Em ano eleitoral, Governo do Acre estoura teto de comissionados enquanto mantém milhões em publicidade, voos e shows

TCE suspendeu novas nomeações após identificar excesso de R$ 7 milhões na folha de comissionados e funções de confiança; levantamento mostra R$ 7,1 milhões em publicidade, mais de R$ 9 milhões pagos em fretamento de aeronaves e R$ 12,7 milhões destinados a shows das Expoacres

O Governo do Acre chegou à reta final de 2026 pressionado por limites fiscais e por uma medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) que determinou a suspensão de novas nomeações para cargos comissionados e funções de confiança. Ao mesmo tempo, dados do Portal da Transparência mostram que a administração estadual manteve despesas milionárias com publicidade, fretamento de aeronaves, jatos e grandes eventos ao longo do ano eleitoral.

A decisão do TCE foi assinada em 2 de setembro pelo conselheiro Ronald Polanco Ribeiro. A análise técnica da Corte identificou que, somente em junho, o Executivo gastou R$ 22,25 milhões com cargos em comissão, quando o limite financeiro estabelecido para essa estrutura era de R$ 15,71 milhões.

O excesso chegou a R$ 6,54 milhões, ou 41,64% acima do limite. Nas funções de confiança, foram gastos R$ 3,24 milhões diante de um teto de R$ 2,72 milhões, uma diferença de outros R$ 523,4 mil. Somadas, as duas situações produziram uma extrapolação de R$ 7,06 milhões apenas na folha analisada de junho.

Diante do resultado, o TCE determinou a suspensão imediata de novas nomeações para cargos em comissão e funções de confiança em toda a administração estadual, inclusive indireta. A governadora Mailza Cameli recebeu prazo de dois dias úteis para comprovar o cumprimento da ordem, sob pena de multa diária pessoal de R$ 500. O Tribunal também requisitou à Secretaria de Administração informações sobre nomeados entre janeiro e julho.

O caso não ocorre de forma isolada. O Governo do Acre já havia chegado ao primeiro quadrimestre de 2026 com as despesas de pessoal em 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e a apenas 0,91 ponto percentual do limite máximo de 49%.

Em valores, a despesa total com pessoal usada para o cálculo da Lei de Responsabilidade Fiscal chegou a R$ 5,48 bilhões nos 12 meses encerrados em abril. O próprio relatório da Secretaria de Fazenda registra limite prudencial de R$ 5,30 bilhões e teto máximo de R$ 5,58 bilhões.

É nesse cenário que entram outras despesas realizadas pela administração estadual em 2026.

Publicidade chega a R$ 7,1 milhões durante campanha

Um único empenho da Secretaria de Comunicação reservou R$ 7,1 milhões para serviços de publicidade nos meses de julho, agosto e setembro, período que coincide com as restrições eleitorais mais rigorosas para publicidade institucional antes das eleições de outubro.

O Empenho nº 7110010458 foi aberto em 4 de julho, em favor da Thera Publicidade Ltda., e registra como finalidade a divulgação dos atos e ações do Governo do Acre. Até a última atualização analisada, R$ 2.298.865,18 já haviam sido liquidados e pagos.

A mesma despesa já é alvo de análise do TCE no Processo nº 150.460. Quando o empenho chegou ao Tribunal, aparecia com R$ 4,6 milhões. Posteriormente, mantendo o mesmo número, data e descrição, passou para R$ 7,1 milhões, um acréscimo de R$ 2,5 milhões, ou aproximadamente 54%.

O valor de julho não é o único destinado à agência neste ano. Os registros de 2026 somam aproximadamente R$ 19,98 milhões em empenhos para a Thera, considerando Secom e Detran. Mais de R$ 14 milhões já apareciam liquidados ou pagos na atualização do levantamento.

As despesas eleitorais com publicidade possuem regras próprias. O TRE autorizou determinadas campanhas de interesse público durante o período eleitoral, como ações relacionadas a queimadas, vacinação, enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes e doação de sangue. As autorizações, no entanto, são específicas para determinadas campanhas e não representam autorização genérica para toda publicidade governamental.

Mais de R$ 9 milhões pagos por fretamento de aeronaves

Outra despesa que ganhou peso em 2026 está concentrada na Casa Civil.

Levantamento feito a partir do Portal da Transparência identificou R$ 9.019.272 já pagos à Ortiz Táxi Aéreo somente até julho deste ano. Os valores estão distribuídos em 89 lançamentos relacionados a fretamento de aeronaves.

O montante não representa apenas previsão contratual. Os R$ 9 milhões aparecem como despesas empenhadas, liquidadas e pagas. No período analisado, o valor correspondeu a aproximadamente 19% de tudo o que a Casa Civil havia pago.

Em agosto, o governo renovou por mais 12 meses um contrato com a Ortiz no valor de até R$ 9,95 milhões, destinado ao fretamento de aeronaves para transporte de pessoal e cargas em deslocamentos intermunicipais e interestaduais.

Dentro dessa estrutura estão também os jatos.

O levantamento dos registros de 2026 encontrou cinco empenhos cuja descrição menciona expressamente “fretamento de aeronave (JATO)”. Somados, eles chegam a R$ 1,218 milhão empenhado.

Desse total, R$ 1,066 milhão já aparece pago. Outros R$ 151,2 mil estavam liquidados, mas ainda sem pagamento até a atualização de 27 de agosto.

Quatro desses empenhos foram emitidos entre 27 e 30 de abril, nos valores de R$ 214,2 mil, R$ 168 mil, R$ 432,6 mil e R$ 252 mil. Todos aparecem pagos.

O quinto foi emitido em 19 de agosto, no valor de R$ 151,2 mil, para a Ortiz Táxi Aéreo. O Portal da Transparência não informa quem utilizou a aeronave, qual foi o destino nem a data do voo.

Shows das Expoacres chegam a R$ 12,7 milhões

Os grandes eventos também formam outra frente de despesas milionárias no ano eleitoral.

Somente os principais shows nacionais das edições da Expoacre de Rio Branco e da Expoacre Juruá tiveram R$ 12,7 milhões em cachês contratados ou previstos com recursos públicos em 2026.

Em Rio Branco, cinco contratos para seis atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que já aparecia integralmente empenhado, liquidado e pago.

O contrato de Leonardo e Ana Castela foi de R$ 2,55 milhões. Wesley Safadão custou R$ 1,8 milhão; Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão; padre Fábio de Melo, R$ 500 mil; e Banda Som e Louvor, R$ 300 mil.

Na Expoacre Juruá, outros R$ 6,25 milhões foram reservados no Plano de Trabalho para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, R$ 1,7 milhão; Ícaro e Gilmar, R$ 750 mil; Tierry e padre Fábio de Melo, R$ 650 mil cada; e Banda Morada, R$ 400 mil.

Nesse caso, os valores integram o orçamento executado pela Associação Transformar e representam os cachês previstos. O Governo do Acre transferiu R$ 15.848.310 à entidade para a execução da Expoacre Juruá. A confirmação de quanto efetivamente chegou a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Além dos R$ 6,25 milhões destinados aos cachês, o plano do Juruá reservou outros R$ 2,44 milhões para produção e logística das atrações nacionais, incluindo passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e direitos autorais.

Comissionados viram novo ponto de intervenção do TCE

É nesse conjunto de despesas que a decisão desta semana do Tribunal de Contas ganha dimensão.

Diferentemente de publicidade, eventos ou fretamento de aeronaves, que possuem regras orçamentárias e contratos específicos, a cautelar trata diretamente do limite financeiro estabelecido para a estrutura de cargos em comissão e funções de confiança.

No mês analisado pelo Tribunal, o governo deveria ter limitado os gastos com cargos comissionados a R$ 15,71 milhões. A folha chegou a R$ 22,25 milhões.

O relatório técnico apontou que uma regra que permitia ao Executivo ampliar o limite em até 30% por decreto havia sido declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça. Sem esse acréscimo, o TCE considerou configurada a extrapolação do teto previsto pela legislação estadual.

A movimentação de pessoal também passou a ser questionada na esfera eleitoral. Levantamento baseado nos Diários Oficiais identificou 1.436 atos de nomeação entre 4 de maio e 25 de agosto, sendo 1.347 para cargos em comissão. A questão foi levada à Procuradoria Regional Eleitoral em representação que pede investigação de possível abuso de poder político. A representação não sustenta que a simples nomeação de comissionados seja ilegal, mas questiona volume, período e eventual finalidade eleitoral dos atos.

Gastos ocorrem durante disputa pela reeleição

As despesas analisadas possuem naturezas diferentes e não podem ser simplesmente somadas como se pertencessem à mesma rubrica. Parte representa folha de pagamento; parte corresponde a contratos já pagos; outra é formada por empenhos ainda em execução; e os valores da Expoacre Juruá dependem da prestação de contas da entidade responsável pelo evento.

O conjunto dos dados, porém, mostra o tamanho das despesas mantidas pelo Executivo em um momento de restrição fiscal.

O governo está acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, ultrapassou em mais de R$ 7 milhões o teto específico encontrado pelo TCE para cargos comissionados e funções de confiança em junho e, ao mesmo tempo, mantém milhões de reais destinados a publicidade, transporte aéreo e grandes eventos.

Tudo ocorre em 2026, ano em que Mailza Cameli disputa a reeleição ao Governo do Acre.

A cautelar do TCE não declara ilegais os gastos com publicidade, aeronaves ou eventos citados nesta reportagem. São despesas distintas e submetidas a regras próprias. A relação entre elas está no cenário fiscal do Estado e na discussão sobre prioridades de gastos públicos enquanto o Executivo já enfrenta restrições legais relacionadas às despesas com pessoal.

Ao conceder a medida sobre os comissionados, o TCE determinou que novas nomeações fossem imediatamente suspensas. O governo informou, após a divulgação da decisão, que ainda não havia sido oficialmente notificado e não apresentou, naquele momento, manifestação sobre o mérito dos números apontados pelo Tribunal.

Zequinha Lima critica suposta pressão sobre servidores por voto e cobra apuração no Acre

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, criticou nesta quarta-feira (2) supostas pressões sobre servidores públicos para declarar apoio ou votar em determinados candidatos no Acre. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que funcionários devem ter liberdade de escolha e defendeu a apuração de eventuais casos de constrangimento político.

“O que eu estou vendo nesse estado eu nunca vi”, afirmou Zequinha durante a gravação. O prefeito disse ter recebido informações de que setores da administração estadual estariam fazendo cadastros para identificar a preferência eleitoral de servidores.

“Tem secretarias do governo do Estado que estão fazendo modelo de cadastro para saber até onde a pessoa vota. Funcionário público tem que ter liberdade para votar em quem quer”, declarou.

Zequinha também criticou qualquer tentativa de chefias ou secretários de interferir na decisão eleitoral de servidores. “Não é secretário nesse setor que vai obrigar ninguém a votar. Ninguém. A gente tem que votar pelas nossas convicções”, disse.

Durante a fala, o prefeito afirmou conhecer pessoas nomeadas no governo estadual que apoiam candidaturas diferentes das defendidas por integrantes da própria administração. Ele citou, inclusive, servidores que, segundo ele, pretendem votar no número 10.

Zequinha pediu que aliados não adotem práticas de pressão em busca de apoio eleitoral. “Secretário, não faça. A gente precisa conquistar as pessoas pela amizade, pela convivência, não pela força”, afirmou.

Na publicação que acompanhou o vídeo, o prefeito voltou a tratar do assunto e cobrou investigação caso existam servidores sendo pressionados. “Se houver servidores públicos sendo pressionados, constrangidos ou obrigados a votar em determinado candidato, isso precisa ser apurado e denunciado”, escreveu.

A manifestação ocorreu em meio à movimentação política no Acre e ao posicionamento de Zequinha em apoio a Alan Rick. No vídeo, o prefeito defendeu que votos sejam conquistados pela relação política e pessoal com o eleitor, sem imposições dentro da administração pública.

“Meu voto é consequência”, afirmou Zequinha ao encerrar a fala.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Pedro Pascoal critica gestão da Saúde e defende regionalização no Acre

O ex-secretário de Estado de Saúde e candidato a deputado federal Pedro Pascoal participou, nesta quarta-feira (2), do Jornal da Manhã, da Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul. Durante a entrevista, ele fez um balanço do período em que comandou a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), criticou decisões tomadas após sua saída da pasta e apresentou a regionalização dos serviços como uma das principais pautas de sua candidatura.

Pascoal afirmou que a Saúde continua sendo um dos principais problemas enfrentados pela população acreana e disse que, durante os três anos e três meses em que esteve à frente da secretaria, a gestão buscou ampliar os serviços no interior para reduzir a dependência de Rio Branco.

Um dos principais pontos da entrevista foi a situação financeira atual da Saúde. Segundo Pascoal, apesar das medidas de contenção anunciadas pelo governo, houve crescimento dos gastos com pessoal. Ele afirmou que a folha, que durante sua gestão ficava entre R$ 55 milhões e R$ 60 milhões por mês, chegou a R$ 80 milhões em julho.

“Se a gente entrar no Portal da Transparência e avaliar o valor da folha de pagamento, nós tivemos um aumento de 31% na folha de pagamento da Saúde. […] A folha agora de julho fechou no valor de R$ 80 milhões. Isso não é contenção de gasto”, afirmou.

O ex-secretário também disse que o número de cargos comissionados teria aumentado de 364 para 480. Para Pascoal, a ampliação das despesas de pessoal reduz a capacidade do Estado de manter outros serviços, como cirurgias eletivas e investimentos em equipamentos. Ele também questionou a utilização de plantões e gratificações durante o período eleitoral.

Ao ser questionado sobre os problemas registrados atualmente na rede estadual, Pascoal afirmou que deixou a secretaria com pagamentos regulares e projetos encaminhados. Ele reconheceu que havia problemas que não foram resolvidos durante sua administração, mas disse que parte das dificuldades está relacionada às limitações orçamentárias e às regras estabelecidas para a administração pública.

Saída da Sesacre

Durante a entrevista, Pascoal também falou sobre os motivos que levaram à sua saída do comando da Saúde. Segundo ele, houve divergências durante a transição entre o governo de Gladson Cameli e a atual administração.

O ex-secretário afirmou que a regionalização deixou de ser tratada como prioridade e disse que discordou de decisões adotadas pela nova gestão.

“Por discordar de muitas das condutas da atual gestão, eu optei por deixar o cargo”, declarou.

Pascoal também confirmou que enfrentou cobranças para adotar uma postura mais política dentro da secretaria. “Na Saúde não tem espaço para ser político”, afirmou ao defender que as decisões da pasta sejam tomadas principalmente com base em critérios técnicos.

Entre as divergências citadas está a proposta de ampliar para outras regiões o modelo de gestão utilizado no Hospital Regional do Juruá. Pascoal afirmou que pretendia aplicar modelo semelhante no Hospital do Alto Acre, em Brasiléia, mas que a iniciativa não avançou.

Segundo ele, a decisão teria ocorrido para evitar conflitos com sindicatos. O ex-secretário afirmou que havia possibilidade jurídica para a realização de chamamento público e atribuiu a interrupção do projeto a uma decisão política da atual gestão.

Cirurgias e serviços no interior

Ao apresentar resultados de sua passagem pela secretaria, Pedro Pascoal afirmou que mais de 45 mil cirurgias foram realizadas durante sua gestão, além de mais de 65 mil atendimentos direcionados a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ele também citou a implantação do PET Scan em Rio Branco, o serviço de hemodinâmica e cateterismo em Cruzeiro do Sul, a ampliação do tratamento de pacientes com câncer no Juruá e a reabertura de centros cirúrgicos em municípios do interior.

Pascoal apontou o Hospital Regional do Juruá como exemplo do modelo que pretende defender para outras regiões do Estado.

“Eu uso o Hospital Regional do Juruá como exemplo da regionalização, que é possível ter especialista, equipamento de alta complexidade, justamente para economizar dinheiro público e dar humanização para o paciente”, disse.

O candidato também se posicionou favoravelmente à contratação de serviços especializados por meio do terceiro setor quando concursos públicos, processos seletivos e outras formas de contratação direta não forem suficientes.

“Já passou da hora”, respondeu ao ser questionado sobre a terceirização de determinados serviços da Saúde. Pascoal citou novamente o Hospital Regional do Juruá e serviços terceirizados de cateterismo e ortopedia como exemplos.

Hospital Santa Juliana

Outro tema abordado foi a dívida do Estado com o Hospital Santa Juliana. Pascoal afirmou que, durante sua gestão, os repasses eram realizados regularmente e que a unidade custa, em média, entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões por mês ao Estado, dependendo da quantidade de procedimentos realizados.

Segundo ele, foram feitos pagamentos em janeiro, fevereiro, março e abril, mas os valores repassados teriam diminuído nos meses seguintes.

“A partir do momento que você deixa de fazer os repasses de forma regular, o custo aumenta”, declarou.

Pascoal argumentou que uma interrupção de um mês nos pagamentos de fornecedores da Saúde já pode gerar dezenas de milhões de reais em dívidas, devido ao volume mensal de despesas da pasta. “Saúde não dá para brincar. Saúde não espera”, afirmou.

Regionalização como proposta

Como candidato a deputado federal, Pascoal afirmou que pretende levar ao Congresso propostas voltadas à ampliação do financiamento da Saúde no interior.

Ele citou especialmente municípios de difícil acesso, como Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa do Purus, onde a remoção de pacientes muitas vezes depende de embarcações ou aeronaves.

Segundo Pascoal, um dos problemas é que unidades mistas existentes nos municípios não são reconhecidas pelo Ministério da Saúde da mesma forma que hospitais, o que limita o financiamento federal para determinados atendimentos.

O candidato defendeu mudanças que permitam ampliar o reconhecimento e o financiamento dessas estruturas, além da realização de procedimentos de menor complexidade nos próprios municípios.

No encerramento da entrevista, Pascoal também afirmou que alguns apoiadores estariam evitando manifestar publicamente apoio à sua candidatura por medo de consequências profissionais.

Segundo ele, pessoas ligadas à área da Saúde relatam receio até mesmo de interagir com suas publicações nas redes sociais.

“Tem gente, tem olheiro em tudo quanto é canto e colocaram meu emprego em cheque”, relatou ao reproduzir o que diz ouvir de apoiadores. Pascoal classificou o ambiente como de pressão política.

Pedro Pascoal encerrou a participação afirmando que pretende utilizar a experiência na gestão da Saúde para propor mudanças na legislação e ampliar o acesso aos serviços no Acre. Ele disputa uma vaga de deputado federal pelo PSDB, com o número 4500.

Presidente do Deracre é multado em R$ 5 mil por propaganda antecipada para Mailza

O presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Gilberto Lucas de Oliveira, foi condenado pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada em benefício da governadora Mailza Assis, candidata à reeleição. A decisão envolve publicações feitas no Instagram antes de 16 de agosto, data de início do período autorizado para propaganda nas eleições de 2026.

A condenação foi aplicada pelo juiz auxiliar da Propaganda Eleitoral Leandro Leri Gross, do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), após representação apresentada pelo partido Democracia Cristã. O processo tramita sob o número 0600600-28.2026.6.01.0000.

A ação teve como base duas publicações feitas no perfil pessoal de Gilberto Lucas. Os conteúdos associavam obras públicas executadas ou previstas para Senador Guiomard à imagem da governadora e utilizavam a frase “Em Senador Guiomard tem obra da Mailza sim”.

Uma das postagens também apresentava marcas do Governo do Acre e do Deracre e convidava os usuários a seguir o perfil de Mailza. Outro conteúdo exibia a imagem da governadora vinculada às ações de infraestrutura.

Ao julgar o caso, o magistrado considerou que a simples divulgação de obras públicas não configura propaganda eleitoral irregular. A forma utilizada nas publicações, porém, transformou as ações administrativas em promoção pessoal da então pré-candidata.

Na decisão, o juiz afirmou que a expressão “obra da Mailza”, combinada à imagem da governadora, à identidade visual de órgãos públicos e ao convite para acompanhar o perfil pessoal dela, criou associação direta entre as obras executadas pelo Estado e a imagem política da candidata.

A defesa de Gilberto argumentou que as publicações tinham caráter informativo, não continham pedido explícito de voto e foram retiradas após determinação judicial. Os argumentos não afastaram a condenação.

A Justiça Eleitoral entendeu que a propaganda antecipada não depende necessariamente do uso de expressões como “vote em”. O contexto da mensagem e os elementos utilizados na publicação também podem caracterizar tentativa de promoção eleitoral antes do período permitido.

A retirada posterior das postagens também não eliminou a irregularidade. A ordem para exclusão dos conteúdos, concedida anteriormente, foi confirmada na decisão.

Gilberto Lucas foi responsabilizado por ter publicado o material em sua conta pessoal e recebeu multa de R$ 5 mil, valor mínimo previsto para esse tipo de infração eleitoral.

Mailza Assis foi considerada beneficiária das publicações, mas não recebeu multa no processo. Não ficou comprovado que a governadora tivesse conhecimento prévio ou participação direta na produção e divulgação dos conteúdos.

Justiça nega pedido de Mailza para retirar vídeo de suplente de Alan Rick sobre Marcha para Jesus

A Justiça Eleitoral do Acre negou nesta terça-feira, 1º de setembro, o pedido de tutela de urgência apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis Cameli e pela Coligação Avança Acre para retirar das redes sociais uma publicação de Gemil Salim de Abreu Júnior, primeiro suplente do senador e candidato ao governo Alan Rick. O vídeo atribui a uma suposta perseguição política do Governo do Estado a falta de apoio à Marcha para Jesus de 2026 em Cruzeiro do Sul.

A manifestação que provocou a disputa judicial foi publicada por Gemil após a confirmação de que o evento evangélico não receberia neste ano a estrutura e os recursos estaduais utilizados em edições anteriores. No vídeo, o suplente relacionou a decisão ao cenário político do município e às alianças formadas para as eleições.

“O Governo do Estado do Acre, por perseguição e por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio”, afirmou Gemil ao tratar do evento.

A declaração faz referência à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul e à situação política na região do Juruá. Gemil sustentou que a falta de estrutura, como palco, trio elétrico e apoio para atrações, compromete a realização do evento pelas igrejas locais.

Mailza e a Coligação Avança Acre recorreram à Justiça Eleitoral contra a publicação e pediram a retirada do conteúdo em caráter de urgência. O pedido, porém, foi negado, mantendo a postagem disponível nesta fase do processo.

O Governo do Acre já havia contestado publicamente a acusação de perseguição. A gestão informou que a impossibilidade de financiar a Marcha para Jesus está relacionada ao cancelamento do Edital nº 001/2026 da Fundação Elias Mansour, ocorrido em 23 de junho, antes da definição das atuais alianças eleitorais.

A administração estadual atribuiu o cancelamento a restrições relacionadas ao período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. A demanda específica apresentada por lideranças religiosas de Cruzeiro do Sul teria chegado ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital.

O Executivo sustenta que a sequência das datas afasta a relação entre a falta do repasse e os apoios políticos firmados posteriormente no município. A gestão também declarou que pretende manter o diálogo com as igrejas para futuras parcerias dentro das regras administrativas e eleitorais.

Gemil Júnior é o primeiro suplente da chapa que elegeu Alan Rick para o Senado em 2022. Caso Alan seja eleito governador do Acre e deixe o mandato no Senado, Gemil poderá assumir a vaga atualmente ocupada pelo parlamentar.

O episódio ocorre em meio ao avanço da campanha pelo governo do Acre e amplia o embate entre os grupos de Alan Rick e Mailza Assis. As acusações de perseguição política já vinham sendo usadas pelo grupo do senador em críticas ao atual governo, enquanto integrantes da gestão estadual rejeitam a existência de retaliações contra adversários.

Eduardo Velloso defende centros cirúrgicos nos 22 municípios e fim da escala 6×1

O candidato ao Senado Eduardo Velloso defendeu a implantação de centros cirúrgicos nos 22 municípios do Acre, a valorização dos profissionais de saúde e o fim da escala de trabalho 6×1 durante sabatina realizada na noite de segunda-feira (31), em Rio Branco. Na entrevista, ele também apresentou propostas para habitação, infraestrutura e atuação parlamentar.

Na área da saúde, Velloso afirmou que pretende ampliar a capacidade de atendimento no interior para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até a capital. A proposta prevê centros cirúrgicos adaptados à estrutura e à demanda de cada município.

O candidato também defendeu a criação de um plano de cargos e carreira para médicos e outros profissionais da saúde como forma de estimular a permanência de trabalhadores no interior do estado. “A saúde como um todo merece um avanço, merece um plano de cargos e carreira, sim”, afirmou.

Na habitação, Velloso citou articulações feitas junto ao Ministério das Cidades para viabilizar projetos do Minha Casa, Minha Vida no Acre. Ele afirmou ter contribuído para o direcionamento de 150 unidades habitacionais a municípios do interior e disse que pretende manter diálogo com o governo federal, independentemente de quem estiver no comando do Executivo.

“Eu estou lá para representar você, para dialogar”, declarou ao defender uma relação institucional entre o mandato parlamentar e o governo federal.

A jornada de trabalho também entrou na sabatina. Velloso se posicionou contra a escala 6×1 e favorável ao modelo 5×2, com um período de transição para trabalhadores e empresas. Para o candidato, a mudança pode ampliar o tempo destinado ao descanso e à convivência familiar sem comprometer necessariamente a produtividade.

“Eu sou contra a escala 6×1”, afirmou.

Velloso também respondeu a perguntas sobre fundo partidário, emendas parlamentares e alianças políticas. Ao tratar da atuação no Congresso Nacional, disse que não pretende seguir automaticamente orientações partidárias e que as decisões do mandato devem considerar os interesses do Acre.

O candidato relacionou parte das propostas à experiência como médico e deputado federal. Segundo ele, a decisão de disputar uma vaga no Senado foi tomada após viagens pelos municípios acreanos e conversas com moradores, especialmente sobre dificuldades enfrentadas na saúde pública.

“Eu decidi escutar a população. Houve um chamado para que eu fizesse mais do que o mandato de deputado proporciona, as pessoas pediam por mais ações na saúde, que no Senado podem ser feitas”, afirmou.

Bocalom participa de sabatina do Grupo Integração e apresenta propostas para o Governo do Acre

Candidato falou sobre saúde, produção rural, infraestrutura, combate à corrupção e cenário eleitoral durante entrevista ao Jornal da Manhã

O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) participou, nesta terça-feira, 1º de setembro, da série de sabatinas promovida pelo Grupo Integração com os candidatos aos cargos majoritários nas eleições de 2026. A entrevista foi realizada ao vivo no Jornal da Manhã, da Integração FM, em Cruzeiro do Sul, e teve duração prevista de 30 minutos, seguindo o mesmo formato estabelecido para os demais candidatos.

Acompanhado do candidato a vice-governador, sargento Adonis, Bocalom falou sobre a campanha no Vale do Juruá, apresentou propostas do plano de governo e respondeu a questionamentos sobre saúde, agricultura, infraestrutura, situação financeira do Estado e alianças políticas.

Logo no início da entrevista, o candidato voltou a defender o projeto “Produzir para Empregar”, bandeira utilizada por ele em campanhas anteriores e também durante suas gestões municipais. Bocalom afirmou que pretende aplicar no Estado medidas de incentivo à produção rural e à instalação de agroindústrias.

“O meu projeto é o mesmo: Produzir para Empregar”, declarou. Segundo ele, o Acre precisa mudar o modelo de desenvolvimento para ampliar a produção local e reduzir a dependência de alimentos trazidos de outros estados.

Na área da saúde, Bocalom reconheceu dificuldades no atendimento público e apresentou como uma das propostas a implantação de hospitais de pequeno porte nos municípios do interior. A ideia, segundo ele, é aproveitar estruturas existentes e ampliar a capacidade para procedimentos de urgência, incluindo pequenas cirurgias.

“Cada município do Estado do Acre terá um hospital de pequeno porte”, afirmou. Bocalom disse ainda que pretende buscar recursos federais e envolver as prefeituras na gestão das unidades.

A produção rural também ocupou parte significativa da entrevista. O candidato defendeu a recuperação de ramais, mecanização agrícola, distribuição de calcário, assistência técnica e a retomada da atuação da Emater. Bocalom citou o avanço da cafeicultura no Juruá como exemplo de atividade capaz de movimentar a economia dos municípios.

Segundo ele, o Estado deve atuar junto aos produtores desde a preparação da terra até a organização da produção e industrialização. “A riqueza nasce e multiplica no campo e vem para a cidade”, disse.

Integração com o Peru

Questionado sobre a ligação rodoviária entre o Vale do Juruá e o Peru, passando pela região da Serra do Divisor, Bocalom defendeu a execução do projeto e afirmou que pretende pressionar o Governo Federal para viabilizar a obra.

O candidato citou o decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor, que prevê a possibilidade de implantação da BR-364 observadas as medidas de proteção ambiental, e atribuiu a ausência da estrada à falta de decisão política.

“Essa estrada vai sair”, afirmou. Bocalom disse que pretende dialogar com o Governo Federal e defendeu que a integração com o Peru pode abrir uma nova rota para exportações acreanas em direção aos portos do Pacífico.

Durante a sabatina, ele também voltou a tratar das condições da BR-364 e defendeu que trechos da rodovia sejam reconstruídos em concreto. Bocalom criticou os sucessivos investimentos realizados na estrada sem que, segundo ele, os problemas tenham sido definitivamente solucionados. Também afirmou que pretende cobrar a execução da ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.

Gestão financeira e combate a irregularidades

Ao falar sobre as finanças públicas, Bocalom citou sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco e afirmou que pretende adotar no Governo do Acre uma política de controle de despesas e formação de caixa antes da execução de grandes investimentos.

O candidato declarou que pretende chegar ao fim do terceiro ano de um eventual mandato com mais de R$ 1 bilhão disponível em caixa.

“Agora o dinheiro está na conta, agora a gente vai fazer grandes obras”, afirmou ao explicar o modelo que pretende aplicar.

Bocalom também fez críticas à administração estadual ao ser questionado sobre corrupção. Ele afirmou que pretende aumentar o controle sobre contratos e despesas e encaminhar eventuais irregularidades aos órgãos de fiscalização e investigação.

Ao ser perguntado se considera que ainda existe “roubalheira” no Estado, respondeu: “E muita. Desculpe, mas a roubalheira não diminuiu”. A declaração foi feita pelo candidato durante a entrevista. Ele disse manter relação de amizade e respeito com integrantes do atual grupo político, mas defendeu maior fiscalização sobre a estrutura administrativa.

Senado e cenário eleitoral

A disputa eleitoral também esteve entre os assuntos abordados. Bocalom afirmou acreditar que Eduardo Veloso, candidato ao Senado apoiado pelo seu grupo, será o mais votado para o cargo no Acre.

“Eduardo Veloso será o senador mais bem votado do Estado. Eu não tenho dúvida”, declarou.

Questionado sobre o desempenho de Gladson Cameli nas pesquisas, Bocalom reconheceu a popularidade do ex-governador, mas levantou dúvidas sobre a situação de sua candidatura. O candidato informou ainda que, neste momento, sua campanha trabalha prioritariamente com o nome de Eduardo Veloso para o Senado, sem descartar uma definição sobre um segundo nome na reta final.

No encerramento da sabatina, Bocalom descartou fazer projeções sobre alianças para um eventual segundo turno e afirmou acreditar que poderá vencer a disputa ainda na primeira votação.

“Nós vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”, disse. Ao comparar sua estrutura de campanha com a dos adversários, utilizou a expressão “o tostão contra o milhão” e pediu aos apoiadores que atuem como multiplicadores da candidatura.

A entrevista com Tião Bocalom integra a rodada de sabatinas do Grupo Integração com os candidatos majoritários das eleições de 2026, realizada pelo Jornal da Manhã, na Integração FM.

Em entrevista, Pedro Longo defende agro, turismo e integração com o Peru para desenvolver o Acre

O deputado estadual e candidato a deputado federal Pedro Longo afirmou, nesta segunda-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM, que pretende levar para Brasília pautas ligadas à produção rural, infraestrutura e desenvolvimento regional, com atenção especial ao Vale do Juruá.

Vice-presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Longo destacou a presença política que mantém na região e disse que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por considerar que o mandato estadual já não consegue atender à quantidade de projetos apresentados por associações, cooperativas e grupos organizados.

Segundo ele, desde 2020 mantém um escritório em Cruzeiro do Sul com equipe técnica voltada à elaboração de projetos e atendimento de demandas coletivas.

“O mandato começou a ficar pequeno. O valor das nossas emendas já não dava mais conta de atender isso”, afirmou ao explicar a decisão de concorrer a deputado federal.

Na entrevista, Pedro Longo também criticou a elaboração de normas federais que, segundo ele, não consideram a realidade dos pequenos produtores da Amazônia. O parlamentar citou dificuldades relacionadas à regularização ambiental e defendeu maior articulação entre os estados da Região Norte no Congresso.

“Uma coisa que me incomoda muito é ver sempre se fazerem leis do que pode e do que não pode ser feito no Acre por pessoas que não são do nosso estado, que não conhecem a nossa realidade”, declarou.

Ao falar sobre o futuro econômico do Acre, Longo apontou três áreas que considera fundamentais: fortalecimento da produção agropecuária, turismo e integração regional com países vizinhos, especialmente o Peru.

Para o deputado, o crescimento da produção deve começar pelo pequeno agricultor, com condições para geração de renda e permanência das famílias no campo.

“É muito fácil dizer que temos que fixar o homem no campo. Só que você fixar o homem no campo sem ele ter uma perspectiva de renda, sem ele poder levar um filho para uma faculdade, isso não vai acontecer”, disse.

No turismo, Pedro Longo citou destinos como Serra do Divisor, Croa, Rio Moa e Igarapé Preto e afirmou que o Juruá ainda não possui roteiros turísticos estruturados capazes de aproveitar o potencial da região.

Ele também defendeu maior aproximação econômica com o Peru, inicialmente por meio de voos regionais permanentes, para estimular o contato entre empresários e facilitar a comercialização de produtos.

“Eu sou um entusiasta desse Acre do futuro, de um Acre desenvolvido. O agronegócio, o turismo e essa integração regional são perspectivas principais para desenvolver o nosso estado”, afirmou.

A BR-364 também apareceu entre as prioridades citadas pelo deputado. Longo afirmou que as condições da rodovia afetam diretamente o custo das mercadorias que chegam ao consumidor e disse que pretende ampliar a fiscalização sobre o tema caso seja eleito para a Câmara Federal.

Outra pauta mencionada foi a construção da ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. Para ele, a obra é essencial para melhorar a circulação de pessoas e mercadorias e deve permanecer entre as prioridades da bancada federal acreana.

Pedro Longo também falou sobre os trabalhos da Assembleia Legislativa durante o período eleitoral. Entre as matérias que considera mais importantes para os próximos meses estão a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento do Estado para 2027.

O deputado disse ainda esperar que o Estado consiga superar as limitações fiscais que atualmente impedem avanços em planos de cargos e carreiras de algumas categorias. Citou demandas da Saúde, Comunicação e Educação e defendeu a recomposição de direitos dos trabalhadores do setor educacional.

Ao avaliar o cenário após as eleições, Longo afirmou que o resultado das urnas deverá alterar a composição política e os alinhamentos dentro da Assembleia Legislativa.

“A perspectiva de poder, às vezes, é mais forte do que o poder em si”, declarou ao comentar a possibilidade de mudanças na relação entre os deputados e o próximo governo.

Em entrevista à Integração FM, Gemil critica retirada de apoio à Marcha para Jesus

O líder evangélico Gemil Júnior afirmou nesta segunda-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM, que atribui a uma decisão política a retirada do apoio do Governo do Acre à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul.

Segundo ele, a ausência da estrutura que seria disponibilizada pelo Estado inviabilizou a realização do evento neste ano.

“Cruzeiro do Sul, em 2026, não tem a Marcha para Jesus. E, se você me perguntar os motivos, eu tenho os meus motivos pessoais e acredito que, devido à questão política, o apoio foi retirado”, afirmou.

Gemil é membro da Igreja Batista do Bosque e ligado à Associação dos Ministros Evangélicos do Acre, a Ameacre. Durante a entrevista, ele afirmou que as igrejas não têm condições financeiras de assumir sozinhas despesas com palco, estrutura e organização.

“Não tem como as igrejas arcarem com o custo de uma Marcha para Jesus. É impossível”, declarou.

O líder evangélico também questionou a justificativa apresentada pelo governo para a retirada do apoio. Na avaliação dele, as manifestações dos órgãos de controle foram relacionadas aos valores envolvidos, e não a uma determinação para que a Marcha fosse cancelada.

Gemil citou como comparação a realização do mesmo evento em Tarauacá.

“Na sexta-feira teve uma Marcha para Jesus em Tarauacá com apoio do Governo do Estado do Acre. Então isso é ilógico”, afirmou.

Ele também relacionou o episódio ao atual cenário eleitoral. Gemil destacou que, em Cruzeiro do Sul, o prefeito Zequinha Lima declarou apoio a uma candidatura ao governo que não é a apoiada pelo atual grupo governista, enquanto Tarauacá teria posição diferente.

“Tarauacá realizou a Marcha para Jesus com apoio do governo e com a presença da governadora. Cruzeiro do Sul não tem Marcha. Então aqui não é um assunto que a gente pode passar em branco”, disse.

Para Gemil, o episódio deverá provocar reflexos na relação das lideranças evangélicas com o poder público.

“As igrejas começam a se preparar de uma forma diferente para o ano que vem”, afirmou.

No fim da entrevista, ele reforçou que acredita em uma mudança de postura do segmento evangélico do Juruá após o episódio e disse que as igrejas deverão ter “um posicionamento totalmente diferente” a partir do próximo ano.
Gemil também afirmou que a Ameacre não recebe diretamente os recursos destinados à realização da Marcha para Jesus. Segundo ele, contratos, pagamentos e execução financeira ficam sob responsabilidade do Governo do Estado.

“Pastores não pegam recurso, a Ameacre não recebeu recurso”, declarou.

Alan Rick inaugura duas Casas 10 em Santa Rosa do Purus e apresenta propostas para indígenas

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) cumpriu agenda de campanha neste domingo (30) em Santa Rosa do Purus, onde inaugurou duas Casas 10, espaços de apoio à candidatura, visitou comerciantes e seguiu para a Aldeia Minas Gerais, do povo Huni Kuin. A programação também teve participação dos candidatos ao Senado Mara Rocha (Republicanos) e Sérgio Petecão (PSD).

Na chegada ao município, Alan foi recebido por apoiadores no aeroporto e percorreu ruas da cidade antes das inaugurações. As duas Casas 10 ficam na Rua Coronel José Ferreira, no bairro Cidade Nova, e passam a funcionar como pontos de mobilização da campanha no município.

Após os atos políticos, a comitiva seguiu para a Aldeia Minas Gerais. Durante a visita, Alan apresentou propostas voltadas às comunidades indígenas, com medidas nas áreas de abastecimento de água, saúde, educação, energia, conectividade e geração de renda.

Entre as propostas apresentadas está a ampliação de sistemas de abastecimento de água em comunidades isoladas. O candidato também defendeu parcerias com o governo federal para levar internet de alta velocidade e energia solar às aldeias, com possibilidade de ampliar serviços como telemedicina, educação a distância, emissão de documentos e comunicação em situações de emergência.

Na área da saúde, o plano inclui apoio ao transporte de pacientes em casos de urgência e ampliação do acesso a consultas, exames e procedimentos especializados. Para a educação indígena, a proposta prevê recuperação de escolas, formação de professores e produção de materiais interculturais e bilíngues.

Alan também afirmou que pretende criar ações para fortalecer a produção das comunidades, o artesanato e a comercialização de produtos indígenas. Outra proposta envolve mecanismos de remuneração pelos serviços ambientais prestados por povos tradicionais na conservação da floresta.

A agenda em Santa Rosa do Purus contou ainda com o candidato a vice-governador Rico Leite (Republicanos) e com candidatos a deputado federal da legenda. A passagem pelo município integra a programação de campanha de Alan Rick no interior do Acre.

Com informações da assessoria