Alan Rick lidera pesquisa RealTime para governo do Acre com 39%

O senador Alan Rick (Republicanos) lidera a disputa pelo governo do Acre, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 18. A governadora Mailza Assis (PP) aparece em segundo lugar, com 26%, seguida pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), com 18%.

Thor Dantas (PSB) tem 5%, enquanto Eudo Raffael (PCB) não pontuou. Brancos e nulos somam 6%, mesmo percentual dos eleitores que não souberam ou não responderam. A vantagem de Alan Rick sobre Mailza é de 13 pontos percentuais. A distância entre Mailza e Bocalom é de 8 pontos.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Alan Rick também aparece à frente, com 15%. Mailza Assis tem 8%, Tião Bocalom registra 6%, Gladson Cameli aparece com 3% e Jorge Viana tem 1%. Outros nomes somam 3%, brancos e nulos chegam a 11%, e 53% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

O levantamento também testou cenários de segundo turno. Contra Mailza Assis, Alan Rick aparece com 46%, ante 35% da governadora. Brancos e nulos somam 10%, e 9% não responderam. Em uma disputa contra Tião Bocalom, o senador tem 55%, contra 26% do prefeito de Rio Branco. Nesse caso, brancos e nulos são 11%, e 8% não souberam ou não responderam.

Na simulação entre Mailza Assis e Tião Bocalom, a governadora aparece com 40%, enquanto o prefeito registra 28%. Brancos e nulos somam 12%, e 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

A RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores do Acre entre os dias 16 e 17 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número AC-04914/2026.

Em levantamento separado sobre a disputa presidencial no Acre, Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT). No cenário estimulado, Flávio tem 51%, contra 29% de Lula. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Flávio registra 58%, e Lula aparece com 32%. Essa pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08879/2026.

Prefeitura vistoria Vale do Açaí e ocupação Jaguar para avaliar infraestrutura em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, vistoriou nesta quarta-feira (17) o Residencial Vale do Açaí e a ocupação Jaguar para avaliar problemas de infraestrutura, saneamento, acesso e áreas de risco. A agenda reuniu equipes técnicas da gestão municipal e teve como foco levantar demandas das comunidades e definir medidas possíveis para reduzir os impactos enfrentados pelos moradores.

No Residencial Vale do Açaí, a principal reclamação envolve ruas com dificuldade de acesso, esgoto a céu aberto e problemas de mobilidade. Moradores relataram que a situação afeta de forma mais grave pessoas com deficiência e famílias que dependem de atendimento médico fora de casa. A líder comunitária Dje Cavalcante afirmou que os transtornos são antigos e que a falta de trafegabilidade já dificultou até a entrada de ambulâncias do Samu em alguns pontos da localidade.

Durante a vistoria, Bestene reconheceu a demanda dos moradores e afirmou que o município vai atuar dentro das condições legais e técnicas. O prefeito citou que o Vale do Açaí reúne áreas com diferentes situações, incluindo trecho regularizado, ruas judicializadas e pendências associadas a programas habitacionais antigos, como o Ruas do Povo.

A gestão municipal deve iniciar ações de limpeza e acompanhamento técnico na comunidade. O trabalho terá participação das áreas de infraestrutura, cuidados com a cidade e da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, a Emurb. A proposta é fazer um diagnóstico das condições de acesso e das intervenções possíveis em cada ponto.

A comitiva também esteve na ocupação Jaguar, onde vivem famílias em situação de vulnerabilidade. O município pretende fazer o cadastro social dos moradores e incluir as famílias no Cadastro Único, etapa necessária para orientar políticas públicas e futuros programas habitacionais.

Bestene afirmou que a prefeitura busca alternativas para famílias que vivem em áreas de risco, alagadiças ou de preservação permanente. O planejamento envolve a identificação dos moradores, o acompanhamento social e a possibilidade de inclusão em programas como o Minha Casa Minha Vida, em parceria com o governo federal.

O secretário Cid Ferreira afirmou que parte dos problemas atuais tem origem em intervenções antigas sem planejamento adequado. Ele citou pendências deixadas pelo programa Ruas do Povo e disse que a gestão deve concentrar esforços em medidas para melhorar as condições de acesso, limpeza e infraestrutura nas comunidades vistoriadas.

Marcio Bittar vs. Jorge Viana: quando a irrelevância se incomoda com o prestígio

Por Daniel Sant’Ana*

A política tem uma forma simples de separar prestígio de mandato. Jorge Viana, mesmo sem cargo eletivo, chegou à presidência da ApexBrasil e passou a ocupar um espaço de articulação nacional que devolveu o Acre à mesa de conversas sobre exportações, investimentos e presença institucional em Brasília. Márcio Bittar, com oito anos de Senado e tendo ocupado a poderosa relatoria-geral do Orçamento da União de 2021, não conseguiu transformar essa posição em reconhecimento político proporcional dentro do próprio Estado.

A diferença não está apenas no cargo ocupado. Está no que cada um faz quando chega perto do centro das decisões. Jorge Viana, à frente da Apex, abriu diálogo com o governo acreano sobre exportações e desenvolvimento econômico logo no início de 2023, em uma agenda no Palácio Rio Branco voltada ao fortalecimento dos produtos do Acre no mercado externo. Esse tipo de articulação não rende apenas fotografia. Rende caminhos, relações institucionais, presença política e capacidade de fazer o Acre ser ouvido fora de suas fronteiras.

Márcio Bittar teve uma oportunidade ainda mais rara. Como relator do Orçamento, esteve no centro da disputa por bilhões de reais em Brasília. Era o momento em que poderia ter construído uma marca pública sólida, com projetos estruturantes, planejamento de longo prazo e obras capazes de melhorar a vida das pessoas de forma clara. O que ficou, no entanto, foi uma atuação cercada por controvérsias, disputas com a equipe econômica de Paulo Guedes e explicações sobre a distribuição de emendas em um orçamento que virou símbolo de tensão entre governo, Congresso e opinião pública.

Quando o senador presta contas de sua atuação, ele costuma recorrer aos números. Em 2023, na Câmara Municipal de Rio Branco, afirmou ter conseguido alocar R$ 720 milhões para o Acre por meio da relatoria do chamado orçamento secreto. O problema é que volume de dinheiro alocado não significa o mesmo volume de dinheiro liberado e, muito menos, executado. Ademais, isso não basta para construir prestígio. Recurso público precisa virar benefício público mensurável, precisa responder a prioridades reais e precisa sobreviver ao escrutínio da população. Caso contrário, a emenda vira apenas falatório e propaganda, sem virar legado.

O caso do viaduto Mamedio Bittar resume bem essa contradição. A obra, supostamente bancada por emenda do senador (há quem diga que o recurso não foi liberado, obrigando a Prefeitura a executar a obra com recursos próprios) e orçada em pouco mais de R$ 25 milhões pela Prefeitura de Rio Branco, recebeu o nome do pai de Márcio Bittar. A homenagem pode ter valor afetivo para a família, mas, politicamente, abriu uma pergunta legítima: quando um parlamentar direciona recursos para uma obra pública que pretende eternizar o nome do próprio pai, a fronteira entre interesse coletivo e capital político pessoal fica estreita demais.

Há ainda o episódio envolvendo recursos destinados às Santas Casas no Acre. Em julho de 2025, o Ministério Público Federal informou que a Justiça Federal impediu o repasse de recursos públicos às entidades após uma ação que apontou desvio de finalidade, fraude contra credores e promoção pessoal com verba pública ligada a emenda parlamentar. Em um ambiente político sério, esse tipo de caso não pode ser tratado como detalhe lateral. É matéria de interesse público e pesa sobre qualquer discurso de eficiência administrativa.

Por isso, quando Márcio Bittar reage com irritação aos movimentos de Jorge Viana, o problema parece ir além da disputa eleitoral. A irritação nasce do contraste. Um, sem mandato, abre portas nacionais e internacionais e ocupa espaços estratégicos. O outro, mesmo com mandato, mesmo tendo passado pela relatoria do Orçamento, ainda precisa explicar por que tanto poder formal não se converteu em reconhecimento amplo e benefícios concretos para o povo do Acre.

A política pune a irrelevância antes mesmo das urnas. Ela aparece nas pesquisas, nas ruas, nas conversas de bastidor e na dificuldade de transformar barulho em autoridade. Márcio Bittar recebeu do povo acreano mandatos sucessivos e oportunidades raras. Ainda assim, parece carregar a frustração de quem sabe que teve poder, teve dinheiro, teve acesso e não conseguiu construir uma entrega à altura da confiança recebida.

No fim, a diferença entre Jorge Viana e Márcio Bittar não está apenas no currículo. Está na capacidade de fazer o Acre aparecer com respeito onde as decisões são tomadas. Mandato se ganha nas urnas, relevância se prova no exercício do poder e prestígio não se improvisa. E é exatamente nessa diferença que Márcio se incomoda, reage, ataca e tenta transformar incômodo pessoal em debate público. Freud talvez explique. A política já explicou.

*Doutor (UnB) em Direito e Mestre (UFSC) em Relações Internacionais. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual pelo PT do Acre.

Jorge Viana põe pré-candidatura ao Senado na estrada e anuncia agenda em Capixaba e Acrelândia

Pré-candidato ao Senado pelo PT no Acre, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana publicou nesta quarta-feira, 17, um vídeo nas redes sociais em que anuncia agenda no interior do estado, com passagem por Capixaba e Acrelândia. Na gravação, ele diz que a mobilização começa ainda nesta quarta e segue nos próximos dias, com deslocamento por estrada e pernoite fora de casa.

“Se o pessoal acha que o Acre tem problema, eu posso ajudar”, afirma Jorge Viana no vídeo. Em seguida, ele detalha o roteiro: “E vocês estão dormindo, a gente madruga. Já estamos aqui hoje e amanhã vamos para a estrada Capixaba dormir lá em plástico, depois Acrelândia, porque a nossa luta começa cedo e vai até tarde.”

Na mesma publicação, o petista também faz um chamado aos apoiadores e associa a agenda à defesa do estado. “É por isso que, graças a Deus, a gente está juntando cada vez mais amigos e amigas que têm amor pelo Acre. Aqui é pelo Acre, aqui tem Acre. Vambora”, diz.

Já em Capixaba, o petista se reuniu com o prefeito Manoel Maia e visitou lideranças locais. Durante a passagem pelo município, ele defendeu diálogo entre diferentes grupos políticos e afirmou que a prioridade deve ser os interesses do estado.

Na visita, Jorge Viana relembrou ações realizadas em Capixaba durante o período em que governou o Acre e citou obras e serviços nas áreas de energia, abastecimento de água, eletrificação rural e urbanização. “Capixaba é um lugar pelo qual tenho um carinho muito especial. Quando assumi o governo, a cidade ainda enfrentava muitas dificuldades. Trabalhamos para levar energia de forma permanente, água tratada, eletrificação rural e melhorias urbanas que ajudaram a transformar a realidade da população”, afirmou.

Editorial – O poder da eminência parda no governo do Acre

O governo do Acre chegou a esta terça-feira, 16 de junho, cercado por uma pergunta que já circula nos corredores da política, nas conversas de bastidor e nas rodas onde deputado baixa a voz antes de falar: quem realmente manda no Palácio Rio Branco? A crise não nasce de uma portaria, de uma exoneração ou de um discurso oficial. Nasce da presença de figuras sem mandato, sem cargo político claro e sem responsabilidade formal, mas com força suficiente para atravessar reuniões, interferir em alianças, pressionar parlamentares e tentar controlar o rumo de um governo que deveria responder diretamente à população.

A expressão é antiga, mas voltou a vestir roupa nova no Acre: eminência parda. É aquele personagem que não aparece na placa da porta, não foi escolhido pelo eleitor, não senta na Assembleia, não carrega voto no bolso, mas age como se tivesse recebido procuração para decidir o destino de quem governa. Não assina ato, mas orienta. Não ocupa cargo visível, mas manda. Não enfrenta urna, mas tenta impor caminho a quem passou pelo voto. A política acreana conhece bem esse tipo de poder sem rosto. Ele sempre aparece quando a autoridade formal começa a dividir espaço com a conveniência do bastidor.

O problema não está na existência de auxiliares próximos. Todo governo precisa de conselheiros, articuladores e pessoas de confiança. O problema começa quando esses personagens deixam de aconselhar e passam a comandar. Quando isso acontece, o governo perde nitidez. O secretário não sabe até onde pode ir. O deputado não sabe com quem negociar. O aliado não sabe se fala com a governadora ou com quem fala por ela. O cidadão, que é o verdadeiro dono da máquina pública, fica sem saber quem cobrar quando a decisão dá errado.

No Acre de hoje, essa sombra pesa sobre a imagem da governadora Mailza Assis. A governadora parece tentar manter uma aparência de controle, mas a política não perdoa hesitação. Em governo, dúvida prolongada vira fraqueza. Aliança mal resolvida vira chantagem. Base insatisfeita vira ameaça silenciosa. E quando os próprios aliados começam a reclamar de interferência externa, de emendas represadas e de decisões tomadas por quem não tem mandato, o problema já saiu do cochicho e entrou na sala principal.

A base governista, embora numerosa no papel, já não se comporta como tropa obediente. Há incômodo entre deputados, especialmente em torno da liberação de emendas e da tentativa de transformar apoio político em obediência eleitoral. Emendas parlamentares não são presente do governo. São instrumentos públicos, muitas vezes destinados a associações, comunidades, instituições filantrópicas, pequenos municípios e serviços que atendem gente de carne e osso. Quando esse dinheiro vira moeda de pressão, quem sofre não é o deputado. Quem sofre é a dona Maria que espera atendimento, o dirigente de uma entidade que mantém serviço comunitário, a família que depende de uma ação social e o interior que vive na ponta do abandono.

É aí que a eminência parda se torna perigosa. Ela não aparece para explicar a demora. Não vai ao rádio prestar contas. Não sobe em palanque para pedir voto em nome próprio. Não encara eleitor na feira, no ramal, na fila do hospital ou na porta de uma escola. Quem carrega o desgaste é a governadora. Quem perde sustentação é o governo. Quem responde nas urnas é o grupo político. A sombra manda, mas a conta chega para quem está sob a luz.

O caso do MDB aprofunda esse desgaste. O partido entrou na aliança, saiu pela tangente, conversou com outros caminhos, voltou a deixar dúvidas e manteve a governadora em uma posição desconfortável. Na política, nada enfraquece mais uma liderança do que parecer dependente de quem não se decide. Quando um aliado oscila demais, cabe ao governo impor rumo. Mailza precisa decidir se conduz a própria campanha ou se continuará esperando que outros definam o tamanho do seu projeto. A indefinição do MDB já arranha o partido, mas também atinge a governadora, porque passa a impressão de que ela insiste em uma aliança que não lhe entrega segurança.

O Acre já atravessou períodos em que o poder se organizava por cartilha, senha e bênção. Quem estava dentro do círculo resolvia. Quem estava fora precisava rezar o terço inteiro para ser ouvido. Esse tipo de política envelheceu mal, mas não desapareceu. Ela apenas trocou o gabinete fechado pelo grupo de mensagem, a antessala pelo almoço reservado, o coronel antigo pelo operador moderno. A essência continua a mesma: poucos decidem, muitos obedecem e quase ninguém assume a responsabilidade.

Um governo que aceita esse modelo vai se afastando do chão. Deixa de ouvir prefeito pequeno, deputado incomodado, servidor cansado, liderança comunitária esquecida. Passa a ouvir apenas o eco de quem vive perto do poder. E o eco é sempre perigoso, porque devolve ao governante exatamente aquilo que ele quer escutar. O Acre real é diferente. O Acre real não quer saber quem cochicha no ouvido da governadora. Quer saber quem resolve. Quer saber quem responde. Quer saber por que a máquina pública parece travada quando deveria estar funcionando.

A crítica feita no Jornal da Manhã toca exatamente nesse ponto. Não se trata apenas de disputa eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Quem manda precisa aparecer. Quem decide precisa assinar. Quem interfere precisa ter nome, cargo e dever legal. A democracia não combina com poder clandestino. Governo não pode ser comandado por presença na fotografia, influência de corredor ou intimidade com quem ocupa o cargo principal. Governo exige comando aberto, cadeia de decisão limpa e autoridade capaz de dizer sim, não e por quê.

Mailza Assis ainda tem tempo de reorganizar o próprio governo, mas esse tempo não é infinito. A governadora precisa separar conselho de comando, amizade de função pública, articulação de interferência. Precisa olhar para a base e entender que deputado não é empregado de palácio. Precisa olhar para os partidos e entender que aliança sem firmeza vira humilhação pública. Precisa olhar para dentro do governo e decidir quem fala, quem manda, quem executa e quem responde.

A eminência parda sobrevive porque raramente deixa impressão digital. Por isso mesmo, um governo responsável não pode entregar sua condução a esse tipo de personagem. A sombra protege quem opera, mas enfraquece quem governa.

Mãe cobra resposta após 54 dias de espera por TFD em Cruzeiro do Sul

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.

A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.

“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.

O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.

Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.

Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.

Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.

“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.

O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.

De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.

Manoel Oliveira da Conceição

Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.

Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.

A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.

Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?

Jorge Viana defende união no Acre e atribui retomada da BR-364 à ação do governo Lula

O ex-governador Jorge Viana afirmou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que o Acre precisa de união política para enfrentar seus problemas mais urgentes e disse que a recuperação da BR-364 só avançou por causa da atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o deslocamento pela rodovia a caminho de Sena Madureira, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, Viana disse que o momento exige articulação institucional e menos confronto político.

Ao defender a aproximação entre o governo federal e as lideranças locais, Jorge Viana afirmou que o Acre não tem espaço para disputas ideológicas em meio à crise de infraestrutura. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda, direita. Ele quer saber que as coisas sejam feitas direito, feitas de forma correta”, disse. Na mesma fala, reforçou que a prioridade deve ser o resultado prático para a população.

Viana também resgatou a experiência de quando governou o estado para sustentar que o diálogo com Brasília é decisivo para viabilizar obras e investimentos. “Tudo que eu fiz no Acre começou numa parceria com o governo federal”, afirmou. Segundo ele, mesmo em períodos de forte disputa partidária, o entendimento institucional produziu resultados concretos e ajudou a transformar a realidade do estado.

Ao comentar a situação da BR-364, o ex-governador disse ter visto de perto o estado da estrada e afirmou que a resposta do governo federal começa a mudar esse cenário. “Eu andei na estrada e eu posso afirmar: eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, declarou. Para Jorge Viana, a melhoria da trafegabilidade e a contratação de obras definitivas mostram que há uma ação efetiva em curso.

Na entrevista, ele atribuiu diretamente essa retomada ao presidente Lula e criticou o período em que, segundo ele, o Acre ficou sem a atenção necessária por parte da União. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, afirmou. Em seguida, acrescentou que, sem essa intervenção, o estado continuaria sem perspectiva de solução para a rodovia e outras obras consideradas estratégicas.

Jorge Viana também disse que a bancada federal terá papel importante na garantia de recursos para o Acre nos próximos orçamentos e voltou a defender a construção de uma agenda baseada em cooperação. “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar”, afirmou. Ao encerrar a participação, resumiu a mensagem que tentou transmitir ao longo da entrevista: “O Acre tá precisando de mais trabalho, mais união e menos confusão.”

Na rádio Integração, Ministro anuncia licitação da BR-364 e promete estrada em condição regular até setembro

O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que assinou a licitação para a reconstrução de 107 quilômetros da BR-364 e que o governo federal pretende avançar em novas etapas da obra no Acre. A conversa com os jornalistas Chico Melo e Rogério Wenceslau ocorreu durante o deslocamento de Santoro e do ex-governador Jorge Viana pela rodovia, a caminho de Sena Madureira. “Acabei de assinar a licitação da reconstrução de 107 quilômetros dessa rodovia”, disse o ministro.

Ao longo da entrevista, Santoro afirmou que a meta do governo federal é melhorar as condições de tráfego da estrada ainda neste ano. “Até setembro a gente vai assinar mais 200 quilômetros” e “tem que estar com pelo menos 60% da rodovia, no mínimo, regular”, declarou. Segundo ele, o trabalho vai ocorrer em duas frentes: a manutenção dos trechos mais críticos para garantir a trafegabilidade e a reconstrução definitiva da BR-364 em pontos considerados mais comprometidos.

O ministro também afirmou que colocou a equipe de engenharia do DNIT à disposição do governo do Acre para apoiar tecnicamente a resposta ao desabamento da ponte em Sena Madureira. Segundo George Santoro, o suporte é voltado à busca de soluções de engenharia para enfrentar o problema no município.

Jorge Viana reforçou o diagnóstico de precariedade da rodovia e disse que o trecho está em situação crítica, mas avaliou que a atuação do governo federal pode mudar esse cenário nos próximos meses. “Eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, afirmou. Segundo ele, o esforço é garantir condições mínimas de circulação enquanto os trechos definitivos entram em execução.

Na entrevista, o ex-governador também associou o avanço das obras à articulação política entre o Acre e Brasília e defendeu uma relação institucional acima de disputas partidárias. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda e direita, ele quer saber que as coisas sejam feitas direito”, disse. Em outro momento, acrescentou: “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar.”

Jorge Viana ainda afirmou que o governo federal tem retomado investimentos considerados estratégicos para o estado e citou a BR-364 como uma das prioridades. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, declarou. Ele também disse que o projeto da ponte de Rodrigues Alves deve ficar pronto até o fim do ano, com perspectiva de licitação da obra no começo de 2027.

Ministro promete tirar BR-364 do estado crítico até setembro e anuncia nova frente de obras no Acre

O ministro dos Transportes, George Santoro, chegou ao Acre, trazido em uma articulação do ex-governador e ex-senador Jorge Viana, com uma promessa direta sobre a BR-364: melhorar as condições de tráfego da rodovia até setembro. A declaração foi feita na manhã desta segunda-feira, 15, antes do início da agenda oficial no estado, em meio à pressão crescente provocada pela sequência de problemas na estrada que liga Rio Branco ao interior.

Santoro reconheceu que a situação da BR-364 é grave. Segundo ele, a primeira resposta do Ministério será a manutenção emergencial dos trechos mais comprometidos, enquanto uma intervenção mais pesada será contratada para os próximos anos.

“Até setembro a gente está com a manutenção”, afirmou o ministro, ao dizer que a meta é tirar a estrada do patamar atual de precariedade. Ele também admitiu que a rodovia “está muito ruim, com vários pontos péssimos”.

O ministro disse que o governo federal pretende contratar R$ 1,7 bilhão em obras para recuperar a rodovia nos próximos três verões. A proposta é refazer trechos em outro padrão de engenharia, com intervenções mais duradouras e capazes de enfrentar as condições do solo e do inverno amazônico.

Entre os anúncios previstos para a agenda no Acre está a assinatura do aviso de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da BR-364, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, incluindo o acesso a Manoel Urbano. O investimento estimado é de R$ 714 milhões.

Nos últimos meses, motoristas, passageiros e moradores do interior passaram a relatar com mais frequência atolamentos, buracos, trechos deformados, saídas de pista e dificuldades de deslocamento. A estrada é a principal ligação terrestre entre Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

Pela manhã, Santoro foi recebido pela governadora Mailza Assis no Palácio Rio Branco. O encontro tratou das demandas do Acre na área de transportes e dos investimentos federais previstos para a malha rodoviária. A governadora espera que a visita resulte em encaminhamentos concretos para a BR-364 e outras obras consideradas estratégicas para o estado.

A programação do ministro também inclui coletiva em trecho da BR-364, na região da Estrada do Aeroporto, além de vistorias em Sena Madureira. Uma das visitas previstas é à Ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, que desabou no início do mês. Santoro também deve acompanhar a situação da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282 da BR-364, estrutura considerada essencial para manter a ligação terrestre com o interior.

Ao falar sobre a rodovia, o ministro também fez críticas à condução anterior da política de infraestrutura. Segundo ele, a BR-364 ficou anos sem receber o volume de investimento necessário para uma estrada com esse peso econômico e social para o Acre.

A fala de Santoro estabelece um prazo político e administrativo para o Ministério dos Transportes. Até setembro, a promessa é entregar uma rodovia ao menos em condições regulares de tráfego. Depois disso, o desafio será transformar os anúncios de recuperação estrutural em obra efetiva, em uma estrada que há anos alterna remendos, interrupções e cobranças sem resposta definitiva.

Sem prazo para retirar escombros, ribeirinhos se arriscam no Rio Iaco após queda de ponte em Sena Madureira

Nove dias depois do desabamento de cerca de 60% da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, os escombros continuam no leito do Rio Iaco e mantêm a navegação bloqueada, enquanto moradores e ribeirinhos seguem se arriscando para atravessar o trecho. Neste domingo, 14, um vídeo mostrou um condutor com a embarcação presa entre ferragens e blocos de concreto submersos. Até agora, governo, Justiça e construtora avançaram em perícias, ações judiciais e medidas emergenciais de travessia, mas ainda não apresentaram uma data para a retirada do material do rio.

A pressão da população cresceu ao longo da semana. No dia 8, moradores foram flagrados conduzindo uma canoa por cima dos escombros, apesar da interdição da área. Neste domingo, outra publicação mostrou ribeirinhos tentando abrir passagem no rio por conta própria, usando ferramentas para cortar obstáculos e liberar a circulação. As cenas expõem o tamanho do impasse: sem desobstrução oficial, parte da população tenta criar rotas improvisadas em uma área que segue com risco de novos acidentes.

Os relatos de prejuízo se acumulam. Ribeirinhos dizem que embarcações seguem presas desde a sexta-feira do desabamento, que tentativas de travessia fracassaram por causa dos destroços e que a interrupção afeta transporte de cargas, compra e venda de gado, pesca e deslocamentos entre propriedades rurais e a cidade. Moradores afirmam que a retirada dos escombros poderia devolver ao menos parte da passagem pelo rio, hoje inviável para quem depende da navegação como único meio de acesso.

A resposta do Estado ficou concentrada, até aqui, em contenção de danos e apuração. Logo após o colapso, o Corpo de Bombeiros suspendeu totalmente a navegação no trecho do Rio Iaco e o governo informou que iniciaria estudos para definir a operação de retirada dos escombros. No dia 9, o Deracre contratou uma catraia para travessia emergencial entre o Segundo Distrito e o centro de Sena Madureira, com funcionamento das 6h às 21h. Neste domingo, porém, a presidente do órgão, Sula Ximenes, afirmou que os destroços ainda não podem ser removidos porque o local precisa passar por perícia técnica, sob o argumento de que mexer na estrutura agora comprometeria a investigação.

O caso também entrou de vez na esfera judicial. O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar se houve falhas de projeto, execução, fiscalização ou uso de material inadequado. Na sexta-feira, 12, a Justiça do Acre determinou o arresto de bens da Construtora Cidade até o limite de R$ 36 milhões, mandou o Deracre apresentar em 15 dias um cronograma emergencial para a Estrada Mário Lobão e ordenou a disponibilização de uma balsa gratuita no mesmo prazo. Também deu 30 dias para que Estado e empresa apresentem um plano conjunto com cronograma de reparação, desobstrução e reconstrução da ponte.

A construtora sustenta que a queda foi provocada pelo fenômeno de terras caídas e afirma ter recomendado a interdição total da estrutura no dia 4, antes do desabamento. Um dos sócios da empresa disse ainda que o risco geológico na região era conhecido, embora, segundo ele, fosse impossível prever o ponto exato e o momento do colapso. A tese, porém, passou a enfrentar resistência também no processo: a decisão judicial destacou que estudos anteriores do Serviço Geológico do Brasil já apontavam risco elevado de erosão fluvial na área, o que enfraquece, em análise inicial, a versão de um evento natural imprevisível.

Sem acordo entre Estado e construtora em audiência de conciliação realizada em 11 de junho, o processo segue aberto e a solução prática continua distante. No mesmo dia, moradores do Segundo Distrito bloquearam a BR-364 para cobrar respostas concretas sobre travessia, reconstrução da ponte, melhorias no porto da catraia e recuperação da Estrada Mário Lobão. Enquanto isso, o rio segue obstruído, a travessia continua improvisada e quem depende da água para viver trabalha sob o risco de ficar preso ou de não conseguir passar.