Cachês da Expoacre Juruá ficam R$ 3,5 milhões acima de contratos públicos analisados

Plano da Associação Transformar reservou R$ 6,25 milhões para seis atrações nacionais; contratos públicos recentes somam R$ 2,74 milhões, uma diferença de R$ 3,51 milhões

Os cachês previstos para os seis shows nacionais da Expoacre Juruá 2026 superam em R$ 3,51 milhões os valores pagos aos mesmos artistas em contratações públicas recentes realizadas em outros estados. Enquanto o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar à Casa Civil do Acre, já na gestão de Mailza Cameli, reservou R$ 6,25 milhões para as apresentações, os contratos levantados pelo Grupo Integração, usados como referência, somam R$ 2,74 milhões.

O orçamento da feira destinou recursos para Natanzinho Lima, Banda Morada, Tierry, Ícaro e Gilmar, Padre Fábio de Melo e Leonardo. A comparação reúne contratos, propostas comerciais, processos de inexigibilidade e registros publicados por prefeituras e pelo Portal Nacional de Contratações Públicas.

O valor reservado no Acre ficou aproximadamente 128% acima da soma das seis referências públicas.

A diferença, por si só, não é comprovação de sobrepreço. Os cachês podem mudar conforme a data do evento, o tempo de apresentação, a disponibilidade na agenda, o grau de exclusividade e as obrigações assumidas pelo artista.

Na Expoacre Juruá, no entanto, o Plano de Trabalho separou o pagamento dos cachês das despesas com transporte, hospedagem e produção. Além dos R$ 6,25 milhões destinados diretamente aos artistas, outros R$ 2,44 milhões foram reservados para a logística das atrações nacionais.

Leonardo teve a maior diferença

A maior diferença nominal está no cachê de Leonardo. O Plano de Trabalho da Expoacre Juruá reservou R$ 2,1 milhões para a apresentação do cantor em Cruzeiro do Sul.

Em uma contratação da Prefeitura de Princesa Isabel, na Paraíba, o show de Leonardo foi orçado em R$ 800 mil. Entre os dois valores há uma distância de R$ 1,3 milhão.

O cachê previsto no Acre ficou 162,5% acima da referência paraibana.

Leonardo recebeu a maior previsão entre todas as atrações nacionais e concentrou sozinho quase um terço dos R$ 6,25 milhões destinados aos seis artistas.

Natanzinho Lima aparece com R$ 1,7 milhão

O Plano de Trabalho reservou R$ 1,7 milhão para o show de Natanzinho Lima.

Em maio de 2026, um processo publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas registrou R$ 800 mil para uma apresentação do cantor. Outro processo divulgado pelo PNCP em abril trouxe o mesmo valor. (PNCP)

A diferença chega a R$ 900 mil. O cachê previsto para a Expoacre Juruá ficou 112,5% acima da referência recente.

Tierry aparece com mais que o dobro

O orçamento da feira destinou R$ 650 mil ao cantor Tierry.

Em um processo da Prefeitura de São Paulo, o artista foi contratado por R$ 250 mil. A justificativa de preço incluiu três notas fiscais anteriores, nos valores de R$ 250 mil, R$ 253 mil e R$ 250 mil. A média ficou em R$ 251 mil. (Diário Oficial)

Na Expoacre Juruá, a previsão supera em R$ 400 mil o contrato paulista, uma diferença de 160%.

Ícaro e Gilmar tiveram R$ 750 mil previstos

Para a dupla Ícaro e Gilmar, a Associação Transformar reservou R$ 750 mil.

Contratações feitas por municípios de diferentes regiões do país fixaram o cachê da dupla em R$ 350 mil. O valor aparece em processos de Dionísio Cerqueira e Xaxim, em Santa Catarina, São José do Povo, em Mato Grosso, e Luziânia, em Goiás.

Em Luziânia, o contrato previa uma apresentação de uma hora e meia durante a Expoagro de 2025. (Prefeitura de Xaxim)

O orçamento acreano supera essas referências em R$ 400 mil, uma diferença de 114,3%.

Padre Fábio de Melo teve R$ 650 mil reservados

A Expoacre Juruá também reservou R$ 650 mil para uma apresentação do Padre Fábio de Melo.

A Prefeitura de Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, contratou o artista por R$ 280 mil para um show realizado em dezembro de 2025, durante as comemorações pela emancipação política do município. (Prefeitura Municipal de Nova Cruz)

A previsão para Cruzeiro do Sul ficou R$ 370 mil acima do contrato potiguar, uma diferença de 132,1%.

Banda Morada aparece com R$ 400 mil

O Plano de Trabalho destinou R$ 400 mil à Banda Morada.

Em março de 2026, a Prefeitura de Itinga do Maranhão assinou contrato de R$ 260 mil com a Banda Morada Produções e Eventos. A proposta comercial anexada ao processo previa uma apresentação de 90 minutos. (Prefeitura de Itinga do Maranhão)

A diferença chega a R$ 140 mil. O valor reservado no Acre ficou 53,8% acima do contrato maranhense.

Comparação dos valores

ArtistaPlano da ExpoacreReferência públicaDiferença
LeonardoR$ 2.100.000R$ 800.000R$ 1.300.000
Natanzinho LimaR$ 1.700.000R$ 800.000R$ 900.000
TierryR$ 650.000R$ 250.000R$ 400.000
Ícaro e GilmarR$ 750.000R$ 350.000R$ 400.000
Padre Fábio de MeloR$ 650.000R$ 280.000R$ 370.000
Banda MoradaR$ 400.000R$ 260.000R$ 140.000
TotalR$ 6.250.000R$ 2.740.000R$ 3.510.000

Governo escolheu associação para executar toda a feira

Os valores integram o Plano de Trabalho que deu origem ao Termo de Colaboração SECC nº 01/2026, assinado pela Casa Civil do Acre e pela Associação Transformar.

A parceria entregou à entidade a execução, a gestão, o planejamento, a coordenação, a organização e a realização integral da Expoacre Juruá 2026.

A Associação Transformar foi a única entidade a apresentar proposta no chamamento público. Depois de habilitada, recebeu 90 pontos e ocupou o primeiro lugar no processo de seleção.

O termo foi assinado em 25 de junho de 2026, com valor global de R$ 16.648.310 e vigência de 90 dias, prazo que também inclui a prestação de contas.

A base de pagamentos da Casa Civil consultada pelo Grupo Integração registra R$ 15.848.310 pagos à Associação Transformar. O montante é R$ 800 mil menor que o valor global previsto no termo.

O Plano de Trabalho estabeleceu que os R$ 16,6 milhões seriam repassados em uma única parcela, ainda em junho, sem contrapartida financeira da associação. A entidade também recebeu autorização para contratar empresas terceirizadas mediante cotações de preços.

Logística foi orçada separadamente

A diferença entre os cachês ganha peso porque os R$ 6,25 milhões aparecem no orçamento exclusivamente como pagamento pelas apresentações artísticas.

Em outro item, o plano reservou R$ 2.448.520 para uma empresa responsável pela produção e pela logística das atrações nacionais. O serviço abrangia passagens aéreas, fretamento de aeronave, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, decoração e abastecimento de camarins, vans, veículos exclusivos, direitos autorais do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, além de outras despesas operacionais dos shows.

Os custos relacionados à distância de Cruzeiro do Sul e à necessidade de transporte especial, portanto, já estavam previstos em uma rubrica própria.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais alcançaram R$ 8.698.520, mais da metade de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Diferenças precisam ser justificadas

Os contratos usados na comparação não permitem afirmar que os shows deveriam custar exatamente o mesmo valor. As apresentações ocorreram em datas diferentes, podem ter durações distintas e estão sujeitas a mudanças de agenda, estrutura, obrigações contratuais e valorização comercial dos artistas.

As diferenças, contudo, aparecem nos seis casos. Todos os cachês incluídos no Plano de Trabalho da Associação Transformar ficaram acima das referências públicas localizadas.

A comprovação da compatibilidade dos preços depende da apresentação das propostas comerciais enviadas pelos artistas, das notas fiscais usadas como parâmetro, dos contratos assinados, das cartas de exclusividade e da composição detalhada de cada cachê. Análise que, certamente, ficará a cargo do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que já vem analisando alguns processos suspeitos do Estado.

O Plano de Trabalho informa quanto seria gasto, mas não traz, nas páginas examinadas, as notas fiscais anteriores nem os parâmetros adotados para fixar cachês de R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima e R$ 650 mil para Tierry. A documentação que sustentou a parceria terá de explicar por que o orçamento acreano ficou R$ 3,51 milhões acima das seis contratações públicas usadas como referência.

Prefeito acompanha atendimento a 280 crianças na Creche Marta Ferreira Lopes

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, visitou nesta quinta-feira (16) a Creche Municipal Marta Ferreira Lopes, na região da Vila Acre, para acompanhar o atendimento às 280 crianças matriculadas na unidade de educação infantil. A creche funciona em tempo integral e recebe bebês e crianças pequenas, inclusive a partir dos quatro meses de idade.

A unidade é tratada pela gestão municipal como a maior creche do Acre em capacidade de atendimento. Durante a visita, Bestene percorreu salas de referência, berçários, lactário, refeitório, áreas pedagógicas e espaços de recreação. A agenda também contou com a presença da secretária municipal de Educação, Kelce Nayra Paes.

“É uma alegria fazer parte desse processo. Acompanhei a construção quando estive à frente da Secretaria Municipal de Educação, ao lado do ex-prefeito Tião Bocalom, que iniciou essa obra, e agora vemos esse sonho concretizado, com 280 crianças matriculadas e recebendo todo o cuidado dos nossos profissionais”, afirmou Alysson Bestene.

A creche conta com 40 assistentes de creche distribuídos entre os turnos da manhã e da tarde, 16 professores regentes e duas lactaristas, responsáveis pela preparação das fórmulas infantis. O atendimento começou em 19 de junho e inclui alimentação, descanso, atividades pedagógicas, brincadeiras, uso de playground, sala de vídeo e acolhimento das famílias.

A secretária Kelce Nayra Paes afirmou que a unidade foi organizada para garantir atendimento seguro em tempo integral. “Essa é a maior creche de Rio Branco e, por sua capacidade, também é considerada a maior do estado. Atendemos 280 crianças em tempo integral e contamos com uma ampla equipe de profissionais para garantir que todo o trabalho seja realizado com segurança e qualidade”, disse.

A coordenadora pedagógica Franciele Ferreira explicou que a rotina começa às 7 horas, com acolhimento das crianças e das famílias. As atividades são planejadas conforme a idade e seguem o currículo educacional e as orientações da Base Nacional Comum Curricular.

Pais de crianças atendidas também acompanharam a visita. A nutricionista Paula Betânia, mãe de Elisa Maitê, de três anos, e José Paulo, de um ano e seis meses, disse que a creche mudou a rotina da família e abriu a possibilidade de retorno ao trabalho. O produtor rural Cláudio Nazaret afirmou que a adaptação dos filhos ajudou a construir confiança na equipe e na estrutura da unidade.

Durante a agenda, o prefeito afirmou que a Prefeitura de Rio Branco pretende ampliar o atendimento na educação infantil. Uma nova unidade deve ser inaugurada na região da Parte Alta da cidade.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul firma convênio de R$ 970 mil com Educandário para atendimento de crianças

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul firmou nesta quinta-feira (16) um convênio de R$ 970 mil com o Educandário de Cruzeiro do Sul para custear e manter os serviços prestados a crianças e adolescentes atendidos pela instituição. O recurso vem de emenda parlamentar do deputado federal Eduardo Veloso e será usado para garantir a continuidade das atividades da entidade.

A assinatura do termo foi feita pelo prefeito Zequinha Lima, com a presença do presidente do Educandário, Rinauro Lima, e dos vereadores Elter Nóbrega, Anderson Girimum e Zé Roberto. A instituição atende atualmente 170 crianças de dois e três anos no Serviço de Convivência e pode acolher até 25 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade no abrigo institucional.

Zequinha Lima disse que este é o maior convênio já firmado pela Prefeitura com uma instituição social. “Esse recurso garante que as crianças continuem sendo bem cuidadas e bem alimentadas, além de dar segurança para que o Educandário possa se planejar e executar seu trabalho com tranquilidade”, afirmou. O prefeito também citou a existência de um plano de trabalho elaborado conforme as necessidades da entidade.

O presidente do Educandário, Rinauro Lima, afirmou que a parceria ajuda a manter o atendimento e a estrutura de trabalho da instituição. “Não é apenas manter o serviço funcionando, mas garantir um atendimento de qualidade, cuidar bem das crianças, valorizar os funcionários e oferecer um ambiente acolhedor”, declarou.

A servidora Francisca Oliveira, que atua diretamente com as crianças, disse que o recurso melhora as condições para o planejamento das atividades pedagógicas, alimentação e cuidados diários. Pai de uma criança atendida pela instituição, Paulo Vasconcelos afirmou que o Educandário garante segurança às famílias durante o período de trabalho dos responsáveis.

Bispo de Cruzeiro do Sul compartilha notícia sobre operação da PF contra contratos da Educação

O bispo de Cruzeiro do Sul, Dom Flávio Giovenale, compartilhou nesta quinta-feira, em seu status do WhatsApp, uma notícia sobre a operação da Polícia Federal que atingiu contratos da Secretaria de Educação do Acre e teve entre os principais alvos o ex-secretário Aberson Carvalho. A publicação foi feita por volta das 12h29, poucas horas depois do cumprimento de mandados em Rio Branco e outros municípios do estado.

Na mensagem, Dom Flávio reproduziu o título da reportagem que informava buscas na residência de Aberson Carvalho, na capital acreana, e disponibilizou o link para o conteúdo completo. O bispo não acrescentou comentário, acusação ou avaliação sobre o caso. Ainda assim, o compartilhamento levou a investigação para um espaço de grande alcance social no Vale do Juruá, onde a Igreja Católica mantém presença em comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas.

A operação apura contratos da Educação financiados com recursos públicos e superiores a R$ 51 milhões. A Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também autorizou bloqueio de bens e valores e suspendeu temporariamente as atividades de empresas investigadas.

Aberson Carvalho entrou no centro da operação por ter comandado a Secretaria de Educação no período alcançado pela investigação. Policiais federais estiveram em sua residência para recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a contratação de empresas e o destino do dinheiro público.

A apuração envolve suspeitas de fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As medidas cumpridas nesta quinta-feira fazem parte da fase de coleta de provas. Não existe, até agora, condenação contra Aberson Carvalho ou contra os demais investigados.

A defesa do ex-secretário afirmou que ele recebeu os agentes com tranquilidade, colaborou com o cumprimento do mandado e confia no esclarecimento dos fatos. Também informou que o caso tramita sob segredo de justiça e que não há denúncia ou decisão de mérito contra Aberson.

O governo do Acre declarou que acompanhará a investigação e permanecerá à disposição das autoridades. O caso atinge uma das áreas mais sensíveis da administração estadual, porque envolve recursos destinados ao funcionamento da rede pública de ensino.

Ao compartilhar a notícia, Dom Flávio colocou a operação no debate público do Juruá. A mensagem chegou a moradores que vivem a centenas de quilômetros dos endereços onde os mandados foram cumpridos, mas que dependem diretamente das políticas de educação financiadas pelos contratos agora investigados.

TCE suspende pagamentos de contrato de R$ 9,5 milhões da Seict após identificar indícios de irregularidades

Tribunal aponta possível direcionamento, falhas na pesquisa de preços e pagamento de R$ 6,4 milhões por sistema que ainda não estava disponível para uso

O Tribunal de Contas do Estado do Acre suspendeu os pagamentos pendentes de um contrato de R$ 9,56 milhões firmado pela Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, do governo de Gladson/Mailza Cameli, para o fornecimento do Sistema de Compras Governamentais do Acre.

A medida cautelar foi aprovada por unanimidade pelo Pleno do TCE-AC nesta quinta-feira, 16, durante análise de uma inspeção aberta para verificar a regularidade do Pregão Eletrônico nº 570/2025 e da execução do Contrato nº 05/2026.

A decisão também suspendeu a validade da Ata de Registro de Preços nº 01/2026 até o julgamento definitivo do processo. O voto foi apresentado pela conselheira-substituta Maria de Jesus Carvalho de Souza e acompanhado pelos conselheiros Ronald Polanco, Jorge Malheiro, Naluh Gouveia e Mário Sérgio Neri.

O contrato, no valor total de R$ 9.561.524,50, previa o fornecimento de módulos integrados para o sistema estadual de compras públicas, além de suporte, manutenção e outros serviços especializados em tecnologia da informação.

Segundo o relatório técnico, a inspeção encontrou indícios de irregularidades desde a preparação da licitação até a execução do contrato.

Entre os pontos levantados estão possíveis restrições à competitividade, indícios de direcionamento, falhas na pesquisa de preços, possível simulação de concorrência entre empresas participantes e ausência de provas suficientes de que a solução tecnológica havia sido efetivamente entregue.

R$ 6,4 milhões pagos

Durante uma diligência realizada na sede da Seict, os técnicos do Tribunal constataram que mais de R$ 6,4 milhões já haviam sido pagos, o equivalente a aproximadamente 70% do valor contratado.

Apesar dos pagamentos, o sistema não estava disponível para utilização pela própria secretaria no momento da fiscalização. Para a equipe técnica, a situação indica a possibilidade de pagamento sem a correspondente entrega do objeto contratado.

A relatora considerou que a continuidade dos desembolsos poderia aumentar um eventual prejuízo aos cofres públicos e determinou a suspensão imediata dos pagamentos ainda pendentes.

A cautelar não representa uma decisão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. Os agentes públicos e representantes das empresas citados no processo terão prazo de 15 dias para apresentar defesa.

O atual secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia também foi incluído no rol de responsáveis. O TCE decidiu ainda comunicar os fatos ao Ministério Público do Acre para conhecimento e eventual adoção de providências.

Adesões do Deracre e da Prefeitura

A Ata de Registro de Preços vinculada à contratação também foi utilizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre e pela Secretaria Municipal de Gestão Administrativa de Rio Branco.

Com a decisão, o Deracre e a Prefeitura de Rio Branco deverão suspender atos de execução e pagamentos relacionados aos contratos originados da ata. O descumprimento poderá resultar em responsabilização solidária dos gestores.

Seict movimentou R$ 170 milhões desde 2022

A suspensão do contrato ocorre enquanto o Grupo Integração realiza um levantamento sobre os pagamentos executados pela Seict nos últimos anos.

A pesquisa identificou cerca de R$ 170,4 milhões pagos pela secretaria entre 2022 e julho de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 76,1 milhões estavam relacionados à promoção comercial e à realização de eventos, incluindo Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, festivais, festas públicas, shows nacionais e outras programações financiadas pelo governo estadual.

Jornal da Manhã em Coluna – 16 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Gledson Albano e Mazinho Rogério.

Remanso foi para a rua

O bairro Remanso começou a manhã com protesto por falta de água. Moradores interditaram a rua principal para cobrar uma resposta da Saneacre, responsável pelo sistema de abastecimento na comunidade.

A reclamação não é nova. O bairro cresceu, novas ruas foram abertas, famílias construíram casas e a estrutura de água ficou para trás. A caixa d’água que atende a região foi construída ainda na gestão do então prefeito Aluísio Bezerra e, hoje, não acompanha mais a demanda.

Água uma vez por semana

José Maria, presidente da associação de moradores do Remanso, disse ao Jornal da Manhã que há mais de 250 famílias afetadas. Em algumas casas, segundo ele, a água chega apenas uma vez por semana.

A cobrança é simples: perfurar um novo poço e ampliar a rede. Há ruas sem encanamento, famílias aguardando ligação e um projeto que já teria sido apresentado por técnicos da Saneacre. O que falta, segundo o morador, é autorização do governo do Estado.

Quando o cidadão precisa fechar rua para pedir água, o problema já passou do limite administrativo. Virou retrato de abandono.

Saneacre no centro da cobrança

A dúvida inicial era saber se a responsabilidade era da prefeitura ou do Estado. José Maria disse que a gestão do sistema foi repassada à Saneacre ainda na administração do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro.

A partir daí, a cobrança ficou direcionada. O bairro quer que a Saneacre assuma o problema, apresente prazo e execute a solução. Sem água, não há discurso que se sustente.

Buraco aberto também virou queixa

Além da falta de água no Remanso, a bancada cobrou a Saneacre por outro problema: buracos abertos nas ruas de Cruzeiro do Sul depois de serviços de conserto de vazamentos.

A avaliação feita no programa foi direta. A empresa abre, conserta o vazamento e deixa o buraco. Depois, a culpa cai na prefeitura, que precisa correr para reduzir o dano no trânsito e na vida de quem passa pelas vias.

A população não quer saber quem empurra a responsabilidade. Quer a rua de volta e o serviço completo.

Gladson mirou o próprio aliado

Na política, o assunto que abriu o debate foi a ação da Federação União Progressista contra o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e o senador Alan Rick.

A situação chamou atenção porque Zequinha declarou apoio a Alan Rick para o governo, mas também afirmou publicamente que apoiaria Gladson Cameli para o Senado, caso o ex-governador consiga disputar a eleição.

Mesmo assim, o nome do prefeito apareceu na representação. A acusação envolve campanha antecipada, conduta vedada e abuso de poder econômico.

A conta não fecha

A bancada tratou o caso como uma contradição política. Se Zequinha ainda declara apoio a Gladson para o Senado, por que o partido presidido por Gladson move ação contra ele?

Depois, chegou a informação de que o ex-governador não teria conhecimento da inclusão do prefeito na ação. A pergunta ficou no ar: quem move uma ação desse tamanho sem o presidente da federação saber?

A crise expõe mais uma rachadura no grupo governista. Quando aliado começa a ser tratado como adversário, é sinal de que a base perdeu comando.

Mailza herdou o governo, mas não a liderança

A leitura política feita no Jornal da Manhã foi que a base da governadora Mailza Cameli segue desmontada. A movimentação do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, ao acenar para Gladson no grupo de Tião Bocalom, também entrou na conta.

Gladson saiu do governo, mas ainda pesa no jogo. Mailza ficou com a caneta, mas não recebeu automaticamente o controle político do grupo.

Essa diferença aparece a cada crise.

Folha inchada acendeu alerta

Outro ponto levantado no programa foi a informação de que a folha do governo do Acre estaria acima do limite em cargos comissionados. O valor citado foi de cerca de R$ 1 milhão acima do teto.

Nomear e exonerar comissionados não está proibido neste período, mas estourar limite de despesa é outra história. A expectativa agora é saber se o Tribunal de Contas do Estado fará alerta, recomendação ou adotará medida mais dura.

Dinheiro público não aceita desaforo. E folha inchada em ano eleitoral sempre vira assunto político.

Terreno de R$ 23 milhões caiu

O recuo do governo na desapropriação da área que seria usada para a nova sede da Expoacre, em Rio Branco, também entrou no programa como exemplo de atuação dos órgãos de controle.

O decreto previa a compra de uma área de 76 hectares por quase R$ 23 milhões. Depois dos questionamentos, veio a revogação.

A leitura da bancada foi simples: se a informação não viesse a público e se os órgãos de fiscalização não entrassem no caso, o negócio poderia ter avançado.

Expoacre Juruá ainda pede explicação

Os gastos da Expoacre Juruá voltaram ao centro da conversa. A Associação Transformar recebeu mais de R$ 15 milhões para realizar a feira e, segundo a apuração comentada no programa, tem estrutura mínima e ligação política com nomes próximos ao núcleo do governo.

O ponto mais sensível foi o valor dos cachês das atrações nacionais. O plano de trabalho aponta R$ 6,3 milhões só para artistas.

Leonardo aparece com R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil. Thiago Brava e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada. A banda Morada aparece com R$ 400 mil, e uma atração infantil, com R$ 50 mil.

Quando o palco apaga, a conta continua acesa.

PF bateu na Educação

A notícia mais pesada da manhã veio de Rio Branco. A Polícia Federal deflagrou a Operação Talha Real para investigar suspeitas de desvio de recursos federais da educação repassados à Secretaria de Estado de Educação pelo Fundeb.

São 21 mandados de busca e apreensão cumpridos em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também determinou bloqueio de bens, valores e imóveis dos investigados, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas com contratos na Educação.

Os contratos investigados passam de R$ 51 milhões.

Fundeb virou caso de polícia

A investigação envolve suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo da licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados, um investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido.

A informação apurada durante o programa apontava que a investigação alcançaria contratos ligados a merenda escolar, livros e material didático. Também chegaram relatos de viaturas da Polícia Federal no depósito de merenda escolar da Secretaria de Educação.

Quando recurso da educação vira alvo de operação policial, quem perde primeiro é o aluno.

Mais uma viatura na porta do governo

A imagem da Polícia Federal em prédio do governo do Acre deixou de ser novidade. Esse foi o ponto mais duro da análise feita no Jornal da Manhã.

O Estado acumula operações, denúncias, suspeitas e condenações envolvendo o grupo que comandou a máquina pública nos últimos anos. O governo tenta falar em futuro, mas o presente insiste em bater à porta com mandado de busca.

A política pode tentar mudar a narrativa. A Polícia Federal não trabalha com narrativa.

Festival da Farinha abriu espaço para empreendedores

Mazinho Rogério trouxe as informações sobre o Festival da Farinha 2026. As inscrições para empreendedores já estão abertas em Cruzeiro do Sul, com mais de 100 espaços disponíveis.

O evento começa no dia 26 de agosto e será realizado novamente no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho. A estrutura vai receber empreendedores de alimentação, bebidas, artesanato, plantas ornamentais, doces, salgados, churrasco, restaurantes, trailers, açaí e pequenos negócios.

A prefeitura também prepara capacitações para quem vai trabalhar durante os quatro dias de festa.

Atrações serão anunciadas no sábado

O prefeito Zequinha Lima deve anunciar no sábado a programação oficial do Festival da Farinha, incluindo as atrações nacionais.

A expectativa é de que o evento movimente a economia local e abra espaço para artistas do município. Segundo o programa, quase 70 artistas cadastrados na prefeitura estão aptos a participar da festa.

Festival bom não é só show. É renda circulando, comércio vendendo e artista local no palco.

Rodrigues Alves entra no calendário

O Jornal da Manhã também lembrou que o Festival da Banana começa no dia 25 de julho, em Rodrigues Alves, dentro da programação de aniversário do município, comemorado no dia 28.

Os festivais de verão movimentam o Juruá, atraem público e ajudam a economia dos municípios. O desafio é fazer festa com organização, transparência e resultado para quem trabalha.

Boa notícia nos Vicentinos

No encerramento, a boa notícia veio do Lar dos Vicentinos. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou termo de colaboração de R$ 305 mil para reforçar os serviços prestados aos idosos acolhidos pela instituição.

O recurso será usado em alimentação, acompanhamento técnico e cuidados diários. O valor é fruto de emenda do senador Márcio Bittar.

Os Vicentinos fazem um trabalho que merece apoio permanente. Ali estão pessoas que já deram sua contribuição e agora precisam de cuidado, respeito e presença do poder público.

Associação que recebeu milhões por Expoacre acumula elos políticos com núcleo da governadora Mailza

Entidade recebeu R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar a Expoacre Juruá após ser beneficiada por R$ 1,34 milhão em emendas do irmão da coordenadora da feira

A Associação Transformar recebeu R$ 15.848.310 da Casa Civil do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 depois de ter sido beneficiada com R$ 1.347.431 em emendas apresentadas pelo vereador de Rio Branco Moacir Júnior. O parlamentar é irmão de Taiane Santos, ex-diretora técnica da Casa Civil e então coordenadora-geral da feira. A relação familiar aproxima a entidade de dois integrantes de um mesmo núcleo político ligado ao governo da governadora Mailza Cameli.

O repasse para a Expoacre Juruá foi feito em 29 de junho, por meio do Termo de Colaboração CC nº 01/2026. A Associação Transformar ficou responsável pela gestão, coordenação operacional, organização, contratações e execução financeira do evento. Taiane conduziu a coordenação institucional dentro da Casa Civil e representou o governo durante a preparação e a realização da feira.

Meses antes da parceria estadual, o irmão dela havia destinado duas emendas municipais à associação. A primeira, no valor de R$ 696.431, previa ações de saúde nas comunidades. A segunda reservava R$ 651 mil para atividades esportivas, educacionais e de capacitação. As duas somaram R$ 1.347.431 para o mesmo CNPJ posteriormente escolhido pela Casa Civil para administrar quase R$ 15,9 milhões na Expoacre Juruá.

Nos registros das emendas individuais previstas no orçamento de Rio Branco para 2026, Moacir foi o único vereador da capital a destinar recursos diretamente à Associação Transformar. O elo documentado está na presença da mesma associação em decisões financeiras ligadas aos dois irmãos: as emendas municipais apresentadas por Moacir e a feira estadual coordenada por Taiane.

A entidade já mantinha contratos com o Governo do Acre antes de assumir a Expoacre Juruá. Em 29 de abril, a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia pagou R$ 681.503,29 para a realização das comemorações do Dia do Trabalhador em Rio Branco. Na mesma data, repassou outros R$ 914 mil para as festividades em Cruzeiro do Sul.

Com o pagamento da Expoacre Juruá, a Associação Transformar recebeu R$ 17.443.813,29 do governo estadual em um intervalo de dois meses. Os três valores foram empenhados, liquidados e pagos.

A aproximação da entidade com o poder público ocorreu em meio a mudanças internas. Em dezembro de 2025, Carlos Henrique Oliveira do Nascimento passou a ocupar a presidência da associação. No mês seguinte, a organização apareceu no orçamento de Rio Branco como beneficiária das duas emendas de Moacir Júnior. Entre abril e junho, recebeu os três repasses do Governo do Acre.

O histórico do CNPJ acrescenta outra questão à parceria. Criada em 2020 como Federação de Futebol de Travinha do Acre, a organização era presidida por Elliton Damasceno Batista e atuava na promoção de atividades esportivas. Em documentos apresentados à Assembleia Legislativa em 2024, ainda se identificava como uma federação voltada à realização de campeonatos de futebol de travinha.

Posteriormente, o mesmo CNPJ passou a usar o nome Associação Transformar, ampliou suas finalidades e começou a administrar contratos públicos para eventos de grande porte. A alteração antecedeu a entrada da entidade em uma sequência de parcerias milionárias com o Estado.

Os registros públicos formam uma ligação objetiva: uma associação beneficiada por emendas do irmão da coordenadora da Expoacre Juruá recebeu, meses depois, R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar o evento comandado por ela. É essa proximidade entre recursos públicos, relações familiares e decisões administrativas que exige transparência.

PF deflagra operação contra desvio de recursos públicos na educação do Acre

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Talha Real para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação no Acre. A ação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. As investigações apontam suspeitas de irregularidades na aplicação de mais de R$ 51 milhões em recursos federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis fraudes em contratos firmados com recursos federais destinados à área da educação, além de indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está Aberson Carvalho, ex-secretário de Estado de Educação do Acre. Após deixar o comando da pasta, ele passou a atuar na articulação política e é apontado nos bastidores como um dos nomes cotados para coordenar a campanha da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Acre nas eleições deste ano. A Polícia Federal não detalhou a conduta atribuída individualmente aos investigados, e o cumprimento do mandado de busca não representa condenação.

Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Acre. A corporação não informou se a prisão tem relação com algum dos principais investigados da operação.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de seis empresas. As medidas buscam impedir a dissipação do patrimônio e assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da investigação.

Os envolvidos poderão responder por peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a participação de cada um dos alvos e o destino dos recursos públicos sob suspeita.

Gladson mira Zequinha, seu próprio apoiador

A Federação União Progressista, presidida no Acre pelo ex-governador Gladson Cameli, levou à Justiça Eleitoral o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, filiado ao Progressistas e aliado histórico do grupo político de Gladson. A ação foi apresentada poucos dias depois de Zequinha anunciar apoio ao senador Alan Rick para o Governo do Acre, embora tenha mantido publicamente Gladson como seu candidato ao Senado.

O processo também tem como alvo Alan Rick. O senador é acusado de propaganda eleitoral antecipada. Zequinha responde por suposta conduta vedada a agente público durante atividades realizadas pelo senador em Cruzeiro do Sul. O juiz Leandro Leri Gross autorizou que os pedidos fossem analisados no mesmo processo e abriu prazo de cinco dias para apresentação das defesas. Ainda não houve julgamento do mérito nem condenação dos envolvidos.

A inclusão de Zequinha no processo criou um desgaste direto. Gladson preside o PP no Acre e representa formalmente a Federação União Progressista no estado. Foi essa federação que pediu o processamento conjunto das acusações contra Alan e o prefeito de Cruzeiro do Sul.

O ato que levou ao processo ocorreu em 29 de junho, em Cruzeiro do Sul. A atividade reuniu apoiadores vestidos de amarelo, discursos políticos e lideranças locais.

Ao declarar apoio a Alan para o governo, Zequinha não rompeu com Gladson. O prefeito fez questão de dizer que continuaria no palanque do ex-governador na disputa pelo Senado. “O ex-governador sempre me deixou muito livre para tomar as decisões que eu tivesse que tomar. A decisão que estou tomando não vai tirar o apoio que vou dar a ele na candidatura ao Senado. Eu continuo apoiando o ex-governador Gladson Cameli para o Senado. É o meu candidato a senador aqui no Acre”, afirmou.

A acusação formal contra Zequinha não é de infidelidade partidária. O processo trata de possível uso da estrutura ou da autoridade municipal em favor da pré-candidatura de Alan Rick. Na prática política, porém, a ação veio logo depois de o prefeito deixar o palanque de Mailza Assis e aderir ao projeto de um candidato de outra legenda.

O caso também traz de volta a postura adotada pelo próprio Gladson nas eleições municipais de 2020. Naquele ano, o Progressistas tinha Tião Bocalom como candidato à Prefeitura de Rio Branco. Mesmo filiado ao PP, Gladson decidiu apoiar a então prefeita Socorro Neri, que disputava a reeleição pelo PSB.

O apoio de Gladson a Socorro foi público. Ele participou de sessão de fotos para a campanha e apareceu no material eleitoral da chapa formada por ela e Eduardo Ribeiro, do PDT. Na ocasião, Socorro chamou o então governador de seu “apoiador número 1”.

Antes da campanha, Gladson já havia rejeitado apoiar Bocalom, candidato de seu próprio partido. “Ela continua sendo a minha pré-candidata à Prefeitura da capital. E só vai deixar de ser se afirmar que não quer mais o meu apoio”, disse na época, em referência a Socorro Neri.

Mesmo fazendo campanha contra o candidato do próprio partido, Gladson não enfrentou processo semelhante por infidelidade partidária. Em 2023, durante a discussão sobre pedidos de expulsão contra Bocalom por apoio a Sérgio Petecão em 2022, voltou ao debate a diferença de tratamento em relação ao apoio dado por Gladson a Socorro em 2020.

A divergência partidária, por si só, não é novidade no grupo. O próprio Gladson defendeu esse direito quando escolheu Socorro Neri em vez de Tião Bocalom. A diferença está no tratamento dado a Zequinha, que está apoiando Alan para o governo, mas manteve Gladson como seu nome para o Senado.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul repassa R$ 305 mil ao Lar dos Vicentinos para atendimento a idosos

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou nesta quarta-feira (15) um Termo de Colaboração de R$ 305 mil com o Lar dos Vicentinos para reforçar a manutenção dos serviços oferecidos a idosos acolhidos pela instituição. O convênio foi firmado na sede da entidade e prevê o uso do recurso no custeio de atendimentos, alimentação, acompanhamento técnico e cuidados permanentes.

O valor é fruto de emenda parlamentar do senador Márcio Bittar. A assinatura contou com a presença do prefeito Zequinha Lima, secretários municipais, da representante do senador, Lucila Brunetta, e da presidente do Lar dos Vicentinos, irmã Simone.

O Lar dos Vicentinos acolhe 33 idosos em Cruzeiro do Sul. Parte deles tem alto grau de dependência e precisa de assistência em tempo integral. O repasse deve ajudar a manter as atividades da instituição e garantir a continuidade dos serviços prestados aos moradores.

Zequinha Lima afirmou que o convênio amplia o apoio do município à entidade. “A Prefeitura já é parceira do Lar dos Vicentinos e esse convênio fortalece ainda mais esse trabalho. Quero agradecer ao senador Márcio Bittar pela sensibilidade em destinar essa emenda. São mais de R$ 300 mil que vão ajudar a melhorar o atendimento aos nossos idosos. Faremos o repasse para que a instituição possa executar todas as ações previstas no plano de trabalho”, disse.

Irmã Simone afirmou que a instituição depende de parcerias para manter o atendimento aos idosos. “Essas parcerias são o que sustentam a nossa casa. Hoje acolhemos 33 idosos, sendo que cerca de 20 são quase totalmente dependentes e precisam de cuidados em tempo integral. Além dos convênios com a Prefeitura e com o Estado, as emendas parlamentares e as doações fazem toda a diferença. Somos muito gratos ao senador Márcio Bittar, ao prefeito Zequinha Lima e a todos que contribuem para que possamos continuar cuidando dos nossos idosos com dignidade”, afirmou.

Com o novo convênio, a Prefeitura amplia o suporte à rede de assistência social e reforça o atendimento a pessoas idosas em situação de acolhimento no município.