Profissionais de saúde de Jordão recebem capacitação em transporte aeromédico em São Paulo

A médica Lauane Karine Magalhães e o enfermeiro Felipe de Araújo de Sá, que atuam no município de Jordão, no interior do Acre, participaram de uma capacitação especializada em transporte aeromédico realizada em São Paulo, na última semana de outubro. O treinamento teve como objetivo aprimorar os procedimentos de remoção de pacientes que necessitam de atendimento em outras unidades de saúde.

Promovido pelo Instituto de Ensino e Saúde de São Paulo (IESSP), o curso abordou o transporte de pacientes adultos, recém-nascidos e crianças, além de técnicas de ventilação mecânica, estabilização clínica e monitoramento durante o voo. Os profissionais também receberam orientações sobre segurança, embarque, desembarque e transferência de pacientes para aeronaves.

A qualificação tem importância para a realidade de Jordão, município que não possui acesso rodoviário e depende dos transportes aéreo e fluvial para o deslocamento de pessoas e pacientes que precisam de assistência especializada.

A médica Lauane Karine já havia participado de outras formações na área de atendimento pré-hospitalar e transporte aeromédico. Desta vez, buscou ampliar seus conhecimentos sobre cuidados neonatais e pediátricos e convidou o enfermeiro Felipe para participar da capacitação.

“Tenho buscado ampliar meus conhecimentos em atendimento pré-hospitalar e transporte aeromédico, porque são áreas que exigem atualização constante”, afirmou a médica.

O enfermeiro Felipe de Araújo pretende compartilhar os conhecimentos adquiridos com os demais integrantes da equipe de enfermagem de Jordão. A proposta é incorporar as orientações à rotina dos atendimentos, especialmente nos casos em que os pacientes precisam ser removidos para outros municípios.

A preparação das equipes é uma das etapas fundamentais do transporte aeromédico. Antes do embarque, os pacientes precisam passar por avaliação e estabilização clínica, com acompanhamento contínuo durante o deslocamento até a unidade de destino.

Fábio Rueda planeja gabinete no Juruá, defende investimentos em ramais e responde a críticas da eleição

O deputado federal eleito Fábio Rueda (União Brasil) afirmou que pretende instalar uma extensão de seu gabinete parlamentar no Vale do Juruá e colocar entre as prioridades do mandato a recuperação de ramais, a ampliação dos serviços de saúde e a articulação com prefeitos para levar recursos federais aos municípios. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira (19), em Cruzeiro do Sul, o médico também respondeu às críticas recebidas durante a campanha, falou sobre as disputas políticas na região e defendeu o diálogo entre os representantes acreanos após o segundo turno das eleições.

Eleito com 33.203 votos em todo o Acre, sendo 5.384 em Cruzeiro do Sul, Rueda retornou ao município para agradecer aos eleitores e conversar com lideranças que participaram de sua campanha. Durante a entrevista, conduzida por Rogério Wenceslau e Chico Melo, afirmou que a votação recebida no Juruá amplia sua responsabilidade com uma região que enfrenta problemas históricos de infraestrutura e acesso aos serviços públicos.

“Posso dizer agora que uma das minhas responsabilidades, como deputado federal do Juruá, é poder abraçar esses votos”, declarou. Para Rueda, os eleitores representam mais do que um resultado nas urnas. “Não foram simples votos, foram corações que acreditam num projeto maior.”

Um dos compromissos apresentados foi a criação de uma estrutura permanente de atendimento político no Juruá. Segundo ele, a equipe já trabalha nas condições necessárias para manter uma representação do futuro mandato na região, permitindo o contato com moradores, vereadores e lideranças comunitárias.

“A gente já está elaborando aí as condições para a gente ter uma extensão do nosso gabinete, do nosso mandato, aqui no Juruá”, afirmou. A proposta, segundo o deputado eleito, é estabelecer um ponto de apoio para identificar demandas e acompanhar os problemas dos municípios. Ele não informou, porém, onde a estrutura funcionará nem quando deverá ser instalada.

A situação dos ramais ocupou parte da entrevista. Questionado sobre as dificuldades enfrentadas pelas comunidades rurais, especialmente diante das promessas de recuperação que não se concretizaram em diversos trechos, Rueda afirmou que a discussão precisa ir além do transporte de mercadorias.

“Quando você fala de ramal, você não está falando só de escoar a produção rural. Ramal é dignidade”, declarou.

O deputado eleito explicou que as condições das estradas rurais interferem diretamente na vida das famílias, especialmente no acesso à educação e à saúde. Uma criança que depende de transporte escolar precisa de um ramal trafegável para chegar à escola. Da mesma forma, profissionais de saúde dependem das estradas para atender comunidades afastadas.

“Vai muito além de trafegabilidade, vai muito além de você poder escoar a produção rural. Ramal é dignidade por vários motivos”, reforçou.

Ao tratar das soluções, Rueda fez uma distinção entre as responsabilidades do Congresso Nacional e as atribuições de governadores e prefeitos. Lembrou que deputados federais podem apresentar projetos, votar leis e destinar emendas parlamentares, mas a execução das obras depende do Poder Executivo. Por isso, defendeu uma relação de trabalho com os gestores municipais, independentemente das divergências eleitorais.

Na saúde, sua área de atuação profissional, Rueda pretende utilizar a experiência acumulada como cirurgião cardíaco para ampliar o acesso a atendimentos especializados no interior do Acre. Ele lembrou que chegou ao estado em 2010 envolvido com a proposta de interiorização de serviços de média e alta complexidade, especialmente na cardiologia.

“Não vai ser só a saúde do coração. Vai ser a saúde do rim, do cérebro, do idoso, da criança. Repito: onde o calo apertar, a gente vai trabalhar”, afirmou.

O parlamentar eleito também incluiu segurança pública, educação, infraestrutura e agricultura familiar entre as áreas que pretende acompanhar. Reconheceu, entretanto, que a capacidade financeira do Acre é limitada e que muitos projetos dependem de recursos federais e articulação institucional.

Outro momento da entrevista foi dedicado às disputas políticas em Cruzeiro do Sul. Questionado sobre um vídeo em que o ex-prefeito Vagner Sales fez críticas citando seu nome após o primeiro turno, Rueda evitou responder com ataques pessoais.

“Às vezes a pessoa pesa um pouquinho a mão de uma maneira equivocada. Eu não estou aqui para julgar ninguém”, declarou.

O deputado eleito afirmou que não pretende prolongar os conflitos produzidos pela campanha e que prefere transformar as críticas em demandas a serem consideradas no mandato.

“Não levei para o coração. Vamos fazer o seguinte, meu irmão: vamos trabalhar, que é o melhor que a gente faz”, disse.

Rueda chegou a manifestar disposição para trabalhar junto com o ex-prefeito na busca de soluções para os ramais, uma das questões levantadas durante as críticas. “Eu reafirmo o compromisso de trabalhar junto com o ex-prefeito, escutando aí as demandas que ele sugeriu”, afirmou.

A postura adotada durante a entrevista foi a de evitar novos confrontos antes do encerramento do processo eleitoral. Rueda defendeu que os grupos políticos abandonem as disputas de campanha após a votação de 25 de outubro e discutam projetos para os 22 municípios acreanos.

“A gente precisa desarmar o palanque eleitoral. A gente precisa fazer uma avaliação concreta do time que está posicionado e definir com pragmatismo o que é que a gente quer fazer pelo nosso estado”, afirmou.

As condições financeiras de sua campanha também entraram na conversa. Questionado sobre críticas relacionadas à estrutura e aos recursos de que dispôs durante a disputa, Rueda respondeu que cada candidatura trabalha com os instrumentos disponíveis e que não pretende alimentar discussões sobre o assunto.

“Cada um trabalha com a ferramenta que está à disposição”, declarou. Em seguida, afirmou que críticas sem caráter construtivo não merecem atenção e atribuiu o resultado eleitoral ao trabalho da equipe e à capacidade de apresentar suas propostas aos eleitores.

Os dados da prestação de contas divulgados pela Justiça Eleitoral registram receitas de aproximadamente R$ 3,11 milhões para sua candidatura, das quais R$ 2,96 milhões foram repassados pela direção nacional do União Brasil. As despesas declaradas somavam cerca de R$ 2,77 milhões. Os valores ajudam a contextualizar o questionamento feito durante a entrevista, embora Rueda não tenha discutido detalhadamente a distribuição desses recursos.

No campo político, Rueda reafirmou o apoio à reeleição da governadora Mailza Assis (PP) e à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Para ele, uma vitória dos candidatos apoiados por seu grupo permitiria maior alinhamento entre os governos estadual e federal e sua atuação parlamentar.

“Eu acredito que o projeto hoje capitaneado pelo Flávio Bolsonaro é o melhor para o Brasil”, declarou.

Apesar da preferência eleitoral, garantiu que o resultado do segundo turno não determinará seu compromisso com os municípios. “Em qualquer cenário, seu amigo Fábio Rueda vai trabalhar pelo Juruá, pelo Acre, pelo nosso Brasil”, afirmou.

Questionado sobre a relação com o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e outros gestores municipais, Rueda afirmou que as conversas já começaram. Segundo ele, o contato com os prefeitos será necessário para definir as prioridades das emendas parlamentares e aproximar os projetos do futuro mandato das necessidades de cada município.

O deputado eleito também defendeu a articulação entre os oito deputados federais e os três senadores do Acre. Considera que as dificuldades enfrentadas pelo estado exigem uma bancada capaz de atuar em conjunto, mesmo quando seus integrantes pertencem a grupos políticos diferentes.

“A proposta é mobilizar, conversar, buscar o apoio. A gente já vem fazendo isso”, afirmou.

A entrevista também revelou um episódio pessoal da eleição. Questionado sobre a ansiedade no dia da votação, o médico contou que preferiu acompanhar a apuração sozinho, no quarto de casa, enquanto familiares e amigos aguardavam o resultado.

Rueda relatou que sua esposa, Daniele, e os filhos Davi e Eva entravam no quarto para conversar e tentar convencê-lo a acompanhar a apuração com a família. Acostumado à pressão das cirurgias cardíacas, reconheceu que a expectativa eleitoral produziu uma tensão diferente.

“A sensação principal, até sair o resultado, é de muita ansiedade. A gente não conseguia comer direito”, contou.

Ao encerrar sua participação no Jornal da Manhã, Rueda agradeceu novamente aos eleitores e pediu que as discussões políticas fossem conduzidas com respeito durante os últimos dias da campanha do segundo turno.

Para os moradores do Juruá, as declarações deixam compromissos que poderão ser acompanhados a partir do início do mandato: a instalação de uma representação parlamentar na região, a destinação de recursos para demandas municipais e a busca por melhorias nos ramais e no atendimento especializado de saúde. A concretização dessas propostas dependerá das decisões orçamentárias, das parcerias com os governos e da atuação do deputado na Câmara Federal.

Zequinha Lima critica saúde do governo do Acre e acusa gestão de gastar R$ 7 milhões com “cabos eleitorais”

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, elevou o tom das críticas ao governo do Acre durante uma reunião com moradores do Badejo de Cima, neste domingo (20). Em discurso na comunidade, o prefeito atacou a gestão estadual na área da saúde e afirmou que o governo teria R$ 7 milhões para pagar pessoas que estariam trabalhando politicamente na campanha governista, enquanto pacientes enfrentariam dificuldades para conseguir atendimento médico especializado.

“O governo está entre os quatro cantos da cidade dizendo que é o melhor governo do mundo, a melhor saúde do mundo, a melhor educação do mundo, a melhor agricultura do mundo. Agora tudo é”, afirmou Zequinha. Logo depois, ironizou o discurso da administração estadual: “E o melhor eu só não sei aonde. Talvez seja na casa deles”.

A crítica mais direta foi direcionada à assistência hospitalar. Zequinha afirmou que há paciente aguardando cirurgia por falta de profissional e usou o caso para confrontar o discurso do governo sobre os resultados da saúde pública.

“Porque a melhor saúde que o governo diz que tem não tem profissional cirurgião para fazer a cirurgia de um paciente que está morrendo lá dentro do hospital”, disse. Na fala, o prefeito não identificou o paciente, a unidade hospitalar nem informou qual procedimento estaria pendente.

Foi nesse ponto que Zequinha fez a acusação sobre gastos que, segundo ele, teriam finalidade eleitoral. “Mas tem dinheiro para contratar cabo eleitoral pelo Estado para pedir voto para o governo. Sete milhões é a conta que eles têm hoje para pagar cabo eleitoral e pedir voto para o governo”, declarou.

“Se tivesse gastado esse dinheiro para contratar profissional médico, botar dentro daquele hospital, certamente a gente não tinha paciente sofrendo dias e noites ali dentro do hospital”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio a episódios recentes envolvendo a rede hospitalar do Juruá. No início de setembro, o Ministério Público do Acre abriu apuração sobre o caso de uma mulher que teve uma cirurgia interrompida no Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, em Cruzeiro do Sul, após oscilações de energia durante o procedimento. A Secretaria de Estado de Saúde informou na ocasião que a paciente recebeu assistência e que a cirurgia seria remarcada.

Thor Dantas critica terceirização no Pronto-Socorro de Rio Branco e defende gestão direta

O candidato ao Governo do Acre Thor Dantas (PSB) criticou o modelo de gestão do Pronto-Socorro de Rio Branco e defendeu maior controle do poder público sobre os serviços médicos prestados na unidade. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (14), durante participação no programa Gazeta Entrevista, da TV Gazeta, quando o médico e ex-diretor do hospital questionou a terceirização de áreas ligadas diretamente ao atendimento dos pacientes.

Thor citou a situação de pacientes nos corredores do Pronto-Socorro e afirmou que a forma de organização dos serviços precisa ser revista. Para o candidato, atividades como trauma e anestesia devem contar com profissionais integrados à estrutura da rede pública, sob acompanhamento direto da gestão.

Ex-diretor do Pronto-Socorro, Thor afirmou que a terceirização pode ser usada em determinados serviços de apoio, mas não considera adequado adotar o mesmo modelo nas atividades diretamente relacionadas à assistência médica.

Ao abordar a contratação de equipes externas para áreas consideradas essenciais, o candidato afirmou que o modelo não produziu os resultados esperados. “Foram gastos montanhas de dinheiro e a população não está satisfeita”, disse.

Thor diferenciou a assistência médica dos serviços de apoio que podem ser contratados pelo Estado. Ele citou o diagnóstico por imagem como exemplo de área em que uma empresa terceirizada pode assumir tanto a prestação do serviço quanto obrigações relacionadas à manutenção dos equipamentos.

Na avaliação do candidato, a lógica deve ser diferente quando o serviço envolve médicos responsáveis diretamente pelo atendimento dos pacientes. A proposta defendida por ele prevê maior vínculo dos profissionais com a estrutura pública e acompanhamento da gestão sobre o trabalho desenvolvido dentro da unidade.

Thor Dantas é médico infectologista, professor da Universidade Federal do Acre e já ocupou cargos na administração estadual da saúde. Além da direção do Pronto-Socorro de Rio Branco, foi presidente da Fundação Hospitalar do Acre e secretário-adjunto estadual de Saúde. Em 2026, disputa pela primeira vez o Governo do Acre pelo PSB.

Mãe relata ajuda de Alan Rick para conseguir tratamento fora do Acre para filha com cardiopatia

Quando Maria Isis começou a cansar para mamar e a respirar com dificuldade, Adriana já sabia que a cardiopatia descoberta ainda na maternidade exigia uma resposta rápida. A menina tinha pouco mais de dois meses quando foi internada e passou a depender de uma vaga fora do Acre para receber atendimento especializado. Neste domingo (13), a história voltou a público em um vídeo divulgado pelo candidato ao governo Alan Rick, no qual a mãe relata como procurou o então senador e conseguiu encaminhar a filha para tratamento em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Maria Isis nasceu aparentemente saudável. Antes de deixar a maternidade, uma pediatra percebeu um sopro durante a ausculta e pediu um ecocardiograma. O exame confirmou a cardiopatia congênita. A família recebeu alta e voltou para casa, mas a situação mudou poucas semanas depois. Com cerca de um mês, a criança passou a demonstrar cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando a gente internou, ela tinha dois meses e dezessete dias”, conta Adriana.

A partir da internação, começou a espera por uma vaga fora do estado. Adriana conta que a transferência era difícil porque o hospital que poderia receber a filha estava com a UTI lotada. Enquanto isso, Maria Isis permanecia internada no Acre. “A gente ficou no hospital dias e dias sem saber o que fazer”, afirma. Para a mãe, cada dia aumentava a preocupação porque a criança continuava respirando com dificuldade e precisava de atendimento que, segundo ela, não estava disponível no estado naquele momento.

Foi por meio de uma amiga que Adriana decidiu procurar Alan Rick. Ela havia ouvido relatos de famílias que buscaram ajuda do parlamentar para conseguir atendimento médico fora do Acre. Primeiro, passou a enviar vídeos da filha pelas redes sociais. Depois, conseguiu o número pessoal do então senador e mostrou como Maria Isis estava.

“Pedi, por favor, que ele nos ajudasse, que ajudasse a salvar a vida da minha filha, porque, se ela não viajasse, ela não tinha chances de vida aqui”, relembra.

O contato aconteceu durante a noite. Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, Alan Rick telefonou para Adriana e disse que tentaria falar diretamente com um hospital. Cerca de 15 minutos depois, segundo a mãe, veio uma nova ligação. “Adriana, a vaga da Maria já está garantida no hospital de São José do Rio Preto. Agora vocês corram com o TFD para que ela vá o quanto antes”, recorda.

Adriana afirma que ainda guarda o áudio enviado por Alan Rick naquele período, confirmando a vaga. A lembrança está ligada principalmente ao estado da filha nos dias de internação. No vídeo, ela descreve que Maria Isis fazia tanto esforço para respirar que o ombro subia próximo à cabeça. “Qual a outra pessoa que vai se compadecer de ver um vídeo como eu mandei para ele, um vídeo da minha filha respirando com muita dificuldade, e agir?”, questiona.

O relato também assume caráter político ao longo da gravação. Adriana elogia a atuação de Alan Rick e declara apoio à candidatura dele ao governo. “A gente vê ele se compadecendo do outro, tendo empatia, se colocando no lugar do outro”, diz. Ela afirma acreditar que uma eventual gestão do candidato poderia produzir mudanças na saúde e em outras áreas do Acre.

A publicação integra a comunicação eleitoral de Alan Rick e leva para a campanha uma experiência pessoal vivida durante o período em que ele exercia o mandato de senador. Na legenda, o candidato agradece a Adriana e Wanderley por permitirem que ele participe da história de Maria Isis e afirma que outras famílias também o procuram para compartilhar episódios semelhantes.

No caso de Adriana, a memória daquele período permanece concentrada na diferença entre descobrir a doença e conseguir chegar ao atendimento. Depois dos dias de internação, da espera por uma vaga e da busca por ajuda, é esse ponto que ela escolhe para encerrar o depoimento. “A minha filha hoje pode ter um tratamento, pode ter um diagnóstico e, depois do diagnóstico, vem o tratamento. Gratidão a Deus e a ele”, afirma.

Alan Rick propõe ampliar atendimento especializado no Vale do Juruá

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick, do Republicanos, apresentou no plano de governo a proposta de ampliar o atendimento especializado no Vale do Juruá para reduzir filas e diminuir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco. A medida busca levar consultas com especialistas, exames e cirurgias para mais perto da população de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

A proposta aposta na regionalização da saúde como caminho para tornar o atendimento mais próximo das famílias que vivem no interior. A estratégia prevê fortalecer as regionais de saúde, ampliar a estrutura hospitalar e integrar os serviços entre os municípios, para que parte maior das demandas seja resolvida na própria região.

“Quem mora no Vale do Juruá sabe o que é precisar de um atendimento especializado e enfrentar uma verdadeira maratona para conseguir tratamento. Muitas famílias passam horas na estrada, quando as condições da BR-364 permitem a viagem, ou precisam deixar a sua cidade por dias. Essa realidade precisa mudar. Saúde tem que estar mais perto das pessoas, com estrutura para atender quem vive em cada região do Acre”, afirmou Alan Rick.

A dificuldade de acesso pesa mais sobre moradores de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, que não têm ligação terrestre com o restante do estado. Além da distância até Rio Branco, pacientes de municípios do Juruá dependem das condições da BR-364, rodovia que em determinados períodos torna a viagem entre as regiões ainda mais demorada.

A reconstrução da BR-364 também aparece entre os pontos ligados à proposta de saúde. A rodovia é tratada como via estratégica para integrar o estado e garantir o transporte de pacientes, profissionais, medicamentos e insumos entre as regionais.

Alan Rick também cita ações do mandato no Senado relacionadas à saúde no Juruá. Entre elas está a destinação de R$ 17 milhões para cirurgias eletivas no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, com a finalidade de reduzir a fila de espera por procedimentos.

“Nosso mandato garantiu os recursos para que esse mutirão fosse realizado e as pessoas pudessem voltar a enxergar uma solução para um problema que afeta milhares de famílias. Infelizmente, isso não aconteceu. Até hoje, o governo não explicou por que as cirurgias não foram realizadas nem apresentou uma prestação de contas sobre a aplicação desses recursos”, disse.

A proposta também prevê parcerias com hospitais de referência de outros estados para atender pacientes acreanos quando determinados procedimentos ainda não estiverem disponíveis no Acre. Alan Rick afirma que essa alternativa deve continuar enquanto a rede estadual não tiver condições de realizar todos os atendimentos especializados.

“Enquanto não tivermos todos os serviços disponíveis no Acre, o paciente não pode esperar. Vamos continuar buscando atendimento onde houver excelência, mas sem abrir mão de fortalecer nossas regionais. O objetivo é que, a cada ano, mais consultas, exames e cirurgias sejam realizados perto de casa, reduzindo filas, diminuindo o sofrimento das famílias e garantindo um atendimento cada vez mais digno”, declarou.

R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Eduardo Velloso promete priorizar saúde no Senado e cita ações no Juruá

O deputado federal Eduardo Velloso afirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que pretende colocar a saúde no centro de sua campanha ao Senado. O parlamentar citou serviços financiados pelo mandato no Vale do Juruá e defendeu uma atuação voltada aos municípios do interior do Acre.

“O Senado merece uma pessoa que tenha um olhar mais especial para a saúde”, declarou Velloso. Ele afirmou que também trabalha com infraestrutura, aquisição de máquinas e apoio aos produtores rurais, mas definiu a saúde como a principal área de atuação do mandato.

“Nosso forte é saúde. A principal pauta do interior é a saúde. Como eu sou municipalista e tenho esse olhar, vou continuar trabalhando para mudar a vida das pessoas”, disse.

Velloso citou a oferta de exames de ressonância magnética e atendimentos nas áreas de cardiologia e oftalmologia no Vale do Juruá. Segundo ele, os serviços não estavam disponíveis na região antes da destinação de recursos pelo mandato.

“No Vale do Juruá não existia ressonância, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de cardiologia, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de oftalmologia, e o nosso mandato levou”, afirmou.

O deputado também falou sobre o tratamento de pacientes com doenças reumáticas e sobre o uso de câmara hiperbárica para pessoas com diabetes que enfrentam feridas graves e risco de amputação.

“Hoje nós temos o tratamento da câmara hiperbárica para aquelas pessoas diabéticas que precisavam amputar um dedo ou uma perna. O nosso mandato levou”, declarou.

Outro projeto citado por Velloso foi a implantação de cirurgia robótica no Acre, em parceria com o governo estadual. O deputado afirmou que o serviço deverá atender homens com câncer de próstata e mulheres que precisam de procedimentos relacionados à histerectomia e à endometriose.

“Nosso mandato está trazendo agora, em parceria com o governo do Estado, a cirurgia robótica, que vai ajudar homens com câncer de próstata e mulheres na histerectomia e na endometriose”, disse.

O parlamentar não apresentou durante a entrevista os valores destinados aos serviços, o número de pacientes atendidos nem o cronograma completo dos projetos mencionados. Ele afirmou que pretende usar os resultados do atual mandato como base para pedir o voto dos eleitores.

“É dessa forma que a gente trabalha, mudando a vida das pessoas, principalmente no momento de maior dor, que é na falta de saúde”, declarou.

Ao ser questionado sobre possíveis ataques durante a campanha, Velloso afirmou que está preparado para responder sobre sua conduta e fez uma promessa pública de renunciar ao mandato caso seja comprovada alguma irregularidade envolvendo cobrança de propina.

“Quem não deve não teme. Se acharem um desvio da minha conduta, de pedir propina ou pedir alguma coisa, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou. O deputado acrescentou que espera o surgimento de acusações durante a disputa, mas disse acreditar que não haverá fatos concretos contra ele.

Velloso também afirmou que pretende evitar confrontos pessoais com antigos aliados e concentrar a campanha na apresentação de projetos e resultados.

“Não adianta eu ficar criticando. O nosso foco é trabalho. Cada um tem que mostrar o seu projeto e o seu trabalho”, declarou.

Com Clodoaldo ao lado, Velloso mira Senado e promete interior mais perto da saúde

O deputado federal Eduardo Velloso transformou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quinta-feira, 2 de julho, em Cruzeiro do Sul, numa largada pública para tentar ocupar espaço na disputa pelo Senado e vender ao Vale do Juruá uma ideia simples: a saúde será o centro do seu discurso, das suas alianças e da sua tentativa de subir de patamar na política acreana. Ao lado do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, Velloso falou de ressonância destravada, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas, atendimento nos municípios isolados, ligação com o Peru e de uma pré-candidatura que, nas palavras dele, está “cada vez mais crescendo”. A entrevista ganhou peso porque veio um dia depois de a governadora Mailza Assis aparecer em vídeo tratando o parlamentar como “novo senador”, frase que colocou fogo na sucessão de 2026 e obrigou Velloso a responder, no rádio, se já está dentro da chapa governista.

A pergunta veio direta. Chico Melo lembrou que Velloso havia entrado na política depois de uma vida profissional estável, como médico e empresário, e quis saber o que o empurrou para esse caminho. A resposta levou a conversa para o ponto que o deputado escolheu como território político: a dificuldade de atendimento no interior. Velloso citou a ressonância que estava parada, a chegada da cardiologia, a oftalmologia e a rotina de quem vive em Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que dependem de Cruzeiro do Sul quando a dor passa do limite do que o município consegue resolver. “A maior dor das pessoas é a saúde”, disse o deputado, antes de defender que cada município tenha, pelo menos, ortopedista, cirurgião, anestesista, clínico e pediatra.

Essa frase explica por que a entrevista não ficou presa apenas ao jogo eleitoral. No Juruá, saúde é disputa política porque é também a vida concreta de quem precisa sair de madrugada atrás de consulta, de quem espera exame, de quem sofre acidente em campo de futebol e encontra apenas um raio-x sem especialista para fechar diagnóstico, de quem depende de regulação para Rio Branco quando o problema já não pode esperar. Velloso sabe disso. E, como médico, tenta transformar essa experiência em capital político. Na Câmara dos Deputados, ele aparece oficialmente como Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna, deputado federal do Acre, filiado ao Solidariedade, médico de formação e integrante titular da Comissão de Saúde em 2026.

O anúncio mais imediato da manhã foi a entrega de 103 óculos para famílias sem condições de comprar, numa ação em parceria com o prefeito Zequinha Lima. Velloso disse que tinha o sonho de levar esse atendimento ao Juruá e creditou ao prefeito de Cruzeiro do Sul a execução da agenda. O deputado também citou a parceria com Clodoaldo, Maria Antônia e “Deda” ao afirmar que mais de R$ 10 milhões foram levados apenas para a saúde de Cruzeiro do Sul. Ele ligou esse dinheiro aos mutirões realizados no município e disse que as ações ajudaram a melhorar o atendimento da população.

Os números oficiais da Câmara reforçam o tamanho da aposta de Velloso na área. Em 2026, aparecem no orçamento R$ 11,8 milhões autorizados para estruturação de unidades de atenção especializada em saúde no Acre e R$ 7,5 milhões para custeio temporário da atenção primária. Também há R$ 13,5 milhões em transferências especiais no Estado. No ano anterior, em 2025, a Câmara registrou R$ 7,9 milhões autorizados, empenhados e pagos para custeio da atenção primária e R$ 11,4 milhões pagos em transferências especiais no Acre.

O que Velloso tentou fazer no rádio foi dar rosto a esses valores. A política de emendas costuma chegar ao eleitor como número solto, difícil de acompanhar, mas no interior ela vira ambulância, reforma, mutirão, exame, cadeira em unidade de saúde, iluminação de campo, apoio a instituição social ou quilômetro de asfalto. Foi nesse ponto que Clodoaldo Rodrigues entrou com força na entrevista. Ele não apareceu apenas como aliado sentado ao lado. Apareceu como fiador da relação de Velloso com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo, cujo nome completo é Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, é deputado estadual pelo PP na Assembleia Legislativa do Acre. O cadastro oficial do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo registra o parlamentar como filiado ao Progressistas e representante da Aleac. Na entrevista, ele fez questão de dizer que não votou em Velloso para deputado federal em 2022, mas acabou encontrando nele o principal parceiro para tocar demandas do mandato. “Quem é patrocinador? Só tenho o Velloso por enquanto”, disse Clodoaldo, numa frase que mostra tanto a gratidão política quanto a dependência de deputados estaduais em relação a emendas federais para atender suas bases.

Clodoaldo citou recursos para a Delegacia de Cruzeiro do Sul, o Educandário, os bombeiros, a Polícia Militar e outras instituições. Falou ainda de R$ 2,8 milhões destinados em dezembro de 2025 para entidades de Cruzeiro do Sul e para a iluminação do campo da Vila Santa Rosa, pedido ligado à vice-prefeita Delcimar Leite. Depois, ampliou a conta: disse que Velloso colocou R$ 3 milhões em suas mãos para o ramal Mariana de Cima e que o total no Deracre chega a R$ 11 milhões para obras na região do Juruá.

A fala de Clodoaldo também ajudou Velloso a atravessar a parte mais delicada da entrevista: a pergunta sobre Senado. A governadora Mailza Assis havia chamado o deputado de “novo senador”, e a frase foi lida imediatamente como recado sobre a composição da chapa governista. Velloso não cravou lugar na chapa, mas também não recuou. Disse que a pré-candidatura está crescendo e brincou que agora estaria “conquistando o coração” da governadora. Clodoaldo foi mais direto ao defender que Velloso pode ser candidato ao Senado com ou sem a presença formal na chapa de Mailza. Para ele, eleição majoritária tem outro comportamento e o deputado federal já tem condições de disputar.

Essa diferença de tom foi uma das partes mais reveladoras da manhã. Velloso mediu as palavras para não fechar portas. Clodoaldo falou como quem já trabalha a candidatura na rua. O deputado estadual disse que, quando Velloso pensou em disputar o Senado, chegou a aconselhá-lo a buscar a reeleição para a Câmara, mas agora trata o projeto como posto. A avaliação dele tem lógica eleitoral: Velloso entrou no debate com imagem ligada à saúde, circula com entrega concreta no Juruá, mantém interlocução com o governo e tenta ocupar uma vaga num cenário em que a sucessão estadual ainda depende de acordos mal resolvidos entre Mailza, Gladson Cameli, partidos da base e lideranças que querem espaço na majoritária.

A entrevista também atravessou um tema que vai além do Acre e mira a economia regional. Velloso defendeu que o Vale do Juruá pode ser porta de um novo ciclo por causa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Ele falou da presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá, entre elas um senador, um governador e representantes daquela região. O argumento do deputado é econômico: uma rota mais barata de transporte atrai quem quer comprar e vender, inclusive mercados asiáticos e a China.

Essa pauta não é detalhe. Quando um deputado fala em saúde no primeiro bloco e em Peru no segundo, ele tenta juntar duas dores antigas do Acre: o isolamento do cidadão diante do serviço público e o isolamento econômico diante dos grandes corredores de comércio. O Juruá conhece os dois problemas. A família que procura atendimento especializado e o comerciante que paga caro pelo frete fazem parte da mesma geografia. Velloso tenta dizer que pode tratar das duas pontas: levar especialista para perto de quem precisa e abrir caminho para que a região deixe de viver como fim de linha.

A presença da médica cardiologista Regiane Velloso, esposa do deputado, deu uma camada concreta ao debate sobre saúde. Ela lembrou que voltou ao Acre em 2006, trabalha como cardiologista na Fundação Hospitalar e ajudou a montar o serviço de alta complexidade em cardiologia, com cateterismo, stent e cirurgia cardíaca. Na entrevista, Regiane disse que, durante a campanha de 2022, percebeu que pacientes do Juruá com infarto não conseguiam chegar a Rio Branco a tempo. A partir daí, nasceu a promessa de levar cardiologia ao Hospital do Juruá. Dois anos depois, segundo ela, o serviço da Hemocárdio já funciona dentro da unidade.

Velloso completou esse ponto com um dado forte: mais de 1.360 procedimentos de coração realizados em Cruzeiro do Sul. Para o deputado, cada procedimento representa vida preservada e deslocamento evitado. Essa é a parte da entrevista com maior capacidade de chegar ao eleitor sem tradução política. Quem já viu um parente enfartar no interior entende a diferença entre ter atendimento perto e depender de viagem para a capital.

No fim, o Jornal da Manhã colocou Velloso diante de três testes ao mesmo tempo. O primeiro foi explicar por que quer o Senado. O segundo foi mostrar o que já entregou. O terceiro foi responder se sua candidatura nasce dentro do projeto de Mailza ou se tem fôlego próprio para sobreviver fora dele. Ele não fechou a equação, mas deixou claro que está em campanha. Falou como pré-candidato, apresentou serviços, chamou aliados para perto, usou a saúde como vitrine e deixou Clodoaldo fazer a defesa mais aberta de seu nome.

A entrevista também mostrou que Clodoaldo quer entregar o mandato com marca própria no Juruá. Ele disse que pode até não ser reeleito, mas desafiou qualquer deputado estadual a provar que colocou mais recursos ou teve mais presença em Cruzeiro do Sul e na região. É uma fala de quem sabe que a disputa de 2026 não será apenas por partido ou palanque. Será por lembrança. Quem levou recurso, quem apareceu, quem atendeu, quem abriu porta e quem sumiu.

Velloso saiu do estúdio com uma frase da governadora nas costas, um aliado estadual ao lado e uma agenda de saúde na mão. Não é pouco. Mas também não resolve tudo. O caminho até o Senado exige mais que mutirão, óculos, emenda e boa entrevista. Exige costura partidária, resistência a crises, capacidade de explicar alianças e, sobretudo, prova de que os recursos anunciados viram serviço permanente. No Juruá, promessa tem prazo curto. O eleitor escuta no rádio pela manhã e cobra na rua no mesmo dia.