Edvaldo defende comissão da Aleac para acompanhar investigação sobre queda de ponte em Sena Madureira

A continuidade das discussões sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, levou o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) a defender uma atuação mais direta da Assembleia Legislativa do Acre no acompanhamento das investigações sobre o caso. Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (10), o parlamentar anunciou que vai apresentar um requerimento para criar uma comissão de representação externa e afirmou que a medida busca dar uma resposta institucional aos impactos já sentidos pela população. “Não proponho uma CPI. Proponho algo que permita à Assembleia cumprir seu papel institucional de acompanhar os fatos e garantir que todas as informações sejam devidamente esclarecidas à sociedade”, disse.

Ao comentar a repercussão do desabamento, Edvaldo afirmou que o episódio já ultrapassou o debate político e passou a afetar a vida cotidiana em Sena Madureira. Segundo ele, os prejuízos vão além dos transtornos na mobilidade urbana e atingem moradores, comerciantes e empreendedores que fizeram investimentos no Segundo Distrito após a inauguração da ponte. “O assunto já entrou no cotidiano das pessoas, mas as consequências são muito sérias. Há famílias, comerciantes e empreendedores que organizaram suas vidas acreditando naquela ligação permanente entre os dois lados da cidade”, afirmou.

A proposta apresentada pelo deputado prevê a criação de uma comissão formada por parlamentares e presidida por um integrante da Mesa Diretora. A ideia é que o grupo acompanhe oficialmente as apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis pelo caso, entre eles Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Polícia Civil e, se houver, instâncias federais envolvidas na investigação.

Edvaldo explicou que decidiu não defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito por considerar mais viável, neste momento, um instrumento previsto no Regimento Interno da Aleac. A avaliação do parlamentar é que a Assembleia precisa estar presente no processo de apuração, com acesso às informações produzidas ao longo das investigações e capacidade de cobrar esclarecimentos públicos.

Segundo o deputado, a comissão terá a função de acompanhar os trabalhos técnicos e administrativos até a conclusão das apurações. “O que queremos é acompanhar os trabalhos técnicos e garantir que, ao final, a população saiba exatamente o que aconteceu, quais foram as causas e quem deve ser responsabilizado. A sociedade acreana merece respostas claras sobre esse episódio”, declarou.

A queda da ponte segue no centro do debate político no Acre e amplia a pressão por respostas sobre as causas do desabamento, os critérios adotados na execução da obra e as responsabilidades pelo caso.

Coronel Ulysses defende endurecimento penal, cobra geração de emprego e confirma pré-candidatura à reeleição no Acre

O deputado federal Coronel Ulysses afirmou nesta terça-feira, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, que pretende manter o discurso centrado em segurança pública, geração de emprego e desenvolvimento econômico do Acre. Ao longo da conversa, ele defendeu mudanças na legislação penal, criticou a audiência de custódia, cobrou mais oportunidades para os jovens e confirmou que hoje é pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Logo no início da entrevista, Ulysses disse que estava no Juruá para cumprir agenda e participar da entrega da ordem de serviço de melhorias no ramal São Luís, no Passo Fundo. “É uma honra poder estar aqui com vocês” e “é sempre prazeroso estar em Cruzeiro do Sul, a cidade que eu nasci”, afirmou, ao citar ainda compromissos na região.

O principal eixo da entrevista foi a segurança pública. O parlamentar disse que tem atuado para endurecer a legislação e voltou a defender mudanças nas regras da audiência de custódia. “Esse é o objetivo desse projeto, ou seja, moralizar a audiência de custódia”, declarou. Na mesma linha, afirmou que o mecanismo “tem sido utilizado como um instrumento de impunidade e de aumento da violência” e disse que a proposta em debate busca impedir que reincidentes e acusados de crimes graves sejam soltos novamente.

Ao tratar da situação do Acre, o deputado afirmou que o Estado recebeu recursos para a área, mas sustentou que o enfrentamento da violência não pode ficar restrito ao policiamento. “Segurança não se faz só com polícia não”, disse. Em seguida, reconheceu que o problema passa também por educação, gestão e mercado de trabalho. “Infelizmente, nós não temos gerado a quantidade de emprego necessária para que o jovem, adolescente, realmente tenha oportunidade de trabalhar”, afirmou.

Na parte econômica, Coronel Ulysses defendeu que o Acre aposte no agronegócio, na pecuária e na agricultura familiar como caminho para ampliar renda e vagas de trabalho. Para ele, o Estado precisa criar ambiente para produção e empreendedorismo. “Nós temos que gerar emprego e temos que gerar renda”, disse. Ele também afirmou que a vocação econômica acreana está ligada ao setor primário e criticou entraves que, na avaliação dele, travam o crescimento local.

A entrevista também entrou no cenário eleitoral de 2026. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado, o deputado disse que, neste momento, seu projeto é a reeleição. “Eu sou pré-candidato a deputado federal”, afirmou. Em seguida, admitiu que já avaliou uma candidatura majoritária, mas alegou falta de estrutura financeira para esse movimento. “Pra mim falta estrutura. Eu não tenho estrutura econômica pra vir pra uma candidatura de senador”, declarou.

Ao encerrar a participação, Coronel Ulysses reforçou o apelo por uma escolha mais criteriosa dos eleitores e disse que a política decide temas centrais da vida da população, da segurança à economia. A entrevista manteve o deputado em um tom de pré-campanha, com críticas a adversários, defesa de pautas conservadoras e tentativa de se firmar como um nome da direita acreana para 2026.

Edvaldo cobra esclarecimentos sobre queda de ponte em Sena Madureira

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira, 9 de junho, esclarecimentos na investigação sobre a queda da ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrida no último dia 5. O parlamentar levantou dúvidas sobre alterações entre o anteprojeto apresentado pelo Deracre e o projeto executivo da obra, além da origem dos recursos e da forma de execução do contrato.

No discurso, Edvaldo afirmou que a apuração precisa explicar por que o projeto final teria ficado diferente da proposta inicial elaborada pelo órgão estadual. Entre os pontos citados por ele estão a redução no tamanho e na circunferência das estacas e a retirada de anéis de aço previstos no anteprojeto. Para o deputado, a investigação deve identificar quem autorizou as mudanças e se elas tiveram relação com eventual redução de custos.

O parlamentar também defendeu a verificação da origem do dinheiro aplicado na obra. Segundo ele, o volume de recursos teria superado R$ 45 milhões e há suspeita de participação de verba federal por meio de emenda Pix. Caso isso seja confirmado, Edvaldo disse que a Polícia Federal também deve atuar nas investigações.

Outro ponto levantado foi a execução da obra pela Construtora Cidade. Edvaldo questionou se a empresa tocou o empreendimento sozinha ou se houve algum tipo de parceria não formalizada. Ao citar esse aspecto, ele relacionou o caso a problemas já apontados em outra obra pública, o Anel Viário de Brasiléia, e cobrou que a apuração avance sobre possíveis conexões administrativas e contratuais.

Ao final da fala, o deputado disse que Sena Madureira precisa recuperar o projeto de ligação viária e elogiou a articulação para levar o tema ao governo federal. A defesa dele é que a solução para a ponte corra em paralelo às investigações sobre responsabilidades técnicas, administrativas e financeiras.

MP inicia apuração sobre desabamento da Ponte Frei Paolino em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar as causas do desabamento parcial da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, após o acidente ocorrido na noite de sexta-feira, 5 de junho, que deixou quatro pessoas feridas, duas delas em estado grave. A estrutura liga a região central da cidade ao Segundo Distrito, e o colapso interrompeu uma das principais rotas de mobilidade urbana do município.

A apuração foi instaurada pelos promotores de Justiça Júlio César de Medeiros Silva e Júlia Fernandes de Brito, diante dos possíveis impactos ao patrimônio público, à segurança da população e à aplicação dos recursos usados na obra. Logo após o acidente, houve atuação para viabilizar a transferência de pacientes em estado mais grave para o Pronto-Socorro de Rio Branco, com apoio de ambulância de suporte avançado.

Na manhã de sábado, 6 de junho, equipe técnica do Núcleo de Apoio Técnico e servidores da Promotoria fizeram vistoria no local ao lado de órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Imac e Deracre. O procedimento aberto pelo MPAC mira possíveis falhas de projeto, execução, fiscalização e uso de materiais inadequados, e já levou ao envio de ofícios ao DNIT, ao Deracre, à empresa Cidade Ltda., ao Estado do Acre, ao Corpo de Bombeiros Militar, à Defesa Civil Municipal e a outros órgãos envolvidos.

Entre as medidas pedidas estão perícia técnica na estrutura, envio de documentos de fiscalização, cópias do projeto executivo, informações sobre aditivos contratuais e esclarecimentos sobre eventuais interdições anteriores. O Ministério Público também quer saber quais providências foram adotadas para garantir o deslocamento da população afetada, a assistência às famílias da área atingida e a eventual remoção de moradores em situação de risco. A ponte já havia sido interditada preventivamente no dia 4 de junho, após recomendação técnica relacionada ao avanço de “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.

Com a chegada das respostas e dos laudos, o procedimento poderá ser convertido em inquérito civil. Nesta segunda-feira, 8 de junho, o boletim mais recente da Secretaria de Estado de Saúde informou que um dos pacientes seguia internado em estado grave na UTI do Huerb, em Rio Branco, mas com sinais de melhora clínica.

Perpétua Almeida cobra investigação federal sobre ponte e diz que cadeia do café mudou renda no Juruá

A ex-deputada federal Perpétua Almeida cobrou, nesta segunda-feira, 8 de junho, a entrada imediata do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na apuração do desabamento da ponte em Sena Madureira e afirmou que o caso exige resposta rápida diante das vítimas e do prejuízo aos cofres públicos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, ela disse que “há uma sede de resposta hoje no Acre” e defendeu que a origem dos recursos da obra seja esclarecida.

Ao comentar o caso, Perpétua afirmou que “o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente, convocar a Polícia Federal e as coisas andarem o mais rápido possível”. Na avaliação dela, a investigação precisa avançar sobre os detalhes do financiamento e da execução da obra. “Virou mania no Acre, do governo do Estado e de algumas prefeituras, não dizer de onde vêm recursos que estão fazendo algumas obras”, disse.

Ela também sustentou que há suspeitas sobre a participação de verbas federais no empreendimento. “Há desconfiança de que tem emenda parlamentar do Orçamento da União envolvida nessa ponte, que nunca foi dito”, afirmou. Em seguida, reforçou a cobrança por transparência e responsabilização: “Se há desconfiança, o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente.”

Na mesma entrevista, Perpétua mudou o foco para a agenda econômica e afirmou que os investimentos na cadeia do café já produziram efeitos concretos no Vale do Juruá. Ao relatar visitas a propriedades rurais, ela disse ter encontrado aumento da contratação de diaristas e maior presença feminina no trabalho da colheita. “Eu era diarista, eu recebia 60 reais por diária, e hoje eu tô pagando entre 120 e 200 reais pras pessoas que estão fazendo diária aqui pra mim”, relatou, ao reproduzir a fala de um produtor.

Segundo ela, a transformação mais visível está em Mâncio Lima, onde a atividade passou a abrir espaço para mulheres e pequenos produtores. “Eu nunca vi tantas mulheres empregadas aqui na nossa região”, disse Perpétua, ao lembrar o que ouviu durante uma das visitas. De acordo com a ex-parlamentar, muitas trabalhadoras passaram a enxergar autonomia financeira na atividade. “Agora eu tenho meu negócio, agora eu tenho de onde tirar dinheiro para cuidar dos meus filhos, da minha casa”, contou, ao resumir o depoimento recebido no campo.

Perpétua afirmou que os resultados aparecem também nos indicadores levantados sobre a atividade cafeeira. “A renda dos cooperados começou em 2023 em R$ 1.300, depois subiu para R$ 2.530, e em 2025 a medição deu que a renda dos cooperados está hoje em R$ 4.554 por mês”, declarou. Ela acrescentou que a dependência do Bolsa Família caiu no mesmo período, de 40% para 30,6%, e usou os números para rebater críticas dirigidas aos beneficiários de programas sociais. “Esse discurso não é verdadeiro. As pessoas, quando melhoram de vida, não querem depender da ajuda de ninguém.”

A ex-deputada também defendeu uma articulação maior entre os investimentos industriais e as políticas públicas no campo. Para ela, o avanço da produção precisa vir acompanhado de melhoria em ramais, distribuição de mudas, oferta de adubo e apoio técnico. “A gente precisa que o governo do Estado, através da Secretaria de Produção, através de outras secretarias, o próprio Sebrae, a própria prefeitura e as prefeituras que estão recebendo esse investimento façam também investimento em ramais, em adubos, em mudas”, afirmou.

Ao falar de projetos futuros, Perpétua disse que deixou recursos assegurados para novas cadeias produtivas antes de deixar a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. “Lá em Feijó eu já deixei na ABDI o orçamento garantido pra gente construir a indústria de beneficiamento de açaí”, afirmou. Segundo ela, foram reservados R$ 9 milhões para a estrutura, dentro de uma cadeia que inclui barcos frigoríficos e caminhões para atender produtores do município.

Na parte final da entrevista, Perpétua confirmou a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e vinculou uma eventual volta a Brasília à pauta da industrialização e do apoio à produção local. “Se Deus me der essa oportunidade de voltar a trabalhar pelo Acre, sim, eu vou continuar nessa mesma pegada”, declarou.

Ação de saúde evita deslocamentos e leva 3,1 mil atendimentos ao km 19 da Estrada de Porto Acre

Moradores da zona rural de Rio Branco receberam no sábado, 6 de junho, uma força-tarefa de saúde no km 19 da Estrada de Porto Acre, em uma ação que somou 3.173 procedimentos e reduziu a necessidade de deslocamento até a área urbana. A segunda parada do programa Saúde Rural – Edição Terrestre foi realizada na Escola Luiza de Lima Cadaxo e reuniu consultas, exames, vacinação e atendimentos especializados.

A mobilização levou à comunidade consultas médicas, de enfermagem e odontológicas, pré-natal, PCCU, inserção de Implanon, testes rápidos, vacinação humana e antirrábica, aferição de pressão arterial e glicemia, entrega de medicamentos e atendimento de endemias voltado para malária e leishmaniose. Também houve práticas integrativas, como auriculoterapia e ventosaterapia, atualização do Bolsa Família e atividades recreativas para crianças.

De acordo com a coordenação do programa, cerca de 200 pessoas passaram pela ação ao longo do dia. O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a proposta é ampliar o acesso aos serviços para famílias que vivem em áreas mais distantes. Já o coordenador Jhon Willer destacou que a presença das equipes no interior ajuda a atender uma demanda que muitas vezes esbarra na distância e no custo do deslocamento.

Para os moradores, a ação representou a chance de resolver várias demandas de saúde no próprio local onde vivem. Entre os serviços mais procurados estavam atendimento odontológico, consultas de rotina e procedimentos de planejamento reprodutivo, além da vacinação de animais. A avaliação entre os participantes foi de que a iniciativa facilita o acesso a cuidados básicos e especializados em regiões onde a assistência costuma chegar com mais dificuldade.

Levantamento do site ÉPop aponta custo de R$ 45,3 milhões da ponte Padre Paolino

Levantamento realizado pelo site ÉPop mostra que a ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, em Sena Madureira, consumiu R$ 45.318.158,64 em pagamentos públicos antes de desabar. O valor chama atenção porque o contrato original da obra foi firmado em R$ 36 milhões, o que abre uma diferença de R$ 9,3 milhões e coloca a execução financeira no centro da crise.

O dado muda o eixo da discussão sobre o caso. Mais do que o colapso da estrutura, a cifra impõe uma pergunta direta sobre como a obra chegou a esse patamar de gasto antes da queda. O total rastreado corresponde a 25,88% acima do valor inicial do contrato, num cenário em que a cobrança por transparência passa a recair não só sobre a qualidade da construção, mas também sobre os pagamentos feitos ao longo da execução.

A ponte foi lançada em março de 2022 como a segunda ligação sobre o Rio Iaco, com 232 metros de extensão e 352 metros de rampas de acesso. O levantamento reúne pagamentos distribuídos entre 2022, 2023, 2024 e 2025, com maior concentração no segundo ano da obra. O contrato também passou por apostilamentos e termos aditivos, o que amplia a necessidade de detalhamento sobre cada alteração formal e seu impacto no custo final.

Outro ponto que pressiona por explicações está na composição desses desembolsos. Parte dos valores aparece registrada como reajuste, e outra parte como despesa de exercícios anteriores. Sozinhas, essas classificações não esclarecem quais etapas foram medidas, quais serviços efetivamente foram executados, quais critérios embasaram as correções e quem autorizou a liberação dos pagamentos.

O governo informou que a obra foi contratada em regime integrado, com responsabilidade da empresa pelo projeto básico, projeto executivo e execução. Também sustenta que o recebimento definitivo ocorreu em janeiro de 2024 e que a estrutura ainda estava dentro do prazo legal de garantia. A posição delimita a discussão sobre responsabilidade técnica, mas não encerra a cobrança sobre a evolução do custo da obra nem sobre os documentos que sustentaram os repasses.

Com a abertura de investigações por órgãos de controle e pela polícia, a queda da ponte deixa de ser apenas um problema de engenharia e passa a ser também um caso de interesse público sobre gestão de recursos. Depois de R$ 45,3 milhões pagos, a principal explicação que falta agora é por que uma obra que custou tanto não resistiu.

Confira o levantamento completo >> https://epope.com.br/ponte-do-rio-iaco-custou-r-453-milhoes-antes-de-cair-em-sena-madureira/

Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual

Líderes rurais cobram ramais e saúde na Transacreana, e Alysson promete ampliar presença da prefeitura

Melhorias em ramais, acesso à saúde, apoio à produção e mais presença do poder público nas comunidades mais distantes marcaram a reunião entre o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, e lideranças rurais da Transacreana neste sábado. Ao ouvir as reivindicações, o gestor afirmou que a prefeitura pretende ampliar a atuação na região e acompanhar de perto as necessidades apresentadas pelos moradores.

O encontro reuniu líderes comunitários, presidentes de ramais e produtores rurais, que relataram dificuldades antigas enfrentadas por famílias da zona rural. Entre os principais pontos levados ao prefeito estavam as condições de acesso, a necessidade de suporte à produção rural e a oferta de serviços básicos em áreas mais afastadas de Rio Branco.

Durante a agenda, Alysson afirmou que a escuta direta das comunidades é necessária para identificar os problemas mais urgentes e dar encaminhamento às demandas. O prefeito também destacou o peso da Transacreana para a economia do município e disse que a presença da administração precisa ir além de visitas pontuais, com ações voltadas ao desenvolvimento da zona rural.

As lideranças aproveitaram a reunião para reforçar cobranças sobre localidades que, segundo elas, seguem com atendimento insuficiente do poder público. Entre os relatos, apareceram dificuldades em trechos de ramais e queixas sobre o acesso a serviços de saúde, especialmente em pontos mais distantes.

Para os representantes das comunidades, a visita abre espaço para uma relação mais direta com a prefeitura e ajuda a transformar reclamações antigas em pautas concretas de trabalho. A avaliação é que a presença do prefeito no local aproxima a gestão da realidade de quem vive e produz na Transacreana.

Depois da reunião, Alysson participou de um café da manhã com moradores e acompanhou a 15ª Cavalgada da Transacreana, evento tradicional da região que reuniu produtores, famílias e representantes comunitários.

Governo não está isento de fiscalizar: um relato da verdade sobre a ponte que desabou

Por Daniel Sant’Ana*

Há uma questão na Nota Oficial do Estado sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido na noite desta sexta-feira (05/06), em Sena Madureira-AC, que não pode passar em branco.

De fato, no regime de contratação integrada, a responsabilidade da empresa contratada recai tanto sobre a execução da obra quanto sobre a elaboração dos projetos. Ainda assim, o Estado mantém sua responsabilidade de fiscalização sobre a qualidade, tanto do projeto quanto de sua execução, bem como também pelo recebimento da obra.

Também é certo que há circunstâncias excludentes de responsabilidade do Estado: (1) culpa exclusiva da vítima; (2) fato de terceiro; (3) caso fortuito ou força maior. Esses últimos se constituem de ações humanas cuja consequência não poderia ser evitada pelo Estado e de eventos imprevisíveis ou inevitáveis decorrentes de forças da natureza (ex: enchentes, terremotos, raios).

No presente caso, o Estado pode alegar exatamente isso: que o desabamento ocorreu em decorrência do movimento de terras resultante das sucessivas enchentes e secas do rio e, portanto, em razão de força maior; e que os ferimentos causados às pessoas decorreu de culpa exclusiva das vítimas, já que elas estavam em local de acesso proibido, pois já havia sido feita a interdição, o que excluiria a responsabilidade estatal.

Ocorre que as questões acima se referem à responsabilidade civil do Estado, para efeito de indenização por danos causados a terceiros em razão de ações ou omissões estatais. Só que aqui estamos falando também de responsabilidade política, por ações, omissões e escolhas equivocadas dos gestores da ocasião.

E, mesmo que o debate fosse apenas jurídico, a realidade não é bem essa das hipóteses acima descritas: o desabamento não teria ocorrido, em tese, como consequência direta e imediata de uma enchente (força maior), mas sim de suas consequências posteriores não imediatas, que demandam tempo para se concretizar. Ou seja: a enchente e o que acontece no momento de sua ocorrência pode até ser imprevisível, mas, suas consequências posteriores não imediatas, após reiteradas ocorrências, não são. Do contrário, todas as pontes da região do Iaco-Purus (e são muitas) já teriam desabado, pois todas sofrem com a ação da erosão decorrente dos movimentos de terra que resultam do fenômeno das cheias e secas dos rios ao longo dos anos.

O que ocorreu, no presente caso, foi a chamada culpa in vigilando. Trata-se da responsabilidade de uma pessoa ou entidade por danos causados por terceiros, decorrente de falha no dever de vigilância ou fiscalização. Não questiono os motivos do colapso estrutural da ponte, até porque ainda não está provado que ele tenha ocorrido, de fato, em razão dos movimentos de terra decorrentes das cheias e secas do rio, o que vai demandar perícia técnica. Mas, uma vez comprovada tal hipótese inicialmente alegada, monitorar os efeitos destes movimentos, assim como prevê-los quando da elaboração do projeto, execução da obra e após a sua entrega faz parte do “dever de vigiar” do Estado.

Fato é que a nota do Governo tenta “normalizar” algo evidente: uma obra mal projetada e mal executada, implantada em local impróprio, sobre a qual o Estado falhou no seu dever de fiscalização. Tentar transferir a responsabilidade integralmente à empresa apenas em razão do regime de contratação integrada é, no mínimo, uma desfaçatez. Ao assim agir, Governo e Estado deixam transparecer que buscam, de forma açodada, um duplo “salvo conduto”, tanto para o debate político, em razão das eleições vindouras, quanto para o debate jurídico, em função das possíveis ações indenizatórias que serão ajuizadas pelas vítimas em um futuro próximo.

*Doutor (UnB) em Direito e Mestre (UFSC) em Relações Internacionais. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual pelo PT do Acre.

Foto: Gleison Junior / Orna Audiovisual

MP do Acre abre investigação sobre desabamento da Ponte Frei Paolino, obra de R$ 36 milhões em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu investigação para apurar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e verificar possíveis responsabilidades pela queda da estrutura, inaugurada em dezembro de 2023 com investimento de R$ 36 milhões durante o governo Gladson Cameli. O colapso ocorreu na noite de sexta-feira, 5 de junho, e deixou quatro feridos.

A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira. Entre as primeiras medidas, foram determinadas perícia técnica, vistorias especializadas e a coleta de documentos e informações de órgãos públicos e empresas ligadas à obra. O trabalho também envolve as áreas criminal e de defesa do patrimônio público.

Entregue pelo governo do Acre em 19 de dezembro de 2023, a ponte passou a ligar o Primeiro e o Segundo Distrito de Sena Madureira, com 232 metros de extensão. A estrutura foi apresentada como uma obra estratégica para atender moradores da região e reduzir o isolamento da área durante o inverno amazônico.

Após o desabamento, o governo estadual informou que a ponte estava interditada preventivamente desde o dia anterior e que equipes técnicas acompanhavam a situação. Com a queda da estrutura, foi montada uma força-tarefa com bombeiros, Samu, Defesa Civil e equipes de saúde para atender as vítimas e investigar o que provocou o colapso.

O caso agora entra na esfera formal de investigação, com foco na execução da obra, nas condições estruturais da ponte e em possíveis falhas que possam ter contribuído para o desabamento. A apuração deve apontar se houve responsabilidade administrativa, civil ou criminal.

Foto: Figueroa Xavier https://www.instagram.com/figueroaxavier?igsh=MWtqdDM0MzI1N3RnMA==