Avanço do agro no interior entra no debate eleitoral do Acre com proposta de Bocalom

O crescimento da produtividade agropecuária e a expansão econômica de estados do interior do Brasil passaram a integrar o debate eleitoral no Acre neste domingo (30), com a candidatura de Tião Bocalom (PSDB) ao governo estadual. O candidato relaciona o desempenho do setor rural em outras regiões do país ao programa “Produzir para Empregar”, que coloca o aumento da produção e a geração de empregos entre os principais eixos de sua campanha.

Entre 2002 e 2019, a produtividade da agropecuária brasileira cresceu 80,1%, enquanto o avanço foi de 10,3% no setor de serviços e de 5,4% na indústria. No conjunto da economia, a produtividade aumentou 18,7% no período.

A expansão ganhou força principalmente em áreas do Centro-Oeste e em novas fronteiras agrícolas. Estados como Piauí, Maranhão e Tocantins registraram crescimento expressivo da produtividade, enquanto Mato Grosso consolidou uma economia fortemente ligada à produção agropecuária e às atividades que se desenvolvem ao redor do setor.

O impacto econômico vai além das propriedades rurais. O aumento da produção amplia a procura por máquinas, insumos, transporte, armazenagem, crédito e assistência técnica. Depois da colheita, parte dessa movimentação chega ao comércio, aos serviços, à construção civil e às indústrias responsáveis pelo beneficiamento das matérias-primas.

É nesse encadeamento que Bocalom concentra parte de sua proposta para o Acre. O programa apresentado pelo candidato prevê investimentos em infraestrutura rural, mecanização, correção de solo, assistência técnica, crédito, armazenamento e beneficiamento da produção. A estratégia também prevê ampliar a industrialização dentro do estado para manter uma parcela maior da renda e dos empregos gerados pela atividade econômica.

O desempenho recente da economia acreana ampliou o espaço do setor rural nesse debate. Em 2023, o Produto Interno Bruto do Acre cresceu 14,7%, a maior alta entre as unidades da Federação naquele ano. O PIB estadual chegou a R$ 26,3 bilhões. O avanço da agropecuária, especialmente da produção de soja, teve participação importante no resultado, ao lado de atividades do setor de serviços.

A agropecuária também teve peso no desempenho nacional. Em 2023, o setor cresceu 16,3% no Brasil, acima da expansão registrada pelos serviços e pela indústria. Em 2025, voltou a apresentar alta expressiva, de 11,7%, enquanto o PIB brasileiro avançou 2,3%.

Na campanha acreana, Bocalom sustenta que o estado pode ampliar a produção rural sem depender apenas da abertura de novas áreas, com investimentos em tecnologia, recuperação de solos, mecanização e assistência aos produtores. Outra frente apresentada pelo candidato é aumentar o beneficiamento de alimentos e matérias-primas dentro do Acre.

A candidatura de Bocalom ao governo foi oficializada pelo PSDB no início de agosto. O programa “Produzir para Empregar” passou a concentrar as propostas econômicas da campanha, que defende maior participação da produção agropecuária na geração de renda e empregos no estado.

Com informações da Assessoria

Acre fica entre os piores do país e ocupa penúltimo lugar em ranking de educação

O Acre aparece entre os estados com pior desempenho educacional do Brasil e ocupa a 26ª posição entre as 27 unidades da Federação no pilar Educação do Ranking de Competitividade dos Estados 2026. O resultado coloca o estado em penúltimo lugar no país e na 6ª posição entre os sete estados da Região Norte.

A avaliação integra o levantamento elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que compara o desempenho dos estados brasileiros em dez áreas ligadas ao desenvolvimento e à gestão pública. A Educação representa 11,3% da nota final e está entre os pilares de maior peso na classificação.

O desempenho acreano é calculado a partir de sete indicadores: Avaliação da Educação, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), frequência líquida no ensino fundamental, frequência líquida no ensino médio e atendimento da educação infantil.

A metodologia considera não apenas o acesso de crianças e adolescentes às escolas, mas também a qualidade da aprendizagem e o desenvolvimento de competências ao longo da formação.

No recorte regional, o Tocantins tem o melhor desempenho do Norte e ocupa a 15ª posição nacional. Rondônia aparece em 17º lugar. Amazonas e Pará estão, respectivamente, nas 24ª e 25ª posições. O Acre surge logo depois, em 26º, enquanto o Amapá fecha o ranking na 27ª colocação.

No cenário nacional, São Paulo lidera o pilar Educação, seguido por Santa Catarina e Minas Gerais.

A posição do Acre reforça a distância do estado em relação às unidades da Federação com melhores resultados educacionais e mantém o sistema de ensino acreano na faixa inferior do ranking nacional.

Governo volta a ter empenho para fretamento de jato e despesa chega a R$ 151 mil

O Governo do Acre voltou a registrar uma despesa específica para fretamento de aeronave a jato. A Casa Civil empenhou R$ 151,2 mil para a Ortiz Táxi Aéreo Ltda. em 19 de agosto, valor destinado ao serviço descrito na execução orçamentária como “fretamento de aeronave (JATO)”. O lançamento ocorre em meio à continuidade dos contratos do Estado com a empresa, que também teve uma contratação de quase R$ 10 milhões renovada neste mês.

O empenho, no valor exato de R$ 151.200, está vinculado ao Processo SEI nº 4002.008447.00948/2026-42 e ao Contrato CC nº 34/2023. Até 27 de agosto, toda a despesa já havia sido liquidada, etapa em que a administração reconhece que o serviço foi prestado ou a obrigação cumprida, mas o valor ainda não aparecia como pago.

A base pública de despesas não informa o destino do voo, a data da viagem nem quem utilizou a aeronave. Também não detalha a quantidade de horas contratadas para chegar aos R$ 151,2 mil. Essas informações devem constar no processo administrativo relacionado ao empenho.

O Contrato nº 34/2023 integra uma relação de vários anos entre a Casa Civil e a Ortiz para fretamento de aeronaves. Firmado originalmente por valor anual estimado de R$ 6,825 milhões, o contrato foi prorrogado em 2024 e recebeu, em 2025, um acréscimo de 25%, correspondente a R$ 1,706 milhão. Com a alteração, o valor global passou para R$ 8,531 milhões.

A última prorrogação localizada para esse contrato estendeu a vigência até junho de 2026. O empenho específico para o jato, porém, foi emitido em agosto e continua relacionado ao Contrato nº 34/2023. O registro orçamentário, isoladamente, não permite determinar se o gasto se refere a um serviço realizado durante a vigência contratual e processado posteriormente ou se houve outro instrumento administrativo que manteve a cobertura da contratação.

O contrato de 2023 já contemplava aeronaves executivas a jato entre os serviços colocados à disposição do governo. Na licitação que deu origem à contratação, também havia previsão de fretamento de outros tipos de avião para deslocamentos intermunicipais, interestaduais e internacionais.

Enquanto despesas ligadas ao contrato antigo continuam aparecendo na execução orçamentária, a Casa Civil também mantém uma contratação mais recente com a Ortiz. O Contrato nº 49/2025, firmado após nova licitação, tinha valor inicial de R$ 7,965 milhões e recebeu acréscimo de 25% em março de 2026, chegando a R$ 9,956 milhões.

Em agosto, esse contrato foi prorrogado por mais 12 meses, com vigência até agosto de 2027. O valor de R$ 9,956 milhões é uma estimativa anual e não representa, por si só, pagamento imediato à empresa. Os desembolsos dependem dos serviços efetivamente solicitados e executados pelo Estado.

A contratação originada na licitação de 2025 também entrou no radar do Ministério Público do Acre. Um inquérito civil foi aberto para aprofundar a análise sobre a evolução das despesas com fretamento, os preços praticados, a demanda pelos serviços e a vantagem econômica da contratação. A abertura da investigação não representa conclusão sobre eventual irregularidade.

O empenho de R$ 151,2 mil para o jato faz parte de um volume maior de despesas com transporte aéreo. Somente nos lançamentos realizados em agosto, a Casa Civil registrou cerca de R$ 1,33 milhão em empenhos na rubrica de passagens e despesas com locomoção, com predominância de valores destinados à Ortiz.

Entre os registros aparecem fretamentos de aeronaves do tipo Caravan e outros serviços aéreos. Até 27 de agosto, aproximadamente R$ 313,3 mil desse grupo de despesas já haviam sido pagos.

Considerando os órgãos do Executivo estadual e retirando os gastos relacionados à Saúde, os empenhos de agosto com passagens, fretamentos e outras despesas de locomoção chegaram a aproximadamente R$ 3,74 milhões. Somados às diárias civis e militares, os compromissos relacionados a viagens e deslocamentos alcançaram cerca de R$ 6,18 milhões.

Só nos empenhos identificados para fretamentos contratados com a Ortiz em agosto, sem incluir serviços ligados à Saúde, o valor chega a aproximadamente R$ 2,43 milhões, concentrado principalmente na Casa Civil e no Deracre. Dentro desse conjunto, o lançamento de R$ 151,2 mil é o que aparece expressamente identificado como fretamento de aeronave a jato.

Prefeitura de Rio Branco reforça recuperação de ramais na zona rural

A Prefeitura de Rio Branco ampliou nesta sexta-feira (28) os serviços de recuperação e manutenção de ramais na zona rural da capital acreana. As frentes de trabalho da Secretaria Municipal de Agropecuária (Seagro) atendem as regionais Quixadá, Barro Vermelho e Polo Geraldo Fleming, com limpeza das vias, baloamento e aplicação de material em pontos que apresentam necessidade de melhorias.

Os serviços fazem parte do cronograma de manutenção da malha viária rural do município. O objetivo é melhorar as condições de tráfego para moradores e produtores, facilitar o deslocamento entre as comunidades e garantir acesso para o transporte da produção agrícola.

Máquinas e equipes permanecem mobilizadas nas regionais rurais, com prioridade para os trechos considerados mais críticos. A recuperação dos ramais tem impacto direto na rotina das famílias que dependem dessas estradas para chegar às propriedades, transportar mercadorias e acessar outros serviços na área urbana.

O secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano, afirmou que a atuação está sendo realizada de forma gradual nas diferentes regiões. “Estamos avançando regional por regional, atendendo os pontos que mais precisam da presença da Prefeitura”, disse.

A manutenção dos ramais também é considerada estratégica para o escoamento da produção rural de Rio Branco. Estradas em melhores condições reduzem dificuldades de acesso enfrentadas pelos produtores e facilitam a circulação de veículos responsáveis pelo transporte de alimentos e outros produtos agrícolas.

O cronograma da Seagro deve continuar nas comunidades rurais, com equipes e maquinário direcionados aos locais que apresentam maior necessidade de intervenção.

Gemil Júnior acusa governo de retirar apoio à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul por motivo político

O primeiro suplente do senador Alan Rick, Gemil Júnior, acusou nesta sexta-feira (28) o governo do Acre de retirar o apoio à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul por motivação política. Em vídeo direcionado principalmente aos moradores do Juruá e à comunidade evangélica, ele afirmou que a falta de estrutura pública inviabilizou a realização do evento em 2026 e relacionou a decisão ao posicionamento político da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Cristão evangélico há 20 anos e natural de Cruzeiro do Sul, Gemil disse que a situação interrompe uma sequência de edições realizadas com apoio do poder público. Ele também citou fiéis de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Feijó que costumam se deslocar para acompanhar a programação religiosa no município.

“Pela primeira vez na história de Cruzeiro do Sul, desde quando os governos entraram e ajudaram e apoiaram a Marcha para Jesus, agora, em 2026, nós não teremos Marcha para Jesus aí na região”, declarou.

Gemil atribuiu diretamente a ausência do evento a uma decisão política do governo estadual. Segundo ele, estrutura e apoio que eram disponibilizados em anos anteriores não foram mantidos para a programação deste ano.

“Esse ano o governo do Estado do Acre, por perseguição, por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio para a Marcha para Jesus”, afirmou.

Na sequência, o primeiro suplente de senador relacionou a decisão à atual disputa eleitoral no Acre e ao posicionamento adotado pelo grupo político que administra Cruzeiro do Sul. Para Gemil, a falta de apoio ocorreu porque a prefeitura não aderiu ao projeto eleitoral ligado ao governo estadual.

“Infelizmente, nós não teremos a marcha em Cruzeiro do Sul. Infelizmente, nós não teremos um momento que durante muitos anos os cristãos puderam participar, e apenas por um motivo: simplesmente porque a Prefeitura de Cruzeiro do Sul não decidiu caminhar politicamente com a candidata do governo do Estado do Acre”, disse.

Gemil reconheceu que sua manifestação pode ser interpretada dentro do cenário político, mas afirmou que também trata o caso como uma questão religiosa. Ele argumentou que as igrejas da região não têm recursos para bancar sozinhas a estrutura necessária para realizar um evento do porte da Marcha para Jesus.

“As igrejas não têm condições financeiras de realizar”, declarou.

Ao encerrar a manifestação, Gemil comparou a falta de apoio à Marcha em Cruzeiro do Sul com os investimentos realizados pelo poder público em eventos de entretenimento. Ele afirmou ser favorável à realização de festas e grandes programações, citando a Expoacre e a Expo Juruá, mas criticou o fato de a comunidade evangélica do município ficar sem a marcha neste ano.

“Nós somos muito a favor de todo tipo de entretenimento, Expo Juruá, Expoacre. O povo precisa de entretenimento, mas infelizmente o nosso povo não terá a marcha em 2026”, afirmou.

Governo bancou show de R$ 300 mil na Marcha em Rio Branco e R$ 6,45 milhões em atrações da Expoacre

A manifestação de Gemil ocorre no mesmo ano em que o governo do Acre participou diretamente da realização da 30ª Marcha para Jesus em Rio Branco. O evento ocorreu em 30 de maio, teve concentração em frente ao Palácio Rio Branco e terminou com apresentação nacional do cantor gospel Thalles Roberto.

A contratação de Thalles Roberto e sua banda para o encerramento da Marcha na capital foi registrada no valor de R$ 300 mil. O objeto da contratação especificava que a apresentação fazia parte da 30ª edição da Marcha para Jesus em Rio Branco. Além do show, o governo disponibilizou suporte logístico, estrutura física e planejamento de segurança para o evento.

Pouco mais de dois meses depois, a Casa Civil desembolsou R$ 6,45 milhões na contratação de seis atrações nacionais da programação pública da Expoacre 2026, realizada entre 1º e 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana.

Leonardo e Ana Castela foram contratados no mesmo instrumento por R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual destinado a cada artista. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão, enquanto Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. A apresentação do padre Fábio de Melo foi contratada por R$ 500 mil e a banda gospel Som & Louvor por R$ 300 mil.

Os cinco contratos destinados às seis atrações totalizaram R$ 6,45 milhões. O valor corresponde somente às apresentações musicais financiadas diretamente pelo governo na Expoacre de Rio Branco e não inclui despesas com reformas, palco, iluminação, segurança, montagem e outros serviços da feira. O show de Bruno & Marrone também ficou fora da conta porque foi promovido pela iniciativa privada, com venda de ingressos.

Em relação a Cruzeiro do Sul, o governo do Acre negou que a ausência de repasse para a Marcha para Jesus tenha motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa R$ 2,4 milhões para a realização do evento em 21 municípios do interior, foi cancelado pela Fundação de Cultura Elias Mansour em 23 de junho por restrições do período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. Rio Branco não fazia parte desse edital porque a edição da capital já havia sido realizada.

O governo informou ainda que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou à gestão em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. A administração estadual sustenta que, naquela data, as candidaturas e os apoios políticos do atual cenário eleitoral ainda não estavam formalizados. A gestão afirmou que houve uma impossibilidade legal e administrativa de financiamento e não uma retirada de apoio por razões políticas.

Governo Mailza rescinde cessão e manda recolher máquinas cedidas em Senador Guiomard

O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) determinou o recolhimento de máquinas e veículos cedidos à Prefeitura de Senador Guiomard e a rescisão unilateral do Termo de Cessão nº 02/2026. A medida foi comunicada à prefeita Rosana Gomes por meio do Ofício nº 1423/2026/Deracre, após uma vistoria técnica apontar problemas mecânicos, estruturais e de conservação nos equipamentos.

A inspeção foi realizada em 23 de julho de 2026 e atingiu três equipamentos utilizados pelo município: uma pá-carregadeira New Holland 12D, uma retroescavadeira New Holland B95 e um caminhão basculante Mercedes-Benz L 2426.

Na pá-carregadeira, identificada pelo prefixo PC-27, foram registrados ausência do pneu dianteiro esquerdo, para-brisa quebrado, vidro lateral trincado, vazamento de óleo no diferencial dianteiro, falta de lubrificação dos pinos dos cilindros hidráulicos e ausência de retrovisores. O documento informa que o equipamento estava impossibilitado de operar.

A retroescavadeira, de prefixo RE-37, apresentava desgaste acentuado do pneu traseiro, problemas no cilindro de freio, sistema de ar-condicionado inoperante, falta de lubrificação adequada e vazamento de óleo no diferencial traseiro.

No caminhão basculante, de prefixo CB-66, a vistoria encontrou vazamento no cilindro hidráulico do sistema basculante, lanternas danificadas, ausência de estepe, grade frontal quebrada, retrovisores inferiores avariados, escada lateral direita danificada e falta de para-barro. O Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo também não estava disponível no momento da fiscalização.

A decisão provocou reação da prefeita Rosana Gomes, que contestou as justificativas para a retirada dos equipamentos e atribuiu a medida a uma retaliação política. A gestora afirma que o recolhimento pode afetar os serviços de infraestrutura e a manutenção dos ramais rurais do município.

A retirada das máquinas ocorre em um período em que estradas vicinais são usadas para o deslocamento de moradores e para o escoamento da produção agrícola de comunidades rurais de Senador Guiomard. A prefeitura ainda terá de reorganizar as frentes de trabalho que dependiam dos equipamentos cedidos pelo Estado.

O ofício encaminhado pelo Deracre formaliza o recolhimento dos bens e a rescisão unilateral do termo de cessão. A medida amplia o impasse entre a administração estadual e a Prefeitura de Senador Guiomard, enquanto o município avalia os efeitos da perda dos equipamentos sobre os serviços executados na zona rural.

Com informações de portalquinari.com.br

Heloy de Castro cobra cachê atrasado enquanto Expoacres gastam R$ 12,7 milhões com shows nacionais

Aos 76 anos, depois de mais de quatro décadas fazendo música no Acre, Heloy de Castro voltou a ocupar um lugar que conhece tão bem quanto os palcos: o da cobrança por espaço, respeito e pagamento. O músico tornou público nesta semana que ainda não recebeu o cachê por uma apresentação na Expoacre e colocou sua própria sobrevivência profissional diante de uma conta muito maior. Em 2026, os principais shows nacionais contratados ou previstos para as edições da Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, e da Expoacre, em Rio Branco, consumiram R$ 12,7 milhões em recursos públicos. “O nosso cachê não foi pago até hoje”, afirmou Heloy, ao cobrar uma resposta de quem administra a cultura estadual.
Heloy não falou como alguém que desconhece as dificuldades de viver da música no Acre. Mineiro radicado no estado desde o início dos anos 1980, ele passou 15 anos tocando no antigo bar e restaurante O Casarão e atravessou décadas da noite rio-branquense. Em 2019, já aparecia em registros oficiais como um artista que havia enfrentado sucessivas dificuldades para entrar em grandes eventos públicos e aprovar projetos culturais. Naquele mesmo ano, chegou a fazer apresentações nas ruas de Rio Branco em protesto contra a política cultural do município.

Agora, a reclamação tem endereço mais concreto: dinheiro por um serviço já prestado. Heloy diz que a espera passou de 30 dias e se aproxima de dois meses. A conta doméstica, porém, não espera o trâmite administrativo. Ele lembra que ainda possui outra fonte de renda, mas desloca o centro da cobrança para músicos que dependem do palco para pagar aluguel, comprar comida e manter a família. Cita o caso de um colega, Kleber, que estaria pedindo ajuda para conseguir dinheiro e retornar para casa. “E os músicos que não têm, que estão aí perdidos, passando necessidade?”, questiona.

O desabafo ganha peso quando colocado ao lado da estrutura financeira montada pelo governo estadual para trazer artistas de projeção nacional ao Acre. A Expoacre Juruá, realizada de 30 de junho a 5 de julho em Cruzeiro do Sul, reservou R$ 6,25 milhões somente para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão; Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil; Tierry e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada; e a Banda Morada, com R$ 400 mil.

A programação foi executada dentro do Termo de Colaboração nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O valor global da parceria chegou a R$ 16.648.310. Registros financeiros consultados após a feira mostraram R$ 15.848.310 transferidos à entidade responsável por organizar e executar o evento. Além dos R$ 6,25 milhões separados para os cachês nacionais, outros R$ 2.448.520 foram reservados para despesas de produção e logística dessas atrações, incluindo passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e outros serviços. Cachês e operação dos shows nacionais consumiram, juntos, quase R$ 8,7 milhões do planejamento financeiro da feira.

A distância para os artistas da terra aparece dentro do próprio orçamento. Enquanto seis atrações nacionais concentraram R$ 6,25 milhões, o plano da Expoacre Juruá reservou R$ 612,5 mil para o conjunto dos artistas locais e regionais. Os cachês nacionais ficaram, portanto, pouco mais de dez vezes acima de todo o dinheiro separado para as atrações locais.

Nem mesmo a existência dos recursos evitou reclamações de quem trabalhou na feira do Juruá. No dia 14 de julho, nove dias depois do encerramento da Expoacre Juruá, artistas e prestadores ainda cobravam pagamentos. A Casa Civil já havia transferido R$ 15,8 milhões à Associação Transformar em 29 de junho. Comprovantes de Pix começaram a circular entre profissionais somente depois que a cobrança ganhou repercussão pública. O episódio deixou uma pergunta que permanece atual: entre o dinheiro sair do Estado e chegar ao trabalhador que montou estrutura, prestou serviço ou subiu ao palco, quanto tempo pode passar?

Em Rio Branco, onde a Expoacre ocorreu entre 1º e 9 de agosto, o governo escolheu outro caminho para as principais atrações nacionais. A Casa Civil firmou contratos diretamente ligados aos shows e desembolsou R$ 6,45 milhões para seis artistas. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo ficou em R$ 500 mil e a banda Som & Louvor, em R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram reunidos em um único contrato de R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual de cada apresentação.

Bruno & Marrone, que encerraram a programação musical no dia 9, ficaram fora dessa conta porque a apresentação foi realizada pela iniciativa privada, com venda de ingressos. Os R$ 6,45 milhões correspondem aos shows nacionais financiados pelo Estado na capital e, nos registros financeiros levantados após a feira, já apareciam integralmente empenhados, liquidados e pagos. Somados aos R$ 6,25 milhões previstos para os artistas nacionais do Juruá, o gasto alcança R$ 12,7 milhões.

A comparação precisa respeitar uma diferença administrativa importante. O dinheiro destinado às grandes atrações nacionais de Rio Branco saiu de contratos conduzidos pela Casa Civil. No Juruá, os recursos foram repassados à Associação Transformar dentro de uma parceria para execução integral do evento. Os cachês cobrados por músicos acreanos podem percorrer contratos, credenciamentos e empresas responsáveis por intermediar pagamentos. Não se pode afirmar que uma verba poderia simplesmente ser retirada de um contrato nacional para pagar outra obrigação. O problema exposto pelos artistas está no funcionamento da máquina pública: ela conseguiu montar operações milionárias para garantir grandes atrações, mas trabalhadores locais continuam recorrendo às redes sociais para saber quando receberão por serviços que já entregaram.

Heloy também não está sozinho nessa cobrança. Em 18 de agosto, a cantora acreana Sandra Mello tornou pública a situação de músicos e colaboradores que aguardavam havia mais de 90 dias pagamentos ligados a eventos da Fundação de Cultura Elias Mansour. “A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu. No dia seguinte, o presidente da FEM, Matheus Gomes, afirmou que os procedimentos da Fundação haviam sido cumpridos e que a Secretaria de Estado da Fazenda tinha autorizado os pagamentos. A previsão apresentada era de que a empresa responsável começasse a receber os recursos para repassar aos artistas a partir de 19 de agosto.

Uma semana depois daquela resposta, a cobrança de Heloy apareceu publicamente. A pendência dele reforça a necessidade de o governo esclarecer quantos artistas continuam sem receber, quais eventos concentram dívidas, quanto permanece pendente, quais empresas ou entidades estão responsáveis pelos repasses e quais datas foram fixadas para a quitação. No caso específico de Heloy, ainda falta uma resposta pública que esclareça o valor do cachê, o contrato ao qual a apresentação está vinculada e em que etapa se encontra o pagamento.

O contraste também alcança o discurso público sobre valorização da cultura acreana. Durante a própria Expoacre de Rio Branco, a Prefeitura lançou o projeto Rio Branco Street Music com a proposta de criar oportunidades para músicos locais e ocupar praças e bairros com apresentações. Na ocasião, o prefeito Alysson Bestene falou em incentivo aos profissionais da música e o presidente da CDL, Marcelo Moura, resumiu a questão em termos de trabalho e dignidade: “O músico trabalha, gera o seu valor e tem dignidade.”

Para quem vive de música, valorização não termina quando as luzes do palco são apagadas. Ela passa pela contratação, pelo valor do trabalho e pelo pagamento no prazo. Um músico local também paga instrumentista, combustível, alimentação, manutenção de equipamento e contas de casa. Quando o cachê demora dois ou três meses, o custo da espera fica com quem possui menos capacidade financeira para suportá-lo.

Rio Branco reforça drenagem e limpeza na Baixada da Sobral

A Prefeitura de Rio Branco ampliou nesta quarta-feira (26) os serviços de limpeza de córregos, retirada de entulhos e manutenção da drenagem na Baixada da Sobral. As intervenções fazem parte das ações preventivas para reduzir alagamentos e enxurradas durante o período de chuvas e incluem ainda a implantação de galerias em ruas da região.

As equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade trabalham em duas frentes. Nos pontos onde máquinas não conseguem acessar, a limpeza é feita manualmente. Nos demais locais, uma escavadeira auxilia na retirada de resíduos e na manutenção dos córregos.

A Baixada da Sobral já recebe a terceira rodada de limpeza preventiva dos canais. Os serviços estão concentrados na Rua Liberdade, enquanto outros bairros, como São Sebastião e Flávio de Castro, também passaram por intervenções.

Além da zeladoria, obras de drenagem são executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana. A prefeitura informou que a implantação de galerias está em fase de conclusão e pretende aumentar a capacidade de escoamento da água em áreas atingidas por transbordamentos durante chuvas fortes.

Parte da obra ficou temporariamente paralisada para ajustes nas dimensões das aduelas utilizadas na estrutura. Com a adequação concluída, a previsão é de que a empresa responsável retome o serviço na sexta-feira (28).

Outras galerias já foram implantadas na Rua Mendissá e em mais três vias da região. A estratégia é criar novos pontos de passagem para a água e diminuir os impactos das enxurradas sobre moradores e imóveis da Baixada da Sobral.

O secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony da Rocha Roque, afirmou que o trabalho antecede o período de maior volume de chuvas. “Na Baixada da Sobral, já estamos na terceira execução dos córregos, fazendo esse trabalho preventivo”, declarou.

O secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, disse que a construção das galerias busca diminuir problemas provocados pelo transbordamento dos córregos. Segundo ele, as intervenções serão mantidas até a conclusão dos serviços previstos para a região.

A prefeitura também pediu que a população evite descartar resíduos em córregos, canais e outros pontos de drenagem. O lixo acumulado pode obstruir a passagem da água e contribuir para alagamentos mesmo depois da realização das limpezas.

No córrego Juarez Távora, o serviço já chegou à segunda limpeza neste ano. A programação municipal prevê que as equipes avancem para outros bairros da capital.

Ana Castela terá cachê de R$ 850 mil e acumula milhões em shows pagos com dinheiro público

A cantora Ana Castela terá mais um cachê bancado com recursos públicos nesta semana. A artista foi contratada por R$ 850 mil para se apresentar nesta quinta-feira, 27, na Expo São Fidélis, no Rio de Janeiro. O valor será coberto com recursos federais destinados ao município por meio de uma emenda de R$ 1 milhão da Comissão de Turismo da Câmara, indicada pela deputada federal Dani Cunha (PL-RJ).

A Prefeitura de São Fidélis acrescentará R$ 50 mil de contrapartida. O orçamento de R$ 1,05 milhão será utilizado nos cachês de Ana Castela, de R$ 850 mil, e da dupla Antony e Gabriel, de R$ 200 mil. Até a última consulta divulgada nesta terça-feira, 25, o pagamento da cantora ainda não aparecia no Transferegov. Pelo contrato, o repasse pode ser realizado até o dia da apresentação.

O contrato no Rio de Janeiro é parte de uma sequência de apresentações da cantora financiadas por prefeituras e governos estaduais. Levantamento do projeto Farras, do De Olho nos Ruralistas, citado pelo Metrópoles, identificou R$ 73 milhões em contratos públicos para 93 apresentações de Ana Castela entre janeiro de 2024 e março de 2026.

Outro levantamento, realizado pelo Metrópoles a partir dos registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), encontrou somente em 2026 26 contratações feitas por prefeituras, que somam R$ 22,68 milhões. Entre os contratos aparecem apresentações na faixa de R$ 800 mil a R$ 900 mil e um cachê de R$ 1,3 milhão em Barbacena, Minas Gerais.

Paraná pagou R$ 12,6 milhões a Ana Castela

Um novo painel divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná ajuda a dimensionar quanto do mercado de grandes shows é sustentado pelo orçamento público.

De 2021 até o primeiro semestre de 2026, os municípios paranaenses registraram aproximadamente R$ 1,2 bilhão em despesas com shows e eventos artísticos. O levantamento reúne 10,9 mil empenhos de pelo menos R$ 20 mil classificados nas rubricas de festividades, homenagens e contratação artística e cultural. Foram identificadas 1.158 atrações no período.

Ana Castela ocupa a terceira posição entre os artistas identificados com os maiores valores recebidos no Paraná, com R$ 12,6 milhões. Segundo levantamento do Metrópoles sobre o painel do TCE, foram 31 apresentações, o que representa média próxima de R$ 407 mil por contratação no período analisado.

À frente dela aparecem Fernando & Sorocaba, com R$ 18,1 milhões, e Guilherme & Benuto, com aproximadamente R$ 13 milhões. Na sequência estão Maiara & Maraisa, com R$ 11,2 milhões; Luan Pereira, R$ 11,1 milhões; Leonardo, R$ 10,6 milhões; e Clayton & Romário, com R$ 10,4 milhões.

A análise feita pelo Metrópoles encontrou ainda uma característica no topo da lista: os 60 artistas com maiores valores identificados no painel são ligados ao sertanejo. A classificação por gênero musical é da reportagem, e não do TCE-PR.

O volume de gastos das prefeituras cresceu nos últimos anos. Foram R$ 25,1 milhões em 2021, ainda durante a pandemia, R$ 146,4 milhões em 2022, R$ 212,4 milhões em 2023, R$ 292,2 milhões em 2024 e R$ 403,5 milhões em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, os registros já somavam R$ 144,7 milhões.

O próprio Tribunal faz uma ressalva sobre os números. Aproximadamente metade do dinheiro registrado não permitiu identificar claramente qual artista recebeu o recurso. O Metrópoles calcula em cerca de R$ 595 milhões o conjunto de empenhos sem discriminação das atrações. Por isso, o ranking mostra os maiores valores entre os artistas que puderam ser identificados nos registros, e não necessariamente todos os maiores beneficiários do R$ 1,2 bilhão.

O TCE também identificou casos que serão analisados separadamente por possíveis problemas na origem dos recursos. Há registros com indícios de utilização de verbas contabilmente vinculadas à saúde, educação básica, Fundo do Idoso, Corpo de Bombeiros e iluminação pública. O Tribunal informou que deverá instaurar procedimentos quando houver confirmação de uso irregular. Isso não significa que o conjunto das despesas com shows seja irregular.

Ana Castela também foi contratada pelo Governo do Acre

No Acre, Ana Castela esteve entre as atrações nacionais da Expoacre 2026, realizada neste mês em Rio Branco. A apresentação ocorreu no dia 6 de agosto e foi custeada pelo Governo do Estado.

A Casa Civil contratou Ana Castela e Leonardo em um mesmo instrumento, o Contrato CC nº 45/2026, no valor total de R$ 2,55 milhões. O contrato foi firmado com a Apolo Assessoria e contempla as duas apresentações, bandas, equipes técnicas e produção artística. Os registros públicos, porém, não individualizam quanto dos R$ 2,55 milhões corresponde a Leonardo e quanto foi destinado a Ana Castela.

Até o fim da execução da programação, os cinco contratos das atrações nacionais bancadas diretamente pelo Estado na Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que passou a constar como liquidado e pago nos registros financeiros consultados pelo Integração Net.

Além dos R$ 2,55 milhões destinados conjuntamente a Leonardo e Ana Castela, o governo contratou Wesley Safadão por R$ 1,8 milhão, Natanzinho Lima por R$ 1,3 milhão, Padre Fábio de Melo por R$ 500 mil e a Banda Som e Louvor por R$ 300 mil.

Os R$ 6,45 milhões correspondem apenas às principais apresentações musicais pagas pela Casa Civil. O valor não inclui palco, iluminação, sonorização, segurança, reforma do Parque de Exposições, alimentação, transporte e outras despesas da Expoacre.

Juruá teve mais R$ 6,25 milhões previstos para cachês

Pouco mais de um mês antes, o Governo do Acre também havia financiado a programação nacional da Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul.

O Plano de Trabalho do Termo de Colaboração firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar reservou R$ 6,25 milhões para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão; Ícaro & Gilmar, R$ 750 mil; Tierry, R$ 650 mil; Padre Fábio de Melo, R$ 650 mil; e Banda Morada, R$ 400 mil.

Neste caso, os valores são os cachês previstos no Plano de Trabalho. O governo transferiu R$ 15.848.310 à Associação Transformar para a realização da feira, dentro de uma parceria com valor global de R$ 16.648.310. Como o repasse ocorreu de forma global para a entidade, a comprovação do valor efetivamente pago a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Além dos cachês, o plano reservou outros R$ 2.448.520 para produção e logística das atrações nacionais, incluindo passagens, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e direitos autorais.

Somados, os cachês contratados em Rio Branco e os valores previstos para as atrações nacionais no Juruá chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Desse total, R$ 6,45 milhões correspondem aos contratos da Expoacre de Rio Branco que aparecem como pagos e R$ 6,25 milhões ao orçamento destinado aos seis shows nacionais da Expoacre Juruá.

Os dados do Paraná e as contratações realizadas no Acre mostram que os grandes shows sertanejos ocupam uma parcela relevante do mercado de eventos financiados pelo poder público. No caso de Ana Castela, os registros disponíveis permitem acompanhar essa presença em diferentes escalas: R$ 12,6 milhões identificados pelo TCE somente em municípios paranaenses desde 2021, R$ 22,68 milhões em contratos municipais encontrados no PNCP em 2026 e uma nova apresentação de R$ 850 mil prevista para esta semana em São Fidélis. No Acre, a cantora integrou um contrato conjunto de R$ 2,55 milhões pago pelo Governo do Estado para a Expoacre.

O Silêncio de Mailza Cameli: Entre as Cordas do Próprio Mandato

Uma sabatina política não é apenas um teste de propostas. Para quem ocupa o governo, é também o momento em que promessa e realidade ficam frente a frente. Na noite de terça-feira (25), durante a sabatina da TV Rio Branco, a candidata à reeleição Mailza Cameli (PP) enfrentou justamente esse problema: falar sobre o Acre que pretende entregar sem conseguir escapar do Acre que já administra.

Em vários momentos, a resposta veio na forma de silêncio, hesitação ou frases que não alcançaram a pergunta. Podemos dizer que é a segunda sabatina seguida tendo o mesmo problema.

O primeiro sinal apareceu no bloco sobre gestão pública. A jornalista Marcela Jansen pediu que Mailza apontasse, dentro da própria administração, onde o dinheiro público não estava sendo bem gasto e o que faria para corrigir o problema. Era uma oportunidade para reconhecer falhas, indicar prioridades e mostrar o que mudaria dentro de um governo que já é seu.

Mailza não apontou nenhuma.

Falou em “cortar gastos” e “planejamento”, mas não identificou onde existem excessos, desperdícios ou escolhas equivocadas dentro da máquina pública. Para uma candidata de oposição, uma resposta genérica poderia ser apenas falta de informação. Para quem governa, a ausência de exemplos pesa de outra forma.

A dificuldade voltou quando o assunto passou para desenvolvimento econômico. Evandro Cordeiro perguntou objetivamente se Mailza recriaria uma secretaria voltada aos pequenos negócios. A governadora não respondeu diretamente. Preferiu falar em “desburocratização” e recorreu à Expoacre para sustentar a resposta.

A pergunta, porém, continuou praticamente onde estava.

No bloco de assistência social, Mailza citou o “guarda-roupa social” entre as ações desenvolvidas pelo governo. A iniciativa pode atender uma necessidade imediata, mas chama atenção quando aparece no mesmo debate em que se cobra uma estratégia para enfrentar problemas estruturais de renda e vulnerabilidade. Assistência emergencial e política de desenvolvimento não são a mesma coisa — e a sabatina cobrava justamente essa diferença.

O momento mais desconfortável, porém, veio na administração do próprio tempo.

Questionada sobre como pretende entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador. Foi advertida, interrompeu a fala e perdeu o ritmo justamente na pergunta em que deveria apresentar sua visão para os próximos quatro anos.

Depois, quando recebeu o direito de resposta para rebater Alan Rick sobre a Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR), surgiu outra hesitação. Mailza afirmou que a delegacia não havia sido extinta, mas colocada “num outro departamento”. A explicação saiu entre pausas e dificuldade para organizar a defesa de uma decisão tomada dentro da estrutura de segurança pública do próprio governo.

É nesse ponto que a sabatina expôs uma fragilidade maior.

Mailza não estava sendo questionada apenas sobre aquilo que pretende fazer. Estava sendo cobrada também pelo que já pode fazer.

Isso ficou evidente ao tratar do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos servidores. Falar em melhorias futuras no PCCR enquanto se ocupa atualmente o comando do Executivo cria uma pergunta inevitável: por que deixar para um eventual próximo mandato aquilo que já pode começar a ser enfrentado agora?

Esse foi o fio que atravessou boa parte da entrevista.

Quando perguntada sobre os problemas do governo, Mailza evitou apontá-los. Quando provocada a apresentar respostas concretas para o desenvolvimento, contornou algumas perguntas. Quando chegou a hora de projetar 2030, perdeu-se numa disputa pelo direito de resposta.

Para quem busca um primeiro mandato, prometer é parte natural da campanha. Para quem tenta permanecer no governo, a promessa sempre encontra o presente no meio do caminho.

E foi justamente o presente que mais apertou Mailza contra as cordas durante a sabatina.

Ao final, ficou menos a imagem de uma governadora apresentando o próximo Acre e mais a de uma candidata tentando atravessar as perguntas sem ter de confrontar diretamente as limitações do Acre que já governa.

Foto: Contilnet