O Ministério Público do Acre se reuniu nesta quinta-feira, 28 de maio, com a superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no estado para discutir as medidas de manutenção e a possível reconstrução da BR-364, com foco no trecho entre Manoel Urbano e Feijó, considerado o mais crítico da rodovia. O encontro faz parte do acompanhamento do cumprimento de uma sentença da Justiça Federal sobre as condições da estrada, uma das principais ligações terrestres do Acre.
Participaram da reunião o promotor de Justiça de Sena Madureira, Júlio César Medeiros, a promotora de Justiça de Feijó, Giovana Kohata, e o superintendente do DNIT no Acre, Ricardo Araújo. A discussão girou em torno das providências que o órgão federal pretende adotar para recuperar a trafegabilidade da BR-364 e enfrentar os pontos mais vulneráveis da via.
Durante o encontro, o DNIT apresentou as ações em andamento em 11 trechos, chamados de lotes, que vão da divisa entre Acre e Rondônia até a ponte sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul. Além da manutenção da rodovia, também entraram na pauta o controle do peso das cargas que circulam pelas BRs 364 e 317 e a situação das pontes sobre os rios Caeté e Tarauacá.
Para o promotor Júlio César Medeiros, a reunião abre espaço para novas saídas diante dos problemas enfrentados por quem depende da estrada. “Essa reunião com o superintendente do DNIT, em conjunto com a promotora de Justiça de Feijó e o NAT, foi providencial em busca de novas soluções para a BR-364, especialmente para a sua reconstrução no trecho mais crítico, que é justamente entre Manoel Urbano e Feijó”, afirmou.
A BR-364 é uma das principais rotas de integração do Acre e tem papel central no deslocamento de pessoas, no transporte de cargas e no abastecimento de municípios do interior. A discussão entre MPAC e DNIT ocorre em meio à pressão por respostas mais rápidas para garantir condições mínimas de tráfego e reduzir os impactos causados pelo desgaste da estrada.
O deputado Edvaldo Magalhães afirmou que o Programa Luz para Todos em Feijó avançou após uma reunião com o vereador e presidente da Câmara Municipal, Tarcísio Araújo, lideranças comunitárias e representantes da Energisa. A expectativa, segundo ele, é de que o contrato seja renovado já na próxima semana, o que permitiria retomar ações previstas para o início do ano e ampliar o acesso à energia em comunidades do município.
A sinalização foi tratada como uma boa notícia para moradores que aguardam há meses a chegada do serviço. Com a possível renovação, a aposta é na retomada imediata do cronograma, abrindo perspectiva para atender localidades que ainda vivem sem energia regular e dependem da continuidade do programa para melhorar a rotina.
Ao destacar o andamento das tratativas, Edvaldo reforçou que a demanda vem sendo acompanhada de perto por representantes de Feijó. Ele agradeceu a atuação de Tarcísio Araújo, que levou o pleito adiante, e também citou o presidente da Energisa, Ricardo Xavier, pela receptividade à pauta.
A expectativa agora gira em torno da formalização do novo contrato. Se a renovação for confirmada nos próximos dias, a medida deve destravar uma etapa aguardada por diversas comunidades, que veem na chegada da energia um passo decisivo para melhorar as condições de armazenamento de alimentos, o acesso a serviços básicos e a qualidade de vida no interior de Feijó.
O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.
A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.
Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.
A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.
A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.
O Vale do Juruá deve entrar na estratégia federal de desenvolvimento regional voltada à cadeia do café, em um movimento anunciado nesta quinta-feira, 28, por Perpétua Almeida. A proposta prevê a estruturação da chamada Rota do Café na região, com a intenção de atrair investimentos, organizar a cadeia produtiva, ampliar a agregação de valor e abrir novas frentes de geração de emprego e renda no Acre.
A próxima etapa está marcada para junho, quando técnicos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional devem ir ao Juruá para iniciar visitas de campo e montar, com lideranças locais, um plano de ação para o setor. A programação prevê imersões em propriedades rurais e unidades industriais, seguidas de um workshop com produtores, autoridades e representantes de instituições parceiras. A expectativa é reunir cerca de 80 participantes no processo de formatação do programa de investimentos.
A entrada do Acre nessa agenda dá ao café um peso maior dentro de uma política nacional voltada à estruturação de cadeias produtivas em áreas priorizadas. No caso do Juruá, a aposta é usar essa engrenagem para transformar a produção de café em um eixo mais sólido de desenvolvimento regional, com impacto direto sobre renda, industrialização e mercado.
O anúncio também fecha um ciclo político e econômico construído por Perpétua em torno da cafeicultura do Juruá. A articulação se conecta à agenda que ela vinha defendendo na ABDI, onde o café passou a ser tratado como vetor de industrialização da agricultura familiar. Ao falar sobre a nova etapa, Perpétua afirmou que “a inclusão do Juruá nas Rotas de Desenvolvimento Regional é a continuidade do trabalho que fizemos na ABDI”.
Essa base começou a ganhar forma em Mâncio Lima, onde foi instalado em 2025 um complexo industrial de café da agricultura familiar que passou a reorganizar a cadeia na região. A estrutura abriu espaço para o beneficiamento local da produção, reduziu a dependência de processamento fora do estado e reforçou a aposta em um modelo apoiado no cooperativismo e na agregação de valor dentro do próprio Juruá.
A expansão seguiu neste ano com o anúncio de uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, ampliando a capacidade regional de beneficiamento. O movimento reforça a ligação entre produção rural, processamento industrial e circulação de renda na economia local. Ao tratar dessa etapa, Perpétua definiu a iniciativa como parte da consolidação de “um cinturão produtivo” do café no Vale do Juruá.
O avanço da estrutura industrial veio acompanhado de outras ações para dar sustentação técnica ao setor, como investimentos em análise de solo e apoio à produção. Esse conjunto ajuda a explicar por que o café passou a ocupar espaço central no discurso de desenvolvimento para o Juruá. A região já não aparece apenas como área produtora, mas como base de uma cadeia que tenta combinar campo, indústria e mercado em uma mesma estratégia.
Com a entrada do Acre na Rota do Café, o governo federal passa a olhar para o Juruá não só pelo potencial agrícola, mas pela capacidade de transformar a cafeicultura em plataforma de desenvolvimento regional. A aposta agora é fazer dessa estrutura já montada o ponto de partida para uma nova fase de expansão econômica no interior do estado.
Pessoas com deficiência permanente, autistas e famílias atípicas poderão deixar de enfrentar a exigência de apresentar repetidamente laudos e passar por novas perícias para acessar direitos e serviços públicos, caso avance no Congresso o PL 1414/2025, apresentado pelo senador Alan Rick e aprovado na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
O projeto altera a Lei Brasileira de Inclusão e a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista para reduzir a burocracia em casos já diagnosticados. Pela proposta, avaliações biopsicossociais de deficiências permanentes ou irreversíveis passam a ter validade por prazo indeterminado, sem necessidade de reavaliações sucessivas para comprovação da condição.
Nos casos de deficiência progressiva ou reversível, o texto fixa validade de cinco anos para a avaliação, com possibilidade de ajuste pela equipe multiprofissional responsável. A proposta também muda as regras da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O documento passaria a valer por dez anos para menores de 18 anos e por prazo indeterminado para maiores de idade, sem exigência de nova avaliação para renovação.
Ao defender o projeto, Alan Rick afirmou que a rotina de mães e responsáveis por pessoas com deficiência e autismo é marcada por consultas, terapias, laudos e deslocamentos constantes. Segundo o senador, o poder público precisa reduzir a burocracia e dar tratamento prioritário às famílias atípicas. “O autismo não pode ser invisível aos olhos do Estado. Não pode ser visto como um desafio apenas das famílias, mas sim como um dever coletivo da sociedade, das instituições e do poder público”, disse.
O parlamentar também relacionou a proposta legislativa a investimentos destinados ao Acre para ampliar o atendimento especializado. De acordo com ele, cerca de R$ 35 milhões já foram articulados para ações voltadas ao diagnóstico precoce, inclusão social, terapias multidisciplinares e fortalecimento da rede de atendimento a pessoas com deficiência, autistas e pacientes com outros transtornos.
Entre os recursos citados estão R$ 10 milhões para credenciamento de entidades especializadas junto à Sesacre, R$ 4,8 milhões para a Prefeitura de Rio Branco credenciar clínicas especializadas, R$ 4,5 milhões em parceria com a Uninorte para exames como BERA e TERA e mais R$ 10 milhões para mutirões itinerantes de investigação diagnóstica nos municípios acreanos. O mandato também informou repasses para APAEs no estado, telemedicina, estrutura de fisioterapia e fonoaudiologia e ampliação do atendimento no CER III de Rio Branco.
Alan Rick cobrou agilidade do governo do Acre para concluir o credenciamento de clínicas particulares pelo SUS e colocar os serviços em funcionamento. Segundo ele, os recursos já estão disponíveis e a demora no início do atendimento amplia o prejuízo para crianças e adolescentes que aguardam terapias, exames e acompanhamento especializado.
A proposta aprovada na Comissão de Direitos Humanos segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais do Senado. A expectativa do autor é que a medida avance como forma de reduzir entraves administrativos e ampliar o acesso de pessoas com deficiência e autistas a políticas públicas e serviços essenciais.
O prefeito Salatiel Magalhães visitou a Escola Padre Trindade, unidade de tempo integral da rede municipal de Rodrigues Alves, e acompanhou o horário do almoço dos estudantes para verificar de perto a rotina da escola e a alimentação servida aos alunos.
Durante a agenda, o prefeito sentou-se à mesa com as crianças, compartilhou a refeição e observou a merenda oferecida diariamente na unidade. A visita também incluiu conversa com a equipe gestora e com a comunidade escolar, em um momento voltado ao acompanhamento das ações da rede municipal de ensino.
Ao comentar a visita, Salatiel Magalhães agradeceu o trabalho desenvolvido na escola e ressaltou a importância da alimentação no ambiente educacional. “Quero agradecer à equipe gestora da Escola Padre Trindade pelo empenho, pela organização e pelo carinho com nossos alunos. E aos estudantes, meu agradecimento especial pelo acolhimento. É gratificante ver uma merenda de qualidade sendo servida com dedicação, contribuindo diretamente para o desenvolvimento e o aprendizado das nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
A merenda escolar integra uma das frentes de investimento da gestão municipal na educação, com foco na oferta de alimentação adequada, no suporte às equipes das escolas e no atendimento aos estudantes da rede pública. A visita à Escola Padre Trindade reforçou esse acompanhamento e o cuidado com o dia a dia das unidades de ensino do município.
Em uma edição especial, no Vale dos Buritis, o Jornal da Manhã, da Rádio Integração, recebeu o ex-governador Tião Viana e o advogado Virgílio Viana, de 23 anos, pré-candidato a deputado federal. A entrevista, conduzida por Chico Melo e Rogério Venceslau, colocou no centro da conversa a entrada de Virgílio na política, o peso do legado familiar, a saída de jovens do Acre, a falta de oportunidades e a disputa sobre o rumo do Estado nos últimos anos. A entrevista foi ao ar na manhã desta quinta-feira (28), em cadeia no Youtube e na 99,9 FM.
Logo na abertura, Chico Melo apresentou Tião como parte da história política do Acre e Virgílio como um jovem que tenta ocupar espaço em um momento de desgaste da política tradicional. Tião tratou a presença do filho como uma passagem entre gerações. Para ele, estar ao lado de Virgílio naquele cenário era “uma entrega do passado do Acre, dos últimos anos, do presente e entregando ao futuro uma oportunidade”. A frase resumiu o tom da entrevista: Virgílio não aparece apenas como filho de um ex-governador, mas como alguém que tenta transformar herança política em projeto próprio.
Virgílio negou que tenha sido empurrado para a disputa. Contou que a decisão nasceu de uma inquietação pessoal diante do que vê no Estado. “Eu tô muito incomodado com o cenário que eu vejo o Acre vivendo hoje”, disse. O pré-candidato afirmou que passou a sentir esse incômodo ao ver amigos, familiares e jovens de sua geração deixando o Acre em busca de oportunidade e qualidade de vida em outros lugares. Para ele, esse êxodo juvenil virou uma ferida aberta no Estado.
O ponto mais forte da fala de Virgílio foi a defesa de que o Acre precisa voltar a oferecer futuro para quem nasce, estuda e quer trabalhar aqui. Ele citou jovens que concluem o ensino médio, entram na universidade, formam-se e, depois, não encontram espaço no mercado. Disse que muitos acabam dependendo de algum arranjo em prefeitura, governo ou secretaria. Na avaliação dele, essa falta de caminho empurra parte da juventude para a frustração e, nos casos mais graves, para o crime. “Isso não pode ser o novo normal do Acre”, afirmou.
Tião Viana revelou que a decisão do filho não foi recebida de imediato com entusiasmo dentro de casa. Disse que, como pai, tentou convencê-lo a seguir outro caminho. Chamou o Congresso Nacional de ambiente contaminado por práticas ruins e afirmou que chegou a aconselhar Virgílio a atuar como advogado ou criar uma organização para ajudar pessoas fora da política. “Esse mundo tá podre”, disse Tião, ao lembrar a reação que teve quando ouviu do filho que ele queria disputar uma vaga de deputado federal.
Virgílio, porém, insistiu. O argumento que convenceu a família, segundo Tião, foi o de que o espaço público não pode ser abandonado. “Se não for pessoa boa pro parlamento, vão ficar só as ruins”, afirmou o ex-governador, ao reproduzir a fala do filho. A partir daí, disse que ele e a ex-primeira-dama Marlúcia Viana aceitaram acompanhar a caminhada. “Pai e mãe tão na chuva e no sol com filho que ama”, completou.
A entrevista também abriu espaço para Tião defender o legado de seus governos. Ele citou a integração da BR-364, investimentos em infraestrutura, saneamento, mecanização agrícola, saúde, educação e desenvolvimento regional. Disse que a estrada foi tratada como prioridade porque era a “espinha dorsal” do Acre. Na comparação com o cenário atual, afirmou que o Estado perdeu capacidade de investimento e passou a viver preso à folha de pagamento.
Na educação, Tião fez uma das críticas mais duras. Afirmou que o Acre chegou a ocupar a oitava posição no Brasil e a primeira na Amazônia durante sua gestão, mas hoje aparece em situação muito pior. Também citou a criação do curso de Medicina e a formação de jovens médicos no Estado. Ao falar da saúde, lembrou relatos de moradores de Feijó sobre a perda de estrutura hospitalar e a dificuldade de acesso a cirurgias e especialistas.
Virgílio tentou ligar essa memória administrativa ao presente. Disse que o Acre precisa recuperar prestígio em Brasília, buscar recursos federais, tratar emendas parlamentares com responsabilidade e priorizar áreas que cheguem à vida real das pessoas. Falou em agricultura familiar, cultura, esporte, programas sociais e políticas para a juventude. Para ele, cultura e esporte são “vacinas contra a criminalidade” e contra a falta de perspectiva.
A conversa também entrou no tema do desenvolvimento econômico. Tião defendeu industrialização, bioeconomia, produção de alimentos, uso inteligente da terra e valorização da floresta em pé. Virgílio reforçou a ideia com exemplos como granjas, suínos, açaí, cacau, café, cooperativas e produção rural em pequenas áreas. “O Acre pode se desenvolver, pode se industrializar de uma forma sustentável”, disse.
No campo político, Virgílio reconheceu que encontra uma juventude descrente e dividida pela polarização nacional. Defendeu o diálogo e citou programas federais como Pé-de-Meia, crédito para trabalhadores de aplicativo, Pronampe, Desenrola Brasil, reformas habitacionais e Vale Gás. Para ele, a política precisa sair da briga permanente e chegar ao cotidiano das famílias.
A imagem mais concreta usada por Virgílio foi a de uma criança de quatro anos, no bairro São Francisco, em Rio Branco, cozinhando em um fogão quebrado, com lenha, perto do igarapé. A lembrança serviu para amarrar o principal recado da entrevista: política não pode ser apenas disputa de poder, cargo ou sobrenome. Precisa chegar à casa de quem vive sem estrutura, ao jovem que quer ficar no Acre, ao produtor que precisa trabalhar e às famílias que não aguentam mais promessas distantes.
A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de maio, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 e fixa jornada de 40 horas semanais em cinco dias de trabalho, com dois de descanso. No primeiro turno, o placar foi de 472 votos a 22. No segundo, 461 deputados votaram a favor e 19 contra. O texto agora segue para análise do Senado.
A proposta prevê uma transição em duas etapas. Dois meses depois da promulgação, a jornada passa para 42 horas semanais, já com dois dias de repouso remunerado. Um ano depois, a carga cai para 40 horas, sem redução salarial. O texto também abre espaço para regras específicas em algumas carreiras e para contratos terceirizados ligados à administração pública.
Os oito deputados federais do Acre votaram a favor da proposta nos dois turnos: Antônia Lúcia, Coronel Ulysses, Eduardo Velloso, Meire Serafim, Roberto Duarte, Socorro Neri, Zé Adriano e Zezinho Barbary. Com isso, a bancada acreana fechou apoio integral à PEC nas duas votações realizadas no plenário.
A votação mostrou apoio amplo à proposta na Câmara, com os votos contrários concentrados em parlamentares de partidos que fizeram oposição ao texto e em dissidências de outras siglas. Com a aprovação dos deputados, a discussão passa agora ao Senado, que ainda precisará votar a PEC em dois turnos para que a mudança entre em vigor.
O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, recebeu nesta quarta-feira (27) lideranças da Associação dos Ministros Evangélicos do Acre para tratar da 30ª edição da Marcha para Jesus, marcada para sábado (30), na capital acreana. Durante o encontro, a comitiva formalizou o convite para que o prefeito participe da programação ao lado da esposa, de familiares e de secretários municipais.
A reunião contou com a presença do pastor Eldo Gama, presidente da entidade, e do apóstolo Edgar Araújo, coordenador da Marcha, além de outros pastores. O grupo esteve com o prefeito para alinhar a participação no evento religioso, que chega à 30ª edição em Rio Branco.
A programação terá concentração a partir das 15h, em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da cidade. Depois, os participantes seguirão em caminhada por ruas da capital. O encerramento também está previsto para o Palácio Rio Branco.
A edição deste ano terá show nacional do cantor gospel Thalles Roberto no fim da programação. A organização espera reunir milhares de fiéis em um ato público de fé, louvor, oração e comunhão.
A Marcha para Jesus integra o calendário de eventos religiosos da capital e deve mobilizar igrejas evangélicas, lideranças religiosas e moradores de diferentes regiões da cidade ao longo da tarde de sábado.
A Justiça Federal afastou cautelarmente o chefe da Unidade Técnica Local da Fundação Nacional dos Povos Indígenas em Feijó, no interior do Acre, após ação civil pública do Ministério Público Federal que aponta retenção de cartões bancários, controle irregular de benefícios previdenciários e exploração econômica de indígenas das etnias Ashaninka e Madijá/Kulina. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (27) e considerou que a permanência do servidor no cargo pode comprometer a proteção das comunidades e a credibilidade institucional da Funai.
O processo reúne relatos de práticas que, segundo a decisão, não seriam isoladas. As suspeitas envolvem comunidades marcadas por barreiras linguísticas, dificuldade de acesso ao sistema bancário e dependência da atuação estatal para obter direitos sociais básicos. Para a Justiça, manter o servidor em uma função estratégica da política indigenista federal pode ferir os princípios da moralidade e da legalidade administrativa.
A decisão também cita risco para a apuração dos fatos e para a proteção integral das comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade social, econômica e geográfica. O entendimento foi de que o afastamento é necessário para evitar a manutenção de um ambiente institucional incompatível com os deveres constitucionais de proteção aos povos indígenas.
O caso ainda resgata registros de suspeitas semelhantes desde 2012, com novos procedimentos em 2022 e 2024 ligados à estrutura administrativa da Funai em Feijó. Parte das investigações anteriores foi arquivada, mas a decisão menciona limitações logísticas, barreiras linguísticas e dificuldade de acesso às aldeias como fatores que dificultaram o aprofundamento das diligências. Neste mês de maio, a Justiça já havia imposto medidas cautelares a outras pessoas envolvidas em irregularidades do mesmo tipo.
Além do afastamento, a Justiça determinou a suspensão imediata da nomeação, proibiu nova designação do servidor para funções de direção, chefia ou assessoramento ligadas à política indigenista até o julgamento final da ação e ordenou a devolução, em 24 horas, de eventuais bens da Funai mantidos sob sua posse. O servidor também ficou proibido de acessar a unidade da fundação em Feijó enquanto durar a medida cautelar. A Funai terá cinco dias para cumprir a decisão, sob pena de multa diária. Cabe recurso.
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