“Cada pessoa é responsável pelos seus atos”: Mailza evita metas e expõe lacunas do plano de governo no Acre

“Cada pessoa é responsável pelos seus atos.” A frase de Mailza Assis (PP) para se afastar de uma das principais promessas de Gladson Cameli resumiu a sabatina do ac24horas nesta segunda-feira, 24 de agosto.

Candidata à reeleição, a governadora defendeu um plano de governo “exequível”, mas não informou quantas casas pretende entregar, quando implantará a rastreabilidade bovina, como pretende resolver as pendências da educação nem qual será o prazo para uma solução definitiva em Sena Madureira, após o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari.

Em pouco mais de uma hora, a entrevista expôs uma dificuldade central da candidatura: Mailza quer manter a imagem de continuidade, mas evita assumir metas que permitam medir o resultado de um eventual mandato entre 2027 e 2030.

Mailza assumiu definitivamente o governo em abril, após a saída de Gladson Cameli. Desde então, construiu sua candidatura sobre a continuidade administrativa. O ex-governador participa da articulação eleitoral e aparece ao lado dela nos principais movimentos da campanha.

A proximidade torna inevitável a cobrança pelo legado do grupo que governa o Acre desde 2019.

Habitação: 11 mil casas viraram 2,7 mil — e ainda sem meta para 2030

A habitação foi o primeiro teste da promessa de continuidade.

Gladson Cameli prometeu construir 11 mil casas populares. A entrega, porém, ficou distante da escala anunciada. Em 2026, o próprio governo passou a trabalhar com números menores. Em fevereiro, Gladson falava na conclusão de pouco mais de 2,3 mil moradias até o fim do ano.

Questionada sobre quantas casas entregaria em quatro anos, Mailza não respondeu com uma meta. Preferiu se separar da promessa do antecessor.

“Cada pessoa é responsável pelos seus atos, né. A minha gestão é de continuidade”, afirmou.

Depois, disse que há recursos para 2,7 mil unidades e que pediu à equipe um plano possível de executar. A resposta informa o que o governo tem hoje, mas não diz o que a candidata pretende entregar até 2030.

A diferença é objetiva: 2,7 mil casas representam uma fonte de recurso já identificada. Não representam uma política habitacional para quatro anos.

Ficaram sem resposta perguntas básicas: quantas moradias serão entregues, quanto será investido, quais municípios terão prioridade e qual parcela do déficit habitacional será enfrentada.

O próprio governo já trabalhou com uma estimativa de déficit de 24 mil moradias no Acre, sendo 11 mil apenas em Rio Branco. Sem uma meta, o eleitor perde o principal instrumento para acompanhar a promessa depois da eleição.

Parque tecnológico contra problemas básicos da escola

A educação revelou outra distância entre o discurso e a execução.

Mailza voltou a defender a criação do Parque Tecnológico do Acre, projeto que acompanha sua trajetória política há pelo menos cinco anos. Ainda no Senado, ela participou de articulações com a Universidade Federal do Acre, o governo estadual e instituições ligadas à inovação.

O jornalista Itaan Arruda colocou a proposta diante de problemas mais urgentes: escolas com dificuldades estruturais e professores cobrando revisão de carreira e remuneração.

A pergunta exigia uma resposta prática: como financiar inovação enquanto a rede pública ainda enfrenta problemas básicos?

Mailza disse que as duas frentes precisam avançar juntas. Mas, ao falar da tecnologia, respondeu: “O jovem gosta disso. Querendo ou não ele vai se debruçar”.

Quando voltou aos problemas das escolas, mudou o foco para relações familiares, comportamento e saúde emocional.

“Nós tivemos essa fatalidade talvez por falta de uma harmonia. E aí entra o cuidado com as famílias, aí entra o cuidado com esse egoísmo”, afirmou.

Saúde emocional e convivência familiar são temas importantes na educação. Mas não respondem quanto será investido na estrutura das escolas, quando a carreira dos professores será revisada ou como o Estado pretende bancar um parque tecnológico.

Em outro momento, a própria governadora reconheceu a cobrança dos profissionais e falou em discutir o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração.

“Os professores começaram a reivindicar e é uma necessidade. Precisamos pensar nessa devolução aos trabalhadores da educação. Fizemos um compromisso com o sindicato”, disse.

Ainda faltaram valores, prazo e formato para a revisão.

Rastreabilidade: o governo criou programas, mas a candidata não dá prazo

Na rastreabilidade bovina, a contradição ficou mais clara.

O plano de governo de Mailza prevê ampliar mecanismos de rastreabilidade e certificação da produção agropecuária. A medida afeta diretamente produtores, frigoríficos e toda a cadeia da pecuária, especialmente por envolver custos, controle do rebanho e exigências de mercado.

Perguntada se pretendia terminar um novo mandato com o sistema implantado, Mailza não assumiu o compromisso.

“Não, isso aí precisa ser estudo, precisa ter um diálogo, precisamos preparar o Estado para isso, porque nós não temos, no momento, condições para isso”, respondeu.

O problema é que o Acre não está começando essa discussão agora.

Em abril, o governo criou o programa Rebanho Certo/AC, voltado à atualização cadastral de bovinos e bubalinos e à preparação para a futura rastreabilidade individual. Em julho, já sob Mailza, o Decreto nº 11.911 instituiu o Plano ABC+/AC, que inclui o estímulo à rastreabilidade e à certificação de produtos agropecuários sustentáveis.

Ou seja: o governo já criou instrumentos para avançar. O que Mailza não informou foi o ponto de chegada.

Até onde o Estado pretende levar o processo? Quando o produtor terá de cumprir as novas exigências? Quem pagará a adaptação? Como evitar que a rastreabilidade aumente custos e reduza a competitividade da pecuária acreana?

Sem prazo e sem meta, o plano fica no campo da intenção.

Ponte de Sena Madureira: a empresa virou o centro da resposta

Em Sena Madureira, a cobrança envolveu uma obra que já desabou.

A ponte Frei Paolino Baldassari caiu em 5 de junho, menos de três anos depois da inauguração. Quatro pessoas ficaram feridas, e a ligação entre o centro da cidade e o Segundo Distrito foi interrompida.

A estrutura havia sido interditada no dia anterior, após o avanço das chamadas terras caídas e a identificação de risco no local.

Quase três meses depois, os escombros ainda estavam no Rio Iaco. Moradores dependiam de alternativas, como catraias, para atravessar. A perícia sobre as causas do colapso continuava sem conclusão.

Em agosto, o Ministério Público do Acre abriu inquérito civil para investigar a execução da obra e também o planejamento, a fiscalização, o monitoramento e a manutenção da ponte.

Na sabatina, Mailza concentrou a resposta na empresa contratada.

“Nós judicializamos a empresa que construiu. A empresa que construiu foi responsável pela ponte por 100% da construção”, afirmou.

Depois, acrescentou: “Eu não sei o tempo que a empresa vai nos dar a resposta”.

O governo pode cobrar judicialmente a construtora se houver responsabilidade na execução. A Procuradoria-Geral do Estado anunciou essa medida poucos dias após o desabamento.

Mas a judicialização não responde pelo papel do próprio Estado.

Uma obra pública de aproximadamente R$ 36 milhões, entregue em 2023 e destruída em 2026, também exige explicações sobre fiscalização, acompanhamento e manutenção. O Ministério Público investiga justamente essa parte e contesta a ideia de que o contrato retiraria do poder público o dever de fiscalizar.

Para Sena Madureira, a pergunta não é apenas quando a empresa responderá. É quando o Estado removerá os escombros, como manterá a travessia e quando entregará uma solução permanente.

O plano é “exequível”, mas não permite medir o resultado

As quatro respostas seguiram a mesma lógica.

Na habitação, Mailza informou que existem recursos para 2,7 mil casas, mas não apresentou uma meta para quatro anos.

Na educação, defendeu um parque tecnológico, mas não explicou como a proposta se conecta às escolas que ainda precisam de estrutura e aos professores que cobram a revisão da carreira.

Na rastreabilidade, incluiu o tema no plano de governo, mas não disse quando pretende implantá-lo — embora o próprio Estado já tenha criado programas para preparar o setor.

Em Sena Madureira, explicou a ação contra a construtora, mas não deu prazo para a solução que a população espera do governo.

A frase “cada pessoa é responsável pelos seus atos” ajuda Mailza a se afastar das promessas de Gladson Cameli. Mas essa separação tem limite.

Mailza foi eleita vice na chapa de Gladson, assumiu o governo, defende a continuidade administrativa e recebe o apoio direto do ex-governador. O grupo político está no comando do Acre desde 2019.

Ela não pode reivindicar apenas os resultados positivos dessa herança e transferir os problemas para o antecessor.

O ponto da sabatina não é exigir promessas grandiosas. É exigir números, prazos e responsáveis.

Se o plano é “exequível”, o eleitor precisa saber quanto será feito, quando, com quais recursos e como o resultado será medido.

Sem essas respostas, a prudência vira falta de compromisso mensurável. E, para quem já governa e pede mais quatro anos, explicar o futuro não basta. Mailza também precisa responder pelo que o Estado prometeu, começou e ainda não entregou.

Alan Rick inaugura comitê central em Rio Branco e apresenta prioridades para o Acre

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao Governo do Acre nas eleições de 2026, inaugurou nesta segunda-feira (24) o comitê central de campanha em Rio Branco. Instalado no Centro da capital, em frente ao Terminal Urbano, o espaço vai concentrar atividades de organização e mobilização eleitoral durante a disputa pelo Palácio Rio Branco.

A inauguração reuniu apoiadores, militantes e candidatos ligados à chapa. O ato ocorreu na segunda semana da campanha eleitoral, iniciada oficialmente em 16 de agosto, quando passaram a ser permitidas as atividades de propaganda nas ruas e na internet.

Durante o evento, Alan afirmou que pretende manter contato direto com os eleitores ao longo da campanha e apresentou saúde, educação, emprego, renda e infraestrutura entre as áreas que considera prioritárias para o estado.

Ao falar sobre a disputa, o candidato associou sua candidatura a uma proposta de mudança na administração estadual e afirmou defender o que chamou de “sonho da esperança” para o Acre. Na área da saúde, disse que pretende melhorar o funcionamento dos serviços. Para a educação, defendeu uma formação voltada à preparação dos jovens para o mercado de trabalho e para o ingresso na universidade.

Alan também colocou a geração de emprego e renda e os investimentos em infraestrutura entre os temas que pretende levar ao debate eleitoral. O candidato disse que a mobilização da campanha terá participação de apoiadores de diferentes municípios e regiões acreanas.

A abertura do comitê ocorre após Alan Rick iniciar as atividades públicas de campanha em Rio Branco. Na primeira semana da disputa, o candidato participou de atos no Segundo Distrito da capital e de encontros com apoiadores e lideranças políticas.

Fundo Eleitoral muda peso das alianças e coloca PL no topo da disputa por recursos em 2026

A divisão dos R$ 4,96 bilhões reservados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as eleições de 2026 criou um novo cenário financeiro entre os partidos que participam da disputa pelo Governo do Acre. O PL ficou com a maior parcela nacional, de R$ 881,7 milhões, enquanto PT, União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos também aparecem entre as legendas com maior acesso aos recursos públicos destinados às campanhas.

O dinheiro não será transferido automaticamente para os diretórios do Acre. Cada direção nacional precisa estabelecer os critérios de distribuição entre candidatos, estados e tipos de disputa. Ainda assim, o tamanho da cota nacional amplia a capacidade das siglas de financiar campanhas e coloca as alianças formadas no estado em condições diferentes de estrutura.

A maior mudança em relação à eleição de 2022 ocorreu no PL. O partido saiu de R$ 288,5 milhões há quatro anos para R$ 881,7 milhões em 2026, crescimento de 205,6%. A legenda passou da sétima posição para o primeiro lugar na distribuição do Fundo Eleitoral e ficou com 17,77% de todo o dinheiro disponível neste ano.

No Acre, o PL integra o grupo político que apoia a candidatura da governadora Mailza Assis, do PP. A mesma aliança reúne partidos que também estão entre os mais bem posicionados na divisão nacional, como União Brasil, MDB e o próprio PP. O União Brasil terá R$ 526,2 milhões, o PP receberá R$ 417,1 milhões e o MDB contará com R$ 400 milhões.

A segunda maior parcela pertence ao PT, que terá R$ 615,4 milhões. O partido integra a aliança em torno da candidatura de Thor Dantas, do PSB. A composição reúne ainda Podemos, PCdoB e PV. O PSB terá R$ 152,3 milhões, enquanto o Podemos receberá cerca de R$ 246 milhões.

O Republicanos, partido do senador Alan Rick, ficou com R$ 348,6 milhões. A legenda aumentou em 43,9% sua participação em relação a 2022, quando recebeu R$ 242,3 milhões. Na mesma aliança está o PSD, que terá R$ 421 milhões e aparece entre os cinco maiores beneficiários do fundo em 2026. Novo e Avante também fazem parte da composição.

Em situação diferente aparece o PSDB, legenda de Tião Bocalom. O partido terá R$ 147,9 milhões, menos da metade dos R$ 320 milhões recebidos em 2022. A redução foi de 53,8%, uma das maiores entre os partidos com representação nacional.

Outras legendas também perderam espaço na divisão. O PSB caiu de R$ 268,9 milhões para R$ 152,3 milhões, enquanto o PDT passou de R$ 253,4 milhões para R$ 169,3 milhões. O União Brasil, que liderava o ranking em 2022, teve redução de 32,8% e caiu para a terceira posição.

Na direção contrária, além do PL e do Republicanos, PT, PSD e PP ampliaram seus recursos. O PT avançou 22,3%, o PSD cresceu 20,3% e o PP teve aumento de 21% em comparação com a eleição anterior.

O Tribunal Superior Eleitoral fixou em R$ 4.961.519.777 o valor total do Fundo Eleitoral de 2026. A divisão segue critérios previstos na legislação e considera, entre outros pontos, a representação das legendas na Câmara dos Deputados e no Senado. Em agosto, o TSE encerrou uma ação em que o PT buscava rever parte do cálculo, mantendo a distribuição divulgada anteriormente.

O volume disponível nacionalmente não permite antecipar quanto cada candidatura receberá no Acre. Essa definição depende das regras internas aprovadas pelas executivas nacionais. Os números, porém, mostram o tamanho da estrutura financeira que cada partido terá à disposição para organizar suas prioridades na campanha eleitoral deste ano.

Mailza diz que campanha ganha apoio popular durante carreata em Rio Branco

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis, afirmou neste domingo (23) que a campanha tem ampliado o apoio entre os eleitores durante a reta final da disputa pelo governo. A declaração foi feita durante a “Mega Carreata do 11 – Pro Acre Avançar”, que reuniu apoiadores, candidatos e lideranças políticas na parte alta de Rio Branco.

“Sinto todos os dias a população me abraçando”, disse Mailza ao comentar a participação de eleitores nas atividades realizadas pela campanha.

A candidata afirmou que a mobilização aumenta a responsabilidade do grupo político e defendeu a continuidade das visitas aos municípios e do diálogo com a população até a eleição. Mesmo com a adesão registrada durante a carreata, Mailza disse que considera a disputa aberta.

“Eu quero agradecer a participação de todos, mas não tem nada garantido, não tem nada certo. Nós temos aí longos 40 dias de caminhada, de pé no chão, visitando os municípios, conversando com as pessoas”, afirmou.

Mailza também disse que pretende manter a população envolvida na construção das propostas apresentadas durante a campanha. Para a candidata, os moradores devem participar das discussões sobre os projetos destinados ao desenvolvimento do Acre.

“Isso aqui é demonstração da aceitação das pessoas e de quanto elas se sentem incluídas nesse projeto que foi feito para a população, para a participação de cada acreano, independente da sua cor, da sua raça, do seu status social. Nós precisamos inserir a população naquilo que nós planejamos, pensamos e queremos para o nosso estado”, declarou.

A concentração da carreata ocorreu no início da Estrada Irineu Serra, em Rio Branco. A organização estimou que mais de 2 mil carros e motocicletas participaram da mobilização.

Sandra Mello cobra cachês atrasados enquanto Estado destina R$ 12,7 milhões a shows nacionais

Há mais de 90 dias, músicos e outros profissionais da cultura do Acre esperam receber por apresentações já realizadas em eventos ligados à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). A demora levou a cantora Sandra Mello às redes sociais nesta terça-feira, 18 de agosto, para cobrar o pagamento dos trabalhadores. A reivindicação ocorre no mesmo ano em que o Governo do Acre movimentou R$ 12,7 milhões para cachês das principais atrações nacionais contratadas ou previstas nas Expoacres do Juruá e de Rio Branco em 2026.

Sandra tornou pública uma cobrança que atravessa os bastidores da produção cultural acreana. Artistas sobem ao palco, músicos cumprem horários, equipes técnicas trabalham antes e depois dos shows, mas parte desses profissionais ainda aguarda o dinheiro por serviços prestados há mais de três meses. Na publicação, a cantora marcou a Fundação Elias Mansour, o responsável pela área de Cultura e a governadora Mailza Assis.

“A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu.

Até a cobrança vir a público, a FEM não havia informado a razão da demora nem apresentado uma data para a quitação dos valores. Também permaneciam sem resposta questões básicas para dimensionar o problema: quantos profissionais estão com pagamentos pendentes, qual é o montante total devido, quais eventos deram origem às dívidas e em que estágio administrativo se encontram os processos.

A espera enfrentada pelos trabalhadores locais ganha outra dimensão quando colocada diante dos valores destinados aos grandes shows das duas principais feiras agropecuárias realizadas pelo Estado em 2026. Somados, os cachês nacionais previstos para a Expoacre Juruá e os contratos de artistas nacionais da Expoacre de Rio Branco alcançaram R$ 12,7 milhões.

Em Cruzeiro do Sul, a Expoacre Juruá teve R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da Associação Transformar para seis atrações nacionais. Leonardo aparece com o maior valor, R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve previsão de R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, R$ 750 mil. Tierry e padre Fábio de Melo aparecem com R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação, com R$ 400 mil.

Os cachês faziam parte de uma estrutura financeira muito maior. Em 29 de junho, a Casa Civil transferiu R$ 15.848.310 à Associação Transformar para execução, gestão, organização e realização da Expoacre Juruá, por meio de Termo de Colaboração. O dinheiro destinado aos shows nacionais estava inserido nesse orçamento global.

Esse ponto exige uma diferença importante. O repasse de R$ 15,848 milhões comprova que o Estado colocou os recursos da parceria à disposição da entidade responsável pela feira. Não permite afirmar, isoladamente, que cada cantor ou banda recebeu o respectivo cachê naquele momento. A confirmação do valor efetivamente pago a cada atração e da data de cada pagamento depende da prestação de contas da Associação Transformar.

Ainda assim, os números mostram a dimensão da estrutura montada para receber artistas de fora do Acre. Além dos R$ 6,25 milhões destinados aos cachês nacionais no Juruá, outros R$ 2,448 milhões estavam previstos para produção e logística dessas atrações, com despesas como transporte aéreo, fretamento, hospedagem, alimentação, camarins, vans e serviços ligados à realização dos shows.

Em Rio Branco, o caminho administrativo foi diferente e os registros permitem acompanhar o dinheiro de forma mais direta. A Casa Civil firmou cinco contratos para seis atrações nacionais, num total de R$ 6,45 milhões. Os valores aparecem nos registros financeiros como empenhados, liquidados e pagos pelo Governo do Acre.

O maior contrato chegou a R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela no mesmo instrumento. Como os dois nomes foram contratados conjuntamente, o valor disponível não permite separar quanto correspondeu individualmente a cada apresentação. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, de R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu contrato de R$ 500 mil, enquanto a Banda Som e Louvor ficou com R$ 300 mil.

A soma chega aos R$ 6,45 milhões já registrados como pagos em Rio Branco. Acrescentados aos R$ 6,25 milhões previstos para as atrações nacionais da Expoacre Juruá, são R$ 12,7 milhões destinados somente aos principais cachês de artistas de fora do estado nas duas feiras.

O valor não inclui palcos, iluminação, sonorização, segurança, montagem, reformas ou outras despesas de infraestrutura. Também não representa o custo total das duas Expoacres. Trata-se apenas da parcela relacionada aos principais shows nacionais, o que torna a comparação com a cobrança dos artistas acreanos ainda mais sensível.

Os processos não são iguais. Os pagamentos cobrados por Sandra Mello passam pela Fundação Elias Mansour. Na Expoacre de Rio Branco, as atrações nacionais foram contratadas diretamente pela Casa Civil. No Juruá, o Estado transferiu os recursos para uma organização da sociedade civil responsável pela execução da feira. Misturar os três caminhos administrativos como se fossem um único processo distorceria a realidade.

Há, porém, um ponto comum: todos dependem de recursos públicos estaduais.

E é justamente aí que a cobrança feita por Sandra ultrapassa a situação individual de um artista que ainda não recebeu. Ela expõe uma questão sobre a forma como o poder público organiza prioridades, contratos, fluxo financeiro e pagamento de quem trabalha na cultura acreana.

Para colocar grandes nomes nacionais nos palcos das Expoacres, o Estado estruturou contratos e repasses milionários. No Juruá, R$ 15,848 milhões foram transferidos de uma só vez à entidade encarregada da feira, dentro de um orçamento que reservava R$ 6,25 milhões aos principais shows nacionais. Em Rio Branco, R$ 6,45 milhões em contratos de atrações nacionais já aparecem como pagos.

Do outro lado estão artistas, músicos e trabalhadores locais que, conforme a cobrança de Sandra Mello, passaram dos 90 dias de espera por serviços já executados.

A diferença não permite afirmar, por si só, que o dinheiro destinado aos shows nacionais poderia ter sido usado para quitar os débitos da FEM. São contratos, fontes orçamentárias e procedimentos que podem seguir regras distintas. Mas torna inevitável uma cobrança por transparência: se o Estado conseguiu organizar o fluxo administrativo necessário para financiar eventos milionários e assegurar atrações nacionais, o que impede a conclusão dos pagamentos dos profissionais acreanos?

A resposta precisa vir acompanhada de números e datas. A FEM ainda deve esclarecer quantos trabalhadores aguardam pagamento, quanto o Estado deve a esses profissionais, quais contratos ou editais estão envolvidos, onde estão os processos e quando o dinheiro chegará a quem já trabalhou.

Enquanto essas informações não aparecem, a frase publicada por Sandra Mello resume uma situação que deixou de caber apenas nos bastidores dos palcos: “A cultura pede ajuda e respeito”.

Conselheira do TCE-AC alerta para nomeações em período eleitoral e critica gastos públicos em festas

A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), Naluh Gouveia, afirmou que o órgão acompanha denúncias relacionadas à nomeação de cargos comissionados no governo estadual e questionou a aplicação de recursos públicos em festas, eventos e aquisições. As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Central de Política, da TV Gazeta AC.

Ao tratar das movimentações no quadro de servidores, Naluh disse que o Tribunal recebeu denúncia envolvendo nomeações de comissionados e que casos dessa natureza estão sendo encaminhados à Justiça Eleitoral.

“Houve uma denúncia com relação a cargos comissionados sendo nomeados. Nós sabemos que nesse período não pode ter nomeação, é uma lei estadual, o governo estadual não pode fazer esses tipos de nomeação. Então o Tribunal de Contas está muito atento e a gente tem encaminhado muito isso para o Tribunal Eleitoral.”

A conselheira também abordou os gastos relacionados a festas, feiras e exposições realizadas com recursos públicos. Segundo ela, o questionamento não está na realização dos eventos, mas na forma como o dinheiro público é repassado e administrado por terceiros.

“Ninguém é contra essas festas. O que a gente é contra é essa manipulação, essa terceirização do dinheiro público.”

Naluh citou ainda a avaliação de um terreno para exemplificar as diferenças de valores que, segundo ela, exigem atenção dos órgãos de controle. Na entrevista, a conselheira comparou uma avaliação de R$ 22 milhões com outra, atribuída à Prefeitura de Rio Branco, de R$ 800 mil.

“Como é que pode um terreno ser 22 milhões quando a prefeitura de Rio Branco está avaliando esse mesmo terreno em 800 mil? Como é que, para onde é que ia esse dinheiro? […] É exatamente nessa situação que a gente precisa estar atento.”

As declarações concentram as críticas da conselheira em dois pontos: o controle das nomeações realizadas pelo poder público e a fiscalização do destino dos recursos empregados em eventos, contratos e aquisições. Naluh defendeu maior acompanhamento sobre essas despesas para impedir irregularidades e assegurar que o dinheiro público tenha destinação fiscalizável.

Thor Dantas e Jorge Viana lançam campanhas no Acre em mobilização ligada a ato de Lula

A Frente Ampla pelo Acre lançou neste domingo (16) as campanhas de Thor Dantas (PSB) ao governo do Estado, com Socorro Rodrigues (Podemos) como candidata a vice, e de Jorge Viana (PT) ao Senado. A mobilização ocorreu simultaneamente nos 22 municípios acreanos e foi conectada ao ato de início da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo.

Em Rio Branco, Thor participou do lançamento ao lado de Socorro Rodrigues, do ex-governador Binho Marques, candidatos, dirigentes partidários e apoiadores. Jorge Viana acompanhou o evento de São Bernardo do Campo e participou da programação voltada ao Acre por meio de vídeo.

No primeiro dia oficial de campanha, Thor pediu votos e afirmou que pretende apresentar aos eleitores uma proposta de mudança na administração estadual. “Finalmente, eu posso dizer: me dê o seu voto de confiança, porque a gente vai mudar esse Acre”, disse.

Um dos temas abordados pelo candidato foi a saída de acreanos para outros estados em busca de oportunidades. Thor afirmou que o poder público precisa ampliar as condições para que moradores, principalmente os mais jovens, possam permanecer no Acre.

“As pessoas estão indo embora do Acre, desistindo do nosso Estado. Eu, que quis voltar para o Acre para viver aqui, nas minhas origens, vejo meus filhos querendo ir embora, desistindo do Acre. Ou a gente cuida do nosso Estado agora, ou o nosso Estado vai ser destruído”, declarou.

Thor também afirmou que pretende direcionar a campanha para problemas enfrentados pela população e para a apresentação de propostas de governo. “A política existe para cuidar dos problemas da vida em sociedade. A gente precisa urgentemente resgatar o papel da política, para que ela existe e para que ela foi feita. Nós vamos reconstruir o nosso Acre. Nós vamos reerguer o orgulho de viver nessa terra”, afirmou.

Candidata a vice-governadora, Socorro Rodrigues disse que a chapa pretende percorrer o estado, dialogar com os moradores e apresentar propostas voltadas à geração de oportunidades.

“Estamos começando uma caminhada para devolver esperança às pessoas e mostrar que o Acre pode voltar a oferecer oportunidades para quem nasceu aqui, para quem escolheu viver aqui e, principalmente, para os nossos jovens. Queremos construir um governo que escute, dialogue e cuide das pessoas, com responsabilidade e respeito”, disse Socorro.

Durante o lançamento, Thor também falou sobre o plano de governo elaborado pela Frente Ampla. De acordo com o candidato, o documento foi construído por 16 grupos temáticos, com a participação de mais de 100 pessoas, e reúne diagnósticos, objetivos e metas, incluindo medidas previstas para os primeiros 100 dias de uma eventual gestão.

“Nós temos um plano de verdade. Nós temos um plano que não é fake. Nós temos um plano com bons diagnósticos, feito por 16 grupos temáticos, reunindo mais de 100 pessoas, com metas, objetivos e metas para os primeiros 100 dias”, afirmou.

O ex-governador Binho Marques participou da coordenação da construção das propostas. Thor disse que o conteúdo será disponibilizado durante a campanha para que os eleitores possam conhecer os compromissos da chapa.

Ao falar sobre a composição da candidatura, Thor afirmou que Socorro Rodrigues era sua primeira opção para ocupar a vaga de vice. “Socorro foi o meu plano A. Você é a pessoa que estava no topo de todos os critérios que eu fiz na minha cabeça”, disse.

O candidato também citou o perfil conciliador de Socorro como uma das razões para a escolha. “A Socorro não é da briga, ela é do entendimento. A Socorro é do encontro, das soluções através do diálogo, uma ferramenta muito importante na política”, declarou.

Em São Bernardo do Campo, Jorge Viana acompanhou o lançamento da campanha de Lula e gravou uma mensagem direcionada aos acreanos. O ex-governador relacionou o ato realizado em São Paulo à mobilização organizada pela Frente Ampla no Acre.

“Estou caminhando aqui para chegar na Vila Euclides, no estádio onde tudo começou com a história do presidente, e também onde está começando a nossa maior live do Acre”, afirmou.

Candidato ao Senado, Jorge disse que pretende reforçar a interlocução do Acre com o governo federal caso seja eleito. “Essa caminhada começa agora. Agora pra valer. É Lula presidente e a gente trabalhando como senador para levar tudo de bom que Brasília e o Brasil têm para o nosso Acre”, declarou.

Thor também vinculou sua candidatura ao governo à disputa de Jorge por uma vaga no Senado e afirmou que as duas campanhas fazem parte da mesma estratégia eleitoral da aliança.

“A gente precisa muito botar o Jorge lá no Senado. É questão de honra, o Acre precisa. Mas a gente precisa também botar um bom governador na frente do nosso Estado, porque as políticas públicas se completam assim, com um governo forte e com um senador forte como o Jorge”, disse.

Com o início da campanha, a Frente Ampla pretende ampliar as atividades nos municípios e apresentar nas próximas semanas as propostas elaboradas para áreas consideradas prioritárias pela coligação.

Bocalom inicia campanha neste domingo com carreata em Rio Branco e atos no interior

A campanha de Tião Bocalom ao Governo do Acre começa neste domingo (16) com uma série de mobilizações em Rio Branco e municípios do interior. A programação inclui adesivaços durante a manhã e uma carreata à tarde na capital, além de atos em Cruzeiro do Sul e na região do Alto Acre.

Em Rio Branco, as atividades começam às 8h. A juventude do PSDB participa de um adesivaço na Praça São Francisco, enquanto integrantes do movimento de mulheres do partido promovem outra ação na rotatória localizada abaixo do Viaduto Mamédio Bittar.

A campanha também terá atividades fora da capital. Em Cruzeiro do Sul, a mobilização contará com a participação do candidato a vice-governador Sargento Adônis e de apoiadores. No Alto Acre, a programação começa às 6h, com a presença do candidato ao Senado Eduardo Velloso e dos candidatos a deputado estadual Emerson Leão e Amaral do Gelo.

A principal atividade em Rio Branco será uma carreata com concentração marcada para as 15h, no Conjunto Universitário. O trajeto vai percorrer diferentes bairros e regiões da cidade antes do encerramento previsto nas proximidades do Aramix.

O percurso inclui Mocinha Magalhães, Rui Lino II, João Eduardo I, Rui Lino I, Tucumã e Jardim Primavera. Os veículos também devem passar pela região do Lago do Amor, pelo elevado Beth Bocalom e pelo Viaduto Mamédio Bittar.

A estratégia adotada pela campanha é realizar atividades simultâneas em diferentes pontos do estado no primeiro domingo após o início oficial da propaganda eleitoral.

“A campanha é feita por várias mãos. O Sargento Adonis representa o Vale do Juruá, então ele vai estar lá. Ele é o Bocalom naquele ato, assim como o Bocalom é o Adonis no ato que vai acontecer em Rio Branco”, declarou Bocalom ao comentar a divisão da agenda.

Os atos deste domingo marcam a entrada da candidatura nas ruas durante a disputa eleitoral de 2026, com mobilizações programadas tanto na capital quanto no interior do Acre.

Alan Rick reúne apoiadores em Cruzeiro do Sul durante agenda no Juruá

O senador e candidato ao Governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), reuniu apoiadores nesta sexta-feira (14) em Cruzeiro do Sul, durante uma série de compromissos políticos no Vale do Juruá. O parlamentar desembarcou à tarde no município, onde foi recebido por militantes e lideranças antes de seguir com a programação prevista para a região.

Alan Rick chegou acompanhado do candidato a vice-governador Ricardo Leite (Republicanos) e de integrantes do grupo que disputa as eleições de 2026. Também participaram da mobilização os candidatos ao Senado Mara Rocha (Republicanos), Sérgio Petecão (PSD) e Júnior Feitosa (Democracia Cristã), além de outras lideranças políticas.

Durante a passagem por Cruzeiro do Sul, Alan agradeceu a recepção e falou sobre a relação construída com moradores do município. “Eu já me sinto um cidadão cruzeirense. Sempre sou recebido com muito carinho e respeito”, afirmou. O candidato também disse que pretende apresentar durante a campanha propostas para áreas como saúde, infraestrutura e geração de oportunidades.

A agenda desta sexta-feira incluiu visita à Associação de Pais e Amigos dos Autistas (APAA), encontro com o bispo Dom Flávio Giovenale e reunião com lideranças e apoiadores do Juruá. A programação marca o início de uma sequência de atividades do candidato na região.

A BR-364 também entrou no discurso de Alan Rick durante a passagem pelo município. O senador defendeu a reconstrução da rodovia, principal ligação terrestre entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco, e afirmou que a melhoria da infraestrutura é necessária para ampliar a atividade econômica e os investimentos no Vale do Juruá.

A programação continua neste sábado (15). Alan Rick deve participar de um café da manhã no Mercado Municipal Beira Rio, conversar com comerciantes e trabalhadores e cumprir reuniões em Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima. A passagem pelo Juruá também prevê participação no novenário de Nossa Senhora da Glória, tradicional celebração religiosa da região.

Homenagem a Mailza em solenidade pública levanta debate eleitoral no Acre

A homenagem prestada à governadora Mailza Assis pela Defensoria Pública do Acre, nesta quinta-feira, em Rio Branco, abriu debate sobre a linha que separa o reconhecimento institucional da exposição política em plena campanha eleitoral. Governadora há quatro meses e candidata ao cargo nas urnas, Mailza recebeu um ato público de reconhecimento à gestão em uma solenidade que reuniu autoridades, defensores públicos e representantes do governo.

A cerimônia ocorreu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Acre e foi organizada pela Defensoria Pública do Estado e pela Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Acre. O evento reconheceu contribuições do Governo do Estado para o fortalecimento da estrutura da instituição, incluindo investimentos e uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por Mailza quando exercia mandato no Senado Federal para a aquisição de uma unidade móvel de atendimento.

O ponto levantado pelo artigo do Acre ao Vivo é o momento político da homenagem. A solenidade não ocorreu em um período comum da vida administrativa. Mailza está no exercício do governo, ocupa posição de candidata e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Nesse contexto, um ato público com reconhecimento à gestão deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a exigir análise sobre eventual benefício eleitoral.

A Defensoria Pública tem papel essencial no atendimento jurídico da população mais vulnerável e ampliou sua estrutura nos últimos anos. O número de defensores passou de pouco mais de 40 para 61, e a instituição registrou mais de 210 mil atendimentos em 2025, com previsão de ultrapassar 240 mil neste ano. Esses dados explicam a relevância institucional do reconhecimento, mas não encerram a discussão sobre o impacto político da solenidade.

O debate se concentra no uso da imagem pública de uma governadora candidata em um evento de exaltação administrativa. Mesmo sem pedido explícito de voto, a exposição em cerimônias oficiais pode produzir efeito político quando associa a candidata a entregas, parcerias e resultados de governo. É justamente essa fronteira que o questionamento coloca em evidência.

Instituições públicas podem reconhecer parcerias, agradecer apoios e prestar contas à sociedade. O problema surge quando a forma, o momento e a comunicação do ato se confundem com a disputa eleitoral. Em ano de eleição, a prudência institucional precisa ser maior para evitar que homenagens públicas sejam interpretadas como promoção de quem está na corrida pelo voto.

Leia o artigo completo no site Acre ao Vivo