Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Elter Nóbrega: de educador e sindicalista à liderança política em Cruzeiro do Sul

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, os direitos dos trabalhadores e a política participativa, Elter Nóbrega vem se consolidando como uma das figuras mais respeitadas da vida pública em Cruzeiro do Sul. Atual presidente da Câmara Municipal, reeleito vereador em 2024 com 1.961 votos, Elter é reconhecido não apenas por sua atuação política, mas também pela sua história de dedicação à população e às causas sociais.

Raízes familiares e formação

Filho de Naly de Queiroz Nóbrega, dona de casa, e de Genildo Braz da Nóbrega, topógrafo (in memoriam), Elter é o caçula de cinco irmãos: Elayne, Elvis (in memoriam), Eleine e Genilsa. Com forte influência familiar e espírito comunitário desde cedo, formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC) no ano de 2004, destacando-se como presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) durante sua passagem pelo campus de Cruzeiro do Sul.

Da sala de aula ao atendimento no banco

Antes de entrar na vida pública, Elter atuou como professor de Química, Física e Matemática por 12 anos, lecionando nas escolas Craveiro Costa, Flodoardo Cabral, Dom Henrique Ruth e Valério Caldas de Magalhães. Em 2006, foi aprovado em concurso público para o Banco do Brasil, onde passou a atender a população com a mesma dedicação que demonstrava nas salas de aula.

Desde 2011, tornou-se educador do Banco do Brasil, referência no atendimento humanizado e igualitário. Colegas e clientes o reconhecem pelo respeito e atenção com todos, independente da posição social ou saldo bancário. “Elter sempre tratou todos com dignidade. Ele nunca fez distinção de ninguém no atendimento”, afirmam muitos dos que passaram pelas agências em que atuou.

Atuação sindical e comunitária

Sua atuação sindical é outro ponto de destaque em sua biografia. Vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Acre e membro executivo da FETEC-CN (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte), Elter é conhecido por sua postura firme contra assédios, maus-tratos e injustiças com os trabalhadores. Defensor incansável das pautas da classe trabalhadora, ganhou respeito entre lideranças regionais e nacionais.

Desde 2012, também preside a AABB de Cruzeiro do Sul, promovendo ações esportivas, culturais e de integração social.

Ascensão política

Eleito vereador pela primeira vez em 2020, com 833 votos, logo foi escolhido como 1º secretário da Câmara Municipal em 2021. Também presidiu por mais de um ano a Ecops (Empresa Cruzeirense de Obras e Serviços Públicos). Em 2024, foi reeleito vereador com uma votação expressiva, quase 2 mil votos, sendo eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara em 2025.

Como presidente, iniciou um projeto inédito na política local: as sessões itinerantes da Câmara. A primeira ocorreu na comunidade Tartaruga, no Rio Val Paraíso, com a presença de 13 dos 14 vereadores, o presidente da ALEAC, Nicolau Júnior, além de outras autoridades e moradores das 14 comunidades ribeirinhas. O evento contou com almoço coletivo, torneio de futebol, atendimentos de saúde, corte de cabelo e ações de beleza e estética. A segunda edição, prevista para a comunidade Santa Luzia, na BR-364, precisou ser cancelada devido à forte chuva no dia.

A voz do povo

A atuação de Elter tem sido motivo de orgulho para seus eleitores. Em depoimento, um morador afirmou:

“Vejo o vereador Elter como um grande e diferente político. Ele não é só mais um vereador, ele é o vereador. Veja o currículo dele, a trajetória, a dedicação e o conhecimento. O conhecendo como conheço, é notável que veio para fazer a diferença. O parlamento mirim está pequeno para seu potencial.”

Um líder em construção constante

Elter Nóbrega se destaca não apenas pela firmeza com que conduz os trabalhos legislativos, mas pela capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade, unindo experiência técnica, sensibilidade social e espírito público. Sua história inspira uma nova geração de políticos e reforça a importância de uma atuação comprometida com a ética, a escuta e a presença ativa nos bairros, comunidades e instituições.

De professor a líder sindical, de bancário a presidente da Câmara, Elter é hoje símbolo de que a política feita com responsabilidade e proximidade com o povo pode, sim, gerar transformação concreta.

Alysson Bestene reúne vereadores na Expoacre e define prioridades para segundo semestre em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, reuniu vereadores da base aliada nesta sexta-feira (7), durante a Expoacre 2026, para discutir as prioridades da administração municipal e da Câmara para o segundo semestre. O encontro ocorreu no gabinete institucional da Prefeitura montado no Parque de Exposições e antecede a retomada das sessões do Legislativo municipal, marcada para terça-feira, 11 de agosto.

Entre os principais temas discutidos estão o transporte público, a infraestrutura urbana e a pavimentação de bairros. A reunião também tratou de projetos que devem entrar na pauta da Câmara nos próximos meses e de ações que dependem da articulação entre Executivo e Legislativo.

Alysson Bestene afirmou que a parceria com os vereadores tem ajudado na execução de projetos municipais e na ampliação dos serviços oferecidos à população. Durante a reunião, o prefeito também apresentou aos parlamentares a estrutura das secretarias municipais instalada na Expoacre, com programas, serviços e iniciativas da gestão.

O presidente da Câmara Municipal, Joabe Lira, afirmou que a retomada do semestre legislativo terá uma agenda concentrada em demandas da capital. Transporte coletivo e pavimentação estão entre os assuntos que devem ocupar as discussões dos vereadores após o retorno das sessões.

Joabe também defendeu a articulação entre Prefeitura e Câmara para acelerar projetos e ações nos bairros. “Essa união, com certeza, vai fazer com que essas ações cheguem mais rápido à população de Rio Branco”, afirmou.

O vereador Bruno Moraes também participou do encontro e afirmou que a reunião serviu para ajustar pontos entre a base e o Executivo antes da retomada dos trabalhos parlamentares. A aproximação ocorre em um momento em que projetos municipais devem voltar à análise dos vereadores com o início do novo período legislativo.

Além da reunião política, os vereadores visitaram os espaços mantidos pelas secretarias municipais na Expoacre. A Prefeitura concentra no Parque de Exposições atendimentos, apresentação de programas e divulgação de ações desenvolvidas nas áreas de responsabilidade do município.

Ao fim do encontro, Alysson Bestene entregou aos parlamentares chapéus personalizados do programa Prefeitura nas Ruas, que reúne serviços municipais diretamente nos bairros da capital. A agenda abriu a articulação política entre Prefeitura e Câmara para as pautas previstas até o fim de 2026.

Patrimônio de Ninawa Huni Kui expõe preconceito contra indígenas nas redes

Ninawa Huni Kui declarou R$ 1,59 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral ao entrar na disputa por uma vaga de deputado federal no Acre. O dado é público, relevante e deve ser tratado como o patrimônio de qualquer candidato: pode ser informado, comparado e investigado. O que veio depois, porém, mostrou que para parte do público a questão não era apenas quanto ele possui. Era quem possui.

“Índio rico em”, escreveu um leitor. Outro insinuou que ONGs dentro de aldeias seriam “excelentes fontes de trabalhos”. Houve ainda quem questionasse como alguém com quase R$ 2 milhões poderia defender os povos originários.

A declaração patrimonial inclui terra, casa e veículos. Não há, por si só, nada de extraordinário nisso. O estranhamento nasce quando a palavra “cacique” entra na mesma frase que R$ 1,59 milhão e aciona uma velha expectativa: a de que um indígena autêntico deveria necessariamente ser pobre.

É aí que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.

Ninawa pode ser cobrado por suas posições políticas, por sua atuação pública e pela origem de seu patrimônio, caso exista algum fato concreto que justifique apuração. O que não pode funcionar como indício de irregularidade é sua identidade indígena.

Um empresário rico pode defender empresários. Um pecuarista pode possuir milhões em terras e representar produtores rurais. Um parlamentar milionário pode dizer que representa trabalhadores pobres. Mas, diante de um cacique com casa, terra e caminhonete, ainda aparece a pergunta carregada de suspeita: como um indígena conseguiu isso?

Essa pergunta carrega séculos de uma imagem construída de fora para dentro. O indígena é aceito no imaginário nacional como vítima, pobre, isolado ou dependente. Quando ocupa espaços de poder, estuda, administra, empreende, disputa eleições ou acumula patrimônio, parte desse mesmo olhar passa da compaixão à desconfiança.

Também houve reação contrária. Entre os comentários apareceram manifestações de respeito e a frase simples: “indígenas no topo”. O contraste importa porque mostra que a disputa não está apenas em torno de Ninawa, mas da própria ideia de qual lugar um indígena pode ocupar na sociedade brasileira.

Patrimônio de candidato é assunto público. Deve ser fiscalizado. Se houver incompatibilidade, investigue-se. Se houver irregularidade, publique-se.

Mas cocar não é comprovante de pobreza.

Ser indígena não exige certificado de miséria.

Talvez a pergunta mais reveladora dessa história não seja como Ninawa Huni Kui chegou a R$ 1,59 milhão em bens. É por que a possibilidade de um indígena possuir patrimônio ainda incomoda tanta gente.

Prefeitura de Rio Branco discute melhorias em ramais na região do Barro Vermelho

A Prefeitura de Rio Branco reuniu moradores, produtores rurais e lideranças comunitárias nesta sexta-feira (7), no Ramal do Junqueira, na região do Barro Vermelho, para ouvir demandas sobre acesso, transporte da produção e serviços públicos nas comunidades rurais dos ramais do Junqueira, Juca e Autofrota.

A agenda contou com a presença do prefeito Alysson Bestene, do senador Sérgio Petecão e da vereadora Elzinha Mendonça. O encontro teve como foco a melhoria das condições dos ramais, usados diariamente por famílias que vivem no campo e dependem das vias para trabalhar, estudar, buscar atendimento e escoar a produção rural.

O prefeito afirmou que a gestão municipal tem buscado manter contato direto com as comunidades para definir prioridades a partir das demandas apresentadas pelos moradores. “Temos buscado estar presentes nas principais ações, conversando com as pessoas e ouvindo as lideranças comunitárias. Hoje estamos reunidos com a comunidade, juntamente com o senador Petecão e a vereadora Elzinha. Vamos trabalhando e unindo forças para mudar a realidade das pessoas e melhorar a vida delas em suas comunidades”, disse Alysson Bestene.

A produtora rural Fátima Teles afirmou que a presença das autoridades reforça a expectativa por melhorias no direito de ir e vir. Ela relatou que o ramal tem forte produção agrícola e reúne famílias que dependem da estrada para transportar alimentos e manter as atividades no campo. “É só isso que queremos: poder levar nossas produções, porque este é um ramal muito produtivo. Aqui tem homens e mulheres trabalhadores”, afirmou.

A vereadora Elzinha Mendonça disse que as intervenções nos ramais podem melhorar o cotidiano dos moradores da região, principalmente dos produtores rurais. “Isso vai trazer dignidade, permitir que as pessoas escoem suas produções e tenham melhores condições de acesso”, afirmou.

A presidente do Ramal do Junqueira, Rosicleia Souza, afirmou que serviços já realizados começaram a melhorar o deslocamento dos moradores. Ela disse que a comunidade aguardava as intervenções havia bastante tempo e que a continuidade do trabalho pode ampliar o acesso a saúde, educação e transporte para as famílias da região.

Gladson quer o Senado, mas a condenação continua no caminho; e está inelegível

Gladson Cameli pode repetir quantas vezes quiser que é candidato ao Senado. Pode reunir aliados, subir em palanque, aparecer ao lado de Mailza Assis, organizar chapa, mobilizar prefeitos e tratar a eleição como uma etapa natural depois de deixar o governo. Nada disso muda o ponto que está diante dele desde 6 de maio: Gladson continua condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão e continua alcançado pela Lei da Ficha Limpa.

A condenação não desapareceu com recurso. Não foi anulada. A pena não caiu. O julgamento mais recente dos embargos de declaração também não produziu a virada que a defesa precisava. A Corte Especial mexeu apenas em pontos de esclarecimento do acórdão, sem retirar a condenação, reduzir a pena ou suspender seus efeitos eleitorais. No essencial, Gladson entrou em agosto do mesmo jeito que saiu de maio: condenado por decisão colegiada e com um problema jurídico real para registrar sua candidatura.

É importante colocar os fatos nessa ordem porque a política costuma correr mais rápido que o processo. No Acre, Gladson continua sendo tratado por aliados como candidato ao Senado. Na Justiça, continua sendo o réu condenado na Ação Penal 1.076, resultado de uma das frentes mais pesadas da Operação Ptolomeu.

A Corte Especial do STJ o condenou por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. A soma chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. Vieram ainda multa, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e a perda do cargo de governador, que já havia sido deixado por Gladson semanas antes para cumprir o calendário eleitoral e preparar o projeto de retorno ao Senado.

A pena não saiu de um único episódio.

O julgamento reuniu contratos públicos, empresas privadas, movimentações financeiras, pagamentos e operações que, para a maioria dos ministros, formavam uma estrutura organizada para retirar dinheiro dos cofres públicos e fazer parte desses recursos chegar ao patrimônio privado do grupo investigado.

Uma das empresas colocadas no centro desse caminho foi a Murano Construções. Ela recebeu cerca de R$ 18 milhões em contratos analisados durante a investigação. Técnicos da Controladoria-Geral da União calcularam prejuízo superior a R$ 16 milhões no conjunto examinado. A condenação também passou pela relação da Murano com empresas ligadas ao núcleo familiar de Gladson.

O STJ reconheceu 31 ocorrências de peculato-desvio em continuidade delitiva e considerou 46 operações na condenação por lavagem de dinheiro. Não é uma condenação construída sobre uma frase, uma reunião ou uma assinatura isolada. O tribunal enxergou repetição.

Esse ponto ajuda a entender o tamanho do problema jurídico que Gladson carrega para a eleição.

No processo, dinheiro apontado como produto dos crimes apareceu ligado a despesas particulares. Entre os bens examinados estavam parcelas de um apartamento de alto padrão em São Paulo e gastos relacionados a veículo de luxo. Foi nesse percurso, dos contratos públicos até o patrimônio privado, que a acusação montou parte do caso de lavagem de dinheiro aceito pelo STJ.

A defesa sempre negou os crimes e atacou a validade das provas. Um dos argumentos ganhou força quando o Supremo Tribunal Federal anulou elementos produzidos em uma fase da investigação por entender que houve problema de competência. Os advogados de Gladson tentaram ampliar o alcance dessa decisão para comprometer toda a ação penal.

Não conseguiram.

A maioria da Corte Especial entendeu que as provas anuladas pelo Supremo não sustentavam a condenação e que havia material obtido de forma independente. A discussão atravessou o processo, mas não impediu o julgamento nem derrubou os elementos usados pelos ministros para condená-lo.

Depois vieram os embargos de declaração.

E aqui está a atualização mais recente: eles não mudaram a realidade eleitoral de Gladson.

A defesa voltou ao STJ tentando corrigir e questionar pontos do acórdão. A Corte Especial acolheu parte dos embargos para esclarecimentos, sem alterar o resultado. Gladson continuou condenado a 25 anos e nove meses.

Essa sequência importa porque recurso e reversão são coisas diferentes.

Gladson pode recorrer. Pode tentar levar questões ao Supremo. Pode pedir medida cautelar. Pode buscar uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação. Tudo isso faz parte do jogo jurídico.

O que ele não pode é transformar a existência desses caminhos em uma absolvição que ainda não aconteceu.

Também é preciso separar prisão de inelegibilidade.

Gladson não começa agora a cumprir os 25 anos e nove meses porque ainda existem recursos e a condenação não chegou ao trânsito em julgado. Para a eleição, porém, a exigência é diferente. A Lei da Ficha Limpa alcança determinadas condenações impostas por órgãos colegiados antes mesmo da decisão definitiva.

É exatamente onde ele está.

Gladson foi condenado por uma corte colegiada em crimes que entram no alcance da legislação eleitoral. Por isso, enquanto não houver decisão suspendendo ou derrubando os efeitos dessa condenação, a inelegibilidade continua no caminho da candidatura.

Não é o partido que resolve isso.

O Progressistas pode escolher Gladson. Os aliados podem apresentá-lo como candidato. Ele próprio pode dizer que é “candidatíssimo”. O pedido de registro pode ser protocolado.

Nada disso substitui a decisão da Justiça Eleitoral.

É o Tribunal Regional Eleitoral do Acre que terá de examinar as condições jurídicas do registro de uma candidatura ao Senado. E, quando essa análise chegar, haverá sobre a mesa uma informação impossível de contornar: Gladson foi condenado pelo STJ.

Há ainda uma confusão recorrente sobre o tempo dessa inelegibilidade. Não é correto resumir o caso dizendo apenas que Gladson “ficou inelegível por oito anos”. A legislação atual dá tratamento específico a condenações por crimes contra a administração pública. Dependendo da manutenção da condenação e do cumprimento da pena, o período pode ir muito além de oito anos contados a partir de 2026.

É justamente por isso que uma reversão judicial é tão importante para o projeto político de Gladson.

Sem ela, não se trata apenas de administrar uma crise durante uma campanha. Trata-se de conseguir superar a barreira que pode impedir que essa campanha produza um mandato.

E o calendário já não oferece distância confortável.

O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A política acreana pode passar esses dias discutindo alianças, pesquisas, suplências, prefeitos, estrutura partidária e votos. O processo de Gladson continuará fazendo uma pergunta anterior a todas essas: ele poderá ser candidato com registro válido?

Até agora, a resposta jurídica permanece contra ele.

Há ainda outro processo no STJ. Gladson virou réu em uma segunda ação relacionada às obras da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse caso, aparecem acusações de peculato-desvio e fraude em licitação, com suspeitas sobre o direcionamento de contrato para empresa ligada à família Cameli e sobrepreço de aproximadamente R$ 3,6 milhões calculado pela CGU.

Mas esse segundo processo precisa ficar no lugar correto.

Nele, Gladson ainda não foi condenado.

A inelegibilidade que hoje ameaça sua candidatura ao Senado não nasce dessa nova ação. Nasce da condenação que já existe na Ação Penal 1.076.

É essa diferença que não pode ser escondida nem exagerada.

Gladson não está preso. Continua recorrendo. Pode conseguir uma decisão favorável daqui para frente. Se conseguir, o quadro muda e terá de ser contado como mudança.

Até lá, o que existe é o que foi decidido.

Um ex-governador que deixou o Palácio Rio Branco para tentar voltar ao Senado, mas chegou ao período eleitoral com uma condenação de 25 anos e nove meses.

Um político que continua competitivo dentro de seu grupo, mas que depende de uma vitória nos tribunais antes de transformar força eleitoral em mandato.

Um candidato declarado que, juridicamente, continua inelegível.

A política pode tentar correr na frente.

A condenação continua logo atrás.

Flávio Bolsonaro apoia Mara Rocha e Márcio Bittar ao Senado no Acre e deixa Gladson fora da lista

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou apoio a Márcio Bittar e Mara Rocha na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026. A definição foi apresentada em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 6, dentro de uma estratégia nacional para fortalecer palanques estaduais e ampliar a bancada aliada no Congresso.

No Acre, a escolha junta o PL de Márcio Bittar ao Republicanos de Mara Rocha. Os dois nomes passam a compor o palanque senatorial de Flávio no estado, em uma movimentação que busca organizar a direita em torno da candidatura presidencial do senador. A lista nacional apresentada por Flávio reúne 47 candidatos ao Senado em todas as unidades da Federação.

A decisão também reorganiza o cenário local porque deixa Gladson Cameli fora do grupo anunciado por Flávio, mesmo depois de o ex-governador ter declarado apoio ao presidenciável. Em março, durante o lançamento da União Progressista e recentemente em entrevista, Gladson afirmou que seu voto e seu apoio seriam para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A ausência de Gladson pesa mais porque ele tenta manter espaço na corrida ao Senado em meio aos efeitos da condenação no Superior Tribunal de Justiça. Em maio, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado o tornou inelegível por oito anos, salvo decisão judicial que suspenda os efeitos da condenação.

Com isso, a lista de Flávio expõe um novo desenho político no Acre: Bittar e Mara foram incorporados ao projeto nacional do PL, enquanto Gladson, mesmo aliado declarado do presidenciável, ficou fora da indicação formal para o Senado. Na prática, o ex-governador foi deixado de lado no momento em que Flávio buscou consolidar candidaturas com maior viabilidade jurídica e eleitoral para sustentar sua campanha no estado.

A disputa acreana continua aberta. Pesquisas recentes colocam Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha entre os nomes mais competitivos para as duas vagas, com variações conforme o cenário testado. A diferença agora é que Flávio Bolsonaro passou a tratar Bittar e Mara como seus nomes para o Senado, deixando Gladson em posição mais isolada dentro do campo conservador.

Bocalom celebra nota 6,8 de Rio Branco no Ideb e atribui avanço a investimentos na educação

O prefeito Tião Bocalom celebrou, nesta quarta-feira (5), a nota 6,8 alcançada pela rede municipal de Rio Branco no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. O resultado superou os 6,4 registrados em 2023 e colocou a capital acreana a um décimo do melhor desempenho entre as capitais brasileiras nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Bocalom comemorou os números durante visita à Escola Municipal Maria Lúcia Moura Marim, no bairro Morada do Sol. A unidade obteve nota 8,7 e ficou em primeiro lugar entre as escolas do Acre. Rio Branco também ocupou a segunda e a terceira posições do estado, com as escolas Luiz de Carvalho Fontenele, que alcançou 8,3, e Chico Mendes, com 8,1.

“Nossa escola Maria Lúcia Moura Marim é a campeã do estado do Acre no Ideb de 2025. Estou muito feliz porque esse resultado é fruto da dedicação dos nossos professores, das equipes gestoras e de todos aqueles que fazem a educação do município de Rio Branco”, afirmou o prefeito.

Ao comentar o desempenho geral da rede, Bocalom lembrou que Rio Branco já havia ficado perto da liderança nacional na avaliação anterior. Em 2023, a capital terminou um décimo atrás de Goiânia. Desta vez, alcançou 6,8, enquanto Curitiba registrou 6,9.

“Mais uma vez ficamos em segundo lugar por apenas um décimo, mas isso nos enche de orgulho”, declarou.

O prefeito atribuiu o crescimento no índice aos investimentos feitos pela administração municipal na valorização dos profissionais, na infraestrutura das escolas e na adoção de novas tecnologias e metodologias de ensino.

Entre as medidas citadas por Bocalom estão o aumento salarial dos trabalhadores da educação, a reforma e climatização das unidades, a instalação de internet nas escolas urbanas e rurais, a entrega de notebooks aos professores e de tablets aos alunos, além da implantação de atividades de robótica e do programa Mente Inovadora.

“Quando recebemos a prefeitura, a maioria das escolas não tinha ar-condicionado. Hoje todas têm climatização, internet e mais tecnologia dentro das salas de aula”, disse.

Professor de matemática, Bocalom afirmou que a melhoria da educação pública sempre esteve entre suas prioridades e agradeceu aos professores, gestores, servidores e familiares dos estudantes pelo resultado.

“Esse resultado mostra que estamos no caminho certo e que nossas crianças estão tendo mais oportunidades para construir um grande futuro”, afirmou o prefeito, ao anunciar a continuidade dos investimentos na rede municipal.