Pago com dinheiro público, Leonardo evita imprensa na Expoacre e grava com governadora

Segundo o portal Contilnet, o cantor Leonardo não atendeu a imprensa antes do show realizado neste domingo, 2 de agosto, na Expoacre 2026, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco. A entrevista prevista foi cancelada, mas o artista recebeu a governadora Mailza Assis no camarim e participou de um vídeo divulgado nas redes sociais.

A recusa aos jornalistas ocorreu durante uma apresentação financiada com recursos públicos. Leonardo e Ana Castela foram contratados pelo Governo do Acre em um único processo de R$ 2,55 milhões. Do total, R$ 1.912.500 já foram pagos. O registro financeiro não separa quanto corresponde a cada artista.

Além do cancelamento das entrevistas, uma equipe do Alerta Cidade afirmou ter sido impedida de realizar a cobertura e tratada com grosseria por integrantes da produção responsável pelo show. A denúncia foi feita pelo jornalista e diretor do veículo, Iám Arábar, em um vídeo publicado após o episódio.

Arábar criticou o tratamento dispensado aos profissionais e afirmou que buscará informações sobre os gastos públicos relacionados à contratação. Ele também declarou que pretende divulgar os valores e mostrar como pessoas remuneradas com dinheiro público se comportam nos bastidores.

O jornalista citou ainda um episódio ocorrido durante a Expo Xapuri de 2025 e afirmou que o Alerta Cidade não aceitará desrespeito durante o exercício da atividade jornalística. O relato amplia os questionamentos sobre o acesso da imprensa aos bastidores de eventos custeados pelo poder público.

Leonardo também foi contratado para se apresentar na Expoacre Juruá, realizada em Cruzeiro do Sul. No Plano de Trabalho da Associação Transformar, R$ 2,1 milhões foram reservados exclusivamente para o show do cantor. As despesas de produção e logística das atrações nacionais apareceram em outra rubrica.

Em Rio Branco, a ausência de divisão do contrato impede saber quanto foi destinado individualmente a Leonardo. A recusa à imprensa também deixou sem resposta perguntas sobre o valor do show, as condições da contratação e os critérios usados pelo governo para pagar as atrações.

Não há prova de que o cantor tenha evitado os jornalistas por receio de perguntas sobre os valores. O episódio, porém, impediu que esses questionamentos fossem apresentados diretamente ao artista, enquanto a governadora teve acesso ao camarim e divulgou o encontro em suas redes sociais.

Hoje tem Leonardo na Expoacre; Governo do Acre custeia contrato de R$ 2,55 milhões com Ana Castela

O cantor Leonardo se apresenta neste domingo, 2 de agosto, na Expoacre 2026, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco. A apresentação terá entrada gratuita para o público, mas será custeada pelo Governo do Acre por meio de um contrato conjunto que também inclui o show de Ana Castela.

A Casa Civil empenhou R$ 2,55 milhões para a contratação das duas apresentações. O valor foi destinado à empresa Apolo Assessoria e inclui os artistas, bandas, equipes técnicas e a produção necessária para os shows.

Do total contratado, R$ 1.912.500 já foram pagos, o equivalente a 75% do valor. Os R$ 637.500 restantes ainda não constavam como liquidados ou pagos na última atualização dos registros públicos.

Como Leonardo e Ana Castela fazem parte do mesmo contrato, não há divisão pública do valor destinado a cada artista. Dessa forma, não é possível determinar quanto dos R$ 2,55 milhões corresponde ao show deste domingo e quanto será pago pela apresentação de Ana Castela, marcada para quinta-feira, 6 de agosto.

As contratações de atrações nacionais custeadas pelo governo para a Expoacre somam R$ 6,45 milhões. Além de Leonardo e Ana Castela, foram empenhados R$ 1,8 milhão para Wesley Safadão, R$ 1,3 milhão para Natanzinho Lima, R$ 500 mil para padre Fábio de Melo e R$ 300 mil para a Banda Som e Louvor.

Até a última atualização, R$ 2.162.500 já haviam sido pagos. O valor reúne os R$ 1.912.500 do contrato de Leonardo e Ana Castela e R$ 250 mil referentes à apresentação de padre Fábio de Melo.

Os contratos de Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Banda Som e Louvor ainda apareciam somente como empenhados, sem pagamentos registrados. Natanzinho Lima se apresenta nesta segunda-feira, 3 de agosto. Wesley Safadão sobe ao palco na quarta-feira, 5, e Ana Castela encerra a sequência na quinta-feira, 6.

Expoacre 2026 empenha R$ 3,4 milhões em novos shows e eleva pagamento de Leonardo e Ana Castela a R$ 1,9 milhão

Wesley Safadão, Natanzinho Lima e Som e Louvor concentram os novos empenhos; Instituto Novo Amanhã teve outros R$ 1,57 milhão liquidados pela Secretaria de Agricultura.

O Governo do Acre empenhou R$ 3,4 milhões para contratar três novas atrações da Expoacre 2026, em Rio Branco, e pagou mais R$ 637,5 mil pelo contrato conjunto dos shows de Leonardo e Ana Castela. Os lançamentos entraram no Portal da Transparência em 31 de julho e foram consultados neste sábado, 1º de agosto. A mesma atualização registra R$ 1,57 milhão liquidado para o Instituto Novo Amanhã organizar a Feira da Agricultura Familiar dentro da exposição.

Os três novos empenhos foram emitidos pela Casa Civil. Wesley Safadão foi contratado por R$ 1,8 milhão para o show de 5 de agosto. Natanzinho Lima receberá R$ 1,3 milhão pela apresentação marcada para 3 de agosto. A Banda Som e Louvor foi contratada por R$ 300 mil para subir ao palco em 7 de agosto.

Até a consulta realizada neste sábado, os R$ 3,4 milhões estavam empenhados, mas ainda não constavam como liquidados ou pagos. O empenho representa a reserva do recurso para cumprir a obrigação assumida pelo governo. A liquidação ocorre após a conferência do serviço ou das condições previstas no contrato, enquanto o pagamento corresponde à transferência efetiva do dinheiro.

O contrato de Natanzinho Lima em Rio Branco ficou R$ 400 mil abaixo do valor previsto para o mesmo artista na Expoacre Juruá. No plano de trabalho executado pela Associação Transformar, a apresentação realizada em Cruzeiro do Sul, em 30 de junho, foi orçada em R$ 1,7 milhão.

O orçamento do Juruá ficou 30,8% acima dos R$ 1,3 milhão contratados na capital. Na comparação inversa, o valor de Rio Branco foi 23,5% menor que o previsto para Cruzeiro do Sul.

Mesmo abaixo do orçamento da Expoacre Juruá, o contrato firmado em Rio Branco supera contratações públicas do cantor localizadas em outras cidades em 2026. Pedra Branca, na Paraíba, e Marabá, no Pará, registraram R$ 850 mil por apresentação.

A contratação acreana ficou R$ 450 mil acima desses dois contratos, diferença de 52,9%. Já os R$ 1,7 milhão previstos no plano da Expoacre Juruá correspondem ao dobro dos R$ 850 mil contratados nos outros municípios.

Wesley Safadão recebeu o maior empenho entre as três novas atrações: R$ 1,8 milhão. O valor também supera contratos públicos firmados pelo artista em outros municípios neste ano.

Em Tefé, no Amazonas, o cantor foi contratado por R$ 1,2 milhão para a Festa da Castanha, em contrato assinado em 27 de março. Em Itaitinga, no Ceará, a contratação publicada em março foi de R$ 1,3 milhão. Ourilândia do Norte, no Pará, reservou R$ 1,4 milhão para uma apresentação prevista para novembro.

O contrato da Expoacre supera o valor de Tefé em R$ 600 mil, diferença de 50%. Em relação a Itaitinga, o acréscimo foi de R$ 500 mil, ou 38,5%. Na comparação com Ourilândia do Norte, a diferença chegou a R$ 400 mil, equivalente a 28,6%.

A Banda Som e Louvor foi contratada pelo Governo do Acre por R$ 300 mil. Em Cascavel, no Ceará, um contrato publicado em 20 de julho fixou R$ 240 mil para uma apresentação marcada para 15 de agosto.

A diferença entre os dois contratos é de R$ 60 mil. O valor empenhado para a Expoacre ficou 25% acima do registrado no município cearense.

Além das novas contratações, a Casa Civil pagou mais R$ 637,5 mil pelo Contrato CC nº 45/2026, firmado com a empresa Apolo Assessoria para as apresentações de Leonardo e Ana Castela.

O Portal da Transparência registrava anteriormente R$ 1,275 milhão pago. Com o novo lançamento, o total transferido chegou a R$ 1.912.500, equivalente a 75% do contrato, fechado em R$ 2,55 milhões.

Os R$ 637,5 mil restantes ainda não constavam como liquidados ou pagos. Como o contrato reúne os dois artistas e o registro financeiro não separa os cachês, não é possível estabelecer quanto foi destinado a Leonardo e quanto corresponde à apresentação de Ana Castela.

Na Expoacre Juruá, o cachê de Leonardo foi previsto separadamente em R$ 2,1 milhões. A comparação com Rio Branco exige cautela porque, na capital, os R$ 2,55 milhões cobrem duas apresentações. O plano do Juruá também reservou, em outro item, R$ 2.448.520 para a produção e a logística do conjunto de atrações.

A atualização de 31 de julho também incluiu um empenho de R$ 1,57 milhão da Secretaria de Estado de Agricultura para o Instituto Novo Amanhã. O recurso será usado na realização da Feira da Agricultura Familiar dentro da Expoacre 2026.

A parceria está ligada ao Edital de Chamamento Público nº 04/2026 da Seagri e ao Processo SEI nº 0853.013719.00255/2026-06. O valor foi integralmente liquidado, mas ainda não aparecia como pago. A liquidação representa o reconhecimento, pelo órgão público, do direito da entidade ao recebimento após a conferência dos documentos e das condições previstas na parceria.

O Instituto Novo Amanhã já havia sido escolhido para receber R$ 8,106 milhões em outro eixo da Expoacre. Em 16 de julho, a Casa Civil publicou uma justificativa para destinar esse valor à entidade, responsável pela infraestrutura, logística e operação da arena.

A quantia fazia parte de um conjunto de R$ 22 milhões que a Casa Civil pretendia repassar a três organizações da sociedade civil depois de declarar deserto o Chamamento Público nº 002/2026.

Em 23 de julho, o plenário do Tribunal de Contas do Estado do Acre manteve, por unanimidade, uma medida cautelar que suspendeu a assinatura dos instrumentos, as transferências e os pagamentos relacionados ao procedimento conduzido pela Casa Civil.

O empenho de R$ 1,57 milhão lançado agora pertence a outro órgão, outro edital, outro processo administrativo e outro objeto. Não há, no registro financeiro consultado, elemento que permita incluir automaticamente a parceria da Secretaria de Agricultura na cautelar aplicada ao chamamento da Casa Civil.

Os dois procedimentos precisam ser tratados separadamente. O primeiro envolve R$ 8,106 milhões destinados à infraestrutura e à operação da feira e permanece alcançado pela suspensão do TCE-AC. O segundo destina R$ 1,57 milhão à Feira da Agricultura Familiar, foi conduzido pela Seagri e teve o valor integralmente liquidado em 31 de julho.

Governo empenha R$ 500 mil para show de padre Fábio de Melo na Expoacre 2026

O Governo do Acre empenhou R$ 500 mil para contratar o show do padre Fábio de Melo na Expoacre 2026, em Rio Branco. A reserva orçamentária foi registrada pela Casa Civil em 30 de julho e cobre a apresentação do artista, banda completa, equipe técnica e produção artística.

A contratação foi feita com a empresa Farol Musical, inscrita no CNPJ nº 45.315.776/0001-39, por meio do Contrato CC nº 46/2026. A despesa está vinculada ao Processo SEI nº 4002.008447.00859/2026-04 e ao empenho nº 4460010816, com recursos de fonte não vinculada do orçamento estadual.

Até 31 de julho, o valor ainda não havia sido liquidado nem pago. Os registros de execução orçamentária mantinham zerados os campos referentes à liquidação e ao pagamento.

O empenho reserva o dinheiro no orçamento, mas não representa transferência imediata à empresa. O pagamento depende da realização da despesa, da apresentação dos documentos previstos no contrato e da liquidação pelos setores responsáveis.

O valor contratado para Rio Branco ficou R$ 150 mil abaixo da previsão incluída no plano de trabalho da Expoacre Juruá. Para o evento realizado em Cruzeiro do Sul, a Associação Transformar reservou R$ 650 mil para o cachê de Fábio de Melo.

A previsão do Juruá ficou 30% acima dos R$ 500 mil contratados pela Casa Civil para a Expoacre da capital.

Os números, porém, têm naturezas diferentes. Em Rio Branco, os R$ 500 mil correspondem a um contrato formalizado com a empresa responsável pelo artista. No Juruá, os R$ 650 mil aparecem como previsão de cachê no plano de trabalho executado pela Associação Transformar.

O plano da Expoacre Juruá também reservou R$ 2,44 milhões para produção e logística do conjunto de atrações nacionais, incluindo passagens, hospedagem, alimentação e transporte. Essas despesas foram previstas separadamente do cachê dos artistas.

Em comparação com contratos públicos recentes, os R$ 500 mil empenhados pelo Governo do Acre para o show de padre Fábio de Melo em Rio Branco são R$ 220 mil superiores aos R$ 280 mil contratados pela Prefeitura de Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, em 2025, e R$ 240 mil acima dos R$ 260 mil pagos pelo município de Graça, no Ceará, em 2024. Já os R$ 650 mil previstos no plano de trabalho da Expoacre Juruá superam essas referências em R$ 370 mil e R$ 390 mil, respectivamente, ficando até 150% acima do menor valor pesquisado.

Governo paga metade de contrato de R$ 2,55 milhões por shows de Leonardo e Ana Castela

O Governo do Acre pagou R$ 1,275 milhão, metade de um contrato de R$ 2,55 milhões, à Apolo Assessoria pelos shows de Leonardo e Ana Castela na Expoacre 2026, em Rio Branco. A empresa contratada é uma microempresa aberta em 2022, registrada como empresário individual e com capital social declarado de R$ 1 mil.

O empenho nº 4460010814 foi emitido pela Casa Civil em 28 de julho de 2026 e está vinculado ao Contrato CC nº 45/2026 e ao processo SEI nº 4002.008447.00852/2026-84. A execução financeira reúne os dois artistas, suas bandas, equipes técnicas e a produção artística das apresentações.

O registro não divide quanto será pago a Leonardo, quanto ficará com Ana Castela e qual parcela será destinada à produção e aos demais serviços. A íntegra do contrato também não estava disponível nos portais públicos consultados até o fechamento desta matéria.

Sem as cláusulas, permanecem sem resposta a modalidade usada na contratação, as obrigações assumidas pela Apolo Assessoria, as empresas responsáveis pela representação dos cantores e as condições que permitiram o pagamento de metade do valor antes das apresentações.

Leonardo sobe ao palco da Expoacre no domingo, 2 de agosto. Ana Castela se apresenta na quinta-feira, 6. A programação financiada pelo governo também inclui Natanzinho Lima, Padre Fábio de Melo, Wesley Safadão e Som & Louvor. Bruno & Marrone serão contratados pela iniciativa privada, com cobrança de ingressos.

A distribuição dos ingressos para os shows promovidos pelo Estado começou nesta quarta-feira, 29 de julho. Cada pessoa precisa entregar dois quilos de alimentos não perecíveis por apresentação, com limite de quatro ingressos por CPF para cada show.

Nos dias 29 e 30 de julho, a troca ocorre em frente ao Palácio Rio Branco, das 8h às 20h. A partir de 31 de julho, os ingressos também serão distribuídos em supermercados parceiros. Os alimentos serão entregues a instituições sociais e famílias em situação de vulnerabilidade.

A doação de alimentos não paga os artistas. Os cachês e as demais despesas das apresentações organizadas pelo governo continuam sendo bancados com recursos públicos.

A contratação direta dos shows começou após o Tribunal de Contas do Estado suspender o modelo inicialmente planejado para a Expoacre. A Casa Civil pretendia repassar cerca de R$ 22 milhões a organizações da sociedade civil para executar diferentes partes da feira.

O Chamamento Público nº 002/2026 terminou sem interessados. Depois disso, o governo abriu procedimentos de dispensa de chamamento para escolher as entidades responsáveis pelos serviços.

Em 23 de julho, o TCE suspendeu os atos relacionados às organizações. A área técnica apontou restrição à competitividade, falta de estudos para comprovar os custos e falhas no planejamento. A decisão não impediu a realização da Expoacre, mas bloqueou o modelo de transferência dos recursos às entidades.

Após a cautelar, o chefe da Casa Civil, Cristovam Pontes, anunciou que o governo não recorreria à Justiça e faria as contratações diretamente. “Trabalhamos todo o final de semana para entregar os contratos e os processos prontos para que hoje a gente estivesse aqui anunciando os shows e os eventos”, declarou durante o lançamento da Expoacre.

O empenho de R$ 2,55 milhões para a Apolo Assessoria é o primeiro registro financeiro conhecido dessa nova forma de contratação. O valor também abre uma diferença que precisa ser explicada quando comparado ao orçamento elaborado para a Expoacre Juruá.

No Plano de Trabalho da Associação Transformar, a Casa Civil havia reservado R$ 2,1 milhões apenas para o show de Leonardo em Cruzeiro do Sul. Transporte, hospedagem, alimentação, passagens e produção das atrações nacionais estavam separados em outra despesa, de R$ 2,44 milhões.

Em Rio Branco, Leonardo e Ana Castela foram reunidos em um contrato de R$ 2,55 milhões, com bandas, equipes técnicas e produção artística. O valor é R$ 450 mil maior que os R$ 2,1 milhões reservados anteriormente para Leonardo sozinho no Juruá, uma diferença de 21,4%.

Os dois orçamentos não podem ser tratados como idênticos. Datas, locais, logística, duração dos shows e obrigações contratuais podem alterar os preços. Ainda assim, a Casa Civil precisa explicar por que o planejamento do Juruá destinava R$ 2,1 milhões apenas a Leonardo, com a logística separada, enquanto o contrato de Rio Branco reúne Leonardo, Ana Castela, bandas, equipes e produção por R$ 2,55 milhões.

Contratos firmados por outras administrações públicas também permitem comparar os valores. Em 2025, a Prefeitura de Princesa Isabel, na Paraíba, contratou Leonardo e sua empresa representante por R$ 800 mil. Em 2026, Ana Castela foi contratada por R$ 850 mil em Bauru e por R$ 900 mil em Cascavel, no Ceará.

Somadas, essas referências ficam entre R$ 1,65 milhão e R$ 1,7 milhão. O contrato do Acre supera esses valores entre R$ 850 mil e R$ 900 mil, diferença próxima de 50%.

Os preços não precisam ser iguais. Agenda, data, transporte, estrutura, duração da apresentação, distância e responsabilidades assumidas podem aumentar ou reduzir o custo. Para permitir uma comparação correta, a Casa Civil precisa publicar as propostas comerciais, os documentos usados como referência, as notas fiscais apresentadas para justificar os preços e a divisão dos R$ 2,55 milhões.

O valor conhecido ainda não representa o custo total dos shows da Expoacre. Até o fechamento desta matéria, não haviam sido identificados contratos financeiros em nome de Natanzinho Lima, Padre Fábio de Melo, Wesley Safadão ou Som & Louvor.

A despesa final dependerá desses quatro contratos e de possíveis pagamentos por palco, iluminação, som, geradores, segurança, camarins, transporte, alimentação e hospedagem.

A empresa que recebeu os R$ 1,275 milhão tem como razão social Kayque Cardoso de Souza e usa o nome fantasia Apolo Assessoria. O CNPJ 44.887.790/0001-44 foi aberto em 17 de janeiro de 2022, em São Paulo. A Apolo está registrada como empresário individual, enquadrada como microempresa e possui capital social declarado de R$ 1 mil. O valor corresponde a 0,08% dos R$ 1,275 milhão já pagos pelo Governo do Acre e a 0,04% do contrato total de R$ 2,55 milhões.

O endereço cadastrado fica na Rua Gonçalo da Costa, nº 46, sala 2, na Vila Santa Edwiges, em São Paulo. A atividade principal informada no cadastro empresarial é consultoria em gestão empresarial. A empresa também possui atividades secundárias ligadas à organização de eventos e à produção musical.

Não foram encontrados outros contratos públicos de valor semelhante vinculados ao mesmo CNPJ, nem registros públicos que comprovem a relação da Apolo com a Talismã Administradora de Shows, representante de Leonardo, ou com a Boiadeira Music, responsável pela carreira de Ana Castela.

O baixo capital social não impede uma empresa de contratar com o poder público e não comprova incapacidade financeira ou irregularidade. O dado, porém, aumenta a necessidade de o governo apresentar as garantias exigidas, a experiência da contratada, sua capacidade de executar o serviço e os vínculos formais com os artistas.

Também falta esclarecer se os R$ 1,275 milhão foram pagos como antecipação contratual, quais garantias o Estado exigiu antes de liberar o dinheiro e quando serão publicados o Contrato CC nº 45/2026 e os documentos usados para justificar o preço.

Expoacre 2026 é lançada em Rio Branco; Mailza garante realização dos shows

O governo do Acre lançou oficialmente, nesta terça-feira, 28 de julho, a programação da Expoacre 2026 e confirmou a manutenção dos shows nacionais. A apresentação ocorreu no Galpão do Empreendedorismo, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, onde a feira será realizada entre os dias 1º e 9 de agosto.

Durante o lançamento, a governadora Mailza Assis afastou as dúvidas sobre a realização das atrações após a suspensão de contratos pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre. “Vai ter Expoacre e todos os shows gratuitos, sim”, afirmou.

A programação musical terá Leonardo, Natanzinho Lima, Padre Fábio de Melo, Wesley Safadão, Ana Castela, a banda Som & Louvor e a dupla Bruno & Marrone. As apresentações serão distribuídas ao longo dos nove dias de feira, com início previsto para as 22h no palco principal.

O secretário-chefe da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, explicou que o governo alterou o modelo jurídico usado na organização da Expoacre. A administração estadual desistiu de recorrer à Justiça contra a decisão do TCE e substituiu os acordos com organizações da sociedade civil por contratações feitas diretamente pela Casa Civil.

A mudança foi definida com apoio da Procuradoria-Geral do Estado. As equipes trabalharam durante o fim de semana para reorganizar os processos administrativos e garantir a continuidade da programação. “O formato dos shows e o formato do evento serão idênticos ao do ano passado”, declarou Cristovam.

Os shows terão ingressos solidários. A primeira etapa de troca começa nesta quarta-feira, 29, e continua na quinta-feira, 30, em tendas montadas em frente ao Palácio Rio Branco. O atendimento será realizado das 8h às 20h, mediante a entrega de dois quilos de alimentos não perecíveis. Depois desse período, a distribuição continuará em supermercados credenciados da capital.

Os primeiros ingressos disponibilizados serão para as apresentações de Leonardo, marcada para domingo, 2 de agosto, e Natanzinho Lima, na segunda-feira, 3. A organização divulgará os demais pontos de troca e as datas de distribuição das entradas para os outros shows.

Além das atrações musicais, a Expoacre 2026 terá cavalgada, rodeio, vaquejada, motocross, exposição de animais, gastronomia, agricultura familiar e espaços destinados ao comércio, à indústria e aos serviços. A abertura ocorre no sábado, 1º de agosto, com a tradicional Cavalgada.

Naluh Gouveia alerta para uso de OSCs no repasse de R$ 22 milhões da Expoacre 2026

A suspensão dos atos relacionados ao repasse de R$ 22 milhões para a Expoacre 2026 levou o Tribunal de Contas do Estado do Acre a discutir os riscos da contratação de organizações da sociedade civil para administrar grandes eventos financiados com recursos públicos. Durante a 1654ª Sessão Ordinária do TCE-AC, a conselheira Naluh Gouveia afirmou que entidades estariam sendo criadas para movimentar dinheiro público sem controle adequado e cobrou maior rigor na aplicação do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

A análise ocorreu no processo que trata do chamamento público conduzido pela Secretaria de Estado da Casa Civil para a realização da feira agropecuária. A proposta inicialmente estimada em R$ 20 milhões passou para R$ 22 milhões após a divisão da execução do evento. O processo não apresentou memórias de cálculo, cotações de mercado ou justificativas técnicas suficientes para sustentar os valores e a alegação de urgência usada pela administração estadual.

Naluh afirmou que o problema não se limita ao Acre e fez uma acusação direta sobre a finalidade de parte das organizações que passaram a receber recursos públicos. “Hoje a gente tá vendo uma coisa muito triste no Brasil, e não é uma característica daqui só do nosso estado… Organizações sendo criadas literalmente para lavagem de dinheiro. Claro que a gente sabe que tem organizações sérias, mas hoje, na sua maioria, nós estamos com esse problema”, declarou durante o julgamento.

A fala foi feita no contexto da discussão sobre o uso da Lei nº 13.019/2014, que regulamenta as parcerias entre o poder público e as organizações da sociedade civil. O modelo foi criado para apoiar projetos de interesse social executados por entidades sem fins lucrativos, mas também passou a ser empregado na organização de feiras, festivais e shows financiados com verbas públicas.

Esses contratos podem envolver montagem de estruturas, segurança privada, sonorização, iluminação, divulgação e contratação de artistas. Para o TCE-AC, a ausência de detalhamento dos custos impede a comparação com os preços de mercado e reduz a capacidade de fiscalização sobre a destinação dos recursos.

Naluh lembrou que as organizações não governamentais tiveram papel importante no atendimento de comunidades e grupos que não recebiam assistência adequada do Estado. Citou como exemplo o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular, o Cedep, que atua há décadas no enfrentamento à violência contra a mulher.

A conselheira questionou, porém, a contratação de entidades sem experiência compatível com o objeto das parcerias e criticou a participação de organizações ligadas a lideranças religiosas na produção de eventos sem caráter religioso. “A gente não consegue entender como é que pastores hoje estão fazendo eventos não religiosos… virou uma coisa absurda e a gente precisa estar muito atento a isso.”

A preocupação também alcança os municípios. Naluh afirmou que procedimentos adotados pelo governo estadual podem ser repetidos pelas prefeituras na contratação de estruturas e atrações para festas tradicionais. Durante a sessão, ela citou o Festival do Açaí, em Feijó, e o Festival do Amendoim, em Senador Guiomard, como eventos importantes para a economia e a cultura locais, mas que precisam cumprir as regras de contratação e prestação de contas.

“É bonito você ter em Feijó o festival do açaí, você ter em Senador Guiomard o festival do amendoim. É uma coisa muito saudável. Mas não se pode aproveitar esse tipo de situação para não fazer os processos direito. É dinheiro público, e a gente precisa ter respeito”, alertou.

Naluh também informou que o Tribunal preparava uma medida cautelar relacionada à Prefeitura de Tarauacá. Segundo a conselheira, o processo analisado apresentava risco de sobrepreço superior a R$ 10 milhões e utilizava procedimentos semelhantes aos questionados no caso da Expoacre.

A medida cautelar sobre a Expoacre 2026 foi relatada pelo conselheiro Ronald Polanco e aprovada por unanimidade. A decisão suspendeu os atos da Casa Civil ligados ao chamamento público até que o governo apresente informações capazes de comprovar os custos, justificar o modelo de contratação e demonstrar a compatibilidade dos valores com o mercado.

A suspensão não impede a realização da feira. O Tribunal cobra a correção do processo antes da transferência dos recursos. A decisão coloca sob revisão um modelo que transfere milhões de reais para entidades privadas encarregadas de executar despesas que, em uma contratação comum, exigiriam pesquisa de preços, definição detalhada dos serviços e fiscalização direta do poder público.

Prefeitura de Rio Branco instala gabinete e amplia espaço na Expoacre 2026

A Prefeitura de Rio Branco terá uma estrutura ampliada e instalará temporariamente o gabinete do prefeito no Parque de Exposições durante a Expoacre 2026. O espaço reunirá secretarias, serviços e projetos municipais com o objetivo de atender a população, apresentar ações da gestão e ampliar parcerias com setores ligados ao comércio e ao desenvolvimento econômico da capital.

Os preparativos foram acompanhados neste sábado, 25 de julho, pelo prefeito Alysson Bestene, durante uma visita técnica ao parque. A estrutura municipal terá a participação de diferentes áreas da administração, entre elas as secretarias de Agricultura e Turismo.

O público poderá conhecer serviços e projetos executados pelo município ao longo da feira, que reúne atividades comerciais, culturais e de entretenimento. A prefeitura também pretende usar o espaço para reuniões com representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas, da Associação Comercial e de outras entidades.

“A Prefeitura terá um espaço maior para mostrar tudo o que vem realizando em Rio Branco, com várias secretarias presentes. Também será um ambiente para discutir bons projetos, fortalecer parcerias e criar oportunidades para novos negócios”, afirmou Bestene.

Parte da administração municipal funcionará no Parque de Exposições por aproximadamente uma semana. O gabinete instalado no local será usado para despachos, reuniões e atendimentos durante a programação.

O prefeito afirmou que a mudança temporária também pretende aproximar a gestão dos moradores e ampliar a presença do município no Segundo Distrito. Ele ainda citou a parceria entre a prefeitura e o governo estadual na realização de ações conjuntas, como o programa Prefeitura nas Ruas.

Após ação do TCE, como ficam os shows “grátis” da Expoacre 2026?

Ao votar pela suspensão dos atos relacionados à contratação da Expoacre 2026, o conselheiro Ronald Polanco foi além das falhas encontradas no processo de R$ 22 milhões conduzido pela Casa Civil. Em sua manifestação, defendeu que a principal feira do Acre seja voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, em vez de ter sua identidade reduzida à contratação de grandes atrações musicais.

A medida cautelar aprovada nesta quinta-feira, 23, impede, por enquanto, a assinatura das parcerias, os repasses de recursos e os pagamentos previstos no procedimento. O Tribunal de Contas do Estado apontou problemas no planejamento, na justificativa dos valores, na concorrência e na definição dos serviços que seriam executados.

Os detalhes da decisão já foram apresentados pelo Integração Net. A questão que permanece agora é outra: o que a suspensão representa para um evento cuja divulgação foi construída principalmente em torno de shows anunciados como “gratuitos”?

A feira passou a ser divulgada pelos shows

Nos últimos anos, o governo do Acre consolidou um modelo em que a Expoacre deixou de ser divulgada principalmente como uma vitrine da produção rural, industrial e comercial. A feira passou a ser apresentada ao público pela programação de artistas nacionais.

Primeiro são anunciados os cantores. Depois aparecem os discursos sobre produção, negócios, inovação e fortalecimento da economia.

As apurações realizadas pelo Integração Net mostram que esse formato não se limita à estratégia de comunicação. Ele também aparece na distribuição dos recursos públicos.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, as estruturas estaduais responsáveis pelas áreas de indústria, ciência, tecnologia, comércio e turismo pagaram R$ 170,4 milhões.

Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas relacionadas à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festivais, festas, shows, atrações nacionais e comemorações do Dia do Trabalhador. O valor representa 44,7% de tudo o que foi pago no período.

A soma não corresponde apenas aos cachês. Também envolve palcos, tendas, sonorização, iluminação, camarotes, logística, produção, divulgação, organização dos eventos e termos de colaboração firmados com entidades privadas.

Ainda assim, o volume ajuda a compreender a prioridade assumida pela política pública.

No mesmo período, a promoção comercial recebeu R$ 85,2 milhões, enquanto a promoção industrial ficou com R$ 16,5 milhões. Para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram aplicados na promoção comercial.

A realização de feiras não é, por si só, incompatível com uma política de desenvolvimento. Esses eventos podem abrir mercados, divulgar produtos, atrair compradores e gerar negócios.

A questão é saber quanto desse dinheiro deixa resultados permanentes para a economia acreana e quanto se encerra depois que os palcos, camarotes e demais estruturas são desmontados.

Expoacre Juruá destinou mais da metade do orçamento aos shows

O caso mais recente ajuda a compreender como esse modelo funciona.

O Integração Net obteve o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar para executar a Expoacre Juruá 2026. O documento deu origem ao Termo de Colaboração nº 01/2026, assinado com a Casa Civil, no valor global de R$ 16.648.310.

Os registros oficiais consultados pelo Integração Net mostram R$ 15.848.310 transferidos à associação para a realização do evento.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima, R$ 750 mil para Ícaro e Gilmar, R$ 650 mil para Tierry, R$ 650 mil para Padre Fábio de Melo e R$ 400 mil para a Banda Morada.

Os seis cachês somaram R$ 6,25 milhões.

Além disso, foram reservados R$ 2.448.520 para a produção e a logística dos artistas. A rubrica incluía passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins, excesso de bagagem, direitos autorais e outros custos operacionais.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais chegaram a R$ 8.698.520.

Com a inclusão de uma atração infantil de R$ 50 mil, o conjunto destinado às apresentações e à operação dos shows alcançou R$ 8.748.520, aproximadamente 52,5% de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Mais da metade dos recursos previstos no plano foi destinada aos artistas nacionais e à estrutura necessária para colocá-los no palco.

Cachê de Leonardo superou o custo da estrutura geral

Toda a estrutura geral da feira, incluindo palco, tendas, camarotes, banheiros e espaços de apoio, foi orçada em R$ 1.981.440.

Somente o cachê de Leonardo, de R$ 2,1 milhões, ficou R$ 118.560 acima do valor destinado à estrutura geral do evento.

Para artistas locais e regionais, o plano reservou R$ 612.500. Os seis cachês nacionais representaram mais de dez vezes o montante separado para o conjunto das atrações locais.

Valores ficaram acima de contratos usados na comparação

O Integração Net também comparou os valores apresentados pela Associação Transformar com contratos públicos recentes dos mesmos artistas em outras partes do país.

Os cachês previstos para a Expoacre Juruá somaram R$ 6,25 milhões. As referências públicas encontradas totalizaram R$ 2,74 milhões. A diferença chegou a R$ 3,51 milhões.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, enquanto uma contratação pública usada na comparação registrou R$ 800 mil.

Para Natanzinho Lima, foram previstos R$ 1,7 milhão, diante de uma referência de R$ 800 mil.

Tierry foi orçado em R$ 650 mil, enquanto outro contrato público registrou R$ 250 mil.

A diferença, isoladamente, não comprova sobrepreço. Cachês podem variar conforme data, local, duração, agenda e condições da apresentação.

Todos os valores previstos para a Expoacre Juruá, no entanto, ficaram acima das referências analisadas.

As despesas decorrentes da distância de Cruzeiro do Sul também não estavam incluídas nos cachês. O plano já possuía uma rubrica separada de R$ 2,44 milhões para transporte, hospedagem e produção.

A gratuidade termina no orçamento público

Os shows da Expoacre são apresentados como gratuitos porque o público não precisa comprar ingresso. Isso não significa que não exista custo.

Os artistas recebem cachês. As equipes recebem passagens, hospedagem, alimentação e transporte. O governo paga palco, som, iluminação, camarins, segurança, divulgação e produção.

A população não paga na bilheteria, mas paga por meio do orçamento público. Muda apenas a forma de cobrança.

O caso da Expoacre Juruá mostra o tamanho dessa conta. Mais de R$ 8,7 milhões foram reservados aos shows nacionais e à logística das atrações.

Esse modelo ajuda a explicar por que a manifestação de Ronald Polanco tem alcance maior do que a cautelar aplicada ao processo de 2026.

Ao defender uma Expoacre voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, o conselheiro colocou em discussão uma inversão que foi normalizada ao longo dos anos: os shows deixaram de ser uma parte da feira e passaram a ocupar o centro dela.

Atrações foram anunciadas antes da suspensão

A Expoacre Rio Branco 2026 já foi divulgada com atrações como Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela. Os nomes dos artistas foram utilizados como principal chamariz da programação.

Ao mesmo tempo, o processo de R$ 22 milhões que daria suporte à execução da feira está suspenso pelo Tribunal de Contas.

O governo ainda poderá apresentar documentos, corrigir os problemas, justificar os preços ou adotar outro modelo de contratação.

A Expoacre não foi cancelada, e os shows também não foram formalmente proibidos.

A cautelar, porém, criou uma questão que o governo precisará responder: como serão mantidas as atrações já anunciadas se os repasses previstos não podem ser realizados da forma planejada?

A administração vai corrigir o procedimento, reduzir os custos, contratar os shows por outro caminho ou retirar atrações da programação?

Também poderá aproveitar a decisão do TCE para devolver à Expoacre o caráter de feira de produção, negócios e desenvolvimento econômico defendido por Ronald Polanco.

Depois de anos anunciando shows como “gratuitos”, o governo terá de explicar quem vai pagar a conta e de que forma, caso o modelo de contratação permaneça suspenso.

Foto: Voz do Norte

TCE-AC suspende atos da Expoacre 2026 por indícios de irregularidades

O Tribunal de Contas do Estado do Acre aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (23), uma medida cautelar que determina a suspensão imediata dos atos relacionados ao Chamamento Público nº 002/2026 e à posterior dispensa preparada pela Casa Civil para a realização da Expoacre Rio Branco 2026. A decisão bloqueia assinaturas de termos de parceria, repasses financeiros e pagamentos diante de falhas encontradas no processo que prevê o uso de R$ 22 milhões.

O Pleno acompanhou o voto do conselheiro Ronald Polanco, relator do processo. A medida acolheu o relatório preliminar da Secretaria de Controle Externo, que encontrou problemas na definição do objeto, restrição à concorrência, falta de planejamento e ausência de estudos técnicos para justificar os custos da feira.

Durante a sessão, Polanco chamou atenção para as mudanças feitas após o primeiro procedimento. “Primeiro, houve um chamamento inicial no valor de R$ 20 milhões. Uma organização da sociedade civil participou, apresentou toda a documentação, mas isso não foi levado em consideração. Logo em seguida, foi realizado outro chamamento público, com o valor alterado para R$ 22 milhões e com a indicação da participação de três organizações.”

Uma das exigências questionadas obrigava as organizações da sociedade civil interessadas a manter sede ou filial no Acre. Para a equipe técnica, a condição restringiu a participação de possíveis concorrentes.

A auditoria também contestou o uso da dispensa de chamamento público com base na urgência para realizar o evento. A situação ocorreu após o procedimento inicial ser declarado deserto, mas o relatório atribuiu a proximidade da feira à falta de planejamento da própria administração.

Depois de declarar que nenhuma proposta havia sido apresentada, a Casa Civil mudou o modelo de execução da Expoacre. O orçamento passou de R$ 20 milhões para R$ 22 milhões, o objeto foi dividido em três eixos e a quantidade de atrações nacionais aumentou.

As mudanças ocorreram sem estudos de mercado, pesquisas de preços, planilhas detalhadas ou documentos que comprovassem a vantagem econômica da nova configuração. O TCE-AC considerou que a continuidade do processo poderia permitir o repasse de R$ 22 milhões sem comprovação de que os valores estavam de acordo com os preços praticados no mercado.

Polanco afirmou que a falta de informações não se restringe ao processo da Expoacre. “Existem mais de R$ 30 milhões, aproximadamente R$ 32 milhões, sobre os quais estamos solicitando informações, mas elas não chegam ao Tribunal. Anteriormente, também houve outra decisão envolvendo um valor de aproximadamente R$ 88 milhões, que consta no Portal da Transparência do governo.”

O conselheiro afirmou que o volume de recursos transferidos por meio de organizações da sociedade civil exige maior controle. “Estamos falando de um volume expressivo de recursos públicos que não está sendo acompanhado adequadamente. O Tribunal de Contas já adotou decisões anteriores buscando regulamentar essas parcerias, porque nós não estamos conseguindo ter controle sobre a aplicação desses recursos.”

O novo modelo distribuiu a execução da feira entre três organizações. O Instituto Novo Amanhã ficou responsável pela infraestrutura, logística e operação da arena, com valor estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena assumiria os shows, o entretenimento e as atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar cuidaria da segurança, do apoio logístico e da comunicação social, por R$ 3,907 milhões.

O relator esclareceu que os R$ 22 milhões não correspondem ao custo integral do evento. “Esses R$ 22 milhões não representam o valor total da Expoacre. O recurso é destinado somente à gestão de três componentes, conforme destaquei no voto.”

A cautelar não impede a realização da Expoacre 2026. A decisão condiciona o uso dos recursos públicos à correção das falhas e à apresentação de estudos técnicos, pesquisas de preços, planilhas de custos e justificativas para as alterações feitas pela Casa Civil.

Polanco defendeu a criação de uma mesa de diálogo entre os órgãos e entidades envolvidos. “Este é o momento de construirmos uma mesa consensual, com a participação de todos os atores envolvidos. No caso da Expoacre 2026, existem vários participantes.”

O secretário de Estado da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, terá até dois dias úteis para suspender todos os atos decorrentes do chamamento público e da dispensa correspondente. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 500.

A Casa Civil recebeu prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos ao tribunal. O processo também será encaminhado ao Ministério Público de Contas antes de uma nova deliberação.

O relator afirmou que o acompanhamento busca esclarecer os custos da feira e ampliar o espaço destinado aos setores produtivos. “O objetivo é acompanhar tudo de perto para que, no futuro, não existam dúvidas sobre os custos de uma Expoacre. Queremos também que ela seja uma festa da produção, e não apenas uma festa fora de época. Precisamos garantir que os setores e os atores da produção sejam cada vez mais prestigiados.”

Participaram da sessão a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, e os conselheiros Antônio Jorge Malheiro, Ribamar Trindade, Ronald Polanco, Mário Sérgio Neri e Naluh Gouveia. A procuradora-geral do Ministério Público de Contas em exercício, Anna Helena de Azevedo Simão, também acompanhou a votação.

Antes da cautelar, o IntegraçãoNet já vinha publicando informações sobre o aumento do orçamento, a divisão da Expoacre entre os três institutos, os pagamentos anteriores feitos pelo governo estadual às entidades e as relações políticas, administrativas e religiosas encontradas em torno de parte das organizações.

No caso do Instituto Vida Plena, a cobertura mostrou que o presidente cadastral, Roniere Ferreira Xavier, firmou em 2024 um termo de fomento de R$ 20 mil com a estrutura administrativa comandada por Mailza Assis, que na época acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

A relação mais próxima passa pelo pastor Reginaldo Ferreira da Silva. Ele trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e foi nomeado pela governadora, em abril de 2026, secretário adjunto de Governo.

Reginaldo não aparece como presidente formal do Vida Plena, mas já foi apresentado publicamente como líder e colaborador da entidade. O instituto também funciona no mesmo endereço da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, presidida por ele. Essas relações comprovam convivência política, administrativa e religiosa, mas não provam que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido no processo ou que tenha ocorrido desvio de recursos.

No Instituto Bem-Estar, anteriormente chamado Instituto Calegário, as relações encontradas são principalmente político-partidárias. A entidade mantém proximidade histórica com o grupo do deputado estadual Fagner Calegário.

Uma diretoria registrada para o período de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, enquanto Aldeneide foi nomeada pela governadora, em julho de 2026, para presidir o Instituto de Meio Ambiente do Acre.

A antiga participação dos dois na entidade e a proximidade do grupo de Calegário com o projeto político de Mailza mostram uma rede de relações partidárias, mas não comprovam participação deles na escolha do instituto para a Expoacre.

A situação do Instituto Novo Amanhã é diferente. A apuração não encontrou ligação nominal comprovada entre Mailza, sua rede política ou religiosa e a atual presidente da entidade, Deania Marques da Silva Xavier.

Os questionamentos sobre o Novo Amanhã estão relacionados à mudança recente de comando e ao tamanho do contrato. Deania assumiu o cadastro em abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado ocorreu em junho, e o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões antes de ser incluído no eixo da Expoacre estimado em R$ 8,106 milhões.

Os três institutos já acumulavam cerca de R$ 17,8 milhões em pagamentos estaduais antes das dispensas destinadas à feira. Os R$ 22 milhões previstos para a Expoacre representam estimativas das novas parcerias e não pagamentos confirmados.

A decisão do TCE-AC ocorre após o IntegraçãoNet levantar questionamentos sobre a falta de concorrência, a mudança do orçamento, a divisão do evento entre três entidades, os pedidos de informações ainda não atendidos e as conexões existentes em torno de parte dos institutos. A cautelar interrompe o processo até que a Casa Civil apresente documentos capazes de comprovar a regularidade, a necessidade e a compatibilidade dos valores previstos.

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