80 novos ônibus de Rio Branco estão prontos e chegam em outubro

Os 80 novos ônibus que vão integrar o transporte coletivo de Rio Branco já estão prontos em Botucatu, no interior de São Paulo, e podem ser enviados ao Acre nos próximos dias. A previsão é que as primeiras unidades sejam entregues na capital acreana a partir de 1º de outubro.

Os veículos foram adquiridos pela COM Rio Branco, empresa do grupo JTP responsável pela operação do sistema. A nova frota terá 60 ônibus do modelo Apache VIP V e outros 20 do Apache VIP VI, fabricados pela Caio.

Os ônibus Apache VIP V têm capacidade informada para até 84 pessoas. Já as unidades do Apache VIP VI podem transportar até 72 passageiros. Os dois modelos possuem duas portas e espaços destinados a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A frota será entregue com ar-condicionado, poltronas acolchoadas, tomadas USB para carregamento de celulares e outros dispositivos, elevadores de acessibilidade, sistema de monitoramento por GPS e tecnologia de bilhetagem eletrônica.

As 20 unidades do Apache VIP VI também contam com sistema de portas embutidas, recurso desenvolvido para ampliar o isolamento térmico e acústico do veículo e auxiliar no funcionamento do ar-condicionado. O piso possui revestimento antiderrapante, enquanto a iluminação interna utiliza tecnologia LED.

A chegada dos veículos faz parte da renovação do transporte coletivo da capital. O cronograma mais recente prevê o início das entregas em outubro. Antes, a previsão divulgada era de que os primeiros ônibus chegassem até o fim de setembro e entrassem em operação durante outubro.

Com a incorporação dos 80 veículos, a frota em circulação na cidade deverá superar a marca de 100 ônibus. A definição das linhas que receberão as novas unidades e o cronograma completo para a entrada dos veículos em operação ainda dependem da organização do sistema de transporte da capital.

TRE-AC mantém indeferimento da candidatura de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) manteve, nesta terça-feira (22), o indeferimento do registro da candidatura de Gladson Cameli ao Senado nas eleições de 2026. A decisão foi tomada por unanimidade durante o julgamento de embargos de declaração apresentados pela defesa no processo de registro de candidatura.

Os embargos foram acolhidos parcialmente pelos integrantes da Corte, mas apenas para corrigir um erro material no Acórdão nº 7.445/2026. A alteração não modificou o resultado do julgamento que havia negado o registro da candidatura.

O processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000 envolve o pedido de registro apresentado pela coligação Avança Acre e uma ação de impugnação ao registro de candidatura. O caso trata de inelegibilidade decorrente de condenação criminal por órgão colegiado.

Gladson Cameli apresentou os embargos contra o acórdão que havia indeferido seu registro para disputar o cargo de senador. O relator, juiz Thalles Vinícius de Souza Sales, votou pelo acolhimento parcial exclusivamente para a correção do erro material, entendimento acompanhado pelos demais integrantes do tribunal.

A sessão foi presidida pelo desembargador Lois Carlos Arruda. Participaram do julgamento o desembargador Samoel Evangelista, as juízas Lilian Braga e Rogéria Mesquita e os juízes Jair Facundes, Thalles Sales e Emerson Costa. O procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro esteve presente.

TRE-AC dá três dias à Casa Civil para entregar ponto de servidora em ação contra Mailza

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deu prazo de três dias para que a Casa Civil do Estado apresente a folha de pagamento e os registros de frequência de agosto de Eula Sarah da Costa Romão, ex-servidora comissionada citada em uma representação eleitoral contra a governadora Mailza Assis, candidata à reeleição. A Justiça apura a acusação de que Eula teria prestado serviços em um imóvel ligado à campanha durante horário de expediente no serviço público.

A determinação foi assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, auxiliar da Propaganda Eleitoral, e publicada nesta terça-feira, 22 de setembro. A documentação deverá permitir a verificação do último dia em que Eula efetivamente trabalhou no governo e se houve registro de frequência após a data apontada oficialmente para a exoneração.

A representação foi apresentada pela Coligação Trabalho da Esperança, formada por Republicanos, PSD, Novo e Avante. Mailza Assis e Eula Sarah aparecem como representadas no processo que tramita no TRE-AC.

A acusação envolve um episódio ocorrido em 28 de agosto. A coligação sustenta que Eula teria realizado atividades de limpeza, manutenção e descarte de lixo em um prédio usado por uma produtora vinculada à campanha de Mailza, durante o período em que deveria estar cumprindo expediente no governo. As alegações ainda estão sob análise da Justiça Eleitoral.

A defesa apresentou como argumento a exoneração da servidora, com efeitos retroativos a 15 de agosto. O Decreto nº 16.497-P foi assinado em 1º de setembro e publicado no Diário Oficial do Estado, estabelecendo que o desligamento produziria efeitos a partir daquela data anterior ao episódio questionado.

Eula havia sido nomeada em abril para um cargo em comissão do Grupo de Chefia, Assistência e Assessoramento, referência CAS-3, no Gabinete da Governadora.

A divergência sobre a situação funcional levou o TRE-AC a buscar os registros de ponto. A Justiça quer esclarecer se, apesar dos efeitos retroativos do decreto de exoneração, a servidora continuou exercendo atividades no governo depois de 15 de agosto.

Mailza também recebeu prazo de dois dias para informar se a campanha, o comitê eleitoral ou a produtora responsável pelo marketing mantém contrato de aluguel ou custeio do imóvel citado na representação, localizado em Rio Branco.

As defesas pediram o encerramento do processo sem novas diligências, mas o magistrado manteve a apuração. A decisão considerou necessária a obtenção dos documentos que permanecem sob controle da administração estadual para esclarecer as circunstâncias do caso.

A representação continua em andamento e não há, até o momento, decisão definitiva sobre a existência de irregularidade. A eventual apuração de abuso de poder político, com consequências eleitorais distintas das discutidas neste processo, deverá ocorrer em ação própria.

Acre pagou R$ 14,7 milhões por transporte aeromédico em 2026; dois pacientes morreram à espera de avião

Duas mortes registradas em menos de duas semanas no interior do Acre colocaram sob questionamento o funcionamento das remoções aeromédicas contratadas pelo governo estadual. Em Feijó e Santa Rosa do Purus, pacientes em estado grave morreram enquanto aguardavam transferência aérea para atendimento de maior complexidade. No mesmo ano, o Estado já desembolsou R$ 14,75 milhões em pagamentos identificados diretamente como transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

O caso mais recente ocorreu em Feijó. O servidor público municipal Anderson Montefusco, de 32 anos, morreu na segunda-feira (21) após sofrer um infarto. O prefeito Railson Ferreira afirmou que o paciente foi estabilizado pela equipe médica e teve a transferência solicitada pelo TFD, mas a aeronave não chegou. “Tinha condições de embarcar e sair de Feijó para ter a vida salva. Mas a aeronave não veio”, declarou.

Treze dias antes, Davi de Lima, de 34 anos, morreu em Santa Rosa do Purus após ser esfaqueado e permanecer por mais de 12 horas aguardando transferência para Rio Branco. O prefeito Tamir Sá também questionou a demora no atendimento aéreo. “Tem tanto avião e helicóptero à disposição, e eles deixaram o rapaz morrer sem receber o transporte aéreo”, afirmou.

As declarações dos prefeitos levantam questionamentos sobre a regulação e a disponibilidade do serviço, mas não permitem concluir que a demora no transporte tenha provocado as mortes ou que tenha ocorrido negligência do Estado. Uma conclusão desse tipo depende da análise dos prontuários, dos horários de solicitação e autorização das transferências, do acionamento das empresas e da disponibilidade de aeronaves em cada ocorrência.

Os valores movimentados pelo governo dão dimensão do serviço contratado. Registros de despesas estaduais analisados pelo Grupo Integração mostram que a Ortiz Táxi Aéreo Ltda. e a Rio Branco Aerotáxi Ltda. receberam juntas R$ 31.640.661,22 em 2026.

A Ortiz recebeu R$ 26.657.784,12, enquanto a Rio Branco Aerotáxi acumulou R$ 4.982.877,10. O total, porém, inclui contratos de diferentes órgãos e serviços que não envolvem necessariamente transporte de pacientes.

Ao separar apenas os empenhos cujo histórico menciona expressamente transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou TFD, os pagamentos somam R$ 14.751.146,80 neste ano. A Ortiz recebeu R$ 10.602.269,70 desse montante, e a Rio Branco Aerotáxi, R$ 4.148.877,10.

Os outros R$ 16.889.514,42 pagos às duas empresas correspondem a diferentes serviços de aviação. Os registros incluem fretamentos ligados à Casa Civil, Educação, Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Obras Públicas e à própria Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), além de transporte de carga, Saúde Itinerante e translado de esquifes.

A Casa Civil responde por cerca de R$ 12,21 milhões pagos à Ortiz em 2026. Os registros abrangem fretamentos para atender demandas da pasta, do Gabinete do Governador e de outros órgãos estaduais.

Na Saúde, além dos R$ 10,6 milhões classificados diretamente como serviços aeromédicos, a Ortiz recebeu aproximadamente R$ 1,42 milhão por outros serviços. Desse valor, cerca de R$ 649 mil correspondem a translado de esquifes, R$ 225 mil à Saúde Itinerante e aproximadamente R$ 544 mil a outros fretamentos destinados à Sesacre.

Na Rio Branco Aerotáxi, a maior parte dos pagamentos está ligada diretamente à área da Saúde. Dos R$ 4,98 milhões recebidos pela empresa, R$ 4,15 milhões aparecem associados à evacuação e à transferência de pacientes em UTI aérea. Outros R$ 834 mil foram pagos pelo Iteracre.

Parte dos R$ 14,75 milhões desembolsados em registros aeromédicos neste ano não corresponde a serviços necessariamente prestados em 2026. Cerca de R$ 3,99 milhões estão classificados como despesas de exercícios anteriores, ou seja, foram pagos neste ano, mas se referem a obrigações de períodos anteriores. Aproximadamente R$ 10,76 milhões aparecem como despesas do exercício atual.

A dependência da aviação para assistência à saúde no interior já havia sido reconhecida pelo próprio governo. Em março, o Executivo informou que os aeródromos estaduais são essenciais para municípios de difícil acesso terrestre e para operações relacionadas ao atendimento de saúde. Feijó e Santa Rosa do Purus estão entre as cidades atendidas pela estrutura aeroportuária estadual.

Outro ponto envolve valores devidos à Ortiz que já passaram pela etapa de liquidação da despesa, mas não apareciam como pagos na base consultada até 17 de setembro. A empresa acumulava R$ 31.638.971,82 empenhados, R$ 28.776.208,30 liquidados e R$ 26.657.784,12 efetivamente pagos.

A diferença entre o valor liquidado e o pago era de R$ 2.118.424,18. Desse total, R$ 745.936,18 correspondem a empenhos identificados diretamente como transporte aeromédico. Outros R$ 1.372.488 estavam relacionados aos demais serviços prestados pela companhia.

Entre as despesas aeromédicas liquidadas e ainda sem registro de pagamento na base estavam valores de aproximadamente R$ 357,2 mil, R$ 194,8 mil, R$ 158,5 mil e R$ 35,3 mil.

A existência de despesas liquidadas e não pagas não significa, por si só, que o Estado esteja inadimplente com a empresa. A base financeira mostra o estágio da despesa, mas não informa, nesses registros, a data de vencimento de cada fatura nem o prazo contratual previsto para o pagamento. Esses dados são necessários para determinar se há valores formalmente em atraso.

Também não há, a partir dos registros financeiros disponíveis, elementos que permitam relacionar eventual pendência de pagamento à disponibilidade das aeronaves nos casos de Feijó e Santa Rosa do Purus.

As duas mortes deixam questões que dependem de esclarecimentos do governo e das empresas contratadas: quais aeronaves estavam disponíveis nos dois dias, onde estavam posicionadas, em que horários as remoções foram solicitadas e autorizadas, quando as empresas foram acionadas e por que os voos não chegaram antes da morte dos pacientes. Também permanece sem resposta se existem faturas vencidas e se alguma pendência financeira interferiu, em algum momento, na operação do transporte aeromédico.

PF faz 28 buscas e apreende R$ 1 milhão; apuração cita Gladson e nomes ligados ao governo do Acre entre alvos

Ptolomeu IV investiga contratos da sede do Imac, enquanto Operação Umbra apura estrutura criada para antecipar ações da Polícia Federal; nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 22, duas operações simultâneas que atingiram o Acre e outros estados, com 28 mandados de busca e apreensão, apreensão estimada em R$ 1 milhão em dinheiro e três prisões em flagrante por posse ilegal de armas. Uma das diligências ocorreu na residência do ex-governador Gladson Cameli (PP), em Rio Branco.

As ações foram divididas entre as operações Ptolomeu IV e Umbra. Os mandados, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. O STJ também determinou sequestro de bens e valores e outras medidas cautelares contra investigados.

A Polícia Federal não divulgou oficialmente a relação completa dos alvos. Apuração divulgada pelo jornalista Leonildo Rosas, porém, aponta nomes ligados direta ou indiretamente ao grupo do ex-governador e à estrutura administrativa do Estado nos últimos anos. Na relação apresentada por Rosas aparecem, além de Gladson, Jonathan Xavier Donadoni, Laura Jordão de Carvalho, Taiane Belarmino dos Santos, Lidiane Rodrigues dos Santos, Jairly Nascimento Maia, João Victor Casas Lopes, Tamires de Almeida Costa e Garisson Plínio Sarah Messias, entre outros. Rosas também cita a ex-primeira-dama Ana Paula Cameli.

A lista é resultado da apuração do jornalista e, até o momento, não foi confirmada nominalmente pela Polícia Federal. Também não está esclarecido publicamente a qual das duas operações cada pessoa citada estaria relacionada.

Um levantamento feito pelo Integração Net em registros públicos mostra, no entanto, que pelo menos oito dos nomes citados por Rosas, além de Gladson, ocuparam cargos no Executivo estadual nos últimos anos.

Jonathan Xavier Donadoni é um dos casos de maior proximidade com o núcleo político do governo. Ele assumiu a chefia da Casa Civil em abril de 2022, após já atuar como diretor da pasta desde julho de 2021, e permaneceu como secretário-chefe até 2026. Documento oficial de março deste ano ainda traz Donadoni assinando como titular da Casa Civil.

Laura Jordão de Carvalho também passou pela Casa Civil. Ela já aparecia como diretora da pasta e posteriormente foi nomeada diretora de Eventos Oficiais. Em 2022, participou de agendas oficiais identificada como diretora da Casa Civil.

Lidiane Rodrigues Antrobos dos Santos — nome que corresponde à “Lidiane Rodrigues dos Santos” citada na gravação — foi nomeada em janeiro de 2023 diretora de Administração e Finanças da Casa Civil. Ela permanecia na função em setembro deste ano, segundo atos publicados no Diário Oficial.

Taiane Belarmino dos Santos foi secretária-adjunta executiva da Secretaria de Estado de Saúde. Documentos de 2022 e 2023 mostram Taiane assinando atos administrativos na Sesacre. Neste ano, ela disputa uma vaga de deputada estadual pelo PDT.

Garisson Plínio Sarah Messias foi nomeado chefe de departamento da Sesacre em maio de 2021. Posteriormente, ocupou funções na Casa Civil e foi nomeado diretor técnico-administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac). O nome de Garisson já havia aparecido entre os atingidos pela terceira fase da Operação Ptolomeu, em 2023.

Tamires de Almeida Costa e João Victor Casas Lopes também passaram pela administração estadual. Ambos foram nomeados para cargos comissionados na Secretaria de Obras Públicas em 2023. Tamires aparece posteriormente em função na Casa Civil, enquanto João Victor voltou a ocupar cargo CAS-8 em 2025 e foi exonerado em agosto deste ano.

Jairly Nascimento Maia, outro nome citado na apuração, aparece em documentos da Sesacre desde pelo menos 2022 e, em 2024, foi designada para função na Casa Civil. Também integrou comissão da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia.

Ptolomeu IV mira obra do Imac

A Operação Ptolomeu IV concentra uma de suas frentes nos contratos para construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, auditoria da Controladoria-Geral da União identificou aproximadamente R$ 1,2 milhão em possível superfaturamento por inexecução parcial na primeira etapa da obra. São serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não executados integralmente.

A investigação também encontrou indícios de que recursos provenientes dos contratos públicos teriam sido usados para custear despesas particulares e vantagens indevidas a agentes públicos. Saques elevados em espécie e outras movimentações financeiras consideradas atípicas também passaram a ser investigados.

Uma segunda empresa, contratada posteriormente para concluir a sede do Imac, também entrou na apuração. A PF investiga possíveis vínculos entre pessoas ligadas às duas contratadas e empresas que já haviam aparecido em fases anteriores da Ptolomeu.

Leonildo Rosas afirma, em sua apuração, que a investigação da obra e de seus pagamentos já aparecia em documentos das fases anteriores da operação e relaciona essa frente às novas diligências realizadas nesta terça-feira.

Umbra investiga vazamento de operações

A segunda ação, batizada de Operação Umbra, tem objeto diferente. A Polícia Federal investiga a existência de um núcleo de contrainteligência que teria sido criado para acompanhar a própria corporação e antecipar operações relacionadas aos investigados da Ptolomeu.

Segundo a PF, a estrutura buscaria informações sobre deslocamentos de equipes, movimentação de viaturas e outras ações policiais. A finalidade seria avisar investigados com antecedência e permitir providências capazes de reduzir a eficácia de buscas, apreensões e outras medidas judiciais.

A investigação também apura a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse indevido dessas informações.

Durante as diligências das duas operações, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie. A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 1 milhão, valor que ainda estava sendo contabilizado. Três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas.

Gladson teve celular e veículos apreendidos

Na residência de Gladson Cameli, no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão pela manhã. Segundo informações divulgadas após a diligência, foram apreendidos o celular do ex-governador e três veículos.

A defesa de Gladson classificou as medidas como “abusivas” e afirmou considerar a ação uma perseguição às vésperas da eleição. Também alegou que a diligência desrespeitaria decisão do Supremo Tribunal Federal relacionada à adoção de medidas cautelares contra candidatos no período eleitoral. A aplicação desse entendimento ao caso concreto ainda depende de análise judicial.

Os advogados disseram ainda que o ex-governador está à disposição da Justiça e sustentam sua inocência.

As investigações da Ptolomeu IV e da Umbra continuam. A PF informou que os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual apurada, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa.

Servidor de 32 anos morre em Feijó à espera de transferência aérea, e prefeito cobra providências

O servidor público municipal Anderson Montefusco, de 32 anos, morreu na segunda-feira (21), em Feijó, no interior do Acre, após sofrer um infarto e aguardar transferência aérea para atendimento em outra unidade de saúde. O prefeito Railson Ferreira afirmou que a remoção foi solicitada depois que o paciente foi estabilizado, mas a aeronave não chegou ao município.

Anderson estava internado no hospital de Feijó e deveria ser transferido pelo sistema de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). De acordo com Railson Ferreira, informações repassadas pela equipe médica apontavam que o servidor apresentava condições clínicas para ser transportado depois do atendimento inicial.

O prefeito criticou a demora na remoção e cobrou providências para melhorar o atendimento aos pacientes do interior que dependem de transporte aéreo. Ele atribuiu o problema à regulação estadual e afirmou que Anderson poderia ter sido levado para uma unidade com maior estrutura caso a aeronave tivesse chegado a tempo. A relação entre a demora na transferência e a morte, porém, foi apresentada pelo prefeito e não consta como conclusão médica divulgada publicamente.

Railson Ferreira também afirmou que o episódio não deveria ser tratado como uma disputa política e pediu maior atenção à população de Feijó. Durante o pronunciamento, agradeceu aos profissionais que participaram do atendimento ao servidor no município.

A Prefeitura de Feijó publicou uma nota de pesar pela morte de Anderson Montefusco e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho. A administração municipal também lamentou a perda do servidor e mencionou sua atuação no serviço público municipal.

A morte de Anderson voltou a colocar em discussão as dificuldades enfrentadas por moradores de municípios do interior do Acre que precisam ser transferidos para centros com atendimento de maior complexidade, especialmente nos casos em que o deslocamento depende de transporte aéreo.

De sardinha e ovo à falta de proteína, problemas na merenda se repetem em escolas estaduais do Acre

A falta de proteína que levou estudantes do Colégio Estadual Armando Nogueira (CEAN), em Rio Branco, a deixarem a escola mais cedo nesta segunda-feira (21) se soma a uma sequência de problemas registrados desde abril na alimentação da rede estadual do Acre. Em cinco meses, reclamações sobre falta de profissionais, pouca variedade no cardápio, repetição de ovos, sardinha, conservas e bolachas chegaram a escolas de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Bujari, Tarauacá, Jordão e comunidades indígenas de Assis Brasil.

No CEAN, uma comunicação dirigida à comunidade escolar informou que os alunos seriam liberados às 11h45 por “falta de proteína no alimento”. No mesmo dia, estudantes da Escola Maria de Nazaré Santiago, na Vila São Pedro, zona rural de Cruzeiro do Sul, divulgaram um vídeo relatando que a alimentação disponível não vinha sendo suficiente para manter os alunos durante toda a jornada. A escola funciona em tempo integral e, segundo os estudantes, houve dias em que as refeições ficaram restritas a ovos e bolachas, com liberação antecipada das turmas.

A sequência começou a aparecer oficialmente em abril. No dia 8 daquele mês, o Ministério Público Federal abriu procedimento para acompanhar a falta de profissionais responsáveis pelo preparo da merenda e pela limpeza em escolas indígenas da rede estadual. A Secretaria de Estado de Educação e Cultura informou que pretendia contratar 71 cozinheiros terceirizados para unidades indígenas com 20 alunos ou mais e preparar uma nova contratação de auxiliares de serviços gerais para atender funções de cozinha e zeladoria.

Em junho, o MPF passou a acompanhar também a situação da Escola Estadual Indígena Himatkalu, na Aldeia Twatwa, Terra Indígena Mamoadate, em Assis Brasil. Uma representação da Associação Manxinerine Ywptowaka reuniu cerca de 50 reivindicações sobre o funcionamento da escola, incluindo problemas relacionados à alimentação e à estrutura necessária para o preparo das refeições.

No início de julho, o governo entregou 12 toneladas de alimentos para escolas indígenas de Assis Brasil. A carga, segundo a Secretaria de Educação, correspondia a três meses de abastecimento e incluía a Himatkalu entre as unidades atendidas.

Em agosto, as reclamações chegaram às escolas de tempo integral. Alunos da Escola Estadual Craveiro Costa, em Cruzeiro do Sul, gravaram um vídeo reclamando da repetição de pão, ovo e sardinha nas refeições. Os relatos chegaram à Assembleia Legislativa no dia 25, quando o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou explicações sobre o fornecimento de alimentos na unidade.

Um dia antes, a própria Secretaria de Educação havia reconhecido “atrasos na entrega de alguns gêneros da alimentação escolar” para escolas de Cruzeiro do Sul. A SEE informou que o problema reduziu temporariamente a variedade do cardápio, inclusive na Craveiro Costa, e que o abastecimento seria regularizado gradualmente.

Ainda no fim de agosto, reclamações semelhantes apareceram em outros municípios. No Anexo Estadual Raimundo Hermínio de Melo, no Ramal do Fumaça 2, em Bujari, denúncias incluíram problemas na alimentação, no abastecimento de água, no transporte e na estrutura da unidade. O Ministério Público do Acre determinou nova vistoria em 28 de agosto e realizou a inspeção três dias depois, cobrando providências do Estado e do Município.

Em Tarauacá, estudantes da Escola Estadual João Ribeiro anunciaram mobilização no dia 31 de agosto. Eles relataram que o cardápio tinha com frequência bolacha com suco, biscoito e abacatada. No mesmo período, alunos da Escola Estadual Jairo de Figueiredo Melo, em Jordão, também se organizaram para cobrar mudanças. “Todo dia é conserva e sardinha”, dizia uma das mensagens divulgadas pelos estudantes.

A recorrência ganha peso diante da expansão do ensino integral no Acre. Para 2026, a Secretaria de Educação anunciou a entrada de outras 24 escolas nesse modelo, elevando para 60 o número de unidades integrais da rede estadual. A Escola Maria de Nazaré Santiago, onde estudantes reclamaram nesta semana da quantidade de comida, está entre as unidades que passaram a funcionar em tempo integral neste ano.

De abril a setembro, as reclamações mudaram de escola e de município, mas mantiveram problemas semelhantes. Primeiro vieram a falta de trabalhadores para preparar as refeições em escolas indígenas e as cobranças por alimentação adequada. Em agosto, estudantes passaram a expor publicamente cardápios repetitivos, com ovos, sardinha, conservas e bolachas, enquanto a própria Secretaria de Educação reconhecia atraso no fornecimento em Cruzeiro do Sul. Agora, setembro termina com alunos liberados mais cedo em Rio Branco por falta de proteína e estudantes de tempo integral de Cruzeiro do Sul dizendo que a alimentação disponível não sustenta a permanência na escola durante todo o dia.

PF faz nova operação na casa de Gladson Cameli e apreende carros de luxo no Acre

A Polícia Federal cumpriu mandados na manhã desta terça-feira (22) em endereços ligados ao ex-governador do Acre Gladson Cameli, em Rio Branco, incluindo a residência do político. Durante as diligências, agentes apreenderam carros de luxo vinculados a Cameli e fizeram buscas em imóveis de pessoas próximas a ele. A nova ação ocorre meses depois de outra busca realizada pela PF na casa do ex-governador e pouco mais de quatro meses após a condenação de Gladson a 25 anos e nove meses de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Até as primeiras horas da manhã, não havia divulgação oficial com o nome da operação, o número total de mandados cumpridos ou todos os investigados alcançados pelas medidas desta terça-feira. A presença da PF novamente em endereços ligados ao ex-governador, porém, acrescenta um novo capítulo ao histórico de investigações que envolve Cameli desde a deflagração da Operação Ptolomeu, em dezembro de 2021.

Os carros recolhidos nesta terça também carregam um histórico ligado à Ptolomeu. Os veículos já haviam sido apreendidos no curso da investigação, foram posteriormente levados a leilão judicial e acabaram recomprados, retornando à posse de pessoas ligadas ao ex-governador. A nova apreensão faz com que bens alcançados anteriormente por medidas judiciais voltem a ficar sob custódia das autoridades.

Veículos de alto valor aparecem há anos entre os bens analisados nas investigações envolvendo Cameli. Em 2023, documentos do caso registraram pedidos de alienação antecipada de automóveis apreendidos, entre eles uma Land Rover Discovery, uma BMW X6, um Volkswagen Jetta, uma Amarok e um Chevrolet Cruze, além da aeronave Beech Aircraft de prefixo PT-WGK. A justificativa para a venda antecipada era evitar a desvalorização e os custos de manutenção enquanto o processo seguia em andamento.

Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026, Gladson informou patrimônio de R$ 5,99 milhões. Entre os veículos declarados estão uma BMW X6 avaliada em R$ 920 mil e uma Land Rover Discovery, ano 2019/2020, no valor de R$ 449 mil. A relação também inclui uma motocicleta Honda CBR 650R, um Fusca de 1977 e a aeronave Beech Aircraft BE58, declarada por R$ 1,5 milhão.

A Operação Ptolomeu começou em dezembro de 2021 e avançou nos anos seguintes sobre contratos públicos, movimentações financeiras, imóveis, veículos e outros bens ligados aos investigados. Em março de 2023, a terceira fase mobilizou mais de 300 policiais federais para o cumprimento de 89 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal. Na ocasião, também foram determinadas medidas patrimoniais e cautelares contra Cameli, incluindo restrições de contato com investigados e a entrega do passaporte.

O caso chegou a julgamento neste ano. Em 6 de maio, a Corte Especial do STJ condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, por peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão também estabeleceu 600 dias-multa e indenização de R$ 11,78 milhões ao Estado do Acre. A defesa apresentou recursos e contesta pontos da investigação e da condenação.

A ação desta terça-feira não é a primeira vez que a Polícia Federal vai à residência de Cameli em 2026. Em 5 de fevereiro, quando ele ainda ocupava o governo do Acre, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no imóvel localizado no Condomínio Recanto Verde, em Rio Branco. Aquela investigação era independente da Ptolomeu e tratava de suspeitas relacionadas ao processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação onde Gladson havia sido aluno. Celulares, um computador e dinheiro em espécie foram recolhidos durante a diligência.

As investigações da Ptolomeu também produziram outros desdobramentos. No mesmo período em que foi condenado na ação principal, Gladson tornou-se réu em outro processo no STJ relacionado ao chamado Caso Colorado, que apura suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos nas obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul.

A nova operação ocorre ainda em um momento decisivo para o futuro eleitoral do ex-governador. O Tribunal Regional Eleitoral do Acre indeferiu por unanimidade, em 11 de setembro, o registro da candidatura de Gladson ao Senado com base nos efeitos da condenação criminal previstos na Lei da Ficha Limpa. Ele permanece sub judice enquanto recorre. Para esta terça-feira, o TRE-AC incluiu na pauta o julgamento de embargos apresentados pela defesa no processo eleitoral, sem relação estabelecida com a operação policial realizada pela manhã.