Acre decreta emergência em saúde por avanço da SRAG e superlotação de UTIs

O governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública em todo o estado após o aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave, das internações e da ocupação de leitos, principalmente na rede pediátrica. A medida tem prazo inicial de 90 dias e foi adotada para acelerar a resposta da rede estadual diante da pressão sobre hospitais e unidades de referência.

Com o decreto, a Secretaria de Estado de Saúde passa a centralizar as ações de enfrentamento, com prioridade para reforço da assistência, reorganização do atendimento e ampliação da capacidade de resposta da rede. O objetivo é reduzir o impacto do avanço das doenças respiratórias sobre o sistema público, que já opera sob forte demanda.

Entre janeiro e maio deste ano, o Acre somou 1.303 notificações de SRAG, número acima do registrado no mesmo período dos anos anteriores. A situação mais crítica está no atendimento infantil. A ocupação chegou a 91,9% na UTI Pediátrica 1, 89,2% na UTI Pediátrica 2 e 87,7% nas enfermarias pediátricas, quadro que levou o estado a adotar medidas emergenciais para evitar colapso no atendimento.

A circulação simultânea de vírus respiratórios agravou o cenário. Entre os agentes identificados estão influenza A, vírus sincicial respiratório, rinovírus, adenovírus e metapneumovírus. Crianças menores de 2 anos e idosos aparecem entre os grupos com maior risco de agravamento. Até o fim de maio, o estado havia registrado 37 mortes por SRAG em 2026, sendo 14 entre crianças na primeira infância.

O interior também entrou no radar das autoridades sanitárias. Em Feijó, foram registradas nove mortes por SRAG neste ano, seis delas de crianças indígenas. O avanço dos casos fora da capital ampliou o alerta da vigilância em saúde e reforçou a necessidade de uma resposta coordenada em todo o estado.

A decretação da emergência permite ao governo agilizar medidas administrativas e assistenciais para enfrentar a alta de casos e tentar conter a sobrecarga nas unidades de saúde. A prioridade, agora, é ampliar a capacidade de atendimento e evitar que a pressão sobre os leitos se agrave nas próximas semanas.

Acre terá entrega recorde de máquinas e veículos em ato do governo Lula

O governo federal fará nesta sexta-feira, 5 de junho, em Rio Branco, uma entrega recorde de máquinas, veículos e equipamentos para o Acre, em cerimônia marcada para as 10h na Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária. A ação reúne recursos articulados pela bancada federal e será acompanhada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. O pacote foi montado para reforçar a produção rural, ampliar a capacidade de atendimento das prefeituras e melhorar serviços públicos nos 22 municípios do estado.

O programa prevê a compra de 2.051 itens, entre máquinas pesadas, veículos e implementos, com investimento superior a R$ 223 milhões. No aviso oficial da agenda, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que o ato desta sexta anunciará a entrega de 1,6 mil máquinas, com R$ 206 milhões em investimentos, e que cerca de 320 unidades já estavam disponíveis para o estado antes da solenidade. Entre os equipamentos previstos para as primeiras remessas estão motoniveladoras, retroescavadeiras, escavadeiras hidráulicas, tratores de esteira, carretas basculantes e microtratores.

A distribuição foi desenhada para atender prefeituras, associações e cooperativas, com foco em obras de infraestrutura local, recuperação de ramais, mecanização da produção agrícola e apoio ao escoamento. Nas etapas seguintes, o cronograma também inclui ônibus, picapes, caminhões, quadriciclos, motocicletas e grades agrícolas.

A programação prevê ainda a presença do secretário nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Edgar Batista de Azevedo Caetano, além de parlamentares, prefeitos e gestores públicos. A chegada do ministro a Rio Branco está prevista para a manhã de sexta, com atendimento à imprensa no local do evento.

A entrega ocorre num momento em que a mecanização e a estrutura de transporte voltaram ao centro da agenda de desenvolvimento do estado, sobretudo nas áreas rurais. Com a ampliação da frota e do maquinário, a expectativa do governo e das prefeituras é reduzir gargalos logísticos, melhorar a manutenção de estradas vicinais e dar suporte mais rápido a comunidades que dependem da produção agrícola e da atuação direta dos municípios.

Presença indígena na política é necessidade democrática diante da crise ambiental e da mentira

Artigo de Francisco Piyãko*

A presença indígena na política não é ameaça. É necessidade democrática. Num tempo em que a crise ambiental avança, a desinformação decide eleições e os povos da floresta continuam sendo atacados por defender seus territórios, ocupar espaços de decisão deixou de ser apenas uma escolha. Passou a ser uma responsabilidade com o futuro do Acre, da Amazônia e do Brasil.

Nós, povos indígenas, conhecemos bem o funcionamento da política tradicional. Vemos grupos investindo muito para chegar ao poder e, depois, usando ainda mais força para permanecer nele. Muitas vezes, o objetivo deixa de ser fazer melhor. Passa a ser apagar o outro, enfraquecer lideranças novas, fabricar medo e transformar a disputa pública numa guerra. Esse modelo não combina com a forma como entendemos liderança. Para nós, uma liderança cresce quando serve melhor ao seu povo, quando orienta, quando escuta e quando protege a comunidade diante das ameaças.

Ser liderança indígena não é privilégio. É sacrifício. Ninguém assume essa caminhada porque alguém está pagando ou bancando. A força vem da responsabilidade com o povo, da defesa do território, da necessidade de dialogar com governos, municípios, autoridades e instituições que nem sempre chegam preparados para ouvir. Quando existe espaço de conversa, nós sentamos. Quando não existe, seguimos organizados, fortalecendo alianças e protegendo nossos direitos.

O que dificulta a relação não é explicar o pensamento indígena. O que dificulta é a falta de respeito. Quanto menos se respeita os povos indígenas, mais crescem a violação de direitos, a pobreza e a vulnerabilidade. Onde o direito coletivo enfraquece, a violência avança. Por isso, a articulação entre os povos é tão importante. É ela que sustenta conquistas, protege territórios e mantém viva a força coletiva reconhecida na Constituição.

A mentira virou uma das principais armas contra nós. Fake news, promessas vazias e campanhas de medo exploram a necessidade das pessoas. Em muitos lugares, a desinformação chega antes da verdade, grita mais alto e ajuda a eleger candidatos que depois votam contra os povos indígenas, contra o meio ambiente, contra a região e contra os direitos sociais. Muitas vezes, os piores candidatos vencem porque a população foi cercada por mentiras.

É nesse cenário que a presença indígena na política precisa ser entendida. Nós não disputamos cargo para destruir ninguém. Não fazemos guerra contra não indígenas, extrativistas, ribeirinhos ou moradores das cidades. O cargo pode ser um meio para levar nossa voz aonde as decisões acontecem. Gestão, Legislativo, Judiciário, governo e parlamento precisam ouvir quem sempre foi tratado como assunto, mas raramente como sujeito da própria história.

Também é por isso que alguns grupos se sentem ameaçados quando aparece uma candidatura indígena. Eles estavam acostumados a falar em nosso nome, em nome da Amazônia, da floresta e até do futuro. Querem ser ambientalistas sem nunca ter plantado uma árvore, colhido uma semente, compreendido um rio, pescado para viver ou sentido a natureza como parte da própria vida. Usam a floresta em discursos bonitos fora daqui, mas, quando voltam, trabalham para enfraquecer lideranças que defendem os territórios de verdade.

Foi isso que apareceu quando Nikolas Ferreira veio ao Acre, a convite do senador Márcio Bittar, e disse que já conhecia o estado mais do que Marina Silva. Ele tentou atingir Marina, mas acabou enfraquecendo ainda mais o senador, que abriu o palanque para esse tipo de ataque. Porque quando um deputado de fora passa poucos dias no Acre e se sente autorizado a dizer que conhece esta terra mais do que uma mulher nascida no seringal, formada na luta social acreana e reconhecida no Brasil e no mundo pela defesa ambiental, ele não diminui Marina. Ele revela a arrogância de quem usa a Amazônia como palco.

Marina pode ser criticada, como qualquer liderança pública. O problema é transformar crítica em deboche contra uma história. Existe uma diferença profunda entre discordar de uma posição política e tentar apagar uma trajetória construída dentro da floresta. Quando isso acontece, o debate fica menor. E quem oferece palanque para esse tipo de ataque assume também o custo político da escolha.

Essa cena mostra uma disputa maior: quem tem o direito de falar sobre a Amazônia? Há quem chegue, grave vídeo, faça discurso, ataque lideranças da floresta e vá embora achando que entendeu tudo. Mas o Acre não se aprende em visita rápida. O rio não se compreende pela janela de caminhonete. A floresta não é cenário de campanha. Ela é casa, alimento, remédio, memória, água e futuro.

Nós não vivemos numa ilha. A luta socioambiental não pertence apenas aos povos indígenas. Quando se desmata uma cabeceira, quando se ameaça a Reserva Chico Mendes, quando se derrubam áreas de floresta que ajudam a sustentar os rios, a consequência chega também à cidade. Imaginem o Rio Acre secando de verdade, sem água suficiente para Rio Branco e para os municípios que dependem dele. Ninguém está preparado para isso com a seriedade necessária.

A ciência vem avisando. A nossa experiência também. O tempo da floresta mudou, os rios baixam, o calor aumenta, a fumaça volta e a situação hídrica se agrava. Mesmo assim, há setores que continuam defendendo mais desmatamento, inclusive em áreas que funcionam como reservatório natural da vida no Acre. Tratam a proteção ambiental como obstáculo, quando ela é condição básica para qualquer futuro.

A política indígena assusta porque coloca essa verdade na mesa. Ela pergunta desenvolvimento para quem, a que custo e por quanto tempo. Pergunta por que alguns grupos defendem interesses particulares como se fossem interesse do povo. Pergunta por que tantos têm medo de que os povos da floresta ocupem espaços de decisão e deixem de ser apenas mão de obra, símbolo de campanha ou assunto de discurso.

Nós não estamos no momento de dividir. Estamos no momento de falar sério. A seca não vai perguntar em quem cada pessoa votou. A falta de água não vai separar indígena, comerciante, trabalhador, empresário, criança, idoso, aldeia ou capital. Quando o colapso chegar, todos vão entender que proteger floresta, território indígena, reserva extrativista e rio era uma política de sobrevivência.

Por isso, candidatura indígena não é atraso. Atraso é uma cidade sem segurança hídrica. Atraso é destruir a floresta que protege a água. Atraso é votar contra direitos ambientais e depois dizer que defende a região. Atraso é usar mentira para convencer o povo de que seus verdadeiros defensores são inimigos.

A democracia brasileira precisa de mais presença indígena porque nós carregamos uma experiência que o Estado ignorou por tempo demais. Sabemos que território não é mercadoria comum. Sabemos que rio não é apenas recurso. Sabemos que floresta não é vazio. Sabemos que vida coletiva exige responsabilidade. Essa visão não substitui a ciência nem as instituições. Ela se soma a elas com a força de quem vive a realidade no corpo.

O medo de alguns grupos diante da nossa presença revela mais sobre eles do que sobre nós. Se uma candidatura indígena ameaça alguém, talvez ameace privilégios, negócios mal explicados, discursos vazios e a velha prática de falar sobre a Amazônia sem dividir a decisão com quem vive nela. Para a democracia, nossa presença não é ameaça. É correção de rota.

O Acre já pagou caro por ignorar suas vozes da floresta. Pagou com conflito, morte, abandono, seca, fumaça e desigualdade. Não podemos continuar tratando os povos indígenas como problema enquanto os verdadeiros problemas avançam sobre a terra, a água e a verdade. O que defendemos não é privilégio indígena. É o direito de todos a continuar vivendo.

A minha luta é para que nossa voz chegue aos espaços de decisão sem pedir licença a quem sempre nos quis calados. A presença indígena na política não divide o Acre. Ela obriga o Acre a se olhar com honestidade. Ela mostra que defender os povos da floresta é defender a água, a cidade, o clima, a comida, a memória e o futuro.

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É saber se o Acre vai continuar servindo de palco para quem chega de fora e debocha da sua história, ou se vai abrir caminho para quem conhece esta terra pela responsabilidade de protegê-la. Eu escolho o segundo caminho. Nele, a presença indígena não é favor, não é concessão e não é ameaça. É necessidade democrática.

*Francisco Piyãko é liderança indígena do Povo Ashaninka, do Rio Amônia, de Marechal Thamaturgo, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), ex-secretário dos Povos Indígenas do governo do Acre e ex-assessor da presidência da Funai.

Jorge Viana lidera corrida ao Senado no Acre e sai na frente em nova pesquisa do Paraná Pesquisas

Jorge Viana, do PT, apareceu na frente na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 3. No cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador marcou 34,7% das intenções de voto, à frente de Gladson Cameli, do PP, com 32,6%, e de Márcio Bittar, do PL, com 29,9%. Os três estão em empate técnico por causa da margem de erro de 3,2 pontos percentuais, mas o levantamento coloca Jorge Viana numericamente na liderança.

A pesquisa mostra um cenário aberto, mas com um dado político que chamou atenção: Jorge Viana reaparece no topo de uma disputa majoritária no Acre e entra no debate de 2026 com um sinal de força eleitoral. Atrás dos três primeiros colocados aparecem Coronel Ulysses, com 21,9%; Mara Rocha, com 21,6%; Sérgio Petecão, com 13,9%; Jéssica Sales, com 11,3%; Eduardo Velloso, com 9%; e Júnior Feitosa, com 1,6%.

Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais passa de 100%. O levantamento ouviu mil eleitores em 18 municípios do Acre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número AC-01182/2026.

No comentário feito no Jornal da Manhã desta quarta-feira, Rogério Wenceslau tratou a liderança de Jorge Viana como a principal surpresa do levantamento. Para ele, o resultado muda o eixo inicial da disputa e recoloca o petista em posição central no tabuleiro político do Acre. A leitura é que, mesmo dentro do empate técnico, o fato de Jorge Viana aparecer na frente produz efeito político imediato, principalmente porque o cenário até aqui era de maior expectativa em torno dos nomes ligados à direita e ao grupo governista.

A dianteira de Jorge Viana também amplia o peso de sua possível candidatura num momento em que os partidos ainda fazem contas e ajustam estratégias para 2026. A pesquisa não define a eleição, mas entrega uma fotografia relevante do cenário atual e mostra que o petista largou à frente nesta rodada, com capital político para influenciar alianças, discursos e movimentos dos adversários.

No mesmo comentário, Wenceslau destacou ainda os números da corrida pelo governo do Acre, que também reforçam a antecipação da sucessão estadual. No cenário estimulado, Alan Rick aparece com 41,2%, Mailza Assis tem 24,4%, Tião Bocalom soma 16,1% e Thor Dantas registra 3,8%. A combinação dos dois quadros mostra que a disputa de 2026 já começou a ganhar forma no Estado.

Vale lembrar que Gladson Cameli ficou inelegível após ser condenado em 6 de maio de 2026 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e 9 meses de prisão, com perda do cargo, no processo que apurou corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Cameli nega irregularidades e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Jorge Viana articula vinda de ministro de Lula ao Acre; 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos

Jorge Viana anunciou a vinda do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ao Acre na sexta-feira, 5 de junho, para o lançamento do Programa INOVA, iniciativa do governo federal voltada à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da infraestrutura produtiva dos estados e municípios. O evento será realizado às 10h, na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Rio Branco, e deve marcar a entrega de cerca de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos para prefeituras, governo do Estado e entidades do setor produtivo.

A confirmação da agenda ocorreu em Brasília, durante encontro entre Jorge Viana e Waldez Góes. Na ocasião, o ministro informou que o Acre está entre os primeiros estados contemplados pela iniciativa, criada para ampliar a produtividade, incentivar o uso de tecnologia no campo e reforçar a capacidade operacional das gestões municipais.

Ao comentar a agenda, Jorge Viana atribuiu o avanço do programa à articulação entre o governo federal e a bancada acreana. Ele afirmou que a liberação dos equipamentos representa um esforço conjunto para atender os municípios e apoiar a produção local. “São mais de 1.600 equipamentos que chegam graças a uma parceria entre o Governo Federal e a bancada federal do Acre, que se uniu em torno de um objetivo comum”, disse.

Jorge também afirmou que a chegada do programa ao estado é resultado de uma mobilização política voltada à liberação de investimentos para áreas consideradas estratégicas. Segundo ele, a prioridade foi garantir estrutura para as prefeituras, melhorar as condições de trabalho no interior e abrir espaço para geração de emprego e renda.

Waldez Góes afirmou que o Programa INOVA foi estruturado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar inovação, tecnologia e produtividade a estados e municípios. De acordo com o ministro, a proposta é facilitar o trabalho de quem atua no campo e de quem está à frente da gestão pública, com impacto direto sobre a produção e o desenvolvimento regional.

Os equipamentos previstos para o Acre devem ser usados no fortalecimento da infraestrutura produtiva dos municípios, no apoio às atividades agrícolas e na ampliação da capacidade de atendimento de órgãos públicos e entidades parceiras. A expectativa do governo federal é que a medida reforce a produção, melhore serviços e dê suporte a produtores, criadores e trabalhadores do estado.

O ato de lançamento em Rio Branco deverá reunir parlamentares da bancada federal, gestores públicos, representantes de associações e instituições beneficiadas pelo programa. Para Jorge Viana, a agenda simboliza uma convergência em torno de interesses comuns do Acre, com foco na estruturação dos municípios e no estímulo ao desenvolvimento regional.

Acre registra 21 focos de calor e lidera redução de queimadas no país em 2026

O Acre registrou 21 focos de calor entre janeiro e maio de 2026 e passou a liderar o ranking nacional de redução de queimadas no período. O dado coloca o estado com o menor número de ocorrências do país nos cinco primeiros meses do ano e representa queda de cerca de 58% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram contabilizados 51 focos.

Na comparação com outros estados da Amazônia Legal, o Acre aparece à frente de Rondônia, com 36 focos, e do Amazonas, com 128. Em volume absoluto, os maiores registros da região ficaram com Pará, com 1.607, Mato Grosso, com 1.550, e Tocantins, com 1.371.

A série histórica mostra oscilação baixa no estado nos últimos anos. Foram 56 focos em 2020, 45 em 2021, 66 em 2022, 17 em 2023, 32 em 2024, 51 em 2025 e 21 nos primeiros അഞ്ച് meses de 2026. O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, afirmou que o resultado combina condições climáticas observadas no início do ano com ações de monitoramento e fiscalização, mas disse que o segundo semestre ainda exige atenção por causa do período mais crítico da estiagem.

Parte da estratégia do governo estadual está concentrada na Operação Amburana, iniciada em fevereiro e coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente em parceria com o Batalhão de Policiamento Ambiental, o Centro Integrado de Operações Aéreas e o Instituto de Meio Ambiente do Acre. A ação atua no combate ao desmatamento ilegal e na redução do risco de queimadas durante a seca.

Na primeira fase, a operação alcança 242 áreas com alertas de desmatamento distribuídas em cinco regionais do estado. Nos primeiros sete dias de trabalho, as equipes fiscalizaram 94 alertas, embargaram 684,6 hectares, apreenderam 24 metros cúbicos de madeira ilegal e aplicaram cerca de R$ 3,4 milhões em multas.

O planejamento para a estiagem também inclui a seleção de brigadistas comunitários para atuar em unidades de conservação estaduais. A formação é conduzida em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre. Neste ano, a política conta com investimento aproximado de R$ 2 milhões, com recursos do Programa REM Acre e apoio de parceiros.

Em 2025, a atuação das brigadas já havia sido associada à queda de 75% nos focos de calor no estado em relação ao ano anterior. Nas unidades de conservação, a redução ficou em cerca de 97,7% entre janeiro e outubro. Com esse resultado no início de 2026, o Acre tenta atravessar o período seco mantendo o menor patamar de queimadas do país.

Aos 24 anos, indígena Huni Kuĩ se torna professor federal no Acre e leva representatividade à sala de aula

Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.

A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.

No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.

A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.

Thor Dantas ouve Sindmed em Rio Branco e leva demandas da categoria para debate sobre saúde no Acre

O médico infectologista e pré-candidato ao governo do Acre, Thor Dantas, se reuniu na manhã de sábado, 30 de maio, em Rio Branco, com a diretoria do Sindicato dos Médicos do Acre para ouvir reivindicações da categoria e recolher propostas para a área da saúde, em um encontro voltado à discussão do plano de governo para o setor.

Na reunião, entraram na pauta a valorização dos profissionais, as condições de trabalho, a estrutura da rede pública e a dificuldade de manter médicos especialistas nos municípios do interior. Ao defender a escuta de quem atua no atendimento diário à população, Dantas afirmou que não existe solução para a saúde sem ouvir quem está na linha de frente e disse que a área está entre as principais preocupações dos acreanos.

O presidente do Sindmed-AC, Guilherme Pulici, disse que a entidade mantém diálogo com pré-candidatos e sustenta que os interesses da categoria convergem com a cobrança da população por uma saúde pública mais estruturada e eficiente. O sindicato também defendeu mais investimentos no setor e melhores condições para os profissionais que atuam na linha de frente.

MPAC e DNIT discutem manutenção e reconstrução de trecho crítico da BR-364 no Acre

O Ministério Público do Acre se reuniu nesta quinta-feira, 28 de maio, com a superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no estado para discutir as medidas de manutenção e a possível reconstrução da BR-364, com foco no trecho entre Manoel Urbano e Feijó, considerado o mais crítico da rodovia. O encontro faz parte do acompanhamento do cumprimento de uma sentença da Justiça Federal sobre as condições da estrada, uma das principais ligações terrestres do Acre.

Participaram da reunião o promotor de Justiça de Sena Madureira, Júlio César Medeiros, a promotora de Justiça de Feijó, Giovana Kohata, e o superintendente do DNIT no Acre, Ricardo Araújo. A discussão girou em torno das providências que o órgão federal pretende adotar para recuperar a trafegabilidade da BR-364 e enfrentar os pontos mais vulneráveis da via.

Durante o encontro, o DNIT apresentou as ações em andamento em 11 trechos, chamados de lotes, que vão da divisa entre Acre e Rondônia até a ponte sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul. Além da manutenção da rodovia, também entraram na pauta o controle do peso das cargas que circulam pelas BRs 364 e 317 e a situação das pontes sobre os rios Caeté e Tarauacá.

Para o promotor Júlio César Medeiros, a reunião abre espaço para novas saídas diante dos problemas enfrentados por quem depende da estrada. “Essa reunião com o superintendente do DNIT, em conjunto com a promotora de Justiça de Feijó e o NAT, foi providencial em busca de novas soluções para a BR-364, especialmente para a sua reconstrução no trecho mais crítico, que é justamente entre Manoel Urbano e Feijó”, afirmou.

A BR-364 é uma das principais rotas de integração do Acre e tem papel central no deslocamento de pessoas, no transporte de cargas e no abastecimento de municípios do interior. A discussão entre MPAC e DNIT ocorre em meio à pressão por respostas mais rápidas para garantir condições mínimas de tráfego e reduzir os impactos causados pelo desgaste da estrada.

Acre entra na Rota do Café e amplia aposta no desenvolvimento do Juruá

O Vale do Juruá deve entrar na estratégia federal de desenvolvimento regional voltada à cadeia do café, em um movimento anunciado nesta quinta-feira, 28, por Perpétua Almeida. A proposta prevê a estruturação da chamada Rota do Café na região, com a intenção de atrair investimentos, organizar a cadeia produtiva, ampliar a agregação de valor e abrir novas frentes de geração de emprego e renda no Acre.

A próxima etapa está marcada para junho, quando técnicos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional devem ir ao Juruá para iniciar visitas de campo e montar, com lideranças locais, um plano de ação para o setor. A programação prevê imersões em propriedades rurais e unidades industriais, seguidas de um workshop com produtores, autoridades e representantes de instituições parceiras. A expectativa é reunir cerca de 80 participantes no processo de formatação do programa de investimentos.

A entrada do Acre nessa agenda dá ao café um peso maior dentro de uma política nacional voltada à estruturação de cadeias produtivas em áreas priorizadas. No caso do Juruá, a aposta é usar essa engrenagem para transformar a produção de café em um eixo mais sólido de desenvolvimento regional, com impacto direto sobre renda, industrialização e mercado.

O anúncio também fecha um ciclo político e econômico construído por Perpétua em torno da cafeicultura do Juruá. A articulação se conecta à agenda que ela vinha defendendo na ABDI, onde o café passou a ser tratado como vetor de industrialização da agricultura familiar. Ao falar sobre a nova etapa, Perpétua afirmou que “a inclusão do Juruá nas Rotas de Desenvolvimento Regional é a continuidade do trabalho que fizemos na ABDI”.

Essa base começou a ganhar forma em Mâncio Lima, onde foi instalado em 2025 um complexo industrial de café da agricultura familiar que passou a reorganizar a cadeia na região. A estrutura abriu espaço para o beneficiamento local da produção, reduziu a dependência de processamento fora do estado e reforçou a aposta em um modelo apoiado no cooperativismo e na agregação de valor dentro do próprio Juruá.

A expansão seguiu neste ano com o anúncio de uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, ampliando a capacidade regional de beneficiamento. O movimento reforça a ligação entre produção rural, processamento industrial e circulação de renda na economia local. Ao tratar dessa etapa, Perpétua definiu a iniciativa como parte da consolidação de “um cinturão produtivo” do café no Vale do Juruá.

O avanço da estrutura industrial veio acompanhado de outras ações para dar sustentação técnica ao setor, como investimentos em análise de solo e apoio à produção. Esse conjunto ajuda a explicar por que o café passou a ocupar espaço central no discurso de desenvolvimento para o Juruá. A região já não aparece apenas como área produtora, mas como base de uma cadeia que tenta combinar campo, indústria e mercado em uma mesma estratégia.

Com a entrada do Acre na Rota do Café, o governo federal passa a olhar para o Juruá não só pelo potencial agrícola, mas pela capacidade de transformar a cafeicultura em plataforma de desenvolvimento regional. A aposta agora é fazer dessa estrutura já montada o ponto de partida para uma nova fase de expansão econômica no interior do estado.