Prefeito de Rodrigues Alves diz que ponte ficou parada por ter sido amarrada à estrada para o Peru

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, afirmou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, que a ponte sobre o Rio Juruá continua sem execução porque foi colocada dentro do projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Para ele, a obra deveria ter sido tratada separadamente, já que a necessidade da ponte é local e imediata, enquanto a rodovia internacional envolve licenciamento, consulta a povos indígenas, estudos ambientais e uma disputa jurídica bem mais ampla. “Hoje nós todos sabemos da importância de nós termos ali aquela ponte em Rodrigues Alves”, disse o prefeito.

A ponte é prometida há décadas e seria a ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Hoje, a travessia depende da balsa. A própria conversa no programa nasceu desse ponto: não dá para falar de Rodrigues Alves sem falar da ponte. A BR-364 passa nas proximidades da frente do município, abaixo da travessia da balsa, numa área onde os limites de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima se encontram. Essa localização torna a obra mais do que uma demanda municipal. Ela mexe com o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, comerciantes, produtores rurais e moradores que dependem de Cruzeiro do Sul para serviços públicos, saúde, comércio e transporte.

Salatiel disse que a ponte acabou presa ao mesmo processo da estrada para o Peru. “Antes se dizia que ia ter a construção da estrada até o Peru e que o projeto da ponte estava dentro desse projeto dessa estrada. Depois veio o embargo pelo Ministério Público Federal dessa rodovia, onde não tiveram como executar a ponte porque estava dentro desse projeto”, afirmou. A explicação do prefeito coincide com o histórico do edital nº 130/2021 do DNIT, questionado judicialmente por entidades indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas por falta de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e por ausência de consulta prévia a povos indígenas afetados pela rodovia até Pucallpa.

O ponto central da entrevista foi a crítica ao erro de origem. Chico Melo questionou se a ponte não deveria ter ficado fora do pacote da estrada internacional. Salatiel concordou. Para o prefeito, assim que o projeto maior foi embargado, o caminho deveria ter sido retirar a ponte daquele processo e criar uma tramitação independente em Brasília. “No próprio instante que o projeto foi embargado pelo Ministério Público Federal, era também, se possível, imediatamente ali, que se tivesse feito os mecanismos lá em Brasília para que rapidamente tirasse a ponte desse projeto”, disse.

A crítica do prefeito foi além da demora. Salatiel disse que já havia projeto e estudo para a ponte, mas a obra voltou para uma nova rodada de etapas técnicas. “Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou. Na avaliação dele, a burocracia transformou uma obra regional em promessa permanente. “As pessoas burocratizam muito as coisas que findam deixando de desenvolver uma região”, afirmou.

O contexto jurídico da ponte é mais específico do que a discussão pública costuma apresentar. Em 2023, a SOS Amazônia afirmou ser favorável à construção da ponte sobre o Rio Juruá entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul e defendeu que a ação civil pública contra a estrada para Pucallpa preservava a ponte. O MPF também afirmou que pediu a nulidade do edital da rodovia, mas tentou excluir do bloqueio o trecho da ponte sobre o Rio Juruá. A Justiça Federal não liberou o aproveitamento da licitação embargada, mas admitiu a possibilidade de novas licitações específicas para a ponte.

Esse detalhe muda o peso da discussão. A ponte não foi barrada por ser considerada desnecessária. O problema foi o caminho escolhido para tentar tirá-la do papel, uma escolha politica, com apoio da bancada federal do Acre na época. Ao entrar junto da ligação até o Peru, a obra passou a carregar o mesmo conflito da rodovia internacional, que envolve impacto ambiental, consulta a povos indígenas e abertura de uma rota até Pucallpa. Para Rodrigues Alves, a demanda é outra: atravessar o Rio Juruá sem depender de balsa.

Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes incluiu a ponte no pacote de obras rodoviárias do Acre. A pasta anunciou R$ 875 milhões para rodovias no estado e previu estudos e projetos básicos e executivos de engenharia para a construção da ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, na BR-364. O investimento anunciado para essa etapa foi de R$ 1,9 milhão, com estrutura prevista de cerca de sete quilômetros.

Na entrevista, Salatiel tentou separar o que é promessa antiga do que é necessidade concreta. Para ele, a ponte não atenderia apenas Rodrigues Alves. “Aquela ponte não vai desenvolver só o município de Rodrigues Alves, ela vai desenvolver a região do Juruá”, disse. A frase resume a cobrança política que permanece sobre a obra: enquanto o projeto não avança para execução, a população continua dependendo da balsa, e Rodrigues Alves segue com uma barreira física entre sua sede, Cruzeiro do Sul e o restante da malha de serviços da região.

Jornal da Manhã em Coluna – 22 de junho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne os principais bastidores, comentários e informações levados ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9.

Rueda inflacionou a praça

O lançamento da pré-candidatura de Fabio Rueda a deputado federal, no fim de semana, foi tratado no Jornal da Manhã como um evento com cara de campanha majoritária. Rogério Wenceslau resumiu o impacto político: Rueda levou lideranças de vários municípios, misturou siglas, atraiu prefeitos, vereadores, empresários e gente do governo.

A leitura da bancada foi direta: o ato não serviu apenas para lançar uma pré-candidatura. Serviu para mostrar força, testar musculatura e avisar aos concorrentes que a disputa por deputado federal ficou mais cara.

Quem pagou o voo?

A presença de vereadores de Cruzeiro do Sul no evento de Fabio Rueda, em Rio Branco, também entrou na pauta. Foram citados Cristiano Rodrigues, Keleu, Antonio Cosmo, Zé Roberto, Tiago da Milênio e Mazinho da BR.

A pergunta feita no ar ficou no ar mesmo: quem bancou a viagem? A bancada evitou cravar qualquer irregularidade, mas lembrou que deslocamento, hospedagem e alimentação custam dinheiro. E em pré-campanha, quando muita gente viaja junto, a conta sempre vira assunto político.

O capacete de Mailza

A governadora Mailza Assis apareceu no evento de Fabio Rueda e, segundo o comentário feito no programa, chegou de motocicleta sem capacete. A cena virou símbolo.

Não pelo valor jurídico do episódio, mas pelo valor político. Quem comanda o Estado precisa dar exemplo, ainda mais em um programa que também discutiu acidentes de trânsito, álcool ao volante e blitzes. A crítica foi simples: o cidadão comum seria cobrado. A governadora também deve ser.

Londres e o Acre sem comando político claro

A viagem de Mailza a Londres abriu outro flanco. A bancada não atacou a agenda internacional em si, mas questionou o momento da saída do Estado. O Acre vive problemas administrativos, a ponte Frei Paolino ainda cobra respostas, e a pauta ambiental precisa sair do discurso.

O ponto político mais sensível é a linha sucessória. Sem vice-governador, a ausência de Mailza empurra o comando do Estado para o presidente da Assembleia Legislativa. Como Nicolau Júnior é candidato à reeleição, assumir o governo, ainda que por pouco tempo, cria problema eleitoral. Resultado: ele também precisa se ausentar para não ficar inelegível.

No fim, sobra a pergunta incômoda: quem, de fato, segura o governo quando a governadora viaja?

MDB ainda na sala de espera

A novela do MDB voltou ao ar. O partido esperava sair de uma conversa com Alan Rick mais próximo da vaga de vice. Não saiu. Wagner Sales e Jéssica Sales foram citados como parte dessa movimentação, mas a avaliação foi de frustração no MDB.

A governadora havia dito que o partido estava “dentro”. Agora, a impressão é outra: o MDB continua negociando, pressionando e esperando. A definição, como de costume, deve ficar para a convenção, talvez no limite do prazo.

Jorge Viana mexe no tabuleiro

A presença de Jorge Viana no Juruá também foi lida como movimento capaz de incomodar adversários, especialmente Márcio Bittar. A bancada comentou o vídeo publicado por Bittar com uso de inteligência artificial e colocou o tema no campo da fake news e da regulação eleitoral.

O recado político foi claro: a disputa ao Senado já começou antes da campanha oficial. E, quando Jorge circula pelo interior, os adversários reagem.

Salatiel e a ponte esquecida

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, foi ao estúdio falar do Festival da Banana, mas a conversa entrou no tema inevitável: a ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.

Salatiel reconheceu a importância da obra e concordou com a crítica feita por Chico Melo: a ponte não deveria ter sido amarrada ao projeto da estrada para o Peru. Quando tudo entrou no mesmo pacote, o embargo ambiental travou também uma obra essencial para Rodrigues Alves e para o Juruá.

A frase que ficou é política: a ponte virou promessa de décadas, mas segue dependendo de decisão técnica, vontade política e menos uso eleitoral.

“O município perdeu população”

Salatiel também explicou a queda na população oficial de Rodrigues Alves no último censo. Segundo ele, comunidades que antes eram contabilizadas para o município passaram a ser enquadradas de outra forma por causa dos limites georreferenciados.

O efeito é direto no Fundo de Participação dos Municípios. Menos população no cálculo significa menos dinheiro. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves não paga nem metade da folha dos garis. É o retrato do aperto vivido por municípios pequenos do interior.

Petecão bem na foto

Na bancada federal, Salatiel fez questão de citar quem, segundo ele, tem ajudado Rodrigues Alves. O primeiro nome foi Sérgio Petecão. O prefeito atribuiu ao senador recursos para estradas vicinais, ponte de alvenaria, orla e a futura rua coberta do município.

Também citou Zezinho Barbary, com mais de R$ 25 milhões em investimentos encaminhados; Antônia Lúcia, pelo recurso que viabiliza a festa via Ministério da Cultura; e Roberto Duarte, com apoio na área da saúde.

Quando perguntado sobre quem não ajuda, o prefeito desviou. Preferiu deixar que a lista dos citados falasse por si.

Fabio Rueda passou por lá, mas ouviu não

Salatiel confirmou que já recebeu Fabio Rueda em Rodrigues Alves, em visita institucional, mas disse que falou ao pré-candidato sobre seus compromissos políticos. A mensagem foi simples: quem já ajuda o município tem prioridade.

Em política, isso é quase uma declaração. O prefeito abriu a porta, mas não entregou a chave.

Festival da Banana com data e produto

O Festival da Banana foi defendido por Salatiel como evento cultural e econômico. A programação começa com atividades em julho e terá shows de Samuel Mariano, na abertura da feira, e Léo Magalhães no encerramento.

O prefeito reforçou que Rodrigues Alves tem banana de verdade, com produção em áreas como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Moju, Pucalpa e Foz do Paraná. Também citou derivados como doce, chips, bombom, tapioca e o pastel de banana, produzido pela Panificadora Davi.

A festa, segundo ele, não é só palco. É vitrine para a produção rural.

Expoacre Juruá esquenta

A Expoacre Juruá também dominou o fim do programa. A seletiva da Rainha do Rodeio teve sete candidatas e definiu cinco finalistas. A final será realizada durante o rodeio.

A cavalgada, coordenada por Eric Thiago Salles Castanha, já tem mais de 100 cavalos inscritos. A saída dos animais será ajustada para reduzir o percurso e atender recomendações de bem-estar animal. A festa vai até a Arena do Juruá e deve encerrar antes do show de Leonardo.

Casamento coletivo

Cruzeiro do Sul terá 300 vagas para casamento coletivo durante a Expoacre Juruá. As inscrições começam nesta segunda-feira, 22, na Secretaria Municipal de Assistência Social, próxima à OCA.

Rodrigues Alves também terá casamento coletivo dentro do Projeto Cidadão, em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, durante a programação do Festival da Banana.

MP cobra o Iapen

Na área institucional, o Ministério Público do Acre acionou a Justiça para cobrar melhorias estruturais e reforço de segurança no Complexo Penitenciário do Juruá. A ação é assinada pelo promotor Vanderlei Batista Cerqueira e tem como alvo o Estado e o Iapen.

O assunto entra em um ponto sensível: segurança pública não se resolve só na rua. Também passa por presídio funcionando com estrutura mínima.

Trânsito, álcool e morte

O programa abriu com um alerta pesado: o Acre aparece entre os estados com maior taxa de internações por acidentes de trânsito envolvendo álcool. Gledisson Albano lembrou que a PM flagra com frequência motoristas dirigindo sob efeito de bebida.

O fim de semana também teve a morte de Wesley Nepomuceno Galvão, em acidente na Ladeira do Bode, na Avenida Copacabana, em Cruzeiro do Sul. A polícia informou que ele não era habilitado. Não foi feita ligação direta, no programa, entre o caso e consumo de álcool.

Folga para quem doa sangue

Cruzeiro do Sul sancionou lei que garante dois dias de folga ao servidor municipal que doar sangue. O benefício poderá ser usado duas vezes ao ano, totalizando quatro dias.

A medida foi tratada como incentivo importante porque o Hemocentro do Juruá atende pacientes de vários municípios, de Porto Walter a Marechal Thaumaturgo, e costuma enfrentar estoque baixo.

Fim de semana policial

Gledisson Albano também trouxe um resumo pesado da área policial: assalto em Mâncio Lima, furto de mercadorias de caminhão no centro de Cruzeiro do Sul, roubo a loja no bairro João Alves e prisão de foragido pelo Gefron em ônibus na BR-364.

O fim de semana mostrou, mais uma vez, que a pauta policial no Juruá não cabe em um bloco só.

Salatiel diz que Festival da Banana vai movimentar Rodrigues Alves e fortalecer produtores

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, apresentou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, a programação da 10ª edição do Festival da Banana e dos 34 anos do município. A agenda começa em julho, terá trilha feminina, show gospel com Samuel Mariano, casamento coletivo pelo Projeto Cidadão, rodeio, feira de produtos derivados da banana e encerramento em 2 de agosto com show de Léo Magalhães. “Pra nós é uma satisfação, alegria de nós estarmos aqui para trazer boas notícias para a nossa querida população de Rodrigues Alves, falar dos festejos que vão se anteceder aí no próximo mês de julho, em comemoração tanto ao aniversário da cidade como também ao Festival da Banana, onde nós vamos estar realizando a décima edição”, disse o prefeito.

Salatiel começou a entrevista falando da situação financeira da prefeitura. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves é baixa e que a gestão depende de repasses federais, emendas parlamentares e convênios para manter serviços e investimentos. “Rodrigues Alves, a sua arrecadação própria não dá pra mim pagar a metade da folha dos nossos garis que cuidam da limpeza da cidade. Então, por aí, você já vê o enfrentamento e a dificuldade que um gestor passa”, afirmou.

A queda populacional registrada no último censo também entrou na conversa. Salatiel disse que o município tinha estimativa de mais de 18 mil habitantes e caiu para pouco mais de 14 mil moradores na contagem oficial, o que reduziu o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Para o prefeito, essa perda afeta diretamente áreas como educação, saúde, assistência social, meio ambiente, manutenção de ramais e realização de eventos públicos. Mesmo com esse cenário, ele defendeu a festa como parte da identidade do município. “A gente vai estar fazendo os festejos da cidade porque já é algo cultural. E você sabe, muitas vezes, a maioria da população, se você não faz, reclama; e se você faz, reclama do mesmo jeito. Mas a gente vai estar lá, se Deus quiser, trabalhando com muito cuidado para que nós possamos fazer um grande evento”, declarou.

O principal ponto da entrevista foi a produção de banana. Salatiel citou comunidades como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Agrovila do Moju, Pucalpa e Foz do Paraná como áreas importantes para a economia rural de Rodrigues Alves. “Hoje, se nós pegarmos aqui da Praia da Amizade até a Foz do Paraná, você vai ver o quantitativo de produtores que nós temos hoje que produzem banana”, disse. O prefeito também falou sobre os prejuízos causados pelas cheias em áreas próximas ao Rio Juruá. “Às vezes a banana passa muito tempo ali dentro d’água e acaba afetando a sua produção”, afirmou.

Salatiel disse que Rodrigues Alves produz mais banana do que consome e que a fábrica de derivados ajuda a ampliar o uso da produção local. “Hoje nós temos uma fábrica que fabrica os derivados da banana. Todos esses derivados da banana são feitos lá nessa fábrica. Hoje o doce da banana, banana chips, bombom da banana, é tudo feito lá dentro dessa fábrica, que hoje é gerida pela cooperativa Cooperfã”, afirmou. O festival vai reunir produtos como doce de banana, chips, bombom, tapioca e pastel de banana.

A programação começa no dia 4 de julho, com uma trilha feminina. “Dia quatro com uma trilha feminina. Então aí nós já convidamos todas as mulheres do Vale do Juruá, especificamente de Rodrigues Alves”, disse Salatiel. O prefeito afirmou que a atividade terá apoio mecânico e equipe de saúde durante o percurso. “Se acontecer de alguém passar mal, se machucar, vai ter todo o suporte lá”, completou.

A abertura oficial do Festival da Banana será no dia 29 de julho, com show gospel de Samuel Mariano. “Nós vamos estar também abrindo com o show gospel com o cantor e pastor Samuel Mariano. É a sua segunda vinda no estado do Acre. A primeira vinda dele foi na cidade de Epitaciolândia e agora ele vai estar vindo abrir a décima edição do Festival da Banana”, disse o prefeito.

No dia 30 de julho, a prefeitura vai realizar casamento coletivo em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio do Projeto Cidadão. “Você que quer casar, dia trinta de julho nós vamos estar realizando este casamento lá no estádio de futebol, no pôr do sol. A gente vai fazer uma coisa bem romântica”, afirmou Salatiel.

A entrevista também passou pela articulação política da prefeitura. Salatiel citou o senador Sérgio Petecão e os deputados federais Zezinho Barbary, Antônia Lúcia e Roberto Duarte entre os parlamentares que destinaram recursos para Rodrigues Alves. Sobre Zezinho Barbary, o prefeito disse que o volume de investimentos já passa de R$ 25 milhões. “Hoje nós temos, dos oito deputados federais, o deputado Zezinho Barbary, que o seu montante hoje já ultrapassa os vinte e cinco milhões de investimento dentro do município”, afirmou.

Ao falar da deputada federal Antônia Lúcia, Salatiel disse que o recurso destinado por ela garante a realização da festa. “A festa da cidade vai acontecer através dela. Se não fosse ela, nós não iríamos fazer”, afirmou. O prefeito explicou que o dinheiro veio para ações culturais e não pode ser usado em outras áreas. “Se eu não realizar os eventos culturais, eu vou ter que devolver esse recurso para a União. Eu não posso tirar ele de lá e botar na educação, na saúde, em infraestrutura”, declarou.

No fim da entrevista, Salatiel falou do pastel de banana como novidade da edição deste ano. “Esse ano nós temos também o pastelzinho de banana. É uma novidade”, disse. O produto foi preparado pela panificadora Davi e apresentado no lançamento da programação. “Quem teve lá degustou desse pastelzinho muito delicioso. Para mim foi excepcional. Eu tenho certeza que vai ser novidade”, afirmou.

O Festival da Banana chega à 10ª edição com a promessa de movimentar produtores, comerciantes, empreendedores e moradores de Rodrigues Alves. A entrevista de Salatiel mostrou que a prefeitura quer usar a festa para reforçar a produção rural, ampliar a venda de derivados da banana e manter o evento como uma das principais marcas do município no Vale do Juruá.

Casamento coletivo em Cruzeiro do Sul abre inscrições com 300 vagas

As inscrições para o casamento coletivo em Cruzeiro do Sul começam nesta segunda-feira, 22, e seguem até sexta-feira, 26, com 300 vagas disponíveis para casais que desejam oficializar a união civil gratuitamente. O atendimento será feito das 7h às 14h, na Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, na Rua Rui Barbosa, nº 226, no Centro.

A cerimônia está marcada para o dia 4 de julho de 2026, às 17h, no Estádio Arena do Juruá, localizado na Rodovia AC-405, Km 9, na Estrada do Aeroporto. A ação integra o Projeto Cidadão, coordenado pelo Tribunal de Justiça do Acre, e busca facilitar o acesso ao casamento civil sem cobrança de taxas cartorárias.

Podem participar casais que cumpram os requisitos legais para o casamento civil e apresentem a documentação exigida no período de habilitação. As certidões precisam ter sido emitidas há, no máximo, seis meses.

Noivos solteiros devem apresentar certidão de nascimento original, comprovante de endereço, RG e CPF, com original e cópia. Para noivos divorciados, são exigidas a certidão de casamento com averbação do divórcio, cópia do processo ou da sentença de divórcio referente à partilha de bens, comprovante de endereço, RG e CPF.

No caso de noivos menores de idade, entre 16 e 18 anos incompletos, é necessária a certidão de nascimento original, comprovante de endereço e a presença dos pais ou responsáveis com RG e CPF. Em caso de falecimento dos pais, deve ser apresentada a certidão de óbito. Quando houver ausência dos responsáveis, será exigida autorização por escrito do responsável legal.

A iniciativa conta com parceria do Governo do Estado, Ministério Público do Acre, Tribunal Regional Eleitoral, Receita Federal, Incra, Prefeitura de Cruzeiro do Sul e outras instituições. A proposta é ampliar o acesso da população a serviços de cidadania e garantir a formalização da união civil a casais que buscam regularizar a vida familiar.

Emurb segue manutenção asfáltica e drenagem em bairros de Rio Branco

A Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco realizou neste sábado (20) serviços de manutenção asfáltica, drenagem, remendo profundo, recuperação de vias e melhorias na rede coletora de esgoto em diferentes bairros da capital. As ações tiveram como foco melhorar a trafegabilidade, ampliar a segurança e atender demandas de infraestrutura urbana apresentadas pela população.

As frentes de trabalho passaram pela Rua Barbosa Lima e pela Rua Estado do Acre, na região da Base e do Centro; Estrada Dias Martins, no bairro Chácara Ipê; Rua Rio de Janeiro e Estrada do Calafate, entre os bairros Floresta e Vila Betel; Rua Senador Kairala, na Estação Experimental; Rua São Matheus, no Floresta Sul; e Estrada do Calafate, no Portal da Amazônia.

As equipes de tapa-buraco também atuaram na Avenida Norte, Avenida Central e Avenida Noroeste, no bairro Tucumã, além da Estrada do Aviário e da Travessa Santa Inês, nas regiões do Aviário e Morada do Sol. No bairro Chico Mendes, os serviços incluíram remendo profundo na Rua Maestro Sandoval e na Rua Arco-Íris, com recuperação do pavimento para melhorar as condições de tráfego.

Na área de drenagem, os trabalhos ocorreram na Rua Alcides Teixeira, no bairro Santo Afonso, dentro do Programa Mil e Uma Dignidade, e na Rua Maestro Sandoval, no bairro Vitória. Já na Rua Raimundo Targino, no bairro Rosa Linda, as equipes fizeram melhorias na rede coletora de esgoto.

O encarregado de obras da Emurb, Nildomar Nunes, afirmou que a atuação em várias regiões faz parte de um planejamento para ampliar o alcance dos serviços. “Estamos executando um trabalho planejado para alcançar o maior número possível de bairros, com intervenções que vão desde a manutenção asfáltica até serviços de drenagem e recuperação de vias”, disse.

No Residencial Araçá, moradores acompanharam a execução de melhorias na infraestrutura urbana. O morador Graci Resende afirmou que a comunidade aguardava os serviços havia tempo. “Essa era uma demanda que os moradores aguardavam há muito tempo. Hoje vemos o serviço sendo realizado com qualidade e excelência, trazendo mais dignidade para quem vive aqui”, afirmou.

A programação de manutenção urbana pode passar por alterações por causa das condições climáticas ou de demandas emergenciais identificadas durante a execução dos trabalhos.

Seletiva define finalistas para Rainha da Expoacre Juruá 2026 em Cruzeiro do Sul

A seletiva realizada na noite deste sábado, 20, em Cruzeiro do Sul, definiu as cinco candidatas que seguem na disputa pelo título de Rainha do Rodeio da 21ª Expoacre Juruá. A final será no dia 2 de julho de 2026, durante a abertura oficial do rodeio, um dos eventos da programação da exposição.

A etapa reuniu sete candidatas na Petiscaria Modelo. Lis Carvalho, Thauene Vitória, Ana Clara Melo, Déborah Thalia, Alexsandra Gadelha, Cleiciana Lima e Carla Cristina participaram das apresentações individuais diante de jurados, familiares, amigos, patrocinadores e apoiadores.

A disputa teve duas fases. Na primeira, as candidatas buscaram votos pelas redes sociais. Na segunda, os jurados avaliaram critérios como traje, oratória, postura, simpatia e beleza. Com a soma das notas, Thauene Vitória ficou em primeiro lugar e avançou para a final ao lado de Cleiciana Lima, Lis Carvalho, Carla Cristina e Débora Thalia.

“Meu coração está pulsando forte. Estou feliz em ficar em primeiro lugar, tanto na primeira quanto na segunda fase. Isso aqui pra mim não é só um título, é a realização de um sonho que venho vivendo há muito tempo”, disse Thauene Vitória.

O coordenador do Rodeio e chefe do escritório local da Secretaria de Estado de Agricultura, Marcos Pereira, afirmou que a escolha da rainha está entre os momentos mais aguardados da Expoacre Juruá. A vencedora receberá R$ 5 mil. O segundo lugar terá prêmio de R$ 3 mil, e o terceiro, R$ 2 mil, além de bonificações oferecidas por patrocinadores.

Durante o evento, também foi lançada a Cavalgada 2026, marcada para 5 de julho, último dia da exposição. A concentração será no terreno ao lado do Mercantil Cohab, com percurso até a Arena do Juruá. O coordenador Eric Castanha afirmou que mais de 100 cavalos já estão inscritos e que os animais ficarão no Rancho Vó Izaura antes do início do trajeto, para evitar longas caminhadas.

Vereadores de Cruzeiro do Sul embarcam para ato de Fábio Rueda e deixam no ar a pergunta sobre a conta

Uma comitiva de vereadores de Cruzeiro do Sul apareceu em foto dentro de uma aeronave a caminho de Rio Branco para o lançamento da pré-candidatura de Fábio Rueda a deputado federal. Nos bastidores, os nomes ligados ao grupo incluem Zé Roberto, Antônio Cosmo, Keleu, Cristiano Rodrigues, Tiago da Milênio, além de outros integrantes da caravana.

O embarque ganhou peso político porque a comitiva reúne parlamentares de partidos diferentes e nomes com espaço na estrutura da Câmara. Keleu é o vice-presidente da Casa e Cristiano Rodrigues ocupa a primeira-secretaria. Zé Roberto e Keleu são do PP, Antônio Cosmo e Mazinho da BR são do MDB, Tiago da Milênio é do União Brasil. A mistura mostra que Rueda já trabalha para ampliar sua base no Juruá.

Médico e ex-deputado federal na condição de suplente, Fábio Rueda transformou o evento em vitrine de força política ao reunir a governadora Mailza Assis e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. O que ainda precisa de resposta é o custo da viagem. Em agenda de claro interesse político, a pergunta continua simples e direta: quem pagou o voo? Quem está pagando a conta toda, uma logística dessa, com alimentação e hospedagem não é barato.

Mailza vai a Londres com discurso ambiental, mas Acre cobra respostas sobre ponte e floresta

A governadora Mailza Assis deixa o Acre rumo a Londres para ocupar uma vitrine internacional da agenda climática, enquanto o Estado ainda espera respostas sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e sobre a distância entre o discurso ambiental levado ao exterior e a execução real das políticas de floresta em casa. A London Climate Action Week ocorre entre 20 e 28 de junho, reunindo governos, empresas, financiadores e organizações em torno de ações climáticas; no Acre, a ponte inaugurada em 2023 caiu no dia 5 de junho, havia sido interditada um dia antes, custou R$ 36 milhões e deixou quatro pessoas feridas. A viagem pode abrir portas, mas também expõe uma pergunta que o governo tenta contornar: quem conduz o Estado quando a governadora sai em meio a crises políticas, administrativas e ambientais?

Mailza não chega a Londres como gestora de um ciclo novo e separado do passado. Ela assumiu o Palácio Rio Branco no dia 2 de abril, depois da saída de Gladson Cameli, e fez da continuidade a marca do governo. Na transmissão do cargo, a nova governadora disse: “Vamos dar continuidade a um governo que já vinha dando certo”. Essa frase cola a atual administração ao ciclo anterior. Não há como apresentar no exterior apenas a parte vistosa da agenda ambiental, com siglas, fóruns, ativos climáticos e promessas de economia verde, deixando no Acre a parte incômoda da conta.

A ausência da governadora também cria um problema político no comando do Estado. O Acre está sem vice-governador. Pela linha sucessória, a chefia temporária do Executivo passa pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior. Em abril, quando Mailza e Nicolau estavam fora do Estado, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Laudivon Nogueira, assumiu interinamente o governo. O episódio não foi apenas uma formalidade. Em ano eleitoral, cada afastamento de Mailza obriga Nicolau a calcular seus próprios passos, porque assumir o governo pode atravessar planos eleitorais e mexer na engenharia interna do grupo governista.

Nicolau não é peça decorativa nesse tabuleiro. Gladson Cameli já tratou Mailza e o presidente da Assembleia como “dois planos A” do Progressistas para a eleição de 2026. A frase, dita em 2025, deixou os dois no mesmo campo de expectativa política. Quando Mailza viaja e Nicolau precisa sair do Acre para não ocupar interinamente o governo, a missão internacional deixa de ser apenas agenda institucional. Ela empurra para a superfície uma disputa que o grupo tenta administrar sem rompimento público.

O MDB amplia essa instabilidade. Em março, o partido oficializou aliança com o projeto eleitoral de Mailza e passou a reivindicar a indicação do vice na chapa. Antes disso, a sigla já era cortejada por Alan Rick e tratada como fiel da balança para 2026. A vaga que deveria dar musculatura política à governadora virou ponto de pressão. O MDB tem força eleitoral em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, tem nomes próprios e sabe que sua presença pode alterar o peso de qualquer palanque. Mailza viaja a Londres enquanto sua chapa ainda precisa provar que não será desmontada antes de chegar à campanha.

No campo ambiental, a cobrança é ainda mais dura. O Acre tem uma história importante, construída antes do atual governo, com o Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais, o Sisa, e com a entrada precoce no debate de REDD+ e pagamento por resultados. Essa trajetória deu ao Estado respeito internacional. Mas reputação antiga não paga a conta da gestão presente. O governo Mailza-Gladson precisa responder o que tem de efetivo para mostrar na área ambiental: qual cadeia produtiva de baixo carbono ganhou escala, qual política de desenvolvimento sustentável mudou a renda de quem vive da floresta, qual programa chegou à ponta com resultado verificável, qual produtor recebeu apoio consistente para produzir sem derrubar e qual comunidade extrativista passou a viver melhor da floresta em pé.

A Fase II do Programa REM Acre, financiada pela Alemanha, por meio do KfW, e pelo Reino Unido, expõe a distância entre promessa e execução. O programa foi desenhado para ser executado em cinco anos, recebeu R$ 91 milhões e havia executado R$ 53,1 milhões, ou 58,4%, até dezembro de 2022, quando restava um ano para a conclusão prevista. A gestão precisou replanejar ações porque os instrumentos usados nos primeiros anos foram pouco efetivos e a ligação entre gasto público e resultado ficou frágil. Isso não é detalhe burocrático. É o principal programa climático recente do Acre tentando corrigir, tarde, aquilo que deveria ter entregado no tempo certo.

O desmatamento é a parte mais difícil de maquiar. O REM trabalhava com um gatilho anual de 330 km². Durante a Fase II, o Acre ficou acima desse limite em 2018, com 444 km²; em 2019, com 682 km²; em 2020, com 706 km²; e em 2021, com 889 km². A segunda fase do programa nasceu para ajudar a proteger a floresta e reduzir emissões, mas atravessou justamente o período em que o desmatamento subiu de forma persistente. O governo pode falar em REDD+, mas os números cobram coerência.

Quando o governo se movimentou de forma mais concreta sobre florestas públicas, o resultado foi uma derrota no Supremo Tribunal Federal. A Corte declarou inconstitucional a regra estadual que autorizava conceder título definitivo e retirar áreas do regime de floresta pública após dez anos de uso ou posse. A norma alcançava áreas como as Florestas Públicas Estaduais do Rio Gregório, Rio Liberdade, Mogno, Antimary e Afluente do Complexo do Seringal Jurupari. O Acre que pretende se apresentar ao mundo como guardião da floresta precisou ser barrado pelo STF em uma regra que abria caminho para transferir áreas protegidas a particulares.

A política de crédito de carbono também exige menos propaganda e mais entrega. Em agosto de 2025, Gladson assinou decreto que atualizou a estratégia de repartição de benefícios do Programa ISA Carbono, destinando 72% dos recursos captados com a comercialização futura de créditos de carbono aos beneficiários do Sisa e 28% ao governo para ações de comando e controle, governança e gestão de áreas públicas. A palavra central é “futura”. O governo tem desenho institucional, percentuais, fóruns e discurso. Ainda falta mostrar uma política em escala, com dinheiro circulando de forma transparente, resultado ambiental medido e melhoria concreta na vida das populações que conservam a floresta.

A pergunta que deve acompanhar Mailza em Londres é simples: o que o governo Mailza-Gladson tem para mostrar além da memória ambiental do Acre? A resposta não pode ser a história do Sisa, nem a herança simbólica de Chico Mendes, nem a reputação construída por outros ciclos. A resposta precisa estar na execução real: redução de desmatamento, cadeia produtiva de baixo carbono funcionando, crédito de carbono com governança madura, assistência técnica contínua, fiscalização forte, renda para extrativistas, regularização sem abrir brecha para privatizar floresta pública e programas climáticos concluídos com resultado, não empurrados por reestruturações.

A ponte de Sena Madureira torna esse debate ainda mais concreto. A estrutura caiu sobre o Rio Iaco, deixou feridos e obrigou o governo a abrir procedimento administrativo, acionar medidas judiciais e prometer apuração das responsabilidades. A ponte virou símbolo de uma gestão que vende entrega, mas agora precisa explicar fiscalização, contrato, manutenção, risco e resposta. Não há vitrine internacional capaz de apagar a imagem de uma obra pública desabando diante de moradores que dependiam dela para atravessar a cidade.

O Acre deve participar das grandes agendas climáticas. A floresta acreana tem valor ambiental, econômico e político. Mas presença internacional não é certificado de eficiência. Mailza pode falar em Londres sobre floresta em pé, desenvolvimento sustentável e ativos climáticos. No Acre, porém, a cobrança continua de pé: quem responde pela ponte que caiu, quem comanda o Estado na ausência da governadora, quem segura a base política, quem entrega o REM, quem reduz o desmatamento e quem transforma carbono em renda real para quem vive na floresta. Sem essas respostas, a viagem vira fotografia. E o governo Mailza-Gladson, em vez de honrar o histórico ambiental do Acre, envergonha essa história diante do país.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul leva 500 sacas de café para beneficiamento em Mâncio Lima

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul fez, na quinta-feira, 18 de junho, o transporte de cerca de 500 sacas de café de uma propriedade rural na região da BR-364 até uma indústria em Mâncio Lima. A ação atendeu o produtor Vitor Silva e faz parte do trabalho da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento para ajudar no escoamento da safra e reduzir custos dos agricultores.

O carregamento ocorreu no Ramal do Caracas. Com o suporte da prefeitura, a produção segue para beneficiamento sem custo de transporte para o produtor. Vitor Silva afirmou que esta foi a décima carga de café transportada este ano com apoio do município. “Esse apoio é muito importante para nós produtores, porque facilita o transporte da produção e ajuda a reduzir os custos. Já estamos no décimo caminhão transportado este ano e isso mostra o quanto essa parceria tem sido fundamental para fortalecer a cafeicultura em nossa região”, disse.

O secretário municipal de Agricultura, Nildson Moura, afirmou que a orientação da gestão é manter o atendimento aos produtores rurais. “O café tem se destacado cada vez mais em nosso município e precisamos garantir que os produtores tenham condições adequadas para escoar sua produção. Esse apoio com maquinários representa mais eficiência, menos custos e mais oportunidades para quem vive da agricultura”, declarou.

Além do transporte, a prefeitura informou que já distribuiu mais de 4,2 toneladas de insumos agrícolas a produtores das regiões dos rios Juruá Mirim e Valparaíso, dentro do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura. A iniciativa atende 100 agricultores, cada um com 3 mil mudas de café, volume suficiente para o plantio de um hectare, além de insumos para correção e fertilização do solo.

O município também faz o transporte dos materiais até as comunidades e oferece acompanhamento técnico com engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura. Em Cruzeiro do Sul, uma indústria de café está em construção no Ramal II, na Vila Santa Luzia, como parte da expansão da cadeia produtiva no município.

Ex-companheira de Madson Cameli cobra rapidez da Justiça em casos de violência contra a mulher

Melissa Sampaio levou para uma postagem sobre o programa Defesa Lilás uma cobrança que atravessa o Acre e alcança o país: não basta criar campanhas, vestir camisetas ou ocupar palcos em nome da defesa das mulheres se a Justiça demora tanto que a resposta chega tarde, fraca ou prescrita. Ex-companheira de Madson de Castro Cameli, contra quem move processo por supostas agressões, Melissa comentou uma publicação sobre o lançamento da iniciativa do União Brasil, realizada neste sábado, 20, em Rio Branco, com a presença da governadora Mailza Assis, atual esposa de Madson Cameli, e puxou o debate para o ponto mais duro da violência doméstica: depois de vencer o medo para denunciar, muitas mulheres ainda precisam esperar anos para serem ouvidas pelo sistema que prometeu protegê-las. O lançamento do Defesa Lilás reuniu lideranças políticas e foi apresentado como uma ação para ampliar a participação feminina nos espaços de poder. Vale lembrar ainda que Madson, além de marido de Mailza, é atualmente o seu o chefe do Gabinete Pessoal, no Palácio Rio Branco.

No comentário, Melissa foi direta. Escreveu que iniciativas voltadas à defesa das mulheres também precisam enfrentar a lentidão dos processos de violência doméstica e familiar. Citou o dado de que mais de 307 mil ações de violência contra a mulher prescreveram no Brasil nos últimos anos e amarrou o número à vida real de quem espera. “Quando um processo permanece parado por meses ou anos em razão de sucessivos recursos, adiamentos e entraves processuais, a vítima continua revivendo a violência que já sofreu”, afirmou. A frase tira a discussão do cartaz de campanha e a coloca dentro do fórum, onde cada remarcação de audiência, cada recurso e cada silêncio institucional podem obrigar a mulher a repetir a dor que tentou encerrar quando procurou ajuda.

O número usado por Melissa tem peso nacional. Levantamento da socióloga Regina Gondim, pesquisadora do Instituto de Direito Público, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgado pela Band, registrou 307 mil processos judiciais de violência contra a mulher prescritos entre 2020 e 2025. O mesmo levantamento apontou que 24% dos processos foram arquivados depois da perda do prazo legal para julgamento.

Foi nesse chão que Melissa pisou ao escrever: “Proteger as mulheres não é apenas criar novos programas ou incentivar sua participação na política. Também é garantir que aquelas que tiveram coragem de denunciar encontrem uma Justiça acessível, eficiente e capaz de dar uma resposta em tempo razoável.” A última frase veio como recado: “Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão depois de já ter esperado tanto para conseguir denunciar. Defender as mulheres também é garantir que a Justiça não chegue tarde demais.”

A manifestação ganha outra dimensão porque Melissa não fala de fora dessa realidade. Em 2024, o Ministério Público do Acre denunciou Madson Cameli por lesão corporal e violência psicológica, em um caso que envolve supostas agressões físicas e psicológicas relatadas por ela. A defesa de Madson nega as acusações e sustenta que o caso nasceu em um contexto de término de relacionamento. O processo ainda precisa seguir o caminho legal, com contraditório e ampla defesa, mas a existência da denúncia e a exposição pública de Melissa colocaram a história no centro de uma discussão que o Acre costuma empurrar para dentro das casas: o que acontece com uma mulher depois que ela decide falar?

Horas antes dessa cobrança, Melissa já vinha trazendo luz sobre esse tema em seus stories, apontando aquilo que muitas vítimas só conseguem dizer depois de sobreviver ao pior trecho do caminho. “Não foi fácil. Houve dias em que eu pensei que não conseguiria. Mas Deus me sustentou em cada um deles”, escreveu. Em outro trecho, tocou no ponto mais invisível da violência: “Nem toda violência deixa marcas visíveis e nem toda injustiça acontece de forma explícita.” A sequência terminou como um chamado sem enfeite: “Mulheres, denunciem e não desistam!”

A força desses posicionamentos está justamente no que eles não tentam esconder. Denunciar não é um gesto simples. Para muitas mulheres, é o momento em que a violência sai da casa e passa a circular pela família, pelos amigos, pelo trabalho, pela internet, pela polícia e pela Justiça. A mulher que denuncia quase sempre precisa provar mais do que o fato. Precisa provar que sofreu, que lembra, que não exagerou, que não inventou, que não quer vingança, que merece crédito. Quando o processo se arrasta, essa cobrança se repete por meses ou anos. A agressão vira lembrança obrigatória. A espera vira punição.

Ao comentar a publicação do Defesa Lilás, Melissa deslocou o debate de um evento político para uma pergunta concreta: que proteção existe quando uma mulher denuncia e passa anos olhando para um processo parado? No Acre, onde sobrenomes pesam, relações políticas se cruzam e a vida pública invade a vida privada, essa pergunta não é abstrata. Ela alcança delegacias, promotorias, gabinetes, tribunais e também as rodas de conversa onde a palavra da mulher ainda costuma ser colocada em dúvida antes mesmo de o processo andar.

A defesa das mulheres não se mede apenas pelo discurso de combate à violência. Mede-se pelo tempo da resposta, pela coragem de acolher quem denuncia, pela proteção dada antes que o risco aumente e pela capacidade de impedir que a vítima seja esmagada pela própria engrenagem que deveria ampará-la. Quando Melissa escreve que a Justiça não pode chegar tarde demais, ela fala de prescrição, mas fala também de abandono. Porque, para uma mulher que esperou muito para denunciar, cada ano sem decisão pode parecer uma nova forma de silêncio.

A sequência publicada por Melissa deixa uma pergunta incômoda para instituições, autoridades e para a própria sociedade acreana: o que acontece com uma mulher depois que ela tem coragem de denunciar?