Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Major Rocha cobra responsabilização por queda da ponte de Sena Madureira e rejeita tese de fatalidade

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-vice-governador Major Rocha afirmou que o desabamento da ponte de Sena Madureira não pode ser tratado como fatalidade e acusou o governo e a construtora responsável pela obra de tentarem se eximir da responsabilidade. Na gravação, ele diz que a narrativa de que o colapso foi provocado pelo fenômeno das chamadas terras caídas não encerra o caso e, ao contrário, reforça a suspeita de falhas técnicas no estudo, no projeto e na execução da estrutura.

Rocha sustenta que o fenômeno geológico é amplamente conhecido na Amazônia e, por isso, deveria ter sido considerado ainda na fase de planejamento da obra. Na avaliação dele, se a movimentação de terra realmente abalou a estrutura da ponte, isso não afasta a responsabilidade da empresa. “A engenharia existe justamente para prever riscos e adotar medidas capazes de evitá-los”, afirmou.

No vídeo, ele também questiona a posição apresentada por representantes do governo e da empresa após o desabamento. Para Rocha, houve uma tentativa de enquadrar o episódio como caso fortuito, o que poderia abrir caminho para afastar eventual responsabilização. Ele rebate esse entendimento ao afirmar que eventos previsíveis e conhecidos da realidade amazônica não podem ser usados como justificativa automática para o colapso de uma obra pública.

A crítica também alcança o poder público. Rocha afirma que o Estado tinha a obrigação de fiscalizar a execução da ponte, verificar as condições de segurança da estrutura e acompanhar a entrega de uma obra custeada com dinheiro público. Segundo ele, a discussão não se limita à esfera civil, com eventual reparação por danos, mas pode avançar também para a esfera criminal, caso sejam confirmadas negligência, imprudência ou imperícia.

Ao longo da gravação, o ex-vice-governador afirma que a ponte foi construída pela Construtora Cidade e desabou pouco mais de dois anos depois da entrega, o que, segundo ele, amplia a gravidade do caso. Rocha diz ainda que não aceita “jogo de empurra empurra” entre governo e empresa e cobra esclarecimentos técnicos sobre as causas do desabamento, retirada dos destroços do rio e definição das próximas providências.

A fala de Major Rocha amplia a pressão política em torno do caso e coloca no centro do debate não apenas a origem do desabamento, mas também a responsabilidade por uma obra que, agora, passa a ser alvo de questionamentos sobre projeto, fiscalização e segurança.

Edvaldo defende comissão da Aleac para acompanhar investigação sobre queda de ponte em Sena Madureira

A continuidade das discussões sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, levou o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) a defender uma atuação mais direta da Assembleia Legislativa do Acre no acompanhamento das investigações sobre o caso. Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (10), o parlamentar anunciou que vai apresentar um requerimento para criar uma comissão de representação externa e afirmou que a medida busca dar uma resposta institucional aos impactos já sentidos pela população. “Não proponho uma CPI. Proponho algo que permita à Assembleia cumprir seu papel institucional de acompanhar os fatos e garantir que todas as informações sejam devidamente esclarecidas à sociedade”, disse.

Ao comentar a repercussão do desabamento, Edvaldo afirmou que o episódio já ultrapassou o debate político e passou a afetar a vida cotidiana em Sena Madureira. Segundo ele, os prejuízos vão além dos transtornos na mobilidade urbana e atingem moradores, comerciantes e empreendedores que fizeram investimentos no Segundo Distrito após a inauguração da ponte. “O assunto já entrou no cotidiano das pessoas, mas as consequências são muito sérias. Há famílias, comerciantes e empreendedores que organizaram suas vidas acreditando naquela ligação permanente entre os dois lados da cidade”, afirmou.

A proposta apresentada pelo deputado prevê a criação de uma comissão formada por parlamentares e presidida por um integrante da Mesa Diretora. A ideia é que o grupo acompanhe oficialmente as apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis pelo caso, entre eles Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Polícia Civil e, se houver, instâncias federais envolvidas na investigação.

Edvaldo explicou que decidiu não defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito por considerar mais viável, neste momento, um instrumento previsto no Regimento Interno da Aleac. A avaliação do parlamentar é que a Assembleia precisa estar presente no processo de apuração, com acesso às informações produzidas ao longo das investigações e capacidade de cobrar esclarecimentos públicos.

Segundo o deputado, a comissão terá a função de acompanhar os trabalhos técnicos e administrativos até a conclusão das apurações. “O que queremos é acompanhar os trabalhos técnicos e garantir que, ao final, a população saiba exatamente o que aconteceu, quais foram as causas e quem deve ser responsabilizado. A sociedade acreana merece respostas claras sobre esse episódio”, declarou.

A queda da ponte segue no centro do debate político no Acre e amplia a pressão por respostas sobre as causas do desabamento, os critérios adotados na execução da obra e as responsabilidades pelo caso.

Edvaldo cobra esclarecimentos sobre queda de ponte em Sena Madureira

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira, 9 de junho, esclarecimentos na investigação sobre a queda da ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrida no último dia 5. O parlamentar levantou dúvidas sobre alterações entre o anteprojeto apresentado pelo Deracre e o projeto executivo da obra, além da origem dos recursos e da forma de execução do contrato.

No discurso, Edvaldo afirmou que a apuração precisa explicar por que o projeto final teria ficado diferente da proposta inicial elaborada pelo órgão estadual. Entre os pontos citados por ele estão a redução no tamanho e na circunferência das estacas e a retirada de anéis de aço previstos no anteprojeto. Para o deputado, a investigação deve identificar quem autorizou as mudanças e se elas tiveram relação com eventual redução de custos.

O parlamentar também defendeu a verificação da origem do dinheiro aplicado na obra. Segundo ele, o volume de recursos teria superado R$ 45 milhões e há suspeita de participação de verba federal por meio de emenda Pix. Caso isso seja confirmado, Edvaldo disse que a Polícia Federal também deve atuar nas investigações.

Outro ponto levantado foi a execução da obra pela Construtora Cidade. Edvaldo questionou se a empresa tocou o empreendimento sozinha ou se houve algum tipo de parceria não formalizada. Ao citar esse aspecto, ele relacionou o caso a problemas já apontados em outra obra pública, o Anel Viário de Brasiléia, e cobrou que a apuração avance sobre possíveis conexões administrativas e contratuais.

Ao final da fala, o deputado disse que Sena Madureira precisa recuperar o projeto de ligação viária e elogiou a articulação para levar o tema ao governo federal. A defesa dele é que a solução para a ponte corra em paralelo às investigações sobre responsabilidades técnicas, administrativas e financeiras.

Edinaldo Muniz apresenta melhora clínica, mas segue em estado grave

O juiz aposentado Edinaldo Muniz, 54, segue internado em estado grave na UTI Sérgio Bruno do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, na sexta-feira, 5. Ele está sob cuidados intensivos por causa de politraumatismo, traumatismo cranioencefálico grave e fratura-luxação da bacia.

De acordo com o boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira, 8, o quadro apresentou evolução favorável nas últimas horas. Houve melhora da instabilidade hemodinâmica e redução da necessidade de drogas vasopressoras, o que abriu espaço para a suspensão da sedação e para uma avaliação progressiva do nível de consciência.

Os exames clínicos e laboratoriais também apontaram sinais positivos. Edinaldo permanece em ventilação mecânica, sob monitoramento contínuo e assistência integral das equipes médica e multiprofissional. A possibilidade de uma cirurgia urológica, citada no boletim anterior, foi descartada após nova avaliação.

Apesar da melhora, o estado de saúde ainda é considerado grave e o prognóstico segue reservado. Edinaldo foi uma das vítimas do desabamento da ponte e está entre os feridos em situação mais delicada desde o acidente.

MP inicia apuração sobre desabamento da Ponte Frei Paolino em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar as causas do desabamento parcial da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, após o acidente ocorrido na noite de sexta-feira, 5 de junho, que deixou quatro pessoas feridas, duas delas em estado grave. A estrutura liga a região central da cidade ao Segundo Distrito, e o colapso interrompeu uma das principais rotas de mobilidade urbana do município.

A apuração foi instaurada pelos promotores de Justiça Júlio César de Medeiros Silva e Júlia Fernandes de Brito, diante dos possíveis impactos ao patrimônio público, à segurança da população e à aplicação dos recursos usados na obra. Logo após o acidente, houve atuação para viabilizar a transferência de pacientes em estado mais grave para o Pronto-Socorro de Rio Branco, com apoio de ambulância de suporte avançado.

Na manhã de sábado, 6 de junho, equipe técnica do Núcleo de Apoio Técnico e servidores da Promotoria fizeram vistoria no local ao lado de órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Imac e Deracre. O procedimento aberto pelo MPAC mira possíveis falhas de projeto, execução, fiscalização e uso de materiais inadequados, e já levou ao envio de ofícios ao DNIT, ao Deracre, à empresa Cidade Ltda., ao Estado do Acre, ao Corpo de Bombeiros Militar, à Defesa Civil Municipal e a outros órgãos envolvidos.

Entre as medidas pedidas estão perícia técnica na estrutura, envio de documentos de fiscalização, cópias do projeto executivo, informações sobre aditivos contratuais e esclarecimentos sobre eventuais interdições anteriores. O Ministério Público também quer saber quais providências foram adotadas para garantir o deslocamento da população afetada, a assistência às famílias da área atingida e a eventual remoção de moradores em situação de risco. A ponte já havia sido interditada preventivamente no dia 4 de junho, após recomendação técnica relacionada ao avanço de “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.

Com a chegada das respostas e dos laudos, o procedimento poderá ser convertido em inquérito civil. Nesta segunda-feira, 8 de junho, o boletim mais recente da Secretaria de Estado de Saúde informou que um dos pacientes seguia internado em estado grave na UTI do Huerb, em Rio Branco, mas com sinais de melhora clínica.

Imagens mostram tamanho do desastre após queda de ponte sobre o Rio Iaco

Imagens registradas e publicadas no Instagram pelo perfil @figueroaxavier mostram a dimensão do colapso da ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, em Sena Madureira. A estrutura desabou na noite de sexta-feira, 5, menos de 48 horas depois de ser interditada por risco estrutural, deixou quatro feridos e interrompeu a travessia entre o centro da cidade e o Segundo Distrito.

No vídeo, a ponte aparece partida sobre o rio, com lajes e ferragens espalhadas no leito do Iaco. As imagens também mostram a movimentação de equipes no entorno da área atingida e dão a dimensão do impacto provocado pela queda da estrutura em uma das principais ligações urbanas da cidade.

As quatro vítimas foram socorridas após o desabamento. Três seguem internadas na rede estadual em Rio Branco, uma delas em estado gravíssimo, enquanto um dos feridos recebeu alta após atendimento inicial. Depois da queda, o governo manteve o isolamento total da área, fechou os dois acessos da ponte e reforçou a sinalização no rio por causa dos destroços.

A investigação avançou neste domingo, 7. A Polícia Civil abriu inquérito, preservou o local e recolheu partes da estrutura para exames periciais. O governo do Acre também abriu procedimento para apurar responsabilidades da construtora responsável pela obra, criou uma comissão especial de análise técnica e acionou a Justiça para exigir medidas emergenciais de contenção de riscos, isolamento e estabilização provisória da área. O Ministério Público do Acre também acompanha o caso. Até agora, não há conclusão oficial sobre a causa do desabamento.

A queda da ponte ampliou o transtorno em Sena Madureira e reacendeu a cobrança por respostas sobre as condições da obra, a fiscalização e a sequência de decisões tomadas antes do colapso. As imagens feitas por Figueroa Xavier reforçam o tamanho do impacto e transformam em registro visual a destruição deixada sobre o Rio Iaco.

Levantamento do site ÉPop aponta custo de R$ 45,3 milhões da ponte Padre Paolino

Levantamento realizado pelo site ÉPop mostra que a ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, em Sena Madureira, consumiu R$ 45.318.158,64 em pagamentos públicos antes de desabar. O valor chama atenção porque o contrato original da obra foi firmado em R$ 36 milhões, o que abre uma diferença de R$ 9,3 milhões e coloca a execução financeira no centro da crise.

O dado muda o eixo da discussão sobre o caso. Mais do que o colapso da estrutura, a cifra impõe uma pergunta direta sobre como a obra chegou a esse patamar de gasto antes da queda. O total rastreado corresponde a 25,88% acima do valor inicial do contrato, num cenário em que a cobrança por transparência passa a recair não só sobre a qualidade da construção, mas também sobre os pagamentos feitos ao longo da execução.

A ponte foi lançada em março de 2022 como a segunda ligação sobre o Rio Iaco, com 232 metros de extensão e 352 metros de rampas de acesso. O levantamento reúne pagamentos distribuídos entre 2022, 2023, 2024 e 2025, com maior concentração no segundo ano da obra. O contrato também passou por apostilamentos e termos aditivos, o que amplia a necessidade de detalhamento sobre cada alteração formal e seu impacto no custo final.

Outro ponto que pressiona por explicações está na composição desses desembolsos. Parte dos valores aparece registrada como reajuste, e outra parte como despesa de exercícios anteriores. Sozinhas, essas classificações não esclarecem quais etapas foram medidas, quais serviços efetivamente foram executados, quais critérios embasaram as correções e quem autorizou a liberação dos pagamentos.

O governo informou que a obra foi contratada em regime integrado, com responsabilidade da empresa pelo projeto básico, projeto executivo e execução. Também sustenta que o recebimento definitivo ocorreu em janeiro de 2024 e que a estrutura ainda estava dentro do prazo legal de garantia. A posição delimita a discussão sobre responsabilidade técnica, mas não encerra a cobrança sobre a evolução do custo da obra nem sobre os documentos que sustentaram os repasses.

Com a abertura de investigações por órgãos de controle e pela polícia, a queda da ponte deixa de ser apenas um problema de engenharia e passa a ser também um caso de interesse público sobre gestão de recursos. Depois de R$ 45,3 milhões pagos, a principal explicação que falta agora é por que uma obra que custou tanto não resistiu.

Confira o levantamento completo >> https://epope.com.br/ponte-do-rio-iaco-custou-r-453-milhoes-antes-de-cair-em-sena-madureira/

Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual

MP do Acre abre investigação sobre desabamento da Ponte Frei Paolino, obra de R$ 36 milhões em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu investigação para apurar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e verificar possíveis responsabilidades pela queda da estrutura, inaugurada em dezembro de 2023 com investimento de R$ 36 milhões durante o governo Gladson Cameli. O colapso ocorreu na noite de sexta-feira, 5 de junho, e deixou quatro feridos.

A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira. Entre as primeiras medidas, foram determinadas perícia técnica, vistorias especializadas e a coleta de documentos e informações de órgãos públicos e empresas ligadas à obra. O trabalho também envolve as áreas criminal e de defesa do patrimônio público.

Entregue pelo governo do Acre em 19 de dezembro de 2023, a ponte passou a ligar o Primeiro e o Segundo Distrito de Sena Madureira, com 232 metros de extensão. A estrutura foi apresentada como uma obra estratégica para atender moradores da região e reduzir o isolamento da área durante o inverno amazônico.

Após o desabamento, o governo estadual informou que a ponte estava interditada preventivamente desde o dia anterior e que equipes técnicas acompanhavam a situação. Com a queda da estrutura, foi montada uma força-tarefa com bombeiros, Samu, Defesa Civil e equipes de saúde para atender as vítimas e investigar o que provocou o colapso.

O caso agora entra na esfera formal de investigação, com foco na execução da obra, nas condições estruturais da ponte e em possíveis falhas que possam ter contribuído para o desabamento. A apuração deve apontar se houve responsabilidade administrativa, civil ou criminal.

Foto: Figueroa Xavier https://www.instagram.com/figueroaxavier?igsh=MWtqdDM0MzI1N3RnMA==

Ponte Frei Paolino desaba em Sena Madureira e deixa quatro feridos; dois serão transferidos para Rio Branco

A Ponte Frei Paolino Baldassari, no Segundo Distrito de Sena Madureira, desabou no começo da noite desta sexta-feira (5) e deixou quatro pessoas feridas. A estrutura já estava interditada desde quinta-feira (4), após avaliação técnica apontar risco na área da travessia por causa do avanço das “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.

Os feridos foram resgatados por equipes de saúde e do Corpo de Bombeiros e levados ao Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira. O boletim mais recente aponta dois pacientes em estado mais grave, com necessidade de transferência para Rio Branco.

Edinaldo Muniz, de 54 anos, está em estado grave, com traumatismo craniano, trauma interno abdominal e renal. Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, está em estado considerado gravíssimo, com fratura no fêmur, pupilas dilatadas e encaminhamento para sala vermelha. Os dois devem ser transferidos para a capital.

Ednei Muniz, de 51 anos, está estável, com fratura causada por trauma. Weverton Murieta, de 34 anos, também está estável, com escoriações e pequenos ferimentos.

Após o desabamento, o Estado enviou equipes da Secretaria de Assistência Social para apoiar os feridos e a comunidade. O Samu deslocou ambulâncias, médicos, enfermeiros e socorristas para o município. Equipes do Samu do Bujari e de Manoel Urbano também foram acionadas para reforçar o atendimento.

O Centro Integrado de Operações Aéreas colocou aeronaves à disposição para transporte de feridos que precisem de atendimento especializado. Uma ambulância de suporte avançado também saiu de Rio Branco para auxiliar na transferência dos pacientes graves.

A governadora Mailza Assis se deslocou para Sena Madureira para acompanhar a situação. O efetivo policial no município será reforçado, e técnicos do Deracre e da empresa responsável pela obra também foram enviados ao local. O Corpo de Bombeiros continua na área para prestar socorro e realizar buscas.

A primeira nota oficial após a queda confirmou o desabamento da ponte e o resgate de quatro pessoas que estavam nas proximidades da estrutura. O comunicado afirmou que a ponte havia sido interditada por precaução desde a quinta-feira para evitar uma emergência maior e que novas informações seriam divulgadas conforme a atualização dos órgãos responsáveis pelo atendimento.

A Ponte Frei Paolino Baldassari era a principal ligação entre o Centro de Sena Madureira e o Segundo Distrito. Inaugurada no fim de 2023, a estrutura tinha cerca de 232 metros de extensão e foi construída para reduzir a dependência da travessia por catraias e do deslocamento mais longo pela BR-364.