O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, afirmou neste sábado, 18, em Senador Guiomard, que a população “sabe quem trabalha e não gosta de perseguição”, durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Gomes a deputado estadual. O ato também marcou a mudança de rumo político da prefeita Rosana Gomes, que deixou o Progressistas, partido da governadora Mailza Assis, e oficializou apoio ao projeto de oposição liderado por Alan.
No discurso, Alan defendeu transparência na aplicação de recursos públicos e afirmou que obras e investimentos realizados no Acre tiveram participação de seu mandato no Senado. Ele citou o viaduto em Rio Branco, o Hospital Ary Rodrigues, no Quinari, viaturas e equipamentos destinados às forças de segurança. “O povo tem o direito de saber a origem desses investimentos”, disse.
O senador também associou o momento político em Senador Guiomard à decisão de Rosana Gomes de deixar o PP e se filiar ao Republicanos. Segundo Alan, o município passou a receber menos atenção do governo estadual depois que a prefeita declarou apoio à sua pré-candidatura. “Quem mais perde quando a política entra na frente do interesse público é a população”, afirmou.
A saída de Rosana do Progressistas aprofunda o desgaste entre o grupo político da prefeita e a base governista no Acre. O PP é a legenda da governadora Mailza Assis, que assumiu o comando do Estado em abril, após a renúncia de Gladson Cameli para disputar o Senado em 2026. Ao migrar para o Republicanos, Rosana deixa o campo político da governadora e reforça o palanque de Alan Rick em um município com peso simbólico para a disputa estadual.
Rosana justificou a troca de partido com críticas à relação do governo com Senador Guiomard. A prefeita afirmou que o Quinari vem sendo deixado de lado em investimentos desde 2022 e disse que a mudança partidária foi tomada em defesa do município. “O Quinari quer político de verdade, que tem posicionamento. Ele merece respeito”, afirmou.
O lançamento da pré-candidatura de Eduardo Gomes também funcionou como demonstração de força do grupo local. Filho de Rosana Gomes e do ex-prefeito James Gomes, Eduardo busca uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026 apoiado por lideranças municipais e estaduais alinhadas à oposição. Para Alan Rick, a candidatura representa a continuidade de um grupo político com presença consolidada em Senador Guiomard.
O evento reuniu a prefeita Rosana Gomes, o ex-prefeito James Gomes, o senador Sérgio Petecão, o deputado federal Roberto Duarte, vice-prefeitos de municípios do Baixo Acre, vereadores e lideranças locais. No palanque, Alan afirmou que pretende manter diálogo com prefeitos e vereadores independentemente de posição partidária e disse que o cidadão não deve ser prejudicado por disputas políticas.
A movimentação em Senador Guiomard ocorre em meio à reorganização das forças políticas para a eleição de 2026. De um lado, Mailza Assis tenta consolidar a base herdada do governo Gladson Cameli dentro do Progressistas. De outro, Alan Rick avança sobre municípios estratégicos e busca ampliar apoios de prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais para fortalecer sua pré-candidatura ao governo.
A Prefeitura de Cruzeiro do Sul lançou no sábado, 18, a programação do 9º Festival da Farinha, que será realizado de 26 a 29 de agosto, no Complexo Esportivo. A edição de 2026 terá shows nacionais de Mari Fernandez, na abertura, e Klessinha, no encerramento, além de ações voltadas à agricultura familiar, à cadeia produtiva da mandioca e aos empreendedores locais.
O evento foi apresentado durante um café da manhã com a presença do prefeito Zequinha Lima, secretários municipais, vereadores, autoridades e parceiros. A programação reúne atrações culturais, feira de negócios, concurso para escolha do Rei e da Rainha do Festival da Farinha, espaços de exposição e atividades ligadas à produção rural.
Zequinha Lima afirmou que o festival vai além da agenda de shows e tem como foco a valorização dos produtores. “Somos a Capital Nacional da Farinha e fazemos questão de mostrar isso ao mundo. O festival é uma grande vitrine para os nossos produtores, que apresentam a melhor farinha, a tapioca, o beiju e tantos outros derivados produzidos aqui. Além disso, movimenta hotéis, restaurantes, transporte e fortalece toda a economia local”, disse.
Uma das novidades da edição será o Espaço do Café, criado para produtores e empreendedores da cafeicultura. A área vai reunir produtos, tecnologias e soluções ligadas ao setor, que vem ganhando espaço na economia regional. “A boa tapioca combina com um bom café, e hoje Cruzeiro do Sul também produz cafés reconhecidos pela qualidade. Por isso, estamos abrindo esse espaço para fortalecer mais uma cadeia produtiva que cresce na nossa região”, afirmou o prefeito.
O festival também terá participação de artistas locais. Foram registradas 69 inscrições no credenciamento artístico, entre cantores, bandas, DJs e grupos de dança. O concurso do Rei e da Rainha terá 23 candidatos, sendo 12 concorrentes ao título de rei e 11 ao de rainha.
Na área produtiva, a programação vai apresentar modelos de produção da mandioca, desde casas de farinha tradicionais até unidades automatizadas. A proposta é aproximar produtores de tecnologias que possam ampliar a produtividade e reduzir custos. Mais de 50 produtores estarão diretamente envolvidos nas atividades, além de cooperativas, instituições parceiras e expositores da agricultura familiar.
O secretário municipal de Agricultura, Nildson Moura, afirmou que o festival fortalece a Rota da Mandioca e a economia regional. “Nossa meta é agregar valor ao trabalho do produtor, incentivar novas tecnologias e fortalecer ainda mais a Rota da Mandioca, que coloca Cruzeiro do Sul como referência nacional”, disse.
A feira de negócios terá 150 expositores, 35 a mais que no ano anterior. Os espaços serão ocupados por empreendedores dos segmentos de alimentação, artesanato, bioeconomia, plantas ornamentais e produtos regionais. Os participantes também passaram por capacitações em boas práticas de manipulação de alimentos e fabricação.
A programação inclui ainda o Estacionamento Criativo. O cadastro será aberto para moradores interessados em disponibilizar vagas em suas residências durante os dias do festival. Os imóveis passarão por vistoria da Secretaria Municipal de Trânsito e, se aprovados, receberão identificação oficial para atender moradores e turistas.
Os shows nacionais confirmados serão realizados em dois dias da programação. Mari Fernandez se apresenta em 26 de agosto, na abertura do festival, e Klessinha sobe ao palco em 29 de agosto, no encerramento.
A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”
A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.
Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”
Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”
As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”
Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”
Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”
Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”
Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.
Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”
Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”
Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.
A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta sexta-feira (17) a recomposição da frota do transporte coletivo após uma decisão judicial em Brasília autorizar a liberação de ônibus retirados de circulação por causa de uma disputa contratual entre empresas privadas. A medida permitiu o retorno inicial de 28 veículos da Ricco Transportes e abriu caminho para a normalização gradual do serviço nos próximos dias.
A crise começou com a retirada de ônibus do sistema em meio ao impasse empresarial, situação que reduziu a oferta de veículos nas linhas da capital e afetou trabalhadores, estudantes e demais usuários. Com o risco de agravamento no atendimento à população, a Prefeitura acionou a Procuradoria-Geral do Município para atuar no processo e buscar uma saída judicial que garantisse a continuidade do transporte coletivo.
A liberação ocorreu depois de negociação conduzida pela PGM. Para viabilizar o retorno dos veículos, o Município atendeu a um pedido da concessionária Ricco Transportes para antecipação de parte de créditos contratuais e fez um depósito judicial de R$ 2,895 milhões, valor aceito pela Justiça para liberar a frota enquanto a disputa entre as empresas segue em análise.
Com a decisão, 28 ônibus começaram a ser reincorporados ao sistema ainda na sexta-feira. A previsão era de que a normalização avançasse de forma gradual até segunda-feira, com a volta da frota liberada às ruas. O superintendente da RBTrans, Marcos Roberto da Silva Coutinho, afirmou que a orientação do prefeito Alysson Bestene foi montar uma equipe emergencial para acompanhar a crise e preservar o atendimento à população.
“A determinação do prefeito, desde quando ele montou a equipe de trabalho, a equipe de emergência, foi para estar lidando diretamente com a situação do transporte. Vendo isso, nós chegamos à conclusão de que a parte do transporte estava em uma situação caótica. Houve a pressão, mas a briga foi entre empresas. A Prefeitura, por meio da PGM, em Brasília, conseguiu a negociação para que a gente fizesse o depósito em juízo. E aí ocorreu agora a liberação de toda a frota que estava apreendida”, disse Coutinho.
Após a liberação judicial, a gestão municipal anunciou o retorno de 50 ônibus ao sistema e o reforço da frota durante o período de transição para a nova empresa que ficará responsável pela operação do transporte coletivo. Além dos 28 veículos que voltaram a circular na sexta-feira, outros 12 ônibus devem entrar em operação até terça-feira, depois de passarem por manutenção.
Com esse reforço, a frota em circulação deve chegar a 74 ônibus, quantidade prevista para atender todas as rotas da capital durante a fase de transição. O prefeito Alysson Bestene afirmou que a administração municipal vem adotando medidas desde o início da gestão para enfrentar a crise no setor, entre elas a decretação de situação de emergência, a contratação emergencial de uma nova empresa e a atuação jurídica para evitar a paralisação do serviço.
“Desde o primeiro momento que a gente assumiu e fez o levantamento das condições do transporte público na capital, tomamos várias medidas. Fizemos a contratação emergencial de uma nova empresa e, nesse período de transição, atuamos junto com a Procuradoria para garantir que esses ônibus fossem liberados. O nosso objetivo sempre foi evitar que a população sofresse com a descontinuidade do serviço”, afirmou o prefeito.
O representante da Ricco Transportes, Leonardo Frederico, afirmou que os usuários já começariam a perceber melhora no atendimento a partir da retomada dos veículos. Segundo ele, parte dos conflitos foi superada e os ajustes restantes devem ocorrer de forma gradual até a regularização do sistema. “É uma coisa de cada vez, mas a gente resolveu boa parte dos problemas, dos conflitos. Agora, a população, a partir de hoje, já vai notar a diferença e, na segunda-feira, já vai poder ver a normalidade”, disse.
Enquanto reforça a frota atual, a Prefeitura mantém o processo de transição para a nova operadora. O contrato já foi assinado e a empresa iniciou a fabricação dos veículos que vão compor a nova frota. A expectativa da gestão municipal é que a operação comece entre 60 e 90 dias, com aproximadamente 120 ônibus, incluindo veículos zero quilômetro e seminovos.
A administração municipal informou que continuará acompanhando o processo e adotando medidas administrativas e jurídicas para manter o transporte coletivo em funcionamento até a entrada da nova empresa. A prioridade, neste momento, é recompor a frota, reduzir os transtornos nas linhas e garantir a continuidade do serviço aos usuários de Rio Branco.
A Prefeitura de Cruzeiro do Sul está concluindo mais de 800 metros de pavimentação asfáltica na via de acesso ao Complexo de Esportes Radicais, no bairro Cinturão Verde. A obra melhora a mobilidade, reforça a segurança no tráfego e facilita o acesso ao espaço, planejado para atividades esportivas, lazer e convivência no município.
O prefeito Zequinha Lima esteve no local na tarde de quinta-feira, 16, para vistoriar os serviços e acompanhar mais uma etapa da obra. Durante a visita, ele afirmou que a pavimentação representa “mais um compromisso cumprido com a população de Cruzeiro do Sul”.
Além da via de acesso, as equipes também trabalham na pavimentação das pistas internas do Complexo de Esportes Radicais. O espaço vai reunir modalidades como skate, paramotor, paratrike, aeromodelismo e manobras de motociclistas.
A estrutura também contará com calçadas, áreas de convivência, espaço para apresentações artísticas e infraestrutura voltada à prática esportiva e ao lazer. O objetivo é ampliar as opções de uso do espaço público e incentivar a prática de diferentes modalidades em Cruzeiro do Sul.
O complexo está sendo construído com sugestões de praticantes das modalidades que serão atendidas no local. A proposta é adequar a estrutura às necessidades de cada esporte e oferecer à população um espaço voltado ao lazer, à convivência e ao incentivo esportivo.
Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo, do Grupo Integração, receberam manifestações de solidariedade nesta sexta-feira, 17, em Rio Branco, depois de relatarem, durante o programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, supostas ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre. O caso levou entidades da categoria a cobrarem apuração e ampliou a repercussão política sobre uma possível tentativa de intimidação contra profissionais da imprensa.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiaram o episódio e defenderam a responsabilização de eventuais envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. As entidades afirmaram que jornalistas não podem ser intimidados, coagidos ou ameaçados em razão do trabalho que exercem e que o uso de qualquer estrutura pública para constranger profissionais da comunicação afronta a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação.
A nota também trata como grave a denúncia de que alguém teria afirmado ser “dono da Polícia Civil” ou possuir poder para determinar a prisão de jornalistas. A Polícia Civil do Acre é comandada pelo delegado-geral Pedro Paulo Silva Buzolin, dentro da estrutura do Governo do Estado, hoje sob gestão da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação das entidades não cita nominalmente os supostos autores das ameaças.
A repercussão alcançou nomes da política acreana. O senador Alan Rick, do Republicanos, enviou mensagem de apoio a Chico Melo e Rogério Wenceslau e classificou o episódio como uma “tentativa nefasta, ilegal e covarde de intimidação”.
O deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PCdoB, também se manifestou em defesa dos jornalistas. “Você tem minha solidariedade e minha defesa institucional. Não se calem. Força. Sigamos!”, publicou. Edvaldo está no quinto mandato na Assembleia Legislativa do Acre e tem atuação ligada ao movimento sindical dos trabalhadores em educação.
Outra manifestação veio do prefeito de Feijó, Railson Ferreira da Silva, o Delegado Railson, do Republicanos. Ele afirmou que a Polícia Civil “não tem dono” e que a instituição é “forte” e não pode ser tratada como “braço investigativo de um grupo”. Railson é delegado e exerce o mandato de prefeito no quadriênio 2025-2028.
O caso reacendeu a discussão sobre garantias ao exercício do jornalismo no Acre, especialmente em situações que envolvem denúncias contra agentes públicos ou grupos políticos. Rogério Wenceslau e Chico Melo relataram que as supostas ameaças estariam ligadas à atuação profissional dos dois no Grupo Integração.
O Sinjac e a FENAJ cobraram apuração pelas autoridades competentes e defenderam a integridade física e moral dos profissionais de comunicação. As entidades afirmaram que permanecerão vigilantes na defesa da liberdade de imprensa e do pleno exercício do jornalismo no Acre.
O pastor Reginaldo Ferreira da Silva não aparece atualmente como presidente do Instituto Vida Plena, mas seu nome atravessa a ponte mais curta entre uma das entidades escolhidas para executar a Expoacre Rio Branco 2026 e a governadora Mailza Assis Cameli. Ex-assessor da então senadora, antigo dirigente da Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e atual secretário adjunto de Governo, Reginaldo integra o círculo político, administrativo e religioso que se formou ao redor do instituto destinado a receber até R$ 9,987 milhões para cuidar dos shows, do entretenimento e das atividades tradicionais da maior feira do estado. Mas suas história carrega laços fortes e estreitos entre Mailza e o Instituto Vida Plena.
A contratação direta foi publicada em 16 de julho, depois de a Casa Civil declarar deserto um chamamento público para a realização integral do evento, marcado para ocorrer de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.
A decisão repartiu a Expoacre entre três organizações da sociedade civil. O Instituto Novo Amanhã ficou com o eixo de infraestrutura, logística e operação da arena, estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena recebeu o eixo artístico, de entretenimento e das atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar assumiu segurança, apoio logístico e comunicação social, por R$ 3,907 milhões. Juntas, as dispensas alcançam exatamente R$ 22 milhões, valor superior aos R$ 20 milhões previstos no chamamento original para uma única entidade executar toda a feira.
A mudança aconteceu em um intervalo apertado. O edital foi publicado em 16 de junho e abriu prazo para entrega de propostas até 13 de julho. Três dias depois, a comissão declarou que “não houve o recebimento de qualquer proposta no prazo estabelecido”. Na mesma edição do Diário Oficial, a Casa Civil apresentou as três dispensas, apoiada na proximidade da Expoacre e na necessidade de evitar riscos à realização do evento. A feira começaria apenas 16 dias depois daquela publicação.
Esse ponto chegou ao Tribunal de Contas do Estado do Acre pelas mãos da Associação Rede Ativa. Presidida por Adeneuton Pinheiro Martins, a entidade sustenta ter entregue sua documentação no gabinete do secretário da Casa Civil em 26 de junho, dentro do prazo, com comprovante de recebimento. O plano de trabalho submetido pela associação propunha executar a Expoacre inteira por R$ 19.360.765, abaixo do teto previsto no edital, reunindo shows nacionais e locais, rodeio, cavalgada, estruturas temporárias, segurança, comunicação, logística e operação dos espaços.
Em 17 de julho, a Rede Ativa encaminhou à Ouvidoria do TCE uma denúncia acompanhada de 19 anexos, entre eles a representação com pedido de medida cautelar, o plano de trabalho, certidões, estatuto, ata, documentos da diretoria e declarações de capacidade técnica. A entidade pediu a suspensão da declaração de certame deserto e das três dispensas ou, de forma alternativa, o bloqueio de assinaturas e pagamentos até a fiscalização do processo.
A existência da representação não transforma a denúncia em irregularidade comprovada. O TCE ainda precisa confrontar o comprovante apresentado pela associação com os registros do protocolo geral, a movimentação interna da Casa Civil, a ata da comissão e os documentos usados para declarar que nenhuma proposta havia chegado. A resposta definirá se houve falha administrativa no caminho percorrido pelos envelopes ou se a entrega ocorreu fora do local e das condições exigidas pelo edital. Até essa verificação, a acusação pertence à entidade que se considera retirada da disputa, não a uma decisão do órgão de controle.
Instituto Vida Plena
Enquanto essa discussão corre contra o calendário da feira, o cruzamento de cadastros, atos oficiais, pagamentos públicos, registros do Senado e agendas políticas feito pelo Grupo Integração colocou o Instituto Vida Plena no centro da relação com o entorno de Mailza. O CNPJ, aberto em 2003, tem Roniere Ferreira Xavier como presidente cadastral desde janeiro de 2024. Entre 2024 e 16 de julho de 2026, o governo estadual registrou R$ 7.713.527,22 empenhados e liquidados e R$ 7.043.036,30 pagos à entidade. Os projetos passaram por educação, assistência social, esporte, qualificação, internet comunitária, educação ambiental e festivais culturais.
O salto previsto para a Expoacre é expressivo. Sozinho, o eixo de R$ 9,987 milhões supera todo o valor pago pelo estado ao instituto no período pesquisado. A diferença de escala importa porque contratar artistas nacionais, operar shows para milhares de pessoas, organizar rodeio, cavalgada e atividades tradicionais exige estrutura financeira, equipe especializada, contratos, pesquisa de preços, logística e capacidade de enfrentar imprevistos em poucos dias.
A identidade pública do Vida Plena também passa pela fé cristã. O instituto promoveu o Gospel Day e o Holy Fire, encontro realizado em janeiro de 2026 diante do Palácio Rio Branco, reunindo músicos e participantes de diferentes igrejas.
Roniere já havia assinado uma parceria diretamente ligada à estrutura comandada por Mailza. Em outubro de 2024, quando ela acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, o presidente do Vida Plena firmou termo de fomento de R$ 20 mil para o projeto Lenços do Amor. O valor é pequeno diante dos quase R$ 10 milhões reservados agora, mas registra uma relação administrativa anterior entre a gestão de Mailza e o instituto.
O elo mais sensível passa por Reginaldo Ferreira da Silva. O Portal da Transparência do Senado registrou o pastor como assistente parlamentar AP-11 no escritório de Mailza em 2019 e 2020. Os atos de pessoal colocam sua nomeação em junho de 2019 e sua exoneração em agosto de 2021. Uma prestação da cota parlamentar inclui Reginaldo entre os passageiros de um voo fretado com a então senadora. No mesmo período, ele foi identificado publicamente como diretor executivo da Ameacre.
Em 22 de abril de 2026, vinte dias depois de assumir definitivamente o governo do Acre, Mailza nomeou Reginaldo para o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Estado de Governo. Ele deixou o gabinete parlamentar de Brasília e reapareceu no núcleo político do Palácio Rio Branco. Sua presença no governo atual não é lateral: a Segov atua na articulação institucional e política da administração estadual.
Reginaldo não consta como presidente formal do Vida Plena. Essa função pertence a Roniere. Mas, em entrevista ao jornalista Evandro Cordeiro, Reginaldo é apresentado como líder e porta-voz da entidade. “Hoje eu tenho o prazer de, eventualmente, esporadicamente, quando solicitado, prestar alguma consultoria, alguma orientação à vice-governadora Mailza, uma pessoa extraordinária. Uma pessoa que, inclusive, me inspirou muito nessa questão filantrópica”, disse à época. Sobre o Instituto, Reginaldo deixa claro sua relação: “Eu sou uma pessoa que coopera, que contribui, que dispõe da minha experiência e da minha sensibilidade social para servir à comunidade através do Instituto Vida Plena”.
O caminho, portanto, é documentado em etapas: Reginaldo trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Ameacre, voltou ao governo pelas mãos da atual governadora e aparece publicamente associado à liderança do Instituto Vida Plena. A Ameacre, por sua vez, já participou da definição da programação religiosa da Expoacre. Agora, o Vida Plena foi escolhido sem disputa para administrar o eixo artístico e tradicional da edição de 2026.
Reginaldo Ferreira e ação da Igreja Ministério Internacional Vida Plena
Essa sequência comprova convivência política, administrativa e religiosa. Não comprova que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido na dispensa ou que qualquer recurso tenha sido desviado. Outra semelhança é no endereço do Instituto Vida Plena, que é o mesmo da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, da qual Reginaldo Ferreira da Silva é o Presidente.
Instituto Bem-Estar
No Instituto Bem-Estar, a conexão é mais partidária do que religiosa. A entidade, antes chamada Instituto Calegário, tem Kariny Lins Malveira como presidente cadastral e recebeu R$ 8.525.947,84 do governo estadual entre 2020 e 2025. Sua trajetória guarda forte proximidade com o deputado estadual Fagner Calegário, responsável por iniciativas legislativas e emendas ligadas aos projetos da organização. Para a Expoacre, o instituto recebeu a previsão de R$ 3,907 milhões para segurança, comunicação e apoio logístico.
Pastor Reginaldo com Bruno Moraes, vereador e parceiro político do deputado estadual Calegário
Uma diretoria registrada para o mandato de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, e participou de agendas partidárias com a governadora. Aldeneide foi nomeada por Mailza, em julho de 2026, para comandar o Instituto de Meio Ambiente do Acre. A presença deles na antiga composição retrata uma rede política em torno da trajetória da entidade, mas não prova participação na dispensa da Expoacre. E é importante reforçar que o grupo do deputado Calegário está de corpo e alma também no projeto de reeleição de Mailza para o governo.
Instituto Novo Amanhã
O Instituto Novo Amanhã oferece um quadro diferente. Nenhuma ligação nominal entre Mailza, sua rede religiosa e a atual presidente Deania Marques da Silva Xavier foi comprovada. A antiga dirigente localizada nos cadastros também não aparece na equipe parlamentar, no governo ou nas agendas religiosas ligadas à governadora. O ponto de atenção está na mudança recente de comando e no tamanho do contrato. Deania entrou no cadastro em 20 de abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado veio em 9 de junho, cerca de 50 dias depois. Até 16 de julho, o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões do estado. Agora, poderá administrar R$ 8,106 milhões apenas no eixo de infraestrutura, 3,64 vezes todo o montante já pago ao CNPJ no período pesquisado.
Os três institutos já acumulavam R$ 17.793.984,14 em pagamentos estaduais antes das dispensas da Expoacre. O Bem-Estar responde pela maior parcela, com R$ 8,525 milhões; o Vida Plena recebeu R$ 7,043 milhões; e o Novo Amanhã, R$ 2,225 milhões. Os R$ 22 milhões publicados para a feira são estimativas das novas parcerias, não pagamentos confirmados.
A Expoacre movimenta produtores, trabalhadores, comerciantes, artistas, criadores de animais e famílias que atravessam Rio Branco para entrar no Parque Wildy Viana. Em 2026, porém, a festa chega cercada por uma questão que ultrapassa os portões da feira. O governo de Mailza precisa demonstrar que a urgência não substituiu a competição, que as relações políticas não conduziram as escolhas e que os R$ 22 milhões chegarão aos serviços anunciados por preços compatíveis.
O pastor Reginaldo Ferreira não encerra essa história. Ele personifica a pergunta que atravessa o caso: até onde termina a convivência legítima entre governo, partido, igrejas e organizações sociais, e onde começa a obrigação de erguer barreiras claras entre proximidade política e decisão administrativa? A resposta não virá de sobrenomes, fotografias ou agendas religiosas. Virá dos protocolos da Casa Civil, dos planos de trabalho, das contas bancárias, dos contratos com fornecedores e da fiscalização do Tribunal de Contas.
A Prefeitura de Rio Branco entregou nesta sexta-feira, 17, o novo ponto de táxi do bairro Cidade Nova, com estrutura revitalizada e climatizada para atender taxistas e passageiros que utilizam a linha entre a capital acreana e Boca do Acre, no Amazonas. A obra recebeu investimento de aproximadamente R$ 30 mil e busca melhorar as condições de trabalho dos motoristas e a espera dos usuários.
O espaço foi reformado por meio de parceria entre a gestão municipal, o Sindicato dos Taxistas, lideranças comunitárias e representantes políticos. A nova estrutura protege profissionais e passageiros do sol, da chuva, da poeira e do sereno, problemas relatados por quem trabalha diariamente no local.
Durante a entrega, o prefeito Alysson Bestene afirmou que a obra faz parte de um conjunto de ações definidas a partir do diálogo com comunidades, associações, sindicatos e vereadores. “Temos buscado ir às comunidades, conversar com as lideranças comunitárias, associações, sindicatos e vereadores para levar os benefícios de que a população precisa. Hoje estamos entregando este espaço, construído por meio de uma grande parceria, porque política pública se faz com união”, disse.
A estrutura contou com apoio do Sindicato dos Taxistas e da Prefeitura. A climatização teve participação do senador Sérgio Petecão, e a obra também atendeu a uma indicação do vereador Leôncio Castro. O prefeito afirmou que o ponto reformado deve garantir mais conforto aos taxistas e melhorar o atendimento aos passageiros que passam pelo local.
O presidente do Sindicato dos Taxistas, Esperidião Teixeira, afirmou que a categoria reivindicava um espaço adequado havia mais de quatro anos. Segundo ele, a estrutura atende profissionais de Rio Branco e do Amazonas que trabalham na linha de Boca do Acre. “Pode parecer uma obra simples, mas, para quem permanece aqui praticamente 18 horas por dia, esse espaço é um verdadeiro palácio”, declarou.
O taxista José Amarildo disse que os motoristas ficavam expostos ao sol e à chuva antes da reforma. Para ele, a entrega também beneficia os passageiros, que agora poderão aguardar a saída dos veículos em ambiente climatizado e com mais proteção.
Além do novo ponto de táxi, a Prefeitura mantém ações na regional da Cidade Nova, como recuperação de ruas e revitalização da Praça da Juventude e do novo Centro da Juventude. Durante a solenidade, Alysson Bestene anunciou ainda a revitalização de outros quatro pontos de táxi da capital, localizados na Praça da Bandeira, no bairro Manoel Julião, na Fundação Hospitalar e na Vila Betel. As intervenções devem ser executadas ao longo deste ano.
A entrega contou com a presença de secretários municipais, representantes da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito, do Sindicato dos Taxistas e de lideranças comunitárias do bairro Cidade Nova.
Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.
Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular.
Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.
Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.
A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.
A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.
No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.
A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli.
O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.
Plano da Associação Transformar reservou R$ 6,25 milhões para seis atrações nacionais; contratos públicos recentes somam R$ 2,74 milhões, uma diferença de R$ 3,51 milhões
Os cachês previstos para os seis shows nacionais da Expoacre Juruá 2026 superam em R$ 3,51 milhões os valores pagos aos mesmos artistas em contratações públicas recentes realizadas em outros estados. Enquanto o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar à Casa Civil do Acre, já na gestão de Mailza Cameli, reservou R$ 6,25 milhões para as apresentações, os contratos levantados pelo Grupo Integração, usados como referência, somam R$ 2,74 milhões.
O orçamento da feira destinou recursos para Natanzinho Lima, Banda Morada, Tierry, Ícaro e Gilmar, Padre Fábio de Melo e Leonardo. A comparação reúne contratos, propostas comerciais, processos de inexigibilidade e registros publicados por prefeituras e pelo Portal Nacional de Contratações Públicas.
O valor reservado no Acre ficou aproximadamente 128% acima da soma das seis referências públicas.
A diferença, por si só, não é comprovação de sobrepreço. Os cachês podem mudar conforme a data do evento, o tempo de apresentação, a disponibilidade na agenda, o grau de exclusividade e as obrigações assumidas pelo artista.
Na Expoacre Juruá, no entanto, o Plano de Trabalho separou o pagamento dos cachês das despesas com transporte, hospedagem e produção. Além dos R$ 6,25 milhões destinados diretamente aos artistas, outros R$ 2,44 milhões foram reservados para a logística das atrações nacionais.
Leonardo teve a maior diferença
A maior diferença nominal está no cachê de Leonardo. O Plano de Trabalho da Expoacre Juruá reservou R$ 2,1 milhões para a apresentação do cantor em Cruzeiro do Sul.
Em uma contratação da Prefeitura de Princesa Isabel, na Paraíba, o show de Leonardo foi orçado em R$ 800 mil. Entre os dois valores há uma distância de R$ 1,3 milhão.
O cachê previsto no Acre ficou 162,5% acima da referência paraibana.
Leonardo recebeu a maior previsão entre todas as atrações nacionais e concentrou sozinho quase um terço dos R$ 6,25 milhões destinados aos seis artistas.
Natanzinho Lima aparece com R$ 1,7 milhão
O Plano de Trabalho reservou R$ 1,7 milhão para o show de Natanzinho Lima.
Em maio de 2026, um processo publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas registrou R$ 800 mil para uma apresentação do cantor. Outro processo divulgado pelo PNCP em abril trouxe o mesmo valor. (PNCP)
A diferença chega a R$ 900 mil. O cachê previsto para a Expoacre Juruá ficou 112,5% acima da referência recente.
Tierry aparece com mais que o dobro
O orçamento da feira destinou R$ 650 mil ao cantor Tierry.
Em um processo da Prefeitura de São Paulo, o artista foi contratado por R$ 250 mil. A justificativa de preço incluiu três notas fiscais anteriores, nos valores de R$ 250 mil, R$ 253 mil e R$ 250 mil. A média ficou em R$ 251 mil. (Diário Oficial)
Na Expoacre Juruá, a previsão supera em R$ 400 mil o contrato paulista, uma diferença de 160%.
Ícaro e Gilmar tiveram R$ 750 mil previstos
Para a dupla Ícaro e Gilmar, a Associação Transformar reservou R$ 750 mil.
Contratações feitas por municípios de diferentes regiões do país fixaram o cachê da dupla em R$ 350 mil. O valor aparece em processos de Dionísio Cerqueira e Xaxim, em Santa Catarina, São José do Povo, em Mato Grosso, e Luziânia, em Goiás.
Em Luziânia, o contrato previa uma apresentação de uma hora e meia durante a Expoagro de 2025. (Prefeitura de Xaxim)
O orçamento acreano supera essas referências em R$ 400 mil, uma diferença de 114,3%.
Padre Fábio de Melo teve R$ 650 mil reservados
A Expoacre Juruá também reservou R$ 650 mil para uma apresentação do Padre Fábio de Melo.
A Prefeitura de Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, contratou o artista por R$ 280 mil para um show realizado em dezembro de 2025, durante as comemorações pela emancipação política do município. (Prefeitura Municipal de Nova Cruz)
A previsão para Cruzeiro do Sul ficou R$ 370 mil acima do contrato potiguar, uma diferença de 132,1%.
Banda Morada aparece com R$ 400 mil
O Plano de Trabalho destinou R$ 400 mil à Banda Morada.
Em março de 2026, a Prefeitura de Itinga do Maranhão assinou contrato de R$ 260 mil com a Banda Morada Produções e Eventos. A proposta comercial anexada ao processo previa uma apresentação de 90 minutos. (Prefeitura de Itinga do Maranhão)
A diferença chega a R$ 140 mil. O valor reservado no Acre ficou 53,8% acima do contrato maranhense.
Comparação dos valores
Artista
Plano da Expoacre
Referência pública
Diferença
Leonardo
R$ 2.100.000
R$ 800.000
R$ 1.300.000
Natanzinho Lima
R$ 1.700.000
R$ 800.000
R$ 900.000
Tierry
R$ 650.000
R$ 250.000
R$ 400.000
Ícaro e Gilmar
R$ 750.000
R$ 350.000
R$ 400.000
Padre Fábio de Melo
R$ 650.000
R$ 280.000
R$ 370.000
Banda Morada
R$ 400.000
R$ 260.000
R$ 140.000
Total
R$ 6.250.000
R$ 2.740.000
R$ 3.510.000
Governo escolheu associação para executar toda a feira
Os valores integram o Plano de Trabalho que deu origem ao Termo de Colaboração SECC nº 01/2026, assinado pela Casa Civil do Acre e pela Associação Transformar.
A parceria entregou à entidade a execução, a gestão, o planejamento, a coordenação, a organização e a realização integral da Expoacre Juruá 2026.
A Associação Transformar foi a única entidade a apresentar proposta no chamamento público. Depois de habilitada, recebeu 90 pontos e ocupou o primeiro lugar no processo de seleção.
O termo foi assinado em 25 de junho de 2026, com valor global de R$ 16.648.310 e vigência de 90 dias, prazo que também inclui a prestação de contas.
A base de pagamentos da Casa Civil consultada pelo Grupo Integração registra R$ 15.848.310 pagos à Associação Transformar. O montante é R$ 800 mil menor que o valor global previsto no termo.
O Plano de Trabalho estabeleceu que os R$ 16,6 milhões seriam repassados em uma única parcela, ainda em junho, sem contrapartida financeira da associação. A entidade também recebeu autorização para contratar empresas terceirizadas mediante cotações de preços.
Logística foi orçada separadamente
A diferença entre os cachês ganha peso porque os R$ 6,25 milhões aparecem no orçamento exclusivamente como pagamento pelas apresentações artísticas.
Em outro item, o plano reservou R$ 2.448.520 para uma empresa responsável pela produção e pela logística das atrações nacionais. O serviço abrangia passagens aéreas, fretamento de aeronave, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, decoração e abastecimento de camarins, vans, veículos exclusivos, direitos autorais do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, além de outras despesas operacionais dos shows.
Os custos relacionados à distância de Cruzeiro do Sul e à necessidade de transporte especial, portanto, já estavam previstos em uma rubrica própria.
Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais alcançaram R$ 8.698.520, mais da metade de todo o orçamento da Expoacre Juruá.
Diferenças precisam ser justificadas
Os contratos usados na comparação não permitem afirmar que os shows deveriam custar exatamente o mesmo valor. As apresentações ocorreram em datas diferentes, podem ter durações distintas e estão sujeitas a mudanças de agenda, estrutura, obrigações contratuais e valorização comercial dos artistas.
As diferenças, contudo, aparecem nos seis casos. Todos os cachês incluídos no Plano de Trabalho da Associação Transformar ficaram acima das referências públicas localizadas.
A comprovação da compatibilidade dos preços depende da apresentação das propostas comerciais enviadas pelos artistas, das notas fiscais usadas como parâmetro, dos contratos assinados, das cartas de exclusividade e da composição detalhada de cada cachê. Análise que, certamente, ficará a cargo do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que já vem analisando alguns processos suspeitos do Estado.
O Plano de Trabalho informa quanto seria gasto, mas não traz, nas páginas examinadas, as notas fiscais anteriores nem os parâmetros adotados para fixar cachês de R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima e R$ 650 mil para Tierry. A documentação que sustentou a parceria terá de explicar por que o orçamento acreano ficou R$ 3,51 milhões acima das seis contratações públicas usadas como referência.
Utilizamos cookies para melhorar sua experiência, analisar o tráfego e personalizar o conteúdo.
Ao continuar navegando, você concorda com nossa
Política de Privacidade.
🔴 AO VIVO
Jornal da Manhã no ar! Acompanhe na Integração FM 99,9