Federação aciona Alan Rick após prefeito do PP declarar apoio à pré-candidatura

A Federação União Progressista entrou com uma nova ação contra o senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, depois de agendas políticas no Juruá que terminaram com a adesão do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, ao grupo do parlamentar. A representação aponta possível propaganda eleitoral antecipada e reforça a disputa jurídica que passou a acompanhar a movimentação dos pré-candidatos ao Palácio Rio Branco.

O caso ganhou força após Zequinha, filiado ao Progressistas, partido que integra a federação ao lado do União Brasil, anunciar apoio a Alan Rick. A decisão teve impacto direto no campo governista, já que o prefeito administra a principal cidade do Vale do Juruá e era tratado como peça importante na articulação política da base ligada à governadora Mailza Assis.

A nova ação ocorre em meio a um ambiente de pré-campanha cada vez mais tensionado. Alan Rick já havia sido alvo de questionamentos eleitorais envolvendo peças de divulgação espalhadas pelo estado. A defesa política do senador tem sustentado que as ações fazem parte da prestação de contas do mandato e da divulgação de atividades parlamentares, sem pedido explícito de voto.

A legislação eleitoral permite a propaganda somente a partir de 16 de agosto. Antes desse prazo, atos de pré-campanha podem ocorrer desde que não haja pedido direto de voto nem uso de meios vedados pela lei. A discussão, agora, deve se concentrar no alcance das agendas realizadas por Alan Rick e na forma como a adesão de lideranças políticas foi divulgada.

O movimento de Zequinha também abriu uma crise interna no Progressistas. Após declarar apoio ao senador, o prefeito pediu afastamento temporário das atividades partidárias, mas permaneceu filiado à legenda. A decisão buscou reduzir o desgaste dentro do partido, sem romper formalmente com a sigla.

Nos bastidores, a disputa reflete a reorganização das forças políticas para 2026. Alan Rick tenta consolidar apoios fora do campo tradicional de aliados, enquanto a União Progressista busca conter perdas dentro da própria base. A adesão de Zequinha ampliou o peso da pré-candidatura do Republicanos no Juruá e acirrou a reação dos adversários.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

Documentos de 2020 enfraquecem discurso de Mailza sobre Alan Rick e viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram indicação somente de Alan Rick para viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram que o recurso federal destinado ao viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco, entrou na emenda de bancada de 2020 por indicação vinculada ao então deputado federal Alan Rick. Conforme o documento afirma, ele foi o único a fazer essa indicação. Os registros enfraquecem o discurso da governadora Mailza Assis, que tratou a obra apenas como resultado de uma construção coletiva da bancada, Sudam, governo federal e governo do Acre.

O ponto central da controvérsia está na diferença entre a tramitação formal e a indicação política do recurso. Formalmente, a verba saiu por meio da Emenda de Bancada nº 71020001. Na prática, os documentos mostram que a parte destinada ao complexo viário aparece atribuída a Alan Rick, dentro da organização interna das indicações parlamentares da bancada federal acreana.

O principal registro é o Ofício nº 020/2020, assinado em 20 de março de 2020 pelo senador Sérgio Petecão, então coordenador da bancada federal do Acre. O documento foi encaminhado ao então governador Gladson Cameli para comunicar a abertura de programa no Siconv referente à construção do viaduto na Avenida Ceará com a Isaura Parente, em Rio Branco.

No quadro anexado ao ofício, a emenda aparece dividida em dois programas vinculados à Seinfra, nos valores de R$ 17.741.160,00 e R$ 1.032.568,00. Juntos, os dois valores somam R$ 18.773.728,00. Logo abaixo, Petecão registrou que a emenda havia sido “proposta e defendida pelo Deputado Federal Alan Rick”.

A planilha de acompanhamento das emendas de bancada de 2020 reforça a mesma informação. Na linha da Emenda 71020001, Alan Rick aparece como parlamentar vinculado ao recurso. O documento aponta a Sudam como unidade orçamentária e descreve o objeto como implantação de Complexo Viário no município de Rio Branco.

A própria comunicação política do governo Gladson Cameli também reconheceu, à época, a participação de Alan Rick. Em postagem antiga, o então governador apresentou a maquete da intervenção na Avenida Ceará, falou em investimento de R$ 20 milhões e agradeceu ao parlamentar pela emenda destinada ao projeto.

A fala de Mailza ganhou repercussão depois da liberação do tráfego no viaduto. Ao comentar a origem dos recursos, a governadora afirmou que a obra não poderia ser atribuída exclusivamente a Alan Rick e citou a emenda de bancada, a Sudam, o governo federal e a participação do Estado.

Os documentos, porém, mostram que a explicação fica incompleta quando ignora a indicação parlamentar que deu origem à destinação. A obra foi executada pelo governo do Acre e tramitou como emenda de bancada, mas os registros de 2020 ligam a escolha do viaduto ao então deputado federal Alan Rick.

Na prática, a documentação não retira o papel do Estado na execução nem o caráter formal da emenda coletiva. Mas enfraquece a tentativa de diluir a participação de Alan Rick na origem do recurso federal. O que os registros mostram é que a indicação política para o viaduto da Avenida Ceará saiu da cota articulada pelo então deputado, antes de a obra deixar o papel e passar a integrar o trânsito da capital.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 2 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, entrevista com o deputado federal Eduardo Velloso e cobertura de Gledson Albano em Cruzeiro do Sul.

Palácio em tremor

A política do Acre amanheceu com barulho de parede rachando no Palácio Rio Branco. Não foi apenas a frase da governadora Mailza Assis chamando Eduardo Velloso de “novo senador” que mexeu no tabuleiro. Foi a frase chegando no mesmo momento em que aliados históricos de Gladson Cameli começam a perder espaço dentro do governo.

Quando a troca acontece em cargo pequeno, o Palácio chama de ajuste. Quando passa pela Casa Civil, pelo Deracre e por nomes ligados ao ex-governador, a palavra muda de tamanho. Já não parece manutenção. Parece rearrumação de poder.

Donadoni fora da costura

A saída de Jonathan Xavier Donadoni da Casa Civil abriu a semana política com uma pergunta difícil de empurrar para debaixo do tapete. A Casa Civil não é uma sala comum. É o lugar onde se costura governo, se destrava nomeação, se conversa com deputado, se escuta prefeito e se segura crise antes que ela vire manchete.

Donadoni era visto como nome herdado da gestão Gladson Cameli. Ao tirá-lo da cadeira, Mailza mexeu numa peça administrativa, mas atingiu um símbolo político. Em governo rachado, símbolo fala alto.

Mário Neto também caiu

Depois de Donadoni, veio Mário Vieira da Silva Neto, o Mário Neto, exonerado da Diretoria de Gestão de Atos Oficiais da Casa Civil. A queda reforçou a leitura de que a mudança não parou no chefe. Alcançou o entorno.

Mário Neto era ligado à engrenagem da Casa Civil e atuava em área sensível da máquina. Quando sai o comandante e depois sai o braço direito, a conversa de bastidor ganha corpo. O governo pode chamar de decisão pontual. A política chama de limpa.

Sula saiu do Deracre

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa mais fora de Rio Branco do que muita gente imagina. No interior, Deracre não é sigla. É ramal aberto, ponte de madeira, bueiro, patrol, máquina chegando antes da chuva e produtor conseguindo tirar a produção do roçado.

Quando a presidente deixa o cargo reclamando de falta de condições para trabalhar, o problema deixa de ser gabinete e vira estrada. No Juruá, o eleitor entende essa linguagem sem precisar de tradução.

Gladson tenta apagar o fogo

Gladson Cameli apareceu na Expoacre Juruá, tirou foto, conversou, circulou e mostrou que ainda tem força de rua. Esse é o ponto que incomoda adversários e aliados: mesmo ferido juridicamente, Gladson continua carregando presença popular.

A cena é conhecida no Acre. O processo corre em Brasília, a política corre na rua e o eleitor olha as duas coisas ao mesmo tempo. Gladson sabe disso. Por isso aparece. Quem some, perde antes de pedir voto.

Avião no chão

O avião PT-WGK, registrado em nome de Gladson Cameli, voltou ao centro da Operação Ptolomeu após informação de nova apreensão pela Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, por ordem atribuída à ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.

A imagem do avião parado no aeroporto tem força política própria. Num Acre em que deslocamento aéreo, poder e dinheiro público sempre rendem conversa, uma aeronave sob restrição judicial vira mais que patrimônio. Vira fotografia de crise.

Frase de Mailza virou senha

Quando Mailza chamou Eduardo Velloso de “novo senador”, a frase saiu do protocolo e entrou no cálculo eleitoral. Pode ter sido gentileza. Pode ter sido lapso. Pode ter sido recado. O problema é que, em ano de montagem de chapa, ninguém ouve frase solta.

A pergunta que ficou no estúdio foi direta: se Velloso entra na disputa ao Senado pelo campo da governadora, quem perde espaço? Gladson? Márcio Bittar? Outro nome da base? No Acre, duas vagas parecem muitas até o momento em que todos querem sentar nelas.

Velloso não fugiu

Eduardo Velloso foi ao Jornal da Manhã no dia em que muitos prefeririam agenda longe de microfone. Isso conta. Política também se mede pela disposição de responder quando a pergunta vem sem anestesia.

Velloso não fechou a equação da chapa, mas deixou claro que está se movimentando. Falou como pré-candidato, defendeu entregas na saúde, valorizou o Juruá e tentou transformar a frase de Mailza em empurrão, não em armadilha.

Saúde como palanque

Velloso escolheu a saúde como território político. Falou de ressonância, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas e atendimento nos municípios isolados. É uma escolha esperta porque, no Juruá, saúde não é tema abstrato. É madrugada na estrada, espera por exame, família fazendo vaquinha, paciente tentando chegar vivo a Rio Branco.

Quando o deputado diz que a maior dor das pessoas é a saúde, não está apenas descrevendo um problema. Está escolhendo o lugar de onde quer falar com o eleitor.

Clodoaldo virou fiador

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues apareceu ao lado de Velloso como mais que convidado. Entrou como fiador político da relação do deputado federal com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo disse que encontrou em Velloso um parceiro para tocar demandas do mandato. Em política local, isso pesa. Deputado estadual precisa de estrada, prédio, ambulância, iluminação, entidade atendida e recurso chegando. Sem isso, discurso fica sem chão.

Delcimar na mesa

O momento mais forte da entrevista veio quando Velloso convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher de Clodoaldo Rodrigues, para ser sua primeira suplente ao Senado.

O convite foi feito ao vivo, sem Delcimar no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e lembrou que a decisão cabe a ela. A cena, porém, já fez o serviço político. Velloso mostrou que não está apenas pensando em candidatura. Está começando a montar chapa.

Juruá como base

Escolher Delcimar não é detalhe. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e tem ligação direta com uma região que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

Velloso está tentando amarrar saúde, emenda, prefeitura, mandato estadual e identidade regional no mesmo pacote. É um movimento claro: transformar o Juruá em base de largada para uma disputa majoritária.

Peru entrou na conversa

Velloso também levou para o rádio a defesa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Falou de rota mais barata, comércio, interesse asiático e presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá.

A pauta parece distante para quem olha só a briga eleitoral, mas não é. O Juruá vive o isolamento no preço do frete, no custo do combustível, na dificuldade de vender e comprar. Quando alguém fala em saída pelo Pacífico, está falando com o comerciante, o produtor e o jovem que quer ver a região deixar de ser fim de linha.

Madson e Ney no radar

Nos bastidores, Madson Cameli e Ney Amorim aparecem como nomes observados na reorganização do governo. Madson, marido da governadora e chefe de gabinete, virou alvo das críticas sobre articulação política. Ney surge como operador chamado para tentar reorganizar uma casa que perdeu escuta.

O problema é que articulação não se resolve só com nome novo entrando na conversa. Governo que deixa prefeito esperando, deputado contrariado e aliado sem resposta começa a perder antes da convenção.

Alan Rick colhe defecções

A ida do prefeito Zequinha Lima para o campo de Alan Rick continua ecoando. No Juruá, Zequinha não é apoio lateral. É prefeito de Cruzeiro do Sul, com presença numa região decisiva.

Quando um prefeito desse tamanho se move, outros observam. Uns por convicção. Outros por sobrevivência. No Acre, debandada raramente começa com barulho. Primeiro vem o silêncio. Depois a foto ao lado do adversário.

Bocalom não quer ser vice

A conversa sobre uma possível aproximação de Mailza com Tião Bocalom entrou no debate com um problema evidente: Bocalom não construiu candidatura ao governo para virar acessório de chapa alheia.

Quem conhece o ex-prefeito de Rio Branco sabe que ele gosta de campanha com o nome dele no centro. Uma composição só faria sentido se entregasse algo maior do que acomodação de última hora. Até aqui, a pergunta segue sem resposta: quem cede primeiro?

Márcio Bittar na conta

A fala de Mailza sobre Velloso também respinga em Márcio Bittar. Se a governadora começa a tratar outro nome como senador, o senador atual precisa medir o tamanho do sinal.

Bittar tem mandato, presença em Brasília e máquina política. Mas 2026 não será eleição de conforto para ninguém. Com Jorge Viana competitivo, Gladson tentando sobreviver juridicamente e Velloso buscando espaço, a disputa ao Senado virou corredor estreito.

Gastos com voos voltam à pista

O Jornal da Manhã também colocou na mesa os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas como jato, com valores citados acima de R$ 13,5 milhões entre 2023 e 2026, ligados a pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo e ao contrato 34/2023.

Esse tipo de dado entra na política com força porque conversa com uma sensação simples do eleitor: enquanto o cidadão espera consulta, estrada e resposta, o governo precisa explicar por que gastar tanto para voar. Número público sem explicação vira munição.

Crítica não é gênero

A bancada também respondeu às acusações de que as críticas ao governo teriam relação com o fato de Mailza ser mulher. O ponto foi colocado de forma direta: a cobrança recai sobre atos administrativos, decisões políticas, gastos públicos e escolhas de governo.

Mulher na política deve ser respeitada. Governadora no poder deve ser cobrada. Uma coisa não anula a outra. Quem ocupa a cadeira principal do Estado entra na vitrine porque suas decisões alcançam a vida de muita gente.

Eleitor fora da bolha

A frase mais importante da manhã talvez não tenha sido sobre cargo, exoneração ou chapa. Foi sobre o eleitor. O governo pode reorganizar gabinete, trocar articulador, apagar incêndio e chamar crise de ajuste. Mas quem decide a eleição está fora do Palácio.

Está no ramal esperando máquina, na fila da saúde, no comércio pagando frete caro, na feira ouvindo rádio, no carro indo para o trabalho, no Juruá olhando quem aparece e quem só manda recado. No fim, é esse eleitor que vai dizer se a rachadura era pequena ou se o prédio inteiro já estava cedendo.

Jornal da Manhã em Coluna – 1º de julho de 2026

A coluna desta quarta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e cobertura de Gledisson Albano e Mazinho Rogério na primeira noite da Expoacre Juruá 2026.

A feira abriu, a política também

A Expoacre Juruá começou com parque cheio, show de Nattanzinho Lima e a velha cena de Cruzeiro do Sul quando a cidade vira ponto de encontro do interior inteiro. Mas, por trás da música, dos estandes e da poeira dos carros na BR-405, a política abriu sua própria porteira.

A governadora Mailza Assis fez a abertura oficial da feira. Só que a noite não foi apenas de governo. Foi também de adversários circulando, aliados medindo distância e pré-candidatos testando o calor do público.

Alan Rick no mesmo terreiro

O senador Alan Rick chegou à Expoacre Juruá como pré-candidato ao governo e com o prefeito Zequinha Lima ao lado. Em política, a imagem às vezes fala antes do microfone.

Alan não foi à feira apenas para cumprimentar expositor. Foi ocupar espaço. E ocupar espaço no Juruá, em noite de abertura, diante de empresários, produtores, lideranças e visitantes de fora, é mandar recado para o Acre inteiro.

Zequinha mudou a temperatura

A presença de Zequinha Lima no campo de Alan Rick mexe com a conta do Palácio Rio Branco. O prefeito de Cruzeiro do Sul não é um apoio qualquer. Ele governa o principal município do Juruá e conhece como poucos o peso político de uma feira cheia.

Quando Zequinha sai de perto de Mailza e aparece ao lado de Alan, não é só uma troca de palanque. É um movimento que encoraja outros insatisfeitos a fazer a própria travessia.

A fila começou a andar

Rogério Wenceslau resumiu o momento com uma frase que ficou no ar: “A fila tá andando e tá andando rápido”.

A debandada do governo deixou de ser murmúrio de gabinete. Agora aparece em praça pública, em feira, em entrevista, em chegada de comitiva. O barco ainda navega, mas já tem passageiro olhando para a margem.

Falta conversa no Palácio

Wenceslau foi direto ao ponto ao falar em falta de sensibilidade e falta de articulação. Governo que perde ouvido político começa a perder antes no detalhe: uma liderança que não atende, um prefeito que se sente pequeno, uma promessa que fica sem resposta.

No Acre, ninguém rompe de repente. Primeiro avisa. Depois se cala. Quando aparece ao lado do adversário, a decisão já amadureceu faz tempo.

Donadoni fora da Casa Civil

A exoneração de Jonathan Donadoni da Casa Civil caiu no meio da semana como mais uma peça solta no tabuleiro. A Casa Civil é o lugar da costura. Quando quem costura sai, o rasgo aparece mais.

O governo tratou a mudança como decisão administrativa. Wenceslau devolveu a pergunta que incomoda: “Será que sabem a diferença entre decisão de governo e decisão de estado?”.

Decisão de governo cobra conta

Toda governadora pode trocar secretário. Isso faz parte do comando. O problema é o momento, o método e o efeito político da troca.

Quando a base já reclama, quando prefeitos se movem e quando aliados históricos começam a sair, uma exoneração na Casa Civil deixa de ser ato interno. Vira termômetro de crise.

Sula sai e o ramal sente

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa porque o órgão não vive apenas dentro do gabinete. O Deracre chega no ramal, na ponte, na estrada de barro, na operação verão e no produtor que espera a máquina antes da chuva voltar.

Sula pediu exoneração reclamando de compromissos não cumpridos e falta de condições para tocar o trabalho. Isso transforma uma troca administrativa em problema político com cheiro de barro molhado.

Deracre não é enfeite

No Juruá, o Deracre é uma das mãos mais visíveis do governo. Quando o ramal abre, a comunidade lembra. Quando fecha, lembra mais ainda.

Por isso a preocupação com a operação verão é séria. É agora que o serviço precisa andar. Depois que o inverno amazônico chega, a desculpa costuma vir junto com a lama.

Governo tenta conter a leitura

Mailza Assis negou crise e apresentou as mudanças como medidas de gestão. É a resposta esperada de quem está no comando e precisa segurar a imagem de normalidade.

Mas política não se controla apenas com declaração. A leitura se forma no conjunto: Donadoni fora, Sula fora, Zequinha distante, Alan crescendo no Juruá e aliados observando quem será o próximo a atravessar.

A feira como vitrine eleitoral

A Expoacre Juruá tem boi, negócio, show, comida, empreendedor e família andando pelo parque. Mas também tem pré-campanha em estado puro.

Cada aperto de mão vira sinal. Cada foto vira mensagem. Cada ausência vira comentário. Em noite de feira cheia, o político que circula bem sai maior. O que circula acuado sente o peso da multidão.

Trânsito cheio, sinalização falha

A Prefeitura montou transporte gratuito para o público, mas a chegada e a saída tiveram fila grande de veículos. Também houve reclamação sobre falta de sinalização em alguns pontos.

Evento desse tamanho não perdoa improviso. A multidão mostra sucesso, mas também testa a capacidade de organização da cidade.

Empreendedor quer vender

Os empreendedores chegaram à Expoacre Juruá com expectativa positiva. Para muita gente, a feira é a chance de vender em poucos dias o que às vezes demora mês inteiro para girar.

Enquanto político mede força, o pequeno comerciante mede caixa. É ele quem sente primeiro se a festa deu certo.

Segurança em alerta

A Polícia Militar e o Ciosp agiram rápido e apreenderam três motocicletas durante a movimentação da Expoacre. Em noite de público grande, segurança boa é aquela que aparece antes do problema crescer.

A feira movimenta dinheiro, gente e trânsito. Também exige presença firme do Estado.

Até a seleção entrou no clima

No fim do programa, a Copa do Mundo apareceu com torcedor esperançoso, mas sem tanta fé no Brasil.

A frase combina com o momento político do Acre. Tem gente torcendo pelo governo, mas já sem a mesma confiança no jogo.

A cena do dia

A primeira noite da Expoacre Juruá teve música alta, parque cheio e palanque disputado. Mailza abriu oficialmente a feira, mas Alan Rick e Zequinha Lima roubaram parte da cena política.

No Juruá, a festa começou com multidão. A crise, também.

Jornal da Manhã em Colunas – 29 de junho de 2026

Bocalom aposta na produção

Tião Bocalom colocou a produção rural no centro do discurso de pré-campanha ao governo do Acre. Ex-prefeito de Acrelândia por três mandatos e ex-prefeito de Rio Branco por dois, ele voltou a defender o lema “produzir para empregar” e usou a experiência de Acrelândia como vitrine, com café, leite e banana puxando a economia local.

Crítica à florestania

Bocalom também retomou críticas ao modelo político da chamada florestania. A avaliação dele é que o debate ambiental deixou em segundo plano o morador da Amazônia. O discurso reforça a tentativa de ocupar o espaço de candidato ligado à produção, ao emprego e à renda.

Acre dependente de Rondônia

Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a crítica à dependência econômica do Acre em relação a Rondônia. Bocalom afirmou que o estado compra de fora produtos básicos como arroz, feijão, milho e leite, enquanto só mantém autossuficiência na carne. A fala deve aparecer com frequência na campanha.

Ouvidoria nos municípios

A pré-campanha de Bocalom tem sido marcada por visitas ao interior. Ele apresenta essas agendas como uma espécie de ouvidoria, com conversas diretas com moradores e levantamento de demandas locais. A estratégia mira especialmente o eleitor dos municípios, onde a pauta da produção costuma ter peso eleitoral.

Kelen no estúdio

A presença de Kelen Rejane Nunes Bocalom, esposa de Tião Bocalom, também foi registrada durante a entrevista. O pré-candidato aproveitou o momento para falar da vida pessoal e reforçar uma imagem mais próxima do eleitor.

Mailza perde sustentação

A governadora Mailza Assis enfrenta um momento de desgaste na articulação para 2026. A avaliação política apresentada no Jornal da Manhã é que a candidatura à reeleição perdeu força depois da saída de Gladson Cameli do governo e da reorganização dos aliados em torno de outros projetos.

Zequinha com Alan Rick

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, aparece no centro da movimentação no Juruá. A expectativa é de apoio a Alan Rick, movimento que amplia o isolamento de Mailza Assis e fortalece o projeto do senador na disputa pelo governo.

Alan Rick ganha terreno

Alan Rick passou a ser o principal beneficiário da debandada na base governista. Com o Republicanos organizado em torno de sua pré-candidatura, o senador tenta consolidar apoios no interior e atrair partidos que antes orbitavam o Palácio Rio Branco.

MDB em rota de saída

O MDB também aparece como peça importante nesse rearranjo. A eventual saída do partido da base de Mailza Assis teria impacto direto na composição eleitoral, principalmente pelo peso da legenda em Cruzeiro do Sul e pela influência de Vagner Sales no Juruá.

Márcio Bittar no cálculo

O senador Márcio Bittar também entra na conta das alianças. O PL tende a pesar na formação do bloco de direita e pode ser decisivo na definição do palanque mais competitivo contra Mailza Assis.

Plano de emergência

Com a perda de aliados, interlocutores do governo já discutem alternativas para evitar isolamento maior. Uma das hipóteses comentadas é abrir mão da candidatura própria e tentar indicar o vice em uma chapa mais forte. A avaliação, no entanto, é que o movimento seria difícil e revelaria o grau de pressão sobre o grupo governista.

Café ganha força no Juruá

A sessão solene do Dia do Café, realizada no Teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul, reforçou o peso da produção cafeeira na região. Vinte pioneiros foram homenageados, em uma pauta que mistura economia, agricultura familiar e política.

Luiz Gonzaga conduz homenagem

A solenidade foi presidida pelo deputado estadual Luiz Gonzaga. O presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, estava fora do estado. O ato colocou o café como uma das apostas econômicas mais fortes do Juruá.

Expoacre Juruá aquece bastidores

A véspera da Expoacre Juruá 2026 movimenta Cruzeiro do Sul e também os bastidores da política. A feira começa em 30 de junho e deve reunir público, produtores, empresários e lideranças políticas em um ambiente favorável a conversas eleitorais.

Alan Rick diz que ação para barrar agendas mostra “desespero” de adversários no Acre

O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, reagiu na terça-feira, 23, à ação movida pela Federação União Progressista para tentar impedir novas agendas políticas dele no estado. Em fala ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o parlamentar classificou a ofensiva como uma tentativa de limitar sua circulação pelos municípios e afirmou que o movimento dos adversários “dá a impressão de que estão desesperados”.

A ação foi apresentada após uma agenda em Feijó, onde Alan Rick participou de compromissos ao lado do prefeito Railson Ferreira da Silva. A federação, formada por União Brasil e Progressistas, alegou à Justiça Eleitoral que o evento teve características de propaganda eleitoral antecipada, com recepção no aeroporto, carreata, presença de apoiadores e mobilização nas redes sociais.

Alan Rick rebateu o pedido e tratou a medida como reação ao crescimento de sua pré-campanha no interior. “Não tem cabimento, não tem lógica”, afirmou o senador, ao comentar a tentativa de impedir novas agendas antes do início oficial da campanha. A avaliação do parlamentar é que os adversários recorreram à Justiça porque passaram a se incomodar com a recepção popular em municípios estratégicos.

O pedido de urgência foi negado pelo juiz Jair Araújo Facundes, relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A liminar pretendia proibir Alan Rick e Railson Ferreira de promover ou participar de novos eventos semelhantes ao ato de Feijó até 16 de agosto, data de início da campanha eleitoral. O magistrado entendeu que não havia prova concreta de que outro evento com as mesmas características estivesse prestes a ocorrer.

Na decisão, a Justiça Eleitoral rejeitou a possibilidade de restringir previamente a atuação política com base em fatos futuros e incertos. A ação continuará tramitando, mas a negativa da liminar manteve liberadas as agendas políticas e parlamentares do senador em municípios acreanos.

Ao comentar o caso, Alan Rick também defendeu tratamento igual para todos os grupos políticos que já se movimentam antes do período oficial de campanha. “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, disse o senador, ao sustentar que a regra aplicada a uma pré-candidatura deve valer para todas as demais.

A disputa ocorre em meio ao avanço das articulações para a eleição de 2026. Alan Rick aparece como um dos principais nomes da oposição ao grupo da governadora Mailza Assis e tem intensificado visitas ao interior. A representação judicial da União Progressista levou a pré-campanha para o campo jurídico e aumentou a tensão entre os blocos que disputam o Palácio Rio Branco.

O episódio de Feijó virou o primeiro embate judicial de maior peso envolvendo diretamente a agenda de rua do senador. Para a federação autora da ação, a mobilização teria extrapolado os limites da pré-campanha. Para Alan Rick, a ofensiva tenta transformar agenda política em irregularidade eleitoral. “Dá a impressão de que estão desesperados”, repetiu o senador ao tratar da reação dos adversários.

O mérito da representação ainda será analisado pelo TRE-AC. Alan Rick e Railson Ferreira deverão apresentar defesa no processo, que seguirá depois para manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da decisão final sobre as acusações de propaganda eleitoral antecipada.

No Jornal da Manhã: ataques à esposa de Alan Rick abrem limite perigoso na disputa política

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou nesta quinta-feira, 18, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que os ataques dirigidos a Michele Miranda, esposa do senador Alan Rick, abriram um limite perigoso na disputa política no Acre. A declaração surgiu durante o debate sobre a decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador em Rio Branco e colocou no centro da discussão a forma como aliados do governo passaram a reagir à defesa pública feita por Michele nas redes sociais.

Wenceslau disse que a ofensiva contra Alan Rick deixou de atingir apenas o senador e passou a alcançar sua família. Para ele, Michele entrou no debate depois de defender o marido diante da judicialização dos outdoors, mas acabou virando alvo de blogs e sites que, na avaliação do comentarista, atuam em sintonia com a defesa política do governo.

“Eles partiram para o ataque contra o senador, mas principalmente contra a mulher do senador, a esposa dele, a Michele Miranda”, afirmou Wenceslau durante o programa. O jornalista lembrou que Michele não costuma ocupar a linha de frente da política, mas reagiu após a decisão contra a propaganda do mandato de Alan Rick. A partir daí, a disputa deixou o terreno da crítica institucional e avançou sobre a vida pessoal de quem está ao redor do pré-candidato.

O ponto mais duro da análise de Wenceslau foi o alerta sobre o risco de transformar familiares em alvos permanentes da pré-campanha. “Se for para atacar cônjuges, o governo tem muito mais a perder”, disse. A frase expôs a avaliação de que esse tipo de confronto pode sair do controle e produzir desgaste também para quem tenta explorar politicamente o episódio.

A discussão nasceu da ação movida pelo Progressistas, partido da governadora Mailza Assis, contra outdoors de Alan Rick em Rio Branco. As peças divulgavam ações do mandato do senador. Depois da decisão judicial pela retirada da propaganda, aliados de Alan Rick passaram a defender que o caso reforça a narrativa de perseguição política, enquanto adversários sustentam que a exposição extrapolava os limites da divulgação parlamentar.

Wenceslau afirmou que o episódio fortaleceu Alan Rick ao colocá-lo na posição de alvo de uma ação política e judicial. Ele também questionou a diferença de tratamento entre o senador e outros agentes públicos que usam outdoors, painéis e campanhas institucionais para divulgar ações, emendas e obras no Acre. Para o comentarista, a mesma régua precisa valer para todos, inclusive para campanhas do governo com a imagem da governadora.

Chico Melo, âncora do programa, reforçou que o debate não se limita aos outdoors de Alan Rick. Ele afirmou que a pré-campanha de 2026 também deve discutir uso da máquina pública, propaganda institucional e exposição de gestores e parlamentares antes do período eleitoral. “Essa discussão entra nesse outro campo. A estrutura do Estado nessa pré-campanha também vai ser questionada”, disse.

A bancada também tratou da retirada de propaganda de Alan Rick em telas da rede Arasuper, em Rio Branco. Wenceslau avaliou que a medida levou para dentro da disputa um grupo empresarial que não buscava participar do embate político. Para ele, a articulação governista errou ao ampliar o alcance do conflito e transformar uma discussão sobre outdoors em uma crise política com novos personagens.

No fim do debate, Chico Melo afirmou que a Rádio Integração mantém espaço aberto para o Progressistas e para o governo apresentarem suas versões. A bancada defendeu o cumprimento das decisões judiciais, mas também afirmou que Alan Rick tem direito de recorrer e de questionar se a mesma regra será aplicada a outros políticos que usam propaganda de mandato no Acre.