Plano de fuga é frustrado em presídio de Cruzeiro do Sul; celulares são apreendidos

Policiais penais frustraram um plano de fuga no presídio Manoel Neri, em Cruzeiro do Sul, e apreenderam dois celulares no bloco 4 da unidade. A ação foi divulgada nesta sexta-feira, 22, e faz parte da 11ª fase da Operação Mute, voltada à retirada de objetos ilícitos e ao bloqueio da comunicação entre presos e integrantes de facções fora do sistema prisional.

Durante a vistoria, os agentes encontraram perfurações em uma cela, sinal de que presos tentavam abrir passagem para uma fuga. Também foram recolhidos carregadores, estoques e fones de ouvido. A operação mobilizou 50 policiais penais do efetivo local, com reforço de equipes de Rio Branco, Tarauacá e Sena Madureira.

De acordo com a direção da unidade, os responsáveis pelos celulares já foram identificados e devem responder a procedimento administrativo, com possibilidade de responsabilização criminal. A avaliação da Polícia Penal é que os aparelhos são usados não só para contato com familiares, mas também para manter a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas fora do presídio.

A apreensão em Cruzeiro do Sul integra o balanço da Operação Mute no interior do Acre. Segundo o governo do estado, foram recolhidos sete celulares nas unidades de Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, além de outros materiais ilícitos. A meta da ofensiva é reduzir ordens repassadas de dentro das celas e enfraquecer a articulação do crime organizado.

Espetáculo “171 Código Penal” volta ao palco em Cruzeiro do Sul neste sábado

O espetáculo teatral “171 Código Penal” será apresentado novamente neste sábado, 23 de maio, em Cruzeiro do Sul, no Teatro José de Alencar, na área do museu, atrás da Catedral. A montagem é encenada pelo Grupo Universitário Teatro Amador, o GUTA, projeto de extensão da Universidade Federal do Acre, e retorna à cena após registrar casa cheia na apresentação anterior.

Coordenado pelo professor Cleidson Rocha, o grupo atua desde 2003 com foco no fortalecimento da produção teatral no Vale do Juruá e na formação de público para as artes cênicas na região. A peça é uma adaptação de “Ópera do Malandro”, deslocada para a realidade local e construída a partir de temas ligados ao cotidiano e às questões sociais vividas no Juruá.

A montagem estreou em novembro do ano passado e segue em circulação. Para a sessão deste sábado, a organização também firmou parceria com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre para ampliar o acesso de professores da rede pública ao espetáculo.

Os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada de R$ 10 para estudantes, professores e idosos. Professores sindicalizados poderão receber ingressos por meio do sindicato. O Teatro José de Alencar tem capacidade para cerca de 80 pessoas, e a expectativa do grupo é de nova lotação.

Ao convidar o público para a apresentação, Cleidson Rocha afirmou que o espetáculo busca reunir cultura, reflexão e entretenimento. “A gente convida as pessoas, a sociedade, os estudantes, professores e todos que gostam de cultura a participarem desse espetáculo, que é diversão garantida”, disse.

Prefeito vistoria obras do CAPS AD e do Centro do Idoso em Cruzeiro do Sul

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, vistoriou as obras do CAPS AD, a área onde a prefeitura pretende construir um novo CRAS e a reforma e ampliação do Centro do Idoso. As visitas ocorreram no bairro Jardim Primavera e na Avenida Yaco, dentro de uma agenda voltada à ampliação da rede de assistência social no município.

O CAPS AD está em fase avançada de execução e recebeu investimento de R$ 2,1 milhões do Ministério da Saúde. A unidade deve reforçar o atendimento especializado a pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas em Cruzeiro do Sul.

Ao lado do espaço, a gestão municipal prepara a construção de um novo CRAS, com recursos de convênio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e emenda parlamentar do senador Alan Rick, no valor de R$ 710 mil. O projeto está em fase de licitação.

A prefeitura também executa a reforma e ampliação do atual CRAS com recursos de R$ 696 mil, oriundos do mesmo ministério e de emenda parlamentar. Durante a vistoria, Zequinha Lima afirmou que a estrutura existente já não atende ao volume da demanda e que a abertura de uma nova unidade deve ampliar os serviços oferecidos à população.

No Centro do Idoso, a obra de reforma e ampliação é financiada com emenda especial estadual de R$ 250 mil, destinada pelo deputado estadual Luiz Gonzaga. A intervenção prevê a ampliação do salão de festas e melhorias em áreas como cozinha e refeitório, após pedidos feitos por frequentadores do espaço.

Durante o período da obra, os atendimentos aos idosos serão transferidos para o Centro Multiuso, no bairro AABB, a partir da próxima quarta-feira, sem interrupção das atividades.

Operação da PCAC no Juruá identifica 49 suspeitos e atende 230 vítimas no Acre

A Polícia Civil do Acre divulgou nesta quinta-feira (21) o balanço da Operação Caminhos Seguros 2026, realizada entre 4 e 18 de maio, com reforço em Cruzeiro do Sul e em municípios do Vale do Juruá. A ação terminou com 49 suspeitos identificados e 230 vítimas de violência contra crianças e adolescentes atendidas em todo o estado.

No Acre, a operação mobilizou equipes em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. Ao longo de 15 dias, os trabalhos reuniram ações de prevenção, investigação e repressão, com apoio de 33 viaturas e articulação com a rede de proteção formada por saúde, assistência social e conselhos tutelares.

O balanço também registra 148 boletins de ocorrência, 99 inquéritos policiais instaurados e 58 procedimentos concluídos com identificação de autoria e materialidade. Durante a ofensiva, a Polícia Civil representou por 11 medidas cautelares, pediu 13 medidas protetivas de urgência e lavrou um termo circunstanciado.

A delegada Juliana De Angelis afirmou que a operação reforça o compromisso da corporação com a proteção integral de crianças e adolescentes. Segundo ela, o trabalho também buscou ampliar o alcance das ações educativas em escolas e espaços públicos, com orientação sobre prevenção, denúncia e acolhimento.

A ofensiva integrou a mobilização nacional do Maio Laranja, voltada ao enfrentamento da violência sexual e de outras formas de agressão contra crianças e adolescentes. No Dia D da campanha, em 14 de maio, o Acre já havia registrado 18 denúncias, 16 suspeitos investigados, 72 vítimas atendidas, duas prisões em flagrante e apreensões de material ligado à pornografia infantil e juvenil.

Vazante do Rio Juruá provoca desbarrancamento e deixa casas sob risco em Cruzeiro do Sul

A vazante do Rio Juruá abriu uma nova frente de problemas em Cruzeiro do Sul e deixou ao menos cinco casas sob risco de desabamento no bairro Miritizal. A Defesa Civil passou a atuar na área para retirar famílias de pontos mais vulneráveis, desmontar imóveis ameaçados e evitar acidentes com o avanço da erosão na margem do rio.

Uma das residências começou a ser desmontada de forma controlada, enquanto moradores afetados recebem atendimento emergencial. Parte das famílias deve ser incluída em programas de apoio habitacional temporário, e outras aguardam a transferência para terrenos em áreas mais seguras, com ajuda do município para reaproveitar material das casas atingidas.

O problema surgiu após o recuo das águas, que deixou o solo fragilizado e acelerou o desgaste da encosta. Em vez do alívio esperado com o fim da cheia, moradores passaram a enfrentar o risco de perder as casas para o barranco, em uma mudança de cenário comum nas áreas ribeirinhas depois de enchentes prolongadas.

Cruzeiro do Sul já havia sido afetada pela cheia do Juruá neste ano, dentro de um quadro mais amplo de enchentes no Acre. Com a descida do nível do rio, o impacto agora aparece na forma de rachaduras no terreno, desmoronamento da margem e ameaça direta a imóveis construídos próximos da beira.

Equipes técnicas seguem com vistorias para dimensionar a área comprometida e definir novas remoções, caso o barranco continue cedendo. A prioridade é retirar moradores antes que novas estruturas sejam atingidas e reduzir o risco de desabamento em uma região que ainda sente os efeitos do período de cheia.

Entre os moradores, o clima é de insegurança. Famílias acompanham o avanço da erosão com receio de perder a casa e os bens acumulados ao longo dos anos, enquanto a Defesa Civil mantém o monitoramento e prepara novas ações emergenciais no local.

Com informações do Juruá 24 Horas

Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos, drenagem e limpeza em vários bairros

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul reforçou nesta quarta-feira, 20 de maio, os serviços de infraestrutura urbana com equipes da Secretaria Municipal de Obras mobilizadas em várias frentes para recuperação de ruas, drenagem e limpeza em diferentes regiões da cidade. A ação alcança bairros e avenidas com o objetivo de melhorar o tráfego, reduzir os impactos das chuvas e ampliar a segurança de motoristas e pedestres.

Entre os trabalhos em andamento está a operação tapa-buracos, com a aplicação de cerca de 30 toneladas de asfalto em vias dos bairros Formoso, Cohab e Lauro Muller, além de avenidas da cidade. A medida busca recuperar trechos desgastados e dar melhores condições de circulação em áreas com fluxo diário de veículos e pedestres.

Duas frentes de serviço também atuam na recuperação e melhoria de ruas nos bairros São Luís e Cinturão Verde. No bairro João Alves, as equipes executam serviços de drenagem, enquanto no Remanso o trabalho se concentra na melhoria dos dispositivos de escoamento da água para reduzir os problemas provocados pelas chuvas.

A programação inclui ainda roçagem e retirada de entulhos no Loteamento Jardim Primavera e no Conjunto Cumaru, além da roçagem na subida da Avenida 25 de Agosto. A limpeza dessas áreas faz parte da manutenção urbana e do esforço para manter vias e espaços públicos em melhores condições de uso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o município mantém atuação diária em diferentes pontos da cidade para acelerar a recuperação da infraestrutura. “Estamos trabalhando diariamente para melhorar a infraestrutura dos bairros e garantir mais qualidade de vida para a população. São várias equipes atuando ao mesmo tempo, levando serviços essenciais como recuperação de ruas, drenagem, limpeza e manutenção urbana”, disse.

Valéria Lima cobra mais voz do Acre em Brasília e mira candidaturas sem vínculo com Cruzeiro do Sul

A vereadora Valéria Lima subiu o tom do debate político em Cruzeiro do Sul ao cobrar mais representação do Acre em Brasília e fazer um alerta direto ao eleitorado sobre as eleições de 2026. Em discurso voltado para problemas do interior, ela questionou a efetividade de parlamentares e pré-candidatos sem ligação com a realidade local e resumiu a cobrança em uma frase que atravessou toda a fala: “Muito cuidado com as suas escolhas. Muito cuidado com seus votos, porque votos errados é mais desemprego, voto errado é mais difícil ainda o ramal melhorar. Voto errado acaba com a cidade.”

A fala juntou crítica política e cobrança por resposta concreta para demandas antigas do município. Ao mencionar o deputado federal Nikolas Ferreira, Valéria afirmou que não tinha restrição pessoal ao parlamentar, reconheceu sua força eleitoral, mas contestou o que uma liderança de fora pode entregar para a região. “Nada contra o Nicolas. O cara deve ser uma máquina mesmo. O cara foi eleito. O deputado federal mais votado do Brasil entrou na história. O cara deve ser bom mesmo. Mas ele deve ser bom na cidade dele. Belo Horizonte, Minas Gerais. Não sei, eu não acompanho. Mas ele deve ter uma grande repercussão. Realmente muito grande. Ao público jovem, eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá.”

A partir daí, a vereadora transferiu o foco para os problemas que, segundo ela, seguem sem voz suficiente no Congresso. “Eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá. Porque até então eu votei em deputados federais. Esses deputados federais eles não falam lá não. Lá em Brasília, a situação dos nossos ramais, a situação que estamos vivendo na questão da fiscalização muito grande em relação à Amazônia, a falta de emprego que tem na nossa cidade, a falta de políticas públicas pros rios.” Em outro trecho, levou a crítica para a vida de comunidades ribeirinhas e áreas periféricas. “Os rios são navegáveis. É perigoso. Entra no Valparaíso. A população do Valparaíso mora no rio. O rio passa ali em frente, mas não tem água pra beber.”

O discurso avançou sobre a precariedade da infraestrutura em Cruzeiro do Sul, com menção direta a trapiches e pontes. “Nós estamos em 2026. As pessoas moram no trapiche caindo. É toda terça e quinta pedindo por trapiche. Agora que começaram a construir, as pontes são de madeira. Olha o que se gasta com pontes de madeira.” Ao associar esses problemas à ausência de representação efetiva, Valéria reforçou a crítica à bancada federal e ao distanciamento entre Brasília e o cotidiano de quem vive no interior.

A vereadora também mirou o cenário pré-eleitoral e disse que o Acre deve receber candidatos que não têm relação permanente com a cidade. “Vai vir muitos candidatos pra cá. Vai ver candidatos a deputados federais que nem daqui são. Aí você pergunta assim o que foi que a pessoa fez. Nada.” Na avaliação dela, o mandato precisa nascer de vínculo real com a população e não de uma passagem eleitoral. “Não tem condições de fazer política pública pensando que vai se candidatar. Chega aqui e se candidata. Ganha e some.”

No fim da fala, Valéria transformou o discurso em apelo político e emocional. “Sabe como é que se faz política pública? Com contato. Que é isso que nós fazemos. Se faz política pública com vínculo. Se faz política pública com amor, com empatia.” Em seguida, afirmou que o problema atinge diretamente as famílias da cidade. “Se eu não tenho vínculo, eu não tenho por que ter empatia com a população. E sabe quem sofre é a minha filha. São os filhos de vocês. É a nossa população.”

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Cruzeiro do Sul confirma caso de meningite bacteriana e reforça vacinação em todas as unidades de saúde

Cruzeiro do Sul confirmou na segunda-feira, 18, um caso de meningite bacteriana em uma criança em idade escolar e reforçou nesta terça-feira, 19, que todas as unidades de saúde do município seguem abastecidas com vacinas do SUS contra formas graves da doença. A vigilância epidemiológica acompanha nove notificações no município. Desse total, três casos foram descartados e seis foram confirmados.

A rede municipal mantém a vacina meningocócica no calendário infantil aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12 meses por meio da ACWY, além da dose de reforço para adolescentes de 11 a 14 anos. A vacina pneumocócica faz parte do esquema aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses, e também atende grupos com maior risco de complicações, como idosos, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos e pacientes em tratamento contra o câncer.

A coordenadora municipal de imunização, Thayana Felix, afirmou que a atualização da caderneta vacinal segue como a principal forma de proteção. “A população precisa entender a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada. A vacina é a principal forma de prevenção contra várias doenças, inclusive a meningite.” Segundo ela, as unidades urbanas aplicam as doses nos turnos da manhã e da tarde, enquanto as unidades da zona rural funcionam pela manhã. Para receber a vacina, o morador deve apresentar documento pessoal, cartão do SUS e caderneta de vacinação.

No caso confirmado nesta semana, a bactéria identificada foi a Streptococcus pneumoniae. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, esse agente não exige quimioprofilaxia dos contatos nem suspensão das aulas, porque não costuma provocar surtos em ambiente escolar. Equipes de saúde foram enviadas à instituição de ensino para orientar a comunidade escolar e acompanhar a situação.

Entre os seis casos confirmados no município estão duas crianças, uma de seis meses e outra de sete anos, além de adultos com idades entre 31 e 43 anos e um idoso de 66 anos. O monitoramento segue em andamento, com investigação dos casos e orientação sobre medidas de controle e prevenção.

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. A transmissão ocorre principalmente por secreções respiratórias, em situações de contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada. Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, convulsões, manchas avermelhadas na pele e alterações no estado geral. Em crianças, também podem surgir irritabilidade, sonolência excessiva e dificuldade para se alimentar.

A orientação das autoridades de saúde é que a população procure atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma suspeito. A coordenadora estadual de imunização, Renata Aparecida Quiles, afirmou que o calendário vacinal do SUS contempla diferentes vacinas que ajudam na prevenção das meningites. “Nem toda meningite é causada pela mesma bactéria. O SUS possui vacinas que protegem contra diferentes tipos da doença, como a meningocócica, a pneumocócica e outras vacinas do calendário infantil que também ajudam na prevenção das formas graves de meningite.”

“Tenho uma família e preciso priorizar minha família”: Clodoaldo abre lado pessoal e fala da alegria que encontra na política

A decisão de não levar adiante a candidatura da esposa a deputada federal abriu o trecho mais pessoal da entrevista concedida pelo deputado estadual Clodoaldo Rodrigues ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul. Ao sair do discurso sobre eleição, alianças e mandato, ele falou da rotina longe de casa, da criação dos filhos, da responsabilidade da mulher com os pais e do limite que decidiu impor à própria vida política. “Tenho uma família e preciso priorizar minha família”, afirmou.

Clodoaldo disse que a política não pode ser tratada como projeto familiar e explicou que a escolha de não avançar com o nome da esposa passou menos por cálculo eleitoral e mais pela necessidade de preservar a estrutura da casa. Contou que a família não se mudou para Rio Branco, apesar das exigências do mandato, e que a distância virou parte da rotina. “Vivo nessa ida e vinda pela BR, chegando de noite, às vezes correndo risco nessas viagens”, disse. Na mesma resposta, resumiu o motivo que pesou na decisão: “Se minha família não foi para Rio Branco, imagine se ela estivesse em Brasília e eu em Rio Branco. Como ficariam nossos filhos?”

O deputado também falou do peso que as perdas familiares têm sobre a forma como enxerga a própria trajetória. Ao lembrar que perdeu pai e mãe cedo, puxou a conversa para um terreno mais íntimo e menos comum no vocabulário político. “Há coisas na vida em que o tempo não volta. Perdi meus pais muito cedo, pai e mãe, e sei a falta que fazem. Chega um momento em que quero curtir meus filhos, minha família e cuidar deles”, afirmou.

Foi a partir daí que Clodoaldo tentou mostrar onde, segundo ele, ainda encontra sentido na vida pública. Em vez de falar em cargo ou projeção, preferiu descrever a satisfação que sente quando é reconhecido por alguém atendido ao longo do mandato. “Eu amo a política. Gosto de fazer política porque gosto de ajudar as pessoas”, disse. Em seguida, completou com a lembrança que, segundo ele, resume o melhor da atividade política: “O melhor momento da política é quando chego ao aeroporto, estou na BR ou chego ao município, e uma pessoa vem me agradecer porque ajudei em um tratamento de saúde.”

Na mesma linha, Clodoaldo procurou afastar a imagem da política ligada a privilégio e enriquecimento. Disse que não foi para Rio Branco em busca de poder ou patrimônio e afirmou encarar a trajetória até aqui como uma etapa de serviço público. “A política, para mim, é isso. Não é dizer que o Clodoaldo está andando de SW4, tem mansão ou fez negócio. Eu não fiz negócio na política”, afirmou. “Sempre disse que fui para Rio Branco para trabalhar, não em busca de poder nem de riqueza.”

Quando voltou a falar do contato com a população, o deputado repetiu uma ideia que atravessa boa parte da entrevista: a de que o mandato só faz sentido se continuar perto de quem procura ajuda. Ao lembrar a passagem de quatro meses pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, disse que aquele período o aproximou ainda mais das demandas do dia a dia. “Quando estive na prefeitura, pude olhar para as pessoas”, afirmou. Logo depois, reforçou a visão que tenta associar ao próprio estilo político: “Eu gosto de estar no gabinete atendendo as pessoas. Quem não gosta do povo tem que sair da política e dar espaço para quem gosta.”

A família voltou ao centro da fala quando Clodoaldo disse que costuma lembrar à esposa, hoje vice-prefeita, que mandato não é posse definitiva. “Nunca esqueça quem colocou você na cadeira, porque o povo coloca e o povo tira”, afirmou. Na sequência, resumiu a regra que diz seguir dentro e fora da política: “Nosso foco tem que ser estar perto do povo e ouvir.”

No fim, o que ficou dessa parte da entrevista foi menos o deputado em pré-campanha e mais o homem que tentou explicar por que decidiu frear um projeto político dentro da própria casa. Ao falar dos filhos, dos pais que perdeu cedo e da alegria que encontra quando alguém o procura apenas para agradecer, Clodoaldo procurou dar à política um tamanho mais próximo da vida comum, onde mandato passa, eleição passa, mas o tempo longe da família não volta.

Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.