Avião de Gladson permanece no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul dez dias após notícia de apreensão

A aeronave PT-WGK, registrada em nome do ex-governador Gladson Cameli, permanece no pátio do Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul no sábado, 11, dez dias depois de ser divulgada a informação de que o avião havia sido alvo de uma nova ordem de busca e apreensão.

O caso veio a público no dia 1º de julho por meio do jornalista Leonildo Rosas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou ter recebido a informação de que a Polícia Federal havia cumprido um mandado contra a aeronave enquanto ela estava em Cruzeiro do Sul.

Segundo Leonildo, a ordem teria sido expedida pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça. O jornalista também afirmou que o avião estava sob a responsabilidade de Gladson Cameli como fiel depositário e teria sido utilizado em uma viagem ao município durante a Expoacre Juruá.

A informação apresentada por Leonildo foi repercutida pelo Integração Net no mesmo dia, em matéria que destacou a relação da aeronave com as medidas judiciais adotadas no âmbito da Operação Ptolomeu. Até o momento, não foi divulgada publicamente uma manifestação detalhada da Polícia Federal sobre o cumprimento da ordem em Cruzeiro do Sul.

Dez dias depois da publicação da notícia, o PT-WGK continua estacionado no aeroporto. Não há informação pública sobre eventual transferência da aeronave para outro local, liberação judicial ou mudança na condição em que o avião se encontra.

O PT-WGK é um Beechcraft Baron 58 e consta no Registro Aeronáutico Brasileiro em nome de Gladson Cameli. A aeronave foi incluída entre os bens alcançados por medidas de sequestro e indisponibilidade determinadas durante as investigações da Operação Ptolomeu.

Em documentos apresentados ao Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral da República já havia defendido a venda antecipada de bens apreendidos ou sequestrados no processo, sob o argumento de evitar a desvalorização. O avião foi avaliado por peritos da Polícia Federal em aproximadamente R$ 3,47 milhões.

A permanência da aeronave no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul mantém aberta a expectativa por esclarecimentos oficiais sobre a natureza da medida cumprida, a responsabilidade atual pela guarda do bem e qual será a destinação do avião.

Ele decide por ela: Vagner Sales e o desejo do poder por procuração

Na política, às vezes, o silêncio diz tanto quanto os discursos. Nos últimos dias, o nome de Jéssica Sales voltou ao centro das discussões após a indicação do MDB para compor, como vice, a chapa encabeçada por Mailza Assis. Mas uma pergunta permanece sem resposta:

Por onde anda Jéssica?

Desde a derrota na eleição municipal de 2024, em Cruzeiro do Sul, Jéssica praticamente desapareceu do debate político acreano. Morando em Brasília, não protagonizou a articulação que culminou em sua indicação como vice de Mailza Assis. Pelo contrário, de forma discreta, chegou a externar insatisfação com a condução do processo.

Com sua ausência, quem ocupou esse espaço foi Vagner Sales, seu pai, principal articulador e mentor político.

Foi Vagner quem concedeu entrevistas, participou das negociações e esteve presente até mesmo no anúncio da composição da chapa, em um encontro marcado justamente pela ausência da própria pré-candidata a vice.

Um simbolismo difícil de ignorar.

Mais do que apresentar Jéssica, Vagner parece falar por ela. Em suas declarações, alterna críticas aos adversários, revive disputas antigas e se coloca, de forma controversa, como intérprete exclusivo da vontade política do Juruá. Nesse roteiro, Jéssica acaba ocupando um papel secundário em uma história que deveria ser protagonizada por ela. O pano de fundo parece ser outro: não estão em primeiro plano os interesses de Jéssica, do MDB ou do Juruá, mas os do próprio Vagner.

O desafio da candidata não será apenas conquistar a confiança de setores do PP, onde sua chegada desperta resistências. Será, sobretudo, demonstrar que possui voz própria, autonomia política e capacidade de conduzir o próprio destino, sem permanecer à sombra do capital político e do desgaste acumulado por seu pai.

Em eleições, procurações têm valor jurídico. Na política, porém, o eleitor costuma preferir ouvir a voz do candidato, e não a de quem fala em seu nome. Se já foi difícil para Jéssica enfrentar uma disputa na cidade onde nasceu e construiu sua trajetória política, o desafio de percorrer todo o Acre se apresenta ainda maior. E ele começa por uma tarefa essencial: fazer com que sua própria voz seja ouvida.

Pedro Pascoal diz que pagamento à GoiásMed foi parcial e confirma pendências apontadas pelo Grupo Integração

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ex-secretário afirmou que governo não quitou todas as obrigações com empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas

O ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, que o pagamento realizado pelo governo do Acre à empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia foi apenas parcial e que ainda existem obrigações pendentes.

A declaração confirma informação publicada pelo Grupo Integração na quinta-feira, 9, após análise dos dados atualizados de empenhos e pagamentos do Fundo Estadual de Saúde. O levantamento mostrou que o governo quitou R$ 1.630.134,00 referentes aos serviços médicos prestados em março, mas ainda havia valores e procedimentos administrativos pendentes.

“O pagamento foi parcial. Não foi pago tudo aquilo que a empresa estava cobrando”, afirmou Pedro Pascoal durante a entrevista.

A crise envolve a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada por meio do Contrato Sesacre nº 140/2026 para prestar serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde.

A empresa havia comunicado oficialmente à Secretaria de Estado de Saúde que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados. No ofício, a GoiásMed cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços prestados em março e a emissão do empenho referente a abril.

Após a ameaça de paralisação, a Sesacre informou que o pagamento havia sido processado e encaminhado à instituição bancária. Os dados consultados pelo Grupo Integração confirmaram que o empenho de R$ 1.630.134,00, referente aos serviços médicos de março, passou a aparecer como pago.

No entanto, o levantamento também mostrou que a regularização não alcançou todas as pendências citadas pela empresa.

“Quando se fala que foi pago, parece que foi resolvido tudo. Não foi. Houve um pagamento, mas ainda ficaram pendências”, declarou Pascoal.

Nos dados mais recentes, permanece sem pagamento um empenho de R$ 373.129,87 destinado ao fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, conhecidos como OPME. Esses materiais são utilizados nas cirurgias e demais procedimentos ortopédicos e traumatológicos.

O empenho aparece registrado, mas ainda sem liquidação e sem pagamento. Além disso, o ofício da GoiásMed também menciona um saldo remanescente referente a fevereiro e a necessidade de emissão do empenho pelos serviços prestados em abril.

Pascoal reforçou que o problema não estaria relacionado à falta de dinheiro disponível no Fundo Estadual de Saúde.

“Dinheiro no Fundo Estadual de Saúde é o que não falta. Tem gente que vai perder a cirurgia pelo SUS, e o motivo não é falta de dinheiro”, afirmou.

Segundo o ex-secretário, os dados financeiros do Fundo Estadual de Saúde poderiam ser consultados publicamente e demonstrariam a existência de recursos para manter os contratos e serviços em funcionamento.

“Em 2023, a Saúde recebeu um repasse de R$ 240 milhões e, em 2025, deixei a gestão com um saldo de R$ 509 milhões. Esse é um dado que pode ser consultado”, disse.

Ao afirmar que o pagamento foi apenas parcial, Pascoal desloca novamente o debate para a administração dos processos internos da Sesacre. Se havia dinheiro disponível, o governo precisa explicar por que os débitos chegaram ao ponto de uma empresa ameaçar suspender cirurgias eletivas.

A GoiásMed havia informado que, caso as pendências não fossem regularizadas, suspenderia parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas a partir das 18h do dia 8 de julho. Os procedimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul.

O contrato com a GoiásMed é originado do Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e possui valor total classificado de R$ 29.294.170,00. O objeto inclui serviços médicos de Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, além de equipamentos, instrumentais e OPME para a rede estadual.

Até a última atualização dos dados analisados pelo Grupo Integração, o governo havia pago R$ 2.679.318,00 à empresa. O total inclui R$ 1.049.184,00 referentes à competência de fevereiro e R$ 1.630.134,00 pelos serviços de março.

Ainda assim, a cobrança formal da GoiásMed indica que o pagamento registrado não encerrou o impasse. A empresa continuava apontando saldo de fevereiro, materiais ortopédicos sem pagamento e serviços de abril ainda sem empenho.

A fala de Pedro Pascoal no Jornal da Manhã reforça, portanto, o que os números já haviam mostrado: o pagamento de março avançou depois da ameaça de paralisação, mas a relação financeira entre o governo e a empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas permanecia sem regularização completa.

Pedro Pascoal nega falta de recursos em crise da ortopedia; dados mostram pagamento após ameaça de suspensão

Ex-secretário afirmou que suspensão de cirurgias não seria causada por falta de dinheiro; GoiásMed havia cobrado débitos de fevereiro, março e abril e ameaçado paralisar eletivas

O ex-secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, afirmou que a ameaça de suspensão de cirurgias ortopédicas na rede estadual não é causada por falta de recursos. Segundo ele, o Estado teria disponibilidade financeira para honrar os compromissos da área, e o problema estaria relacionado ao fluxo administrativo dos pagamentos, e não à ausência de orçamento ou de dinheiro em caixa.

A declaração, feita em suas redes sociais, coloca o centro do problema não na falta de recursos, mas na forma como a gestão da Saúde conduziu os pagamentos à empresa responsável pelo serviço. Pascoal destacou que a Saúde estadual possui planejamento financeiro e que os contratos em andamento contam com previsão orçamentária para execução, afastando a hipótese de que a paralisação tenha ocorrido por incapacidade financeira do governo.

A fala ocorre em meio à crise envolvendo a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada pela Secretaria de Estado de Saúde para atuar nos serviços de Ortopedia e Traumatologia da rede estadual. A empresa comunicou oficialmente à Sesacre que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados até quarta-feira, 8 de julho.

No ofício, a GoiásMed informou que a paralisação começaria a partir das 18h do dia 8 e atingiria os atendimentos e cirurgias eletivas de Ortopedia e Traumatologia programados no âmbito do Contrato Sesacre nº 140/2026. A empresa alegou inadimplência da contratante e cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços de março e a emissão do empenho referente a abril.

A prestadora afirmou, no entanto, que os atendimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul, evitando uma interrupção completa da assistência ortopédica no estado.

A própria Sesacre informou, depois da notificação, que o pagamento referente aos serviços já havia sido processado e encaminhado à instituição bancária em 7 de julho, com expectativa de crédito na conta da empresa no dia seguinte. A pasta afirmou ainda que acompanhava a situação para garantir a continuidade dos serviços de ortopedia e traumatologia no estado.

Os dados atualizados de empenhos e pagamentos confirmam que houve mudança após a cobrança da empresa. No primeiro levantamento, o empenho nº 7216075944, no valor de R$ 1.630.134,00, referente à competência de março, aparecia liquidado, mas com pagamento zerado. Na consulta atualizada desta quinta-feira, o mesmo valor já aparece como pago.

Com isso, o total pago pelo governo à GoiásMed passou de R$ 1.049.184,00 para R$ 2.679.318,00. Ainda permanece sem pagamento registrado um empenho de R$ 373.129,87 referente a OPME, órteses, próteses e materiais especiais usados nos procedimentos ortopédicos e traumatológicos. Esse valor aparece empenhado, mas sem liquidação e sem pagamento.

A contratação da GoiásMed tem valor total classificado de R$ 29.294.170,00 no Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025, ComprasGov nº 90600/2025, da Sesacre. O objeto inclui serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, com equipe multidisciplinar, equipamentos, instrumentais e fornecimento de OPME para a rede estadual de saúde.

A documentação da própria licitação mostra que a contratação tinha como justificativa evitar descontinuidade, filas e cancelamentos. O termo de referência afirma que a ortopedia eletiva tem demanda reprimida elevada e que a realização regular dos procedimentos é essencial para reduzir filas de espera, evitar agravamento de lesões e prevenir incapacidades permanentes.

O documento também aponta que a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre) é referência estadual para cirurgias ortopédicas eletivas de média e alta complexidade, mas enfrenta limitações de estrutura e pessoal para atender toda a demanda existente.

Outro trecho do termo de referência diz que a interrupção abrupta do contrato representaria risco iminente de desassistência à população, comprometendo tanto os atendimentos de urgência quanto os procedimentos eletivos. A contratação conjunta de serviços médicos e OPME foi defendida pela Sesacre como forma de garantir resolutividade imediata e evitar adiamento ou cancelamento de cirurgias por falta de materiais no momento do procedimento.

É nesse ponto que a declaração de Pedro Pascoal ganha peso político. Ao afirmar que não faltam recursos, o ex-secretário desloca o debate para a gestão dos processos internos da Secretaria de Saúde. Se havia previsão financeira e disponibilidade para pagamento, a cobrança formal da empresa indica que o entrave pode ter ocorrido em etapas como empenho, liquidação, autorização ou liberação dos valores.

Os registros oficiais reforçam essa discussão. O empenho referente aos serviços de março, no valor de R$ 1,63 milhão, só foi registrado em 23 de junho e permaneceu sem pagamento até depois da ameaça de paralisação. Após a manifestação da GoiásMed, o valor foi quitado, segundo os dados atualizados.

O caso também expõe uma discussão sobre prioridades de pagamento do governo. Em junho, levantamento anterior mostrou que a Casa Civil teve R$ 3.047.156,00 em despesas com fretamento administrativo de aeronaves pagos integralmente à Ortiz Táxi Aéreo. Já na Saúde, a GoiásMed chegou a comunicar risco de paralisação parcial de cirurgias eletivas por falta de pagamento de competências anteriores.

Mesmo com o pagamento de R$ 1,63 milhão lançado após a ameaça, a crise deixa perguntas em aberto: se havia recursos disponíveis, por que os valores chegaram ao ponto de cobrança formal pela empresa? Por que a competência de março só foi empenhada em 23 de junho? O que aconteceu com o saldo de fevereiro citado pela GoiásMed? Abril já teve empenho emitido? E quantos pacientes tiveram cirurgias ameaçadas ou remarcadas durante o impasse?

A fala de Pedro Pascoal, portanto, não encerra a crise. Ao contrário, reforça a necessidade de explicações da Sesacre sobre o funcionamento do fluxo de pagamentos. Se não houve falta de dinheiro, o governo precisa esclarecer por que uma empresa contratada para uma área sensível da saúde pública precisou ameaçar paralisar cirurgias eletivas para que os pagamentos avançassem no sistema.

Governo paga R$ 3 milhões em táxi aéreo, em junho, enquanto ortopedia ameaça suspender cirurgias por atraso

GoiásMed comunicou à Sesacre que pode paralisar parcialmente atendimentos e cirurgias eletivas nesta quarta-feira; dados mostram R$ 1,6 milhão liquidado e não pago à empresa

A possível suspensão de cirurgias eletivas de ortopedia no Acre expôs um contraste nos pagamentos do governo estadual. Enquanto a Secretaria de Estado da Casa Civil teve mais de R$ 3 milhões em despesas com táxi aéreo pagas integralmente em junho de 2026, a empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde aparece com R$ 1,6 milhão em serviços já liquidados, mas ainda não pagos.

A GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre, comunicou oficialmente à Sesacre que poderá paralisar parcialmente os atendimentos e cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não sejam regularizados até esta quarta-feira, 8 de julho.

O ofício foi encaminhado ao secretário de Estado de Saúde, José Bestene, e à fiscal do contrato, Ingrid Leal da Silva. No documento, a empresa informa que, se não houver o pagamento do saldo remanescente referente à competência de fevereiro e a quitação integral das notas fiscais dos serviços prestados em março, adotará a paralisação parcial.

A GoiásMed afirma no ofício que “promoverá, a partir das 18h do dia 08/07/2026, a paralisação parcial dos atendimentos e cirurgias eletivas de Ortopedia e Traumatologia programados no âmbito do Contrato SESACRE nº 140/2026, como medida necessária e proporcional diante do agravamento da situação financeira decorrente do inadimplemento da CONTRATANTE”.

Os dados de empenhos e pagamentos analisados reforçam o alerta feito pela empresa. No Fundo Estadual de Saúde, a GoiásMed aparece com R$ 1.630.134,00 em serviços médicos de ortopedia e traumatologia já liquidados, mas sem pagamento registrado. O valor é referente à competência de março de 2026 e está vinculado ao Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e ao Contrato Sesacre nº 140/2026.

A liquidação é a etapa em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado ou atestado. Ou seja, nesse caso, o próprio Estado reconheceu a despesa, mas o pagamento ainda aparece zerado na base analisada.

Além disso, há outro empenho de R$ 373.129,87 para fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, as chamadas OPME, descritas como indispensáveis à realização de procedimentos ortopédicos e traumatológicos. Esse valor também aparece sem pagamento registrado.

Somados, os valores empenhados à GoiásMed e ainda sem pagamento chegam a R$ 2.003.263,87.

O contraste fica mais evidente quando os dados da Saúde são comparados aos pagamentos feitos pela Casa Civil no mesmo período. Em junho de 2026, a Casa Civil teve R$ 3.047.156,00 em despesas com fretamento administrativo de aeronaves pagos à Ortiz Táxi Aéreo. Os 32 empenhos analisados aparecem como empenhados, liquidados e pagos integralmente.

Na prática, o governo estadual conseguiu quitar despesas milionárias de fretamento aéreo da Casa Civil, mas mantém pendências com uma empresa responsável por serviços médicos que afetam diretamente pacientes na fila de cirurgias ortopédicas.

A situação atinge uma das áreas mais sensíveis da saúde pública. Cirurgias ortopédicas eletivas, embora programadas, não são procedimentos sem importância. Em muitos casos, envolvem pacientes que aguardam para recuperar mobilidade, voltar ao trabalho, reduzir dor crônica ou evitar o agravamento de problemas de saúde.

O caso também mostra um descompasso administrativo. A competência de fevereiro da GoiásMed aparece com pagamento de R$ 1.049.184,00, mas a empresa afirma no ofício que ainda há saldo remanescente pendente. Já a competência de março, segundo os dados financeiros, tem R$ 1.630.134,00 liquidados e não pagos.

Outro ponto que chama atenção é a data dos empenhos. Os valores referentes à competência de março foram empenhados apenas em 23 de junho de 2026, quase três meses depois do período em que os serviços foram prestados.

A ameaça de paralisação parcial coloca pressão sobre a Sesacre e sobre o governo do Estado. A pergunta central é por que despesas administrativas da Casa Civil foram pagas integralmente em junho, enquanto serviços essenciais de ortopedia chegaram ao ponto de ameaça formal de suspensão.

Fotos: Secom e Ortiz

Produtores expõem crise dos ramais e fala de Calixto revela improviso do governo na Operação Verão

Secretário tenta jogar parte da responsabilidade para as prefeituras, fala em R$ 15 milhões iniciais e culpa áudio por manifestação; dados do Deracre mostram repasses pendentes, saldos abertos e histórico de lentidão na execução

A manifestação de produtores rurais na Assembleia Legislativa do Acre, nesta terça-feira, 7, colocou a crise dos ramais no centro da agenda política do Estado. Agricultores e moradores da zona rural foram à Aleac cobrar do Deracre um cronograma oficial de recuperação das estradas vicinais, com a lista dos ramais que serão atendidos, prazo de execução e garantia de continuidade das máquinas em campo.

A cobrança ocorre após o vazamento de um áudio atribuído a um diretor do Deracre, no qual ele teria relatado dificuldade de recursos, risco de paralisação dos serviços e retirada de máquinas terceirizadas das frentes da Operação Verão. O episódio ampliou uma insatisfação que já vinha das comunidades rurais, especialmente em regiões como a Transacreana, onde moradores relatam ramais intrafegáveis, pontes danificadas e dificuldade para escoar a produção.

Diante da pressão, o secretário de Governo, Luiz Calixto, tentou reorganizar a versão oficial em entrevista ao jornalista Itaan Arruda, do AC24Agro. Mas, ao tentar justificar a situação, acabou deixando clara a dimensão da crise.

Calixto afirmou que o governo já fez convênios com alguns municípios para recuperação de ramais, disse que disponibilizou equipamentos como tratores e caçambas e informou que a Operação Verão conta, inicialmente, com uma dotação de R$ 15 milhões. Ao mesmo tempo, o secretário transferiu parte da responsabilidade às prefeituras ao dizer que “a questão dos ramais é uma obrigação municipal” e que o Estado entra apenas como “colaborador”.

A fala é sensível porque o governo estadual vinha vendendo a Operação Verão como uma grande ação própria. No lançamento oficial, a gestão Mailza Assis anunciou mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores, meta de atender 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões.

Agora, pressionado por produtores, o governo reduz o tom e passa a falar em “possibilidades”, “colaboração” e limitação financeira. Calixto também reconheceu que o Acre tem uma malha de cerca de 20 mil quilômetros de ramais e que o governo não tem condições de resolver tudo. A declaração reforça a pergunta feita pelos produtores: se o Estado sabia que não teria capacidade para atender todos os ramais, por que não apresentou desde o início um cronograma público, realista e transparente?

O secretário também tentou atribuir a manifestação ao áudio vazado. Segundo ele, quando a gravação circulou, a Operação Verão havia sido lançada havia pouco tempo e ainda não existiriam medições realizadas nem dívidas a pagar. Calixto classificou o episódio como precipitação de um gestor do próprio órgão e disse que a situação criou um clima de incerteza junto aos produtores.

A justificativa, porém, não encerra a crise. O áudio pode ter acelerado a mobilização, mas não criou os ramais ruins, não destruiu pontes, não isolou comunidades e não produziu, sozinho, a desconfiança sobre a continuidade das máquinas. O problema é anterior e mais profundo: o governo anunciou uma operação de grande porte, mas os dados de execução ainda não sustentam, de forma clara, o tamanho da propaganda.

Na base de pagamentos do Deracre, até o início de julho, havia R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte específico de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. No mesmo período, o termo literal “Operação Verão” aparecia quase só em diárias, com apenas R$ 37,8 mil pagos.

Ou seja: o governo tenta tratar a crise como um problema de comunicação interna, mas os números mostram uma fila de compromissos abertos e uma diferença grande entre o anúncio político e o rastro financeiro disponível até agora.

A tentativa de empurrar parte da responsabilidade para as prefeituras também precisa ser confrontada com dados. Na base atualizada de pagamentos do Deracre em 2026, os repasses para municípios somam R$ 26,1 milhões empenhados e R$ 20,6 milhões pagos. Ainda há R$ 5,5 milhões empenhados e não pagos para prefeituras.

Entre os saldos abertos aparecem Cruzeiro do Sul, com R$ 1,5 milhão; Assis Brasil, com R$ 1 milhão; Brasileia, com R$ 1 milhão; Porto Walter, com R$ 942 mil; Jordão, com R$ 667 mil; e Santa Rosa do Purus, com R$ 400 mil.

No recorte de repasses com menção direta a ramais, a situação é ainda mais reveladora. O Deracre empenhou R$ 475 mil para ações municipais ligadas a ramais. Desse total, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados e não pagos, todos ligados a Porto Walter, para manutenção de ramais.

Isso mostra que a explicação de Calixto é insuficiente. Se o governo diz que os ramais são obrigação municipal, precisa mostrar quais prefeituras receberam, quais ainda têm recursos pendentes, quais convênios estão em execução e quais ramais ficaram fora do planejamento. Não basta dizer que o Estado é colaborador quando a própria gestão estadual lançou a Operação Verão como vitrine e prometeu máquinas em todo o Acre.

O que aparece, até aqui, é uma condução marcada por improviso. Primeiro, o governo anuncia uma operação grandiosa, com números fortes e promessa de presença em todas as regiões. Depois, diante da cobrança, admite limitação de recursos, fala em dotação inicial de R$ 15 milhões, joga parte da responsabilidade para os municípios e culpa um áudio interno pelo desgaste político.

A crise dos ramais não é apenas um problema de chuva, verão ou logística. É uma crise de planejamento e de execução. O governo Gladson/Mailza acumula histórico de lentidão na recuperação de ramais e chega a julho de 2026 pressionado por produtores que ainda precisam pedir o básico: saber onde a máquina vai entrar, quando o serviço começa e se ele será concluído.

A manifestação na Aleac obrigou o governo a prometer a apresentação de um cronograma no Deracre. Esse calendário, no entanto, deveria ter sido a primeira etapa da Operação Verão, não uma resposta tardia à pressão dos produtores.

No campo, a pergunta permanece simples: se o dinheiro estava garantido, por que houve risco de retirada de máquinas? Se a operação estava planejada, por que os produtores precisaram ocupar a Aleac para cobrar cronograma? E, se os ramais são responsabilidade das prefeituras, por que o governo vendeu a Operação Verão como solução estadual para a crise?

Jorge Viana diz que tirou carga ideológica da campanha ao Senado: “Minha candidatura é do Acre”

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana afirmou, durante entrevista na última noite da Expoacre Juruá, no Portal Acre, que pretende conduzir a campanha de 2026 com foco no desenvolvimento do Acre e longe da polarização partidária. Filiado ao PT, ele disse que não vai negar sua trajetória política, mas defendeu que a disputa não seja resumida a um confronto ideológico. “Eu tirei a carga ideológica da minha campanha. Minha candidatura ao Senado é uma candidatura do PT, é uma candidatura do Acre”, afirmou.

Jorge Viana disse que o estado atravessa um momento difícil e que a eleição precisa tratar de propostas concretas. “O Acre está vivendo uma fase que não é boa. Se você gastar tua energia errada, aí piora. Eu quero gastar a minha de positiva”, declarou. Ele afirmou que tem encontrado pessoas em busca de “esperança de dias melhores” e que não pretende alimentar disputas políticas diárias. “As pessoas estão querendo ter esperança de dias melhores e não querer saber qual é a briga do dia.”

Ao comentar a rejeição ao PT e ao próprio nome, o ex-governador afirmou que o cenário político mudou com a polarização dos últimos anos. “Quando eu saí do governo, eu tinha 87% de ótimo e bom. Não era de aprovação. Isso era a maior do Brasil”, disse. Na sequência, reconheceu que houve desgaste nas gestões petistas no Acre. “Teve muitos erros nos nossos últimos governos, a gente cometeu falhas graves. Os acertos são maiores, mas teve muitos erros e teve uma rejeição enorme.”

O pré-candidato avaliou que uma campanha baseada em confronto partidário tende a fracassar. “Se fizer uma campanha aí PT contra não sei o quê, vai perder”, afirmou. Para Jorge Viana, a disputa pelo Senado deve ser apresentada como um projeto estadual, não apenas partidário. “O PT é o partido que eu tenho. Ninguém vai questionar. Eu não estou negando minha história. Só estou dizendo que eu não vou votar porque o PT”, disse.

Viana também falou sobre divergências internas no partido e citou a derrota eleitoral de 2018. “O PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram outra candidatura, querendo me tirar”, afirmou. Mesmo assim, disse que não pretende transformar esse episódio em nova disputa interna. “Eu vou brigar? Não. Então não tem briga com ninguém no PT. Não tem briga com nenhum. Mas a minha candidatura é pelo Acre.”

O ex-governador defendeu uma campanha de aproximação com eleitores de diferentes campos políticos. “Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado”, declarou. Ele disse que tem visitado prefeitos e lideranças municipais para tratar de desenvolvimento, infraestrutura e serviços. “Meu propósito é ajudar o Acre, trabalhar com todo mundo, com todos os prefeitos, independente de partido.”

Ao responder sobre adversários políticos, Jorge Viana evitou ataques diretos ao senador Márcio Bittar e ao governador Gladson Cameli. “Eu não vou criticar o Márcio, não vou criticar o Gladson, não vou criticar ninguém”, disse. Em seguida, afirmou que pretende concentrar o debate em propostas como internet de qualidade, desenvolvimento econômico e recuperação de áreas estratégicas do estado. “Eu estava falando agora de botar internet de qualidade pra todo mundo, de ter um modelo de desenvolvimento.”

Viana criticou a dependência política de emendas parlamentares e cobrou planejamento para o Acre. “É uma falácia esse negócio das emendas. Fica todo mundo inventando. Arruma uma emenda pra cá, uma emenda pra lá. Cadê o plano?”, questionou. Para ele, a eleição ao Senado não deve ser movida pelo objetivo de impedir adversários de vencer. “Eu acho ruim uma pessoa ser candidata ao Senado pra derrotar isso, pra impedir que alguém não ganhe aquilo. Você tem que ser por um propósito.”

O ex-governador disse que pretende atuar em Brasília para recolocar o Acre em uma rota de crescimento. “Se eu ganhar, se o Lula for presidente, eu vou lutar pra que o Acre saia desse purgatório, desse borralho e volte a prosperar”, afirmou. “Eu vou ajudar. Então o meu propósito é esse.”

Foto: Cefas Queiróz

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.

É 13! Gastos do governo com voos descritos como jato já passam de R$ 13,5 milhões

Levantamento aponta pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo entre 2023 e 2026; despesas aparecem concentradas na Casa Civil e fazem referência ao Contrato CC 34/2023

Os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas oficialmente como jato já somam R$ 13.507.200,00 em pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo.

O valor reúne o levantamento consolidado entre 2023 e 2025, que já apontava R$ 12.440.400,00 pagos em despesas com a palavra “jato” no histórico do serviço, e a atualização feita a partir dos dados de 2026, que acrescentou mais R$ 1.066.800,00.

O recorte considera apenas pagamentos cujo histórico oficial menciona expressamente a palavra jato. Ou seja, não entram nessa conta outros fretamentos da Ortiz descritos como monomotor, bimotor, Caravan, transporte aeromédico ou fretamento genérico de aeronave.

Nos dados já consolidados, os pagamentos anteriores somavam 52 linhas de pagamento, referentes a 43 empenhos conciliados, todos vinculados à Secretaria de Estado da Casa Civil. A maior parte dessas despesas aparece associada ao Contrato CC 34/2023, que concentrava R$ 11.113.200,00 do total apurado até 2025.

A atualização de 2026 adiciona quatro novos empenhos pagos, todos registrados em abril pela Casa Civil. As descrições seguem o mesmo padrão: “referente a fretamento de aeronave (jato) conforme T.A. Contrato CC 34/2023”.

Os pagamentos de 2026 identificados foram:

Data – Empenho – Valor pago
27/04/2026 – 4460010383 – R$ 214.200,00
28/04/2026 – 4460010392 – R$ 168.000,00
29/04/2026 – 4460010399 – R$ 432.600,00
30/04/2026 – 4460010417 – R$ 252.000,00

Com isso, o gasto identificado em voos com descrição de jato passa de R$ 12,44 milhões para R$ 13,5 milhões.

A Casa Civil aparece como órgão responsável em todo o recorte de jato levantado até agora. A despesa, portanto, não está distribuída entre diferentes secretarias: está concentrada na estrutura diretamente ligada à chefia do governo.

O levantamento também mostra que o contrato usado para esse tipo de despesa atravessou mais de um exercício financeiro. No histórico dos pagamentos aparecem referências à Ata de Registro de Preços 04/2023, ao Contrato CC 34/2023 e, em um caso anterior, ao Contrato 34/2025. No bloco atualizado de 2026, os quatro pagamentos mencionam novamente o Contrato CC 34/2023, por meio de termo aditivo.

A conta não representa todo o gasto do governo com a Ortiz Táxi Aéreo. Ela trata apenas do recorte mais específico: os pagamentos em que a própria descrição oficial da despesa informa fretamento de aeronave jato.

Foto: Gabriel Wallace/Instagram

Apoio de Ciro Nogueira expõe crise de Mailza e cola pré-candidatura a desgaste judicial no Acre

“Mailza é a prioridade número 1 do nosso partido no Brasil. Sua eleição é muito importante, fundamental, e nós estaremos aí até o fim.” A frase de Ciro Nogueira, que circulou nesta segunda-feira, 29 de junho, tentou estancar a crise aberta em torno da candidatura de Mailza Assis ao governo do Acre em 2026. Mas o efeito político foi outro. No momento em que a pré-campanha da governadora enfrenta ruídos internos, especulações sobre resistências na federação e indefinições de aliados, o gesto mais enfático de apoio veio justamente do presidente nacional do PP, hoje atingido pelo escândalo do Banco Master.

Ciro foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal em maio, no inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo decisão do ministro André Mendonça citada pela Reuters, a investigação aponta que o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro “em troca de vantagens econômicas indevidas”. A defesa nega irregularidades e diz que ele está à disposição para prestar esclarecimentos. O dado pesa porque transforma um apoio partidário em passivo político: em vez de blindar Mailza, o áudio a liga nacionalmente a um dirigente sob investigação.

No Acre, o apoio de Ciro apareceu no pior momento para a governadora. O MDB virou peça central da disputa e ainda não definiu se ficará com Mailza ou se abrirá caminho para outro arranjo. Nos bastidores, dirigentes conversam com os dois lados, preservando margem de negociação e ampliando o poder de barganha do partido. Ao mesmo tempo, Alan Rick se consolidou como principal adversário, liderando a corrida ao Palácio Rio Branco. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de junho mostrou o senador com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Mailza, embora a atual governadora tenha 67% de aprovação administrativa.

A reação do entorno de Mailza foi de trincheira. Luiz Calixto reafirmou a pré-candidatura da governadora como inegociável e fez cobrança pública aos “oportunistas”, sinal de que a turbulência deixou de ser apenas boato de bastidor e passou a ser enfrentada abertamente pelo núcleo político do governo. Quando um projeto precisa ser defendido a esse ponto por seus articuladores, a crise já não está mais do lado de fora.

Mailza tenta vender a própria imagem como continuidade administrativa e política, mas esse discurso cobra um preço cada vez mais alto. Ela é a continuidade de Gladson Cameli, condenado em 6 de maio pela Corte Especial do STJ a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A defesa negou as acusações e alegou nulidade de provas, mas a condenação colocou o antigo comando do grupo sob o maior desgaste judicial de sua trajetória recente.

É isso que torna a situação de Mailza mais delicada. De um lado, o apoio mais ruidoso vem de Ciro Nogueira, investigado no caso Banco Master. De outro, o discurso de continuidade a amarra ao legado de Gladson, já condenado pelo STJ. No meio desse aperto, a governadora ainda precisa segurar a base, impedir novas deserções e provar que sua candidatura consegue andar com força própria. Hoje, porém, o que mais salta aos olhos é o oposto: uma pré-campanha encurralada, obrigada a se sustentar entre o barulho dos aliados e o peso do desgaste que eles carregam.