Saída de Sula abre ruído sobre o caixa da Operação Verão

A saída de Sula Ximenes da presidência do Deracre pode ter mais coisa por trás do que a versão oficial deixou aparecer. Publicamente, a ex-gestora alegou falta de condições administrativas, orçamentárias e operacionais para continuar no comando da autarquia. Nos bastidores, porém, a conversa já aponta para outro ponto sensível: o dinheiro da Operação Verão.

A operação foi lançada pelo governo Mailza com discurso de força-tarefa, máquinas em campo, recuperação de ramais, pontes e frentes simultâneas em todo o Acre. O anúncio oficial falou em mais de R$ 70 milhões em investimentos, com parte dos recursos destinada aos ramais e outra fatia federal voltada a Cruzeiro do Sul.

A informação que circula entre fontes políticas é que Sula teria reagido após perceber que o caixa prometido para sustentar a operação não estaria disponível como havia sido combinado. A versão de bastidor fala em manobra envolvendo recursos de emenda de bancada e em mudanças no destino de parte do dinheiro que deveria irrigar a recuperação de ramais.

O reflexo disso já teria chegado ao Juruá. Empresários de Cruzeiro do Sul ligados ao setor de obras e ramais teriam se deslocado a Rio Branco para entender o que aconteceu com os recursos e com o planejamento da operação.

A pergunta que fica é simples: se a presidente do Deracre deixou o cargo alegando falta de condições para trabalhar, em que pé está, de fato, a Operação Verão anunciada pelo governo? No palanque, a promessa é de máquinas nos ramais. Nos bastidores, a dúvida é se há dinheiro suficiente para cumprir o que foi vendido à população.

Vale lembrar que o mês de junho já passou, com poucas chuvas, muito sol e quase nenhuma obra nos ramais do Acre. Estamos de olho, os moradores da zona rural também, sofrendo com estradas com péssimo acesso e sem obras, mais um anos.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul entrega 114 óculos em ação com Eduardo Velloso

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou 114 óculos nesta quinta-feira (2), no Ceanon, a pacientes atendidos pelo Programa Olhar de Carinho, em ação realizada em parceria com o Instituto Progresso Amazonas e com participação do deputado federal Eduardo Velloso. A iniciativa amplia o acesso da população a consultas, exames, cirurgias e óculos gratuitos na rede municipal de saúde.

A solenidade reuniu o prefeito Zequinha Lima, a vice-prefeita Delcimar Leite, representantes do instituto, beneficiários do programa e equipes envolvidas no atendimento oftalmológico. Parte dos pacientes já havia recebido os óculos antes da entrega oficial por causa da urgência dos casos, principalmente pessoas com alta miopia e alta hipermetropia que dependiam do acessório para trabalhar e retomar atividades diárias.

Criado para reduzir a demanda por atendimento oftalmológico especializado, o Programa Olhar de Carinho já atendeu 2.800 pacientes em 2025. Em 2026, o número chegou a 3.600 pessoas beneficiadas. Ao todo, a iniciativa soma mais de 18 mil procedimentos, entre consultas, exames, cirurgias e entrega de óculos.

O prefeito Zequinha Lima afirmou que o programa foi criado após a gestão identificar dificuldades enfrentadas por moradores que conseguiam consulta, mas não tinham condições de comprar os óculos. “Mais do que entregar uma armação e uma lente, estamos devolvendo dignidade às pessoas. São crianças, jovens e, principalmente, idosos que voltaram a ler, costurar, frequentar a igreja e realizar atividades simples do dia a dia com mais autonomia”, disse.

O deputado federal Eduardo Velloso disse que a iniciativa tem impacto direto na vida de crianças, trabalhadores e idosos. “Esse é um programa que leva dignidade e transforma vidas. Muitas crianças deixam de desenvolver seu aprendizado por não terem acesso a um atendimento oftalmológico ou a um simples par de óculos”, afirmou.

Além da entrega de óculos, o programa realiza cirurgias de catarata, pterígio e capsulotomia, acompanha pacientes com glaucoma e doenças da retina e oferece aplicação de anti-VEGF, tratamento usado em casos de retinopatia diabética. Antes, pacientes que precisavam desse procedimento eram encaminhados pelo Tratamento Fora de Domicílio.

Uma das beneficiadas, Josefa Araújo de Freitas, disse que estava sem óculos e já tinha dificuldade para ler e usar o celular. “Esse programa chegou em boa hora. Eu estava sem óculos e já não conseguia ler nem mexer no celular. Também não tinha condições de comprar um. Esse benefício vai me ajudar muito e sou muito grata por essa oportunidade”, afirmou.

Jornal da Manhã em Coluna – 2 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, entrevista com o deputado federal Eduardo Velloso e cobertura de Gledson Albano em Cruzeiro do Sul.

Palácio em tremor

A política do Acre amanheceu com barulho de parede rachando no Palácio Rio Branco. Não foi apenas a frase da governadora Mailza Assis chamando Eduardo Velloso de “novo senador” que mexeu no tabuleiro. Foi a frase chegando no mesmo momento em que aliados históricos de Gladson Cameli começam a perder espaço dentro do governo.

Quando a troca acontece em cargo pequeno, o Palácio chama de ajuste. Quando passa pela Casa Civil, pelo Deracre e por nomes ligados ao ex-governador, a palavra muda de tamanho. Já não parece manutenção. Parece rearrumação de poder.

Donadoni fora da costura

A saída de Jonathan Xavier Donadoni da Casa Civil abriu a semana política com uma pergunta difícil de empurrar para debaixo do tapete. A Casa Civil não é uma sala comum. É o lugar onde se costura governo, se destrava nomeação, se conversa com deputado, se escuta prefeito e se segura crise antes que ela vire manchete.

Donadoni era visto como nome herdado da gestão Gladson Cameli. Ao tirá-lo da cadeira, Mailza mexeu numa peça administrativa, mas atingiu um símbolo político. Em governo rachado, símbolo fala alto.

Mário Neto também caiu

Depois de Donadoni, veio Mário Vieira da Silva Neto, o Mário Neto, exonerado da Diretoria de Gestão de Atos Oficiais da Casa Civil. A queda reforçou a leitura de que a mudança não parou no chefe. Alcançou o entorno.

Mário Neto era ligado à engrenagem da Casa Civil e atuava em área sensível da máquina. Quando sai o comandante e depois sai o braço direito, a conversa de bastidor ganha corpo. O governo pode chamar de decisão pontual. A política chama de limpa.

Sula saiu do Deracre

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa mais fora de Rio Branco do que muita gente imagina. No interior, Deracre não é sigla. É ramal aberto, ponte de madeira, bueiro, patrol, máquina chegando antes da chuva e produtor conseguindo tirar a produção do roçado.

Quando a presidente deixa o cargo reclamando de falta de condições para trabalhar, o problema deixa de ser gabinete e vira estrada. No Juruá, o eleitor entende essa linguagem sem precisar de tradução.

Gladson tenta apagar o fogo

Gladson Cameli apareceu na Expoacre Juruá, tirou foto, conversou, circulou e mostrou que ainda tem força de rua. Esse é o ponto que incomoda adversários e aliados: mesmo ferido juridicamente, Gladson continua carregando presença popular.

A cena é conhecida no Acre. O processo corre em Brasília, a política corre na rua e o eleitor olha as duas coisas ao mesmo tempo. Gladson sabe disso. Por isso aparece. Quem some, perde antes de pedir voto.

Avião no chão

O avião PT-WGK, registrado em nome de Gladson Cameli, voltou ao centro da Operação Ptolomeu após informação de nova apreensão pela Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, por ordem atribuída à ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.

A imagem do avião parado no aeroporto tem força política própria. Num Acre em que deslocamento aéreo, poder e dinheiro público sempre rendem conversa, uma aeronave sob restrição judicial vira mais que patrimônio. Vira fotografia de crise.

Frase de Mailza virou senha

Quando Mailza chamou Eduardo Velloso de “novo senador”, a frase saiu do protocolo e entrou no cálculo eleitoral. Pode ter sido gentileza. Pode ter sido lapso. Pode ter sido recado. O problema é que, em ano de montagem de chapa, ninguém ouve frase solta.

A pergunta que ficou no estúdio foi direta: se Velloso entra na disputa ao Senado pelo campo da governadora, quem perde espaço? Gladson? Márcio Bittar? Outro nome da base? No Acre, duas vagas parecem muitas até o momento em que todos querem sentar nelas.

Velloso não fugiu

Eduardo Velloso foi ao Jornal da Manhã no dia em que muitos prefeririam agenda longe de microfone. Isso conta. Política também se mede pela disposição de responder quando a pergunta vem sem anestesia.

Velloso não fechou a equação da chapa, mas deixou claro que está se movimentando. Falou como pré-candidato, defendeu entregas na saúde, valorizou o Juruá e tentou transformar a frase de Mailza em empurrão, não em armadilha.

Saúde como palanque

Velloso escolheu a saúde como território político. Falou de ressonância, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas e atendimento nos municípios isolados. É uma escolha esperta porque, no Juruá, saúde não é tema abstrato. É madrugada na estrada, espera por exame, família fazendo vaquinha, paciente tentando chegar vivo a Rio Branco.

Quando o deputado diz que a maior dor das pessoas é a saúde, não está apenas descrevendo um problema. Está escolhendo o lugar de onde quer falar com o eleitor.

Clodoaldo virou fiador

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues apareceu ao lado de Velloso como mais que convidado. Entrou como fiador político da relação do deputado federal com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo disse que encontrou em Velloso um parceiro para tocar demandas do mandato. Em política local, isso pesa. Deputado estadual precisa de estrada, prédio, ambulância, iluminação, entidade atendida e recurso chegando. Sem isso, discurso fica sem chão.

Delcimar na mesa

O momento mais forte da entrevista veio quando Velloso convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher de Clodoaldo Rodrigues, para ser sua primeira suplente ao Senado.

O convite foi feito ao vivo, sem Delcimar no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e lembrou que a decisão cabe a ela. A cena, porém, já fez o serviço político. Velloso mostrou que não está apenas pensando em candidatura. Está começando a montar chapa.

Juruá como base

Escolher Delcimar não é detalhe. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e tem ligação direta com uma região que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

Velloso está tentando amarrar saúde, emenda, prefeitura, mandato estadual e identidade regional no mesmo pacote. É um movimento claro: transformar o Juruá em base de largada para uma disputa majoritária.

Peru entrou na conversa

Velloso também levou para o rádio a defesa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Falou de rota mais barata, comércio, interesse asiático e presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá.

A pauta parece distante para quem olha só a briga eleitoral, mas não é. O Juruá vive o isolamento no preço do frete, no custo do combustível, na dificuldade de vender e comprar. Quando alguém fala em saída pelo Pacífico, está falando com o comerciante, o produtor e o jovem que quer ver a região deixar de ser fim de linha.

Madson e Ney no radar

Nos bastidores, Madson Cameli e Ney Amorim aparecem como nomes observados na reorganização do governo. Madson, marido da governadora e chefe de gabinete, virou alvo das críticas sobre articulação política. Ney surge como operador chamado para tentar reorganizar uma casa que perdeu escuta.

O problema é que articulação não se resolve só com nome novo entrando na conversa. Governo que deixa prefeito esperando, deputado contrariado e aliado sem resposta começa a perder antes da convenção.

Alan Rick colhe defecções

A ida do prefeito Zequinha Lima para o campo de Alan Rick continua ecoando. No Juruá, Zequinha não é apoio lateral. É prefeito de Cruzeiro do Sul, com presença numa região decisiva.

Quando um prefeito desse tamanho se move, outros observam. Uns por convicção. Outros por sobrevivência. No Acre, debandada raramente começa com barulho. Primeiro vem o silêncio. Depois a foto ao lado do adversário.

Bocalom não quer ser vice

A conversa sobre uma possível aproximação de Mailza com Tião Bocalom entrou no debate com um problema evidente: Bocalom não construiu candidatura ao governo para virar acessório de chapa alheia.

Quem conhece o ex-prefeito de Rio Branco sabe que ele gosta de campanha com o nome dele no centro. Uma composição só faria sentido se entregasse algo maior do que acomodação de última hora. Até aqui, a pergunta segue sem resposta: quem cede primeiro?

Márcio Bittar na conta

A fala de Mailza sobre Velloso também respinga em Márcio Bittar. Se a governadora começa a tratar outro nome como senador, o senador atual precisa medir o tamanho do sinal.

Bittar tem mandato, presença em Brasília e máquina política. Mas 2026 não será eleição de conforto para ninguém. Com Jorge Viana competitivo, Gladson tentando sobreviver juridicamente e Velloso buscando espaço, a disputa ao Senado virou corredor estreito.

Gastos com voos voltam à pista

O Jornal da Manhã também colocou na mesa os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas como jato, com valores citados acima de R$ 13,5 milhões entre 2023 e 2026, ligados a pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo e ao contrato 34/2023.

Esse tipo de dado entra na política com força porque conversa com uma sensação simples do eleitor: enquanto o cidadão espera consulta, estrada e resposta, o governo precisa explicar por que gastar tanto para voar. Número público sem explicação vira munição.

Crítica não é gênero

A bancada também respondeu às acusações de que as críticas ao governo teriam relação com o fato de Mailza ser mulher. O ponto foi colocado de forma direta: a cobrança recai sobre atos administrativos, decisões políticas, gastos públicos e escolhas de governo.

Mulher na política deve ser respeitada. Governadora no poder deve ser cobrada. Uma coisa não anula a outra. Quem ocupa a cadeira principal do Estado entra na vitrine porque suas decisões alcançam a vida de muita gente.

Eleitor fora da bolha

A frase mais importante da manhã talvez não tenha sido sobre cargo, exoneração ou chapa. Foi sobre o eleitor. O governo pode reorganizar gabinete, trocar articulador, apagar incêndio e chamar crise de ajuste. Mas quem decide a eleição está fora do Palácio.

Está no ramal esperando máquina, na fila da saúde, no comércio pagando frete caro, na feira ouvindo rádio, no carro indo para o trabalho, no Juruá olhando quem aparece e quem só manda recado. No fim, é esse eleitor que vai dizer se a rachadura era pequena ou se o prédio inteiro já estava cedendo.

No Jornal da Manhã, Velloso convida Delcimar Leite para primeira suplência ao Senado

O deputado federal Eduardo Velloso fez nesta quinta-feira, 2, em Cruzeiro do Sul, o movimento mais explícito até agora na montagem de sua pré-campanha ao Senado: convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, para ser a primeira suplente em sua chapa. O convite foi feito ao vivo, em primeira mão no Jornal da Manhã, em tom de surpresa, depois de Velloso admitir que havia pedido a Clodoaldo para levar Delcimar ao encontro porque queria fazer o chamado pessoalmente.

“Eu quero fazer um convite aqui. Eu tinha pedido para o Clodoaldo trazer a esposa dele, Delcimar, porque eu queria fazer um convite para ela, para que ela seja a minha primeira suplente. Eu não sei se ela vai aceitar ou não”, disse Velloso, antes de passar a palavra ao deputado estadual.

Delcimar não estava presente no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e deixou claro que a decisão caberá a ela. “A resposta tem que ser dela”, afirmou. Em seguida, o deputado brincou com a situação, disse que precisaria conversar em casa e evitou aceitar o convite em nome da mulher. A reação arrancou comentários da bancada, que tratou o anúncio como a primeira peça concreta da chapa que Velloso tenta montar para disputar uma vaga no Senado em 2026.

O gesto tem peso político porque Delcimar não é apenas a mulher de Clodoaldo. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e carrega presença direta no Juruá, região que Velloso tem tratado como base prioritária para seu projeto majoritário. Ao chamá-la para a primeira suplência, o deputado federal tenta amarrar três forças no mesmo movimento: a estrutura municipal de Cruzeiro do Sul, o mandato estadual de Clodoaldo e o eleitorado regional que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

A fala também deixa Velloso em posição mais clara na sucessão. Até aqui, ele vinha tratando a candidatura ao Senado como uma construção em andamento, repetindo que sua pré-candidatura está crescendo e que busca diálogo com a população. O convite a Delcimar, no entanto, muda o tom. Ninguém oferece primeira suplência sem estar montando chapa. E ninguém escolhe uma vice-prefeita do Juruá por acaso.

Clodoaldo, que acompanhava Velloso na entrevista, virou personagem central do anúncio. Ele já vinha defendendo publicamente que o deputado federal tem condições de disputar o Senado mesmo fora de uma composição fechada com o governo. Ao ser colocado diante do convite à mulher, preferiu não atropelar Delcimar, mas também não rompeu o clima de aliança. A parceria, que já vinha aparecendo em emendas, agendas e discursos conjuntos, ganhou forma eleitoral.

A primeira suplência ao Senado não é cargo decorativo. Em uma eleição majoritária, ela ajuda a dar musculatura política à chapa, amplia bases regionais e pode virar mandato em caso de licença, renúncia ou afastamento do titular. Foi justamente esse cenário que entrou na conversa depois do convite: se Velloso vencer e, no futuro, deixar o Senado por algum motivo, Delcimar poderia assumir a cadeira.

A resposta definitiva de Delcimar ainda não saiu. Mas o convite foi feito, ao vivo, em primeira mão, diante de Clodoaldo e de uma audiência que acompanhou a pré-campanha sair do campo da especulação para a montagem de chapa. No Acre, esse tipo de gesto raramente acontece por acaso. Velloso escolheu Cruzeiro do Sul para abrir a jogada, escolheu Delcimar para testar a força do Juruá e colocou Clodoaldo diante de uma decisão que pode levar a aliança dos dois para dentro da disputa mais importante de 2026.

Com Clodoaldo ao lado, Velloso mira Senado e promete interior mais perto da saúde

O deputado federal Eduardo Velloso transformou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quinta-feira, 2 de julho, em Cruzeiro do Sul, numa largada pública para tentar ocupar espaço na disputa pelo Senado e vender ao Vale do Juruá uma ideia simples: a saúde será o centro do seu discurso, das suas alianças e da sua tentativa de subir de patamar na política acreana. Ao lado do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, Velloso falou de ressonância destravada, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas, atendimento nos municípios isolados, ligação com o Peru e de uma pré-candidatura que, nas palavras dele, está “cada vez mais crescendo”. A entrevista ganhou peso porque veio um dia depois de a governadora Mailza Assis aparecer em vídeo tratando o parlamentar como “novo senador”, frase que colocou fogo na sucessão de 2026 e obrigou Velloso a responder, no rádio, se já está dentro da chapa governista.

A pergunta veio direta. Chico Melo lembrou que Velloso havia entrado na política depois de uma vida profissional estável, como médico e empresário, e quis saber o que o empurrou para esse caminho. A resposta levou a conversa para o ponto que o deputado escolheu como território político: a dificuldade de atendimento no interior. Velloso citou a ressonância que estava parada, a chegada da cardiologia, a oftalmologia e a rotina de quem vive em Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que dependem de Cruzeiro do Sul quando a dor passa do limite do que o município consegue resolver. “A maior dor das pessoas é a saúde”, disse o deputado, antes de defender que cada município tenha, pelo menos, ortopedista, cirurgião, anestesista, clínico e pediatra.

Essa frase explica por que a entrevista não ficou presa apenas ao jogo eleitoral. No Juruá, saúde é disputa política porque é também a vida concreta de quem precisa sair de madrugada atrás de consulta, de quem espera exame, de quem sofre acidente em campo de futebol e encontra apenas um raio-x sem especialista para fechar diagnóstico, de quem depende de regulação para Rio Branco quando o problema já não pode esperar. Velloso sabe disso. E, como médico, tenta transformar essa experiência em capital político. Na Câmara dos Deputados, ele aparece oficialmente como Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna, deputado federal do Acre, filiado ao Solidariedade, médico de formação e integrante titular da Comissão de Saúde em 2026.

O anúncio mais imediato da manhã foi a entrega de 103 óculos para famílias sem condições de comprar, numa ação em parceria com o prefeito Zequinha Lima. Velloso disse que tinha o sonho de levar esse atendimento ao Juruá e creditou ao prefeito de Cruzeiro do Sul a execução da agenda. O deputado também citou a parceria com Clodoaldo, Maria Antônia e “Deda” ao afirmar que mais de R$ 10 milhões foram levados apenas para a saúde de Cruzeiro do Sul. Ele ligou esse dinheiro aos mutirões realizados no município e disse que as ações ajudaram a melhorar o atendimento da população.

Os números oficiais da Câmara reforçam o tamanho da aposta de Velloso na área. Em 2026, aparecem no orçamento R$ 11,8 milhões autorizados para estruturação de unidades de atenção especializada em saúde no Acre e R$ 7,5 milhões para custeio temporário da atenção primária. Também há R$ 13,5 milhões em transferências especiais no Estado. No ano anterior, em 2025, a Câmara registrou R$ 7,9 milhões autorizados, empenhados e pagos para custeio da atenção primária e R$ 11,4 milhões pagos em transferências especiais no Acre.

O que Velloso tentou fazer no rádio foi dar rosto a esses valores. A política de emendas costuma chegar ao eleitor como número solto, difícil de acompanhar, mas no interior ela vira ambulância, reforma, mutirão, exame, cadeira em unidade de saúde, iluminação de campo, apoio a instituição social ou quilômetro de asfalto. Foi nesse ponto que Clodoaldo Rodrigues entrou com força na entrevista. Ele não apareceu apenas como aliado sentado ao lado. Apareceu como fiador da relação de Velloso com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo, cujo nome completo é Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, é deputado estadual pelo PP na Assembleia Legislativa do Acre. O cadastro oficial do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo registra o parlamentar como filiado ao Progressistas e representante da Aleac. Na entrevista, ele fez questão de dizer que não votou em Velloso para deputado federal em 2022, mas acabou encontrando nele o principal parceiro para tocar demandas do mandato. “Quem é patrocinador? Só tenho o Velloso por enquanto”, disse Clodoaldo, numa frase que mostra tanto a gratidão política quanto a dependência de deputados estaduais em relação a emendas federais para atender suas bases.

Clodoaldo citou recursos para a Delegacia de Cruzeiro do Sul, o Educandário, os bombeiros, a Polícia Militar e outras instituições. Falou ainda de R$ 2,8 milhões destinados em dezembro de 2025 para entidades de Cruzeiro do Sul e para a iluminação do campo da Vila Santa Rosa, pedido ligado à vice-prefeita Delcimar Leite. Depois, ampliou a conta: disse que Velloso colocou R$ 3 milhões em suas mãos para o ramal Mariana de Cima e que o total no Deracre chega a R$ 11 milhões para obras na região do Juruá.

A fala de Clodoaldo também ajudou Velloso a atravessar a parte mais delicada da entrevista: a pergunta sobre Senado. A governadora Mailza Assis havia chamado o deputado de “novo senador”, e a frase foi lida imediatamente como recado sobre a composição da chapa governista. Velloso não cravou lugar na chapa, mas também não recuou. Disse que a pré-candidatura está crescendo e brincou que agora estaria “conquistando o coração” da governadora. Clodoaldo foi mais direto ao defender que Velloso pode ser candidato ao Senado com ou sem a presença formal na chapa de Mailza. Para ele, eleição majoritária tem outro comportamento e o deputado federal já tem condições de disputar.

Essa diferença de tom foi uma das partes mais reveladoras da manhã. Velloso mediu as palavras para não fechar portas. Clodoaldo falou como quem já trabalha a candidatura na rua. O deputado estadual disse que, quando Velloso pensou em disputar o Senado, chegou a aconselhá-lo a buscar a reeleição para a Câmara, mas agora trata o projeto como posto. A avaliação dele tem lógica eleitoral: Velloso entrou no debate com imagem ligada à saúde, circula com entrega concreta no Juruá, mantém interlocução com o governo e tenta ocupar uma vaga num cenário em que a sucessão estadual ainda depende de acordos mal resolvidos entre Mailza, Gladson Cameli, partidos da base e lideranças que querem espaço na majoritária.

A entrevista também atravessou um tema que vai além do Acre e mira a economia regional. Velloso defendeu que o Vale do Juruá pode ser porta de um novo ciclo por causa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Ele falou da presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá, entre elas um senador, um governador e representantes daquela região. O argumento do deputado é econômico: uma rota mais barata de transporte atrai quem quer comprar e vender, inclusive mercados asiáticos e a China.

Essa pauta não é detalhe. Quando um deputado fala em saúde no primeiro bloco e em Peru no segundo, ele tenta juntar duas dores antigas do Acre: o isolamento do cidadão diante do serviço público e o isolamento econômico diante dos grandes corredores de comércio. O Juruá conhece os dois problemas. A família que procura atendimento especializado e o comerciante que paga caro pelo frete fazem parte da mesma geografia. Velloso tenta dizer que pode tratar das duas pontas: levar especialista para perto de quem precisa e abrir caminho para que a região deixe de viver como fim de linha.

A presença da médica cardiologista Regiane Velloso, esposa do deputado, deu uma camada concreta ao debate sobre saúde. Ela lembrou que voltou ao Acre em 2006, trabalha como cardiologista na Fundação Hospitalar e ajudou a montar o serviço de alta complexidade em cardiologia, com cateterismo, stent e cirurgia cardíaca. Na entrevista, Regiane disse que, durante a campanha de 2022, percebeu que pacientes do Juruá com infarto não conseguiam chegar a Rio Branco a tempo. A partir daí, nasceu a promessa de levar cardiologia ao Hospital do Juruá. Dois anos depois, segundo ela, o serviço da Hemocárdio já funciona dentro da unidade.

Velloso completou esse ponto com um dado forte: mais de 1.360 procedimentos de coração realizados em Cruzeiro do Sul. Para o deputado, cada procedimento representa vida preservada e deslocamento evitado. Essa é a parte da entrevista com maior capacidade de chegar ao eleitor sem tradução política. Quem já viu um parente enfartar no interior entende a diferença entre ter atendimento perto e depender de viagem para a capital.

No fim, o Jornal da Manhã colocou Velloso diante de três testes ao mesmo tempo. O primeiro foi explicar por que quer o Senado. O segundo foi mostrar o que já entregou. O terceiro foi responder se sua candidatura nasce dentro do projeto de Mailza ou se tem fôlego próprio para sobreviver fora dele. Ele não fechou a equação, mas deixou claro que está em campanha. Falou como pré-candidato, apresentou serviços, chamou aliados para perto, usou a saúde como vitrine e deixou Clodoaldo fazer a defesa mais aberta de seu nome.

A entrevista também mostrou que Clodoaldo quer entregar o mandato com marca própria no Juruá. Ele disse que pode até não ser reeleito, mas desafiou qualquer deputado estadual a provar que colocou mais recursos ou teve mais presença em Cruzeiro do Sul e na região. É uma fala de quem sabe que a disputa de 2026 não será apenas por partido ou palanque. Será por lembrança. Quem levou recurso, quem apareceu, quem atendeu, quem abriu porta e quem sumiu.

Velloso saiu do estúdio com uma frase da governadora nas costas, um aliado estadual ao lado e uma agenda de saúde na mão. Não é pouco. Mas também não resolve tudo. O caminho até o Senado exige mais que mutirão, óculos, emenda e boa entrevista. Exige costura partidária, resistência a crises, capacidade de explicar alianças e, sobretudo, prova de que os recursos anunciados viram serviço permanente. No Juruá, promessa tem prazo curto. O eleitor escuta no rádio pela manhã e cobra na rua no mesmo dia.

Prefeitura recupera sete ruas no Recanto dos Buritis pelo programa Prefeitura nas Ruas

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, acompanhou nesta quinta-feira (2) as obras do programa Prefeitura nas Ruas no bairro Recanto dos Buritis, onde sete vias recebem serviços de recuperação, tapa-buraco e melhoria da trafegabilidade para ampliar as condições de acesso dos moradores.

As intervenções incluem a Travessa Paraíso, via de acesso a uma escola e rota do transporte coletivo, além da Travessa da Júlia, Travessa da Alegria, Travessa Feijó e Travessa Maria Verônica. Outras duas travessas também entraram na programação de melhorias executada pelas equipes da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco.

Durante a visita, Bestene disse que a prefeitura tem atuado a partir das demandas apresentadas pela população. “A prefeitura precisa estar próxima das comunidades, ouvindo as pessoas. A gente sabe das dificuldades que envolvem o orçamento público, mas, dentro das prioridades, é ouvindo as pessoas que conseguimos identificar onde estão as principais demandas dos bairros”, afirmou.

As obras começaram após uma visita anterior da gestão municipal ao Recanto dos Buritis. Na ocasião, moradores, a associação do bairro e o mandato do vereador Leôncio Castro apresentaram os principais problemas de acesso nas ruas da comunidade. Depois do levantamento, as equipes foram deslocadas para os pontos com maior dificuldade de circulação.

“Nós estivemos aqui há poucos dias, identificamos algumas necessidades com relação a essa comunidade e hoje estamos intervindo com o Programa Prefeitura nas Ruas, nessas ruas que precisam de trafegabilidade, pavimentação e tapa-buraco, para dar melhores condições aos moradores do Recanto dos Buritis”, disse o prefeito.

O presidente da Associação de Moradores do Recanto dos Buritis, Francisco Rocha, afirmou que a comunidade teve a reivindicação atendida com rapidez. “A reivindicação foi feita e a prefeitura já está aqui. O prefeito veio aqui, autorizou os serviços, as máquinas já estão trabalhando e a comunidade só tem a agradecer. São ruas que estavam precisando muito dessa atenção”, declarou.

Morador do bairro, o motoboy Elonay Braga disse que as melhorias já alteraram a rotina da comunidade. “Já deu uma melhorada boa. A gente já vê a movimentação de crianças e moradores, coisa que antes não tinha. Com a melhoria nas ruas e o tapa-buraco, vai ficar muito bom. Agradecemos ao prefeito Alysson Bestene e à prefeitura”, afirmou.

O diretor-presidente da Emurb, Abdel Derze, disse que os trabalhos começaram por pontos estratégicos, como a Travessa Paraíso e a Travessa da Júlia. “Estamos na Travessa Paraíso, que dá acesso à escola e também atende a linha de ônibus. Ontem já atuamos na Travessa da Júlia, garantindo tráfego na via principal”, explicou.

A Emurb deve manter equipes em diferentes regionais de Rio Branco durante o período de verão, fase em que a prefeitura busca ampliar os serviços de recuperação de ruas e melhorar a mobilidade nos bairros da capital.

É 13! Gastos do governo com voos descritos como jato já passam de R$ 13,5 milhões

Levantamento aponta pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo entre 2023 e 2026; despesas aparecem concentradas na Casa Civil e fazem referência ao Contrato CC 34/2023

Os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas oficialmente como jato já somam R$ 13.507.200,00 em pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo.

O valor reúne o levantamento consolidado entre 2023 e 2025, que já apontava R$ 12.440.400,00 pagos em despesas com a palavra “jato” no histórico do serviço, e a atualização feita a partir dos dados de 2026, que acrescentou mais R$ 1.066.800,00.

O recorte considera apenas pagamentos cujo histórico oficial menciona expressamente a palavra jato. Ou seja, não entram nessa conta outros fretamentos da Ortiz descritos como monomotor, bimotor, Caravan, transporte aeromédico ou fretamento genérico de aeronave.

Nos dados já consolidados, os pagamentos anteriores somavam 52 linhas de pagamento, referentes a 43 empenhos conciliados, todos vinculados à Secretaria de Estado da Casa Civil. A maior parte dessas despesas aparece associada ao Contrato CC 34/2023, que concentrava R$ 11.113.200,00 do total apurado até 2025.

A atualização de 2026 adiciona quatro novos empenhos pagos, todos registrados em abril pela Casa Civil. As descrições seguem o mesmo padrão: “referente a fretamento de aeronave (jato) conforme T.A. Contrato CC 34/2023”.

Os pagamentos de 2026 identificados foram:

Data – Empenho – Valor pago
27/04/2026 – 4460010383 – R$ 214.200,00
28/04/2026 – 4460010392 – R$ 168.000,00
29/04/2026 – 4460010399 – R$ 432.600,00
30/04/2026 – 4460010417 – R$ 252.000,00

Com isso, o gasto identificado em voos com descrição de jato passa de R$ 12,44 milhões para R$ 13,5 milhões.

A Casa Civil aparece como órgão responsável em todo o recorte de jato levantado até agora. A despesa, portanto, não está distribuída entre diferentes secretarias: está concentrada na estrutura diretamente ligada à chefia do governo.

O levantamento também mostra que o contrato usado para esse tipo de despesa atravessou mais de um exercício financeiro. No histórico dos pagamentos aparecem referências à Ata de Registro de Preços 04/2023, ao Contrato CC 34/2023 e, em um caso anterior, ao Contrato 34/2025. No bloco atualizado de 2026, os quatro pagamentos mencionam novamente o Contrato CC 34/2023, por meio de termo aditivo.

A conta não representa todo o gasto do governo com a Ortiz Táxi Aéreo. Ela trata apenas do recorte mais específico: os pagamentos em que a própria descrição oficial da despesa informa fretamento de aeronave jato.

Foto: Gabriel Wallace/Instagram