Justiça Eleitoral manda investigar servidores em ato de campanha de Mailza no Acre

A Justiça Eleitoral do Acre determinou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação documental sobre a situação funcional de cinco servidores do governo estadual que participaram de um ato de campanha da candidata ao governo Mailza Assis. A apuração busca esclarecer se os funcionários estavam em horário de expediente e se equipamentos públicos foram usados na atividade eleitoral realizada em 18 de agosto, no Mercado da Estação Experimental, em Rio Branco.

A representação foi apresentada pelo partido Democracia Cristã e envolve Carlos André Alves Pereira, Francisco Lucena da Costa Neto, Franklin Lima da Costa, Renata Brasileiro de Moura Furtado, diretora de comunicação da Secretaria de Estado de Comunicação, e Taynára Martins Barbosa, presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Acre. Mailza também figura no processo.

A ação trata de supostas condutas vedadas a agentes públicos e abuso de poder político. Fotografias do evento e informações disponíveis no Portal da Transparência foram apresentadas para sustentar a acusação de que servidores teriam atuado na campanha durante o expediente e utilizado equipamentos ligados à estrutura pública.

As defesas apresentaram documentos para afirmar que os servidores não estavam no exercício das funções públicas na data do evento. Entre os registros estão decretos de exoneração de dois funcionários e comprovantes de férias dos outros três. Também foi alegado que os equipamentos usados durante o ato eleitoral eram particulares.

O Democracia Cristã contestou a documentação. O partido afirma que decretos de exoneração publicados em 28 de agosto teriam produzido efeitos retroativos e questionou ainda a situação funcional de Taynára Martins Barbosa, sob a alegação de que ela teria assinado atos oficiais durante o período em que estaria de férias.

Diante da divergência, a juíza auxiliar da Propaganda Eleitoral Denise Bomfim determinou que a Secretaria de Estado de Administração encaminhe, no prazo de cinco dias, a íntegra dos processos administrativos referentes às férias e exonerações dos cinco servidores. O material deverá conter o histórico de tramitação, datas e horários dos protocolos e registros das assinaturas digitais.

A investigação vai concentrar-se na situação funcional dos servidores em 18 de agosto e na identificação da propriedade e do custeio dos equipamentos utilizados durante o ato de campanha. O objetivo é verificar se houve utilização da estrutura pública em benefício eleitoral.

Mailza tentou deixar o processo sob o argumento de ilegitimidade passiva, mas o pedido foi rejeitado. A Justiça Eleitoral considerou que a legislação permite a responsabilização do candidato que eventualmente tenha sido beneficiado por uma conduta irregular, sem que a decisão represente julgamento antecipado sobre a existência da infração.

O processo, registrado sob o número 0600616-79.2026.6.01.0000, seguirá para nova manifestação das partes depois que a documentação administrativa for apresentada. Em seguida, os autos deverão passar pela Procuradoria Regional Eleitoral antes do julgamento do mérito.

Em agenda de campanha, Mailza se reúne com industriais e recebe apoio de empresários

A candidata à reeleição ao governo do Acre, Mailza Assis (PP), participou nesta terça-feira, 15, de um encontro com empresários e representantes do setor industrial de Rio Branco. Durante a agenda de campanha, o grupo apresentou demandas relacionadas à infraestrutura e às condições para expansão das empresas, enquanto a candidata falou sobre propostas para geração de empregos e fortalecimento da atividade econômica no estado.

Parte dos empresários presentes declarou apoio à candidatura de Mailza. A manifestação ocorreu após a discussão de temas ligados à melhoria da infraestrutura das áreas industriais, logística e condições para que empresas instaladas no Acre possam ampliar suas atividades.

Mailza afirmou que pretende manter o diálogo com o setor privado e defendeu investimentos em infraestrutura como parte da estratégia para estimular a instalação e a expansão de empreendimentos. A candidata também relacionou o crescimento da indústria à necessidade de qualificação profissional e à abertura de novas vagas de trabalho.

As condições dos espaços destinados às indústrias estão entre as demandas apresentadas pelo setor produtivo ao poder público. Em julho, o governo estadual anunciou um investimento de R$ 10 milhões para obras de revitalização de parques industriais em municípios acreanos, incluindo melhorias de pavimentação, acessibilidade e infraestrutura.

O encontro integra a agenda eleitoral de Mailza em Rio Branco nesta terça-feira. A programação da candidata também prevê gravação de programa eleitoral, entrevista à TV Gazeta e reuniões com representantes do Sindicato dos Policiais Civis do Acre, mulheres e integrantes da Associação dos Militares do Estado do Acre.

A aproximação com empresários tem sido uma das frentes adotadas pela campanha nas últimas semanas. Em reuniões anteriores, a candidata apresentou propostas relacionadas à redução da burocracia, melhoria de estradas e logística, fornecimento de energia, acesso à internet e capacitação de trabalhadores como medidas para ampliar os investimentos privados e a geração de empregos.

Charge do AC24horas retoma denúncia envolvendo servidora ligada a Mailza

O AC24horas publicou nesta terça-feira (15) uma charge que retoma a denúncia envolvendo a governadora Mailza Assis (PP) e uma servidora comissionada do Governo do Acre que, segundo as acusações tornadas públicas nas últimas semanas, teria realizado atividades de caráter doméstico na residência da então vice-governadora enquanto recebia salário do Estado.

Na ilustração, uma personagem afirma: “Contrata outra babá agora! Eu não consigo focar em nada com esse choro!”. Outro personagem pergunta, em seguida, se a “nova secretária” será colocada no gabinete ou em uma secretaria. Sobre a mesa, aparecem documentos com referências a gabinete e secretaria, em alusão às diferentes lotações atribuídas à servidora.

A denúncia ganhou repercussão após a divulgação de registros que apontariam visitas frequentes da mulher ao condomínio onde Mailza mora com o marido, Madson Cameli. No mesmo período, ela ocupava cargo comissionado e teve vínculo com órgãos da administração estadual.

Entre os elementos apresentados no caso estão registros de entrada e saída do condomínio e informações sobre os cargos e lotações ocupados pela servidora. O material levantou questionamentos sobre quais funções eram efetivamente exercidas durante o expediente e se havia compatibilidade entre as atividades desempenhadas e o cargo público pelo qual ela era remunerada.

A suspeita central é de que a servidora teria prestado serviços particulares na residência de Mailza ao mesmo tempo em que mantinha vínculo remunerado com o poder público. A denúncia, no entanto, permanece no campo das acusações e dos questionamentos sobre a atuação da comissionada.

Ao publicar a charge, o AC24horas usou a frase “Por que choras?”, retomando de forma satírica a repercussão do episódio e as discussões em torno da contratação e da função exercida pela servidora.

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Mailza exonera três parentes de Nayara Lessa; secretária diz que medida “causa estranheza”

A governadora do Acre, Mailza Assis, exonerou três familiares da secretária de Estado de Comunicação, Nayara Lessa, que ocupavam cargos comissionados na administração estadual. Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 15 de setembro, e atingem o marido, a irmã e uma prima da secretária. Os decretos não informam os motivos das exonerações.

Foram desligados Samuel Cabral Feitosa, marido de Nayara; Alice Pessoa Lessa, irmã da secretária; e Marcia Cristina Lessa de Medeiros, prima da gestora. As exonerações passaram a valer na própria data da publicação.

Nayara afirmou que respeita a decisão da governadora, mas lamentou a saída dos familiares. A secretária defendeu a atuação dos três no serviço público e afirmou que eles cumpriam a jornada de trabalho sem privilégios.

Ao comentar a forma como os desligamentos ocorreram, Nayara disse que o episódio “causa estranheza”. Ela afirmou ainda que os familiares possuem formação profissional e desempenhavam regularmente as funções para as quais haviam sido nomeados.

Sobre Marcia Cristina Lessa de Medeiros, Nayara declarou que a prima não havia sido indicada por ela para o cargo. A secretária afirmou que a nomeação ocorreu por iniciativa da responsável pelo órgão em que Marcia trabalhava, com quem ela mantinha relação anterior.

Apesar das exonerações, Nayara informou que continuará à frente da Secretaria de Estado de Comunicação. Ela afirmou que seguirá exercendo as funções e reconheceu que a decisão sobre a permanência de ocupantes de cargos comissionados cabe à governadora.

Mailza Assis assumiu o governo do Acre em abril deste ano, após a saída de Gladson Cameli do cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Desde então, a nova gestão vem promovendo mudanças na estrutura administrativa estadual.

Mailza declara despesa de R$ 1 milhão com empresa de Minas Gerais

A campanha de Mailza Assis (PP) ao governo do Acre declarou à Justiça Eleitoral uma despesa de R$ 1 milhão com a Inteligência Digital e Produções Ltda., empresa sediada em Belo Horizonte, Minas Gerais. O valor representa 60,46% dos R$ 1,65 milhão registrados no ranking de fornecedores da candidatura no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Inteligência Digital e Produções está inscrita no CNPJ 23.978.663/0001-80 e foi aberta em janeiro de 2016. A atividade principal registrada é consultoria em publicidade. A empresa possui capital social de R$ 1,5 milhão e tem como sócios Paulo Augusto Rodrigues de Moura, que também exerce a função de administrador, e Felipe Lavareda Moura.

O contrato coloca a empresa na primeira posição entre os quatro fornecedores registrados pela campanha. Em segundo lugar aparece Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia, com R$ 500 mil, o equivalente a 30,23% do total.

Somadas, Inteligência Digital e Produções e Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia concentram R$ 1,5 milhão, ou 90,69% dos valores declarados no ranking.

Os outros fornecedores são Cipriani Importação e Exportação Ltda., com R$ 119.945, e Dlocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., com R$ 34 mil. Os quatro registros totalizam R$ 1.653.945.

O ranking de fornecedores não detalha, isoladamente, os serviços relacionados a cada contratação nem permite concluir que todos os valores informados já foram efetivamente pagos, uma vez que a prestação de contas também pode reunir despesas contratadas ainda pendentes de quitação.

No campo das receitas, a candidatura registra R$ 3.557.000. Todo o valor informado até o momento tem origem na direção nacional do Progressistas. A despesa de R$ 1 milhão atribuída à Inteligência Digital e Produções corresponde a cerca de 28,1% do total recebido pela campanha.

Os dados refletem a prestação de contas disponível no sistema eleitoral no momento da consulta e podem sofrer alterações com a inclusão de novas receitas, despesas, pagamentos ou retificações durante a campanha.

Por que servidora comissionada teve acessos em 12 de 14 dias à residência oficial de Mailza?

Em apenas 14 dias, entre 21 de agosto e 3 de setembro de 2026, o controle de acesso do condomínio onde funciona a residência oficial da governadora Mailza Assis registrou 36 eventos vinculados ao nome de Eryclis Feitosa Sá da Silva. Os lançamentos se espalham por 12 datas diferentes, quase todos os dias daquele período, com movimentações pela manhã e à tarde e também aos sábados. Eryclis não é funcionária particular da família. É servidora comissionada do Governo do Acre, recebe salário do Estado, cumpre jornada formal de 40 horas semanais e passou, desde 2024, pelo Gabinete da Vice-Governadora, pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e, atualmente, pela estrutura ligada ao Gabinete da Governadora. É justamente o encontro dessas duas rotinas — a funcional e a registrada na residência onde vivem Mailza e o marido, Madson Cameli — que amplia a pergunta aberta pela denúncia levada ao Tribunal de Contas: que atividade pública exigia presença tão frequente naquele endereço?

Os 36 lançamentos não podem ser tratados como 36 visitas distintas. Em vários momentos, o equipamento facial produziu registros separados por dois ou três segundos, o que impede transformar cada linha em uma entrada independente. Há, porém, um dado que permanece mesmo quando essas repetições são descartadas: Eryclis teve eventos de acesso liberado em 12 dos 14 dias compreendidos entre 21 de agosto e 3 de setembro. Só não aparecem registros nos dois domingos daquele intervalo, dias 23 e 30.

A frequência ganha dimensão quando os horários são colocados lado a lado. Na sexta-feira, 21 de agosto, houve registro às 17h56. No sábado seguinte, dia 22, o nome de Eryclis aparece às 7h42, 14h39 e 15h40, com duas leituras praticamente simultâneas no último horário. Na segunda-feira, 24, houve registros às 16h53. No dia 25, às 7h13 e 16h05. No dia 27, às 7h52 e 14h37. Na sexta-feira, 28, há movimentação às 7h36 e às 16h03. No sábado, 29, os horários se distribuem entre 7h06, 9h15 e 16h44.

A semana seguinte mantém o mesmo padrão. Em 31 de agosto, uma segunda-feira, o sistema registrou Eryclis às 7h36, uma saída de visitante às 9h36, nova entrada às 10h19 e outro evento às 15h16. Em 1º de setembro, há registros às 7h49 e 13h29. No dia 2, às 7h51, 8h27 e 15h10. Em 3 de setembro, último dia abrangido pelo relatório, houve eventos às 7h53, 8h55, 10h06 e 14h02.

Esses horários não permitem afirmar quanto tempo a servidora permaneceu no imóvel nem qual tarefa desempenhou a cada passagem. O sistema registra eventos de acesso, não uma folha de ponto, muito menos a natureza do serviço executado. Essa limitação impede transformar a frequência em prova automática de desvio de função. Ao mesmo tempo, a repetição ao longo de manhãs, tardes e dois sábados consecutivos afasta a ideia de uma presença meramente ocasional e deixa uma questão administrativa verificável: qual era a escala de trabalho de Eryclis e que atribuição funcional correspondia àquela rotina?

A pergunta nasceu de uma representação protocolada pelo Republicanos no Tribunal de Contas do Estado do Acre em 9 de setembro. O partido acusa Mailza, Madson e a administração estadual de utilizarem uma servidora remunerada pelo Estado em atividades particulares da família. A peça pede ao TCE-AC folhas de ponto, controles biométricos, informações funcionais e o levantamento dos valores pagos pelo poder público. O governo nega que Eryclis tenha trabalhado em benefício particular da governadora ou de familiares.

A acusação ganhou repercussão depois da revelação de outro registro. Eryclis foi cadastrada no condomínio em 10 de abril de 2026 como “prestador”, na modalidade recorrente, vinculada ao morador Madson de Castro Cameli. No campo destinado às observações da visita foi inserida a expressão “motorista das crianças”. A autorização foi configurada com validade até abril de 2030.

O governo contesta justamente o peso atribuído a essa descrição. A Casa Civil afirma que o sistema pertence ao condomínio, não é administrado pelo Estado e não define cargo ou atribuição funcional de servidor público. Na resposta divulgada depois da denúncia, a gestão sustenta que Eryclis exerce “atividades de direção e suporte relacionadas ao funcionamento dessa estrutura”, referência à residência oficial. Também afirma que o local demanda segurança, logística, transporte e apoio operacional.

É uma defesa que precisa ser examinada junto com os registros, porque muda o centro da apuração. A pergunta deixa de ser apenas quem escreveu “motorista das crianças” no cadastro privado e passa a alcançar a estrutura administrativa que sustentaria a presença de Eryclis na residência. Se a servidora estava ali cumprindo uma missão oficial, qual missão era essa? Quem a designou? Qual era sua escala? Que atividade de direção exercia? Havia veículo oficial envolvido? Existia ordem de serviço ou controle de deslocamento? E como essa atividade era compatibilizada com sua jornada de 40 horas e com a unidade administrativa onde estava lotada?

A trajetória funcional de Eryclis torna essas perguntas ainda mais relevantes. Em junho de 2024, ela estava no Gabinete da Vice-Governadora. Uma portaria assinada por Mailza Assis a designou como responsável pela Divisão de Material e Patrimônio daquela estrutura. Mailza era, naquele momento, vice-governadora e havia assumido cumulativamente a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

Dois meses depois, em agosto de 2024, Eryclis foi transferida justamente do Gabinete da Vice-Governadora para a SEASDH. A mudança passou a produzir efeitos em 2 de setembro. Mailza continuava à frente da secretaria e permaneceu no comando da pasta até o fim de março de 2026, quando deixou a função para assumir definitivamente o governo do Acre.

A movimentação seguinte ocorreu depois da chegada de Mailza ao Palácio Rio Branco. Em 22 de maio de 2026, já governadora, ela assinou o Decreto nº 14.207-P alterando a lotação de Eryclis, então CAS-4, da SEASDH para o Gabinete da Governadora. O próprio decreto determinou que caberia ao titular da pasta de destino definir a função a ser exercida pela comissionada.

Há uma cronologia que merece resposta. Eryclis foi cadastrada como prestadora recorrente na residência em 10 de abril. A transferência formal da SEASDH para o Gabinete da Governadora só foi assinada em 22 de maio, 42 dias depois. O relatório de eventos disponível começa em 16 de junho e, portanto, não permite afirmar que ela efetivamente entrou no condomínio durante abril ou maio. O que existe para aquele período é a autorização de acesso criada em abril. A diferença entre as datas, porém, abre uma pergunta objetiva: se o cadastro estava relacionado a uma tarefa pública, a que função administrativa ele correspondia quando Eryclis ainda estava formalmente lotada na Assistência Social?

A sequência também ajuda a colocar o caso em seu tamanho correto. Não há base para apresentar Eryclis como “servidora de Mailza” no sentido pessoal da expressão. Ela é servidora comissionada do Estado. O que existe é uma sucessão de lotações em estruturas que, em momentos diferentes, foram comandadas diretamente por Mailza: primeiro o Gabinete da Vice-Governadora, depois a SEASDH e, após Mailza assumir o governo, o Gabinete da Governadora. Em 2026, o Portal da Transparência registra Eryclis na Secretaria de Estado da Casa Civil, em cargo CAS-4, com lotação no Gabinete do Governador e jornada de 40 horas semanais. Em julho, recebeu R$ 7.828,08 brutos e R$ 5.796,81 líquidos.

Essa proximidade administrativa, sozinha, não constitui irregularidade. Cargos comissionados são de livre nomeação e servidores podem acompanhar reorganizações de governo. O ponto de interesse público surge quando essa trajetória é confrontada com uma rotina de acessos frequentes ao lugar onde a governadora mantém sua residência oficial e sua vida familiar. A existência de uma função pública naquele endereço é possível. O que ainda precisa ser esclarecido é qual era essa função e como ela foi formalizada.

O fato de o imóvel ter sido transformado em residência oficial também não encerra a discussão. Ao assumir essa condição, a casa passa a comportar necessidades próprias da função de governadora, como segurança, recepção institucional, apoio logístico e serviços necessários à estrutura pública. Isso torna perfeitamente possível a presença de servidores estaduais no local. Mas a classificação do imóvel não transforma automaticamente qualquer atividade ali realizada em serviço público. A natureza da tarefa continua sendo determinante.

É por isso que a defesa do governo e a denúncia do Republicanos podem ser submetidas ao mesmo teste: a documentação administrativa. Se Eryclis exercia direção, transporte e suporte operacional da residência oficial, devem existir meios de reconstruir essa rotina sem expor informações de segurança ou dados de menores. Lotação, atribuição, escala, frequência, ordens de serviço e, caso houvesse condução de veículos, os controles administrativos correspondentes podem estabelecer a relação entre as horas pagas pelo Estado e o trabalho executado.

Os registros anteriores a 21 de agosto acrescentam outro detalhe que exige cautela. Em julho e no início de agosto, aparecem diversas tentativas identificadas como “perfil de acesso inválido”. Elas não devem ser contabilizadas como entradas confirmadas. Em 19 de agosto, por exemplo, o sistema registrou sucessivas tentativas com essa classificação. Dois dias depois, passam a aparecer eventos “liberados” de maneira contínua. Sem dados técnicos do condomínio, não é possível determinar se houve alteração de perfil, problema no leitor facial ou outra mudança no controle de acesso.

Também não se pode perder de vista o ambiente eleitoral. A representação partiu do Republicanos, partido do senador Alan Rick, adversário de Mailza na disputa pelo governo do Acre. A origem política da acusação exige que alegações sejam separadas de fatos comprovados. O Republicanos afirma que Eryclis atuava como motorista dos filhos da governadora e em apoio doméstico; até agora, essa tese não está comprovada apenas pelos registros de condomínio. Do outro lado, a negativa do governo e a afirmação de que havia trabalho oficial também precisam ser sustentadas pelas rotinas administrativas correspondentes.

O que os registros acrescentam ao caso é algo diferente da denúncia original. Eles permitem sair do campo de uma frase escrita em um cadastro — “motorista das crianças” — e observar uma rotina. Durante duas semanas, Eryclis teve acessos liberados em 12 dos 14 dias, incluindo dois sábados, algumas vezes em horários separados por várias horas. Há manhãs iniciadas pouco depois das 7h e registros que chegam ao meio e ao fim da tarde. É uma frequência suficiente para exigir uma explicação funcional, mas não para dispensar a apuração.

O TCE-AC poderá chegar justamente ao documento que falta para fechar essa distância entre o cargo e o portão do condomínio. A folha de frequência mostrará onde a servidora cumpria sua jornada. A definição de suas atribuições permitirá saber o que ela deveria fazer. Uma eventual escala na residência oficial poderá relacionar os horários do condomínio com o serviço estatal. E os controles de transporte poderão esclarecer se a atividade de direção mencionada pelo governo estava vinculada à estrutura pública ou à rotina particular dos moradores.

No centro da história há uma servidora paga pelo Estado, movimentada ao longo dos últimos anos entre órgãos que acompanharam a própria trajetória de Mailza dentro do Executivo, e uma sequência de acessos a um endereço que reúne duas dimensões ao mesmo tempo: é residência oficial da governadora e também é o lugar onde vive sua família. Separar essas duas dimensões é justamente o desafio da apuração.

A pergunta, portanto, não é por que uma “servidora de Mailza” entrava na casa de Mailza. Essa formulação já pressuporia uma relação pessoal que os atos oficiais não estabelecem. A pergunta é mais precisa e, por isso mesmo, mais difícil de contornar: por que uma servidora comissionada do Estado, com jornada de 40 horas e lotação no Gabinete da Governadora, teve acessos registrados em 12 de 14 dias à residência oficial onde vivem Mailza e Madson, e qual serviço público estava sendo executado durante essa rotina?

Pesquisa mostra Alan Rick na frente, Mailza próxima e Bocalom na disputa pelo Governo do Acre

A corrida pelo Governo do Acre aparece equilibrada entre três nomes, de acordo com pesquisa do Instituto Phoenix realizada entre os dias 8 e 10 de setembro de 2026. Alan Rick (Republicanos) lidera com 28,6% das intenções de voto, enquanto a governadora Mailza Assis (PP) tem 24,1% e Tião Bocalom (PSDB) aparece com 22,8%.

Alan está 4,5 pontos percentuais à frente de Mailza. Entre a governadora e Bocalom, a diferença é de apenas 1,3 ponto percentual. Do primeiro ao terceiro colocado, a distância é de 5,8 pontos.

A margem de erro da pesquisa é de 3,95 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Dentro desse intervalo, o cenário mantém os três principais nomes próximos na disputa.

Na sequência aparecem Thor Dantas, com 4,1%, Dr. Luizinho, com 2,5%, e Eudo Rafael, com 2,4%. Os votos nulos representam 5,1% dos entrevistados.

O número de eleitores que ainda não definiu voto também pode influenciar o cenário eleitoral. Ao todo, 10,4% disseram não saber em quem votar.

O Instituto Phoenix ouviu 615 eleitores em oito dos maiores colégios eleitorais do Acre. A amostra foi formada por 51,6% de mulheres e 48,4% de homens.

O levantamento foi contratado pela LF F Duarte Serviços de Comunicação e tem como responsável técnico o estatístico Augusto da Silva Rocha, registrado no Conselho Regional de Estatística da 1ª Região. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número AC-09678/2026.

O resultado reforça um cenário de disputa aberta pelo Palácio Rio Branco. Levantamentos divulgados anteriormente por outros institutos apresentaram alternância nas primeiras posições, com Alan Rick e Mailza Assis aparecendo à frente em diferentes pesquisas. As comparações, porém, precisam considerar que cada levantamento utiliza metodologia, período de coleta e amostra próprios.

Bocalom também aparece competitivo no levantamento do Phoenix. Com 22,8%, fica a pouco mais de um ponto percentual de Mailza e mantém a disputa concentrada entre três candidaturas neste momento da corrida eleitoral.

Servidora citada em denúncia contra Mailza recebeu R$ 10,4 mil em diárias; viagens incluem Brasília, Rio e Cruzeiro do Sul

Eryclis Feitosa Sá da Silva, servidora comissionada citada em uma representação do Republicanos contra a governadora do Acre, Mailza Assis (PP), aparece em cinco pagamentos de diárias entre 2023 e 2026 que somam R$ 10.457,23. Os registros incluem deslocamentos para Cruzeiro do Sul, Brasília e Rio de Janeiro, além de uma viagem classificada apenas como “evento institucional”, sem destino informado no histórico da despesa.

Os pagamentos foram feitos por três estruturas diferentes do governo estadual ao longo do período: Gabinete do Vice-Governador, Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e Secretaria de Estado da Casa Civil. Todos os cinco empenhos constam como liquidados e pagos.

O lançamento mais recente é de 20 de julho de 2026, no valor de R$ 1.153. A despesa foi paga pela Casa Civil e corresponde a duas diárias para deslocamento a Cruzeiro do Sul. O histórico informa que Eryclis ocupava cargo em comissão no Gabinete da Governadora e que a viagem tinha como finalidade “assessorar a governadora em agenda institucional no Festival Atsa Puyanawa”.

Há uma inconsistência de data no próprio registro desse pagamento. O empenho foi emitido em 20 de julho de 2026 e o processo administrativo também traz 2026 na numeração, mas o histórico da despesa registra o deslocamento nos dias 18 e 19 de julho de 2016.

Em 2025, Eryclis recebeu três pagamentos de diárias, que juntos chegaram a R$ 7.729,86. O primeiro, de R$ 1.288,12, foi destinado a uma viagem a Cruzeiro do Sul entre 10 e 14 de março. A descrição informa que o objetivo era realizar “atendimento presencial para resolução de demandas individuais de servidores”.

O segundo pagamento daquele ano foi de R$ 3.220,87 para uma viagem a Brasília, entre 15 e 19 de junho. A justificativa registrada foi a participação no Encontro Nacional de Gestão de Pessoas do Sipec 2025, evento relacionado aos 55 anos de criação do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.

Outros R$ 3.220,87 foram pagos para um deslocamento ao Rio de Janeiro entre 23 e 27 de setembro de 2025. Nesse caso, foram concedidas quatro diárias e meia para participação em curso sobre eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb voltado a órgãos públicos.

O registro mais antigo do levantamento é de setembro de 2023. Eryclis recebeu R$ 1.574,37 pelo Gabinete do Vice-Governador por um deslocamento realizado entre 27 de agosto e 1º de setembro daquele ano. A descrição informa apenas “evento institucional” e não especifica a cidade ou o estado de destino.

Os registros de diárias não comprovam, por si só, as acusações feitas pelo Republicanos. As despesas apresentam justificativas de atividades institucionais e precisam ser analisadas separadamente da representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC).

A repercussão sobre Eryclis ganhou dimensão nacional após reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 10 de setembro. O Republicanos acusa Mailza de utilizar a servidora comissionada para atividades particulares relacionadas à família da governadora. A representação foi protocolada no TCE-AC em 9 de setembro.

Entre os elementos apresentados pelo partido está um cadastro de acesso a um condomínio no qual Eryclis aparece identificada como “prestador”, com a descrição de “motorista das crianças”. O Republicanos também apresentou registros de entradas e saídas e afirma que a servidora teria realizado atividades domésticas e atuado como motorista dos filhos de Mailza durante períodos que coincidiriam com o expediente público.

O partido pediu que o Tribunal de Contas apure os fatos, obtenha documentos funcionais, folhas de ponto e controles de acesso e levante os valores pagos pelo Estado para verificar a existência de eventual dano ao erário. Mailza, o marido, Madson Cameli, e Eryclis estão entre os nomes citados na representação.

O governo do Acre negou que servidores tenham sido utilizados para atividades particulares da governadora ou de familiares. A Casa Civil afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi transformado oficialmente em residência governamental por decreto de junho de 2025 e necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional. Também declarou que a função atribuída a Eryclis no cadastro privado do condomínio não foi criada nem validada pelo Estado.

Deu em Brasília! Republicanos acusa Mailza de usar servidora em afazeres domésticos

O Republicanos protocolou no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em 9 de setembro, uma representação contra a governadora Mailza Assis (PP), o marido dela, Madson Cameli, chefe do Gabinete Pessoal do Governo, e uma servidora comissionada. O partido acusa a gestão estadual de usar a funcionária para atividades particulares ligadas à família da governadora. O governo nega qualquer irregularidade.

A servidora citada é Eryclis Feitosa Sá da Silva, nomeada para um cargo comissionado CAS-4, com jornada de 40 horas semanais. O Republicanos sustenta que ela teria sido deslocada das funções públicas para atuar como motorista dos filhos da governadora e prestar apoio doméstico.

Entre os elementos apresentados ao TCE-AC está um cadastro de acesso a um condomínio. No registro, Madson Cameli aparece como responsável pelo imóvel e Eryclis é cadastrada como “prestador”, com a descrição “motorista das crianças”. A autorização de entrada aparece com validade entre abril de 2026 e abril de 2030.

A representação também reúne registros biométricos de entradas e saídas entre 16 de junho e 3 de setembro. O Republicanos afirma que parte dos acessos ocorreu em horários que coincidiriam com o expediente da administração estadual e sustenta que a servidora realizava “afazeres domésticos e cuidados familiares” enquanto recebia salário do Estado.

O partido pediu ao Tribunal de Contas a coleta de documentos funcionais, folhas de ponto, controles biométricos e informações sobre as atividades atribuídas à servidora. Também quer que sejam levantados os valores pagos pelo poder público e apurada a existência de eventual dano ao erário.

A representação solicita ainda o encaminhamento das informações à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público do Acre, ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A direção estadual do Republicanos é presidida por Roberto Duarte Júnior. O senador Alan Rick, filiado ao partido, disputa o governo acreano nas eleições de 2026.

O governo do Acre negou que servidores públicos tenham sido usados para prestar serviços particulares à governadora ou a familiares. A gestão afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi formalmente transformado em residência oficial por decreto publicado em junho de 2025 e, por isso, necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também declarou que a servidora foi designada para funções de direção e suporte relacionadas ao funcionamento da residência oficial. Sobre a identificação de “motorista das crianças” no cadastro do condomínio, o governo afirmou que a descrição foi feita em sistema privado, sem participação ou validação do Estado, e que esse registro não define cargo ou atribuição funcional.

O governo informou ainda que pretende apurar a origem e a divulgação dos dados relacionados à residência oficial, incluindo informações sobre a rotina de segurança e de menores de idade. A gestão afirmou que eventuais acessos ou compartilhamentos ilegais serão investigados.

Rosana Nascimento critica gestão Mailza e declara apoio a Alan Rick

A representante do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Rosana Nascimento, declarou apoio ao candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) nesta terça-feira, 8 de setembro, durante reunião da Frente Sindical, em Rio Branco. A sindicalista criticou a gestão da governadora Mailza Assis (PP), cobrou valorização dos servidores públicos e defendeu a redução de despesas do Estado para abrir espaço a reajustes salariais.

Rosana afirmou que o governo precisa rever gastos com eventos, aluguel de imóveis, cargos comissionados e contratos terceirizados. Na avaliação dela, a economia poderia ampliar os recursos destinados ao funcionalismo, especialmente aos trabalhadores da Educação, que enfrentam dificuldades financeiras e recorrem a empréstimos para complementar a renda.

“Eu tenho esperança que vai ter corte, que vai poder atender, principalmente, os servidores que vivem hoje, gente, com R$ 2.500. É humanamente impossível”, afirmou. A sindicalista disse que a falta de reajustes tem contribuído para o endividamento da categoria e cobrou medidas para recuperar o poder de compra dos trabalhadores.

Entre as despesas questionadas, Rosana citou o pagamento de aluguéis de prédios pelo governo. Ela defendeu o aproveitamento de imóveis públicos que estejam abandonados ou sem utilização, como alternativa para reduzir custos. Também criticou a quantidade de cargos comissionados e pediu a realização de concursos públicos para ampliar o quadro de servidores efetivos.

A representante sindical associou a contratação de servidores concursados ao fortalecimento da Previdência estadual. “O senhor não precisa contratar esses abusos de cargos comissionados que não contribuem para o Acre Previdência. Tem que ter concurso efetivo”, disse, ao defender mudanças na política de pessoal do Estado.

Durante o encontro, Rosana também fez críticas à administração de Mailza Assis e mencionou denúncias relacionadas a contratos e gastos públicos. As afirmações foram apresentadas como parte de sua avaliação política sobre a atual gestão. “Eu não suporto mais esse grupo. (…) Nós precisamos mudar essa realidade”, declarou.

Ao anunciar apoio a Alan Rick, a sindicalista afirmou que já havia decidido apoiar o senador antes de receber um pedido dele. “Independentemente de o Alan ter me pedido o apoio, eu já tinha decidido. (…) Eu quero lutar para tirar esse grupo e quero pedir aos colegas que também não aceitem a continuidade desse grupo.”

Rosana encerrou a manifestação pedindo que Alan Rick, caso seja eleito, mantenha diálogo permanente com os sindicatos e participe da construção de medidas para atender às reivindicações dos servidores. “Nós não queremos quebrar o Estado. Nós queremos ser valorizados. (…) Governador, nós queremos construir junto”, afirmou.