Bocalom fala em “moralizar” o Acre e apresenta propostas para produção, saúde e ramais

Candidato ao governo participou do Jornal da Manhã nesta quarta-feira e falou sobre operações policiais, agricultura, infraestrutura rural, saúde e educação

“Eu quero ser o governador desse Acre pra ver se a gente moraliza esse Acre.” A declaração foi feita pelo candidato ao governo Tião Bocalom (PSDB), nesta quarta-feira (23), durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração. Acompanhado do candidato a vice, Sargento Adones, Bocalom respondeu a perguntas sobre as operações policiais recentes no estado, produção rural, ramais, saúde, educação e gestão dos recursos públicos.

A entrevista começou com uma pergunta sobre o cenário político do Acre após as operações da Polícia Federal realizadas na terça-feira (22). Bocalom afirmou que episódios envolvendo suspeitas sobre o uso de recursos públicos reforçam um dos discursos que pretende levar para a administração estadual.

“Eu fico muito triste quando eu vejo esses tipos de acontecimentos”, afirmou. O candidato citou sua passagem pelas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco e por funções no governo estadual para defender seu histórico administrativo. “O dinheiro público é dinheiro sagrado. É o suor de cada um. É do rico, mas é do pobre também”, disse.

Ao longo da entrevista, Bocalom voltou a colocar a produção rural entre as prioridades de seu projeto para o governo. Ele citou Acrelândia como exemplo de município onde, segundo ele, o fortalecimento da agricultura familiar aumentou a circulação de recursos no comércio e defendeu a expansão desse modelo para outras regiões do estado.

“Eu quero ver o povo trabalhando e ganhando dinheiro. Não dá pra ser burro de carga, igual a gente sempre fala: trabalha, trabalha, trabalha e, no final do ano, não sobra nada”, afirmou. Bocalom voltou a usar uma frase recorrente de sua campanha para explicar a proposta: “Campo rico, cidade rica”.
Entre as medidas citadas estão mecanização, análise e correção do solo, distribuição de calcário, adubo, sementes e mudas, além de assistência técnica. Bocalom afirmou que pretende ampliar para o estado iniciativas que diz ter adotado em Rio Branco. Segundo ele, durante sua gestão foram mecanizados 4 mil hectares destinados à agricultura familiar, além da distribuição de 6 mil toneladas de calcário e mais de mil toneladas de adubo.

“Eu não sou um candidato laboratório. Eu sou um candidato experiente. O que eu estou falando aqui é porque eu já fiz”, declarou. Os números apresentados foram citados pelo próprio candidato durante a entrevista.

Ramais

Questionado sobre a situação dos ramais, Bocalom descartou prometer o asfaltamento de toda a malha rural. Para ele, o objetivo principal deve ser garantir que as estradas tenham condições de tráfego durante todo o ano.

“O agricultor não quer que o ramal seja só asfaltado. Ele quer andar de inverno a verão”, disse.

O candidato defendeu investimentos em drenagem, tubulação e recuperação do leito das estradas, além do asfaltamento de pontos considerados necessários. “Não adianta eu vir aqui e prometer uma coisa que não vai acontecer. Asfaltar todos os ramais, não”, afirmou.

Bocalom também defendeu parceria entre o governo e as prefeituras para manutenção das estradas rurais. Segundo ele, municípios possuem máquinas, mas muitas vezes enfrentam dificuldades para comprar combustível ou fazer reparos nos equipamentos.

Saúde regionalizada

Outro tema abordado foi a saúde, principalmente após casos recentes de pacientes do interior que aguardaram transporte aeromédico. A bancada também citou moradores que esperam há anos por cirurgias e exames na rede estadual.

Bocalom defendeu a regionalização dos atendimentos e disse que pretende manter médicos especialistas nas diferentes regiões do Acre. “Nós vamos pagar o que for necessário pra segurar o especialista em cada regional”, afirmou.

O candidato também propôs hospitais de pequeno porte nos municípios, com estrutura para estabilizar pacientes e realizar procedimentos de emergência sem que toda ocorrência dependa imediatamente de uma transferência aérea.

Ao comentar as filas por procedimentos, Bocalom afirmou que encontrou aproximadamente 2,7 mil pequenas cirurgias acumuladas quando assumiu a Prefeitura de Rio Branco e que a demanda foi reduzida durante sua administração. “Eu já fiz, sei fazer e nós vamos fazer no Acre”, declarou.

Bocalom também falou sobre o fornecimento de medicamentos e criticou situações em que pacientes precisam recorrer ao Judiciário para receber remédios. “Tem um monte de gente que tem que entrar na Justiça pra poder ter medicamento. É obrigação ter o medicamento”, disse.

Educação e transporte escolar

Na educação, a bancada apresentou relatos sobre falta de merenda e problemas no transporte escolar da rede estadual, principalmente nas comunidades rurais. Bocalom concentrou sua resposta na manutenção da frota e afirmou que veículos mais antigos podem continuar atendendo os estudantes desde que passem por revisões e reparos adequados.

“Não é a idade. É manutenção”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a dimensão da estrutura estadual e as dificuldades de administrar serviços em todas as regiões, Bocalom respondeu que pretende formar equipes responsáveis por acompanhar os problemas em cada área. “Tem que ter time”, disse.

Para o candidato, o tamanho da estrutura não impede a execução das políticas públicas caso exista organização administrativa. “Não interessa o tamanho. A gente faz. É vontade política”, afirmou.

Durante a entrevista, Bocalom repetiu que pretende levar para o governo estadual experiências de suas administrações municipais e colocou o controle dos gastos como uma das bases desse projeto. Ao resumir a proposta apresentada durante a campanha, voltou ao lema que tem utilizado na disputa: “Produzir para Empregar e, se não roubar o dinheiro, dá”.

TRE-AC mantém indeferimento da candidatura de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) manteve, nesta terça-feira (22), o indeferimento do registro da candidatura de Gladson Cameli ao Senado nas eleições de 2026. A decisão foi tomada por unanimidade durante o julgamento de embargos de declaração apresentados pela defesa no processo de registro de candidatura.

Os embargos foram acolhidos parcialmente pelos integrantes da Corte, mas apenas para corrigir um erro material no Acórdão nº 7.445/2026. A alteração não modificou o resultado do julgamento que havia negado o registro da candidatura.

O processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000 envolve o pedido de registro apresentado pela coligação Avança Acre e uma ação de impugnação ao registro de candidatura. O caso trata de inelegibilidade decorrente de condenação criminal por órgão colegiado.

Gladson Cameli apresentou os embargos contra o acórdão que havia indeferido seu registro para disputar o cargo de senador. O relator, juiz Thalles Vinícius de Souza Sales, votou pelo acolhimento parcial exclusivamente para a correção do erro material, entendimento acompanhado pelos demais integrantes do tribunal.

A sessão foi presidida pelo desembargador Lois Carlos Arruda. Participaram do julgamento o desembargador Samoel Evangelista, as juízas Lilian Braga e Rogéria Mesquita e os juízes Jair Facundes, Thalles Sales e Emerson Costa. O procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro esteve presente.

PF faz 28 buscas e apreende R$ 1 milhão; apuração cita Gladson e nomes ligados ao governo do Acre entre alvos

Ptolomeu IV investiga contratos da sede do Imac, enquanto Operação Umbra apura estrutura criada para antecipar ações da Polícia Federal; nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 22, duas operações simultâneas que atingiram o Acre e outros estados, com 28 mandados de busca e apreensão, apreensão estimada em R$ 1 milhão em dinheiro e três prisões em flagrante por posse ilegal de armas. Uma das diligências ocorreu na residência do ex-governador Gladson Cameli (PP), em Rio Branco.

As ações foram divididas entre as operações Ptolomeu IV e Umbra. Os mandados, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. O STJ também determinou sequestro de bens e valores e outras medidas cautelares contra investigados.

A Polícia Federal não divulgou oficialmente a relação completa dos alvos. Apuração divulgada pelo jornalista Leonildo Rosas, porém, aponta nomes ligados direta ou indiretamente ao grupo do ex-governador e à estrutura administrativa do Estado nos últimos anos. Na relação apresentada por Rosas aparecem, além de Gladson, Jonathan Xavier Donadoni, Laura Jordão de Carvalho, Taiane Belarmino dos Santos, Lidiane Rodrigues dos Santos, Jairly Nascimento Maia, João Victor Casas Lopes, Tamires de Almeida Costa e Garisson Plínio Sarah Messias, entre outros. Rosas também cita a ex-primeira-dama Ana Paula Cameli.

A lista é resultado da apuração do jornalista e, até o momento, não foi confirmada nominalmente pela Polícia Federal. Também não está esclarecido publicamente a qual das duas operações cada pessoa citada estaria relacionada.

Um levantamento feito pelo Integração Net em registros públicos mostra, no entanto, que pelo menos oito dos nomes citados por Rosas, além de Gladson, ocuparam cargos no Executivo estadual nos últimos anos.

Jonathan Xavier Donadoni é um dos casos de maior proximidade com o núcleo político do governo. Ele assumiu a chefia da Casa Civil em abril de 2022, após já atuar como diretor da pasta desde julho de 2021, e permaneceu como secretário-chefe até 2026. Documento oficial de março deste ano ainda traz Donadoni assinando como titular da Casa Civil.

Laura Jordão de Carvalho também passou pela Casa Civil. Ela já aparecia como diretora da pasta e posteriormente foi nomeada diretora de Eventos Oficiais. Em 2022, participou de agendas oficiais identificada como diretora da Casa Civil.

Lidiane Rodrigues Antrobos dos Santos — nome que corresponde à “Lidiane Rodrigues dos Santos” citada na gravação — foi nomeada em janeiro de 2023 diretora de Administração e Finanças da Casa Civil. Ela permanecia na função em setembro deste ano, segundo atos publicados no Diário Oficial.

Taiane Belarmino dos Santos foi secretária-adjunta executiva da Secretaria de Estado de Saúde. Documentos de 2022 e 2023 mostram Taiane assinando atos administrativos na Sesacre. Neste ano, ela disputa uma vaga de deputada estadual pelo PDT.

Garisson Plínio Sarah Messias foi nomeado chefe de departamento da Sesacre em maio de 2021. Posteriormente, ocupou funções na Casa Civil e foi nomeado diretor técnico-administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac). O nome de Garisson já havia aparecido entre os atingidos pela terceira fase da Operação Ptolomeu, em 2023.

Tamires de Almeida Costa e João Victor Casas Lopes também passaram pela administração estadual. Ambos foram nomeados para cargos comissionados na Secretaria de Obras Públicas em 2023. Tamires aparece posteriormente em função na Casa Civil, enquanto João Victor voltou a ocupar cargo CAS-8 em 2025 e foi exonerado em agosto deste ano.

Jairly Nascimento Maia, outro nome citado na apuração, aparece em documentos da Sesacre desde pelo menos 2022 e, em 2024, foi designada para função na Casa Civil. Também integrou comissão da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia.

Ptolomeu IV mira obra do Imac

A Operação Ptolomeu IV concentra uma de suas frentes nos contratos para construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, auditoria da Controladoria-Geral da União identificou aproximadamente R$ 1,2 milhão em possível superfaturamento por inexecução parcial na primeira etapa da obra. São serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não executados integralmente.

A investigação também encontrou indícios de que recursos provenientes dos contratos públicos teriam sido usados para custear despesas particulares e vantagens indevidas a agentes públicos. Saques elevados em espécie e outras movimentações financeiras consideradas atípicas também passaram a ser investigados.

Uma segunda empresa, contratada posteriormente para concluir a sede do Imac, também entrou na apuração. A PF investiga possíveis vínculos entre pessoas ligadas às duas contratadas e empresas que já haviam aparecido em fases anteriores da Ptolomeu.

Leonildo Rosas afirma, em sua apuração, que a investigação da obra e de seus pagamentos já aparecia em documentos das fases anteriores da operação e relaciona essa frente às novas diligências realizadas nesta terça-feira.

Umbra investiga vazamento de operações

A segunda ação, batizada de Operação Umbra, tem objeto diferente. A Polícia Federal investiga a existência de um núcleo de contrainteligência que teria sido criado para acompanhar a própria corporação e antecipar operações relacionadas aos investigados da Ptolomeu.

Segundo a PF, a estrutura buscaria informações sobre deslocamentos de equipes, movimentação de viaturas e outras ações policiais. A finalidade seria avisar investigados com antecedência e permitir providências capazes de reduzir a eficácia de buscas, apreensões e outras medidas judiciais.

A investigação também apura a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse indevido dessas informações.

Durante as diligências das duas operações, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie. A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 1 milhão, valor que ainda estava sendo contabilizado. Três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas.

Gladson teve celular e veículos apreendidos

Na residência de Gladson Cameli, no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão pela manhã. Segundo informações divulgadas após a diligência, foram apreendidos o celular do ex-governador e três veículos.

A defesa de Gladson classificou as medidas como “abusivas” e afirmou considerar a ação uma perseguição às vésperas da eleição. Também alegou que a diligência desrespeitaria decisão do Supremo Tribunal Federal relacionada à adoção de medidas cautelares contra candidatos no período eleitoral. A aplicação desse entendimento ao caso concreto ainda depende de análise judicial.

Os advogados disseram ainda que o ex-governador está à disposição da Justiça e sustentam sua inocência.

As investigações da Ptolomeu IV e da Umbra continuam. A PF informou que os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual apurada, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa.

Servidor de 32 anos morre em Feijó à espera de transferência aérea, e prefeito cobra providências

O servidor público municipal Anderson Montefusco, de 32 anos, morreu na segunda-feira (21), em Feijó, no interior do Acre, após sofrer um infarto e aguardar transferência aérea para atendimento em outra unidade de saúde. O prefeito Railson Ferreira afirmou que a remoção foi solicitada depois que o paciente foi estabilizado, mas a aeronave não chegou ao município.

Anderson estava internado no hospital de Feijó e deveria ser transferido pelo sistema de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). De acordo com Railson Ferreira, informações repassadas pela equipe médica apontavam que o servidor apresentava condições clínicas para ser transportado depois do atendimento inicial.

O prefeito criticou a demora na remoção e cobrou providências para melhorar o atendimento aos pacientes do interior que dependem de transporte aéreo. Ele atribuiu o problema à regulação estadual e afirmou que Anderson poderia ter sido levado para uma unidade com maior estrutura caso a aeronave tivesse chegado a tempo. A relação entre a demora na transferência e a morte, porém, foi apresentada pelo prefeito e não consta como conclusão médica divulgada publicamente.

Railson Ferreira também afirmou que o episódio não deveria ser tratado como uma disputa política e pediu maior atenção à população de Feijó. Durante o pronunciamento, agradeceu aos profissionais que participaram do atendimento ao servidor no município.

A Prefeitura de Feijó publicou uma nota de pesar pela morte de Anderson Montefusco e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho. A administração municipal também lamentou a perda do servidor e mencionou sua atuação no serviço público municipal.

A morte de Anderson voltou a colocar em discussão as dificuldades enfrentadas por moradores de municípios do interior do Acre que precisam ser transferidos para centros com atendimento de maior complexidade, especialmente nos casos em que o deslocamento depende de transporte aéreo.

De sardinha e ovo à falta de proteína, problemas na merenda se repetem em escolas estaduais do Acre

A falta de proteína que levou estudantes do Colégio Estadual Armando Nogueira (CEAN), em Rio Branco, a deixarem a escola mais cedo nesta segunda-feira (21) se soma a uma sequência de problemas registrados desde abril na alimentação da rede estadual do Acre. Em cinco meses, reclamações sobre falta de profissionais, pouca variedade no cardápio, repetição de ovos, sardinha, conservas e bolachas chegaram a escolas de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Bujari, Tarauacá, Jordão e comunidades indígenas de Assis Brasil.

No CEAN, uma comunicação dirigida à comunidade escolar informou que os alunos seriam liberados às 11h45 por “falta de proteína no alimento”. No mesmo dia, estudantes da Escola Maria de Nazaré Santiago, na Vila São Pedro, zona rural de Cruzeiro do Sul, divulgaram um vídeo relatando que a alimentação disponível não vinha sendo suficiente para manter os alunos durante toda a jornada. A escola funciona em tempo integral e, segundo os estudantes, houve dias em que as refeições ficaram restritas a ovos e bolachas, com liberação antecipada das turmas.

A sequência começou a aparecer oficialmente em abril. No dia 8 daquele mês, o Ministério Público Federal abriu procedimento para acompanhar a falta de profissionais responsáveis pelo preparo da merenda e pela limpeza em escolas indígenas da rede estadual. A Secretaria de Estado de Educação e Cultura informou que pretendia contratar 71 cozinheiros terceirizados para unidades indígenas com 20 alunos ou mais e preparar uma nova contratação de auxiliares de serviços gerais para atender funções de cozinha e zeladoria.

Em junho, o MPF passou a acompanhar também a situação da Escola Estadual Indígena Himatkalu, na Aldeia Twatwa, Terra Indígena Mamoadate, em Assis Brasil. Uma representação da Associação Manxinerine Ywptowaka reuniu cerca de 50 reivindicações sobre o funcionamento da escola, incluindo problemas relacionados à alimentação e à estrutura necessária para o preparo das refeições.

No início de julho, o governo entregou 12 toneladas de alimentos para escolas indígenas de Assis Brasil. A carga, segundo a Secretaria de Educação, correspondia a três meses de abastecimento e incluía a Himatkalu entre as unidades atendidas.

Em agosto, as reclamações chegaram às escolas de tempo integral. Alunos da Escola Estadual Craveiro Costa, em Cruzeiro do Sul, gravaram um vídeo reclamando da repetição de pão, ovo e sardinha nas refeições. Os relatos chegaram à Assembleia Legislativa no dia 25, quando o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou explicações sobre o fornecimento de alimentos na unidade.

Um dia antes, a própria Secretaria de Educação havia reconhecido “atrasos na entrega de alguns gêneros da alimentação escolar” para escolas de Cruzeiro do Sul. A SEE informou que o problema reduziu temporariamente a variedade do cardápio, inclusive na Craveiro Costa, e que o abastecimento seria regularizado gradualmente.

Ainda no fim de agosto, reclamações semelhantes apareceram em outros municípios. No Anexo Estadual Raimundo Hermínio de Melo, no Ramal do Fumaça 2, em Bujari, denúncias incluíram problemas na alimentação, no abastecimento de água, no transporte e na estrutura da unidade. O Ministério Público do Acre determinou nova vistoria em 28 de agosto e realizou a inspeção três dias depois, cobrando providências do Estado e do Município.

Em Tarauacá, estudantes da Escola Estadual João Ribeiro anunciaram mobilização no dia 31 de agosto. Eles relataram que o cardápio tinha com frequência bolacha com suco, biscoito e abacatada. No mesmo período, alunos da Escola Estadual Jairo de Figueiredo Melo, em Jordão, também se organizaram para cobrar mudanças. “Todo dia é conserva e sardinha”, dizia uma das mensagens divulgadas pelos estudantes.

A recorrência ganha peso diante da expansão do ensino integral no Acre. Para 2026, a Secretaria de Educação anunciou a entrada de outras 24 escolas nesse modelo, elevando para 60 o número de unidades integrais da rede estadual. A Escola Maria de Nazaré Santiago, onde estudantes reclamaram nesta semana da quantidade de comida, está entre as unidades que passaram a funcionar em tempo integral neste ano.

De abril a setembro, as reclamações mudaram de escola e de município, mas mantiveram problemas semelhantes. Primeiro vieram a falta de trabalhadores para preparar as refeições em escolas indígenas e as cobranças por alimentação adequada. Em agosto, estudantes passaram a expor publicamente cardápios repetitivos, com ovos, sardinha, conservas e bolachas, enquanto a própria Secretaria de Educação reconhecia atraso no fornecimento em Cruzeiro do Sul. Agora, setembro termina com alunos liberados mais cedo em Rio Branco por falta de proteína e estudantes de tempo integral de Cruzeiro do Sul dizendo que a alimentação disponível não sustenta a permanência na escola durante todo o dia.

Perpétua Almeida reage a briga em escola de Porto Walter e cobra punição

A candidata a deputada federal Perpétua Almeida se manifestou nesta segunda-feira (21) sobre a briga entre estudantes registrada na Escola Borges de Aquino, em Porto Walter. Ao assistir às imagens durante uma atividade de campanha, ela classificou a cena como “inaceitável” e cobrou punição para episódios de agressão dentro do ambiente escolar.

O vídeo mostra uma confusão envolvendo um aluno e estudantes da unidade de ensino. A briga começou dentro de uma sala de aula e continuou na área externa, enquanto outras pessoas tentavam separar os envolvidos. As circunstâncias que deram início ao confronto ainda não foram esclarecidas.

Perpétua contou que estudou na Escola Borges de Aquino e disse ter ficado revoltada ao assistir à gravação. “Eu chamei elas para assistir esse vídeo comigo, porque ele é muito revoltante”, afirmou, ao lado de mulheres que participavam da agenda de campanha.

Durante a manifestação, a candidata relacionou o episódio ao debate sobre a violência contra as mulheres no Acre. “Você entende agora por que o Acre aparece no topo do estado mais violento para as mulheres? Você entende por que o Acre é o primeiro lugar em feminicídio?”, questionou.

Perpétua também defendeu que comportamentos violentos sejam enfrentados desde cedo, tanto dentro de casa quanto nas escolas. Para ela, situações como a registrada em Porto Walter não podem ser tratadas como uma simples briga entre estudantes.

“Isso aqui deve ser resolvido primeiro em casa, deve ser combatido na escola e deve ter punição severa, porque as mulheres merecem viver”, declarou.

A candidata ainda afirmou que a tolerância com agressões durante a juventude pode alimentar comportamentos violentos na vida adulta. “Quando começa aqui na juventude, aceitando esse tipo de coisa, são os homens depois que espancam suas mulheres, serão os mesmos que assassinam suas esposas, suas namoradas. Isso aqui tem que ter punição severa”, disse.

Na publicação feita nas redes sociais, Perpétua também defendeu maior presença de mulheres no Congresso Nacional e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

TRE-AC julga nesta terça embargos no registro de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) marcou para esta terça-feira, 22 de setembro, às 15h, o julgamento dos embargos de declaração apresentados no processo que trata do registro da candidatura de Gladson de Lima Cameli ao Senado nas Eleições 2026. O recurso será analisado pelo plenário da Corte, sob relatoria do juiz Thalles Vinicius de Souza Sales.

A inclusão do processo na pauta foi certificada pela Secretaria Judiciária do TRE-AC no domingo, 20 de setembro. A certidão prevê que o julgamento poderá ocorrer na sessão desta terça-feira ou, caso não seja concluído, em sessões subsequentes.

Os embargos estão vinculados ao processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000, no qual o TRE-AC indeferiu, por unanimidade, em 11 de setembro, o pedido de registro de Gladson Cameli para disputar uma das vagas do Acre no Senado.

A decisão anterior foi tomada após o tribunal julgar procedente a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral. O fundamento adotado pela Corte foi a incidência da Lei da Ficha Limpa em razão de condenação criminal proferida por órgão judicial colegiado.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No julgamento do registro, o relator entendeu que a hipótese de inelegibilidade decorrente de condenação colegiada pode ser aplicada independentemente do trânsito em julgado da ação penal.

Apesar do indeferimento no TRE-AC, a decisão ainda admite recurso. Enquanto não houver decisão definitiva no processo de registro, a legislação eleitoral permite que o candidato permaneça na condição de sub judice, continue praticando atos de campanha e mantenha o nome na urna eletrônica.

O julgamento dos embargos nesta terça-feira representa uma nova etapa do processo no TRE-AC antes de eventual prosseguimento da discussão nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

Mailza cancela participação em debates da TV Norte e TV Gazeta nesta segunda-feira

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), cancelou a participação nos debates eleitorais da TV Norte e da TV Gazeta marcados para esta segunda-feira (21), em Rio Branco. A campanha comunicou a ausência neste domingo (20) e alegou compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul, onde a candidata terá agendas ao lado da candidata a vice-governadora, Jéssica Sales.

A decisão foi informada na véspera dos encontros. Em nota encaminhada às emissoras, a campanha afirmou que Mailza participará de reuniões com moradores dos dois municípios e que continuará apresentando suas propostas durante atividades de campanha. O comunicado não informou se ela participará de outros debates antes da eleição.

A ausência ocorre depois de uma sequência de entrevistas e sabatinas nas quais Mailza foi questionada sobre metas para um eventual novo mandato e sobre decisões da administração estadual que atualmente comanda. Em algumas dessas participações, respostas a perguntas objetivas ficaram sem definição de números, prazos ou medidas específicas.

Em sabatina realizada pelo ac24horas em agosto, Mailza foi questionada sobre a política habitacional e falou dos recursos disponíveis para a construção de 2,7 mil moradias, mas não apresentou uma meta de unidades que pretende entregar entre 2027 e 2030 caso seja reeleita.

A candidata também foi perguntada sobre a implantação da rastreabilidade individual do rebanho bovino. Ao ser provocada a apresentar um prazo para que o sistema estivesse efetivamente implantado no Acre, afirmou que o assunto ainda dependia de estudos, preparação e diálogo com o setor.

Outro questionamento envolveu a ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou em junho. Mailza responsabilizou a empresa responsável pela construção e citou a judicialização do caso. Quando perguntada sobre o prazo para uma resposta, afirmou não saber quanto tempo a empresa levaria. O episódio também passou a ser investigado pelo Ministério Público, inclusive em relação ao planejamento, fiscalização, monitoramento e manutenção da estrutura.

No dia seguinte, durante sabatina da TV Rio Branco, a candidata voltou a enfrentar perguntas relacionadas à administração estadual. Uma delas pedia que apontasse áreas nas quais os recursos públicos estariam sendo mal aplicados e quais despesas poderiam ser revistas. Mailza falou em planejamento e redução de gastos, mas não citou setores específicos.

Em outro momento, foi questionada sobre a possibilidade de recriar uma secretaria direcionada aos pequenos negócios. A resposta abordou desburocratização, empreendedorismo e ações realizadas pelo governo, mas não definiu se a estrutura administrativa seria recriada.

A entrevista também teve um episódio relacionado ao controle do tempo. Ao responder como pretendia entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador e precisou interromper a fala. Posteriormente, ao tratar da Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que a unidade não havia sido extinta, mas transferida para outro departamento.

As cobranças durante as sabatinas têm uma característica diferente para Mailza em relação a candidatos que não ocupam atualmente o Executivo. A governadora assumiu definitivamente o comando do Estado em abril e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Por isso, parte das perguntas mistura propostas para os próximos quatro anos com medidas que podem ser adotadas ainda durante a atual administração.

Na reta final da campanha, esse ponto também apareceu em entrevistas sobre servidores públicos, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Ao falar sobre mudanças futuras, Mailza foi questionada sobre o que poderia começar a executar ainda no atual mandato.

O cancelamento dos debates acontece ainda em uma semana marcada por investigações policiais no Acre. Na quarta-feira (16), a Polícia Civil deflagrou a Operação Algoritmo Cidadão, que apura uma suposta estrutura de ataques digitais contra o candidato Alan Rick (Republicanos). Três investigados ocupam cargos comissionados no governo estadual, mas a polícia informou que nenhum candidato é alvo da operação. A defesa de Mailza afirmou que a governadora nunca autorizou ou teve conhecimento das ações investigadas.

Na quinta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Death Note, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à Educação no Acre. As apurações tratam de suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. A Secretaria de Estado de Educação informou que colaborou com o cumprimento das determinações.

Justiça Eleitoral mantém propaganda de Alan Rick sobre condenação de Mailza por improbidade

A Justiça Eleitoral do Acre manteve a veiculação de propaganda da campanha de Alan Rick (Republicanos) que afirma que a governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (PP) foi condenada por improbidade administrativa. A decisão veio a público neste domingo (20), após Mailza e a coligação Avança Acre recorrerem ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre para contestar o conteúdo divulgado pela campanha adversária.

A controvérsia começou após Alan afirmar, durante propaganda eleitoral, que “a Mailza é condenada por improbidade administrativa”. O trecho foi questionado pela campanha da governadora, que buscou impedir a continuidade da divulgação sob o argumento de que a afirmação apresentava de forma inadequada a situação jurídica da candidata.

O histórico judicial citado na disputa eleitoral remonta ao período em que Mailza ocupou a Secretaria Municipal de Administração de Senador Guiomard. A ação de improbidade administrativa tramitou sob o número 0000819-91.2009.8.01.0009 e resultou em condenação que incluiu, entre as penalidades, a suspensão dos direitos políticos por dois anos.

O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Em decisão de setembro de 2022, o ministro Francisco Falcão registrou que Mailza havia solicitado tutela de urgência para suspender os efeitos da condenação, diante da proximidade das eleições daquele ano, quando concorria ao cargo de vice-governadora. O pedido também discutia os efeitos das mudanças promovidas na Lei de Improbidade Administrativa e a necessidade de comprovação de dolo para a responsabilização.

A existência da condenação, entretanto, não significa automaticamente impedimento eleitoral atual. Nas eleições de 2022, Mailza teve o registro de candidatura deferido e disputou o cargo de vice-governadora na chapa de Gladson Cameli. A análise da elegibilidade segue requisitos próprios da legislação eleitoral e não se confunde com a simples existência de uma decisão em ação de improbidade.

A nova disputa judicial ocorre dentro da campanha para o Governo do Acre em 2026. A representação apresentada por Mailza e pela Avança Acre contra Alan Rick e a coligação Trabalho da Esperança foi protocolada no TRE-AC em 18 de setembro e classificada como processo envolvendo divulgação de falsa imputação.

Com a manutenção da propaganda, o conteúdo continua inserido no debate eleitoral enquanto o processo segue sua tramitação. A decisão sobre a propaganda não representa um novo julgamento da antiga ação de improbidade nem altera, por si só, a situação do registro de candidatura de Mailza nas eleições de 2026.

Na 6 de Agosto, Alan Rick defende ações para reduzir prejuízos causados pelas enchentes

Durante visita ao comércio da região, candidato propôs obras de drenagem, sistemas de retenção de água e recuperação de cursos d’água

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) iniciou a agenda deste sábado, 19, com um bandeiraço em frente à Casa 10 da 6 de Agosto, no Segundo Distrito de Rio Branco. A mobilização reuniu o candidato a vice-governador Rico Leite (Republicanos), a candidata ao Senado Mara Rocha (Republicanos), o vereador Neném Almeida e candidatos aos cargos proporcionais, entre eles Oséias Silva, candidato a deputado estadual pelo Republicanos e morador do bairro.

Em seguida, Alan percorreu o comércio da região, conversou com moradores e comerciantes e apresentou medidas para reduzir os impactos das enchentes.

“Praticamente todos os anos é a mesma preocupação. O Rio Acre sobe e quem mora ou trabalha aqui começa a pensar até onde a água vai chegar e o que pode perder. Tem comerciante que vê mercadoria e anos de trabalho ameaçados. Nós vamos trabalhar antes da enchente, com obras de drenagem, sistemas de retenção da água, recuperação dos cursos d’água e soluções que ajudem a cidade a absorver e escoar melhor o excesso de chuva. A gente não pode impedir o rio de subir, mas pode preparar melhor a cidade para reduzir os prejuízos e proteger as famílias”, afirmou Alan.

Entre as ações propostas estão a implantação de bacias de detenção, estruturas que recebem e retêm temporariamente grandes volumes de água, e a ampliação de galerias e redes de drenagem. Alan também defende a recuperação de igarapés, com desassoreamento, contenção de margens e intervenções para melhorar o escoamento.

Outra medida é a adoção do conceito de “cidade-esponja”, com soluções para aumentar a capacidade de absorção e retenção da água das chuvas, associadas à recuperação ambiental e à implantação de parques lineares em áreas vulneráveis.

Durante a caminhada, Alan também ouviu pequenos comerciantes da 6 de Agosto e defendeu medidas para facilitar a vida de quem empreende nos bairros. Para o candidato, reduzir os impactos das enchentes também significa proteger negócios, empregos e a renda das famílias que dependem do comércio local.

“O pequeno comerciante é quem abre a porta cedo, trabalha o dia inteiro e muitas vezes sustenta a família com aquele negócio. O Estado não pode ser mais uma dificuldade. Nós queremos apoiar quem empreende, reduzir a burocracia e melhorar a infraestrutura dos bairros para que essas pessoas tenham condições de trabalhar, gerar renda e manter seus negócios”, afirmou.

Alan defendeu ainda que as ações de prevenção às enchentes sejam realizadas em parceria com a Prefeitura de Rio Branco, com intervenções permanentes nas regiões mais vulneráveis.

“Não podemos aparecer somente quando a água já entrou. O trabalho precisa começar antes, identificando as áreas mais vulneráveis e fazendo as intervenções necessárias. É prevenção para diminuir os impactos das enchentes na vida das famílias e também de quem mantém seu comércio e gera renda nessas regiões”, concluiu.

Assessoria