Empresários de Cruzeiro do Sul cobram resposta imediata do governo em agenda da Suframa

No comentário feito no Jornal da Manhã desta sexta-feira, 12, na Rádio Integração 99,9 FM, Rogério Wenceslau levou para o centro do debate um recado que, segundo ele, veio diretamente dos bastidores do setor produtivo de Cruzeiro do Sul: a classe empresarial não quer promessa para depois da eleição nem discurso de aproximação sem efeito prático. A expectativa em torno da presença da governadora Mailza Assis na agenda ligada à Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento, da Suframa, estava menos ligada ao simbolismo político e mais à cobrança por medidas imediatas para aliviar o custo de empreender no Juruá.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

Nesse bastidor, o problema não seria falta de diagnóstico, mas de resposta. O comentário apontou que o setor produtivo conhece com precisão onde estão os gargalos e não se contenta mais com falas genéricas sobre desenvolvimento regional. A demanda, segundo Wenceslau, é por uma agenda objetiva, com reflexos no caixa das empresas e no dia a dia do comércio, capaz de reduzir pressão tributária e criar condições mínimas de competitividade no interior.

Wenceslau também incluiu a BR-364 no centro da cobrança. Para ele, qualquer discussão séria sobre desenvolvimento em Cruzeiro do Sul passa pela estrada que liga o Vale do Juruá ao restante do estado. Ao citar a situação da rodovia, o comentarista sustentou que o governo estadual tem obrigação política de liderar a pressão por solução, ainda que a responsabilidade formal pela via seja federal. Sem logística confiável, afirmou, o discurso de incentivo ao setor produtivo perde força antes mesmo de chegar ao mercado.

Ao fundo dessa expectativa econômica, o comentarista também enxergou movimento político. Ele disse que o governo já entrou em modo de campanha e avaliou que a agenda em Cruzeiro do Sul poderia servir tanto para reforçar alianças quanto para tentar reaproximar o Palácio Rio Branco do empresariado local. Mas, no retrato traçado por Wenceslau, o humor da classe produtiva indica que gesto político, sozinho, não basta. O que o setor quer ouvir é anúncio com efeito imediato, capaz de sair do palanque e entrar na rotina de quem mantém empresa aberta no interior.

Família espera TFD há mais de um mês em Cruzeiro do Sul enquanto gastos do governo com jatos somam R$ 12 milhões

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual voltou a expor a dificuldade de acesso a atendimentos de alta complexidade no Acre. Em Cruzeiro do Sul, uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá aguarda há mais de um mês transferência para avaliação e possível procedimento neurocirúrgico fora do estado. O caso, trazido a tona pelo jornal Notícias do Juruá, ocorre num momento em que registros de pagamento do governo estadual apontam R$ 12,44 milhões em despesas com fretamento de aeronaves descritas como jato entre 2023 e 2025.

Identificada pelas iniciais F.J.S.M., a paciente foi internada em 23 de abril. Cinco dias depois, após exames, houve solicitação médica para encaminhamento via TFD interestadual. Sem resposta até a segunda quinzena de maio, a família procurou o Ministério Público do Acre para cobrar providências.

O quadro clínico é tratado como grave. A equipe de neurocirurgia registrou histórico de hidrocefalia complexa, múltiplas intervenções e necessidade de reavaliação em centro de referência. O laudo aponta risco de agravamento neurológico, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits permanentes e até morte caso a paciente permaneça sem avaliação especializada.

A mãe da jovem, Antônia de Souza Cruz, diz que a filha convive com dor contínua e que a família segue sem qualquer previsão de transferência. “Minha filha sente dor 24 horas por dia. Estamos cansados dessa espera. É um quadro de urgência e até agora não temos previsão de sair do Acre”, afirmou.

A cobrança da família não é direcionada ao atendimento da unidade hospitalar. Antônia relata que a paciente tem recebido acompanhamento da equipe do Hospital Regional do Juruá, inclusive suporte psicológico. A queixa é pela demora na liberação do TFD interestadual e pela ausência de prazo para a remoção.

Nesta sexta-feira, 12, houve inclusive aeronave, geralmente usada pelo governo, chegando a Cruzeiro

Ela também relata que a situação não seria isolada. De acordo com a mãe, outro paciente da unidade, identificado como Emanuel, também espera há mais de um mês por transferência para tratamento fora do estado.

O impasse ocorre em meio ao alto volume de gastos públicos com transporte aéreo. Levantamento realizado pela nossa redação, com base em dados do Portal da Transparência do Estado, mostra R$ 76 milhões em pagamento destinadas à empresa Ortiz Táxi Aéreo. Desse total, R$ 32,4 milhões aparecem vinculados à Secretaria de Estado da Casa Civil.

Dentro desse montante, os registros com menção expressa a “jato” somam R$ 12.440.400, distribuídos em 52 linhas de pagamento e 43 empenhos conciliados entre junho de 2023 e dezembro de 2025. Os históricos tratam, em sua maioria, de fretamento de aeronave a jato, por hora de voo ou por modelo de aeronave, sem descrição dos motivos dos voos.

No Vale do Juruá, onde a oferta de serviços especializados é limitada e a distância dos grandes centros pesa na rotina do atendimento, o TFD é uma etapa decisiva para pacientes que precisam de tratamento fora do Acre. Em casos graves, a transferência depende não só de vaga e autorização, mas também de uma logística rápida, muitas vezes aérea.

É nesse ponto que o caso de Cruzeiro do Sul ganha dimensão maior do que a de um drama individual. De um lado, o estado mantém contratos milionários para deslocamentos oficiais. De outro, pacientes em situação de urgência seguem à espera de autorização, leito e transporte para atendimento fora da rede local. Sem resposta e sem prazo, a espera pela transferência mantém aberta uma das áreas mais sensíveis da saúde pública acreana.

Zezinho Barbary é alvo de apuração da PF por ordem do STF em caso de emendas no Acre

O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.

A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.

A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.

Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.

Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.

Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.

Mâncio Lima recebe 11 máquinas para recuperar mais de 300 quilômetros de ramais

Mâncio Lima vai receber 11 máquinas para reforçar a recuperação de mais de 300 quilômetros de ramais do município, após o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, nesta sexta-feira, 12. A ação do Governo do Acre amplia os investimentos em infraestrutura rural e busca melhorar o acesso de produtores e comunidades da zona rural.

O anúncio foi acompanhado pelo prefeito Zé Luiz, que participou do evento e confirmou o início imediato dos serviços no município. A expectativa é de que o reforço na estrutura permita acelerar a recuperação das estradas vicinais e garantir melhores condições de tráfego em áreas usadas diariamente para o escoamento da produção e o deslocamento de moradores.

Durante o lançamento, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que o governo mantém apoio aos municípios para melhorar a trafegabilidade nos ramais. “Estamos trabalhando em parceria para garantir melhores condições de trafegabilidade nos ramais e atender a população com responsabilidade”, declarou.

A governadora Mailza Assis disse que a operação tem foco no acesso das famílias, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da qualidade de vida da população. “Nosso objetivo é assegurar o acesso das famílias, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.

O prefeito Zé Luiz classificou a chegada das máquinas como um avanço para Mâncio Lima e destacou o impacto da medida para a zona rural. “Receber essas máquinas representa um grande avanço para o nosso município. Vamos iniciar os trabalhos de imediato para garantir melhores condições de trafegabilidade, fortalecer a produção rural e oferecer mais qualidade de vida às famílias que dependem dos ramais”, disse.

A Operação Verão prevê investimentos em diferentes regiões do Acre para a recuperação de ramais, rodovias e pontes, em uma estratégia de atuação conjunta entre o governo estadual, prefeituras e comunidades rurais.

Governo lança linha com juros reduzidos para motociclistas de aplicativo

O governo federal lançou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, em Brasília, uma linha de crédito para motociclistas e entregadores de aplicativos financiarem motos e bicicletas elétricas produzidas no país. Batizado de Move Brasil – Entregadores e Motoapp, o programa prevê juros de 12,5% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, financiamento de 100% do valor do veículo, sem entrada, e prazo de até 48 meses, com dois meses de carência. Durante o anúncio no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida busca tirar esses trabalhadores da invisibilidade e ampliar o acesso ao crédito e à renovação da frota.

Pelas regras divulgadas, poderão aderir ao programa profissionais cadastrados em plataformas há pelo menos seis meses e com no mínimo 100 corridas ou entregas realizadas, além de motofretistas, mototaxistas e ciclistas com carteira assinada há pelo menos seis meses. Para veículos que exigem habilitação, será preciso apresentar CNH na categoria A. O cadastro começa em 15 de junho na plataforma oficial do programa, e a busca pelo financiamento nos bancos participantes poderá ser feita a partir de 13 de julho, depois da confirmação de elegibilidade e da análise de crédito pelas instituições financeiras.

O programa permite a compra de um veículo zero-quilômetro por CPF e abrange motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas, além de modelos elétricos e bicicletas elétricas dentro dos limites definidos pelo governo. Também entram no financiamento o seguro prestamista e, no caso das empresas, baterias, pontos de troca e sistemas de recarga para motos elétricas. A meta oficial é viabilizar a aquisição de cerca de 100 mil motocicletas. Segundo o ministro Guilherme Boulos, a linha foi desenhada para oferecer custo bem abaixo do mercado, onde os juros médios para a compra de motos estão em torno de 27% ao ano.

Cruzeiro do Sul reúne órgãos e cooperativa em ação de limpeza e preservação do Rio Juruá

Cruzeiro do Sul realizou uma ação de limpeza e conscientização ambiental nas margens do Rio Juruá, com participação da prefeitura, órgãos estaduais e federais e entidades locais. A mobilização integrou a programação do Mês do Meio Ambiente e fez parte do Dia D de Limpeza de Cursos Hídricos, com foco na retirada de resíduos e na orientação sobre descarte correto do lixo.

A atividade começou no Porto Central, no cais da cidade, e concentrou esforços na remoção de materiais acumulados nas margens do rio. A ação também buscou orientar barqueiros, ribeirinhos e passageiros que usam a hidrovia entre Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e municípios do Amazonas. Participaram da mobilização a Secretaria Municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, a Secretaria de Obras, por meio do Departamento de Limpeza Pública, a Defesa Civil, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros, a Marinha, o 61º BIS e a Coopersul.

A iniciativa foi tratada pelos organizadores como uma medida de limpeza imediata e de educação ambiental. A secretária municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Edna Fonseca, afirmou que o rio não pode ser tratado como destino final do lixo e defendeu orientação contínua aos usuários da via fluvial. O presidente da Coopersul, Eutimar Sombra, também alertou para os impactos do descarte irregular em um cenário de previsão de estiagem severa, com risco ambiental e reflexos para a saúde das comunidades ribeirinhas.

Durante a mobilização, o Corpo de Bombeiros chamou atenção para os cuidados no transporte de combustível pelos rios durante o período seco. A orientação foi para que embarcações redobrem a atenção com a redução do nível das águas, a fim de evitar acidentes e contaminação. A avaliação entre os participantes é de que a força-tarefa reforça a presença do poder público no rio e tenta consolidar a preservação do Juruá como pauta permanente no Vale do Juruá.

Operação Ptolomeu fica travada no Acre e 12 investigados seguem sem denúncia

Dois anos e meio depois de a Operação Ptolomeu abrir a primeira frente criminal contra o esquema de corrupção investigado no governo do Acre, o processo que mira 12 investigados sem foro privilegiado continua parado no Ministério Público Estadual, em Rio Branco, sem denúncia oferecida, sem data para chegar à promotoria responsável e sem previsão de julgamento. A informação foi trazida pela TV Gazeta, no jornal Gazeta em Manchete de quinta-feira, dia 11, e expõe o contraste entre a condenação do ex-governador Gladson Cameli no Superior Tribunal de Justiça e a lentidão da parte local do caso.

O ex-governador foi condenado pela Corte Especial do STJ a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado. A ação em Brasília tratou de crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, porém, a parte que envolve familiares, ex-secretários, empresários e servidores ainda não atravessou a etapa decisiva da denúncia criminal. Sem esse ato, ninguém vira réu na primeira instância, a instrução não começa e a responsabilização dos demais personagens fica suspensa.

A primeira ação penal nascida da Ptolomeu ficou conhecida como caso Murano. Ela trata de contratos de obras e recuperação de prédios públicos estaduais que, pela acusação, foram usados para desviar dinheiro do Estado por meio de uma empresa de fachada. A engrenagem passava pela cessão de CNPJ, pela contratação formal de uma empresa sem estrutura real para executar o serviço e pela movimentação de cerca de R$ 18 milhões. Desse total, R$ 11 milhões aparecem ligados diretamente a sobrepreço e superfaturamento. Na prática, o que deveria virar obra pública virou prova de um mecanismo que drenava recursos do orçamento acreano por dentro dos próprios contratos oficiais.

A lista dos investigados que desceu para a Justiça de primeiro grau alcança o núcleo familiar e administrativo de Gladson Cameli. Estão nela a ex-esposa Ana Paula Corrêa da Silva Cameli, o irmão Gledson de Lima Cameli, o pai Eládio Cameli, o ex-secretário de Obras Thiago Caetano, os empresários Gabriel Látia de Araújo e Souza e Uudson Marcelo Amaral de Souza, além de servidores estaduais ligados ao funcionamento das licitações. São nomes que, pela investigação original, ajudariam a explicar como uma fraude desse tamanho não nasce apenas da assinatura de uma autoridade, mas de uma rede que prepara edital, valida medição, libera pagamento, empresta empresa e dá aparência legal ao desvio.

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, mandou a parte dos acusados sem foro para a Justiça Federal do Acre em dezembro de 2023. Depois disso, os autos passaram pelo Tribunal de Justiça e chegaram ao Ministério Público do Acre. A instituição reconheceu que recebeu o processo, mas atribuiu a demora ao fluxo interno. “O processo foi recebido pela instituição, mas ainda não chegou à promotoria responsável, que é a Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social”, informou o MPAC à TV Gazeta.

Essa frase resume o impasse. Não se trata de absolvição, arquivamento ou decisão judicial que encerrou a apuração. O processo existe, os nomes existem, os valores existem e a condenação no STJ já fixou, em outro braço da mesma operação, a existência de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos. O que falta, no Acre, é o ato processual básico para que os demais investigados respondam formalmente às acusações perante a Justiça.

A demora cria uma desigualdade difícil de explicar ao cidadão que paga imposto e vê escola, hospital, estrada e prédio público dependerem de cada real do orçamento. O ex-governador recebeu uma pena pesada por crimes ligados a licitações e lavagem de dinheiro, mas a engrenagem local que teria dado sustentação ao esquema continua sem enfrentamento criminal efetivo na primeira instância.

A consequência não é apenas jurídica. Quando um processo desse porte fica parado, o tempo trabalha contra a memória das provas, contra a recuperação do dinheiro e contra a confiança pública nas instituições. Cada mês sem denúncia empurra para mais longe a resposta sobre quem assinou, quem recebeu, quem intermediou, quem lavou dinheiro e quem se beneficiou dos contratos. Também distancia o Estado da possibilidade de recompor o prejuízo causado aos cofres públicos.

No STJ, a condenação de Gladson Cameli tratou de crimes que atravessam a administração pública por dentro: organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, a parte desmembrada ainda espera o Ministério Público transformar os autos em denúncia ou apontar, de forma fundamentada, outro caminho processual.

A Operação Ptolomeu começou como uma investigação sobre corrupção na cúpula do poder estadual e avançou sobre contratos, obras, empresas e movimentações financeiras. O caso Murano é uma das peças dessa arquitetura. Ele não trata de um episódio isolado, mas de uma forma de operação: empresas usadas como fachada, contratos públicos como porta de entrada, servidores e empresários como operadores, dinheiro público como alvo.

É por isso que a estagnação no Ministério Público do Acre pesa mais do que uma demora comum de cartório. Ela mantém sem resposta a parte mais próxima do cotidiano acreano: os personagens que circularam nos órgãos estaduais, as empresas que receberam, os servidores que tocaram os processos e os familiares que aparecem no entorno do ex-governador. Enquanto essa etapa não anda, a Ptolomeu fica partida em duas realidades. Em Brasília, uma condenação histórica. Em Rio Branco, um processo ainda preso antes da largada.

Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Ortiz cresce160% em contratos com o governo em apenas um ano, questiona coluna da Gina e reacende pergunta que o MPAC já fez! 

A Coluna da Gina Menezes, no portal Folha do Acre, trouxe nesta semana um questionamento que merece sair dos bastidores políticos e entrar no campo da transparência pública: qual é, afinal, o tamanho da Ortiz no Acre?

A provocação da coluna chama atenção para a força de um grupo empresarial que há anos opera em uma área sensível para o Estado: o transporte aéreo. Mas o ponto mais relevante não está apenas na influência política ou econômica atribuída à família. Está em uma pergunta que o próprio Ministério Público do Acre já havia colocado oficialmente: como os contratos da Ortiz Táxi Aéreo com o governo estadual cresceram mais de 160% de 2024 para 2025?

A questão aparece em portaria da Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Patrimônio Público, assinada pela promotora Myrna Teixeira Mendoza. O procedimento foi instaurado para apurar o fretamento de aeronaves a serviço do governo do Estado em 2025, em contratos considerados de valores vultuosos com a empresa Ortiz Táxi Aéreo.

No documento, o MPAC afirma que houve “evolução exponencial” dos valores contratados ao longo dos anos, com aumento superior a 160% de 2024 para 2025, em um intervalo de apenas um ano, sem justificativa técnica amplamente divulgada. A Promotoria também registra que os contratos acumulados com a empresa desde 2019 ultrapassam R$ 84 milhões.

Esse é o centro da discussão. Em um estado onde o transporte aéreo tem importância real para deslocamentos oficiais, atendimento de regiões isoladas, transporte de pessoal, cargas e apoio a serviços públicos, a contratação de aeronaves pode ser necessária. O que o MPAC quer entender é outra coisa: por que a despesa cresceu tanto e em tão pouco tempo?

A Ortiz aparece, hoje, como uma das principais empresas do setor aéreo no Acre. A empresa presta serviços de fretamento de aeronaves e tem relação contratual com o poder público estadual, especialmente em demandas ligadas à Casa Civil, ao Gabinete do Governador e a outros órgãos participantes de processos de registro de preços.

Em 2024, termo aditivo publicado no Diário Oficial registrou contrato entre a Casa Civil e a Ortiz Táxi Aéreo para prestação de serviços de fretamento de aeronaves, com transporte de pessoal em trechos nacionais, interestaduais, intermunicipais e internacionais. O contrato tinha como finalidade atender às necessidades do Gabinete do Governador e da Secretaria de Estado da Casa Civil, com valor anual estimado de R$ 6,825 milhões.

Já em 2025, a empresa voltou a aparecer em contratação de grande porte. No Pregão Eletrônico SRP nº 390/2025, a planilha comparativa de preços aponta a Ortiz como vencedora de dois itens para fretamento de aeronaves: um monomotor turboélice do tipo Caravan e um bimotor turboélice pressurizado do tipo King Air. O total classificado em favor da empresa chegou a R$ 49,509 milhões.

É importante registrar que ata de registro de preços não significa, automaticamente, execução integral de todo o valor previsto. Ainda assim, o tamanho do processo ajuda a explicar por que a Promotoria decidiu olhar para a evolução desses contratos.

O pregão também foi alvo de disputa administrativa. A Rio Branco Aerotáxi recorreu contra a habilitação da Ortiz no item referente à aeronave bimotor turboélice pressurizada do tipo King Air. A concorrente alegou que a empresa não teria apresentado, naquele momento, documentação suficiente para comprovar a disponibilidade da aeronave e homologações necessárias junto à Anac.

A Ortiz, por sua vez, defendeu que as exigências apontadas pela concorrente diziam respeito à fase de contratação, e não à habilitação. O pregoeiro negou o recurso e manteve a empresa como vencedora do grupo 02 do processo.

A decisão administrativa, no entanto, não elimina o questionamento maior levantado pelo Ministério Público. O procedimento da Promotoria não trata apenas de uma disputa entre empresas, mas da necessidade de explicar o crescimento acelerado dos gastos públicos com fretamento de aeronaves.

A portaria também menciona o uso de justificativas genéricas, falta de transparência ativa e possível uso inadequado das aeronaves para finalidades diversas do contrato. Por isso, o MPAC determinou a formalização do procedimento e solicitou diligência ao Núcleo de Apoio Técnico, responsável por analisar a documentação reunida.

A Coluna da Gina acerta ao recolocar a Ortiz no centro do debate público. Mas o ponto mais concreto não é apenas dizer que o grupo é poderoso. É mostrar que esse poder empresarial se cruza com contratos públicos, logística aérea e dinheiro do Estado.

A pergunta que precisa ser respondida não é retórica. Ela já foi feita pelo Ministério Público: o que justifica um crescimento de mais de 160% nos valores contratados com a Ortiz entre 2024 e 2025?

A resposta cabe ao governo do Acre, aos órgãos contratantes e à própria documentação dos processos administrativos. Em um contrato dessa dimensão, transparência não é favor. É obrigação.

Foto: Charles Bezerra – @charlesbzrr

Prefeitura de Rio Branco amplia transmissão gratuita da Copa do Mundo na Praça da Revolução

A Prefeitura de Rio Branco ampliou a programação de exibição pública da Copa do Mundo de 2026 e passou a anunciar a transmissão gratuita de todos os jogos do torneio na Praça da Revolução, no Centro da capital. A medida foi divulgada nesta quinta-feira, 11 de junho, e amplia uma agenda que antes estava concentrada nas partidas da seleção brasileira, com a proposta de transformar o espaço em ponto de convivência, lazer e torcida durante a competição.

A programação começou nesta quinta com a partida de abertura entre México e África do Sul, marcada para 14h. A estrutura montada pela prefeitura inclui palco, telão, segurança, banheiros químicos, distribuição de água e áreas voltadas a famílias, idosos, crianças e pessoas com deficiência.

A ampliação das transmissões ocorreu após pedidos de torcedores que queriam acompanhar também os jogos de outras seleções, e não apenas os compromissos do Brasil. Nos dias de partidas da equipe brasileira, a prefeitura também anunciou atrações musicais e a presença de pontos de alimentação e bebidas com apoio da economia solidária.

A estreia do Brasil no torneio está prevista para sábado, 13 de junho, contra o Marrocos, em jogo da fase de grupos. A convocação da prefeitura é para que o público chegue à praça a partir das 15h para acompanhar a partida em telão instalado no espaço público.