Prefeito de Rodrigues Alves diz que ponte ficou parada por ter sido amarrada à estrada para o Peru

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, afirmou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, que a ponte sobre o Rio Juruá continua sem execução porque foi colocada dentro do projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Para ele, a obra deveria ter sido tratada separadamente, já que a necessidade da ponte é local e imediata, enquanto a rodovia internacional envolve licenciamento, consulta a povos indígenas, estudos ambientais e uma disputa jurídica bem mais ampla. “Hoje nós todos sabemos da importância de nós termos ali aquela ponte em Rodrigues Alves”, disse o prefeito.

A ponte é prometida há décadas e seria a ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Hoje, a travessia depende da balsa. A própria conversa no programa nasceu desse ponto: não dá para falar de Rodrigues Alves sem falar da ponte. A BR-364 passa nas proximidades da frente do município, abaixo da travessia da balsa, numa área onde os limites de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima se encontram. Essa localização torna a obra mais do que uma demanda municipal. Ela mexe com o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, comerciantes, produtores rurais e moradores que dependem de Cruzeiro do Sul para serviços públicos, saúde, comércio e transporte.

Salatiel disse que a ponte acabou presa ao mesmo processo da estrada para o Peru. “Antes se dizia que ia ter a construção da estrada até o Peru e que o projeto da ponte estava dentro desse projeto dessa estrada. Depois veio o embargo pelo Ministério Público Federal dessa rodovia, onde não tiveram como executar a ponte porque estava dentro desse projeto”, afirmou. A explicação do prefeito coincide com o histórico do edital nº 130/2021 do DNIT, questionado judicialmente por entidades indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas por falta de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e por ausência de consulta prévia a povos indígenas afetados pela rodovia até Pucallpa.

O ponto central da entrevista foi a crítica ao erro de origem. Chico Melo questionou se a ponte não deveria ter ficado fora do pacote da estrada internacional. Salatiel concordou. Para o prefeito, assim que o projeto maior foi embargado, o caminho deveria ter sido retirar a ponte daquele processo e criar uma tramitação independente em Brasília. “No próprio instante que o projeto foi embargado pelo Ministério Público Federal, era também, se possível, imediatamente ali, que se tivesse feito os mecanismos lá em Brasília para que rapidamente tirasse a ponte desse projeto”, disse.

A crítica do prefeito foi além da demora. Salatiel disse que já havia projeto e estudo para a ponte, mas a obra voltou para uma nova rodada de etapas técnicas. “Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou. Na avaliação dele, a burocracia transformou uma obra regional em promessa permanente. “As pessoas burocratizam muito as coisas que findam deixando de desenvolver uma região”, afirmou.

O contexto jurídico da ponte é mais específico do que a discussão pública costuma apresentar. Em 2023, a SOS Amazônia afirmou ser favorável à construção da ponte sobre o Rio Juruá entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul e defendeu que a ação civil pública contra a estrada para Pucallpa preservava a ponte. O MPF também afirmou que pediu a nulidade do edital da rodovia, mas tentou excluir do bloqueio o trecho da ponte sobre o Rio Juruá. A Justiça Federal não liberou o aproveitamento da licitação embargada, mas admitiu a possibilidade de novas licitações específicas para a ponte.

Esse detalhe muda o peso da discussão. A ponte não foi barrada por ser considerada desnecessária. O problema foi o caminho escolhido para tentar tirá-la do papel, uma escolha politica, com apoio da bancada federal do Acre na época. Ao entrar junto da ligação até o Peru, a obra passou a carregar o mesmo conflito da rodovia internacional, que envolve impacto ambiental, consulta a povos indígenas e abertura de uma rota até Pucallpa. Para Rodrigues Alves, a demanda é outra: atravessar o Rio Juruá sem depender de balsa.

Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes incluiu a ponte no pacote de obras rodoviárias do Acre. A pasta anunciou R$ 875 milhões para rodovias no estado e previu estudos e projetos básicos e executivos de engenharia para a construção da ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, na BR-364. O investimento anunciado para essa etapa foi de R$ 1,9 milhão, com estrutura prevista de cerca de sete quilômetros.

Na entrevista, Salatiel tentou separar o que é promessa antiga do que é necessidade concreta. Para ele, a ponte não atenderia apenas Rodrigues Alves. “Aquela ponte não vai desenvolver só o município de Rodrigues Alves, ela vai desenvolver a região do Juruá”, disse. A frase resume a cobrança política que permanece sobre a obra: enquanto o projeto não avança para execução, a população continua dependendo da balsa, e Rodrigues Alves segue com uma barreira física entre sua sede, Cruzeiro do Sul e o restante da malha de serviços da região.

Salatiel diz que Festival da Banana vai movimentar Rodrigues Alves e fortalecer produtores

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, apresentou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, a programação da 10ª edição do Festival da Banana e dos 34 anos do município. A agenda começa em julho, terá trilha feminina, show gospel com Samuel Mariano, casamento coletivo pelo Projeto Cidadão, rodeio, feira de produtos derivados da banana e encerramento em 2 de agosto com show de Léo Magalhães. “Pra nós é uma satisfação, alegria de nós estarmos aqui para trazer boas notícias para a nossa querida população de Rodrigues Alves, falar dos festejos que vão se anteceder aí no próximo mês de julho, em comemoração tanto ao aniversário da cidade como também ao Festival da Banana, onde nós vamos estar realizando a décima edição”, disse o prefeito.

Salatiel começou a entrevista falando da situação financeira da prefeitura. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves é baixa e que a gestão depende de repasses federais, emendas parlamentares e convênios para manter serviços e investimentos. “Rodrigues Alves, a sua arrecadação própria não dá pra mim pagar a metade da folha dos nossos garis que cuidam da limpeza da cidade. Então, por aí, você já vê o enfrentamento e a dificuldade que um gestor passa”, afirmou.

A queda populacional registrada no último censo também entrou na conversa. Salatiel disse que o município tinha estimativa de mais de 18 mil habitantes e caiu para pouco mais de 14 mil moradores na contagem oficial, o que reduziu o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Para o prefeito, essa perda afeta diretamente áreas como educação, saúde, assistência social, meio ambiente, manutenção de ramais e realização de eventos públicos. Mesmo com esse cenário, ele defendeu a festa como parte da identidade do município. “A gente vai estar fazendo os festejos da cidade porque já é algo cultural. E você sabe, muitas vezes, a maioria da população, se você não faz, reclama; e se você faz, reclama do mesmo jeito. Mas a gente vai estar lá, se Deus quiser, trabalhando com muito cuidado para que nós possamos fazer um grande evento”, declarou.

O principal ponto da entrevista foi a produção de banana. Salatiel citou comunidades como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Agrovila do Moju, Pucalpa e Foz do Paraná como áreas importantes para a economia rural de Rodrigues Alves. “Hoje, se nós pegarmos aqui da Praia da Amizade até a Foz do Paraná, você vai ver o quantitativo de produtores que nós temos hoje que produzem banana”, disse. O prefeito também falou sobre os prejuízos causados pelas cheias em áreas próximas ao Rio Juruá. “Às vezes a banana passa muito tempo ali dentro d’água e acaba afetando a sua produção”, afirmou.

Salatiel disse que Rodrigues Alves produz mais banana do que consome e que a fábrica de derivados ajuda a ampliar o uso da produção local. “Hoje nós temos uma fábrica que fabrica os derivados da banana. Todos esses derivados da banana são feitos lá nessa fábrica. Hoje o doce da banana, banana chips, bombom da banana, é tudo feito lá dentro dessa fábrica, que hoje é gerida pela cooperativa Cooperfã”, afirmou. O festival vai reunir produtos como doce de banana, chips, bombom, tapioca e pastel de banana.

A programação começa no dia 4 de julho, com uma trilha feminina. “Dia quatro com uma trilha feminina. Então aí nós já convidamos todas as mulheres do Vale do Juruá, especificamente de Rodrigues Alves”, disse Salatiel. O prefeito afirmou que a atividade terá apoio mecânico e equipe de saúde durante o percurso. “Se acontecer de alguém passar mal, se machucar, vai ter todo o suporte lá”, completou.

A abertura oficial do Festival da Banana será no dia 29 de julho, com show gospel de Samuel Mariano. “Nós vamos estar também abrindo com o show gospel com o cantor e pastor Samuel Mariano. É a sua segunda vinda no estado do Acre. A primeira vinda dele foi na cidade de Epitaciolândia e agora ele vai estar vindo abrir a décima edição do Festival da Banana”, disse o prefeito.

No dia 30 de julho, a prefeitura vai realizar casamento coletivo em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio do Projeto Cidadão. “Você que quer casar, dia trinta de julho nós vamos estar realizando este casamento lá no estádio de futebol, no pôr do sol. A gente vai fazer uma coisa bem romântica”, afirmou Salatiel.

A entrevista também passou pela articulação política da prefeitura. Salatiel citou o senador Sérgio Petecão e os deputados federais Zezinho Barbary, Antônia Lúcia e Roberto Duarte entre os parlamentares que destinaram recursos para Rodrigues Alves. Sobre Zezinho Barbary, o prefeito disse que o volume de investimentos já passa de R$ 25 milhões. “Hoje nós temos, dos oito deputados federais, o deputado Zezinho Barbary, que o seu montante hoje já ultrapassa os vinte e cinco milhões de investimento dentro do município”, afirmou.

Ao falar da deputada federal Antônia Lúcia, Salatiel disse que o recurso destinado por ela garante a realização da festa. “A festa da cidade vai acontecer através dela. Se não fosse ela, nós não iríamos fazer”, afirmou. O prefeito explicou que o dinheiro veio para ações culturais e não pode ser usado em outras áreas. “Se eu não realizar os eventos culturais, eu vou ter que devolver esse recurso para a União. Eu não posso tirar ele de lá e botar na educação, na saúde, em infraestrutura”, declarou.

No fim da entrevista, Salatiel falou do pastel de banana como novidade da edição deste ano. “Esse ano nós temos também o pastelzinho de banana. É uma novidade”, disse. O produto foi preparado pela panificadora Davi e apresentado no lançamento da programação. “Quem teve lá degustou desse pastelzinho muito delicioso. Para mim foi excepcional. Eu tenho certeza que vai ser novidade”, afirmou.

O Festival da Banana chega à 10ª edição com a promessa de movimentar produtores, comerciantes, empreendedores e moradores de Rodrigues Alves. A entrevista de Salatiel mostrou que a prefeitura quer usar a festa para reforçar a produção rural, ampliar a venda de derivados da banana e manter o evento como uma das principais marcas do município no Vale do Juruá.

Mailza vai a Londres com discurso ambiental, mas Acre cobra respostas sobre ponte e floresta

A governadora Mailza Assis deixa o Acre rumo a Londres para ocupar uma vitrine internacional da agenda climática, enquanto o Estado ainda espera respostas sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e sobre a distância entre o discurso ambiental levado ao exterior e a execução real das políticas de floresta em casa. A London Climate Action Week ocorre entre 20 e 28 de junho, reunindo governos, empresas, financiadores e organizações em torno de ações climáticas; no Acre, a ponte inaugurada em 2023 caiu no dia 5 de junho, havia sido interditada um dia antes, custou R$ 36 milhões e deixou quatro pessoas feridas. A viagem pode abrir portas, mas também expõe uma pergunta que o governo tenta contornar: quem conduz o Estado quando a governadora sai em meio a crises políticas, administrativas e ambientais?

Mailza não chega a Londres como gestora de um ciclo novo e separado do passado. Ela assumiu o Palácio Rio Branco no dia 2 de abril, depois da saída de Gladson Cameli, e fez da continuidade a marca do governo. Na transmissão do cargo, a nova governadora disse: “Vamos dar continuidade a um governo que já vinha dando certo”. Essa frase cola a atual administração ao ciclo anterior. Não há como apresentar no exterior apenas a parte vistosa da agenda ambiental, com siglas, fóruns, ativos climáticos e promessas de economia verde, deixando no Acre a parte incômoda da conta.

A ausência da governadora também cria um problema político no comando do Estado. O Acre está sem vice-governador. Pela linha sucessória, a chefia temporária do Executivo passa pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior. Em abril, quando Mailza e Nicolau estavam fora do Estado, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Laudivon Nogueira, assumiu interinamente o governo. O episódio não foi apenas uma formalidade. Em ano eleitoral, cada afastamento de Mailza obriga Nicolau a calcular seus próprios passos, porque assumir o governo pode atravessar planos eleitorais e mexer na engenharia interna do grupo governista.

Nicolau não é peça decorativa nesse tabuleiro. Gladson Cameli já tratou Mailza e o presidente da Assembleia como “dois planos A” do Progressistas para a eleição de 2026. A frase, dita em 2025, deixou os dois no mesmo campo de expectativa política. Quando Mailza viaja e Nicolau precisa sair do Acre para não ocupar interinamente o governo, a missão internacional deixa de ser apenas agenda institucional. Ela empurra para a superfície uma disputa que o grupo tenta administrar sem rompimento público.

O MDB amplia essa instabilidade. Em março, o partido oficializou aliança com o projeto eleitoral de Mailza e passou a reivindicar a indicação do vice na chapa. Antes disso, a sigla já era cortejada por Alan Rick e tratada como fiel da balança para 2026. A vaga que deveria dar musculatura política à governadora virou ponto de pressão. O MDB tem força eleitoral em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, tem nomes próprios e sabe que sua presença pode alterar o peso de qualquer palanque. Mailza viaja a Londres enquanto sua chapa ainda precisa provar que não será desmontada antes de chegar à campanha.

No campo ambiental, a cobrança é ainda mais dura. O Acre tem uma história importante, construída antes do atual governo, com o Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais, o Sisa, e com a entrada precoce no debate de REDD+ e pagamento por resultados. Essa trajetória deu ao Estado respeito internacional. Mas reputação antiga não paga a conta da gestão presente. O governo Mailza-Gladson precisa responder o que tem de efetivo para mostrar na área ambiental: qual cadeia produtiva de baixo carbono ganhou escala, qual política de desenvolvimento sustentável mudou a renda de quem vive da floresta, qual programa chegou à ponta com resultado verificável, qual produtor recebeu apoio consistente para produzir sem derrubar e qual comunidade extrativista passou a viver melhor da floresta em pé.

A Fase II do Programa REM Acre, financiada pela Alemanha, por meio do KfW, e pelo Reino Unido, expõe a distância entre promessa e execução. O programa foi desenhado para ser executado em cinco anos, recebeu R$ 91 milhões e havia executado R$ 53,1 milhões, ou 58,4%, até dezembro de 2022, quando restava um ano para a conclusão prevista. A gestão precisou replanejar ações porque os instrumentos usados nos primeiros anos foram pouco efetivos e a ligação entre gasto público e resultado ficou frágil. Isso não é detalhe burocrático. É o principal programa climático recente do Acre tentando corrigir, tarde, aquilo que deveria ter entregado no tempo certo.

O desmatamento é a parte mais difícil de maquiar. O REM trabalhava com um gatilho anual de 330 km². Durante a Fase II, o Acre ficou acima desse limite em 2018, com 444 km²; em 2019, com 682 km²; em 2020, com 706 km²; e em 2021, com 889 km². A segunda fase do programa nasceu para ajudar a proteger a floresta e reduzir emissões, mas atravessou justamente o período em que o desmatamento subiu de forma persistente. O governo pode falar em REDD+, mas os números cobram coerência.

Quando o governo se movimentou de forma mais concreta sobre florestas públicas, o resultado foi uma derrota no Supremo Tribunal Federal. A Corte declarou inconstitucional a regra estadual que autorizava conceder título definitivo e retirar áreas do regime de floresta pública após dez anos de uso ou posse. A norma alcançava áreas como as Florestas Públicas Estaduais do Rio Gregório, Rio Liberdade, Mogno, Antimary e Afluente do Complexo do Seringal Jurupari. O Acre que pretende se apresentar ao mundo como guardião da floresta precisou ser barrado pelo STF em uma regra que abria caminho para transferir áreas protegidas a particulares.

A política de crédito de carbono também exige menos propaganda e mais entrega. Em agosto de 2025, Gladson assinou decreto que atualizou a estratégia de repartição de benefícios do Programa ISA Carbono, destinando 72% dos recursos captados com a comercialização futura de créditos de carbono aos beneficiários do Sisa e 28% ao governo para ações de comando e controle, governança e gestão de áreas públicas. A palavra central é “futura”. O governo tem desenho institucional, percentuais, fóruns e discurso. Ainda falta mostrar uma política em escala, com dinheiro circulando de forma transparente, resultado ambiental medido e melhoria concreta na vida das populações que conservam a floresta.

A pergunta que deve acompanhar Mailza em Londres é simples: o que o governo Mailza-Gladson tem para mostrar além da memória ambiental do Acre? A resposta não pode ser a história do Sisa, nem a herança simbólica de Chico Mendes, nem a reputação construída por outros ciclos. A resposta precisa estar na execução real: redução de desmatamento, cadeia produtiva de baixo carbono funcionando, crédito de carbono com governança madura, assistência técnica contínua, fiscalização forte, renda para extrativistas, regularização sem abrir brecha para privatizar floresta pública e programas climáticos concluídos com resultado, não empurrados por reestruturações.

A ponte de Sena Madureira torna esse debate ainda mais concreto. A estrutura caiu sobre o Rio Iaco, deixou feridos e obrigou o governo a abrir procedimento administrativo, acionar medidas judiciais e prometer apuração das responsabilidades. A ponte virou símbolo de uma gestão que vende entrega, mas agora precisa explicar fiscalização, contrato, manutenção, risco e resposta. Não há vitrine internacional capaz de apagar a imagem de uma obra pública desabando diante de moradores que dependiam dela para atravessar a cidade.

O Acre deve participar das grandes agendas climáticas. A floresta acreana tem valor ambiental, econômico e político. Mas presença internacional não é certificado de eficiência. Mailza pode falar em Londres sobre floresta em pé, desenvolvimento sustentável e ativos climáticos. No Acre, porém, a cobrança continua de pé: quem responde pela ponte que caiu, quem comanda o Estado na ausência da governadora, quem segura a base política, quem entrega o REM, quem reduz o desmatamento e quem transforma carbono em renda real para quem vive na floresta. Sem essas respostas, a viagem vira fotografia. E o governo Mailza-Gladson, em vez de honrar o histórico ambiental do Acre, envergonha essa história diante do país.

Ex-companheira de Madson Cameli cobra rapidez da Justiça em casos de violência contra a mulher

Melissa Sampaio levou para uma postagem sobre o programa Defesa Lilás uma cobrança que atravessa o Acre e alcança o país: não basta criar campanhas, vestir camisetas ou ocupar palcos em nome da defesa das mulheres se a Justiça demora tanto que a resposta chega tarde, fraca ou prescrita. Ex-companheira de Madson de Castro Cameli, contra quem move processo por supostas agressões, Melissa comentou uma publicação sobre o lançamento da iniciativa do União Brasil, realizada neste sábado, 20, em Rio Branco, com a presença da governadora Mailza Assis, atual esposa de Madson Cameli, e puxou o debate para o ponto mais duro da violência doméstica: depois de vencer o medo para denunciar, muitas mulheres ainda precisam esperar anos para serem ouvidas pelo sistema que prometeu protegê-las. O lançamento do Defesa Lilás reuniu lideranças políticas e foi apresentado como uma ação para ampliar a participação feminina nos espaços de poder. Vale lembrar ainda que Madson, além de marido de Mailza, é atualmente o seu o chefe do Gabinete Pessoal, no Palácio Rio Branco.

No comentário, Melissa foi direta. Escreveu que iniciativas voltadas à defesa das mulheres também precisam enfrentar a lentidão dos processos de violência doméstica e familiar. Citou o dado de que mais de 307 mil ações de violência contra a mulher prescreveram no Brasil nos últimos anos e amarrou o número à vida real de quem espera. “Quando um processo permanece parado por meses ou anos em razão de sucessivos recursos, adiamentos e entraves processuais, a vítima continua revivendo a violência que já sofreu”, afirmou. A frase tira a discussão do cartaz de campanha e a coloca dentro do fórum, onde cada remarcação de audiência, cada recurso e cada silêncio institucional podem obrigar a mulher a repetir a dor que tentou encerrar quando procurou ajuda.

O número usado por Melissa tem peso nacional. Levantamento da socióloga Regina Gondim, pesquisadora do Instituto de Direito Público, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgado pela Band, registrou 307 mil processos judiciais de violência contra a mulher prescritos entre 2020 e 2025. O mesmo levantamento apontou que 24% dos processos foram arquivados depois da perda do prazo legal para julgamento.

Foi nesse chão que Melissa pisou ao escrever: “Proteger as mulheres não é apenas criar novos programas ou incentivar sua participação na política. Também é garantir que aquelas que tiveram coragem de denunciar encontrem uma Justiça acessível, eficiente e capaz de dar uma resposta em tempo razoável.” A última frase veio como recado: “Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão depois de já ter esperado tanto para conseguir denunciar. Defender as mulheres também é garantir que a Justiça não chegue tarde demais.”

A manifestação ganha outra dimensão porque Melissa não fala de fora dessa realidade. Em 2024, o Ministério Público do Acre denunciou Madson Cameli por lesão corporal e violência psicológica, em um caso que envolve supostas agressões físicas e psicológicas relatadas por ela. A defesa de Madson nega as acusações e sustenta que o caso nasceu em um contexto de término de relacionamento. O processo ainda precisa seguir o caminho legal, com contraditório e ampla defesa, mas a existência da denúncia e a exposição pública de Melissa colocaram a história no centro de uma discussão que o Acre costuma empurrar para dentro das casas: o que acontece com uma mulher depois que ela decide falar?

Horas antes dessa cobrança, Melissa já vinha trazendo luz sobre esse tema em seus stories, apontando aquilo que muitas vítimas só conseguem dizer depois de sobreviver ao pior trecho do caminho. “Não foi fácil. Houve dias em que eu pensei que não conseguiria. Mas Deus me sustentou em cada um deles”, escreveu. Em outro trecho, tocou no ponto mais invisível da violência: “Nem toda violência deixa marcas visíveis e nem toda injustiça acontece de forma explícita.” A sequência terminou como um chamado sem enfeite: “Mulheres, denunciem e não desistam!”

A força desses posicionamentos está justamente no que eles não tentam esconder. Denunciar não é um gesto simples. Para muitas mulheres, é o momento em que a violência sai da casa e passa a circular pela família, pelos amigos, pelo trabalho, pela internet, pela polícia e pela Justiça. A mulher que denuncia quase sempre precisa provar mais do que o fato. Precisa provar que sofreu, que lembra, que não exagerou, que não inventou, que não quer vingança, que merece crédito. Quando o processo se arrasta, essa cobrança se repete por meses ou anos. A agressão vira lembrança obrigatória. A espera vira punição.

Ao comentar a publicação do Defesa Lilás, Melissa deslocou o debate de um evento político para uma pergunta concreta: que proteção existe quando uma mulher denuncia e passa anos olhando para um processo parado? No Acre, onde sobrenomes pesam, relações políticas se cruzam e a vida pública invade a vida privada, essa pergunta não é abstrata. Ela alcança delegacias, promotorias, gabinetes, tribunais e também as rodas de conversa onde a palavra da mulher ainda costuma ser colocada em dúvida antes mesmo de o processo andar.

A defesa das mulheres não se mede apenas pelo discurso de combate à violência. Mede-se pelo tempo da resposta, pela coragem de acolher quem denuncia, pela proteção dada antes que o risco aumente e pela capacidade de impedir que a vítima seja esmagada pela própria engrenagem que deveria ampará-la. Quando Melissa escreve que a Justiça não pode chegar tarde demais, ela fala de prescrição, mas fala também de abandono. Porque, para uma mulher que esperou muito para denunciar, cada ano sem decisão pode parecer uma nova forma de silêncio.

A sequência publicada por Melissa deixa uma pergunta incômoda para instituições, autoridades e para a própria sociedade acreana: o que acontece com uma mulher depois que ela tem coragem de denunciar?

Bocalom acompanha torcida na Praça da Revolução durante jogo do Brasil na Copa

A Praça da Revolução reuniu centenas de torcedores na noite desta sexta-feira, 19, em Rio Branco, durante a transmissão do jogo da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo de 2026. O prefeito Tião Bocalom acompanhou a mobilização popular no espaço público, montado para receber os acreanos em clima de apoio ao Brasil.

A concentração transformou a área central da capital em ponto de encontro de famílias, jovens e torcedores vestidos de verde e amarelo. A estrutura permitiu que o público assistisse à partida em ambiente aberto, com presença de moradores que acompanharam juntos o segundo compromisso da Seleção na competição.

Dentro de campo, o Brasil venceu o Haiti por 3 a 0, pelo Grupo C da Copa do Mundo. A vitória veio após o empate por 1 a 1 na estreia contra Marrocos e colocou a Seleção em melhor situação na chave antes do próximo jogo, contra a Escócia.

A programação na Praça da Revolução faz parte da proposta de transmissão pública dos jogos do Brasil, com o objetivo de reunir a população em um espaço coletivo durante a Copa. A iniciativa tem levado torcedores ao centro da cidade em dias de partidas da Seleção.

Jornal da Manhã em Coluna – 19 de junho de 2026

Ponte de Sena, PF no Juruá e pesquisa eleitoral movimentam o debate da Integração

Aleac reage à queda da ponte

A queda da ponte em Sena Madureira foi o principal tema político do Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19. A bancada destacou que a Assembleia Legislativa saiu da posição de silêncio e passou a se movimentar após a proposta do deputado Edvaldo Magalhães para criar uma comissão externa de acompanhamento do caso.

De 9 para 18 assinaturas

Durante entrevista ao programa, Edvaldo Magalhães afirmou que o requerimento da comissão começou com nove assinaturas, passou para 14 e terminou a sessão com 18 deputados apoiando a apuração. Segundo ele, a instalação deve ocorrer na terça-feira, com definição dos membros, presidência e relatoria.

“Um passo de cada vez”

Edvaldo explicou que optou por uma comissão externa, e não por uma CPI, porque considera necessário avançar por etapas. Segundo o deputado, a comissão poderá acompanhar o trabalho do Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Técnica, além de cobrar informações que ainda não apareceram de forma clara sobre a obra.

Valor da ponte virou ponto central

A bancada voltou a questionar o valor da ponte. O debate começou com os R$ 36 milhões do contrato inicial, mas Edvaldo afirmou que o custo total teria chegado a cerca de R$ 45 milhões, considerando aditivos e reajustes. Para o deputado, o problema é que parte dessas informações não estaria devidamente lançada nos sistemas de controle.

Garantia e execução sob suspeita

Outro ponto levantado por Edvaldo foi a garantia da obra. Ele disse que, até a véspera da entrevista, não havia sido identificado o documento de garantia da ponte. O deputado também afirmou que há diferença entre o que estava previsto no projeto básico e o que teria sido executado, especialmente em relação às estacas e à estrutura da ponte.

Governo perdeu controle da base

Rogério Wenceslay avaliou que a adesão de deputados governistas à comissão mostra mudança de clima dentro da Assembleia. Para ele, a proximidade da eleição faz parlamentares se distanciarem de temas que podem desgastar a própria imagem. Edvaldo também disse que o governo tentou manter sua maioria em silêncio, mas não conseguiu impedir a movimentação.

PF inaugura nova sede em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou a inauguração da nova sede da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul. Segundo a bancada, o investimento foi de cerca de R$ 22 milhões e a estrutura chega em um momento de aumento das operações contra narcotráfico, crime organizado e crimes transfronteiriços na região do Juruá.

Andrei Rodrigues fala em PF sem lado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou da agenda em Cruzeiro do Sul. Em fala reproduzida no programa, ele afirmou que a PF “não persegue e não protege”, mas cumpre sua missão institucional. A declaração foi comentada pela bancada no contexto de operações nacionais que atingem políticos de diferentes campos.

Troca de tiros entre viaturas ainda sem resposta

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul voltou a ser cobrada no programa. Chico Melo e Rogério Wenceslay defenderam que o comando da PM e a Secretaria de Segurança deem uma explicação pública. Para Wenceslay, quando não há uma versão oficial convincente, a boataria ocupa o espaço da informação.

Pesquisa RealTime agita pré-campanha

A pesquisa RealTime Big Data também entrou no debate. O levantamento citado no programa mostra Alan Rick com 39%, Mailza Assis com 26%, Tião Bocalom com 18% e Thor Dantas com 5%. A bancada destacou que Bocalom foi o primeiro a reagir com força, chamando a pesquisa de mentirosa e dizendo que sua verdadeira pesquisa está nas ruas.

Bocalom desafia adversários

No áudio comentado pela bancada, Bocalom lembrou eleições anteriores em que aparecia atrás nas pesquisas e acabou tendo desempenho melhor nas urnas. Ele desafiou adversários a andarem com ele pelas ruas para medir quem recebe mais apoio popular. A bancada avaliou que, apesar dos 18%, Bocalom ainda tem capacidade de movimentar o cenário.

MDB perto de Alan Rick

O programa também trouxe informação de bastidores sobre uma conversa entre Jéssica Sales e Alan Rick. Segundo a apuração comentada na bancada, o MDB deve anunciar apoio à pré-candidatura de Alan ao governo do Acre. Não houve, no entanto, compromisso de que Jéssica será vice. A definição da chapa, segundo foi dito, ficará para mais adiante.

Marcos Alexandre fica com Mailza

Ainda sobre o MDB, o programa informou que Marcos Alexandre já teria decidido continuar apoiando Mailza Assis, mesmo com parte do partido caminhando para Alan Rick. A bancada avaliou que o MDB segue como uma incógnita, com posições internas diferentes no processo eleitoral.

Porto Walter tem mudança na Câmara

No bloco final, o Jornal da Manhã informou que Rosildo Cassiano Correia, do PSD, renunciou à presidência da Câmara de Porto Walter após decisão do TSE que cassou seu diploma por unanimidade. Com a saída, o vereador Robson Rodrigues foi eleito presidente da Casa. Os demais integrantes da mesa diretora permanecem nos cargos.

Vagner Sales e Ilderlei recuperam direitos políticos

Mazinho Rogério informou que os ex-prefeitos Vagner Sales e Ilderlei Cordeiro tiveram os direitos políticos restabelecidos por decisão da Justiça do Acre. A informação foi tratada como relevante para a política regional, especialmente no contexto das movimentações do MDB e das articulações para 2026.

PAA beneficia produtores em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou o Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, que deve beneficiar 45 produtores rurais e investir mais de R$ 307 mil em Cruzeiro do Sul. A bancada avaliou que o recurso é importante, mas poderia ser maior diante da importância da agricultura familiar para o abastecimento local.

No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.

Prefeito de Plácido de Castro declara apoio a Lula durante encontro com Jorge Viana

O prefeito de Plácido de Castro, Camilo Silva, do PP, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana, nesta quarta-feira, 17, na sede da Prefeitura. A conversa tratou de obras no município, investimentos federais e da participação de Jorge em ações realizadas na região durante seus governos.

O encontro teve clima informal e incluiu o tradicional café preparado por Jorge Viana. Durante a visita, Camilo citou obras que marcaram Plácido de Castro, como a pavimentação da BR-475, conhecida como Estrada do Agricultor, a eletrificação rural, melhorias em ruas e avenidas e a chegada da Universidade Federal do Acre à região.

“É uma honra receber um dos maiores governadores que o Acre já teve. Plácido de Castro recebeu investimentos que transformaram a vida das pessoas e muitos deles tiveram a participação decisiva do Jorge”, afirmou o prefeito.

Camilo também relacionou o apoio a Lula ao volume de recursos federais aplicados no município. “Hoje, cerca de 70% das obras que temos em Plácido de Castro contam com recursos do Governo Federal. Não tenho dúvida de que Lula será o meu candidato à Presidência da República, porque os investimentos da União têm feito a diferença para os municípios”, declarou.

A agenda reforça a movimentação de Jorge Viana no interior do Acre em meio à articulação para a disputa ao Senado. Em Plácido de Castro, o ex-governador tem ligação familiar e política. Ele lembrou que sua mãe nasceu no município e que parte da história de sua família começou na região.

Além da reunião na Prefeitura, Jorge Viana cumpriu agenda com lideranças locais, conversou com moradores e participou de encontros políticos no município. A passagem por Plácido de Castro reuniu aliados, vereadores, empresários e representantes de famílias tradicionais da cidade.

Jornal da Manhã em Coluna – 18 de junho de 2026

Bastidores, cobranças e tensão política no Acre

Chapa quente

O Jornal da Manhã desta quinta-feira, 18, começou com a política em temperatura alta. A decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador Alan Rick em Rio Branco dominou boa parte do debate e virou combustível para uma discussão maior: a regra vale só para Alan ou será aplicada também a outros políticos que fazem divulgação de mandato?

Dois pesos

Rogério Wenceslau avaliou que a ação contra os outdoors de Alan Rick pode ter produzido efeito contrário ao esperado. Para ele, ao judicializar a divulgação do mandato do senador, o Progressistas colocou o governo no centro da crítica e abriu espaço para Alan se apresentar como alvo de perseguição política.

Regra para todo mundo?

Chico Melo entrou no debate com uma pergunta direta: se há outdoors de outros parlamentares pelo Acre divulgando emendas e ações de mandato, a mesma medida será adotada contra todos? A provocação expôs o ponto mais sensível da discussão: o critério usado contra Alan Rick será geral ou seletivo?

Michele no alvo

Wenceslau também chamou atenção para os ataques contra Michele Miranda, esposa de Alan Rick, após ela sair em defesa do marido nas redes sociais. O comentarista disse que blogs e sites alinhados ao governo passaram a mirar Michele, levando a disputa para um campo pessoal.

Limite perigoso

Na avaliação de Wenceslau, atacar cônjuges abre um limite perigoso na disputa política. Ele afirmou que, se esse for o caminho, o governo pode ter mais a perder, porque familiares de outros personagens políticos também podem ser puxados para o centro do debate.

Arasuper no furacão

Outro ponto levantado foi a decisão que também atingiu propaganda institucional de Alan Rick em telas da rede Arasuper. Wenceslau avaliou que o movimento levou para dentro da disputa política um grupo empresarial que não tinha interesse em entrar nessa briga. Para ele, foi mais um erro de cálculo da articulação governista.

Expoacre Juruá sob alerta

A organização da Expoacre Juruá também entrou na coluna de bastidores. Wenceslau afirmou que há preocupação entre empresários de Cruzeiro do Sul com o andamento dos preparativos para o evento, marcado para começar no dia 30 de junho. Segundo ele, faltando menos de duas semanas, a estrutura ainda não estaria no ritmo esperado.

Dinheiro e holofote

Para Wenceslau, os grandes eventos do governo movimentam dinheiro, visibilidade e interesses políticos. No caso da Expoacre Juruá, ele disse que há muita gente interessada nos recursos e nos holofotes da feira. A preocupação é que a disputa interna atrase decisões e comprometa a entrega da estrutura.

Ponte pressiona governo

A comissão externa da Aleac para acompanhar o colapso da ponte de Sena Madureira já conta com apoio acima do necessário. O assunto foi tratado como mais um desgaste para o governo, especialmente porque a queda da ponte abriu uma cobrança mais ampla sobre obras públicas estaduais.

Deputados mudando de lado

A leitura feita na bancada é que parte dos deputados estaduais já começa a se afastar do governo na prática. Com a eleição se aproximando, a tendência é que parlamentares busquem preservar a própria imagem diante do eleitor, principalmente em temas de forte desgaste, como obras paradas, contratos questionados e estruturas que falharam.

Sem paz até 2026

Wenceslau foi direto: não é para esperar tempos de paz até a eleição. Segundo ele, tudo que estiver mal resolvido no governo tende a vir à tona. A Assembleia, nesse cenário, vira palco natural das cobranças, principalmente porque deputados precisarão mostrar serviço antes de pedir voto novamente.

TFD vira cobrança pública

Fora da política partidária, o caso de Jéssica Souza trouxe uma cobrança dura ao governo. A mãe da jovem, Clécia Souza, relatou ao vivo a espera de 56 dias por transferência via TFD. A fala expôs a falta de resposta às famílias e transformou a fila por atendimento especializado em mais uma pressão pública sobre a Secretaria de Saúde.

PM precisa explicar

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul também entrou no programa com tom de cobrança. A bancada considerou o caso grave e mal explicado. Ninguém ficou ferido, mas o episódio deixou uma pergunta incômoda: como duas equipes da própria polícia acabam atirando uma contra a outra?

Guajará no limite

A situação da delegacia de Guajará, usada como presídio, também foi destaque. O Ministério Público cobra solução definitiva para o problema, que envolve superlotação, presos condenados em delegacia e estrutura inadequada. O caso mostra uma crise prisional que não para na divisa entre Acre e Amazonas.

O recado do programa

O Jornal da Manhã desta quinta deixou um recado claro: a pré-campanha de 2026 já começou no Acre, e começou sem clima de trégua. Outdoors, familiares, obras públicas, eventos do governo, TFD e segurança pública entraram no mesmo tabuleiro. A partir de agora, cada problema administrativo tende a virar fato político.

Alan Rick lidera pesquisa RealTime para governo do Acre com 39%

O senador Alan Rick (Republicanos) lidera a disputa pelo governo do Acre, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 18. A governadora Mailza Assis (PP) aparece em segundo lugar, com 26%, seguida pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), com 18%.

Thor Dantas (PSB) tem 5%, enquanto Eudo Raffael (PCB) não pontuou. Brancos e nulos somam 6%, mesmo percentual dos eleitores que não souberam ou não responderam. A vantagem de Alan Rick sobre Mailza é de 13 pontos percentuais. A distância entre Mailza e Bocalom é de 8 pontos.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Alan Rick também aparece à frente, com 15%. Mailza Assis tem 8%, Tião Bocalom registra 6%, Gladson Cameli aparece com 3% e Jorge Viana tem 1%. Outros nomes somam 3%, brancos e nulos chegam a 11%, e 53% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

O levantamento também testou cenários de segundo turno. Contra Mailza Assis, Alan Rick aparece com 46%, ante 35% da governadora. Brancos e nulos somam 10%, e 9% não responderam. Em uma disputa contra Tião Bocalom, o senador tem 55%, contra 26% do prefeito de Rio Branco. Nesse caso, brancos e nulos são 11%, e 8% não souberam ou não responderam.

Na simulação entre Mailza Assis e Tião Bocalom, a governadora aparece com 40%, enquanto o prefeito registra 28%. Brancos e nulos somam 12%, e 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

A RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores do Acre entre os dias 16 e 17 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número AC-04914/2026.

Em levantamento separado sobre a disputa presidencial no Acre, Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT). No cenário estimulado, Flávio tem 51%, contra 29% de Lula. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Flávio registra 58%, e Lula aparece com 32%. Essa pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08879/2026.