Servidora citada em denúncia contra Mailza recebeu R$ 10,4 mil em diárias; viagens incluem Brasília, Rio e Cruzeiro do Sul

Eryclis Feitosa Sá da Silva, servidora comissionada citada em uma representação do Republicanos contra a governadora do Acre, Mailza Assis (PP), aparece em cinco pagamentos de diárias entre 2023 e 2026 que somam R$ 10.457,23. Os registros incluem deslocamentos para Cruzeiro do Sul, Brasília e Rio de Janeiro, além de uma viagem classificada apenas como “evento institucional”, sem destino informado no histórico da despesa.

Os pagamentos foram feitos por três estruturas diferentes do governo estadual ao longo do período: Gabinete do Vice-Governador, Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e Secretaria de Estado da Casa Civil. Todos os cinco empenhos constam como liquidados e pagos.

O lançamento mais recente é de 20 de julho de 2026, no valor de R$ 1.153. A despesa foi paga pela Casa Civil e corresponde a duas diárias para deslocamento a Cruzeiro do Sul. O histórico informa que Eryclis ocupava cargo em comissão no Gabinete da Governadora e que a viagem tinha como finalidade “assessorar a governadora em agenda institucional no Festival Atsa Puyanawa”.

Há uma inconsistência de data no próprio registro desse pagamento. O empenho foi emitido em 20 de julho de 2026 e o processo administrativo também traz 2026 na numeração, mas o histórico da despesa registra o deslocamento nos dias 18 e 19 de julho de 2016.

Em 2025, Eryclis recebeu três pagamentos de diárias, que juntos chegaram a R$ 7.729,86. O primeiro, de R$ 1.288,12, foi destinado a uma viagem a Cruzeiro do Sul entre 10 e 14 de março. A descrição informa que o objetivo era realizar “atendimento presencial para resolução de demandas individuais de servidores”.

O segundo pagamento daquele ano foi de R$ 3.220,87 para uma viagem a Brasília, entre 15 e 19 de junho. A justificativa registrada foi a participação no Encontro Nacional de Gestão de Pessoas do Sipec 2025, evento relacionado aos 55 anos de criação do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.

Outros R$ 3.220,87 foram pagos para um deslocamento ao Rio de Janeiro entre 23 e 27 de setembro de 2025. Nesse caso, foram concedidas quatro diárias e meia para participação em curso sobre eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb voltado a órgãos públicos.

O registro mais antigo do levantamento é de setembro de 2023. Eryclis recebeu R$ 1.574,37 pelo Gabinete do Vice-Governador por um deslocamento realizado entre 27 de agosto e 1º de setembro daquele ano. A descrição informa apenas “evento institucional” e não especifica a cidade ou o estado de destino.

Os registros de diárias não comprovam, por si só, as acusações feitas pelo Republicanos. As despesas apresentam justificativas de atividades institucionais e precisam ser analisadas separadamente da representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC).

A repercussão sobre Eryclis ganhou dimensão nacional após reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 10 de setembro. O Republicanos acusa Mailza de utilizar a servidora comissionada para atividades particulares relacionadas à família da governadora. A representação foi protocolada no TCE-AC em 9 de setembro.

Entre os elementos apresentados pelo partido está um cadastro de acesso a um condomínio no qual Eryclis aparece identificada como “prestador”, com a descrição de “motorista das crianças”. O Republicanos também apresentou registros de entradas e saídas e afirma que a servidora teria realizado atividades domésticas e atuado como motorista dos filhos de Mailza durante períodos que coincidiriam com o expediente público.

O partido pediu que o Tribunal de Contas apure os fatos, obtenha documentos funcionais, folhas de ponto e controles de acesso e levante os valores pagos pelo Estado para verificar a existência de eventual dano ao erário. Mailza, o marido, Madson Cameli, e Eryclis estão entre os nomes citados na representação.

O governo do Acre negou que servidores tenham sido utilizados para atividades particulares da governadora ou de familiares. A Casa Civil afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi transformado oficialmente em residência governamental por decreto de junho de 2025 e necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional. Também declarou que a função atribuída a Eryclis no cadastro privado do condomínio não foi criada nem validada pelo Estado.

Deu em Brasília! Republicanos acusa Mailza de usar servidora em afazeres domésticos

O Republicanos protocolou no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em 9 de setembro, uma representação contra a governadora Mailza Assis (PP), o marido dela, Madson Cameli, chefe do Gabinete Pessoal do Governo, e uma servidora comissionada. O partido acusa a gestão estadual de usar a funcionária para atividades particulares ligadas à família da governadora. O governo nega qualquer irregularidade.

A servidora citada é Eryclis Feitosa Sá da Silva, nomeada para um cargo comissionado CAS-4, com jornada de 40 horas semanais. O Republicanos sustenta que ela teria sido deslocada das funções públicas para atuar como motorista dos filhos da governadora e prestar apoio doméstico.

Entre os elementos apresentados ao TCE-AC está um cadastro de acesso a um condomínio. No registro, Madson Cameli aparece como responsável pelo imóvel e Eryclis é cadastrada como “prestador”, com a descrição “motorista das crianças”. A autorização de entrada aparece com validade entre abril de 2026 e abril de 2030.

A representação também reúne registros biométricos de entradas e saídas entre 16 de junho e 3 de setembro. O Republicanos afirma que parte dos acessos ocorreu em horários que coincidiriam com o expediente da administração estadual e sustenta que a servidora realizava “afazeres domésticos e cuidados familiares” enquanto recebia salário do Estado.

O partido pediu ao Tribunal de Contas a coleta de documentos funcionais, folhas de ponto, controles biométricos e informações sobre as atividades atribuídas à servidora. Também quer que sejam levantados os valores pagos pelo poder público e apurada a existência de eventual dano ao erário.

A representação solicita ainda o encaminhamento das informações à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público do Acre, ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A direção estadual do Republicanos é presidida por Roberto Duarte Júnior. O senador Alan Rick, filiado ao partido, disputa o governo acreano nas eleições de 2026.

O governo do Acre negou que servidores públicos tenham sido usados para prestar serviços particulares à governadora ou a familiares. A gestão afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi formalmente transformado em residência oficial por decreto publicado em junho de 2025 e, por isso, necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também declarou que a servidora foi designada para funções de direção e suporte relacionadas ao funcionamento da residência oficial. Sobre a identificação de “motorista das crianças” no cadastro do condomínio, o governo afirmou que a descrição foi feita em sistema privado, sem participação ou validação do Estado, e que esse registro não define cargo ou atribuição funcional.

O governo informou ainda que pretende apurar a origem e a divulgação dos dados relacionados à residência oficial, incluindo informações sobre a rotina de segurança e de menores de idade. A gestão afirmou que eventuais acessos ou compartilhamentos ilegais serão investigados.

Três meses após queda, moradores usam escombros enquanto governo não define futuro de ponte em Sena Madureira

Três meses após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, moradores ainda aguardam uma definição sobre o futuro da estrutura e passaram a usar os próprios escombros para atravessar o Rio Iaco. Vídeos divulgados nesta quarta-feira (9) mostram pessoas caminhando sobre os restos da ponte para chegar ao Segundo Distrito, diante das dificuldades enfrentadas no transporte entre as duas margens.

A travessia improvisada ocorre enquanto não há uma solução definitiva anunciada para substituir a ponte, que desabou em 5 de junho. Moradores e estudantes enfrentam problemas para utilizar catraias e parte da população passou a caminhar sobre os destroços, mesmo com o risco de quedas e outros acidentes.

A situação se arrasta desde junho. A ponte havia sido interditada um dia antes do desabamento, depois que uma vistoria encontrou uma fenda na estrutura. Mesmo fechada ao tráfego, quatro pessoas estavam no local no momento da queda e ficaram feridas.

Entregue em dezembro de 2023, a Ponte Frei Paolino Baldassari tinha 232 metros de extensão e recebeu investimento de R$ 36 milhões em recursos públicos estaduais. A estrutura ligava diretamente o Primeiro ao Segundo Distrito de Sena Madureira e reduzia a dependência das catraias e de trajetos terrestres mais longos.

Após o desabamento, o governo do Acre adotou medidas judiciais para buscar a responsabilização da empresa responsável pela construção e mobilizou órgãos estaduais para atender as vítimas e restringir o acesso à área. Passados três meses, porém, a população ainda não recebeu uma definição sobre a construção de uma nova ponte ou sobre uma solução definitiva para restabelecer a ligação.

Outro problema permanece sem conclusão: a perícia que deve ajudar a esclarecer as causas do colapso. No início de setembro, a Polícia Civil informou que o Estado ainda aguardava a contratação de profissionais e equipamentos necessários para realizar os exames. Os destroços também permaneciam no Rio Iaco.

Enquanto os procedimentos administrativos, judiciais e periciais avançam sem uma solução definitiva para a travessia, a rotina pesa sobre quem precisa chegar ao outro lado da cidade para estudar, trabalhar, transportar mercadorias ou acessar serviços. Com a ponte fora de operação, moradores voltaram a depender das catraias ou de percursos mais demorados.

Agora, as imagens de pessoas caminhando sobre os escombros expõem uma nova consequência do impasse. Até a divulgação do vídeo nesta quarta-feira, não havia sido apresentada uma medida definitiva para impedir que moradores recorressem aos restos da ponte como passagem sobre o rio.

Com informações de Extra do Acre

Estudante de medicina critica saúde do Acre e cobra providências de Mailza após atendimento de tio

A estudante de medicina Aline Bruna fez um desabafo nas redes sociais nesta quarta-feira (9) para criticar as condições de atendimento na saúde pública do Acre e cobrar providências da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação ocorreu durante o atendimento de um tio dela na rede pública. Horas depois, a estudante informou que o familiar, identificado como João Gomes de Souza, morreu.

No relato, Aline afirmou estar indignada com a assistência prestada ao tio e disse que decidiu tornar o caso público por considerar que outros pacientes também podem enfrentar dificuldades semelhantes. “Não queiram precisar da saúde pública do Acre”, declarou.

A estudante direcionou parte das críticas à governadora e afirmou que não desejaria que familiares de Mailza passassem pela mesma situação enfrentada pelo tio. “Espero muito que ela nunca tenha que precisar da saúde, seja tratada igual meu tio está sendo tratado. Espero muito que a família dela não precise”, disse.

Aline também cobrou a administração da Secretaria de Estado de Saúde do Acre e questionou a capacidade de pessoas que ocupam cargos na estrutura pública. Durante a gravação, alegou que indicações e relações pessoais teriam influência no preenchimento de funções na gestão.

“Pelo que parece, o nosso secretário de Saúde não entende nada de saúde, igual vários cargos que estão sendo ocupados. Não têm capacidade de administrar as coisas, mas sim por conhecer as pessoas certas. Indicação, amizade abre portas”, afirmou.

A estudante também fez acusações de natureza política contra a gestão estadual e mencionou suposto uso de dinheiro público com finalidade eleitoral. Aline não apresentou documentos ou outros elementos que comprovassem essas afirmações durante o desabafo. As declarações, portanto, são acusações feitas por ela e não fatos comprovados.

Ao longo da manifestação, Aline insistiu que a cobrança não estava limitada ao caso de sua família. “Estou lutando por um direito que é nosso. Não é só com meu tio. Eu quero que a saúde, em geral, melhore”, declarou.

Ela afirmou ainda acreditar que outras pessoas já enfrentaram problemas na rede estadual, mas não levaram os relatos ao conhecimento público. “O tanto de gente que já sofreu ali e não veio colocar a cara a tapa aqui que nem eu vim. Eu tenho coragem”, disse.

No encerramento do vídeo, a estudante voltou a cobrar mudanças na condução da saúde pública. “Eu não quero que isso aconteça com ninguém, porque ninguém merece passar por isso. Reveja o que você está fazendo. Reveja o seu papel”, afirmou.

Depois do desabafo, Aline voltou às redes sociais e comunicou a morte do tio. “Gente, meu tio veio a óbito”, escreveu. Uma nota de falecimento divulgada posteriormente identificou o homem como João Gomes de Souza e informou que o velório seria realizado na Comunidade Jesus de Nazaré, na Rua Seis de Agosto, em Rio Branco.

As publicações disponibilizadas pela família não informam a causa da morte. Também não há, até o momento, elementos que permitam estabelecer relação direta entre o óbito e as condições de atendimento criticadas pela estudante.

Alan Rick relaciona suspensão de tornozeleiras a feminicídio em Rio Branco

O senador e candidato ao governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), usou seu programa eleitoral desta quarta-feira, 9 de setembro, para cobrar explicações sobre a suspensão do monitoramento eletrônico de presos e relacionar a interrupção do serviço ao feminicídio de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, em Rio Branco. O principal suspeito do assassinato cumpria pena no regime semiaberto e usava tornozeleira eletrônica. A manifestação levou ao debate eleitoral a crise no sistema, que ficou fora do ar por falta de pagamento no início do mês.

A cobrança de Alan Rick ocorre em meio aos questionamentos sobre a responsabilidade do Estado pela continuidade do serviço. O monitoramento eletrônico é utilizado para acompanhar pessoas submetidas a medidas judiciais e também integra a proteção de mulheres em situação de violência doméstica. A suspensão atingiu tanto o rastreamento de presos quanto equipamentos vinculados a medidas protetivas, como a Unidade Portátil de Rastreamento (UPR) e o botão do pânico.

O Integração Net já havia mostrado, em reportagem publicada no dia 6 de setembro, que o assassinato de Maria Ramona ocorreu em meio à crise do monitoramento eletrônico e que o Estado acumulava quase R$ 3,9 milhões em serviços liquidados, mas sem pagamento registrado. A apuração também tratou da situação do principal suspeito, que usava tornozeleira enquanto cumpria pena no semiaberto e passou a ser procurado pela polícia depois do crime.

O serviço ficou suspenso a partir do meio-dia de 1º de setembro, permaneceu fora de operação durante o dia 2 e foi restabelecido na manhã de 3 de setembro. A interrupção ocorreu após a empresa Spacecomm Monitoramento S/A notificar o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) sobre uma pendência financeira referente a abril. A dívida que motivou a paralisação foi estimada em aproximadamente R$ 900 mil.

A situação financeira do contrato, porém, alcançava valores maiores. Cinco empenhos emitidos pelo Iapen entre maio e agosto somavam R$ 5.060.627,34. Desse total, R$ 3.897.579,33 haviam sido liquidados, enquanto os campos de pagamento permaneciam zerados nos registros consultados. A liquidação é a etapa em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado e que existe uma obrigação a pagar. Os valores, portanto, não correspondiam apenas a despesas previstas para o futuro.

Entre os registros analisados, o maior empenho foi emitido em 13 de maio, no valor de R$ 2.767.631,51, para o monitoramento de reeducandos por tornozeleiras entre abril e junho. Todo o montante havia sido liquidado, sem pagamento registrado. Outro empenho, de R$ 49.965,17, destinava-se ao acompanhamento de pessoas protegidas por medidas cautelares da Lei Maria da Penha, com UPR e botão do pânico. Desse valor, R$ 49.964,27 haviam sido liquidados, também sem pagamento registrado.

A paralisação foi registrada em comunicações internas do Iapen. O Memorando nº 232/2026/IAPEN-DME, da Divisão de Monitoramento Eletrônico, tratou da ausência de cobertura dos monitorados e das vítimas que utilizam UPR durante a suspensão. O Memorando nº 447/2026/IAPEN-DIPLAG, da Diretoria de Planejamento, abordou a gravidade da interrupção para mulheres protegidas pelo sistema.

A morte de Maria Ramona ampliou os questionamentos sobre as consequências da falha. O homem apontado como principal suspeito teria rompido a tornozeleira e fugido depois do assassinato. Ainda não foi esclarecido se a interrupção atingiu especificamente o acompanhamento dele, quando ocorreu a última transmissão de localização ou se a central recebeu algum alerta relacionado ao rompimento.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul realiza melhorias em vias urbanas e ramais

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul realizou, na terça-feira (8), serviços de recuperação de vias, limpeza e manutenção de ramais nas zonas urbana e rural do município. As frentes de trabalho, coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras e Limpeza Pública, buscam melhorar a mobilidade nos bairros e as condições de acesso às comunidades rurais.

Na Cohab, as equipes trabalharam na recuperação de ruas e na retirada de entulhos. Máquinas também atuaram na Rua Purus, no trecho após a Escola Dom Henrique Ruth, para corrigir pontos críticos da via. Os serviços de limpeza tiveram continuidade em outras regiões da cidade.

No bairro João Alves, a prefeitura executou operações de tapa-buracos. A Avenida Mâncio Lima recebeu trabalhos de revitalização de calçadas.

Na zona rural, as intervenções incluíram a aplicação de camada vegetal no ramal do Laguinho, no bairro Miritizal, além de melhorias no ramal do Badejo do Meio e na BR-307.

O secretário adjunto de Obras, Josinaldo Batista, afirmou que as equipes seguem o cronograma de manutenção para facilitar o transporte da produção rural e a circulação nos bairros. “Hoje estamos com serviços na zona urbana e rural”, declarou.

Rosana Nascimento critica gestão Mailza e declara apoio a Alan Rick

A representante do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Rosana Nascimento, declarou apoio ao candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) nesta terça-feira, 8 de setembro, durante reunião da Frente Sindical, em Rio Branco. A sindicalista criticou a gestão da governadora Mailza Assis (PP), cobrou valorização dos servidores públicos e defendeu a redução de despesas do Estado para abrir espaço a reajustes salariais.

Rosana afirmou que o governo precisa rever gastos com eventos, aluguel de imóveis, cargos comissionados e contratos terceirizados. Na avaliação dela, a economia poderia ampliar os recursos destinados ao funcionalismo, especialmente aos trabalhadores da Educação, que enfrentam dificuldades financeiras e recorrem a empréstimos para complementar a renda.

“Eu tenho esperança que vai ter corte, que vai poder atender, principalmente, os servidores que vivem hoje, gente, com R$ 2.500. É humanamente impossível”, afirmou. A sindicalista disse que a falta de reajustes tem contribuído para o endividamento da categoria e cobrou medidas para recuperar o poder de compra dos trabalhadores.

Entre as despesas questionadas, Rosana citou o pagamento de aluguéis de prédios pelo governo. Ela defendeu o aproveitamento de imóveis públicos que estejam abandonados ou sem utilização, como alternativa para reduzir custos. Também criticou a quantidade de cargos comissionados e pediu a realização de concursos públicos para ampliar o quadro de servidores efetivos.

A representante sindical associou a contratação de servidores concursados ao fortalecimento da Previdência estadual. “O senhor não precisa contratar esses abusos de cargos comissionados que não contribuem para o Acre Previdência. Tem que ter concurso efetivo”, disse, ao defender mudanças na política de pessoal do Estado.

Durante o encontro, Rosana também fez críticas à administração de Mailza Assis e mencionou denúncias relacionadas a contratos e gastos públicos. As afirmações foram apresentadas como parte de sua avaliação política sobre a atual gestão. “Eu não suporto mais esse grupo. (…) Nós precisamos mudar essa realidade”, declarou.

Ao anunciar apoio a Alan Rick, a sindicalista afirmou que já havia decidido apoiar o senador antes de receber um pedido dele. “Independentemente de o Alan ter me pedido o apoio, eu já tinha decidido. (…) Eu quero lutar para tirar esse grupo e quero pedir aos colegas que também não aceitem a continuidade desse grupo.”

Rosana encerrou a manifestação pedindo que Alan Rick, caso seja eleito, mantenha diálogo permanente com os sindicatos e participe da construção de medidas para atender às reivindicações dos servidores. “Nós não queremos quebrar o Estado. Nós queremos ser valorizados. (…) Governador, nós queremos construir junto”, afirmou.

TRE-AC defere candidatura de Clodoaldo Rodrigues após decisão do TCE

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deferiu, por unanimidade, nesta terça-feira, 8 de setembro, o registro de candidatura de Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, o Clodoaldo Rodrigues, a deputado estadual pela Federação União Progressista. O tribunal rejeitou a impugnação do Ministério Público Eleitoral (MPE) após o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) suspender parte dos efeitos da decisão que havia julgado irregulares as contas de 2019 da Câmara Municipal de Cruzeiro do Sul, período em que o candidato presidia a Casa.

A mudança ocorreu depois que o TCE-AC concedeu, em 4 de setembro, uma medida cautelar para suspender parcialmente o Acórdão nº 13.867/2023. Com a nova decisão, o próprio Ministério Público Eleitoral reviu sua posição e passou a defender o deferimento do registro.

A impugnação tinha como fundamento a rejeição das contas da Câmara de Cruzeiro do Sul relativas a 2019. O julgamento do Tribunal de Contas imputou débito de R$ 162.747,80 e aplicou multas. Na ação eleitoral, o MPE sustentava que as irregularidades eram insanáveis e configuravam, em tese, ato doloso de improbidade administrativa, o que poderia enquadrar Clodoaldo nas hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa.

A defesa contestou o pedido e apresentou documentos relacionados principalmente a procedimentos licitatórios e obrigações previdenciárias. Inicialmente, o Ministério Público manteve a impugnação por entender que os documentos não afastavam os efeitos da decisão do TCE-AC.

O quadro mudou com a decisão proferida no Processo nº 150.564. Ao acolher embargos de declaração, o Tribunal de Contas reconheceu omissões e suspendeu cautelarmente os efeitos dos subitens 1.4, 1.9, 1.11, 2, 2.1 e 2.2 do acórdão de 2023, até nova deliberação. O reexame foi motivado pela apresentação de documentos novos considerados pertinentes aos apontamentos questionados.

Após a suspensão parcial, a Procuradoria Regional Eleitoral passou a entender que os apontamentos ainda em vigor, considerados isoladamente, não reuniam elementos suficientes para caracterizar irregularidades insanáveis configuradoras de ato doloso de improbidade administrativa. Por isso, opinou pela improcedência da impugnação e pelo deferimento da candidatura.

A relatora do processo, juíza Rogéria José Epaminondas Mesquita, acompanhou o novo entendimento do MPE. No voto, afirmou que a rejeição de contas, por si só, não basta para gerar inelegibilidade. A legislação exige o preenchimento cumulativo de requisitos, entre eles a configuração de ato doloso de improbidade administrativa. Para a magistrada, esse requisito não ficou caracterizado diante da situação jurídica atual das contas.

O deferimento do registro não equivale à aprovação definitiva das contas de Clodoaldo. Parte dos efeitos da decisão do TCE-AC permanece em vigor, enquanto os capítulos suspensos ainda serão reexaminados. O Ministério Público também ressalvou que uma eventual decisão definitiva do Tribunal de Contas poderá produzir efeitos, observados os limites temporais do processo de registro de candidatura.

O TRE-AC também examinou a existência da ação civil pública por ato de improbidade administrativa nº 0800197-72.2024.8.01.0002, em tramitação na 2ª Vara Cível de Cruzeiro do Sul. Há nos autos apenas o registro do recebimento da petição inicial, o que não equivale a julgamento definitivo de procedência nem demonstra, por si só, o dolo específico exigido para a inelegibilidade analisada.

Com o julgamento, Clodoaldo Rodrigues teve o registro deferido para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre com o número 11555. O acórdão foi publicado em sessão nesta terça-feira. Não há informação sobre trânsito em julgado ou eventual interposição de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Áudio vazado: prefeito do MDB chama governo de Mailza de irresponsável após morte no Acre

O prefeito de Santa Rosa do Purus, Tamir Sá (MDB), criticou o governo da governadora Mailza Assis (PP) em um áudio que circulou nesta terça-feira (8), após a morte de Davi de Lima, de 34 anos. O diarista morreu no município, no interior do Acre, enquanto aguardava transporte aéreo para ser transferido ao Pronto-Socorro de Rio Branco. O caso provocou questionamentos sobre a assistência a pacientes graves em cidades isoladas.

Na gravação, Tamir atribuiu responsabilidade ao governo estadual pela demora no resgate. O prefeito classificou a situação como “o rapaz morrer à míngua por conta de um governo irresponsável, que brinca com a vida do povo”. Ele também afirmou que havia aviões e helicópteros disponíveis e criticou o fato de o paciente não ter sido transportado a tempo.

Davi foi atingido por uma facada no abdômen durante um desentendimento na noite de segunda-feira (7). Ele deu entrada na Unidade Mista de Saúde de Santa Rosa do Purus por volta das 22h, recebeu atendimento e precisou ser intubado após o agravamento do quadro clínico. A equipe de saúde solicitou uma aeronave para levá-lo à capital, mas o transporte não chegou antes da morte, registrada por volta das 12h30 de terça-feira.

Santa Rosa do Purus não possui ligação rodoviária com os demais municípios acreanos. Em situações que exigem atendimento especializado fora da cidade, a transferência de pacientes depende do transporte aéreo. A disponibilidade das aeronaves mencionadas pelo prefeito, os motivos da demora e as providências adotadas pelo Estado ainda não haviam sido esclarecidos publicamente nas informações disponíveis sobre o episódio.

A crítica também tem repercussão política por partir de um prefeito do MDB, partido que integra a aliança de Mailza para as eleições de 2026. A legenda oficializou apoio à governadora em julho e indicou a ex-deputada federal Jéssica Sales para a vaga de vice-governadora. A manifestação de Tamir, portanto, parte de uma liderança de uma sigla que participa da chapa governista, embora não haja informação de que o episódio tenha provocado mudança no posicionamento do partido.

A Polícia Militar iniciou buscas pelo suspeito de esfaquear Davi, identificado como Elison Silva dos Santos. As circunstâncias e a motivação do crime deverão ser investigadas. A morte do paciente e a demora na transferência são questões distintas, e a responsabilidade pelo atendimento e pelo transporte depende do esclarecimento dos procedimentos adotados no caso.

Com informações da Contilnet

TRE-AC barra candidatura de Antônia Lucileia a deputada federal por condenações de peculato e improbidade

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu, por unanimidade, nesta terça-feira, 8 de setembro, o registro de candidatura de Antônia Lucileia da Cruz Ramos Câmara a deputada federal pelo MDB. A decisão acolheu a impugnação do Ministério Público Eleitoral, que apontou inelegibilidade decorrente de condenações por peculato e por ato doloso de improbidade administrativa relacionado à prática de “rachadinha”.

Os seis magistrados que participaram da votação acompanharam o relator, desembargador Lois Carlos Arruda. O julgamento foi presidido pela desembargadora Waldirene Oliveira da Cruz-Lima Cordeiro, que não participou da votação. A decisão foi tomada no processo nº 0600182-90.2026.6.01.0000.

A Procuradoria Regional Eleitoral apresentou a impugnação em 3 de agosto, com fundamento em condenação colegiada pelo crime de peculato. No mesmo dia, acrescentou ao pedido outra causa de inelegibilidade, baseada em condenação por improbidade administrativa. A defesa contestou o aditamento e sustentou que o Ministério Público não poderia ampliar os fundamentos da impugnação depois do protocolo inicial.

O TRE-AC rejeitou o argumento. Para os magistrados, o acréscimo foi apresentado dentro do prazo legal e não prejudicou o direito de defesa, já que a candidata teve conhecimento da nova causa de inelegibilidade e apresentou contestação específica.

A condenação por improbidade envolve a apropriação de remunerações pagas pela Câmara dos Deputados a assessor parlamentar que não exercia efetivamente as funções do cargo. A Justiça Eleitoral considerou que a conduta reconhecida na condenação reúne enriquecimento ilícito, lesão ao patrimônio público e dolo específico, requisitos para a inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990.

Na ação de improbidade, a candidata recebeu sanções de ressarcimento dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda de função pública, suspensão dos direitos políticos por cinco anos, multa civil e proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

A defesa também tentou afastar os efeitos da condenação criminal por peculato. O argumento foi de que uma decisão monocrática de 22 de julho de 2026 reconheceu a incompetência absoluta do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e determinou a remessa da ação penal ao Supremo Tribunal Federal, que deverá examinar sua competência e a validade dos atos processuais anteriores.

Os magistrados entenderam, porém, que a remessa ao STF não anulou expressamente o acórdão condenatório. Enquanto o Supremo não decidir sobre a validade dos atos, a condenação colegiada permanece apta a produzir efeitos eleitorais.

Com o indeferimento, Antônia Lucileia fica impedida de disputar a eleição com o registro deferido pelo TRE-AC. A decisão ainda pode ser questionada por meio de recurso às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.