PM do Acre apreende 49 cabeças de gado suspeitas de furto em embarcação no rio em Tarauacá

A Polícia Militar do Acre apreendeu 49 cabeças de gado transportadas em uma embarcação no rio Tarauacá, nesta segunda-feira, 25 de maio, após suspeita de furto dos animais em uma propriedade rural da região. A carga seguiria para Envira, no Amazonas, e o caso passou a ser investigado para confirmar a origem do rebanho e identificar os responsáveis.

A ação foi realizada por equipes do 7º Batalhão depois de denúncias sobre o furto e sobre o transporte do gado por via fluvial. Durante a abordagem, os policiais verificaram que a maior parte dos animais tinha marcas compatíveis com as informadas pelo proprietário, o que reforçou a suspeita de crime.

Segundo a ocorrência, também houve falta de documentação capaz de comprovar a origem legal do rebanho. A embarcação foi interceptada e o caso encaminhado para os procedimentos cabíveis.

A suspeita é de que o gado tenha sido retirado de uma fazenda da região e levado pelo rio para fora do Acre. A investigação deve apurar a procedência dos animais e a participação de envolvidos no transporte da carga.

Feijó confirma caso de moko da bananeira e aciona força-tarefa sanitária

Feijó registrou um caso de moko da bananeira na comunidade Seringal Nova Sorte, às margens do Rio Envira, e mobilizou uma operação emergencial para conter o avanço da doença, que ameaça plantações inteiras e pode atingir em cheio a renda de famílias que dependem da cultura no campo. A confirmação saiu após análise laboratorial vinculada ao Ministério da Agricultura, e as equipes começaram a atuar na área com eliminação de plantas infectadas, orientação aos produtores e vigilância nas propriedades vizinhas.

O foco identificado é o primeiro no município e amplia a preocupação com a sanidade da bananicultura no Acre, que já havia confirmado um caso da praga em Rodrigues Alves, em setembro de 2025. Em Feijó, a resposta inclui monitoramento em um raio de cinco quilômetros ao redor da área afetada, numa tentativa de localizar possíveis novos focos antes que a bactéria se espalhe por outras lavouras.

A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 e costuma provocar amarelecimento e murcha das folhas, além de apodrecimento dos frutos e perda rápida do plantio. Entre os sinais observados no campo, técnicos também apontam maturação irregular dos cachos e escurecimento interno dos tecidos da planta, sintomas que exigem comunicação imediata aos órgãos de defesa agropecuária.

A operação em Feijó enfrenta dificuldade logística, com deslocamentos por áreas isoladas e viagens pelo Rio Envira para alcançar as propriedades rurais. O produtor Antônio Osmildo, que buscou apoio técnico após perceber a morte gradual das bananeiras, relatou que o problema vinha se arrastando havia cerca de um ano. Segundo a coordenação estadual da sanidade da bananicultura, a rapidez na notificação foi decisiva para a identificação do foco e o início das medidas de contenção.

As autoridades ainda não confirmaram como a bactéria chegou à comunidade. A disseminação, porém, pode ocorrer por ferramentas e calçados contaminados, solo infectado, água, contato entre raízes e até por insetos. A orientação no campo agora é reforçar o controle sanitário, evitar o trânsito de material contaminado e acelerar a comunicação de qualquer suspeita para impedir novos prejuízos à produção.

Prefeito vistoria obras de recuperação no Ramal das Cooperativas em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, acompanhou nesta segunda-feira os serviços de recuperação e manutenção no Ramal das Cooperativas, em mais uma frente do programa Prefeitura nas Ruas. A ação busca melhorar as condições de tráfego, facilitar o deslocamento dos moradores e reduzir os problemas de acesso em uma das regiões atendidas pela prefeitura.

Ao lado do presidente da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, Abdel Derze, o prefeito acompanhou o trabalho das equipes no local. As máquinas atuaram na recuperação das vias, com foco em trechos que apresentam desgaste e dificultam a circulação de veículos e moradores, sobretudo em períodos de chuva.

A intervenção integra o conjunto de ações de infraestrutura levado pela prefeitura a diferentes pontos da capital. A estratégia da gestão é concentrar serviços em áreas com demandas mais urgentes, principalmente em locais onde as condições das ruas e ramais comprometem a mobilidade da população.

Durante a agenda, Alysson Bestene afirmou que a prefeitura vai manter as frentes de trabalho em outras regiões da cidade. Segundo ele, o objetivo é ampliar a presença dos serviços públicos nos bairros e comunidades e garantir respostas mais rápidas às reivindicações dos moradores.

O Ramal das Cooperativas é uma das áreas incluídas nesse cronograma de manutenção urbana, que reúne ações de recuperação viária e melhorias de infraestrutura em Rio Branco.

Defensoria e Iapen fazem mutirão carcerário em Tarauacá e superam 500 atendimentos

A Defensoria Pública do Acre e o Instituto de Administração Penitenciária realizaram entre 1º e 4 de abril de 2024 um mutirão carcerário no Presídio Moacir Prado, em Tarauacá, com atendimento jurídico às pessoas privadas de liberdade e inspeção nas instalações da unidade. A ação foi organizada para assegurar direitos dos presos e, ao fim dos trabalhos, passou de 500 atendimentos.

Os pedidos mais frequentes apresentados durante o mutirão foram os de progressão de regime e remissão de pena por meio do trabalho. Além dos atendimentos individuais, a equipe percorreu os pavilhões da unidade para verificar as condições do presídio.

O atendimento em Tarauacá fez parte de uma agenda mais ampla da instituição no sistema prisional acreano. O procedimento já havia sido realizado em Rio Branco e, depois da passagem pelo município, a previsão era levar a ação a outras unidades do estado, com reforço de assessores para atender as próximas demandas. Para a direção do presídio, o mutirão amplia a preservação de direitos dentro da unidade e reforça o acompanhamento jurídico da população carcerária.

Desenrola 2.0 libera uso do FGTS para quitar dívidas bancárias

Trabalhadores com renda mensal de até R$ 8.105 já podem usar parte do saldo do FGTS para renegociar dívidas bancárias em atraso pelo Desenrola 2.0, liberado nesta segunda-feira, 25 de maio. A nova etapa do programa permite abater débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratados até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam atrasados entre 91 dias e dois anos.

A regra autoriza o uso de até 20% do saldo disponível no fundo ou até R$ 1 mil, valendo o valor maior. O dinheiro não cai na conta do trabalhador. Depois da renegociação, a Caixa transfere o valor diretamente ao banco credor. Contas ativas e inativas podem ser usadas, com prioridade para as inativas.

Para aderir, o trabalhador precisa autorizar a consulta do saldo no aplicativo oficial do FGTS, com acesso pelo Gov.br. Depois dessa etapa, os bancos ficam autorizados a verificar o valor disponível por até 90 dias. Em seguida, a renegociação deve ser feita com a instituição financeira, que terá até 30 dias para formalizar o contrato e registrar a operação.

O governo estima movimentar até R$ 8,2 bilhões nessa modalidade. O programa prevê desconto de até 90% sobre a dívida, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e prazo de até 35 dias para o início do pagamento. Caso o teto de uso do FGTS seja atingido, os pedidos passarão a obedecer à ordem cronológica.

Quem usar o fundo para renegociar débitos terá suspensão temporária do saque-aniversário e da contratação de novas antecipações ligadas ao FGTS até a recomposição do valor utilizado. O bloqueio não altera contratos antigos de antecipação, que continuam valendo pelas regras anteriores.

Jorge Viana diz que vai procurar Zequinha e rejeita ser “senador de um pedaço do Acre”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta segunda-feira (25), em Cruzeiro do Sul, o ex-senador Jorge Viana afirmou que pretende pedir uma audiência com o prefeito Zequinha Lima na próxima visita ao município e disse que, se voltar ao Senado, atuará sem distinção política. No programa, ele afirmou que quer ser “solução do problema” e descartou a ideia de representar apenas parte do estado.

Ao falar sobre a agenda no Juruá, Jorge disse que retornará a Cruzeiro do Sul em cerca de uma semana para conversar com autoridades locais e incluiu Zequinha entre os encontros que quer fazer. “Vou pedir uma audiência com o prefeito Zequinha porque eu tô visitando todos os prefeitos”, declarou, ao defender uma atuação política voltada para todo o Acre.

Na entrevista, Jorge afirmou que um eventual mandato no Senado não pode ficar restrito a aliados. “Se eu quero ser senador, não é pra criar mais problema, é pra ser solução do problema”, disse. Em seguida, reforçou: “Se o prefeito lá tá com uma coisa, não importa se votou em mim ou não, porque eu tenho que defender, ou então eu não vou ser senador do Acre, vou ser senador de um pedaço do Acre.”

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.