Governo destina R$ 365 mil para Parada do Orgulho LGBTQIAPN+; eventos religiosos também receberam recursos em 2026

O Governo do Acre empenhou pelo menos R$ 364.999,91 para as comemorações dos 20 anos da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ do Acre, realizada em setembro, em Rio Branco. As despesas incluem R$ 335 mil para a contratação da cantora Gaby Amarantos e quase R$ 30 mil em estrutura de iluminação. Ao longo de 2026, o Estado também destinou recursos para eventos religiosos, como Marcha para Jesus, Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário de Nossa Senhora da Glória.

A maior despesa relacionada à Parada foi autorizada pela Fundação Elias Mansour (FEM) em 8 de setembro. O empenho nº 7173031741, de R$ 335 mil, cobre a contratação de Gaby Amarantos e de sua equipe para a programação dos 20 anos do evento. Desse total, R$ 167,5 mil já haviam sido liquidados e pagos até a última atualização da base consultada.

Outro empenho, de R$ 29.999,91, foi emitido em 1º de setembro para a Legalmart Serviço em Eventos. O contrato prevê a locação de equipamento de iluminação de grande porte para o palco utilizado na programação dos dias 11, 12 e 13 de setembro. O valor ainda não aparecia como liquidado ou pago.

Também foi registrado serviço de instalação e manutenção de iluminação especial na fachada do Palácio Rio Branco, com as cores do arco-íris, entre 1º e 13 de setembro. O serviço está relacionado às comemorações dos 20 anos da Parada, mas o lançamento aparece com valores zerados de empenho, liquidação e pagamento. Por esse motivo, ele não integra os R$ 364.999,91 contabilizados.

Os registros de 2026 mostram que outras programações culturais e religiosas também receberam recursos estaduais por meio de contratos, convênios, termos de fomento e emendas parlamentares.

Em maio, a FEM contratou por R$ 300 mil o cantor gospel Thalles Roberto para se apresentar na 30ª Marcha para Jesus de Rio Branco. O valor aparece integralmente empenhado, liquidado e pago.

Em 30 de junho, a Fundação empenhou e pagou R$ 500 mil ao Município de Xapuri por meio de convênio destinado à Semana Evangélica e à ExpoXapuri 2026. O recurso teve origem em emenda parlamentar do deputado Manoel Moraes. Como o convênio reúne os dois eventos no mesmo objeto, não é possível separar quanto dos R$ 500 mil corresponde especificamente à programação religiosa.

No dia seguinte, outro empenho, de R$ 73.080, foi emitido para a Life Show Produções para a locação de palco da XX Semana Evangélica de Xapuri. Na atualização analisada, a despesa ainda não havia sido liquidada nem paga.

Em julho, o governo empenhou R$ 300 mil para o Instituto Vida Plena realizar a segunda edição do Festival Gospel Day. O recurso veio de emenda parlamentar do deputado Marcus Cavalcante. O valor aparece integralmente liquidado, mas ainda sem pagamento registrado.

Os repasses também alcançaram eventos católicos. Em agosto, a Secretaria de Turismo e Empreendedorismo empenhou R$ 150 mil para a Diocese de Cruzeiro do Sul, por meio de termo de fomento, destinado a uma feira cultural relacionada ao 108º Novenário de Nossa Senhora da Glória.

A FEM destinou ainda R$ 50 mil à Diocese para programação vinculada ao mesmo Novenário e empenhou R$ 9.896,97 para uma apresentação musical na festa de encerramento. Os três registros somam R$ 209.896,97 em despesas empenhadas relacionadas à celebração.

Somados os principais registros referentes à Marcha para Jesus de Rio Branco, Semana Evangélica e ExpoXapuri, estrutura da Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário, os empenhos chegam a R$ 1.382.976,97. O total inclui os R$ 500 mil destinados conjuntamente à Semana Evangélica e à ExpoXapuri, sem divisão individual entre as duas programações.

Em Cruzeiro do Sul, porém, a Marcha para Jesus não foi realizada em 2026. A entidade responsável pela organização informou que não tinha condições financeiras e estruturais de promover o evento sem apoio estadual.

O Governo do Acre negou que a falta de repasse tivesse motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa apoio à Marcha para Jesus, foi cancelado pela Fundação Elias Mansour em 23 de junho por causa das restrições do período eleitoral, da falta de prazo para concluir o chamamento e de apontamentos de órgãos de controle.

A administração estadual também afirmou que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. Na ocasião, classificou a situação como uma “impossibilidade legal e administrativa de financiamento”.

Os registros de despesas ao longo do ano mostram que o Estado utilizou diferentes mecanismos administrativos para financiar ou estruturar eventos culturais e religiosos em diferentes municípios. Em setembro, o mesmo tipo de apoio alcançou a programação dos 20 anos da Parada do Orgulho em Rio Branco, com contratação artística e estrutura para o evento.

Foto: Juan Diaz/Contilnet

R$ 19,5 milhões! Investigação sobre contratos do Governo do Acre vira destaque nacional na VEJA

O Acre voltou ao noticiário nacional por suspeitas de irregularidades envolvendo dinheiro público. O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar possíveis fraudes na compra e no fornecimento de alimentos destinados à merenda escolar da rede estadual. A investigação tem como ponto central cerca de R$ 19,5 milhões em produtos cuja entrega não havia sido efetivamente comprovada em auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado.

O procedimento busca identificar pessoas e empresas envolvidas, verificar a existência de prejuízo aos cofres públicos e recuperar eventuais valores pagos de forma irregular. O caso teve origem no Ministério Público do Acre, mas foi encaminhado para a esfera federal devido à presença de recursos sob competência da União.

A apuração remonta a 2019. A auditoria examinou notas fiscais, recibos e guias de distribuição referentes à merenda escolar e encontrou R$ 19.595.282,01 sem comprovação efetiva de entrega até 27 de novembro daquele ano. Desse total, R$ 4.407.082,83 já haviam sido pagos. O restante aparecia no sistema financeiro estadual como empenhado ou liquidado, aguardando liberação.

Os problemas encontrados não se limitavam à documentação. A fiscalização registrou diferenças entre as quantidades informadas nas guias e aquilo que efetivamente chegava às escolas, inclusive com ausência total de determinados produtos. Também foram relatadas entregas de alimentos com qualidade inferior à prevista nos contratos.

O episódio deu origem à Operação Mitocôndria, deflagrada em 2020 para investigar suspeitas de fraude em licitações e desvios relacionados à alimentação dos estudantes. Seis anos depois, o caso continua produzindo desdobramentos e agora passa por nova apuração na esfera federal.

A retomada da investigação leva novamente o Acre às páginas do noticiário nacional em um tema que atinge diretamente um serviço básico oferecido a crianças e adolescentes. O dinheiro sob suspeita estava vinculado à alimentação escolar, destinada a estudantes que dependem da rede pública de ensino.

O caso também surge em um ano marcado por outras investigações de grande repercussão envolvendo recursos públicos no estado. Em julho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Talha Real para investigar contratos superiores a R$ 51 milhões envolvendo recursos federais da educação. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, houve bloqueio de bens e valores e seis empresas tiveram as atividades temporariamente suspensas.

Dois meses antes, em maio, o Superior Tribunal de Justiça condenou o ex-governador Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa em outro processo envolvendo contratos públicos. No dia seguinte, o STJ recebeu ainda outra denúncia contra o ex-governador relacionada a supostas fraudes e desvios em uma obra rodoviária.

O novo inquérito sobre a merenda escolar acrescenta mais um capítulo a uma sequência de casos que projetam o Acre nacionalmente por suspeitas e processos relacionados ao uso de recursos públicos. Caberá agora ao MPF aprofundar as apurações, individualizar responsabilidades e definir se existem elementos para buscar judicialmente a devolução de dinheiro aos cofres públicos.

Mãe relata ajuda de Alan Rick para conseguir tratamento fora do Acre para filha com cardiopatia

Quando Maria Isis começou a cansar para mamar e a respirar com dificuldade, Adriana já sabia que a cardiopatia descoberta ainda na maternidade exigia uma resposta rápida. A menina tinha pouco mais de dois meses quando foi internada e passou a depender de uma vaga fora do Acre para receber atendimento especializado. Neste domingo (13), a história voltou a público em um vídeo divulgado pelo candidato ao governo Alan Rick, no qual a mãe relata como procurou o então senador e conseguiu encaminhar a filha para tratamento em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Maria Isis nasceu aparentemente saudável. Antes de deixar a maternidade, uma pediatra percebeu um sopro durante a ausculta e pediu um ecocardiograma. O exame confirmou a cardiopatia congênita. A família recebeu alta e voltou para casa, mas a situação mudou poucas semanas depois. Com cerca de um mês, a criança passou a demonstrar cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando a gente internou, ela tinha dois meses e dezessete dias”, conta Adriana.

A partir da internação, começou a espera por uma vaga fora do estado. Adriana conta que a transferência era difícil porque o hospital que poderia receber a filha estava com a UTI lotada. Enquanto isso, Maria Isis permanecia internada no Acre. “A gente ficou no hospital dias e dias sem saber o que fazer”, afirma. Para a mãe, cada dia aumentava a preocupação porque a criança continuava respirando com dificuldade e precisava de atendimento que, segundo ela, não estava disponível no estado naquele momento.

Foi por meio de uma amiga que Adriana decidiu procurar Alan Rick. Ela havia ouvido relatos de famílias que buscaram ajuda do parlamentar para conseguir atendimento médico fora do Acre. Primeiro, passou a enviar vídeos da filha pelas redes sociais. Depois, conseguiu o número pessoal do então senador e mostrou como Maria Isis estava.

“Pedi, por favor, que ele nos ajudasse, que ajudasse a salvar a vida da minha filha, porque, se ela não viajasse, ela não tinha chances de vida aqui”, relembra.

O contato aconteceu durante a noite. Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, Alan Rick telefonou para Adriana e disse que tentaria falar diretamente com um hospital. Cerca de 15 minutos depois, segundo a mãe, veio uma nova ligação. “Adriana, a vaga da Maria já está garantida no hospital de São José do Rio Preto. Agora vocês corram com o TFD para que ela vá o quanto antes”, recorda.

Adriana afirma que ainda guarda o áudio enviado por Alan Rick naquele período, confirmando a vaga. A lembrança está ligada principalmente ao estado da filha nos dias de internação. No vídeo, ela descreve que Maria Isis fazia tanto esforço para respirar que o ombro subia próximo à cabeça. “Qual a outra pessoa que vai se compadecer de ver um vídeo como eu mandei para ele, um vídeo da minha filha respirando com muita dificuldade, e agir?”, questiona.

O relato também assume caráter político ao longo da gravação. Adriana elogia a atuação de Alan Rick e declara apoio à candidatura dele ao governo. “A gente vê ele se compadecendo do outro, tendo empatia, se colocando no lugar do outro”, diz. Ela afirma acreditar que uma eventual gestão do candidato poderia produzir mudanças na saúde e em outras áreas do Acre.

A publicação integra a comunicação eleitoral de Alan Rick e leva para a campanha uma experiência pessoal vivida durante o período em que ele exercia o mandato de senador. Na legenda, o candidato agradece a Adriana e Wanderley por permitirem que ele participe da história de Maria Isis e afirma que outras famílias também o procuram para compartilhar episódios semelhantes.

No caso de Adriana, a memória daquele período permanece concentrada na diferença entre descobrir a doença e conseguir chegar ao atendimento. Depois dos dias de internação, da espera por uma vaga e da busca por ajuda, é esse ponto que ela escolhe para encerrar o depoimento. “A minha filha hoje pode ter um tratamento, pode ter um diagnóstico e, depois do diagnóstico, vem o tratamento. Gratidão a Deus e a ele”, afirma.

A Herança Rejeitada e a Gestão das Pequenas Entregas: As Contradições de Mailza no Horário Nobre

O primeiro grande embate televisivo das Eleições de 2026, promovido pelo ac24horas, não serviu apenas para testar os nervos dos candidatos ao Palácio Rio Branco. Ele funcionou como um espelho de aumento, revelando as fraturas no discurso da atual governadora, Mailza Cameli. Pressionada pela estratégia conjunta de seus três adversários, a candidata à reeleição adotou uma narrativa de sobrevivência que, sob escrutínio, esbarra na sua própria certidão de nascimento político e na matemática de suas entregas.

O debate expôs duas fragilidades crônicas na campanha governista: a tentativa desesperada de amputar o passado recente e a exaltação de realizações minúsculas que, ironicamente, dependem de seus adversários ideológicos.

O Paradoxo da Vice que (Não) Estava Lá

A manobra mais arriscada de Mailza na noite foi a sua tentativa de desvincular-se do ex-governador Gladson Cameli, seu principal fiador político. Com Cameli encurralado por denúncias de corrupção, condenação no STJ e vendo sua candidatura ao Senado barrada pelo TRE-AC no mesmo dia do debate, a governadora tentou criar um cordão sanitário temporal ao redor de si mesma.

Sua defesa baseou-se em uma premissa no mínimo curiosa: “Eu só me responsabilizo pelo que eu faço a partir de abril”.

A frase é uma acrobacia retórica que ignora a história. Mailza não caiu de paraquedas no Palácio Rio Branco em abril de 2026. Ela é a essência da continuidade. Foi alçada ao Senado Federal justamente por ser a suplente de Gladson quando este assumiu o governo. Posteriormente, foi escolhida a dedo para compor a chapa como sua vice-governadora. Ela estava na sala de comando. Negar a continuidade de um governo do qual ela foi a “copilota” por anos não é apenas uma contradição; é subestimar a memória do eleitor. Como bem observaram os analistas logo após o embate: “Como é que a governadora não fazia parte da gestão, sendo que ela era vice?”.

Ao tentar se livrar do peso de Gladson para blindar sua imagem, Mailza nega suas próprias raízes, entregando aos adversários o flanco da incoerência.

A Cereja do Bolo: A Pequenez Habitacional e o Fator Lula

Se no campo político o discurso de Mailza patinou na própria trajetória, no campo administrativo a tentativa de demonstrar força revelou uma fraqueza ainda maior. A “cereja do bolo” da dissonância ocorreu quando a governadora puxou para si os holofotes ao falar de obras e infraestrutura, orgulhando-se da entrega de pouco mais de 200 casas populares.

Em um estado com um déficit habitacional histórico e crescente, ostentar a entrega de pouco mais de duas centenas de moradias não é um atestado de eficiência, mas uma admissão de letargia. É a celebração da pequenez.

Porém, a ironia que desmancha o discurso governista vai além do número irrisório. O fato inegável que a campanha de Mailza tenta omitir é que essas parcas 200 casas só saíram do papel ou ganharam tração depois de 2023. O motivo? O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e a retomada de programas federais de habitação.

Durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro — o “grande presidente da direita” que o grupo político de Mailza e Gladson abraçou fervorosamente —, o Acre foi deixado à míngua no quesito de novas habitações populares. O governo estadual, alinhado à gestão federal anterior, foi incapaz de entregar telhados por conta própria.

Agora, a candidata tenta capitalizar politicamente em cima de um número ínfimo de obras que só existem porque o governo federal, liderado pelo espectro político oposto, abriu os cofres.

O Saldo do Embate

O debate deixou claro que Mailza Cameli tenta caminhar sobre uma corda bamba narrativa. De um lado, quer os bônus de ser a máquina do governo, mas sem carregar o ônus da corrupção da gestão da qual foi vice. Do outro, acena para o eleitorado conservador enquanto sua vitrine de obras — por menor que seja — depende do oxigênio financeiro do governo Lula.

Na política, a sinceridade costuma ser a melhor vacina. Ao tentar reescrever sua ligação umbilical com Gladson Cameli e maquiar o DNA das poucas obras que tem para mostrar, Mailza não resolveu seus problemas no debate; ela apenas desenhou um alvo maior nas próprias costas para as próximas semanas de campanha.

Entenda! Relator afasta teses da defesa e sustenta inelegibilidade de Gladson por condenação no STJ

O voto do juiz Thalles Vinícius de Souza Sales, relator do registro de candidatura de Gladson Cameli ao Senado, construiu passo a passo a base jurídica que levou o Tribunal Regional Eleitoral do Acre a indeferir, por unanimidade, a candidatura nesta sexta-feira, 11. Ao enfrentar as teses levantadas pela defesa, o magistrado separou as condições formais de elegibilidade da causa que, para ele, impede Gladson de disputar o mandato neste momento: a condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

Thalles reconheceu que Gladson cumpriu os requisitos formais exigidos para concorrer ao Senado. O ex-governador tem nacionalidade brasileira, está no exercício dos direitos políticos, possui alistamento eleitoral, domicílio eleitoral no Acre, filiação partidária e a idade mínima necessária para o cargo. Nenhuma dessas condições provocou o indeferimento.

O problema jurídico apareceu em outro ponto do processo. Para o relator, a condenação de Gladson na Ação Penal nº 1.076/DF, julgada pela Corte Especial do STJ, criou uma causa de inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990.

Gladson foi condenado a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Como a decisão foi tomada por um órgão colegiado, Thalles entendeu que seus efeitos eleitorais começaram a existir a partir da própria condenação, sem necessidade de esperar o trânsito em julgado do processo criminal.

Foi sobre essa relação entre condenação colegiada e inelegibilidade que se concentrou uma das principais disputas jurídicas do registro.

A defesa sustentou que o julgamento originário no STJ colocava Gladson em uma situação diferente daquela em que uma pessoa é condenada inicialmente por um juiz e depois tem a sentença confirmada por um tribunal. Como o processo criminal começou no próprio Superior Tribunal de Justiça, em razão do foro por prerrogativa de função ligado ao cargo de governador, não houve um segundo julgamento ordinário do mérito por outra instância.

Thalles não acolheu o argumento.

Para o relator, o fato de a competência criminal ter começado no STJ não retira da condenação sua natureza colegiada nem impede a incidência da Lei da Ficha Limpa. Gladson foi julgado pela Corte Especial porque ocupava o cargo de governador e estava submetido ao foro previsto para esse tipo de autoridade. Essa circunstância, na compreensão apresentada ao plenário, não torna a decisão criminal menos apta a produzir consequências no campo eleitoral.

O raciocínio adotado por Thalles foi de que a legislação não condiciona a inelegibilidade à existência obrigatória de dois julgamentos de mérito em instâncias diferentes. O que importa, para a hipótese aplicada ao caso, é a existência de condenação criminal proferida por órgão colegiado em crimes alcançados pela legislação eleitoral.

A defesa também tentou levar ao TRE uma discussão mais profunda sobre a validade da própria condenação do STJ, principalmente depois de decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal envolvendo elementos da investigação.

Foi nesse ponto que Thalles estabeleceu uma das fronteiras mais rígidas de seu voto.

“A argumentação defensiva esbarra na absoluta incompetência formal e material da Justiça Eleitoral para exercer controle de legalidade, extensão ou juízo de valor sobre o mérito de decisões proferidas por outros ramos do Poder Judiciário”, registrou.

Na interpretação do relator, o processo de registro de candidatura não poderia se transformar em um novo julgamento da ação penal. Caberia ao TRE verificar a existência da decisão criminal e seus efeitos eleitorais, mas não decidir novamente se as provas eram válidas, se a condenação estava correta ou se os fundamentos usados pelo STJ deveriam prevalecer.

Thalles afirmou que a Justiça Eleitoral não poderia examinar “o acerto, o desacerto ou a fundamentação” da decisão tomada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.

A barreira usada pelo magistrado para impedir essa revisão foi a Súmula 41 do Tribunal Superior Eleitoral. O entendimento impede que a Justiça Eleitoral reveja decisões tomadas por outros órgãos do Judiciário quando essas decisões produzem efeitos capazes de gerar inelegibilidade.

Essa parte do voto atingiu diretamente a estratégia construída pela defesa a partir das decisões do Supremo.

Os advogados levaram ao processo o julgamento do HC nº 247.281, no qual o STF reconheceu irregularidades relacionadas a elementos utilizados na investigação, incluindo provas colhidas entre 25 de maio de 2020 e 12 de janeiro de 2021. A defesa também apontou a existência do HC nº 273.968, no qual busca uma decisão capaz de suspender efeitos da condenação que alcançou Gladson.

O relator não entrou no mérito sobre quanto essas decisões do Supremo podem ou não comprometer a condenação do STJ. Para ele, essa análise precisa ser feita pelas instâncias competentes no processo criminal, não pelo Tribunal Regional Eleitoral.

A diferença é central para compreender o voto.

Thalles não afirmou que uma futura decisão do Supremo seja incapaz de alterar a situação eleitoral de Gladson. O que afirmou foi que essa mudança ainda precisaria existir concretamente para produzir efeito no processo de registro.

Foi por essa razão que ele também rejeitou o pedido da defesa para que o julgamento da candidatura ficasse suspenso até que o STF decidisse sobre a liminar solicitada no HC nº 273.968.

A defesa pretendia ganhar tempo dentro do processo eleitoral para aguardar uma eventual decisão do Supremo capaz de suspender os efeitos da condenação. Thalles entendeu que o TRE não poderia interromper o calendário eleitoral baseado em uma decisão futura cuja concessão era incerta.

“Não se revela necessário aguardar o julgamento da liminar no HC 273.968”, escreveu.

O relator vinculou essa posição ao calendário das eleições de 2026. Os processos de registro precisam avançar dentro de prazos próprios e, no caso das instâncias ordinárias, o voto apontou 14 de setembro como limite para a conclusão dos julgamentos.

A Justiça Eleitoral, nessa leitura, precisava decidir com aquilo que existia juridicamente no momento do julgamento. E, nesta sexta-feira, a realidade encontrada pelo relator era uma condenação colegiada em vigor.

Thalles construiu então uma divisão temporal que percorreu o restante do voto.

Existe a situação jurídica de agora e existe aquilo que pode acontecer depois.

Agora, Gladson possui contra si uma condenação criminal colegiada que, no entendimento do relator, produz inelegibilidade. No futuro, uma decisão do Supremo, do próprio STJ ou de outra instância competente pode suspender, modificar ou retirar os efeitos dessa condenação.

Se isso acontecer dentro do período em que a legislação permite a consideração de fatos posteriores, a nova situação poderá ser levada ao processo eleitoral.

Essa possibilidade foi reconhecida pelo próprio relator.

O que Thalles recusou foi a ideia de conceder o registro agora com base na expectativa de que Gladson consiga uma decisão favorável mais adiante. O voto rejeitou a construção de uma espécie de registro preventivo ou condicionado a um acontecimento que ainda não ocorreu.

A Justiça Eleitoral, para o relator, não poderia tratar como realidade jurídica uma decisão que o Supremo ainda não tomou.

Esse raciocínio permitiu que Thalles reconhecesse, ao mesmo tempo, duas situações aparentemente contraditórias: Gladson está inelegível no cenário examinado pelo TRE, mas essa condição pode mudar se surgir uma decisão judicial posterior capaz de afastar o impedimento antes do momento limite admitido pela legislação eleitoral.

Antes de chegar ao mérito da inelegibilidade, o relator também enfrentou questões processuais apresentadas pela defesa.

Uma delas envolvia a redistribuição do processo para sua relatoria. Os advogados questionaram a forma como o caso chegou ao gabinete de Thalles, mas o magistrado entendeu que a discussão havia sido apresentada fora do momento adequado.

Para ele, a contestação deveria ter ocorrido anteriormente, inclusive nos processos ligados ao Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, o DRAP. Como a coligação não questionou a redistribuição naquele momento, a matéria ficou alcançada pela preclusão, impedindo que a discussão fosse reaberta posteriormente no registro individual.

O voto também examinou a notícia de inelegibilidade apresentada pelo cidadão Joaquim Pedro de Morais Filho.

Thalles decidiu não conhecer a manifestação porque não havia comprovação de que o autor se encontrava no pleno exercício dos direitos políticos, requisito necessário para esse tipo de provocação à Justiça Eleitoral.

A retirada dessa manifestação, porém, não alterou o rumo do processo.

A Procuradoria Regional Eleitoral havia ajuizado uma Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura fundamentada na mesma condenação imposta pelo STJ. Era essa ação que mantinha de pé a controvérsia sobre a inelegibilidade e que acabou julgada procedente.

Ao chegar à conclusão, Thalles organizou o caso de forma objetiva: Gladson cumpriu as condições formais para disputar o Senado, mas carrega uma causa de inelegibilidade que, nesta sexta-feira, continuava produzindo efeitos.

A condenação de 6 de maio tornou-se, assim, a linha divisória de todo o voto.

O relator considerou procedente a impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral e votou pelo indeferimento do registro. Os demais integrantes do TRE acompanharam a fundamentação e formaram a unanimidade.

A decisão, porém, não significa que todas as portas jurídicas tenham sido fechadas para Gladson.

O próprio voto admite que uma alteração posterior da situação jurídica pode ser apresentada à Justiça Eleitoral. Se uma decisão competente suspender ou afastar a causa de inelegibilidade dentro do período permitido pela legislação, o cenário poderá ser revisto.

Também permanece a possibilidade de recurso contra a decisão do TRE.

Enquanto a discussão estiver pendente nas instâncias eleitorais e o registro permanecer sub judice, Gladson poderá continuar praticando atos de campanha nos limites previstos pela legislação. O indeferimento desta sexta-feira resolveu a situação existente diante do Tribunal Regional Eleitoral, não necessariamente a última palavra sobre a candidatura.

O núcleo do voto de Thalles está justamente nessa distinção.

O TRE não decidiu antecipadamente o que o Supremo fará. Também não revisou a condenação do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal julgou a candidatura a partir de uma fotografia jurídica tirada nesta sexta-feira, 11 de setembro: havia uma condenação criminal colegiada em vigor e nenhuma decisão capaz de suspender seus efeitos eleitorais.

Se essa fotografia mudar, Gladson poderá tentar mudar também o destino do registro.

Até lá, permanece de pé a conclusão que uniu os integrantes do TRE do Acre: a condenação imposta pela Corte Especial do STJ produziu, no momento da análise da candidatura, a causa de inelegibilidade que impediu o deferimento do registro ao Senado.

Prefeitura leva serviços de recuperação viária e limpeza ao bairro Isaura Parente, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco realizou nesta sexta-feira (11) serviços de recuperação viária, tapa-buracos, limpeza e manutenção da infraestrutura na Rua Thaumaturgo Filho, no bairro Isaura Parente. As ações fazem parte do programa Prefeitura nas Ruas, que concentra equipes em diferentes regiões da capital para atender demandas apresentadas pelos moradores.

O prefeito Alysson Bestene acompanhou os trabalhos na comunidade e afirmou que as equipes municipais atuam conforme um cronograma que inclui intervenções em vias públicas, pavimentação, roçagem e limpeza urbana.

“Temos buscado atender dentro da nossa capacidade. Sabemos que são muitas comunidades e muitos bairros, por isso mantemos equipes espalhadas pela cidade, principalmente nas ações de tapa-buraco, pavimentação, limpeza e roçagem”, afirmou.

Bestene disse ainda que os serviços serão mantidos ao longo do ano, inclusive durante o período de chuvas. “Vamos continuar trabalhando, seja no inverno ou no verão, sempre próximos das pessoas, colocando em primeiro lugar quem mais precisa”, declarou.

Morador do Isaura Parente há 35 anos, Mariano Tavares afirmou que a Rua Thaumaturgo Filho não recebia uma intervenção de maior porte havia cerca de duas décadas. Segundo ele, a última mudança significativa ocorreu durante a implantação da rede de esgoto e saneamento na região.

“Há cerca de 20 anos não tinha uma melhoria aqui. A última grande intervenção foi a implantação da rede de esgoto e saneamento. Agora estamos vendo a rua recebendo atenção, e isso é muito importante para os moradores”, disse.

A Rua Thaumaturgo Filho também passou a receber maior fluxo de veículos depois da abertura de novos acessos na região. A mudança transformou a via em corredor de passagem e aumentou a necessidade de manutenção do pavimento e da infraestrutura urbana.

“Essa rua é tradicional, tem moradores antigos e uma história muito importante. É muito bom ver essa melhoria acontecendo, porque valoriza a comunidade e traz mais qualidade de vida para todos”, afirmou Mariano.

Servidora citada em denúncia contra Mailza recebeu R$ 10,4 mil em diárias; viagens incluem Brasília, Rio e Cruzeiro do Sul

Eryclis Feitosa Sá da Silva, servidora comissionada citada em uma representação do Republicanos contra a governadora do Acre, Mailza Assis (PP), aparece em cinco pagamentos de diárias entre 2023 e 2026 que somam R$ 10.457,23. Os registros incluem deslocamentos para Cruzeiro do Sul, Brasília e Rio de Janeiro, além de uma viagem classificada apenas como “evento institucional”, sem destino informado no histórico da despesa.

Os pagamentos foram feitos por três estruturas diferentes do governo estadual ao longo do período: Gabinete do Vice-Governador, Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e Secretaria de Estado da Casa Civil. Todos os cinco empenhos constam como liquidados e pagos.

O lançamento mais recente é de 20 de julho de 2026, no valor de R$ 1.153. A despesa foi paga pela Casa Civil e corresponde a duas diárias para deslocamento a Cruzeiro do Sul. O histórico informa que Eryclis ocupava cargo em comissão no Gabinete da Governadora e que a viagem tinha como finalidade “assessorar a governadora em agenda institucional no Festival Atsa Puyanawa”.

Há uma inconsistência de data no próprio registro desse pagamento. O empenho foi emitido em 20 de julho de 2026 e o processo administrativo também traz 2026 na numeração, mas o histórico da despesa registra o deslocamento nos dias 18 e 19 de julho de 2016.

Em 2025, Eryclis recebeu três pagamentos de diárias, que juntos chegaram a R$ 7.729,86. O primeiro, de R$ 1.288,12, foi destinado a uma viagem a Cruzeiro do Sul entre 10 e 14 de março. A descrição informa que o objetivo era realizar “atendimento presencial para resolução de demandas individuais de servidores”.

O segundo pagamento daquele ano foi de R$ 3.220,87 para uma viagem a Brasília, entre 15 e 19 de junho. A justificativa registrada foi a participação no Encontro Nacional de Gestão de Pessoas do Sipec 2025, evento relacionado aos 55 anos de criação do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.

Outros R$ 3.220,87 foram pagos para um deslocamento ao Rio de Janeiro entre 23 e 27 de setembro de 2025. Nesse caso, foram concedidas quatro diárias e meia para participação em curso sobre eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb voltado a órgãos públicos.

O registro mais antigo do levantamento é de setembro de 2023. Eryclis recebeu R$ 1.574,37 pelo Gabinete do Vice-Governador por um deslocamento realizado entre 27 de agosto e 1º de setembro daquele ano. A descrição informa apenas “evento institucional” e não especifica a cidade ou o estado de destino.

Os registros de diárias não comprovam, por si só, as acusações feitas pelo Republicanos. As despesas apresentam justificativas de atividades institucionais e precisam ser analisadas separadamente da representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC).

A repercussão sobre Eryclis ganhou dimensão nacional após reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 10 de setembro. O Republicanos acusa Mailza de utilizar a servidora comissionada para atividades particulares relacionadas à família da governadora. A representação foi protocolada no TCE-AC em 9 de setembro.

Entre os elementos apresentados pelo partido está um cadastro de acesso a um condomínio no qual Eryclis aparece identificada como “prestador”, com a descrição de “motorista das crianças”. O Republicanos também apresentou registros de entradas e saídas e afirma que a servidora teria realizado atividades domésticas e atuado como motorista dos filhos de Mailza durante períodos que coincidiriam com o expediente público.

O partido pediu que o Tribunal de Contas apure os fatos, obtenha documentos funcionais, folhas de ponto e controles de acesso e levante os valores pagos pelo Estado para verificar a existência de eventual dano ao erário. Mailza, o marido, Madson Cameli, e Eryclis estão entre os nomes citados na representação.

O governo do Acre negou que servidores tenham sido utilizados para atividades particulares da governadora ou de familiares. A Casa Civil afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi transformado oficialmente em residência governamental por decreto de junho de 2025 e necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional. Também declarou que a função atribuída a Eryclis no cadastro privado do condomínio não foi criada nem validada pelo Estado.

Estudante de medicina critica saúde do Acre e cobra providências de Mailza após atendimento de tio

A estudante de medicina Aline Bruna fez um desabafo nas redes sociais nesta quarta-feira (9) para criticar as condições de atendimento na saúde pública do Acre e cobrar providências da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação ocorreu durante o atendimento de um tio dela na rede pública. Horas depois, a estudante informou que o familiar, identificado como João Gomes de Souza, morreu.

No relato, Aline afirmou estar indignada com a assistência prestada ao tio e disse que decidiu tornar o caso público por considerar que outros pacientes também podem enfrentar dificuldades semelhantes. “Não queiram precisar da saúde pública do Acre”, declarou.

A estudante direcionou parte das críticas à governadora e afirmou que não desejaria que familiares de Mailza passassem pela mesma situação enfrentada pelo tio. “Espero muito que ela nunca tenha que precisar da saúde, seja tratada igual meu tio está sendo tratado. Espero muito que a família dela não precise”, disse.

Aline também cobrou a administração da Secretaria de Estado de Saúde do Acre e questionou a capacidade de pessoas que ocupam cargos na estrutura pública. Durante a gravação, alegou que indicações e relações pessoais teriam influência no preenchimento de funções na gestão.

“Pelo que parece, o nosso secretário de Saúde não entende nada de saúde, igual vários cargos que estão sendo ocupados. Não têm capacidade de administrar as coisas, mas sim por conhecer as pessoas certas. Indicação, amizade abre portas”, afirmou.

A estudante também fez acusações de natureza política contra a gestão estadual e mencionou suposto uso de dinheiro público com finalidade eleitoral. Aline não apresentou documentos ou outros elementos que comprovassem essas afirmações durante o desabafo. As declarações, portanto, são acusações feitas por ela e não fatos comprovados.

Ao longo da manifestação, Aline insistiu que a cobrança não estava limitada ao caso de sua família. “Estou lutando por um direito que é nosso. Não é só com meu tio. Eu quero que a saúde, em geral, melhore”, declarou.

Ela afirmou ainda acreditar que outras pessoas já enfrentaram problemas na rede estadual, mas não levaram os relatos ao conhecimento público. “O tanto de gente que já sofreu ali e não veio colocar a cara a tapa aqui que nem eu vim. Eu tenho coragem”, disse.

No encerramento do vídeo, a estudante voltou a cobrar mudanças na condução da saúde pública. “Eu não quero que isso aconteça com ninguém, porque ninguém merece passar por isso. Reveja o que você está fazendo. Reveja o seu papel”, afirmou.

Depois do desabafo, Aline voltou às redes sociais e comunicou a morte do tio. “Gente, meu tio veio a óbito”, escreveu. Uma nota de falecimento divulgada posteriormente identificou o homem como João Gomes de Souza e informou que o velório seria realizado na Comunidade Jesus de Nazaré, na Rua Seis de Agosto, em Rio Branco.

As publicações disponibilizadas pela família não informam a causa da morte. Também não há, até o momento, elementos que permitam estabelecer relação direta entre o óbito e as condições de atendimento criticadas pela estudante.

Alan Rick relaciona suspensão de tornozeleiras a feminicídio em Rio Branco

O senador e candidato ao governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), usou seu programa eleitoral desta quarta-feira, 9 de setembro, para cobrar explicações sobre a suspensão do monitoramento eletrônico de presos e relacionar a interrupção do serviço ao feminicídio de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, em Rio Branco. O principal suspeito do assassinato cumpria pena no regime semiaberto e usava tornozeleira eletrônica. A manifestação levou ao debate eleitoral a crise no sistema, que ficou fora do ar por falta de pagamento no início do mês.

A cobrança de Alan Rick ocorre em meio aos questionamentos sobre a responsabilidade do Estado pela continuidade do serviço. O monitoramento eletrônico é utilizado para acompanhar pessoas submetidas a medidas judiciais e também integra a proteção de mulheres em situação de violência doméstica. A suspensão atingiu tanto o rastreamento de presos quanto equipamentos vinculados a medidas protetivas, como a Unidade Portátil de Rastreamento (UPR) e o botão do pânico.

O Integração Net já havia mostrado, em reportagem publicada no dia 6 de setembro, que o assassinato de Maria Ramona ocorreu em meio à crise do monitoramento eletrônico e que o Estado acumulava quase R$ 3,9 milhões em serviços liquidados, mas sem pagamento registrado. A apuração também tratou da situação do principal suspeito, que usava tornozeleira enquanto cumpria pena no semiaberto e passou a ser procurado pela polícia depois do crime.

O serviço ficou suspenso a partir do meio-dia de 1º de setembro, permaneceu fora de operação durante o dia 2 e foi restabelecido na manhã de 3 de setembro. A interrupção ocorreu após a empresa Spacecomm Monitoramento S/A notificar o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) sobre uma pendência financeira referente a abril. A dívida que motivou a paralisação foi estimada em aproximadamente R$ 900 mil.

A situação financeira do contrato, porém, alcançava valores maiores. Cinco empenhos emitidos pelo Iapen entre maio e agosto somavam R$ 5.060.627,34. Desse total, R$ 3.897.579,33 haviam sido liquidados, enquanto os campos de pagamento permaneciam zerados nos registros consultados. A liquidação é a etapa em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado e que existe uma obrigação a pagar. Os valores, portanto, não correspondiam apenas a despesas previstas para o futuro.

Entre os registros analisados, o maior empenho foi emitido em 13 de maio, no valor de R$ 2.767.631,51, para o monitoramento de reeducandos por tornozeleiras entre abril e junho. Todo o montante havia sido liquidado, sem pagamento registrado. Outro empenho, de R$ 49.965,17, destinava-se ao acompanhamento de pessoas protegidas por medidas cautelares da Lei Maria da Penha, com UPR e botão do pânico. Desse valor, R$ 49.964,27 haviam sido liquidados, também sem pagamento registrado.

A paralisação foi registrada em comunicações internas do Iapen. O Memorando nº 232/2026/IAPEN-DME, da Divisão de Monitoramento Eletrônico, tratou da ausência de cobertura dos monitorados e das vítimas que utilizam UPR durante a suspensão. O Memorando nº 447/2026/IAPEN-DIPLAG, da Diretoria de Planejamento, abordou a gravidade da interrupção para mulheres protegidas pelo sistema.

A morte de Maria Ramona ampliou os questionamentos sobre as consequências da falha. O homem apontado como principal suspeito teria rompido a tornozeleira e fugido depois do assassinato. Ainda não foi esclarecido se a interrupção atingiu especificamente o acompanhamento dele, quando ocorreu a última transmissão de localização ou se a central recebeu algum alerta relacionado ao rompimento.

Jorge Viana acompanha obras na Estrada do Aeroporto e reafirma compromisso com as BRs 364 e 317

Ex-governador destaca retomada dos investimentos federais e afirma que quer atuar no Senado para garantir recursos permanentes às duas principais rodovias do Acre

O candidato ao Senado Jorge Viana acompanhou esta semana o andamento das obras de recuperação da BR-364, no trecho da Estrada do Aeroporto, em Rio Branco, e reafirmou que a infraestrutura rodoviária será uma de suas prioridades caso seja eleito. Durante a visita, ele destacou os investimentos realizados pelo Governo Federal nos últimos anos e defendeu uma solução permanente para as BRs 364 e 317, consideradas fundamentais para a integração territorial e o desenvolvimento econômico do Acre.

Jorge lembrou que as condições das duas rodovias ocuparam grande espaço no noticiário nos últimos anos e atribuiu a deterioração das estradas à falta de investimentos e de manutenção adequada.

“A BR-364 e a BR-317 ficaram muito no noticiário nos últimos anos, mas a verdade é uma só: por puro abandono. Nem o Governo do Estado cuidou, nem aqueles que tiveram oportunidade de ajudar, inclusive ocupando posições importantes no Congresso Nacional. O certo é que a BR-364 quase acabou”, afirmou.

Segundo Jorge, a diferença no volume de recursos destinados à rodovia demonstra a retomada da atenção do Governo Federal para a infraestrutura acreana. Ele ressaltou que, enquanto no governo federal anterior foram destinados cerca de R$ 230 milhões à BR-364 ao longo de quatro anos, nos últimos três anos os investimentos e recursos liberados para a recuperação da estrada já ultrapassam R$ 1,2 bilhão.

“Agora a estrada está recebendo um tratamento definitivo. O que eu estou defendendo é que a gente encontre uma solução para que essa estrada saia da pauta dos maus políticos e fique como aquilo que ela realmente é: a espinha dorsal da infraestrutura do Acre”, declarou.

Articulação por recursos mesmo sem mandato

Durante a visita à Estrada do Aeroporto, Jorge destacou que, mesmo sem exercer atualmente mandato parlamentar, participou das articulações em Brasília para assegurar investimentos nas rodovias acreanas. Ele citou reuniões com o então ministro dos Transportes Renan Filho e com o atual ministro George Santoro.

Entre as intervenções mencionadas está justamente o trecho entre Rio Branco e o aeroporto, onde Jorge acompanhou o andamento dos serviços. Segundo ele, estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões na recuperação do segmento, com a utilização de macadame, uma camada de aproximadamente 25 a 30 centímetros de pedra utilizada como base para aumentar a resistência da pavimentação.

Jorge também recordou que esse trecho da rodovia foi executado durante seu período como governador do Acre e ressaltou a importância de realizar agora uma intervenção mais duradoura.

“Mesmo sem ter mandato, fui atrás. Estive com o ministro Renan Filho e depois com o ministro George Santoro, e garantimos recursos para fazer esse trecho de Rio Branco até o aeroporto de forma definitiva. Só nele estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões”, disse.

De acordo com Jorge, aproximadamente 60 quilômetros da BR-364 já receberam serviços com essa técnica. Ele destacou ainda a previsão de licitação para intervenções em mais de 100 quilômetros entre Sena Madureira e a região posterior a Manoel Urbano, além da recuperação, pelo atual Governo Federal, de cerca de 120 pontos da rodovia que apresentavam problemas de desmoronamento.

“Quero ser senador para cuidar dessas duas estradas”

Jorge afirmou que pretende transformar a atenção permanente às BRs 364 e 317 em uma das prioridades de seu eventual mandato. Para ele, as duas rodovias precisam deixar de depender de ações emergenciais e passar a contar com planejamento, manutenção e recursos contínuos.

“Eu quero ser senador para cuidar dessas duas estradas: da divisa do Acre com Rondônia até Cruzeiro do Sul, pela BR-364, e da divisa com o Amazonas até Assis Brasil, pela BR-317, que é a nossa Estrada do Pacífico. Esse é um dos desafios que me motivam a ser senador”, afirmou.

O candidato também fez críticas ao uso político dos problemas enfrentados nas rodovias e disse que pretende trabalhar para que a precariedade das estradas não volte a ser uma realidade recorrente para a população.

“Vamos acabar com essa história de políticos ganharem eleição às custas da desgraça do povo acreano e da falta de apoio para a infraestrutura. O melhor jeito de fazer isso é ter alguém que faça um trabalho sério”, declarou.

Jorge acrescentou que já tratou do assunto diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou ter recebido do presidente o compromisso de manutenção dos investimentos necessários às rodovias acreanas.

“O presidente Lula já me garantiu que vai assegurar os recursos para que a estrada nunca mais volte a viver o drama que viveu nos últimos anos. É esse trabalho que quero fazer no Senado: garantir recursos, acompanhar as obras e cuidar para que a BR-364 e a BR-317 sejam tratadas como infraestrutura permanente e estratégica para o futuro do Acre”, concluiu.

Assessoria