Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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MDB oficializa Jéssica Sales como vice de Mailza e homologa candidaturas no Acre

O MDB oficializou, na manhã deste sábado (25), em convenção realizada na sede estadual do partido, em Rio Branco, a candidatura da ex-deputada federal Jéssica Sales a vice-governadora na chapa liderada pela governadora Mailza Assis, do Progressistas. O encontro também homologou os candidatos da legenda à Assembleia Legislativa do Acre e à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.

A convenção reuniu dirigentes partidários, filiados, militantes, candidatos e representantes de partidos aliados. Mailza participou do evento ao lado de Jéssica e defendeu a aliança entre Progressistas e MDB como base do projeto de reeleição ao governo estadual.

A composição forma uma chapa majoritária exclusivamente feminina na disputa pelo Governo do Acre. Durante o evento, Mailza afirmou que a aliança busca ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão política. “Duas mulheres, e nós estamos de coração aberto, felizes para essa batalha”, declarou.

Jéssica Sales agradeceu o apoio recebido desde que aceitou integrar a chapa e afirmou que a união não ficará restrita às duas candidatas. “Não vai ser só uma fotografia entre eu e Mailza”, disse, ao defender uma campanha próxima dos moradores dos municípios acreanos.

A ex-deputada também respondeu às críticas de que suas decisões políticas seriam conduzidas pelo pai, o presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales. Jéssica afirmou que construiu uma trajetória própria durante os oito anos em que exerceu mandato na Câmara dos Deputados e que a decisão de disputar a vice-governadoria partiu de suas convicções pessoais.

Entre os nomes oficializados para a Câmara dos Deputados estão o ex-deputado estadual Ney Amorim, o ex-reitor da Universidade Federal do Acre Minoru Kinpara e o deputado estadual Pedro Longo. Ney classificou a convenção como a largada da mobilização eleitoral do partido, enquanto Minoru apresentou a experiência nas áreas de educação, cultura e gestão pública como base de sua candidatura. Pedro Longo afirmou que pretende levar ao Congresso pautas relacionadas à realidade econômica, social e ambiental do Acre.

Para a Assembleia Legislativa, um dos nomes confirmados foi o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre. Pela primeira vez candidato a um cargo proporcional, ele classificou a nova disputa como um recomeço na carreira política e afirmou que pretende percorrer os municípios durante a campanha.

O MDB trabalha com a meta de eleger entre dois e três deputados federais e pelo menos quatro deputados estaduais. A convenção deste sábado consolidou a entrada da legenda na aliança governista e preparou o partido para a disputa marcada para 4 de outubro.

Com informações: A Gazeta do Acre

Ele decide por ela: Vagner Sales e o desejo do poder por procuração

Na política, às vezes, o silêncio diz tanto quanto os discursos. Nos últimos dias, o nome de Jéssica Sales voltou ao centro das discussões após a indicação do MDB para compor, como vice, a chapa encabeçada por Mailza Assis. Mas uma pergunta permanece sem resposta:

Por onde anda Jéssica?

Desde a derrota na eleição municipal de 2024, em Cruzeiro do Sul, Jéssica praticamente desapareceu do debate político acreano. Morando em Brasília, não protagonizou a articulação que culminou em sua indicação como vice de Mailza Assis. Pelo contrário, de forma discreta, chegou a externar insatisfação com a condução do processo.

Com sua ausência, quem ocupou esse espaço foi Vagner Sales, seu pai, principal articulador e mentor político.

Foi Vagner quem concedeu entrevistas, participou das negociações e esteve presente até mesmo no anúncio da composição da chapa, em um encontro marcado justamente pela ausência da própria pré-candidata a vice.

Um simbolismo difícil de ignorar.

Mais do que apresentar Jéssica, Vagner parece falar por ela. Em suas declarações, alterna críticas aos adversários, revive disputas antigas e se coloca, de forma controversa, como intérprete exclusivo da vontade política do Juruá. Nesse roteiro, Jéssica acaba ocupando um papel secundário em uma história que deveria ser protagonizada por ela. O pano de fundo parece ser outro: não estão em primeiro plano os interesses de Jéssica, do MDB ou do Juruá, mas os do próprio Vagner.

O desafio da candidata não será apenas conquistar a confiança de setores do PP, onde sua chegada desperta resistências. Será, sobretudo, demonstrar que possui voz própria, autonomia política e capacidade de conduzir o próprio destino, sem permanecer à sombra do capital político e do desgaste acumulado por seu pai.

Em eleições, procurações têm valor jurídico. Na política, porém, o eleitor costuma preferir ouvir a voz do candidato, e não a de quem fala em seu nome. Se já foi difícil para Jéssica enfrentar uma disputa na cidade onde nasceu e construiu sua trajetória política, o desafio de percorrer todo o Acre se apresenta ainda maior. E ele começa por uma tarefa essencial: fazer com que sua própria voz seja ouvida.

Zequinha manda recado e expõe ruídos na pré-campanha de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, entrou no centro da pré-campanha ao governo do Acre nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma mensagem enviada por seu assessor de imprensa, Paulo de Sá, à coluna do Crica. O recado afastou rumores de traição à governadora Mailza Assis, mas também cobrou uma correção de rumo dentro do próprio grupo governista.

“Prefeito Zequinha tem partido, tem lado e já tratou diretamente com a governadora Mailza Assis. Não iremos ficar martelando isso todos os dias”, escreveu Paulo de Sá. A frase surgiu em meio a especulações sobre uma possível aproximação de Zequinha com o senador Alan Rick, adversário direto de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A mensagem, porém, foi além da defesa pessoal. O assessor criticou pessoas próximas à governadora que, segundo ele, “vivem de fofocas” e deveriam “rever a metodologia adotada na pré-campanha, porque os números das pesquisas mostram que algo precisa ser corrigido”. Com isso, Zequinha deixou claro que permanece no barco de Mailza, mas não aceita ser tratado como suspeito enquanto a campanha enfrenta dificuldades para crescer.

Cruzeiro do Sul tem peso decisivo nesse tabuleiro. Maior cidade do interior e centro político do Juruá, o município não pode ser tratado como detalhe por nenhuma candidatura competitiva ao governo. Quando o prefeito da cidade precisa reafirmar lealdade em público, o problema já não é apenas boato. É sinal de que a base governista ainda busca unidade, comando e comunicação mais eficiente.

A cobrança nasce em um momento delicado. Pesquisa Veritá divulgada em maio colocou Alan Rick à frente, com Mailza em segundo lugar e Tião Bocalom em terceiro. Mesmo com a estrutura do governo e o apoio do grupo de Gladson Cameli, a governadora ainda tenta transformar presença institucional em força eleitoral nas ruas.

O recado de Paulo de Sá também conversa com uma crítica recorrente nos bastidores: Mailza precisa ser mais presente junto ao eleitor comum, menos presa à agenda oficial e mais próxima dos bairros, ramais, mercados e lideranças locais. No Acre, campanha não se vence apenas com fotografia de gabinete. O eleitor quer ver presença, escuta e resposta.

O episódio também se conecta à movimentação de Jéssica Sales, que descartou ser vice e passou a tratar o Senado como prioridade caso Gladson Cameli não consiga disputar. Essa posição mexe diretamente na composição da chapa governista e aumenta o peso político de lideranças como Zequinha na sustentação regional de Mailza.

No fim, a mensagem do assessor não foi apenas uma nota de fidelidade. Foi uma advertência. Zequinha reafirmou lado, mas cobrou respeito e estratégia. Para Mailza, o aviso é claro: antes de procurar traidores dentro da base, a pré-campanha precisa corrigir método, organizar aliados e encontrar o eleitor fora dos corredores do poder.

Foto: Felipe Freire/Secom

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado”, afirma Jéssica Sales

Jéssica Sales fecha porta para ser vice de Mailza e avisa que mira o Senado

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado.” A frase da ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) caiu como um recado direto no meio das articulações políticas para a eleição deste ano no Acre. Em entrevista ao Blog do Crica, do ac24h, nesta terça-feira, 26, Jéssica afastou a possibilidade de ser candidata a vice-governadora na chapa da governadora Mailza Assis (PP) e deixou claro que seu projeto político não passa por uma vaga secundária.

A declaração desmonta uma das especulações que circulavam nos bastidores sobre a montagem da chapa governista. Jéssica não apenas negou a possibilidade de ser vice de Mailza, como reforçou que entrou no debate eleitoral olhando para o Senado.

“Se o Gladson não puder ser candidato ao Senado, eu entro na disputa”, afirmou.

A ex-deputada condiciona sua candidatura ao Senado ao futuro político do ex-governador Gladson Cameli, de quem é prima. Mas, ao mesmo tempo, se coloca como herdeira natural de uma eventual vaga deixada por ele na disputa majoritária.

“Entendo que sou a única candidata raiz do Vale do Juruá, que preencheria com honra a vaga do meu primo Gladson. Tenho serviço prestado em todos os municípios do Acre, principalmente, na nossa região do Juruá. Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado. Eu desde o início me coloquei como pré-candidata ao Senado”, declarou.

Na prática, Jéssica mandou dois recados em uma só fala. O primeiro: não aceita ser puxada para uma composição como vice. O segundo: se Gladson ficar fora da disputa, ela quer ser tratada como nome real para o Senado, e não como peça de acomodação partidária.

“Só não entrarei na disputa se o meu primo Gladson sair, e sinceramente espero que tudo dê certo para ele, pois me sentiria representada e realizada”, disse.

Caso Gladson seja candidato ao Senado, Jéssica admitiu outro caminho: disputar novamente uma vaga de deputada federal.

“Se acontecer este cenário, quem sabe não disputaria uma vaga de deputada federal!”, afirmou.

A fala chega em um momento de movimentação intensa nos bastidores. Com Mailza buscando consolidar sua chapa e lideranças tentando ocupar espaços estratégicos, a manifestação de Jéssica reduz a margem para especulação e cria um problema político para quem contava com seu nome como alternativa de composição.

A ex-deputada também rebateu críticas sobre sua ausência do debate público. Disse que não sumiu, mas que segue trabalhando como médica.

“As pessoas maldosas ficam postando que sumi. Crica, eu trabalho praticamente de domingo a domingo. Ganho por plantões realizados no Santa Juliana. Toda segunda eu viajo, eu mesmo dirijo para Sena Madureira, para atender gestantes do pré-natal de alto risco”, afirmou.

Em outro trecho, Jéssica elevou o tom e fez questão de destacar sua independência política e financeira.

“Não sou filhinha de papai que ganha sem trabalhar, ou tem cargo, não suporto pensar em ser sustentada ou receber sem trabalhar. Na minha cabeça isso é impossível de acontecer. Graças a Deus tenho saúde para trabalhar. Quem pede favor a político, um dia será cobrado ou ficará amarrado, dizendo amém, amém… eu sou independente, graças a Deus, e não me encaixo nisso. Sou livre e sempre serei”, declarou.

Com a declaração, Jéssica Sales sai do silêncio, nega o papel de vice, coloca pressão sobre o tabuleiro governista e reafirma que, se entrar no jogo, será para disputar espaço de protagonismo. Para quem esperava vê-la acomodada em uma chapa, o recado foi curto e direto: vice, não.