Governo Federal projeta R$ 5 bilhões para reconstrução da BR-364 e destrava anel viário de Brasileia

A reconstrução estrutural da BR-364 e as obras emergenciais na malha rodoviária federal do Acre deve receber um investimento de R$ 5 bilhões nos próximos anos, com licitações previstas para os trechos mais críticos até o final de 2026. “É um projeto que tem a sua projeção de 5 bilhões”, afirmou Ricardo Araújo ao explicar a dimensão das intervenções necessárias para garantir a estabilidade da pista sobre o solo argiloso local.

O cronograma de recuperação, focado na aplicação de macadame hidráulico e na desobstrução de pontos intrafegáveis para garantir o tráfego no estado, foi detalhado pelo diretor-presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Ricardo Araújo, nesta terça-feira, durante o podcast Gazeta Entrevista, apresentado por Astério.

O projeto executivo recém-lançado pelo Ministério dos Transportes abrange a reconstrução completa do segmento entre Sena Madureira e a região do Rio Macapá, totalizando 106 quilômetros de rodovia. Uma segunda frente de obras, estendendo-se do Macapá até o município de Fejó, terá sua licitação aberta entre setembro e outubro. O material adotado para a base das pistas é o macadame hidráulico, executado com uma espessura mínima de oito centímetros de pedra. A tecnologia é capaz de drenar a água bombeada pelo peso dos veículos pesados e evitar o rompimento precoce da capa asfáltica.

“A rodovia chegou no seu limite e precisávamos de uma ação mais drástica”, afirmou Araújo sobre o esgotamento do antigo pavimento. A necessidade social e logística do estado fez com que o Acre saltasse da 12ª para a primeira posição na lista de prioridades de projetos de engenharia do DNIT. Enquanto as obras estruturais de longo prazo aguardam os trâmites licitatórios, equipes já trabalham na eliminação de cerca de 70 quilômetros fragmentados que hoje representam os maiores gargalos da estrada, especialmente no lote cinco, nas proximidades de Fejó. O plano operacional vai garantir o trânsito fluído até o mês de setembro. As primeiras intervenções na pista reduziram o tempo de viagem entre Fejó e Tarauacá de quase duas horas para 55 minutos.

As rodovias acreanas enfrentam desafios geológicos severos causados pela movimentação de terras caídas, fenômeno intensificado pela rápida variação do volume hídrico dos rios locais. As estruturas das 65 pontes federais localizadas nas BRs 364 e 317 passam por vistorias e manutenções contínuas, sobretudo nas juntas de dilatação. A ponte sobre o Rio Caité, por exemplo, sofreu um deslocamento total de três metros em sua estrutura nos últimos anos devido à erosão fluvial. O local passa por monitoramento diário e recebeu reforço nos pilares para a liberação do tráfego.

Na BR-317, os trabalhos concentram-se no recapeamento e na correção de inclinação das pistas, como a obra executada na Curva do Alemão. O trecho entre Brasileia e Assis Brasil terá a manutenção assumida por uma nova empresa vencedora de licitação, a LCM. Em Brasileia, o edital para a construção do anel viário e das vias de acesso à ponte isolada no leito do rio foi colocado novamente na praça, superando um bloqueio gerado por fraudes documentais de empresas concorrentes na primeira tentativa de certame. O projeto engloba a construção de 10 quilômetros de vias laterais e vai aliviar o tráfego pesado sobre a antiga ponte José Augusto, erguida na década de 1980 e que opera acima da capacidade projetada.

Os R$ 5 bilhões que devem ser aplicados reconstrução estrutural da BR-364 no Acre estão com rubrica orçamentária carimbada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ponte do Badejo do Meio será interditada em Cruzeiro do Sul

A Ponte do Badejo do Meio, em Cruzeiro do Sul, será interditada nesta quinta-feira (18) para obras de recuperação após danos causados pelo período chuvoso. O aviso foi feito pelo secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras, Carlos Alves, que informou que a estrutura não suporta mais a passagem de caminhões pesados.

A interdição foi anunciada como medida necessária para permitir o início dos reparos e reduzir riscos para quem utiliza a travessia na zona rural do município. No comunicado, Carlos Alves afirmou que a ponte foi danificada pelas chuvas e que o fechamento da estrutura será necessário para a execução do serviço.

A região do Badejo já vinha recebendo ações de manutenção da prefeitura em ramais e pontes, dentro da frente de obras voltada ao acesso de moradores e produtores rurais. Nesta semana, a gestão municipal já havia informado que preparava o início da recuperação da Ponte do Badejo do Meio.

No aviso, o secretário também reforçou que as equipes seguem mobilizadas por orientação do prefeito Zequinha Lima. “Nesta quinta-feira estaremos interditando a Ponte do Badejo do Meio”, disse. Ele acrescentou que “os serviços da Secretaria de Obras não param”.

EXCLUSIVO: Alan Rick fala sobre governo do Acre usar máquina pública para barrar sua pré-candidatura

O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, afirmou em entrevista exclusiva ao IntegraçãoNet.com, conduzida pelos jornalistas Chico Melo e Rogério Wenceslau, que vê perseguição política na decisão judicial que mandou retirar outdoors de divulgação de seu mandato. A conversa, gravada em tom de reação imediata, colocou no centro da disputa eleitoral de 2026 uma pergunta que já atravessa os bastidores da política acreana: onde termina a prestação de contas de um parlamentar e onde começa a propaganda eleitoral antecipada?

Alan Rick tratou a decisão como um ato direcionado contra ele. Ao comentar a retirada dos outdoors, afirmou que divulga ações do mandato desde o período em que exerceu o cargo de deputado federal e que usa instrumentos que considera legais para prestar contas à população. “Isso está na lei. É lícito. É legal”, declarou. O senador comparou sua situação à de outros agentes políticos que, segundo ele, também expõem seus nomes em peças públicas no Acre, incluindo a governadora Mailza Assis e o senador Márcio Bittar. “Os meus, em que eu apenas divulgo as ações do meu mandato, a prestação de contas do mandato, democraticamente concedido pela população, nós somos perseguidos”, disse.

A entrevista ganhou peso político porque Alan Rick não se limitou a contestar a decisão. Ele apontou uma disputa desigual entre um pré-candidato que depende da divulgação do próprio mandato e um governo que, na visão dele, dispõe de contratos de mídia, estrutura administrativa, cargos e influência sobre a máquina pública. “A guerra política fica muito desigual. A disparidade de armas em favor do governo é gigantesca”, afirmou. O senador disse que vai recorrer por meio de sua equipe jurídica, mas declarou que cumprirá a decisão judicial enquanto busca reverter a medida.

A controvérsia entra em uma área sensível do direito eleitoral. A legislação brasileira veda propaganda eleitoral por meio de outdoors, inclusive eletrônicos, com previsão de retirada da peça e multa, conforme compilação do Tribunal Superior Eleitoral sobre o tema. A disputa política, no caso relatado por Alan Rick, passa justamente pela diferença entre propaganda eleitoral e divulgação de mandato, ponto que deve ser enfrentado pela defesa do senador nos recursos anunciados.

Alan Rick também levou a discussão para outro campo: o uso da estrutura do Estado na pré-campanha. Questionado sobre declarações atribuídas ao ex-governador Gladson Cameli a respeito da “máquina” fazer diferença na eleição, o senador afirmou estar preocupado com a atuação do grupo governista. “Eles usam muito esse argumento, que vão usar pesadamente a máquina, que vão atropelar, que têm muito dinheiro, que têm muita estrutura, que têm os cargos”, disse. A frase resume o eixo da entrevista: a disputa pelo governo do Acre, ainda antes da campanha oficial, já se move entre decisões judiciais, comunicação pública, presença territorial e controle da narrativa.

O senador citou ainda um episódio no Instituto Socioeducativo, em Rio Branco, para reforçar a tese de que estaria sendo impedido de exercer prerrogativas do mandato. Alan Rick afirmou que, mesmo na condição de relator de uma proposta sobre carreira e estrutura dos agentes socioeducativos no Senado, foi barrado ao tentar entrar no órgão para dialogar com servidores. “O senador é um fiscalizador. Ele tem prerrogativa constitucional. E nós somos barrados de exercer a nossa função”, declarou. A fala desloca a denúncia do campo eleitoral para o campo institucional, porque envolve a relação entre um parlamentar federal e órgãos administrados pelo governo estadual.

Na parte final da entrevista, Alan Rick tentou separar a reação jurídica da estratégia política. Disse que as questões judiciais ficarão com os advogados e que a pré-campanha seguirá centrada na divulgação do mandato, no diálogo com a população e na plataforma Fala Acre, criada para receber sugestões de moradores dos municípios. “As denúncias que têm que ser feitas serão feitas, que é o nosso papel e a população nos elegeu para isso”, afirmou.

O caso das máquinas compradas com recursos federais também entrou na entrevista como exemplo da disputa de narrativa. Alan Rick afirmou que os equipamentos entregues a municípios, ao governo estadual e a associações de produtores foram viabilizados por emendas parlamentares destinadas ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Segundo ele, o modelo permitiu compra no mesmo ano da indicação dos recursos, com economia estimada por ele entre 20% e 30% em relação a processos mais demorados feitos diretamente pelo Estado.

A crítica mais dura veio ao falar de Mâncio Lima. Alan Rick acusou o governo estadual de tentar apresentar as máquinas como se fossem uma entrega própria da administração. “São emendas parlamentares. Emendas que os parlamentares do Acre, os deputados federais e senadores, destinaram ao Ministério da Integração para aquisição das máquinas”, afirmou. Para ele, Estado e municípios aparecem como beneficiários, não como responsáveis exclusivos pela entrega dos equipamentos.

O tom da entrevista ajuda a entender por que a retirada dos outdoors não é apenas uma disputa sobre placas. Alan Rick aparece nas pesquisas recentes como um dos principais nomes na corrida pelo Palácio Rio Branco. Levantamento Paraná Pesquisas divulgado pelo Poder360 em 3 de junho de 2026 colocou o senador à frente nos cenários de primeiro e segundo turno para o governo do Acre, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais e registro no TSE sob o número AC-01182/2026.

No encerramento, o senador adotou o discurso de quem pretende transformar os ataques que diz sofrer em combustível político. “O jogo é bruto”, afirmou, antes de dizer que percebe “uso abusivo da máquina, do poder econômico e do poder político” contra sua pré-candidatura. A frase, dita ao fim da entrevista, dá o tom do embate que deve marcar a sucessão estadual: de um lado, o governo tentando preservar território político; de outro, Alan Rick tentando sustentar a imagem de candidato perseguido por enfrentar a força da máquina.

A entrevista ao IntegraçãoNet.com não encerra a controvérsia. Ao contrário, abre uma nova fase da disputa. A decisão judicial sobre os outdoors deverá seguir para análise dos recursos anunciados pela defesa do senador. As acusações de uso da máquina pública, por sua vez, exigem apuração própria, manifestação dos citados e eventual exame dos órgãos de controle. Politicamente, porém, Alan Rick já escolheu o caminho: vai tratar a retirada das peças, a entrega das máquinas e os episódios em órgãos estaduais como partes de uma mesma narrativa de enfrentamento ao governo.

Ação contra outdoors de Alan Rick acende guerra eleitoral no Acre

A pedido da Federação União Progressista, Justiça Eleitoral determinou retirada de peças publicitárias do senador em Rio Branco; no Jornal da Manhã, caso foi tratado como sinal de endurecimento da pré-campanha

A disputa pelo governo do Acre ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 17, após a Justiça Eleitoral determinar a retirada de outdoors do senador Alan Rick, do Republicanos, instalados em diferentes pontos de Rio Branco. A decisão foi tomada a partir de uma representação apresentada pela Federação União Progressista, formada pelo Progressistas e pelo União Brasil, grupo político ligado à governadora Mailza Assis.

As peças publicitárias destacavam a atuação parlamentar de Alan Rick e associavam o senador à destinação de recursos para obras e investimentos na capital. Entre as frases questionadas estão expressões como “onde tem obra em Rio Branco tem recurso garantido pelo senador Alan Rick”, “tem trabalho do senador Alan Rick” e “com o apoio do senador Alan Rick”.

O juiz eleitoral Luciano Oliveira de Melo determinou que os outdoors sejam retirados no prazo de 24 horas. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil. A decisão tem caráter provisório e ainda será analisada no mérito, com prazo para manifestação da defesa do senador.

No programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, o caso foi tratado como um marco da abertura da guerra eleitoral no Acre. A bancada avaliou que a ação do partido da governadora contra o senador sinaliza que a disputa deixou o campo dos bastidores e passou a ser travada também na esfera judicial.

Durante o comentário, os apresentadores questionaram o tratamento dado aos materiais de divulgação de Alan Rick e compararam o caso com peças associadas ao governo estadual. A crítica feita no programa foi de que, se a Justiça Eleitoral for acionada para avaliar outdoors do senador, também deveria haver o mesmo rigor em relação a materiais que, segundo a bancada, fazem promoção da imagem da governadora.

“Se é para ser justo, que seja justo com todo mundo”, afirmou Chico Melo durante o programa, ao comentar a decisão. A bancada também lembrou que Alan Rick tem usado sua atuação no Senado e a destinação de emendas como uma das principais vitrines políticas no período de pré-campanha.

Procurado pela equipe do Jornal da Manhã, Alan Rick respondeu de forma breve. Segundo o programa, ao ser questionado sobre a decisão, o senador citou os “outdoors cor-de-rosa com promoção pessoal da candidata” e classificou a medida como “uma vergonha”.

A decisão ocorre em um momento de acirramento entre os principais grupos que devem disputar o governo em 2026. Alan Rick aparece como pré-candidato ao Palácio Rio Branco pelo Republicanos, enquanto Mailza Assis, atual governadora, é o nome do Progressistas para a disputa.

Além da retirada das peças, a decisão também impede a instalação de novos materiais com características semelhantes enquanto o processo estiver em análise. Para a Federação União Progressista, os outdoors ultrapassam os limites da divulgação parlamentar e configuram promoção pessoal antecipada, especialmente pelo uso de mídia considerada proibida pela legislação eleitoral.

A defesa de Alan Rick ainda poderá apresentar seus argumentos no processo. Até lá, a determinação da Justiça Eleitoral permanece válida e coloca a pré-campanha acreana em um novo patamar de tensão.

Na prática, o episódio mostra que a eleição de 2026 já começou antes do calendário oficial. E começou com disputa por narrativa, ocupação de espaços públicos e judicialização da comunicação política.

Jorge Viana põe pré-candidatura ao Senado na estrada e anuncia agenda em Capixaba e Acrelândia

Pré-candidato ao Senado pelo PT no Acre, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana publicou nesta quarta-feira, 17, um vídeo nas redes sociais em que anuncia agenda no interior do estado, com passagem por Capixaba e Acrelândia. Na gravação, ele diz que a mobilização começa ainda nesta quarta e segue nos próximos dias, com deslocamento por estrada e pernoite fora de casa.

“Se o pessoal acha que o Acre tem problema, eu posso ajudar”, afirma Jorge Viana no vídeo. Em seguida, ele detalha o roteiro: “E vocês estão dormindo, a gente madruga. Já estamos aqui hoje e amanhã vamos para a estrada Capixaba dormir lá em plástico, depois Acrelândia, porque a nossa luta começa cedo e vai até tarde.”

Na mesma publicação, o petista também faz um chamado aos apoiadores e associa a agenda à defesa do estado. “É por isso que, graças a Deus, a gente está juntando cada vez mais amigos e amigas que têm amor pelo Acre. Aqui é pelo Acre, aqui tem Acre. Vambora”, diz.

Já em Capixaba, o petista se reuniu com o prefeito Manoel Maia e visitou lideranças locais. Durante a passagem pelo município, ele defendeu diálogo entre diferentes grupos políticos e afirmou que a prioridade deve ser os interesses do estado.

Na visita, Jorge Viana relembrou ações realizadas em Capixaba durante o período em que governou o Acre e citou obras e serviços nas áreas de energia, abastecimento de água, eletrificação rural e urbanização. “Capixaba é um lugar pelo qual tenho um carinho muito especial. Quando assumi o governo, a cidade ainda enfrentava muitas dificuldades. Trabalhamos para levar energia de forma permanente, água tratada, eletrificação rural e melhorias urbanas que ajudaram a transformar a realidade da população”, afirmou.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul revitaliza acesso ao Rio Croa com limpeza e sinalização

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul realizou no fim de semana uma força-tarefa no acesso ao Rio Croa, na BR-364, com serviços de limpeza, reforço da sinalização viária, organização do estacionamento e ações de educação ambiental. A mobilização reuniu equipes das secretarias municipais de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana, Meio Ambiente e Obras, com o objetivo de melhorar a infraestrutura do local e ampliar a segurança para moradores, trabalhadores e visitantes de um dos principais destinos turísticos do município.

A intervenção busca dar mais conforto a quem frequenta a área diariamente e, ao mesmo tempo, preservar o rio e o entorno. O secretário municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana, Jonas Saraiva, afirmou que a ação atende a uma determinação do prefeito Zequinha Lima e disse que a nova sinalização deve organizar melhor o fluxo de veículos e pedestres, além de beneficiar turistas e empreendedores que dependem da atividade turística para gerar renda.

A secretária municipal de Meio Ambiente, Edna Fonseca, disse que a operação também incluiu orientações sobre o descarte correto de resíduos sólidos. Segundo ela, a preservação do Rio Croa depende da colaboração de moradores e visitantes e é decisiva para manter o potencial econômico e turístico da região.

Rio Branco antecipa plano contra seca e quer evitar desabastecimento de água em 2026

A Prefeitura de Rio Branco apresentou nesta terça-feira, 16 de junho, um plano de contingência para manter a captação, o tratamento e a distribuição de água durante o período de estiagem de 2026, diante da previsão de nova queda acentuada no nível do Rio Acre. O pacote foi detalhado em reunião com órgãos de controle, fiscalização e defesa civil e prevê intervenções no leito do rio, monitoramento permanente e mobilização de equipes para evitar interrupções no abastecimento da capital.

A estratégia foi organizada pelo Saerb, que trata o cenário como preventivo, mas trabalha com a possibilidade de uma seca mais severa do que a registrada em 2024. No ano passado, o Rio Acre chegou a 1,23 metro, na pior estiagem em 54 anos de medições. Agora, a prefeitura pretende agir antes do agravamento do quadro. Entre as medidas previstas estão dragagem, escavações em pontos estratégicos, construção de pequenas barragens e outras ações técnicas para manter a operação do sistema mesmo com o rio em níveis críticos.

Durante a apresentação, o diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, afirmou que a meta é manter a cidade abastecida mesmo em um cenário extremo. “Se houver qualquer volume de água no rio, teremos condições de captar, tratar e distribuir. Nosso compromisso é não deixar faltar água na casa de ninguém”, disse.

O plano foi apresentado a representantes do Ministério Público, do Tribunal de Contas, da Câmara Municipal, das Defesas Civis estadual e municipal e de órgãos ambientais. A proposta também prevê receber sugestões de instituições parceiras para reforçar a resposta do município durante o período mais crítico do verão amazônico.

A Defesa Civil municipal também trabalha com um cenário de risco para os próximos meses, sobretudo a partir de julho, com possibilidade de agravamento dos efeitos climáticos associados ao El Niño. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, disse que o planejamento vai além da área urbana e considera reflexos da estiagem sobre saúde pública, agricultura, educação, meio ambiente e zona rural.

Pelas projeções apresentadas, os 230 bairros de Rio Branco e 71 comunidades rurais poderão sentir os efeitos da falta de chuva, das temperaturas elevadas e do aumento do risco de queimadas. A avaliação da prefeitura é que o enfrentamento da estiagem exigirá ação conjunta de diferentes áreas da administração para reduzir os impactos e preservar a segurança hídrica da população.

Mâncio Lima realiza 9ª Conferência Municipal de Saúde e aprova propostas para fortalecer o SUS

A Prefeitura de Mâncio Lima realizou nesta terça-feira (16), por meio da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Municipal de Saúde, a 9ª Conferência Municipal de Saúde, reunião que definiu propostas para reforçar as políticas públicas do setor no município e contribuir com o debate estadual e nacional sobre o Sistema Único de Saúde. Com o tema “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”, o encontro reuniu usuários do sistema, trabalhadores da saúde, gestores e prestadores de serviço.

A programação incluiu plenária de abertura, palestras, debates, grupos de trabalho temáticos, plenária final e a eleição da delegação que vai representar Mâncio Lima na etapa estadual da conferência. Ao longo do dia, os participantes discutiram quatro eixos centrais: democracia e direito à saúde, financiamento do SUS, emergências climáticas e justiça socioambiental, além do modelo de atenção e gestão voltado ao cuidado integral da população.

Nos grupos de trabalho, as propostas foram debatidas e votadas com participação paritária entre usuários, trabalhadores da saúde e gestores. As diretrizes aprovadas serão reunidas em relatório final que servirá de base para a formulação do Plano Municipal de Saúde e também para a contribuição do município na Conferência Estadual de Saúde.

A secretária municipal de Saúde, Rusie Lima, afirmou que a conferência amplia o diálogo entre poder público, profissionais e população e ajuda a definir prioridades para os próximos anos. “A Conferência Municipal de Saúde é um momento em que a população, os profissionais e os gestores se unem para pensar o presente e o futuro da saúde em nosso município. Cada proposta construída aqui representa um compromisso com o fortalecimento do SUS e com a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos à nossa população. Esse diálogo é essencial para que possamos avançar cada vez mais em uma saúde pública humanizada e eficiente”, disse.

Ao fim da conferência, foram eleitos os delegados que levarão as propostas aprovadas em Mâncio Lima para a fase estadual. As resoluções e diretrizes definidas durante o encontro devem orientar o planejamento das ações da Secretaria Municipal de Saúde e servir como referência para a organização das políticas públicas da área no município.

STF condena Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou por unanimidade, nesta terça-feira (16), em Brasília, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento tratou da atuação do ex-parlamentar para estimular medidas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil e contra integrantes da Corte, numa tentativa de pressionar o andamento da ação sobre a trama golpista que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O placar foi de 4 votos a 0, com votos do relator Alexandre de Moraes e dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Depois da condenação, a sessão avançou para a fase de definição da pena.

A acusação sustentou que Eduardo Bolsonaro incentivou o tarifaço sobre exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do STF e de integrantes do governo federal, além de outras sanções econômicas, com o objetivo de constranger o Judiciário e influenciar o desfecho do processo. Para a Procuradoria-Geral da República, as pressões ultrapassaram o discurso político e produziram efeitos concretos.

A defesa pediu absolvição e argumentou que Eduardo Bolsonaro não tinha poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos. Também questionou a condução do processo e a participação do relator no julgamento. Eduardo está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato na Câmara por faltas às sessões.

A condenação abre mais um flanco judicial no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e amplia a reação do Supremo contra tentativas de pressionar a Corte por meio de articulações externas. O caso também reforça a leitura, dentro do tribunal, de que ações para buscar sanções internacionais contra autoridades brasileiras podem ser tratadas como ataque ao funcionamento das instituições.

Acre abre 7ª Semana do Migrante e amplia debate sobre acolhimento na fronteira

O governo do Acre abriu nesta terça-feira, 16 de junho, a 7ª Semana Estadual do Migrante, Refugiado e Apátrida, no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, com uma programação voltada ao fortalecimento das políticas públicas para acolhimento, proteção e regularização de pessoas em situação migratória. O evento também marca a preparação para novas agendas na faixa de fronteira e para um encontro binacional com a Bolívia, previsto para 25 de junho.

A programação foi organizada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos em parceria com o Comitê Estadual de Apoio a Migrantes, Apátridas e Refugiados. A semana reúne representantes do poder público, organismos de apoio e instituições ligadas à defesa de direitos, em meio ao avanço do debate sobre o fluxo migratório no estado, que há mais de uma década ocupa posição estratégica na entrada de estrangeiros pela fronteira acreana.

Na abertura, o secretário João Paulo Silva defendeu o enfrentamento das falhas no atendimento à população vulnerável e afirmou que o debate sobre direitos humanos ainda esbarra em práticas de negligência. A fala ocorreu no contexto da discussão sobre o acesso de migrantes e refugiados a proteção, assistência e serviços públicos.

O presidente do comitê estadual, Lucas Rodrigues Guimarães, afirmou que a proposta desta edição é dar mais visibilidade à pauta migratória no Acre e reforçar a articulação com os países vizinhos. Segundo ele, a agenda inclui visitas a casas de passagem e a construção de um diálogo mais permanente entre Brasil e Bolívia sobre o tema.

A programação segue nos dias 24 e 25 de junho em Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia, municípios diretamente ligados à dinâmica migratória na região de fronteira. O dia 25 será dedicado ao encontro bifronteiriço entre Brasil e Bolívia, com foco na cooperação institucional e no aprimoramento das ações de acolhimento.

O evento também contou com representantes do Consulado do Peru, da Defensoria Pública da União, da Organização Internacional para as Migrações, da Defensoria Pública do Estado e de órgãos estaduais. Entre os temas discutidos estão acesso à documentação, regularização migratória, integração local e garantia de direitos.

Após a cerimônia de abertura, a programação teve palestras sobre o histórico da política migratória no Acre entre 2010 e 2020 e sobre os avanços mais recentes na estrutura de atendimento montada pelo estado. A discussão ocorre em uma semana que abrange duas datas simbólicas para o tema: o Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho, e o Dia do Imigrante, em 25 de junho.