Após ação do TCE, como ficam os shows “grátis” da Expoacre 2026?

Ao votar pela suspensão dos atos relacionados à contratação da Expoacre 2026, o conselheiro Ronald Polanco foi além das falhas encontradas no processo de R$ 22 milhões conduzido pela Casa Civil. Em sua manifestação, defendeu que a principal feira do Acre seja voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, em vez de ter sua identidade reduzida à contratação de grandes atrações musicais.

A medida cautelar aprovada nesta quinta-feira, 23, impede, por enquanto, a assinatura das parcerias, os repasses de recursos e os pagamentos previstos no procedimento. O Tribunal de Contas do Estado apontou problemas no planejamento, na justificativa dos valores, na concorrência e na definição dos serviços que seriam executados.

Os detalhes da decisão já foram apresentados pelo Integração Net. A questão que permanece agora é outra: o que a suspensão representa para um evento cuja divulgação foi construída principalmente em torno de shows anunciados como “gratuitos”?

A feira passou a ser divulgada pelos shows

Nos últimos anos, o governo do Acre consolidou um modelo em que a Expoacre deixou de ser divulgada principalmente como uma vitrine da produção rural, industrial e comercial. A feira passou a ser apresentada ao público pela programação de artistas nacionais.

Primeiro são anunciados os cantores. Depois aparecem os discursos sobre produção, negócios, inovação e fortalecimento da economia.

As apurações realizadas pelo Integração Net mostram que esse formato não se limita à estratégia de comunicação. Ele também aparece na distribuição dos recursos públicos.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, as estruturas estaduais responsáveis pelas áreas de indústria, ciência, tecnologia, comércio e turismo pagaram R$ 170,4 milhões.

Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas relacionadas à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festivais, festas, shows, atrações nacionais e comemorações do Dia do Trabalhador. O valor representa 44,7% de tudo o que foi pago no período.

A soma não corresponde apenas aos cachês. Também envolve palcos, tendas, sonorização, iluminação, camarotes, logística, produção, divulgação, organização dos eventos e termos de colaboração firmados com entidades privadas.

Ainda assim, o volume ajuda a compreender a prioridade assumida pela política pública.

No mesmo período, a promoção comercial recebeu R$ 85,2 milhões, enquanto a promoção industrial ficou com R$ 16,5 milhões. Para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram aplicados na promoção comercial.

A realização de feiras não é, por si só, incompatível com uma política de desenvolvimento. Esses eventos podem abrir mercados, divulgar produtos, atrair compradores e gerar negócios.

A questão é saber quanto desse dinheiro deixa resultados permanentes para a economia acreana e quanto se encerra depois que os palcos, camarotes e demais estruturas são desmontados.

Expoacre Juruá destinou mais da metade do orçamento aos shows

O caso mais recente ajuda a compreender como esse modelo funciona.

O Integração Net obteve o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar para executar a Expoacre Juruá 2026. O documento deu origem ao Termo de Colaboração nº 01/2026, assinado com a Casa Civil, no valor global de R$ 16.648.310.

Os registros oficiais consultados pelo Integração Net mostram R$ 15.848.310 transferidos à associação para a realização do evento.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima, R$ 750 mil para Ícaro e Gilmar, R$ 650 mil para Tierry, R$ 650 mil para Padre Fábio de Melo e R$ 400 mil para a Banda Morada.

Os seis cachês somaram R$ 6,25 milhões.

Além disso, foram reservados R$ 2.448.520 para a produção e a logística dos artistas. A rubrica incluía passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins, excesso de bagagem, direitos autorais e outros custos operacionais.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais chegaram a R$ 8.698.520.

Com a inclusão de uma atração infantil de R$ 50 mil, o conjunto destinado às apresentações e à operação dos shows alcançou R$ 8.748.520, aproximadamente 52,5% de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Mais da metade dos recursos previstos no plano foi destinada aos artistas nacionais e à estrutura necessária para colocá-los no palco.

Cachê de Leonardo superou o custo da estrutura geral

Toda a estrutura geral da feira, incluindo palco, tendas, camarotes, banheiros e espaços de apoio, foi orçada em R$ 1.981.440.

Somente o cachê de Leonardo, de R$ 2,1 milhões, ficou R$ 118.560 acima do valor destinado à estrutura geral do evento.

Para artistas locais e regionais, o plano reservou R$ 612.500. Os seis cachês nacionais representaram mais de dez vezes o montante separado para o conjunto das atrações locais.

Valores ficaram acima de contratos usados na comparação

O Integração Net também comparou os valores apresentados pela Associação Transformar com contratos públicos recentes dos mesmos artistas em outras partes do país.

Os cachês previstos para a Expoacre Juruá somaram R$ 6,25 milhões. As referências públicas encontradas totalizaram R$ 2,74 milhões. A diferença chegou a R$ 3,51 milhões.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, enquanto uma contratação pública usada na comparação registrou R$ 800 mil.

Para Natanzinho Lima, foram previstos R$ 1,7 milhão, diante de uma referência de R$ 800 mil.

Tierry foi orçado em R$ 650 mil, enquanto outro contrato público registrou R$ 250 mil.

A diferença, isoladamente, não comprova sobrepreço. Cachês podem variar conforme data, local, duração, agenda e condições da apresentação.

Todos os valores previstos para a Expoacre Juruá, no entanto, ficaram acima das referências analisadas.

As despesas decorrentes da distância de Cruzeiro do Sul também não estavam incluídas nos cachês. O plano já possuía uma rubrica separada de R$ 2,44 milhões para transporte, hospedagem e produção.

A gratuidade termina no orçamento público

Os shows da Expoacre são apresentados como gratuitos porque o público não precisa comprar ingresso. Isso não significa que não exista custo.

Os artistas recebem cachês. As equipes recebem passagens, hospedagem, alimentação e transporte. O governo paga palco, som, iluminação, camarins, segurança, divulgação e produção.

A população não paga na bilheteria, mas paga por meio do orçamento público. Muda apenas a forma de cobrança.

O caso da Expoacre Juruá mostra o tamanho dessa conta. Mais de R$ 8,7 milhões foram reservados aos shows nacionais e à logística das atrações.

Esse modelo ajuda a explicar por que a manifestação de Ronald Polanco tem alcance maior do que a cautelar aplicada ao processo de 2026.

Ao defender uma Expoacre voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, o conselheiro colocou em discussão uma inversão que foi normalizada ao longo dos anos: os shows deixaram de ser uma parte da feira e passaram a ocupar o centro dela.

Atrações foram anunciadas antes da suspensão

A Expoacre Rio Branco 2026 já foi divulgada com atrações como Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela. Os nomes dos artistas foram utilizados como principal chamariz da programação.

Ao mesmo tempo, o processo de R$ 22 milhões que daria suporte à execução da feira está suspenso pelo Tribunal de Contas.

O governo ainda poderá apresentar documentos, corrigir os problemas, justificar os preços ou adotar outro modelo de contratação.

A Expoacre não foi cancelada, e os shows também não foram formalmente proibidos.

A cautelar, porém, criou uma questão que o governo precisará responder: como serão mantidas as atrações já anunciadas se os repasses previstos não podem ser realizados da forma planejada?

A administração vai corrigir o procedimento, reduzir os custos, contratar os shows por outro caminho ou retirar atrações da programação?

Também poderá aproveitar a decisão do TCE para devolver à Expoacre o caráter de feira de produção, negócios e desenvolvimento econômico defendido por Ronald Polanco.

Depois de anos anunciando shows como “gratuitos”, o governo terá de explicar quem vai pagar a conta e de que forma, caso o modelo de contratação permaneça suspenso.

Foto: Voz do Norte

MPAC dá 30 dias para polícia atualizar caso de Chico Melo

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) deu prazo de 30 dias para que a Polícia Civil apresente informações atualizadas sobre a investigação do ataque ao jornalista e radialista Chico Melo, ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. Uma notícia de fato criminal foi instaurada para acompanhar a apuração, identificar os envolvidos e verificar as providências adotadas pela autoridade policial.

A medida foi assinada pela promotora de Justiça substituta Poliana Gusmão, da Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul. O MPAC solicitou acesso ao boletim de ocorrência, ao inquérito policial, a eventual laudo do exame de corpo de delito e às diligências realizadas desde o crime.

A Polícia Civil também deverá informar se os suspeitos já foram identificados ou localizados e se existem imagens de câmeras de segurança, dados de geolocalização dos celulares roubados ou outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento do caso.

Chico Melo, de 54 anos, teve a residência invadida por quatro homens armados no bairro Telégrafo. Os criminosos quebraram uma janela, seguiram até o quarto onde o jornalista estava e exigiram dinheiro enquanto revistavam o imóvel.

Durante o assalto, o radialista foi agredido com socos e atingido por uma coronhada na cabeça, que provocou um corte. Os assaltantes levaram cerca de R$ 3 mil, aparelhos celulares e outros pertences. Antes da fuga, o grupo ainda revistou um veículo estacionado na residência.

Um telefone celular e uma faca encontrados no imóvel foram recolhidos para análise. A Polícia Militar realizou buscas na região, mas nenhum suspeito foi preso. Após o ataque, Chico Melo recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Cruzeiro do Sul.

Quando o prazo terminar, o procedimento retornará ao Ministério Público para uma nova análise. O órgão poderá requisitar outras diligências ou medidas cautelares. O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado também acompanhará a investigação.

Cruzeiro do Sul recebe cinco novos ônibus escolares em investimento de mais de R$ 2 milhões

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou cinco novos ônibus escolares nesta quarta-feira, 22 de julho, durante uma cerimônia na garagem da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, na Rodovia AC-405. O investimento de mais de R$ 2 milhões permitirá substituir veículos antigos e reforçar o transporte de estudantes das zonas urbana e rural.

Três ônibus foram comprados com recursos próprios do município, no valor de R$ 1.505.382. Os outros dois veículos foram adquiridos por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com uma complementação financeira de R$ 500 mil da prefeitura.

Os novos veículos serão incorporados às rotas da rede municipal de ensino. A renovação da frota busca melhorar as condições de segurança e conforto dos alunos, além de reduzir os gastos com a manutenção dos ônibus mais antigos.

O prefeito Zequinha Lima afirmou que a aquisição faz parte das ações destinadas a melhorar a estrutura oferecida aos estudantes e às famílias. A administração municipal também prevê ampliar a capacidade de atendimento das rotas escolares com a entrada dos novos veículos em operação.

A presidente do Conselho de Gestores de Cruzeiro do Sul e gestora da Escola Irmã Diana, Eliana Almeida, afirmou que a qualidade do transporte interfere diretamente no acesso dos alunos às unidades de ensino. Para ela, os novos ônibus oferecem mais proteção e melhores condições durante o deslocamento diário.

Com a entrega, a prefeitura passa a contar com veículos mais novos para atender estudantes que dependem do transporte escolar, principalmente os que vivem em comunidades rurais e percorrem maiores distâncias até as escolas.

Prefeitura retira 250 toneladas de lixo do bairro Jorge Lavocat, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco retirou cerca de 250 toneladas de lixo, entulho e outros resíduos do bairro Jorge Lavocat durante uma semana de serviços. A limpeza faz parte do programa Prefeitura nas Ruas e prepara a comunidade para obras nas redes de água e esgoto, no sistema de drenagem e na pavimentação das vias.

A força-tarefa começou após uma visita do prefeito Alysson Bestene ao bairro, onde moradores apresentaram problemas de infraestrutura e manutenção. A Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade mobilizou equipes para atuar em ruas, calçadas e áreas públicas.

O secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, afirmou que a retirada dos resíduos é a primeira etapa do trabalho previsto para a região. “Em apenas uma semana, retiramos cerca de 250 toneladas de lixo e entulho. Esse trabalho melhora as condições do bairro e prepara as ruas para as próximas intervenções”, disse.

Depois da limpeza, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco vai reforçar e reestruturar as redes de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. O órgão também ficará responsável pela recuperação do sistema de drenagem.

Com a conclusão dos serviços nas redes subterrâneas, a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco iniciará a pavimentação das vias incluídas no cronograma.

“Primeiro, retiramos o lixo e os entulhos. Em seguida, o Saerb fará a reestruturação das redes de água, esgoto e drenagem. Depois, a Emurb começará a pavimentação”, afirmou Alysson Bestene.

O programa Prefeitura nas Ruas reúne órgãos municipais em ações de limpeza, manutenção, infraestrutura e recuperação de espaços públicos em bairros da capital acreana.

Revitalização do Centro Cultural do Juruá deve ser concluída até o fim de agosto

As obras de revitalização do Centro Cultural do Juruá, em Cruzeiro do Sul, entraram na fase final e devem ser concluídas até o fim de agosto. Executado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), o trabalho reforça a estrutura do prédio centenário, substitui a cobertura e recupera elementos de madeira, com o objetivo de ampliar a segurança sem alterar as características arquitetônicas do imóvel.

As visitas ao centro cultural permanecem suspensas durante a execução dos serviços. O espaço será reaberto ao público após a conclusão da obra e poderá voltar a receber estudantes, pesquisadores, turistas e moradores da região.

A construção do prédio começou em 1904 e terminou em 1911. Ao longo de 115 anos, o imóvel abrigou a primeira sede da Prefeitura de Cruzeiro do Sul e também funcionou como sede da comarca. A trajetória tornou a edificação um dos principais marcos da memória institucional e cultural do Vale do Juruá.

A intervenção começou no fim de março e é uma das mais amplas já realizadas no prédio. “O nosso objetivo é entregar essa obra até o final de agosto. É um espaço de memória muito importante que necessitava de uma intervenção mais robusta, justamente por se tratar de um prédio centenário e considerado o prédio público mais antigo do Acre”, afirmou o coordenador do museu, Narcelio Generoso.

O reforço estrutural foi a parte mais complexa da obra. Novas colunas e peças metálicas foram instaladas ao redor da edificação para aumentar a estabilidade da construção, erguida em um período em que o uso de ferro ainda não era comum em Cruzeiro do Sul.

“Foi necessário executar um reforço estrutural completo, com novas colunas e elementos metálicos ao redor da edificação para garantir sua estabilidade. Agora, ele passa a contar com uma estrutura muito mais segura, preparada para preservar esse patrimônio por muitos anos”, explicou Narcelio.

As equipes também substituíram peças de madeira danificadas pelo tempo e pela umidade. Guarda-corpos e partes da estrutura do telhado foram recuperados e receberam perfis metálicos de alta resistência, mantendo o desenho original do imóvel.

A instalação da nova cobertura também está próxima da conclusão. As telhas antigas estão sendo trocadas por modelos com acabamento colonial e tecnologia termoacústica, que reduzem a absorção de calor e oferecem maior durabilidade.

A revitalização mantém o estilo colonial do Centro Cultural do Juruá e busca garantir a conservação de um dos prédios públicos mais antigos do Acre. Depois da reabertura, o espaço voltará a integrar as atividades culturais e educativas de Cruzeiro do Sul.

Com articulação de Jorge Viana, frigorífico do Acre faz primeira exportação para a Indonésia

O Nosso Frigorífico realizou nesta quinta-feira, 23 de julho, a primeira exportação de carne bovina produzida no Acre para a Indonésia. O embarque abre uma nova frente comercial para a indústria acreana e resulta das negociações conduzidas junto ao país asiático, com participação do ex-presidente da ApexBrasil Jorge Viana, do governo federal e de representantes do setor produtivo.

A primeira carga reúne 28 toneladas de carne bovina. O produto saiu de Rio Branco por via terrestre com destino ao Porto de Navegantes, em Santa Catarina, de onde seguirá de navio até Jacarta, capital da Indonésia. A viagem marítima deve durar aproximadamente 35 dias.

O envio faz parte de um contrato firmado com uma empresa estatal indonésia para o fornecimento de cinco contêineres até o fim de agosto. Juntas, as cargas somarão 140 toneladas e movimentarão US$ 648,3 mil, cerca de R$ 3,6 milhões na conversão atual.

A habilitação do frigorífico acreano foi anunciada em janeiro por Jorge Viana, quando ele presidia a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. A autorização foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e incluiu a unidade da Frisacre, nome empresarial do Nosso Frigorífico, entre as plantas brasileiras liberadas para vender carne bovina ao mercado indonésio.

As negociações ganharam força durante missões empresariais e agendas internacionais organizadas pela ApexBrasil. Em outubro de 2025, empresários acreanos participaram de uma comitiva ao Sudeste Asiático durante viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O proprietário do frigorífico, Murilo Leite, integrou as agendas voltadas à aproximação entre produtores brasileiros e compradores estrangeiros.

Murilo atribuiu a abertura do novo mercado ao trabalho conjunto do setor privado com o governo federal e fez um reconhecimento especial à atuação de Jorge Viana. O empresário afirmou que a articulação conduzida pelo acreano foi decisiva para aproximar a indústria local dos compradores internacionais e concluir o processo de habilitação.

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e amplia as possibilidades de venda para o setor frigorífico porque compra diferentes cortes, além de miúdos e outras partes do animal. A característica permite melhor aproveitamento da produção e pode elevar a rentabilidade das empresas exportadoras.

Com o novo destino, o Nosso Frigorífico amplia sua presença internacional e reforça a carne bovina entre os principais produtos vendidos pelo Acre ao exterior. A abertura também cria oportunidades para pecuaristas, transportadores, trabalhadores da indústria e demais atividades ligadas à cadeia produtiva.

TCE-AC suspende atos da Expoacre 2026 por indícios de irregularidades

O Tribunal de Contas do Estado do Acre aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (23), uma medida cautelar que determina a suspensão imediata dos atos relacionados ao Chamamento Público nº 002/2026 e à posterior dispensa preparada pela Casa Civil para a realização da Expoacre Rio Branco 2026. A decisão bloqueia assinaturas de termos de parceria, repasses financeiros e pagamentos diante de falhas encontradas no processo que prevê o uso de R$ 22 milhões.

O Pleno acompanhou o voto do conselheiro Ronald Polanco, relator do processo. A medida acolheu o relatório preliminar da Secretaria de Controle Externo, que encontrou problemas na definição do objeto, restrição à concorrência, falta de planejamento e ausência de estudos técnicos para justificar os custos da feira.

Durante a sessão, Polanco chamou atenção para as mudanças feitas após o primeiro procedimento. “Primeiro, houve um chamamento inicial no valor de R$ 20 milhões. Uma organização da sociedade civil participou, apresentou toda a documentação, mas isso não foi levado em consideração. Logo em seguida, foi realizado outro chamamento público, com o valor alterado para R$ 22 milhões e com a indicação da participação de três organizações.”

Uma das exigências questionadas obrigava as organizações da sociedade civil interessadas a manter sede ou filial no Acre. Para a equipe técnica, a condição restringiu a participação de possíveis concorrentes.

A auditoria também contestou o uso da dispensa de chamamento público com base na urgência para realizar o evento. A situação ocorreu após o procedimento inicial ser declarado deserto, mas o relatório atribuiu a proximidade da feira à falta de planejamento da própria administração.

Depois de declarar que nenhuma proposta havia sido apresentada, a Casa Civil mudou o modelo de execução da Expoacre. O orçamento passou de R$ 20 milhões para R$ 22 milhões, o objeto foi dividido em três eixos e a quantidade de atrações nacionais aumentou.

As mudanças ocorreram sem estudos de mercado, pesquisas de preços, planilhas detalhadas ou documentos que comprovassem a vantagem econômica da nova configuração. O TCE-AC considerou que a continuidade do processo poderia permitir o repasse de R$ 22 milhões sem comprovação de que os valores estavam de acordo com os preços praticados no mercado.

Polanco afirmou que a falta de informações não se restringe ao processo da Expoacre. “Existem mais de R$ 30 milhões, aproximadamente R$ 32 milhões, sobre os quais estamos solicitando informações, mas elas não chegam ao Tribunal. Anteriormente, também houve outra decisão envolvendo um valor de aproximadamente R$ 88 milhões, que consta no Portal da Transparência do governo.”

O conselheiro afirmou que o volume de recursos transferidos por meio de organizações da sociedade civil exige maior controle. “Estamos falando de um volume expressivo de recursos públicos que não está sendo acompanhado adequadamente. O Tribunal de Contas já adotou decisões anteriores buscando regulamentar essas parcerias, porque nós não estamos conseguindo ter controle sobre a aplicação desses recursos.”

O novo modelo distribuiu a execução da feira entre três organizações. O Instituto Novo Amanhã ficou responsável pela infraestrutura, logística e operação da arena, com valor estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena assumiria os shows, o entretenimento e as atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar cuidaria da segurança, do apoio logístico e da comunicação social, por R$ 3,907 milhões.

O relator esclareceu que os R$ 22 milhões não correspondem ao custo integral do evento. “Esses R$ 22 milhões não representam o valor total da Expoacre. O recurso é destinado somente à gestão de três componentes, conforme destaquei no voto.”

A cautelar não impede a realização da Expoacre 2026. A decisão condiciona o uso dos recursos públicos à correção das falhas e à apresentação de estudos técnicos, pesquisas de preços, planilhas de custos e justificativas para as alterações feitas pela Casa Civil.

Polanco defendeu a criação de uma mesa de diálogo entre os órgãos e entidades envolvidos. “Este é o momento de construirmos uma mesa consensual, com a participação de todos os atores envolvidos. No caso da Expoacre 2026, existem vários participantes.”

O secretário de Estado da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, terá até dois dias úteis para suspender todos os atos decorrentes do chamamento público e da dispensa correspondente. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 500.

A Casa Civil recebeu prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos ao tribunal. O processo também será encaminhado ao Ministério Público de Contas antes de uma nova deliberação.

O relator afirmou que o acompanhamento busca esclarecer os custos da feira e ampliar o espaço destinado aos setores produtivos. “O objetivo é acompanhar tudo de perto para que, no futuro, não existam dúvidas sobre os custos de uma Expoacre. Queremos também que ela seja uma festa da produção, e não apenas uma festa fora de época. Precisamos garantir que os setores e os atores da produção sejam cada vez mais prestigiados.”

Participaram da sessão a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, e os conselheiros Antônio Jorge Malheiro, Ribamar Trindade, Ronald Polanco, Mário Sérgio Neri e Naluh Gouveia. A procuradora-geral do Ministério Público de Contas em exercício, Anna Helena de Azevedo Simão, também acompanhou a votação.

Antes da cautelar, o IntegraçãoNet já vinha publicando informações sobre o aumento do orçamento, a divisão da Expoacre entre os três institutos, os pagamentos anteriores feitos pelo governo estadual às entidades e as relações políticas, administrativas e religiosas encontradas em torno de parte das organizações.

No caso do Instituto Vida Plena, a cobertura mostrou que o presidente cadastral, Roniere Ferreira Xavier, firmou em 2024 um termo de fomento de R$ 20 mil com a estrutura administrativa comandada por Mailza Assis, que na época acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

A relação mais próxima passa pelo pastor Reginaldo Ferreira da Silva. Ele trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e foi nomeado pela governadora, em abril de 2026, secretário adjunto de Governo.

Reginaldo não aparece como presidente formal do Vida Plena, mas já foi apresentado publicamente como líder e colaborador da entidade. O instituto também funciona no mesmo endereço da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, presidida por ele. Essas relações comprovam convivência política, administrativa e religiosa, mas não provam que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido no processo ou que tenha ocorrido desvio de recursos.

No Instituto Bem-Estar, anteriormente chamado Instituto Calegário, as relações encontradas são principalmente político-partidárias. A entidade mantém proximidade histórica com o grupo do deputado estadual Fagner Calegário.

Uma diretoria registrada para o período de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, enquanto Aldeneide foi nomeada pela governadora, em julho de 2026, para presidir o Instituto de Meio Ambiente do Acre.

A antiga participação dos dois na entidade e a proximidade do grupo de Calegário com o projeto político de Mailza mostram uma rede de relações partidárias, mas não comprovam participação deles na escolha do instituto para a Expoacre.

A situação do Instituto Novo Amanhã é diferente. A apuração não encontrou ligação nominal comprovada entre Mailza, sua rede política ou religiosa e a atual presidente da entidade, Deania Marques da Silva Xavier.

Os questionamentos sobre o Novo Amanhã estão relacionados à mudança recente de comando e ao tamanho do contrato. Deania assumiu o cadastro em abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado ocorreu em junho, e o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões antes de ser incluído no eixo da Expoacre estimado em R$ 8,106 milhões.

Os três institutos já acumulavam cerca de R$ 17,8 milhões em pagamentos estaduais antes das dispensas destinadas à feira. Os R$ 22 milhões previstos para a Expoacre representam estimativas das novas parcerias e não pagamentos confirmados.

A decisão do TCE-AC ocorre após o IntegraçãoNet levantar questionamentos sobre a falta de concorrência, a mudança do orçamento, a divisão do evento entre três entidades, os pedidos de informações ainda não atendidos e as conexões existentes em torno de parte dos institutos. A cautelar interrompe o processo até que a Casa Civil apresente documentos capazes de comprovar a regularidade, a necessidade e a compatibilidade dos valores previstos.

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Sinjac e Fenaj articulam proteção para Chico Melo no Acre

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) adotaram nesta quinta-feira, 23, medidas para ampliar a proteção do jornalista e radialista Chico Melo, de 54 anos, após a invasão violenta à residência dele na madrugada de quarta-feira, 22, em Cruzeiro do Sul. As entidades trabalham para incluir o comunicador em um programa federal de proteção.

O caso foi encaminhado a representante da organização Repórteres Sem Fronteiras, que deverá orientar Chico Melo sobre o ingresso no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A presidente da Fenaj, Samira de Castro, entrou em contato com o jornalista e repassou as orientações iniciais. O programa federal pode oferecer medidas de segurança conforme o risco enfrentado e as circunstâncias apuradas no caso.

Quatro homens armados invadiram a casa de Chico Melo por volta das 2h30, após arrombarem uma janela. O jornalista foi agredido com socos e uma coronhada na cabeça, recebeu ameaças de morte e precisou de atendimento médico. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Acre para identificar os autores e esclarecer a motivação do crime.

Durante a ação, um dos invasores teria perguntado se Chico Melo era a pessoa que falava de política. O relato levantou a possibilidade de que o ataque tenha relação com a atividade profissional do comunicador, hipótese que ainda depende de confirmação. A apuração policial trabalha inicialmente com a possibilidade de roubo.

A Fenaj também encaminhou o episódio ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. As entidades cobram uma investigação capaz de esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias da invasão.

O presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro, afirmou que o sindicato acompanha o caso e atua para garantir a segurança do jornalista. “Esse caso não pode ficar impune”, declarou. Sinjac e Fenaj também pediram a responsabilização dos envolvidos e medidas para evitar novos ataques contra profissionais da imprensa.

Cinco dias antes da invasão, as duas entidades já haviam divulgado uma nota após Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau relatarem supostas ameaças de prisão. Até o momento, não há confirmação de relação entre as denúncias anteriores e o ataque ocorrido na residência.

Aleac repudia agressões contra jornalista Chico Melo e cobra investigação rigorosa

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) divulgou uma nota de repúdio às agressões sofridas pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração, durante um suposto assalto ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. O posicionamento foi assinado pelos 24 deputados estaduais.

Na manifestação, a Casa afirma que o comunicador foi espancado, teve pertences violados e sofreu tortura psicológica durante a ação criminosa. Para os parlamentares, um atentado contra um jornalista representa também um ataque à democracia e à liberdade de imprensa.

A Aleac solicita uma investigação rigorosa, pública e transparente por parte da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), para identificar e responsabilizar os autores do crime.

A nota também reafirma que a Assembleia não tolera qualquer tipo de violência contra profissionais da imprensa, agentes políticos ou membros da sociedade civil em razão de posicionamentos políticos ou do exercício da atividade jornalística.

Leia a nota completa abaixo.

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), composta por seus 24 membros, vem à público repudiar as agressões praticadas contra o jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzciro do Sul.

Chico Melo foi vítima de um atentado na madrugada desta quarta-feira (22/7), em sua residência no bairro do Telégrafo.

Durante o suposto assalto, ele foi violentamente espancado, teve seus pertences violados e foi submetido à tortura psicológica pelos criminosos.

Um atentado contra um jornalista não se configura apenas uma agressão a um profissional, mas a toda a democracia que essa Casa Legislativa defende com veemência e firmeza ao longo dos seus mais de sessenta anos.

Diante disso, solicitamos uma investigação rigorosa, pública e transparente, por parte da Polícia Civil, com o acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre
(MPAC), apresentado os culpados por essa barbárie.

Reafirmamos ainda que não toleraremos manifestação de violência contra qualquer profissional da imprensa, políticos ou membro da sociedade civil por sua preferência partidária ou política, ou, no caso da imprensa, por simplesmente relatar a verdade dos fatos.

Tortura nunca mais!

Assembleia Legislativa do Estado do Acre – Aleac
Sala das Sessões Deputado Francisco Cartaxo
Rio Branco Acre, 22 de julho de 2026

Jéssica Sales troca o discurso de oposição pelo aval ao governo que combatia

Ao defender uma campanha do respeito e da serenidade, candidata a vice-governadora precisará explicar aos próprios eleitores por que passou a apoiar um grupo que enfrentou duramente até ontem e como concilia seu discurso com as contradições do projeto que agora representa.

A política costuma exigir alianças improváveis, mas também cobra coerência. E é justamente nesse ponto que a pré-candidata a vice-governadora Jéssica Sales inicia sua nova caminhada ao lado da governadora Mailza Assis carregando uma série de perguntas que dificilmente desaparecerão durante a campanha.

Na apresentação oficial da chapa, Jéssica falou em respeito, diálogo, honestidade e afirmou que “não é preciso gritar com ninguém nem dar murro na mesa para governar”. O discurso buscou transmitir serenidade e estabelecer um contraste com adversários, numa referência amplamente interpretada como dirigida ao episódio envolvendo o senador Alan Rick no Aeroporto de Brasília.

O problema é que o maior desafio de Jéssica talvez não seja responder aos adversários, mas aos próprios eleitores.

Em 2024, ela foi a principal adversária do grupo político liderado por Gladson Cameli na disputa pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Travou uma campanha dura contra a base governista e perdeu por uma diferença mínima de votos. Agora, menos de dois anos depois, aparece de mãos dadas justamente com aqueles que eram seus principais adversários. O que mudou? Houve mudança de convicções, de avaliação do governo ou apenas uma nova composição eleitoral? Essa é uma explicação que milhares de eleitores certamente esperarão ouvir.

Outra questão envolve o próprio governo que Jéssica passa a defender. Durante anos, ela foi uma das vozes mais críticas da gestão de Gladson Cameli. Agora, integra uma chapa encabeçada pela vice-governadora que assumiu o comando do Estado como continuidade desse mesmo projeto político. Nesta semana, um levantamento divulgado pela CBN Rio Branco mostrou que, dos 36 compromissos assumidos no plano de governo de Gladson Cameli e Mailza Assis, apenas nove foram efetivamente cumpridos, sendo parte deles apenas parcialmente executada. Se esse balanço servir de parâmetro para avaliar a gestão, Jéssica passa a emprestar sua credibilidade para pedir à população a renovação de um projeto cujo desempenho, sob esse critério, está longe de ser satisfatório.

Há ainda uma contradição que dificilmente deixará de ser explorada durante a campanha. Ao defender respeito às pessoas e condenar comportamentos agressivos, Jéssica se associa a uma chapa cuja titular é casada com um secretário de Estado que responde a processos relacionados a acusações de violência doméstica. Um desses episódios ocorreu justamente em Cruzeiro do Sul, cidade natal de Jéssica Sales, e teve enorme repercussão local. As imagens e relatos divulgados à época provocaram forte comoção entre muitas mulheres da região, especialmente entre vítimas de violência doméstica e pessoas sensibilizadas pelo caso. Independentemente do desfecho judicial, que cabe exclusivamente à Justiça definir, permanece a cobrança política: como sustentar um discurso de defesa das mulheres sem enfrentar publicamente um episódio que abalou justamente a cidade que Jéssica afirma representar com tanto orgulho? O silêncio, nesse contexto, tende a ser interpretado como uma escolha política.

Essas perguntas não diminuem o significado histórico de uma chapa formada por duas mulheres, fato inédito na política do Acre. Pelo contrário. Tornam ainda maior a responsabilidade de ambas em responder, com transparência, às cobranças da sociedade.

A política permite mudar de lado, construir alianças e até rever posições. O que não permite é imaginar que a memória do eleitor desapareça entre uma eleição e outra. Quem ontem criticava um governo e hoje pede votos para sua continuidade precisa explicar o que mudou. Quem faz do respeito a principal bandeira de campanha também precisa demonstrar que esse compromisso vale para todos os casos, inclusive aqueles que aconteceram dentro da própria casa política.

É essa coerência — e não apenas os discursos de lançamento — que os acreanos terão o direito de cobrar durante toda a campanha eleitoral.