Intercâmbio nos EUA leva alunos de Rio Branco da sala de aula à experiência internacional

A volta de seis estudantes da rede municipal de Rio Branco após um intercâmbio nos Estados Unidos reposiciona uma aposta da prefeitura na educação como porta de entrada para experiências fora do país. Depois de uma semana em Orlando, com visitas à NASA e a atrações da Disney, o grupo retornou à capital acreana com relatos que misturam aprendizado, contato com tecnologia e episódios de forte emoção.

A viagem reuniu Yasmin Silva Matos, Carlos Davi da Silva de Mendonça, José Pedro Rebouças Felix, Ana Luisa da Silva Montalvão, Kauã Victor Soliza da Silva e Miguel Lima da Costa, todos selecionados a partir do desempenho escolar. O embarque ocorreu no dia 8, e o retorno a Rio Branco foi marcado pelo encontro com familiares e pela repercussão de uma experiência rara para alunos da rede pública municipal.

Ao longo da programação, os estudantes circularam por espaços voltados à ciência, inovação e entretenimento, em uma agenda montada para combinar formação e vivência cultural. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a passagem pela NASA e pelos parques ampliou o repertório dos alunos em áreas que vão além do conteúdo tradicional da sala de aula. “Na NASA eles puderam aprender sobre o primeiro homem que foi à Lua, conheceram o Saturno V, o maior foguete construído pela NASA. Nos parques também aprenderam sobre tecnologia, velocidade, física e produção cinematográfica”, disse.

O encerramento da viagem concentrou uma das cenas mais lembradas pelo grupo. Durante a queima de fogos, os alunos fizeram uma transmissão ao vivo para as mães. “Todo mundo se emocionou na queima de fogos. Fizemos uma transmissão ao vivo para as mães e foi muito especial. É uma oportunidade que todos podem alcançar”, afirmou Pacheco.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Educação, o intercâmbio foi tratado como uma ação de impacto pedagógico e de estímulo dentro da própria rede. O gerente do Departamento de Ensino Fundamental, Hélio Sebastião, afirmou que a experiência cria referências concretas para os estudantes e reforça o papel da escola na transformação de trajetórias. “Não se trata somente de uma viagem. Essas crianças trazem na bagagem conhecimento, experiências e contato com tecnologias que antes elas viam apenas pela televisão. Isso contribui diretamente para a formação delas e motiva outros alunos a acreditarem que a educação pode transformar vidas”, disse.

Entre os relatos do grupo, um dos episódios mais celebrados foi vivido por Carlos Davi da Silva de Mendonça, que completou aniversário durante a viagem e foi surpreendido com uma comemoração ao lado de personagens da Disney. “Foi incrível. A gente se abraçou, tirou muitas fotos. Foi uma experiência muito especial”, afirmou.

O retorno dos estudantes amplia o alcance político e simbólico do projeto. Para a prefeitura, a viagem funciona como vitrine de um modelo que associa mérito escolar, acesso a novas experiências e valorização da rede municipal. Para os alunos, a semana nos Estados Unidos deixa um efeito mais direto: a ideia de que o esforço na escola pode levar a destinos antes vistos como distantes.

UFAC convoca aprovados na 3ª chamada do Sisu 2026 para matrícula no Acre

A Universidade Federal do Acre divulgou a 3ª chamada do Sisu 2026 e convocou candidatos aprovados para a matrícula institucional em cursos de graduação nos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. O procedimento será feito de forma virtual entre 18 e 19 de maio e é obrigatório para garantir a vaga na universidade.

Os convocados devem acessar o sistema da UFAC, preencher as informações exigidas e enviar a documentação dentro do prazo estabelecido no edital. Além dos documentos pessoais e acadêmicos, a universidade também exige o preenchimento do formulário socioeconômico. Nos casos de vagas reservadas, os candidatos terão de apresentar documentação complementar de acordo com a modalidade escolhida no processo seletivo.

A etapa também prevê procedimentos específicos para parte dos candidatos. Os aprovados nas vagas destinadas a pessoas com deficiência passarão por validação com apresentação de laudos e documentos médicos. Já os estudantes convocados nas modalidades voltadas a pretos, pardos e indígenas terão de participar da banca de heteroidentificação nos dias 20 e 21 de maio.

A universidade informou que o candidato que não concluir a matrícula institucional, deixar de enviar os documentos exigidos ou não comparecer às etapas complementares perderá o direito à vaga. O resultado preliminar dessa fase está previsto para 25 de maio, enquanto o resultado final deve ser publicado em 28 de maio, após o período de recursos.

Depois da matrícula institucional, os aprovados ainda terão de fazer a matrícula curricular, etapa também obrigatória para o ingresso nos cursos de graduação da UFAC. O procedimento será realizado pelo Portal do Aluno ou conforme orientação repassada pela coordenação de cada curso.

Caminhão atola em acesso à balsa no Rio Juruá entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves

Um caminhão ficou preso na lama na área de acesso à balsa que faz a travessia entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, no Vale do Juruá, na tarde deste sábado (16). O veículo, carregado com sacos, perdeu tração ao deixar a embarcação, inclinou na pista improvisada e interrompeu a passagem por alguns minutos no local.

O incidente ocorreu no trecho usado para embarque e desembarque de veículos na travessia gratuita entre os dois municípios. A área passou a operar novamente nesta semana, depois da construção de um novo acesso provisório, aberto após o desbarrancamento que comprometeu a estrutura anterior na margem do Rio Juruá.

A travessia havia sido suspensa no último dia 11 por causa da erosão provocada pela vazante do rio. Com a interrupção, motoristas passaram a usar a AC-407 para o deslocamento entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, num percurso mais longo do que o trajeto feito pela balsa.

O acesso segue sob manutenção constante por causa das mudanças no nível do rio e da instabilidade do terreno. “Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, afirmou o presidente do Deracre, Roberto Assaf. A travessia é uma das principais ligações da região e atende moradores, produtores rurais e veículos de carga que circulam entre os dois municípios.

Acre embarca primeira carga de carne bovina para Singapura e amplia presença no mercado externo

O Acre deu neste sábado mais um passo na expansão das exportações de carne bovina ao embarcar a primeira carga com destino a Singapura, mercado considerado um dos mais rigorosos do Sudeste Asiático. A remessa saiu da unidade do Nosso Frigorífico e reforça o avanço da indústria local, que ampliou investimentos, elevou a produção e abriu espaço em novos destinos internacionais.

A operação ocorre em meio à mudança de escala vivida pelo setor no estado. Em cinco anos, o número de países compradores da carne acreana passou de cinco para 17. A expectativa das empresas é fechar o ano com embarques para 25 mercados. A carga enviada a Singapura deixou a planta industrial em um rodotrem com cerca de 27 toneladas e seguirá até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, antes do transporte para a Ásia.

O movimento acompanha a ampliação da estrutura frigorífica no Acre. O Nosso Frigorífico emprega cerca de 450 trabalhadores e concentra quase metade dos investimentos anunciados pelo setor nos últimos anos. Diretor da empresa, Murilo Leite afirmou que a abertura de novos mercados encerra uma longa espera da cadeia produtiva local. “O nosso frigorífico concentra praticamente metade dos investimentos realizados no setor nos últimos anos. Isso representa geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Acre. Nós tentávamos há muitos anos avançar nesses mercados e hoje estamos vivendo um momento histórico”, disse.

Nos últimos três anos, os frigoríficos instalaram ou anunciaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos no estado. Na unidade responsável pelo embarque deste sábado, a capacidade de abate subiu de 400 para 800 animais por dia, enquanto o processamento industrial passou de 100 para 500 animais diariamente. A expansão elevou o volume de produção e fortaleceu a cadeia da pecuária acreana.

Além de Singapura, a carne produzida no Acre já segue para compradores na América do Sul, na Ásia e no Oriente Médio. Para atender parte dessa demanda, as empresas adaptaram protocolos industriais e passaram a operar também com exigências específicas de mercados externos, como o abate halal, adotado para países muçulmanos, entre eles a Arábia Saudita.

Murilo Leite atribuiu a abertura comercial ao trabalho de articulação feito nos últimos anos entre empresários e representantes do governo brasileiro. “O Jorge enxergou o potencial que o Acre tinha, especialmente no setor de proteína. Ele fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Levou os empresários do Acre para o mundo e colocou o estado na rota das exportações. Sem esse apoio, sem a diplomacia restabelecida e sem o trabalho do ministro Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, nós não estaríamos vivendo esse momento”, afirmou.

Ex-presidente da ApexBrasil, Jorge Viana afirmou que o avanço do setor revela uma nova fase da economia acreana. “Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo. É emocionante ver jovens formados na Universidade Federal do Acre trabalhando aqui, mulheres liderando equipes, pequenos produtores participando desse crescimento e a carne acreana chegando ao mundo inteiro”, disse.

Ele também relacionou o crescimento das exportações à agenda de promoção comercial construída nos últimos anos. “Foram dezenas de encontros empresariais organizados para abrir mercados para o Brasil. E hoje vemos aqui o resultado: geração de empregos, crescimento econômico e o Acre entre os estados que mais ampliaram as exportações nos últimos anos. Onde eu vou, eu levo o Acre junto, porque minha vida é aqui”, afirmou.

A ampliação das vendas externas não ficou restrita a uma única empresa. Outras indústrias do segmento também reforçaram operações no estado, em um cenário de expansão da atividade pecuária e de diversificação dos mercados compradores. Para o setor, o embarque deste sábado inaugura uma nova etapa para a proteína animal produzida no Acre. “O empresariado acreditou, investiu e fez acontecer. Hoje é um momento de celebração para todo o setor frigorífico acreano”, declarou Murilo Leite.

Acre pode ter redução de 4,51% na tarifa de energia elétrica a partir de julho de 2026

Consumidores do Acre poderão ter redução média de 4,51% na tarifa de energia elétrica a partir de julho de 2026, caso a proposta em pauta na Agência Nacional de Energia Elétrica seja confirmada na reunião marcada para terça-feira, 19 de maio. O anúncio foi feito neste sábado, 16 de maio, por Gladson Camelí, que afirmou ter levado o pedido à diretoria da Aneel após acompanhar a discussão sobre o reajuste no estado.

Segundo Camelí, o efeito médio previsto anteriormente era de 11,54% em dezembro, mas a articulação junto à agência resultou na possibilidade de redução para 4,51%. “A partir de julho de 2026, os consumidores acreanos vão ter redução na tarifa de energia elétrica graças a um pedido meu junto à Agência Nacional de Energia Elétrica”, afirmou.

A proposta, de acordo com a manifestação do ex-governador, beneficiaria consumidores de todo o estado e pode aliviar o orçamento das famílias em meio ao peso da conta de luz nas despesas mensais. A definição depende da deliberação do colegiado da Aneel, prevista para 19 de maio.

Gefron apreende motocicleta com registro de furto durante ação em Mâncio Lima

Uma motocicleta com registro de furto foi apreendida por agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) durante uma operação realizada em Mâncio Lima, no interior do Acre, nesta semana. A abordagem ocorreu durante fiscalização de rotina na região de fronteira, área considerada estratégica para o combate a crimes.

O veículo foi identificado após verificação dos dados durante a ação policial. A consulta confirmou a restrição por furto, o que levou à apreensão imediata da motocicleta. O caso foi encaminhado às autoridades competentes para os procedimentos legais e devolução ao proprietário.

As operações do Gefron fazem parte de um conjunto de ações voltadas à repressão de crimes como tráfico, contrabando e circulação de bens ilícitos na faixa de fronteira. O trabalho inclui patrulhamento constante, abordagens e checagens em tempo real de veículos e pessoas.

A atuação integrada com outras forças de segurança amplia o alcance das operações e reforça o controle nas áreas próximas à divisa internacional. A investigação segue para identificar possíveis responsáveis pelo crime relacionado ao veículo recuperado.

Governo do Acre reforça assistência a famílias após desbarrancamento em Rodrigues Alves

O governo do Acre levou ajuda emergencial a famílias atingidas por um desbarrancamento na comunidade Foz do Paraná dos Mouras, na zona rural de Rodrigues Alves, no Vale do Juruá. A ação ocorreu na quinta-feira, 14, depois que a erosão provocada pela cheia do Rio Juruá destruiu moradias, ampliou a área de risco e deixou moradores sob ameaça de novos deslizamentos.

Equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, da Casa Civil e do Corpo de Bombeiros foram enviadas à comunidade para entregar 20 cestas básicas, vistoriar o local e cadastrar as famílias afetadas direta e indiretamente. O levantamento também vai orientar as próximas medidas do poder público diante do avanço do barranco e da mudança no curso do rio.

Cinco casas já foram retiradas da área mais vulnerável. Outras seis ainda correm risco, segundo avaliação feita pelos bombeiros. O tenente Rosenildo Pires afirmou que não é possível prever quando novos desabamentos podem ocorrer, mas confirmou que a situação continua instável. “Não é possível informar o tempo, mas podemos afirmar que o rio vem tomado outro sentido aqui nesse percurso e logo pode atingir outras residências, afetando ainda mais famílias”, disse.

A diretora de Direitos Humanos da SEASDH, Joelma Pontes, afirmou que a resposta foi articulada assim que a prefeitura comunicou a situação ao Estado. “Aqui o governo se faz presente, estendendo a mão e levando um pouco mais de dignidade neste momento de tantas dificuldades enfrentadas por essas famílias. Assim que fomos acionados pela prefeitura local, recebemos de imediato a determinação do secretário João Paulo Silva e também da governadora Mailza Assis para nos deslocarmos até a comunidade e trazer apoio às pessoas atingidas”, afirmou.

Entre as famílias atingidas está a pescadora Francisca Isamilde Leite, que perdeu a casa levada pela força da água. Ao receber alimentos, resumiu o impacto da ajuda no momento de maior dificuldade. “A ajuda chegou em boa hora e vai ajudar bastante nesses dias difíceis”, disse.

O sentimento na comunidade ainda é de apreensão. Mesmo entre moradores que não tiveram a casa destruída, o medo de novos deslizamentos permanece. O marceneiro José Vazem afirmou que a presença das equipes deu algum alívio à população. “A gente agradece o apoio que o governo vem prestando neste momento. Nos sentimos mais seguros ao ver tantas pessoas envolvidas, especialmente as equipes do Corpo de Bombeiros, que estão trabalhando e avaliando os riscos. Acreditamos que hoje vamos conseguir dormir mais tranquilos, sem medo de o barranco desabar”, declarou.

A representante do gabinete da governadora no Juruá, Rosa Sampaio, afirmou que novas providências devem ser definidas após a conclusão do levantamento técnico. “Estamos aqui, por determinação da governadora Mailza Assis, em parceria com a Defesa Civil de Rodrigues Alves, levando o apoio necessário para este momento difícil. Após o levantamento que será realizado pelo Corpo de Bombeiros, será possível definir novas medidas que possam beneficiar de forma concreta todas as famílias que enfrentam dificuldades nesta comunidade”, afirmou.

O desbarrancamento em Rodrigues Alves expõe mais uma vez os efeitos da cheia do Rio Juruá sobre comunidades ribeirinhas do Acre, onde a força da água altera margens, derruba estruturas e impõe deslocamento a famílias inteiras. Com a área ainda sob risco, a expectativa agora é pela adoção de medidas emergenciais para reduzir danos e garantir segurança aos moradores que seguem na comunidade.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos e limpeza urbana nesta sexta-feira

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensificou nesta sexta-feira, 15, os serviços de recuperação viária e manutenção urbana em diferentes pontos do município. As equipes da Secretaria de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação executaram a operação tapa-buracos no bairro São José e no conjunto Jardim Primavera, além da retirada de borrachudos na Avenida Mâncio Lima, na região central da cidade. Somente nesta manhã, foram usadas 20 toneladas de asfalto.

Os trabalhos fazem parte da ampliação das frentes de serviço com a chegada do verão, período em que a prefeitura pretende acelerar as ações de infraestrutura e limpeza em vários bairros. Além da recuperação das vias, a secretaria mantém serviços de limpeza, roçagem, retirada de entulhos e troca de lâmpadas em áreas urbanas.

As equipes também atuaram no bairro Aeroporto Velho para fechar uma cratera que se formou nas proximidades de uma residência. A intervenção buscou evitar riscos para moradores e reduzir os danos provocados pelo avanço do problema no local.

O secretário de Obras, Carlos Alves, afirmou que a prefeitura ampliou o ritmo dos serviços neste período. “Estamos aumentando nossas frentes de serviços com a chegada do verão e assim estamos intensificando nossas ações em vários lugares da cidade”, disse.

TRF1 mantém condenação por uso indevido de conhecimento Ashaninka sobre murumuru no Acre

A decisão divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal recoloca no centro do debate o direito dos povos indígenas sobre o uso econômico de conhecimentos tradicionais na Amazônia. A 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve a condenação do pesquisador Fábio Fernandes Dias e da empresa Tawaya por exploração indevida de saberes associados ao murumuru do povo Ashaninka do Rio Amônia, no Acre, e fixou indenização por danos materiais correspondente a 20% do faturamento bruto obtido com produtos derivados da espécie, além de R$ 200 mil por danos morais coletivos.

A decisão representa mais uma vitória judicial dos Ashaninka em uma disputa que se arrasta há décadas e envolve pesquisa científica, biodiversidade, propriedade intelectual e repartição de benefícios. O julgamento reforça o entendimento de que o aproveitamento comercial do murumuru não pode ser dissociado da pesquisa realizada dentro do território indígena, com participação direta da comunidade e regras previamente estabelecidas sobre a titularidade dos resultados.

O caso teve origem nos anos 1990, quando a Apiwtxa, associação que representa os Ashaninka do Rio Amônia, firmou parceria para desenvolver um projeto de uso sustentável dos recursos naturais da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. A iniciativa buscava alternativas de geração de renda sem destruição da floresta. Nesse contexto, o pesquisador Fábio Fernandes Dias atuou como técnico do projeto e acompanhou estudos sobre óleos, sementes, essências, folhas, polpas e castanhas de diversas espécies nativas.

Foi nesse processo que o murumuru passou a chamar atenção pelo potencial de uso na indústria de cosméticos. A controvérsia começou depois do encerramento da parceria, quando Dias fundou a empresa Tawaya e passou a desenvolver produtos a partir de óleos e gorduras extrativistas. Os Ashaninka sustentaram que o uso comercial do murumuru nasceu da pesquisa feita no território indígena, com conhecimento compartilhado pela comunidade, e que esse patrimônio não poderia ser apropriado como iniciativa individual nem explorado sem consentimento e sem divisão dos ganhos.

Ao longo da disputa, ganhou força o entendimento de que os indígenas não atuaram apenas como fornecedores de informação ou de matéria-prima. Eles participaram da construção do conhecimento que deu valor econômico ao produto. O convênio firmado à época previa que relatórios, testes, mapas, fotografias e demais resultados da pesquisa pertenciam conjuntamente às instituições envolvidas e que eventual patente, marca, processo ou rendimento exigiria nova pactuação.

O processo judicial começou em 2007, depois de apuração aberta pelo MPF no Acre sobre o uso indevido do conhecimento tradicional associado ao povo Ashaninka. Em 2013, a Justiça Federal já havia condenado o pesquisador e a Tawaya ao pagamento de indenização, além de determinar providências ligadas à patente e à entrega de documentos da pesquisa. Em 2019, a empresa também sofreu derrota na esfera administrativa, com a manutenção de multa de R$ 5 milhões por uso indevido do conhecimento tradicional e ausência de repartição de benefícios.

A decisão tornada pública hoje amplia o alcance dessa reparação ao estabelecer indenização calculada sobre o faturamento bruto com produtos derivados do murumuru. O julgamento também reafirma um ponto central na disputa: o conhecimento tradicional, o território, a participação da comunidade e o desenvolvimento comercial do produto fazem parte da mesma cadeia de valor.

Para os Ashaninka, o resultado reforça um princípio que ultrapassa este caso específico. A discussão não se limita ao uso de uma palmeira amazônica, mas ao reconhecimento de que povos indígenas produzem conhecimento, participam da construção de soluções econômicas ligadas à floresta e têm direito de decidir sobre o uso desse patrimônio e de receber parte justa dos benefícios gerados.

Educação leva estudantes de Rio Branco a Orlando e encerra roteiro com despedida nos parques da Disney e Universal

Entre lágrimas, abraços e relatos de despedida, estudantes da educação municipal de Rio Branco encerraram nos dias 13 e 14 de maio, em Orlando, a etapa final de uma viagem internacional que reuniu parques temáticos e atividades de aprendizagem. Depois de passarem por experiências na Disney, na Universal Studios e na NASA, os alunos fecharam o roteiro com visitas ao Universal Islands of Adventure, no dia 13, e ao Magic Kingdom, no dia 14.

No Islands of Adventure, o grupo percorreu áreas ligadas a aventura, fantasia, super-heróis, dinossauros e franquias do cinema. Um dos pontos de maior expectativa foi a área de Harry Potter, onde os estudantes conheceram a atração Harry Potter and the Forbidden Journey, instalada no Castelo de Hogwarts, em um percurso que mistura movimento, narrativa, tecnologia e efeitos visuais. O roteiro no parque também incluiu montanhas-russas e simuladores entre as atrações mais procuradas pelos visitantes.

No dia seguinte, a programação seguiu para o Magic Kingdom, parque mais tradicional do Walt Disney World Resort. Os estudantes passaram por áreas como Adventureland e Fantasyland, conheceram a atração Peter Pan’s Flight, inspirada na animação de 1953, e embarcaram na Pirates of the Caribbean. À noite, o grupo acompanhou diante do Castelo da Cinderela o show Happily Ever After, com fogos, projeções, lasers e trilha sonora, no momento que marcou o fim da passagem pelos parques temáticos.

A despedida foi resumida pelos próprios alunos como uma experiência que uniu sonho, esforço e descoberta. Ana Luiza Montalvão afirmou que viveu “um sonho realizado com sucesso” e disse ter aprendido na NASA e nos parques que “não devemos desistir dos nossos sonhos”. Carlos Davi Mendonça definiu os oito dias de viagem como um período de “muita aventura, muita emoção e muita conexão”. Yasmin Matos afirmou que realizou um desejo de infância depois de se dedicar aos estudos e fazer a prova de seleção.

Entre os educadores, a avaliação foi de que a viagem ultrapassou o entretenimento. Hélio Sebastião da Silva, gerente do Departamento de Ensino Fundamental, afirmou que os estudantes voltam com novos conhecimentos, novos sonhos e novas metas de vida. “A educação transforma vidas”, disse. A professora Jocilda Melo relatou que acompanhar os alunos no encerramento da programação foi a realização de um trabalho construído pela educação e destacou a organização da viagem e o cuidado com os estudantes ao longo de todo o percurso. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a continuidade do projeto amplia a oportunidade para outras crianças viverem a mesma experiência.

O encerramento no Islands of Adventure e no Magic Kingdom fechou uma etapa de oito dias em que os estudantes tiveram contato com ciência, tecnologia, cultura, cinema e imaginação. No retorno a Rio Branco, o grupo leva lembranças da viagem, novas amizades e a percepção de que o desempenho escolar pode abrir caminhos antes vistos como distantes.