Jornalistas repudiam empurrões e ameaças durante convenção do Avança Acre

Veículos de comunicação e jornalistas divulgaram nesta terça-feira (4) uma nota de repúdio contra a organização da coletiva de imprensa realizada durante a convenção da coligação Avança Acre. Os profissionais acusam assessores de mídias sociais, seguranças e funcionários da produtora responsável pelo evento de empurrar repórteres, derrubar microfones e agir de forma agressiva durante a cobertura.

Os jornalistas haviam sido convidados pela própria organização para acompanhar a convenção. Durante o evento, integrantes das equipes responsáveis pelo controle do espaço também teriam ameaçado cancelar a programação diante dos conflitos com os profissionais de imprensa.

A manifestação conjunta afirma que a cobertura de um evento político não coloca jornalistas em posição de subordinação às assessorias. O grupo defende que os profissionais precisam ter condições de trabalhar e informar a população sem sofrer intimidações ou restrições impostas pela organização.

Assinaram a nota os veículos Folha do Acre, Portal Acre, Notícias da Hora, O Alto Acre e F5 News Acre. Também aderiram ao documento os jornalistas Saimo Martins, Fredson Camargo, Leônidas Badaró, Alessandro Silva, Matheus Melo, Del Pinheiro, Kauã Lucca, Matheus Aguiar e Aikon Vítor.

Os signatários cobraram uma mudança imediata nos protocolos adotados pela coligação durante eventos políticos. O pedido inclui garantias de que novas situações de empurrões, ameaças e desrespeito ao trabalho jornalístico não vão ocorrer.

“A imprensa que dialoga diariamente com a população não pode ser tratada como obstáculo, e sim como parte essencial do processo democrático”, afirma um trecho da manifestação.

Confira a nota completa:

A organização da coletiva de imprensa da coligação “Avança Acre” tratou os profissionais de comunicação que ela mesma convidou com um desrespeito inaceitável durante a convenção realizada neste terça-feira (4). Um contingente de assessores de mídias sociais, seguranças e funcionários da produtora contratada pela coligação empurrou jornalistas, derrubou microfones e agiu de forma agressiva, chegando a ameaçar o cancelamento do próprio evento.

O episódio expõe uma tentativa de rebaixar a imprensa a uma posição de subserviência que ela jamais deveria ocupar. O jornalismo não está ali para obedecer a protocolos impostos por assessorias, mas para cumprir sua função de informar a sociedade. Cobrir um evento a convite de uma organização não significa aceitar ser tratado com desconsideração por quem deveria, no mínimo, respeitar o trabalho da imprensa.

O Folha do Acre, Portal Acre,Notícias da Hora, O Alto Acre, F5 News Acre, Alerta Cidade, os jornalistas Saimo Martins, Fredson Camargo,Leônidas Badaró, Alessandro Silva, Matheus Melo, Del Pinheiro, Kauã Lucca, Matheus Aguiar, Aikon Vítor, repudiam veementemente essa conduta e não se submeterão a esse tipo de tratamento. Cobramos da coligação “Avança Acre” uma revisão imediata de sua postura e de seus protocolos de organização de eventos, com garantias claras de que episódios como esse não se repetirão. A imprensa que dialoga diariamente com a população não pode ser tratada como obstáculo, e sim como parte essencial do processo democrático.

Saúde funciona no ponto facultativo em Cruzeiro do Sul

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul vai manter unidades de saúde e a Central Única de Medicamentos em funcionamento nesta sexta-feira (7), durante o ponto facultativo adotado nas repartições municipais. A mudança no expediente ocorre em alusão ao início da Revolução Acreana e foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 270/2026.

A Unidade de Saúde Francisco Ary da Silveira, no bairro Cruzeirão, atenderá das 7h às 17h. Na Unidade de Saúde Francisco Pereira Dantas, localizada no Igarapé Preto, o atendimento será realizado das 7h às 12h.

A Central Única de Medicamentos, no Centro, também funcionará das 7h às 12h para a entrega de remédios aos pacientes. Os demais órgãos municipais terão o expediente suspenso durante o ponto facultativo.

A manutenção dos serviços busca garantir o atendimento básico e o acesso da população aos medicamentos durante a interrupção das atividades administrativas.

Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Prefeitura e Polícia Civil ampliam uso de 450 câmeras em investigações em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco e a Polícia Civil do Acre assinaram nesta terça-feira, 4 de agosto, um termo de cooperação técnica para integrar o sistema municipal de videomonitoramento às investigações criminais e às buscas por pessoas desaparecidas na capital. O acordo amplia as ações do programa Rio Branco Mais Segura, que mantém 450 câmeras instaladas em pontos estratégicos da cidade.

A parceria prevê o compartilhamento de dados e imagens entre o município e a Polícia Civil. O material poderá ser usado para identificar suspeitos, esclarecer crimes, acompanhar ocorrências e reduzir o tempo de resposta em casos de desaparecimento.

O sistema de videomonitoramento já auxiliou na realização de 57 prisões, de acordo com dados apresentados durante a assinatura do acordo. O prefeito Alysson Bestene afirmou que a integração vai ampliar o apoio tecnológico oferecido às forças de segurança.

“Temos investido em tecnologia e inovação para colaborar com a segurança pública. Agora, com essa cooperação técnica, vamos fortalecer ainda mais o trabalho de investigação e ampliar o apoio na busca por pessoas desaparecidas”, disse o prefeito.

O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin, afirmou que o acesso mais rápido às informações poderá aumentar as chances de localização de desaparecidos e oferecer respostas em menos tempo às famílias.

“Vamos atuar em conjunto para fortalecer as ações de busca por pessoas desaparecidas, oferecendo uma resposta mais eficiente às famílias que enfrentam esse tipo de situação”, declarou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação, Coronel Bino, disse que o compartilhamento de tecnologias e bancos de dados também poderá ajudar em investigações que envolvam outros estados e regiões de fronteira.

O termo com a Polícia Civil é o segundo acordo firmado pela Prefeitura de Rio Branco na área de segurança pública em 2026. Em 31 de março, o município assinou uma cooperação com a Polícia Federal para o uso de tecnologia de reconhecimento facial.

Casamento coletivo em Feijó abre 100 vagas; inscrições seguem até 21 de agosto

Casais de Feijó que não têm condições financeiras de pagar pelos procedimentos do casamento civil podem se inscrever, até 21 de agosto, para uma das 100 vagas do casamento coletivo promovido pelo Tribunal de Justiça do Acre. O atendimento ocorre das 8h às 16h, no Cartório de Feijó, localizado na Avenida Plácido de Castro, nº 515, no Centro.

A cerimônia será realizada no dia 28 de agosto, às 10h, na quadra poliesportiva da Escola Estadual José Gurgel Rabelo, na Rua João Ambrósio Taveira, nº 80, bairro Cidade Nova. Todos os atos necessários para a formalização das uniões serão custeados pelo TJAC.

Para fazer a inscrição, noivos solteiros precisam apresentar certidão de nascimento original, legível e sem rasuras, comprovante de endereço, RG e CPF, além das cópias dos documentos pessoais.

Pessoas divorciadas devem levar a certidão de casamento com a averbação do divórcio, cópia do processo ou da sentença na parte referente à divisão dos bens, comprovante de endereço, RG e CPF. As certidões apresentadas devem ter sido emitidas ou atualizadas há, no máximo, seis meses.

Noivos com idade entre 16 e 18 anos incompletos precisam comparecer com os pais ou responsáveis, que também devem apresentar RG e CPF. Em caso de falecimento dos responsáveis, será exigida a certidão de óbito. Quando os pais não puderem comparecer, o consentimento deverá ser entregue por escrito.

O casamento coletivo integra a programação do Projeto Cidadão em Feijó. A iniciativa também vai oferecer serviços gratuitos à população, como emissão da Carteira de Identidade Nacional e do CPF, segunda via de certidões de nascimento e casamento, orientação jurídica, atualização de cadastros em programas sociais, regularização fundiária e acesso a crédito rural.

Bocalom propõe reconhecimento facial nos 22 municípios e parceria com a PF contra facções no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) defendeu a ampliação do reconhecimento facial, a integração com a Polícia Federal e o reaparelhamento das forças de segurança durante sabatina ao ContilNet Notícias. A proposta busca conter o avanço das facções criminosas e do narcotráfico em um estado que faz fronteira com Peru e Bolívia.

Bocalom afirmou que o combate ao crime organizado precisa combinar monitoramento tecnológico, inteligência policial e ações integradas entre órgãos estaduais e federais. Para ele, a localização geográfica do Acre facilita a entrada de drogas e exige medidas que vão além do policiamento tradicional.

“Aqui o problema é que está na divisa com o Peru e com a Bolívia, então é muita droga que passa. Não fica tão difícil quando a gente começa a usar a inteligência e câmeras de reconhecimento facial para ajudar”, afirmou.

O pré-candidato citou o sistema instalado durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco como modelo para uma eventual administração estadual. Segundo Bocalom, mais de 400 câmeras foram implantadas na região central da capital, com capacidade para auxiliar na identificação de suspeitos e no acompanhamento de ocorrências.

“Rio Branco foi o primeiro município do Brasil a assinar um termo de parceria com a Polícia Federal para fazer segurança pública. Queremos continuar com esse trabalho no estado inteiro, em todos os municípios, com câmeras de reconhecimento facial para inibir o crime”, disse.

Bocalom também defendeu investimentos na estrutura das polícias Militar e Civil, com equipamentos, capacitação e insumos para treinamentos regulares. Ele criticou a falta de munição para exercícios de preparação dos agentes e afirmou que o problema compromete a atuação das corporações.

“Nós precisamos dar as condições para que a Polícia Militar possa trabalhar tranquila, que não deixe faltar, por exemplo, munição. Policial militar me reclamou que passa mais de ano sem treinar porque não tem munição para fazer o treinamento. Isso não pode acontecer. A gente precisa da nossa polícia toda treinada e preparada para enfrentar o problema”, afirmou.

Com informações da Contilnet

Melissa Sampaio e Paloma Sales reagem a vídeo de Michelle Melo e cobram coerência na defesa das mulheres

Manifestações foram publicadas após deputada abordar caso de violência inserido no debate político; Melissa afirma que sua história não pode ser reduzida a uma disputa partidária

Melissa Sampaio e a influenciadora digital acreana Paloma Sales se manifestaram, nesta terça-feira, 4, em resposta a um vídeo publicado pela deputada estadual Michelle Melo. Nas declarações, as duas defendem que mulheres que ocupam cargos públicos podem ser questionadas sobre seus posicionamentos e cobram coerência na defesa das vítimas de violência.

Melissa, que afirma ter sofrido agressões e aguardar há anos uma resposta da Justiça, publicou uma série de comentários diretamente na postagem da parlamentar. Ela declarou que decidiu se manifestar como mulher, mãe e, principalmente, como a pessoa que teria vivido os fatos discutidos publicamente.

“Faço isso como mulher, como mãe e, principalmente, como a vítima desta história. Uma vítima que, há anos, aguarda uma resposta da Justiça e que não pode permanecer em silêncio diante de um debate que, mais uma vez, parece esquecer quem realmente sofreu a violência”, escreveu.

A manifestação ocorreu após Michelle defender, conforme mencionado pelas duas mulheres, que nenhuma mulher deveria ser responsabilizada pelos atos praticados por outra pessoa. Melissa concordou com essa premissa, mas afirmou que esse nunca foi o centro do questionamento.

“Concordo que nenhuma mulher deva responder pelos atos de outra pessoa. Esse nunca foi o ponto. Toda mulher merece respeito. Mas também é preciso lembrar quem é a verdadeira vítima deste caso: a vítima é quem sofreu as agressões, foi silenciada, convive até hoje com as consequências da violência e continua aguardando uma resposta da Justiça”, declarou.

Melissa também cobrou uma postura mais firme da deputada em relação às mulheres que denunciam violência e aguardam decisões judiciais. Segundo ela, a cobrança feita a agentes públicos não representa tentativa de responsabilizar uma mulher pelos atos de terceiros.

“Quem representa o povo precisa, sim, ser cobrado. Isso não significa responsabilizar uma mulher pelos atos de outra pessoa. Significa exigir coerência de quem ocupa um cargo público e se propõe a representar toda a sociedade, especialmente quando se trata da defesa das mulheres”, afirmou.

Em um dos trechos mais diretos, Melissa declarou que a defesa das mulheres não pode depender de conveniências ou alianças.

“A defesa das mulheres não pode ser seletiva, nem variar conforme o contexto político”, escreveu.

Melissa diz que história foi inserida no debate político

Na continuação da manifestação, Melissa afirmou que seu caso não deveria ser transformado em instrumento de disputa partidária. No entanto, declarou que, depois de sua história ter sido inserida nesse ambiente, também passou a ter o direito de apresentar publicamente sua versão.

“O meu caso não pode ser reduzido a um discurso político. Nunca foi minha intenção politizar a minha história. Mas, a partir do momento em que ela passou a ser utilizada em um contexto político, também não posso abrir mão do direito de me manifestar no mesmo contexto e apresentar a perspectiva de quem viveu os fatos”, disse.

Melissa afirmou ainda que existem vídeos divulgados pela imprensa nos quais, segundo ela, o acusado teria admitido uma agressão. Também declarou que os episódios não teriam ocorrido uma única vez, mas ao longo do relacionamento. As afirmações são apresentadas por Melissa como parte de seu relato e permanecem relacionadas a um caso cuja resposta judicial, segundo ela, ainda é aguardada.

“Trata-se da minha vida, da violência que sofri e da Justiça que continuo aguardando”, afirmou.

Ao final, Melissa criticou eventuais questionamentos sobre o momento em que decidiu apresentar a denúncia. Para ela, a análise deve se concentrar nos fatos relatados, e não na conduta da pessoa que denuncia.

“O que precisa ser analisado é o crime que foi cometido, e não os motivos que levaram a vítima a denunciar. O tempo da denúncia não apaga os fatos, não elimina a violência e não retira da vítima o direito de buscar Justiça quando encontra forças para romper o silêncio”, escreveu.

“Minha luta nunca foi política. Sempre foi por justiça”, concluiu.

Paloma Sales questiona posicionamento da deputada

A influenciadora e maquiadora Paloma Sales também publicou um vídeo em resposta à deputada. Ela iniciou destacando os índices de violência contra a mulher no Acre e afirmou que o tema não pode ser adiado ou tratado apenas como parte de uma disputa política.

Paloma defendeu que a presença de mulheres na política é necessária, mas ponderou que ocupar um cargo público não impede cobranças ou questionamentos por parte da sociedade.

“Ocupar um lugar de poder não é escudo contra questionamento. Pelo contrário. Justamente porque uma mulher na política está carregando sonhos e direitos de tantas outras mulheres, ela precisa responder pelo que defende. Quem representa, presta conta”, afirmou.

A influenciadora também declarou que questionar uma agente pública sobre suas posições não representa machismo.

“Questionar uma mulher sobre o que ela apoia ou não não é machismo. É um direito de qualquer cidadão, com ou sem partido”, disse.

Segundo Paloma, ninguém estaria tentando atribuir a uma mulher a responsabilidade direta por atos praticados por outra pessoa. O questionamento, de acordo com ela, está relacionado ao posicionamento adotado diante de uma denúncia de violência.

“Quem defende a pauta das mulheres não pode ser conivente com a violência. E ser conivente também é uma forma de violência. Silenciar é uma forma de violência”, declarou.

Na legenda da publicação, Paloma resumiu sua crítica:

“Quem escolhe ignorar a violência contra a mulher não pode dizer que luta por todas. Não é porque não foi julgado que não foi violência.”

Ao final do vídeo, a influenciadora dirigiu uma pergunta à deputada Michelle Melo.

“O seu discurso é para realmente defender as mulheres ou é por conveniência política?”, questionou.

Grupo Integração manifesta solidariedade ao Alerta Cidade após atentado

Nota assinada pelo jornalista Chico Melo repudia violência contra a imprensa e cobra investigação rigorosa para identificar os responsáveis

O Grupo Integração manifestou solidariedade ao jornalista Iám Arábar e aos profissionais do Alerta Cidade após o atentado registrado contra o veículo de comunicação em Rio Branco. A nota, assinada pelo jornalista Chico Melo, classifica o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa e defende uma investigação rápida e transparente.

Segundo as informações divulgadas pelo próprio Alerta Cidade, o ataque passou a ser tratado como uma possível tentativa de intimidação contra o trabalho desenvolvido pelo veículo. Iám Arábar também se pronunciunciou publicamente sobre o caso e afirmou que a equipe continuará exercendo sua atividade jornalística.

Na manifestação, o Grupo Integração destacou que atos de violência contra jornalistas não atingem apenas os profissionais diretamente envolvidos, mas também prejudicam o direito da população de receber informações.

“Toda forma de violência, intimidação ou tentativa de silenciar o trabalho da imprensa representa uma ameaça não apenas aos jornalistas, mas ao direito da sociedade de ser informada”, afirma a nota.

O documento também ressalta que divergências relacionadas ao conteúdo publicado por veículos de comunicação devem ser tratadas pelos meios legais, sem ameaças ou agressões.

“Em uma democracia, divergências devem ser enfrentadas com diálogo e dentro dos limites da lei, jamais por meio da violência”, acrescenta o Grupo Integração.

Iám afirma que trabalho continuará

Após o episódio, Iám Arábar divulgou uma manifestação nas redes sociais e falou sobre a situação enfrentada pela equipe. O jornalista defendeu a continuidade do trabalho do Alerta Cidade e pediu que as autoridades esclareçam as circunstâncias do atentado.

O caso ocorre em um período marcado por denúncias de violência e constrangimentos contra profissionais da comunicação no Acre. Em julho, o jornalista Chico Melo, da Rádio Integração, foi agredido dentro de sua residência, em Cruzeiro do Sul, por quatro homens armados.

Pela proximidade entre os episódios, representantes da imprensa e autoridades políticas passaram a cobrar medidas de proteção aos jornalistas. Até o momento, contudo, não existe confirmação de ligação entre o atentado envolvendo o Alerta Cidade e a agressão sofrida por Chico Melo. Os casos devem ser investigados separadamente pelas autoridades.

Na nota, Chico Melo e o Grupo Integração solicitaram que os responsáveis pelo ataque ao Alerta Cidade sejam identificados e responsabilizados.

“Também reiteramos a importância de uma investigação rápida, rigorosa e transparente para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados, garantindo que fatos como esse não se repitam”, diz outro trecho.

O Grupo Integração encerrou a manifestação reafirmando o compromisso com a democracia, a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo.

“Neste momento, nos unimos em solidariedade aos colegas do Alerta Cidade, reafirmando nosso compromisso com a liberdade de imprensa, a democracia e o livre exercício do jornalismo”, conclui a nota assinada por Chico Melo.

Confira a nota completa:
Nota de Solidariedade

O Grupo Integração manifesta sua solidariedade ao jornalista Iám Arábar, à equipe do Alerta Cidade e a todos os profissionais do veículo diante do atentado registrado contra a sede da empresa de comunicação.

Toda forma de violência, intimidação ou tentativa de silenciar o trabalho da imprensa representa uma ameaça não apenas aos jornalistas, mas ao direito da sociedade de ser informada. Em uma democracia, divergências devem ser enfrentadas com diálogo e dentro dos limites da lei, jamais por meio da violência.

Também reiteramos a importância de uma investigação rápida, rigorosa e transparente para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados, garantindo que fatos como esse não se repitam.

Neste momento, nos unimos em solidariedade aos colegas do Alerta Cidade, reafirmando nosso compromisso com a liberdade de imprensa, a democracia e o livre exercício do jornalismo.

Chico Melo
Em nome do Grupo Integração

Edvaldo Magalhães diz que ataque a Chico Melo ameaça democracia e levanta hipótese de crime político

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) saiu em defesa da democracia e da liberdade de imprensa ao comentar a agressão sofrida pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzeiro do Sul, em 22 de julho. Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (4), o parlamentar afirmou que o caso pode ter motivação política e relacionou o episódio à atuação jornalística desenvolvida pelo comunicador.

Segundo Edvaldo, a agressão não ocorreu por causa das opiniões pessoais do jornalista, mas pela cobertura de temas considerados sensíveis envolvendo o governo estadual. O deputado citou reportagens e entrevistas exibidas pela emissora sobre denúncias de violência doméstica envolvendo Melissa Sampaio, supostas irregularidades nos pagamentos da Expoacre Juruá, dispensas de licitação e contratações diretas.

“Mas por que cometeram essa agressão ao jornalista Chico Melo? Não foi porque estava a rezar um terço no programa Jornal da Manhã. Foi porque a editoria daquela rádio resolveu abordar assuntos proibidos por gente do poder”, afirmou.

O parlamentar também disse que o Acre não registrava um episódio dessa gravidade contra profissionais da imprensa havia cerca de três décadas. Ao relembrar o período do chamado “Esquadrão da Morte”, Edvaldo mencionou casos de intimidação e violência contra jornalistas que denunciavam crimes e irregularidades.

“Passavam mais de três décadas que um episódio dessa gravidade não havia ocorrido. Pressões e intimidações existiram ao longo dos anos, mas a violência e a ameaça à vida tinham cessado desde que aquelas práticas foram combatidas”, declarou.

Na avaliação do deputado, ataques contra jornalistas representam uma ameaça direta ao regime democrático e à liberdade de expressão. Ele afirmou que o Parlamento não pode permanecer em silêncio diante de episódios dessa natureza.

“Quando um jornalista é atacado, toda a democracia é exposta à violência. Esta tribuna não pode se calar, porque, se isso acontecer, todos seremos coniventes com a violência política, com a intimidação e com a ameaça à vida”, disse.

Edvaldo Magalhães ainda afirmou que, em Cruzeiro do Sul, haveria conhecimento sobre os possíveis envolvidos e as motivações da agressão. Sem citar nomes, declarou que não aceita qualquer forma de intimidação praticada por agentes ligados ao poder e defendeu a continuidade do trabalho jornalístico diante de tentativas de silenciamento.