social por uma estratégia centrada na produção, na geração de emprego e na circulação de renda. Na conversa, ele também comentou problemas de infraestrutura urbana, segurança pública e a atuação política depois de deixar a prefeitura.

Ao tratar da economia do estado, Bocalom disse que o fortalecimento do setor produtivo é a principal saída para ampliar a renda e reduzir a dependência de programas sociais. Ele voltou a defender a proposta que resume como “produzir para empregar” e afirmou que o objetivo é criar condições para manter o trabalhador no campo com renda e atividade econômica.

No debate sobre o modelo de desenvolvimento do Acre, o ex-prefeito criticou políticas adotadas em gestões anteriores e disse que elas não conseguiram ampliar a autonomia financeira da população. Segundo ele, a prioridade deve ser criar ambiente para trabalho, produção e geração de riqueza local, em vez de manter a economia girando de forma limitada.

Bocalom também falou sobre os entraves da administração de Rio Branco e atribuiu parte das dificuldades da capital ao crescimento desordenado, com expansão de áreas ocupadas sem planejamento urbano. Ao responder a críticas sobre ruas e manutenção da cidade no fim da gestão, ele mencionou falhas estruturais em obras antigas de pavimentação e disse que a prefeitura investiu em maquinário próprio para tentar melhorar a capacidade de resposta.

Na área rural, afirmou que a manutenção de ramais e a solução de problemas de infraestrutura exigem cooperação entre governo do estado e prefeituras. Para ele, parte dos desafios do Acre não pode ser enfrentada de forma isolada por um único ente público.

Ao abordar segurança pública, Bocalom citou como exemplo o convênio entre a Prefeitura de Rio Branco e a Polícia Federal para uso de monitoramento por câmeras com identificação facial. Ele também comentou ações de assistência social e negou práticas de clientelismo político em períodos eleitorais, dizendo que sua atuação sempre foi baseada em compromisso de gestão.

No fim da entrevista, o ex-prefeito disse que pretende continuar participando do debate público no Acre e definiu sua trajetória política como uma missão de serviço. A fala reforça a tentativa de manter protagonismo no cenário estadual com discurso voltado para produção, gestão e segurança.

Fonte: AC24h

Petecão declara apoio a Alan Rick no Bujari e reforça aliança na disputa pelo governo do Acre

O senador Sérgio Petecão declarou na noite de quarta-feira, 3, apoio à pré-candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre, durante um ato partidário no Bujari que reuniu lideranças do Republicanos e marcou a filiação do ex-prefeito Michel Marques à sigla. No discurso, Petecão disse que Alan não vencerá a eleição sozinho, defendeu a união de forças em torno do nome do aliado e afirmou que o grupo precisa construir um governo voltado à população mais pobre.

A fala deu um peso político novo à movimentação da pré-campanha no estado porque Petecão vinha adotando cautela pública sobre a aliança. Até o início da semana, o senador do PSD dizia que conversava com Alan Rick, mas evitava anunciar uma decisão definitiva e condicionava qualquer passo a diálogo com prefeitos e aliados do partido. No palanque de quarta-feira, o tom mudou. Petecão afirmou que o nome de Alan aparece com força tanto em Rio Branco quanto no interior e resumiu o momento com uma frase que arrancou reação do público: “É Alan por todo lado”.

No mesmo discurso, Petecão também vinculou o apoio a uma cobrança social. Disse que o estado vive um momento difícil e afirmou ter pedido a Alan Rick um governo para “as pessoas mais pobres” e “mais necessitadas”. A declaração aproxima de forma mais clara PSD e Republicanos em um cenário eleitoral que segue em rearranjo no Acre e amplia o campo político de Alan Rick na corrida pelo Palácio Rio Branco.

O movimento ocorre no mesmo dia em que uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas colocou Alan Rick na liderança da disputa pelo governo do Acre, com 41,2% das intenções de voto no principal cenário estimulado. Na sequência aparecem Mailza Assis, com 24,4%, e Tião Bocalom, com 16,1%. O resultado ajudou a dar ainda mais repercussão ao gesto de Petecão, que passa a ser tratado nos bastidores como um reforço relevante para a candidatura do senador do Republicanos.

Na manhã desta quinta-feira, 4, Alan Rick reagiu ao apoio dizendo que recebeu a adesão de Petecão com alegria e classificou o senador como uma liderança popular e presente nos municípios acreanos. Com isso, a declaração feita no Bujari deixa de ser apenas um afago entre aliados e se transforma em um fato político com impacto direto na formação das chapas e das alianças para 2026 no Acre.

Acre terá entrega recorde de máquinas e veículos em ato do governo Lula

O governo federal fará nesta sexta-feira, 5 de junho, em Rio Branco, uma entrega recorde de máquinas, veículos e equipamentos para o Acre, em cerimônia marcada para as 10h na Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária. A ação reúne recursos articulados pela bancada federal e será acompanhada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. O pacote foi montado para reforçar a produção rural, ampliar a capacidade de atendimento das prefeituras e melhorar serviços públicos nos 22 municípios do estado.

O programa prevê a compra de 2.051 itens, entre máquinas pesadas, veículos e implementos, com investimento superior a R$ 223 milhões. No aviso oficial da agenda, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que o ato desta sexta anunciará a entrega de 1,6 mil máquinas, com R$ 206 milhões em investimentos, e que cerca de 320 unidades já estavam disponíveis para o estado antes da solenidade. Entre os equipamentos previstos para as primeiras remessas estão motoniveladoras, retroescavadeiras, escavadeiras hidráulicas, tratores de esteira, carretas basculantes e microtratores.

A distribuição foi desenhada para atender prefeituras, associações e cooperativas, com foco em obras de infraestrutura local, recuperação de ramais, mecanização da produção agrícola e apoio ao escoamento. Nas etapas seguintes, o cronograma também inclui ônibus, picapes, caminhões, quadriciclos, motocicletas e grades agrícolas.

A programação prevê ainda a presença do secretário nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Edgar Batista de Azevedo Caetano, além de parlamentares, prefeitos e gestores públicos. A chegada do ministro a Rio Branco está prevista para a manhã de sexta, com atendimento à imprensa no local do evento.

A entrega ocorre num momento em que a mecanização e a estrutura de transporte voltaram ao centro da agenda de desenvolvimento do estado, sobretudo nas áreas rurais. Com a ampliação da frota e do maquinário, a expectativa do governo e das prefeituras é reduzir gargalos logísticos, melhorar a manutenção de estradas vicinais e dar suporte mais rápido a comunidades que dependem da produção agrícola e da atuação direta dos municípios.

Perpétua Almeida anuncia avanço de indústria do café em Cruzeiro do Sul

A ex-deputada federal Perpétua Almeida afirmou nesta quinta-feira (4), durante participação no Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, que a obra civil da indústria de beneficiamento do café em Cruzeiro do Sul foi concluída e que o projeto entrou na fase final, com expectativa pela chegada dos equipamentos. “A nossa indústria de beneficiamento do café em Cruzeiro do Sul, a obra civil toda concluída em tempo recorde, viu. Estamos aguardando apenas a chegada dos equipamentos que já estão pagos”, disse.

A declaração reforça a expansão da cadeia do café no Vale do Juruá, onde o beneficiamento passou a ser tratado como etapa estratégica para agregar valor à produção da agricultura familiar. A nova estrutura em Cruzeiro do Sul amplia um movimento que já vinha sendo consolidado em Mâncio Lima, município que recebeu o primeiro grande complexo industrial voltado ao café na região.

Perpétua associou a obra à chegada de investimentos federais em cidades fora dos grandes centros e ao fortalecimento das cooperativas rurais. “Uma agência que sempre esteve voltada para os grandes estados, os estados ricos do Brasil, e para as grandes indústrias, agora pela primeira vez se voltou pra municípios longe dos grandes centros do Brasil, se voltou pra agricultura familiar”, afirmou.

Segundo ela, o avanço da cafeicultura no Juruá também passa pela organização dos produtores. Ao citar a Coopercafé, Perpétua destacou o papel da cooperativa na estruturação da atividade e no aumento da capacidade de processamento regional. “Eu tô muito orgulhosa desse trabalho da Coopercafé. O nosso presidente Jonas é um guerreiro, que trabalha muito e tem ajudado em tempo recorde também a desenvolver a cultura do café”, declarou.

A unidade de Cruzeiro do Sul integra a ampliação do complexo do café do Juruá e foi anunciada com investimento de R$ 5 milhões da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. A proposta é ampliar a capacidade de secagem e beneficiamento, reduzir custos logísticos e permitir que uma parte maior da produção seja processada mais perto das áreas de cultivo.

O projeto se conecta diretamente à estrutura implantada em Mâncio Lima, que passou a ser apresentada como referência da industrialização do café da agricultura familiar no Norte do país. Com a nova frente em Cruzeiro do Sul, a expectativa é consolidar um corredor produtivo entre os dois municípios, fortalecendo a economia rural e ampliando a renda dos produtores da região.

Nos últimos anos, o café ganhou peso na economia do campo no Acre, com aumento do valor da produção e expansão das áreas cultivadas, especialmente no Juruá. Nesse cenário, a instalação de unidades de beneficiamento passou a ser vista como parte central da estratégia para transformar a produção local em atividade de maior valor agregado.

No fim, Perpétua resumiu o significado da obra para a região. “Agora sim nós podemos dizer que a produção do café da agricultura familiar terá também beneficiamento em Cruzeiro do Sul, está industrializado, se Deus quiser”, disse. Com a obra civil concluída, a chegada dos equipamentos passou a ser o passo que falta para colocar a nova estrutura em operação.

Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

Paraná Pesquisas recoloca Perpétua Almeida no pelotão da Câmara mesmo após mais de três anos sem mandato

Fora de mandato eletivo desde fevereiro de 2023, quando terminou a 56ª Legislatura da Câmara dos Deputados, Perpétua Almeida voltou a aparecer entre os nomes mais competitivos para a disputa por uma vaga federal no Acre. Em levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta semana, a ex-deputada surge com 8,1% das intenções de voto na pesquisa estimulada, no grupo dos primeiros colocados, mesmo após três anos e quatro meses longe do exercício parlamentar.

O dado reforça um traço conhecido da política acreana: a força da memória eleitoral. Perpétua construiu uma trajetória longa na Câmara, com quatro mandatos de deputada federal, e manteve o nome em circulação mesmo fora do cargo. Esse capital político ajuda a explicar por que ela continua lembrada numa disputa que ainda está em fase de articulação, num cenário em que outros concorrentes contam com mandato, estrutura partidária ou exposição institucional mais recente.

A presença dela na pesquisa também se conecta à atuação que manteve nos últimos anos fora do Congresso. Na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a ABDI, Perpétua esteve ligada a uma agenda de reindustrialização, desenvolvimento sustentável e fortalecimento de cadeias produtivas. No Acre, esse trabalho foi associado a projetos voltados à agroindústria, ao incentivo à produção local e à industrialização de setores estratégicos, temas que dialogam com uma parcela do eleitorado que acompanha pautas de geração de emprego, inovação e economia regional.

Esse movimento ajuda a sustentar a lembrança do nome dela entre os eleitores. Ao longo da carreira, Perpétua ocupou espaços de visibilidade em Brasília e participou de debates ligados a defesa, tecnologia, infraestrutura e políticas públicas, o que preservou uma imagem de atuação frequente em áreas de interesse nacional e local. Na prática, a pesquisa mostra que, mesmo sem mandato desde o início de 2023, ela ainda aparece como uma candidatura com lastro político, recall consolidado e capacidade de entrar competitiva na corrida por uma cadeira na Câmara em 2026.

Presença indígena na política é necessidade democrática diante da crise ambiental e da mentira

Artigo de Francisco Piyãko*

A presença indígena na política não é ameaça. É necessidade democrática. Num tempo em que a crise ambiental avança, a desinformação decide eleições e os povos da floresta continuam sendo atacados por defender seus territórios, ocupar espaços de decisão deixou de ser apenas uma escolha. Passou a ser uma responsabilidade com o futuro do Acre, da Amazônia e do Brasil.

Nós, povos indígenas, conhecemos bem o funcionamento da política tradicional. Vemos grupos investindo muito para chegar ao poder e, depois, usando ainda mais força para permanecer nele. Muitas vezes, o objetivo deixa de ser fazer melhor. Passa a ser apagar o outro, enfraquecer lideranças novas, fabricar medo e transformar a disputa pública numa guerra. Esse modelo não combina com a forma como entendemos liderança. Para nós, uma liderança cresce quando serve melhor ao seu povo, quando orienta, quando escuta e quando protege a comunidade diante das ameaças.

Ser liderança indígena não é privilégio. É sacrifício. Ninguém assume essa caminhada porque alguém está pagando ou bancando. A força vem da responsabilidade com o povo, da defesa do território, da necessidade de dialogar com governos, municípios, autoridades e instituições que nem sempre chegam preparados para ouvir. Quando existe espaço de conversa, nós sentamos. Quando não existe, seguimos organizados, fortalecendo alianças e protegendo nossos direitos.

O que dificulta a relação não é explicar o pensamento indígena. O que dificulta é a falta de respeito. Quanto menos se respeita os povos indígenas, mais crescem a violação de direitos, a pobreza e a vulnerabilidade. Onde o direito coletivo enfraquece, a violência avança. Por isso, a articulação entre os povos é tão importante. É ela que sustenta conquistas, protege territórios e mantém viva a força coletiva reconhecida na Constituição.

A mentira virou uma das principais armas contra nós. Fake news, promessas vazias e campanhas de medo exploram a necessidade das pessoas. Em muitos lugares, a desinformação chega antes da verdade, grita mais alto e ajuda a eleger candidatos que depois votam contra os povos indígenas, contra o meio ambiente, contra a região e contra os direitos sociais. Muitas vezes, os piores candidatos vencem porque a população foi cercada por mentiras.

É nesse cenário que a presença indígena na política precisa ser entendida. Nós não disputamos cargo para destruir ninguém. Não fazemos guerra contra não indígenas, extrativistas, ribeirinhos ou moradores das cidades. O cargo pode ser um meio para levar nossa voz aonde as decisões acontecem. Gestão, Legislativo, Judiciário, governo e parlamento precisam ouvir quem sempre foi tratado como assunto, mas raramente como sujeito da própria história.

Também é por isso que alguns grupos se sentem ameaçados quando aparece uma candidatura indígena. Eles estavam acostumados a falar em nosso nome, em nome da Amazônia, da floresta e até do futuro. Querem ser ambientalistas sem nunca ter plantado uma árvore, colhido uma semente, compreendido um rio, pescado para viver ou sentido a natureza como parte da própria vida. Usam a floresta em discursos bonitos fora daqui, mas, quando voltam, trabalham para enfraquecer lideranças que defendem os territórios de verdade.

Foi isso que apareceu quando Nikolas Ferreira veio ao Acre, a convite do senador Márcio Bittar, e disse que já conhecia o estado mais do que Marina Silva. Ele tentou atingir Marina, mas acabou enfraquecendo ainda mais o senador, que abriu o palanque para esse tipo de ataque. Porque quando um deputado de fora passa poucos dias no Acre e se sente autorizado a dizer que conhece esta terra mais do que uma mulher nascida no seringal, formada na luta social acreana e reconhecida no Brasil e no mundo pela defesa ambiental, ele não diminui Marina. Ele revela a arrogância de quem usa a Amazônia como palco.

Marina pode ser criticada, como qualquer liderança pública. O problema é transformar crítica em deboche contra uma história. Existe uma diferença profunda entre discordar de uma posição política e tentar apagar uma trajetória construída dentro da floresta. Quando isso acontece, o debate fica menor. E quem oferece palanque para esse tipo de ataque assume também o custo político da escolha.

Essa cena mostra uma disputa maior: quem tem o direito de falar sobre a Amazônia? Há quem chegue, grave vídeo, faça discurso, ataque lideranças da floresta e vá embora achando que entendeu tudo. Mas o Acre não se aprende em visita rápida. O rio não se compreende pela janela de caminhonete. A floresta não é cenário de campanha. Ela é casa, alimento, remédio, memória, água e futuro.

Nós não vivemos numa ilha. A luta socioambiental não pertence apenas aos povos indígenas. Quando se desmata uma cabeceira, quando se ameaça a Reserva Chico Mendes, quando se derrubam áreas de floresta que ajudam a sustentar os rios, a consequência chega também à cidade. Imaginem o Rio Acre secando de verdade, sem água suficiente para Rio Branco e para os municípios que dependem dele. Ninguém está preparado para isso com a seriedade necessária.

A ciência vem avisando. A nossa experiência também. O tempo da floresta mudou, os rios baixam, o calor aumenta, a fumaça volta e a situação hídrica se agrava. Mesmo assim, há setores que continuam defendendo mais desmatamento, inclusive em áreas que funcionam como reservatório natural da vida no Acre. Tratam a proteção ambiental como obstáculo, quando ela é condição básica para qualquer futuro.

A política indígena assusta porque coloca essa verdade na mesa. Ela pergunta desenvolvimento para quem, a que custo e por quanto tempo. Pergunta por que alguns grupos defendem interesses particulares como se fossem interesse do povo. Pergunta por que tantos têm medo de que os povos da floresta ocupem espaços de decisão e deixem de ser apenas mão de obra, símbolo de campanha ou assunto de discurso.

Nós não estamos no momento de dividir. Estamos no momento de falar sério. A seca não vai perguntar em quem cada pessoa votou. A falta de água não vai separar indígena, comerciante, trabalhador, empresário, criança, idoso, aldeia ou capital. Quando o colapso chegar, todos vão entender que proteger floresta, território indígena, reserva extrativista e rio era uma política de sobrevivência.

Por isso, candidatura indígena não é atraso. Atraso é uma cidade sem segurança hídrica. Atraso é destruir a floresta que protege a água. Atraso é votar contra direitos ambientais e depois dizer que defende a região. Atraso é usar mentira para convencer o povo de que seus verdadeiros defensores são inimigos.

A democracia brasileira precisa de mais presença indígena porque nós carregamos uma experiência que o Estado ignorou por tempo demais. Sabemos que território não é mercadoria comum. Sabemos que rio não é apenas recurso. Sabemos que floresta não é vazio. Sabemos que vida coletiva exige responsabilidade. Essa visão não substitui a ciência nem as instituições. Ela se soma a elas com a força de quem vive a realidade no corpo.

O medo de alguns grupos diante da nossa presença revela mais sobre eles do que sobre nós. Se uma candidatura indígena ameaça alguém, talvez ameace privilégios, negócios mal explicados, discursos vazios e a velha prática de falar sobre a Amazônia sem dividir a decisão com quem vive nela. Para a democracia, nossa presença não é ameaça. É correção de rota.

O Acre já pagou caro por ignorar suas vozes da floresta. Pagou com conflito, morte, abandono, seca, fumaça e desigualdade. Não podemos continuar tratando os povos indígenas como problema enquanto os verdadeiros problemas avançam sobre a terra, a água e a verdade. O que defendemos não é privilégio indígena. É o direito de todos a continuar vivendo.

A minha luta é para que nossa voz chegue aos espaços de decisão sem pedir licença a quem sempre nos quis calados. A presença indígena na política não divide o Acre. Ela obriga o Acre a se olhar com honestidade. Ela mostra que defender os povos da floresta é defender a água, a cidade, o clima, a comida, a memória e o futuro.

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É saber se o Acre vai continuar servindo de palco para quem chega de fora e debocha da sua história, ou se vai abrir caminho para quem conhece esta terra pela responsabilidade de protegê-la. Eu escolho o segundo caminho. Nele, a presença indígena não é favor, não é concessão e não é ameaça. É necessidade democrática.

*Francisco Piyãko é liderança indígena do Povo Ashaninka, do Rio Amônia, de Marechal Thamaturgo, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), ex-secretário dos Povos Indígenas do governo do Acre e ex-assessor da presidência da Funai.

Alysson lidera diálogo com vereadores para alinhar ações da prefeitura em Rio Branco

O prefeito Alysson Bestene reuniu vereadores da base nesta terça-feira, em Rio Branco, para reforçar o diálogo entre a prefeitura e a Câmara e alinhar ações consideradas prioritárias para a capital. O encontro teve como foco a articulação entre Executivo e Legislativo para dar andamento a políticas públicas e responder com mais rapidez às demandas dos bairros.

Durante a reunião, Alysson defendeu a atuação conjunta entre os dois poderes e afirmou que o avanço dos projetos da gestão depende de parceria política e institucional. A conversa concentrou temas como infraestrutura, saúde pública e transporte coletivo, áreas que têm concentrado parte das principais cobranças da população.

A proposta da prefeitura foi consolidar uma agenda comum com os parlamentares da base, com prioridade para medidas que possam ter efeito mais imediato no atendimento à cidade. A avaliação no encontro foi a de que o alinhamento entre os poderes pode acelerar decisões administrativas e facilitar a execução de ações em diferentes regiões de Rio Branco.

O presidente da Câmara Municipal, Joabe Lira, disse que a aproximação entre prefeitura e vereadores é necessária para discutir soluções e destravar pautas de interesse público. Segundo ele, apesar da independência entre os poderes, há convergência em torno do objetivo de melhorar os serviços oferecidos à população.

O vereador Neném Almeida também reforçou a defesa do diálogo entre Executivo e Legislativo e afirmou que a sintonia entre as duas frentes beneficia diretamente os moradores. Ao final da reunião, a sinalização da gestão foi de manutenção da articulação política com a base para sustentar a agenda administrativa e ampliar a resposta da prefeitura nas áreas mais sensíveis.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul aplica 30 toneladas de asfalto em operação tapa-buracos nesta terça

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul mobilizou nesta terça-feira, 2 de junho, 30 toneladas de asfalto na Operação Tapa-Buracos, com frentes de trabalho nos bairros da Baixa e Cruzeirinho Novo. Além da recuperação das vias, as equipes também executaram roçagem, limpeza, retirada de entulho e troca de lâmpadas nas duas áreas.

A ação foi ampliada para outros pontos do município, com continuidade da drenagem na Rua Tavares de Lira, no bairro João Alves, melhorias no porto da região central para embarque e desembarque de cargas e serviços na zona rural, como a retirada de atoleiros no Ramal dos Carobas, na BR-307.

O presidente da Associação de Moradores do Bairro da Baixa, Carlos Costa, afirmou que a comunidade recebeu com rapidez as melhorias reivindicadas. Já o secretário municipal de Obras, Carlos Alves, disse que a prefeitura ampliou as frentes de serviço na área urbana e manteve as equipes também em atuação no interior do município.