Alan Rick comemora liderança na Veritá e aposta em campanha de rua

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao Governo do Acre, comemorou nesta terça-feira (8) o resultado da pesquisa do Instituto Veritá, que o colocou na liderança da disputa com 39,8% das intenções de voto. Durante uma agenda de rua, ele afirmou que os números reforçam a estratégia de manter contato direto com os eleitores e apresentar propostas para o estado.

“Isso nos deixa muito felizes e mostra que a nossa campanha está no caminho certo”, afirmou Alan. O candidato disse que a recepção da população tem sido construída por meio de conversas e visitas, em uma campanha que classificou como “pé no chão”. Ele também associou o resultado à expectativa de mudanças no Acre.

Na avaliação do senador, a liderança aumenta a confiança no trabalho desenvolvido até agora. Alan agradeceu o apoio dos eleitores e afirmou que pretende continuar percorrendo os municípios para ouvir a população e defender seu projeto de governo.

No cenário estimulado da Veritá, Alan aparece 11,9 pontos percentuais à frente de Mailza Assis (PP), que tem 27,9%. Tião Bocalom (PSDB) ocupa a terceira posição, com 11,7%. Os demais candidatos somam 12,5%, enquanto brancos, nulos, indecisos e pessoas que não responderam representam 7,9%.

A pesquisa foi realizada por iniciativa própria do Instituto Veritá entre 29 de agosto e 1º de setembro de 2026, com 1.030 eleitores em todo o Acre. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AC-08816/2026.

Rômulo Grandidier entra no núcleo de Mailza e áudios sobre acesso a prédio do governo abrem nova frente na Ptolomeu

Um controle remoto de portão colocou o contador e ex-secretário da Fazenda Rômulo Grandidier no centro de uma nova controvérsia política no Acre. Integrante da campanha da governadora Mailza Assis ao Palácio Rio Branco, Grandidier confirmou que atua na coordenação eleitoral e passou a ser questionado nesta sexta-feira, 4 de setembro, depois da divulgação de áudios que tratam da liberação de acesso a um imóvel utilizado pela Casa Civil, no bairro Jardim de Alah, em Rio Branco. O episódio ganha peso porque ele figura nas investigações derivadas da Operação Ptolomeu e já esteve submetido a medidas cautelares impostas durante a apuração conduzida no Superior Tribunal de Justiça. O que ainda precisa ser demonstrado, para que se possa falar em descumprimento de ordem judicial, é se a restrição específica de acesso a repartições públicas permanece vigente contra ele em setembro de 2026.

A presença de Grandidier na campanha de Mailza não começou agora. No início de julho, seu nome já circulava como reforço para a equipe responsável por organizar a disputa pelo governo. Semanas depois, em 23 de julho, ele participou de uma reunião com lideranças comunitárias de Rio Branco ao lado de integrantes da coordenação política da candidatura, num momento em que o grupo governista ampliava sua mobilização nos bairros da capital. A entrada, portanto, deixou de ser um movimento de bastidor para ganhar exposição pública.

Essa trajetória chama atenção porque, dois meses antes, quando Mailza apresentou a primeira estrutura de sua campanha, em maio, Grandidier não aparecia entre os nomes anunciados para as principais funções. Naquele desenho, Aberson Carvalho e Madson Cameli eram referências da coordenação geral; Jonathan Donadoni aparecia na área financeira; Ítalo Medeiros, na logística; e Mayara Lima integrava a coordenação jurídica. A presença posterior do ex-secretário mostra que a engrenagem política foi sendo reorganizada conforme a eleição avançou.

Grandidier conhece essa engrenagem por dentro. Antes de chegar à Secretaria da Fazenda, passou pela Casa Civil e construiu relação política próxima ao grupo de Gladson Cameli. Sua participação no governo também aparece no material reunido nas investigações da Ptolomeu. Em decisão tornada pública em 2026, seu nome surge entre os denunciados pelo Ministério Público Federal em apuração relacionada ao contrato nº 67/2021, firmado pelo Deracre com consórcio liderado pela Construtora Colorado para serviços na rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul. A acusação atribuída a ele envolve, em tese, peculato e organização criminosa. Isso não representa condenação, e as responsabilidades individuais precisam ser julgadas dentro do devido processo legal.

A Operação Ptolomeu alcançou o primeiro escalão do governo acreano em março de 2023. Naquele momento, Grandidier ocupava a Fazenda. Há uma diferença importante entre o que ocorreu com ele e o afastamento judicial de outros gestores. Registros publicados à época mostram que Cirleudo Alencar, Petrônio Antunes, Ricardo França e Carlos Augusto Negreiros foram afastados por decisão judicial, enquanto Grandidier foi substituído no comando da Sefaz por decisão do próprio governo, embora também fosse alvo da investigação. José Amarísio Freitas de Souza assumiu a secretaria interinamente. Em junho daquele ano, Grandidier acabou definitivamente fora do primeiro escalão.

Essa diferença torna imprecisa a versão de que ele teria sido simplesmente “afastado do cargo pelo STJ”. O próprio Grandidier usa esse ponto em sua defesa. Ao ser questionado sobre uma possível violação de cautelares, respondeu que não houve quebra de ordem judicial e afirmou ter sido o único secretário que não foi afastado pela Operação Ptolomeu. A primeira parte da afirmação depende da leitura atualizada das cautelares que recaem sobre ele; a segunda encontra respaldo nos registros de março de 2023, que diferenciaram a substituição de Grandidier dos afastamentos determinados diretamente pela Justiça.

O problema que surge agora está em outro endereço. Áudios divulgados nesta sexta-feira tratam de um imóvel no Jardim de Alah utilizado pela Casa Civil. Em uma das gravações atribuídas a Letícia Campos, assessora lotada no Gabinete da Governadora, aparece a orientação para providenciar um controle do portão para Grandidier e alterar a configuração de acesso ao local. Letícia foi nomeada para cargo em comissão no Gabinete da Governadora em abril deste ano.

A gravação não prova, sozinha, que Grandidier entrou no imóvel, quantas vezes teria ido ao local ou que tenha exercido qualquer função pública ali. Também não comprova, isoladamente, crime ou descumprimento de decisão judicial. Ela cria, porém, uma pergunta objetiva: por que um coordenador de campanha teria acesso individualizado a um imóvel custeado e utilizado pela estrutura administrativa do Estado?

É essa pergunta que aproxima o caso do terreno eleitoral. Mailza assumiu o governo em 2 de abril, depois que Gladson Cameli deixou o cargo para disputar o Senado. Desde então, passou a acumular duas condições que exigem separação rigorosa: chefe do Poder Executivo e candidata à permanência no Palácio Rio Branco. A legislação permite que uma governadora dispute a reeleição no exercício do cargo, mas recursos, servidores e imóveis públicos não podem ser convertidos em estrutura de campanha. A discussão provocada pelos áudios, portanto, ultrapassa a situação judicial de Grandidier e alcança a própria delimitação entre governo e eleição.

Madson Cameli, marido de Mailza e chefe do Gabinete da Governadora, confirmou que Grandidier participa da campanha. Ao falar sobre o aliado, classificou-o como um dos maiores colaboradores políticos do grupo e atribuiu a ele experiência em campanhas e capacidade de articulação. Quando as perguntas avançaram para a eventual presença do ex-secretário no imóvel da Casa Civil e para o controle do portão, não houve resposta adicional publicada.

A confirmação de Madson elimina qualquer dúvida sobre a participação política de Grandidier. Ele não é apenas um apoiador distante. Está inserido na organização da campanha, aparece em reuniões, participa do contato com lideranças e reconhece a condição de coordenador. O que continua em aberto é onde termina essa atuação partidária e onde começa a estrutura administrativa do governo.

Há ainda outro cuidado necessário. Chamar Grandidier de “indiciado pelo STJ” mistura etapas distintas do processo penal. O STJ não realiza indiciamento policial. Nos autos que chegaram ao tribunal, ele aparece nas investigações e em denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal relacionada a fatos apurados na Ptolomeu. A distinção parece técnica, mas é essencial em uma investigação que envolve acusações graves, diferentes inquéritos, desmembramentos processuais e pessoas em situações jurídicas distintas.

As cautelares também precisam ser tratadas com a mesma precisão. Documentos judiciais registram que medidas pessoais e patrimoniais foram aplicadas contra investigados da Ptolomeu e que, em junho de 2024, restrições relacionadas aos inquéritos derivados do caso foram prorrogadas por 180 dias. Já o julgamento de maio de 2026 localizado nos registros públicos menciona expressamente a prorrogação por um ano das cautelares contra Gladson Cameli. Esse trecho não permite afirmar automaticamente que uma proibição dirigida a Grandidier em 2023 continua válida hoje nas mesmas condições.

Isso muda a maneira de contar o episódio. Há elementos suficientes para questionar a presença de um coordenador da campanha em uma estrutura vinculada ao Estado. Há material suficiente para mostrar que Grandidier permanece ligado aos desdobramentos judiciais da Operação Ptolomeu. Há uma gravação que trata da entrega de um controle de acesso. Há a confirmação de que ele trabalha politicamente para Mailza. O que não está comprovado, até aqui, é que tenha descumprido uma cautelar ainda vigente em setembro de 2026.

A apuração agora depende de documentos que podem retirar o caso do terreno das versões. O primeiro é a íntegra da decisão judicial atualmente válida para Grandidier, com suas restrições e prazo. O segundo é o contrato e a finalidade administrativa do imóvel no Jardim de Alah. O terceiro é a informação oficial sobre quem utiliza o espaço, quem custeia suas despesas e quais atividades são realizadas ali. Se o local serve exclusivamente ao funcionamento do governo, o acesso de dirigentes de campanha exige explicação. Se existe utilização partidária ou eleitoral, a origem dos recursos e a separação entre as duas estruturas tornam-se pontos centrais.

Rômulo Grandidier chegou à campanha de Mailza carregando aquilo que o grupo governista buscava nele: experiência, conhecimento da máquina política e trânsito entre lideranças. Dois meses depois, são justamente essas três características que ampliam o tamanho do problema. O homem chamado para ajudar a organizar a campanha tornou-se personagem de uma discussão que toca a fronteira mais delicada de uma eleição disputada por quem já ocupa o poder: saber onde termina o Estado e onde começa o projeto eleitoral.

Governo Mailza Cameli destina mais de R$ 7 milhões à publicidade durante período eleitoral

O governo de Mailza Assis destinou R$ 7,1 milhões a serviços de publicidade nos meses de julho, agosto e setembro de 2026, justamente o período em que a legislação eleitoral restringe a divulgação institucional de órgãos públicos antes das eleições de outubro. O valor consta no Portal da Transparência do Acre e está concentrado em um único empenho da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), aberto no primeiro dia das restrições eleitorais mais rigorosas.

Os recursos estão registrados no Empenho nº 7110010458, emitido pela Secom em favor da Thera Publicidade Ltda. A despesa foi empenhada em 4 de julho, data que marcou o início do período de três meses que antecede as eleições e durante o qual a legislação estabelece limites específicos para a publicidade institucional do poder público.

Na descrição da despesa, os recursos aparecem destinados à contratação de serviços de publicidade por meio de veículos de comunicação, com a finalidade de atender ao princípio da publicidade e informar a população. O próprio registro define como objetivo a “divulgação dos atos e ações do Governo do Acre” durante julho, agosto e setembro.

O empenho chegou a R$ 7,1 milhões. Desse total, R$ 2.298.865,18 já passaram pelas etapas de liquidação e pagamento.

A cifra chama atenção também porque o mesmo empenho está no centro de uma investigação aberta pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). Quando o caso chegou ao Tribunal, o valor registrado era de R$ 4,6 milhões.

Empenho investigado pelo TCE era de R$ 4,6 milhões

O Processo Eletrônico nº 150.460 foi aberto no TCE-AC a partir de uma representação que colocou sob análise justamente o Empenho nº 7110010458. Naquele momento, a despesa somava R$ 4,6 milhões e ainda não registrava valores liquidados ou pagos.

O mesmo número de empenho, com a mesma data de emissão e a mesma descrição, passou a aparecer posteriormente no Portal da Transparência com valor de R$ 7,1 milhões.

São R$ 2,5 milhões a mais do que o montante inicialmente levado ao Tribunal, crescimento de aproximadamente 54%.

A mudança não ocorreu apenas no valor global. Parte do dinheiro já percorreu todas as etapas da despesa pública. Dos R$ 7,1 milhões empenhados, R$ 2,29 milhões foram liquidados e pagos. Outros cerca de R$ 4,8 milhões permanecem empenhados, sem pagamento registrado.

A representação levada ao TCE pediu uma medida cautelar para suspender o empenho e impedir novas liquidações e pagamentos enquanto as circunstâncias da contratação fossem examinadas. Também solicitou que a Secom e a Thera apresentassem documentos relacionados à execução da verba, entre eles o contrato, eventual aditivo e o plano de mídia.

O aumento do valor ocorre enquanto o processo ainda está sob análise e amplia o volume de recursos alcançado pela discussão no Tribunal.

Publicidade é restrita durante campanha eleitoral

A controvérsia gira em torno do artigo 73 da Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições, que impõe restrições à publicidade institucional nos três meses anteriores à votação.

Nesse intervalo, agentes públicos não podem autorizar publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos. A legislação abre exceções para a publicidade de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado e para situações de grave e urgente necessidade pública, desde que reconhecidas previamente pela Justiça Eleitoral.

No Acre, o governo conseguiu autorização do Tribunal Regional Eleitoral para manter determinadas campanhas consideradas de interesse público durante o período eleitoral. Entre elas estão ações de prevenção às queimadas, vacinação, combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo à doação de sangue.

Essas autorizações, contudo, estão vinculadas a campanhas e materiais específicos. Não funcionam como uma liberação genérica para a publicidade institucional de qualquer ato do governo.

É nesse ponto que a descrição do empenho de R$ 7,1 milhões assume peso na discussão. Em vez de relacionar individualmente as campanhas autorizadas pelo TRE, o registro traz como finalidade a “divulgação dos atos e ações do Governo do Acre” ao longo de julho, agosto e setembro.

A diferença entre campanhas previamente autorizadas pela Justiça Eleitoral e uma descrição ampla de divulgação das ações governamentais está entre os pontos que precisam ser esclarecidos na análise da execução da verba.

Gastos com a Thera chegam perto de R$ 20 milhões em 2026

O empenho de R$ 7,1 milhões representa apenas uma parte dos recursos destinados à Thera Publicidade em 2026.

Os registros do exercício reúnem R$ 6.742.260,50 empenhados pela Secom em janeiro; R$ 777.115,55 pelo Detran em março; R$ 4.486.000 pela Secom em abril; R$ 875 mil pelo Detran em junho; e outros R$ 7,1 milhões pela Secom em julho.

Somados, os cinco registros chegam a R$ 19.980.376,05 em empenhos para a agência ao longo de 2026.

Desse total, cerca de R$ 18,3 milhões estão vinculados diretamente à Secretaria de Comunicação. Outros R$ 1,65 milhão correspondem a despesas do Detran. Mais de R$ 14 milhões já aparecem como liquidados ou pagos à empresa no exercício.

Antes mesmo do início das restrições eleitorais de julho, a Secom já havia empenhado R$ 11.228.260,50 para a Thera apenas no primeiro semestre.

Esse volume abre uma segunda frente de discussão, porque a legislação eleitoral também estabelece um teto para despesas com publicidade nos seis primeiros meses do ano da eleição.

Limite do primeiro semestre também está sob análise

A representação apresentada ao TCE não se limita aos R$ 7,1 milhões empenhados para julho, agosto e setembro. O processo também colocou sob análise o volume de despesas com publicidade assumidas pelo governo durante o primeiro semestre de 2026.

A Lei das Eleições estabelece que, nos seis primeiros meses do ano eleitoral, os órgãos públicos não podem empenhar despesas com publicidade acima de seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores.

Para a eleição de 2026, a conta considera os exercícios de 2023, 2024 e 2025.

Nos três anos, a Secom empenhou para a Thera aproximadamente R$ 64,48 milhões. Em uma conta nominal, sem aplicar a atualização monetária exigida pela legislação, esse montante produziria uma referência próxima de R$ 10,74 milhões para os seis primeiros meses do ano eleitoral.

No primeiro semestre de 2026, a Secom empenhou R$ 11.228.260,50 para a agência, cerca de R$ 481 mil acima dessa referência nominal.

A diferença, isoladamente, não permite afirmar que o limite legal foi ultrapassado.

A legislação determina que os valores dos anos anteriores sejam atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A conta também deve considerar apenas os empenhos que não tenham sido cancelados. Sem incorporar esses dois elementos, não é possível estabelecer o teto definitivo nem afirmar a existência de extrapolação.

O cálculo final, portanto, depende da atualização monetária dos valores de 2023, 2024 e 2025 e da identificação de eventuais cancelamentos ocorridos nesses exercícios.

TCE ainda analisa possível irregularidade

A análise deverá esclarecer como a verba destinada à publicidade está sendo executada durante o período eleitoral, quais campanhas foram custeadas, se os materiais veiculados estão abrangidos pelas autorizações concedidas pela Justiça Eleitoral e como foi calculado o limite de despesas do primeiro semestre.

Há, porém, um elemento novo no centro dessa apuração. O principal empenho questionado no processo passou de R$ 4,6 milhões para R$ 7,1 milhões, aumento de R$ 2,5 milhões, sem alteração do número, da data de emissão ou da descrição que registra como finalidade a divulgação dos atos e ações do Governo do Acre nos meses de julho, agosto e setembro.

Além do crescimento de aproximadamente 54% sobre o valor inicialmente levado ao TCE, R$ 2.298.865,18 já foram liquidados e pagos.

A combinação entre o aumento do empenho, o início dos pagamentos e a execução da verba durante os três meses que antecedem a eleição amplia o alcance da apuração. O ponto central agora não é apenas quanto o governo Mailza reservou para publicidade em plena campanha eleitoral, mas quais ações estão sendo financiadas com esses recursos e se cada uma delas cabe dentro das exceções previstas pela legislação.

Foto: AC24h

Governo volta a ter empenho para fretamento de jato e despesa chega a R$ 151 mil

O Governo do Acre voltou a registrar uma despesa específica para fretamento de aeronave a jato. A Casa Civil empenhou R$ 151,2 mil para a Ortiz Táxi Aéreo Ltda. em 19 de agosto, valor destinado ao serviço descrito na execução orçamentária como “fretamento de aeronave (JATO)”. O lançamento ocorre em meio à continuidade dos contratos do Estado com a empresa, que também teve uma contratação de quase R$ 10 milhões renovada neste mês.

O empenho, no valor exato de R$ 151.200, está vinculado ao Processo SEI nº 4002.008447.00948/2026-42 e ao Contrato CC nº 34/2023. Até 27 de agosto, toda a despesa já havia sido liquidada, etapa em que a administração reconhece que o serviço foi prestado ou a obrigação cumprida, mas o valor ainda não aparecia como pago.

A base pública de despesas não informa o destino do voo, a data da viagem nem quem utilizou a aeronave. Também não detalha a quantidade de horas contratadas para chegar aos R$ 151,2 mil. Essas informações devem constar no processo administrativo relacionado ao empenho.

O Contrato nº 34/2023 integra uma relação de vários anos entre a Casa Civil e a Ortiz para fretamento de aeronaves. Firmado originalmente por valor anual estimado de R$ 6,825 milhões, o contrato foi prorrogado em 2024 e recebeu, em 2025, um acréscimo de 25%, correspondente a R$ 1,706 milhão. Com a alteração, o valor global passou para R$ 8,531 milhões.

A última prorrogação localizada para esse contrato estendeu a vigência até junho de 2026. O empenho específico para o jato, porém, foi emitido em agosto e continua relacionado ao Contrato nº 34/2023. O registro orçamentário, isoladamente, não permite determinar se o gasto se refere a um serviço realizado durante a vigência contratual e processado posteriormente ou se houve outro instrumento administrativo que manteve a cobertura da contratação.

O contrato de 2023 já contemplava aeronaves executivas a jato entre os serviços colocados à disposição do governo. Na licitação que deu origem à contratação, também havia previsão de fretamento de outros tipos de avião para deslocamentos intermunicipais, interestaduais e internacionais.

Enquanto despesas ligadas ao contrato antigo continuam aparecendo na execução orçamentária, a Casa Civil também mantém uma contratação mais recente com a Ortiz. O Contrato nº 49/2025, firmado após nova licitação, tinha valor inicial de R$ 7,965 milhões e recebeu acréscimo de 25% em março de 2026, chegando a R$ 9,956 milhões.

Em agosto, esse contrato foi prorrogado por mais 12 meses, com vigência até agosto de 2027. O valor de R$ 9,956 milhões é uma estimativa anual e não representa, por si só, pagamento imediato à empresa. Os desembolsos dependem dos serviços efetivamente solicitados e executados pelo Estado.

A contratação originada na licitação de 2025 também entrou no radar do Ministério Público do Acre. Um inquérito civil foi aberto para aprofundar a análise sobre a evolução das despesas com fretamento, os preços praticados, a demanda pelos serviços e a vantagem econômica da contratação. A abertura da investigação não representa conclusão sobre eventual irregularidade.

O empenho de R$ 151,2 mil para o jato faz parte de um volume maior de despesas com transporte aéreo. Somente nos lançamentos realizados em agosto, a Casa Civil registrou cerca de R$ 1,33 milhão em empenhos na rubrica de passagens e despesas com locomoção, com predominância de valores destinados à Ortiz.

Entre os registros aparecem fretamentos de aeronaves do tipo Caravan e outros serviços aéreos. Até 27 de agosto, aproximadamente R$ 313,3 mil desse grupo de despesas já haviam sido pagos.

Considerando os órgãos do Executivo estadual e retirando os gastos relacionados à Saúde, os empenhos de agosto com passagens, fretamentos e outras despesas de locomoção chegaram a aproximadamente R$ 3,74 milhões. Somados às diárias civis e militares, os compromissos relacionados a viagens e deslocamentos alcançaram cerca de R$ 6,18 milhões.

Só nos empenhos identificados para fretamentos contratados com a Ortiz em agosto, sem incluir serviços ligados à Saúde, o valor chega a aproximadamente R$ 2,43 milhões, concentrado principalmente na Casa Civil e no Deracre. Dentro desse conjunto, o lançamento de R$ 151,2 mil é o que aparece expressamente identificado como fretamento de aeronave a jato.

Fila de carros toma Avenida Lauro Müller em adesivaço de Alan Rick em Cruzeiro do Sul

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) inaugurou neste sábado (29) o comitê de campanha em Cruzeiro do Sul durante um adesivaço realizado na Avenida Lauro Müller. A mobilização reuniu carros, motocicletas, apoiadores e lideranças políticas da região do Juruá.

Alan participou do ato ao lado da candidata ao Senado Mara Rocha (Republicanos), do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), e de candidatos a deputado estadual e federal ligados à Coligação Trabalho da Esperança.

Durante a programação, o candidato conversou com participantes e apresentou propostas voltadas principalmente para saúde, infraestrutura e apoio à produção no Vale do Juruá. Alan afirmou que pretende ampliar os serviços de saúde na região para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes em busca de atendimento em outros municípios.

“Como governador, vamos fazer ainda mais, fortalecendo a saúde para reduzir as viagens em busca de atendimento, cuidando da BR-364 e dos ramais e apoiando quem produz e gera emprego. O Juruá terá a atenção que merece”, afirmou.

Mara Rocha também participou da mobilização e falou sobre a receptividade à candidatura na região. “Estou muito feliz de ver o Juruá abraçando o nosso futuro governador Alan Rick. É bonito ver o carinho e o olhar de esperança no rosto de cada cidadão, o desejo de mudança”, declarou.

Moradores que acompanharam o ato também citaram a saúde entre as principais demandas da região. A dona de casa Ângela afirmou que Cruzeiro do Sul e os demais municípios do Juruá precisam de melhorias no atendimento à população.

O servidor público Michael Vieira disse que decidiu apoiar Alan Rick por considerar as propostas apresentadas pelo candidato e sua relação com os eleitores. “A gente precisa pensar bem na hora de escolher. Alan tem as melhores propostas, e isso também aparece na fala, no olhar e no jeito de tratar as pessoas”, disse.

O comitê inaugurado neste sábado vai funcionar como ponto de apoio para militantes, candidatos e apoiadores da campanha em Cruzeiro do Sul. O espaço fica na Avenida Lauro Müller, em frente à Escola Estadual Mustafa Almeida Tobu.

A agenda de Alan Rick no Juruá neste sábado também previa atividades de campanha em Rodrigues Alves e Mâncio Lima, além de compromissos em Cruzeiro do Sul.

Fotos: Gustavo Bardales

Gemil Júnior acusa governo de retirar apoio à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul por motivo político

O primeiro suplente do senador Alan Rick, Gemil Júnior, acusou nesta sexta-feira (28) o governo do Acre de retirar o apoio à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul por motivação política. Em vídeo direcionado principalmente aos moradores do Juruá e à comunidade evangélica, ele afirmou que a falta de estrutura pública inviabilizou a realização do evento em 2026 e relacionou a decisão ao posicionamento político da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Cristão evangélico há 20 anos e natural de Cruzeiro do Sul, Gemil disse que a situação interrompe uma sequência de edições realizadas com apoio do poder público. Ele também citou fiéis de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Feijó que costumam se deslocar para acompanhar a programação religiosa no município.

“Pela primeira vez na história de Cruzeiro do Sul, desde quando os governos entraram e ajudaram e apoiaram a Marcha para Jesus, agora, em 2026, nós não teremos Marcha para Jesus aí na região”, declarou.

Gemil atribuiu diretamente a ausência do evento a uma decisão política do governo estadual. Segundo ele, estrutura e apoio que eram disponibilizados em anos anteriores não foram mantidos para a programação deste ano.

“Esse ano o governo do Estado do Acre, por perseguição, por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio para a Marcha para Jesus”, afirmou.

Na sequência, o primeiro suplente de senador relacionou a decisão à atual disputa eleitoral no Acre e ao posicionamento adotado pelo grupo político que administra Cruzeiro do Sul. Para Gemil, a falta de apoio ocorreu porque a prefeitura não aderiu ao projeto eleitoral ligado ao governo estadual.

“Infelizmente, nós não teremos a marcha em Cruzeiro do Sul. Infelizmente, nós não teremos um momento que durante muitos anos os cristãos puderam participar, e apenas por um motivo: simplesmente porque a Prefeitura de Cruzeiro do Sul não decidiu caminhar politicamente com a candidata do governo do Estado do Acre”, disse.

Gemil reconheceu que sua manifestação pode ser interpretada dentro do cenário político, mas afirmou que também trata o caso como uma questão religiosa. Ele argumentou que as igrejas da região não têm recursos para bancar sozinhas a estrutura necessária para realizar um evento do porte da Marcha para Jesus.

“As igrejas não têm condições financeiras de realizar”, declarou.

Ao encerrar a manifestação, Gemil comparou a falta de apoio à Marcha em Cruzeiro do Sul com os investimentos realizados pelo poder público em eventos de entretenimento. Ele afirmou ser favorável à realização de festas e grandes programações, citando a Expoacre e a Expo Juruá, mas criticou o fato de a comunidade evangélica do município ficar sem a marcha neste ano.

“Nós somos muito a favor de todo tipo de entretenimento, Expo Juruá, Expoacre. O povo precisa de entretenimento, mas infelizmente o nosso povo não terá a marcha em 2026”, afirmou.

Governo bancou show de R$ 300 mil na Marcha em Rio Branco e R$ 6,45 milhões em atrações da Expoacre

A manifestação de Gemil ocorre no mesmo ano em que o governo do Acre participou diretamente da realização da 30ª Marcha para Jesus em Rio Branco. O evento ocorreu em 30 de maio, teve concentração em frente ao Palácio Rio Branco e terminou com apresentação nacional do cantor gospel Thalles Roberto.

A contratação de Thalles Roberto e sua banda para o encerramento da Marcha na capital foi registrada no valor de R$ 300 mil. O objeto da contratação especificava que a apresentação fazia parte da 30ª edição da Marcha para Jesus em Rio Branco. Além do show, o governo disponibilizou suporte logístico, estrutura física e planejamento de segurança para o evento.

Pouco mais de dois meses depois, a Casa Civil desembolsou R$ 6,45 milhões na contratação de seis atrações nacionais da programação pública da Expoacre 2026, realizada entre 1º e 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana.

Leonardo e Ana Castela foram contratados no mesmo instrumento por R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual destinado a cada artista. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão, enquanto Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. A apresentação do padre Fábio de Melo foi contratada por R$ 500 mil e a banda gospel Som & Louvor por R$ 300 mil.

Os cinco contratos destinados às seis atrações totalizaram R$ 6,45 milhões. O valor corresponde somente às apresentações musicais financiadas diretamente pelo governo na Expoacre de Rio Branco e não inclui despesas com reformas, palco, iluminação, segurança, montagem e outros serviços da feira. O show de Bruno & Marrone também ficou fora da conta porque foi promovido pela iniciativa privada, com venda de ingressos.

Em relação a Cruzeiro do Sul, o governo do Acre negou que a ausência de repasse para a Marcha para Jesus tenha motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa R$ 2,4 milhões para a realização do evento em 21 municípios do interior, foi cancelado pela Fundação de Cultura Elias Mansour em 23 de junho por restrições do período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. Rio Branco não fazia parte desse edital porque a edição da capital já havia sido realizada.

O governo informou ainda que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou à gestão em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. A administração estadual sustenta que, naquela data, as candidaturas e os apoios políticos do atual cenário eleitoral ainda não estavam formalizados. A gestão afirmou que houve uma impossibilidade legal e administrativa de financiamento e não uma retirada de apoio por razões políticas.

Heloy de Castro cobra cachê atrasado enquanto Expoacres gastam R$ 12,7 milhões com shows nacionais

Aos 76 anos, depois de mais de quatro décadas fazendo música no Acre, Heloy de Castro voltou a ocupar um lugar que conhece tão bem quanto os palcos: o da cobrança por espaço, respeito e pagamento. O músico tornou público nesta semana que ainda não recebeu o cachê por uma apresentação na Expoacre e colocou sua própria sobrevivência profissional diante de uma conta muito maior. Em 2026, os principais shows nacionais contratados ou previstos para as edições da Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, e da Expoacre, em Rio Branco, consumiram R$ 12,7 milhões em recursos públicos. “O nosso cachê não foi pago até hoje”, afirmou Heloy, ao cobrar uma resposta de quem administra a cultura estadual.
Heloy não falou como alguém que desconhece as dificuldades de viver da música no Acre. Mineiro radicado no estado desde o início dos anos 1980, ele passou 15 anos tocando no antigo bar e restaurante O Casarão e atravessou décadas da noite rio-branquense. Em 2019, já aparecia em registros oficiais como um artista que havia enfrentado sucessivas dificuldades para entrar em grandes eventos públicos e aprovar projetos culturais. Naquele mesmo ano, chegou a fazer apresentações nas ruas de Rio Branco em protesto contra a política cultural do município.

Agora, a reclamação tem endereço mais concreto: dinheiro por um serviço já prestado. Heloy diz que a espera passou de 30 dias e se aproxima de dois meses. A conta doméstica, porém, não espera o trâmite administrativo. Ele lembra que ainda possui outra fonte de renda, mas desloca o centro da cobrança para músicos que dependem do palco para pagar aluguel, comprar comida e manter a família. Cita o caso de um colega, Kleber, que estaria pedindo ajuda para conseguir dinheiro e retornar para casa. “E os músicos que não têm, que estão aí perdidos, passando necessidade?”, questiona.

O desabafo ganha peso quando colocado ao lado da estrutura financeira montada pelo governo estadual para trazer artistas de projeção nacional ao Acre. A Expoacre Juruá, realizada de 30 de junho a 5 de julho em Cruzeiro do Sul, reservou R$ 6,25 milhões somente para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão; Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil; Tierry e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada; e a Banda Morada, com R$ 400 mil.

A programação foi executada dentro do Termo de Colaboração nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O valor global da parceria chegou a R$ 16.648.310. Registros financeiros consultados após a feira mostraram R$ 15.848.310 transferidos à entidade responsável por organizar e executar o evento. Além dos R$ 6,25 milhões separados para os cachês nacionais, outros R$ 2.448.520 foram reservados para despesas de produção e logística dessas atrações, incluindo passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e outros serviços. Cachês e operação dos shows nacionais consumiram, juntos, quase R$ 8,7 milhões do planejamento financeiro da feira.

A distância para os artistas da terra aparece dentro do próprio orçamento. Enquanto seis atrações nacionais concentraram R$ 6,25 milhões, o plano da Expoacre Juruá reservou R$ 612,5 mil para o conjunto dos artistas locais e regionais. Os cachês nacionais ficaram, portanto, pouco mais de dez vezes acima de todo o dinheiro separado para as atrações locais.

Nem mesmo a existência dos recursos evitou reclamações de quem trabalhou na feira do Juruá. No dia 14 de julho, nove dias depois do encerramento da Expoacre Juruá, artistas e prestadores ainda cobravam pagamentos. A Casa Civil já havia transferido R$ 15,8 milhões à Associação Transformar em 29 de junho. Comprovantes de Pix começaram a circular entre profissionais somente depois que a cobrança ganhou repercussão pública. O episódio deixou uma pergunta que permanece atual: entre o dinheiro sair do Estado e chegar ao trabalhador que montou estrutura, prestou serviço ou subiu ao palco, quanto tempo pode passar?

Em Rio Branco, onde a Expoacre ocorreu entre 1º e 9 de agosto, o governo escolheu outro caminho para as principais atrações nacionais. A Casa Civil firmou contratos diretamente ligados aos shows e desembolsou R$ 6,45 milhões para seis artistas. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo ficou em R$ 500 mil e a banda Som & Louvor, em R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram reunidos em um único contrato de R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual de cada apresentação.

Bruno & Marrone, que encerraram a programação musical no dia 9, ficaram fora dessa conta porque a apresentação foi realizada pela iniciativa privada, com venda de ingressos. Os R$ 6,45 milhões correspondem aos shows nacionais financiados pelo Estado na capital e, nos registros financeiros levantados após a feira, já apareciam integralmente empenhados, liquidados e pagos. Somados aos R$ 6,25 milhões previstos para os artistas nacionais do Juruá, o gasto alcança R$ 12,7 milhões.

A comparação precisa respeitar uma diferença administrativa importante. O dinheiro destinado às grandes atrações nacionais de Rio Branco saiu de contratos conduzidos pela Casa Civil. No Juruá, os recursos foram repassados à Associação Transformar dentro de uma parceria para execução integral do evento. Os cachês cobrados por músicos acreanos podem percorrer contratos, credenciamentos e empresas responsáveis por intermediar pagamentos. Não se pode afirmar que uma verba poderia simplesmente ser retirada de um contrato nacional para pagar outra obrigação. O problema exposto pelos artistas está no funcionamento da máquina pública: ela conseguiu montar operações milionárias para garantir grandes atrações, mas trabalhadores locais continuam recorrendo às redes sociais para saber quando receberão por serviços que já entregaram.

Heloy também não está sozinho nessa cobrança. Em 18 de agosto, a cantora acreana Sandra Mello tornou pública a situação de músicos e colaboradores que aguardavam havia mais de 90 dias pagamentos ligados a eventos da Fundação de Cultura Elias Mansour. “A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu. No dia seguinte, o presidente da FEM, Matheus Gomes, afirmou que os procedimentos da Fundação haviam sido cumpridos e que a Secretaria de Estado da Fazenda tinha autorizado os pagamentos. A previsão apresentada era de que a empresa responsável começasse a receber os recursos para repassar aos artistas a partir de 19 de agosto.

Uma semana depois daquela resposta, a cobrança de Heloy apareceu publicamente. A pendência dele reforça a necessidade de o governo esclarecer quantos artistas continuam sem receber, quais eventos concentram dívidas, quanto permanece pendente, quais empresas ou entidades estão responsáveis pelos repasses e quais datas foram fixadas para a quitação. No caso específico de Heloy, ainda falta uma resposta pública que esclareça o valor do cachê, o contrato ao qual a apresentação está vinculada e em que etapa se encontra o pagamento.

O contraste também alcança o discurso público sobre valorização da cultura acreana. Durante a própria Expoacre de Rio Branco, a Prefeitura lançou o projeto Rio Branco Street Music com a proposta de criar oportunidades para músicos locais e ocupar praças e bairros com apresentações. Na ocasião, o prefeito Alysson Bestene falou em incentivo aos profissionais da música e o presidente da CDL, Marcelo Moura, resumiu a questão em termos de trabalho e dignidade: “O músico trabalha, gera o seu valor e tem dignidade.”

Para quem vive de música, valorização não termina quando as luzes do palco são apagadas. Ela passa pela contratação, pelo valor do trabalho e pelo pagamento no prazo. Um músico local também paga instrumentista, combustível, alimentação, manutenção de equipamento e contas de casa. Quando o cachê demora dois ou três meses, o custo da espera fica com quem possui menos capacidade financeira para suportá-lo.

Alan Rick promete barrar condenados por violência doméstica de cargos públicos no Acre

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao governo do Acre, afirmou na noite de terça-feira, 25 de agosto, durante a sabatina da TV Rio Branco, que pretende impedir a permanência de condenados por violência doméstica em cargos públicos e acusou o Executivo estadual de não cumprir uma legislação já aprovada sobre o tema. A declaração surgiu durante uma pergunta da jornalista Marcela Jansen sobre a relação de um eventual governo de Alan com a Assembleia Legislativa e sobre leis que são aprovadas, mas não chegam a ser efetivamente cumpridas. A sabatina reuniu os candidatos ao Palácio Rio Branco e foi realizada na sede da emissora, em Rio Branco.

Alan começou a resposta defendendo uma relação institucional entre governo e Assembleia. Disse que pretende respeitar a oposição, construir uma base parlamentar para aprovar projetos do Executivo e preservar a independência entre os poderes. “Todo governo precisa construir um relacionamento republicano institucional com a Assembleia Legislativa”, afirmou. Para o candidato, a oposição também cumpre uma função ao cobrar o governo e apontar erros da administração.

A resposta mudou de direção quando Alan passou a tratar de leis estaduais que, na avaliação dele, não são cumpridas. Foi nesse momento que escolheu a violência contra a mulher como exemplo. “Existem leis importantes aprovadas pela Assembleia que não são aplicadas. Vou dar um exemplo. Uma lei de 2024 estabelece uma regra que eu acho fundamental: agressor de mulher não pode ter cargo público”, declarou. Em seguida, repetiu: “Agressor de mulher não pode ter cargo público”.

A norma citada por Alan surgiu em 2024, com o Projeto de Lei nº 230/2024, apresentado na Assembleia Legislativa em 13 de novembro daquele ano pela deputada Michelle Melo. A proposta só se transformou em lei em 24 de março de 2025, quando foi sancionada como Lei Estadual nº 4.577.

A Lei nº 4.577 proíbe a nomeação para cargos públicos, administrativos e políticos de pessoas condenadas por violência doméstica e familiar, nos termos da Lei Maria da Penha, e também por crimes contra a dignidade sexual previstos no Código Penal. A restrição começa apenas quando existe condenação com trânsito em julgado, quando já não cabem recursos, e permanece até o cumprimento da pena.

Na sabatina, Alan foi além da defesa da norma e fez uma cobrança direta ao Executivo. “Essa lei de 2024 não está sendo devidamente exercida pelo Executivo”, afirmou. “Essa é uma lei que certamente será obedecida e executada em nosso governo”, disse.

O candidato também relacionou a promessa aos números da violência contra as mulheres no Acre. “Nós vamos enfrentar essa violência contra a mulher. Uma violência que nos maltrata. O Acre é campeão nacional de feminicídio”, afirmou. Nesse ponto, a declaração encontra respaldo no levantamento nacional mais recente com dados consolidados de um ano inteiro. O Acre registrou 14 feminicídios em 2025 e chegou à taxa de 3,2 mortes para cada 100 mil mulheres, a maior entre as unidades da Federação. A média brasileira ficou em 1,4. Os números fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em julho de 2026.

O debate político aberto pela declaração de Alan toca diretamente numa situação presente dentro do Palácio Rio Branco. Desde 8 de abril deste ano, Madson de Castro Cameli ocupa o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora Mailza Assis. A nomeação foi feita pelo Decreto nº 13.338-P.

Madson foi investigado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público do Acre em 2024 em um caso de violência doméstica envolvendo sua ex-mulher. O MPAC confirmou à época que a vítima recebeu atendimento do Centro de Atendimento à Vítima, que havia medida protetiva deferida e que o inquérito estava sob análise da Promotoria de Justiça de Cruzeiro do Sul. Posteriormente, a denúncia por lesão corporal e violência psicológica foi noticiada por diferentes veículos acreanos. Em junho de 2025, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre negou habeas corpus apresentado pela defesa para interromper a ação penal, entendendo que a discussão deveria continuar no processo de origem.

Thor Dantas promete priorizar saúde, infraestrutura e segurança em sabatina no Jornal da Manhã

O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, apresentou nesta terça-feira (25), em Cruzeiro do Sul, as principais propostas que pretende levar ao governo caso seja eleito em outubro. Durante sabatina no Jornal da Manhã, ele colocou saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, segurança pública e educação entre as prioridades de uma eventual gestão e defendeu mudanças na forma como o Estado planeja e executa políticas públicas.

Médico, Dantas dedicou parte da entrevista à própria trajetória profissional. Ele contou que deixou o Acre ainda jovem para estudar, cursou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e passou 14 anos fora do estado durante a formação, período em que também fez mestrado, doutorado e especialização. Ao retornar, afirmou ter se apresentado voluntariamente ao Exército e escolhido servir no 61º Batalhão de Infantaria de Selva, em Cruzeiro do Sul.

O candidato disse que a passagem pelo Juruá marcou o início de sua vida profissional no Acre. Depois, participou de diferentes áreas da gestão da saúde e citou a implantação de serviços como UTI, Samu, hemodiálise e tratamento contra o câncer, além da participação em projetos ligados à expansão da rede hospitalar.

Dantas afirmou que a pandemia de Covid-19 teve peso em sua decisão de entrar diretamente na política. Na avaliação dele, problemas de gestão durante a emergência sanitária mostraram como decisões administrativas interferem na vida da população. “A política foi feita para resolver o problema da vida em sociedade”, afirmou.

Ao tratar do cenário atual do Acre, o candidato fez críticas à administração estadual e disse que saúde, educação, segurança e geração de oportunidades precisam de mudanças. Ele também se apresentou como uma alternativa de oposição na eleição e afirmou que sua campanha trabalha com um plano elaborado por equipes divididas em diferentes áreas.

Na saúde, primeira prioridade apresentada por Dantas, a proposta é reorganizar o funcionamento da rede e ampliar a capacidade de atendimento. Ele citou as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam procedimentos e cirurgias e voltou a defender a implantação de um hospital universitário no Acre. “Nós vamos transformar essa saúde, que é a área que eu mais conheço e aquilo que para mim é mais sensível”, disse.

A infraestrutura aparece ligada à estratégia de desenvolvimento econômico. Dantas defendeu a solução de gargalos que dificultam a produção e a geração de empregos e afirmou que o Acre precisa aproveitar melhor produtos locais e ampliar a industrialização. Ao citar o cupuaçu como exemplo, disse que matérias-primas produzidas no estado poderiam participar de cadeias de maior valor agregado.

O candidato também defendeu que crescimento econômico e preservação ambiental sejam tratados de forma conjunta. “Não há nenhuma contradição entre a preservação e o desenvolvimento econômico. A gente tem que ser inteligente para fazer essas duas coisas juntas”, declarou.

Na segurança pública, Dantas propôs maior integração entre as forças policiais e uso de inteligência para enfrentar organizações criminosas. A estratégia apresentada inclui articulação das polícias Civil, Militar e Federal, além de inteligência financeira para atingir estruturas econômicas ligadas ao crime organizado.

A educação foi colocada como base para uma transformação de longo prazo. O candidato defendeu melhoria do ensino de matemática, português e línguas, além da preparação dos estudantes para tecnologias digitais, inteligência artificial e novas formas de prestação de serviços. Ele também relacionou conectividade ao avanço de áreas como telemedicina, governo eletrônico e geração de renda.

Dantas afirmou ainda que pretende aumentar a capacidade do governo estadual de executar recursos disponíveis. Na entrevista, disse que uma gestão precisa ter equipes capacitadas para planejar, executar projetos e acompanhar resultados, modelo que comparou à experiência acumulada em procedimentos médicos de alta complexidade.

Na disputa eleitoral, o candidato reconheceu que ainda precisa ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores, mas afirmou que considera a campanha aberta. Disse não estar preocupado com pesquisas divulgadas neste momento e que pretende usar as próximas semanas para apresentar sua candidatura e suas propostas.

Ao final da sabatina, Dantas pediu um voto de confiança para colocar em prática o plano de governo nos próximos quatro anos. “Eu quero ser o governador que vai resolver esses problemas que estão no dia a dia das pessoas”, afirmou. O candidato concorre pelo PSB com o número 40.

Casa Civil renova contrato de R$ 9,9 milhões com Ortiz após pagar R$ 9 milhões em voos em 2026

A Casa Civil do Acre prorrogou por mais 12 meses o contrato com a Ortiz Táxi Aéreo para fretamento de aeronaves, mantendo uma relação que atravessa sucessivos contratos, registros de preços e aditivos nos últimos cinco anos. O acordo renovado chega a R$ 9.956.700 e permite o transporte de pessoal e cargas em deslocamentos intermunicipais e interestaduais. A renovação ocorre num momento em que a própria Casa Civil já havia pago R$ 9.019.272 à Ortiz somente em 2026, até a atualização financeira de julho, em uma operação que envolve aviões Caravan, King Air e também jato.

Os R$ 9 milhões de 2026 não são valor de edital, previsão de gasto ou teto de uma ata. São despesas que aparecem como empenhadas, liquidadas e pagas. A movimentação reúne 89 lançamentos classificados como fretamento de aeronaves com a Ortiz como credora. Somados, chegaram exatamente a R$ 9.019.272 e consumiram 19,03% de tudo o que a Casa Civil havia pago no mesmo recorte financeiro. Em outras palavras, praticamente R$ 1 de cada R$ 5 que saiu da pasta no período analisado foi para fretamento de aeronaves com a empresa.

A cifra ainda não representa o ano inteiro. O levantamento financeiro foi fechado em julho, enquanto 2026 seguia com mais de cinco meses pela frente. Mesmo assim, o montante já havia ultrapassado os R$ 6,825 milhões que serviram de valor anual estimado para o Contrato CC nº 34/2023 quando ele foi prorrogado entre junho de 2024 e junho de 2025. Naquele contrato, a Casa Civil justificou o serviço para atender tanto à própria secretaria quanto ao Gabinete do Governador, com voos nacionais, intermunicipais, interestaduais e internacionais.

A conta ganha dimensão quando se olha para dentro dos pagamentos. Em 5 de março, por exemplo, a Casa Civil registrou uma sequência de despesas com Caravan: R$ 58.604, R$ 64.584, R$ 82.524, R$ 92.092, R$ 99.268 e R$ 114.816. Todos os lançamentos estavam vinculados ao Contrato CC nº 49/2025 e aparecem com valores integralmente empenhados, liquidados e pagos.

Em junho, a frota contratada aparece novamente em diferentes configurações. Dois pagamentos de King Air, de R$ 68.820 e R$ 72.540, foram registrados em 23 de junho. No mesmo dia, uma despesa com Caravan chegou a R$ 226.044. Outros lançamentos se espalham por contratos diferentes, como o CC nº 49/2025, o CC nº 62/2025 e o CC nº 28/2026, formando uma rotina de deslocamentos aéreos que não depende de um único instrumento contratual.

O maior símbolo dessa estrutura está no jato. Em 29 de abril, a Casa Civil pagou R$ 432.600 à Ortiz em um único lançamento. O histórico financeiro identifica expressamente o serviço como “fretamento de aeronave (JATO)” e vincula a despesa ao termo aditivo do Contrato CC nº 34/2023. O valor aparece integralmente empenhado, liquidado e pago.

O jato também chegou ao plenário da Assembleia Legislativa do Acre por outra frente. Em março, o deputado Edvaldo Magalhães apresentou requerimento cobrando da Casa Civil informações sobre uma viagem do governador Gladson Cameli a Manaus, entre 7 e 9 de fevereiro de 2026. O pedido identifica a aeronave utilizada como um Learjet 55 de prefixo OS-OTZ, pertencente à Ortiz e a serviço do Estado mediante contrato público. O requerimento buscou esclarecer agenda oficial, passageiros e finalidade do deslocamento. Não há elemento suficiente para vincular o pagamento de R$ 432.600 feito em abril especificamente à viagem questionada na Aleac, e os dois episódios não devem ser tratados como se fossem a mesma operação.

A presença da Ortiz na estrutura aérea da Casa Civil é anterior ao contrato que acaba de ser renovado. Em março de 2022, o governo assinou contrato de R$ 2.402.000 com a empresa para atender às necessidades do Gabinete do Governador e da Casa Civil. Naquele momento, a contratação previa um Sêneca EMB-810 D, com valor de R$ 5.900 por hora de voo, e um Caravan Cessna 208D, por R$ 8.900 a hora. O Caravan respondia por R$ 2,225 milhões do valor contratual.

Em 2023, a escala mudou novamente. A Ortiz venceu itens do Pregão Presencial SRP nº 011/2023 da Casa Civil, com valor global de R$ 18,6 milhões para o registro de preços de fretamento. O número é importante para reconstruir a trajetória da contratação, mas não pode ser apresentado como R$ 18,6 milhões efetivamente pagos. Registro de preços estabelece condições e limites para contratações futuras; o dinheiro só se transforma em despesa realizada quando o serviço é contratado, liquidado e pago.

O Contrato CC nº 34/2023 tornou-se uma das peças centrais dessa relação. Em junho de 2024, a Casa Civil prorrogou sua vigência por mais 12 meses, de 23 de junho de 2024 a 23 de junho de 2025, com valor anual estimado de R$ 6.825.000. A finalidade continuava sendo o fretamento de aeronaves para transporte de pessoal, atendendo ao Gabinete do Governador e à própria Casa Civil.

Antes do fim dessa vigência, em maio de 2025, o mesmo contrato recebeu um acréscimo quantitativo de 25%. O valor passou de R$ 6.825.000 para R$ 8.531.250, um aumento de R$ 1.706.250. Mais uma vez, trata-se de valor contratual, e não de comprovação de que todo o dinheiro foi efetivamente desembolsado.

Ainda em 2025, a Casa Civil abriu uma contratação de proporção muito maior. No Pregão Eletrônico SRP nº 390/2025, a Ortiz venceu itens destinados a Caravan e King Air. Para o Caravan, a previsão chegou a 2.093 horas de voo, ao preço de R$ 11.960 por hora, alcançando R$ 25.032.280. Para o King Air, foram 1.316 horas a R$ 18.600, num total de R$ 24.477.600. Os dois itens somaram R$ 49.509.880. O próprio processo licitatório identifica a Casa Civil como órgão solicitante e a Ortiz como empresa habilitada no certame.

Esses R$ 49,5 milhões não significam que a Casa Civil entregou R$ 49,5 milhões à empresa. O SRP cria uma capacidade de contratação conforme a necessidade do governo. É justamente por isso que a leitura dos últimos cinco anos exige separar três números que frequentemente aparecem misturados no debate público: o valor de um contrato, o teto de uma ata de registro de preços e aquilo que efetivamente foi pago.

Somar R$ 2,402 milhões de 2022, R$ 18,6 milhões do registro de 2023, R$ 6,825 milhões de 2024, os valores modificados em 2025 e os quase R$ 10 milhões da renovação atual produziria uma cifra artificial. Há contratos prorrogados de um ano para outro, aditivos que apenas aumentam instrumentos já existentes e registros de preços que podem não ser executados integralmente. Uma soma desse tipo contaria parte do mesmo dinheiro mais de uma vez e transformaria capacidade de contratação em gasto realizado.

Por isso, o valor de cinco anos que pode ser tratado com segurança como dinheiro efetivamente pago pela Casa Civil não deve ser construído pela soma dos contratos publicados. O recorte financeiro fechado e auditável para 2026 mostra R$ 9.019.272 já pagos à Ortiz até julho.

Há, porém, uma dimensão mais ampla da relação entre a Ortiz e o Governo do Acre. O Ministério Público do Acre registrou que os contratos acumulados com a empresa desde 2019 ultrapassaram R$ 84 milhões. A Promotoria também apontou crescimento superior a 160% nos valores contratados entre 2024 e 2025 e abriu procedimento para apurar o fretamento de aeronaves a serviço do Estado. Os R$ 84 milhões são valores de contratos acumulados pelo governo e não podem ser apresentados como R$ 84 milhões pagos exclusivamente pela Casa Civil.

O procedimento do MPAC também não representa condenação da Ortiz, do governador ou de integrantes da Casa Civil. A abertura da investigação significa que o órgão de controle decidiu examinar a evolução dos valores, a justificativa das contratações, a economicidade e a destinação dos serviços. Qualquer afirmação de irregularidade precisa depender do resultado dessa apuração e de provas produzidas no processo.

No Acre, voar não é necessariamente luxo. A geografia impõe distâncias que, em alguns municípios, não se resolvem apenas por estrada. Há agendas públicas, transporte de equipes e deslocamentos para localidades onde a aviação reduz dias de viagem a poucas horas. A discussão sobre os contratos da Casa Civil começa depois dessa constatação: quanto custa cada deslocamento, que aeronave foi usada, quem viajou, qual era a missão pública e por que determinado modelo — Caravan, King Air ou jato — foi escolhido para aquela viagem.

É nessa diferença que uma despesa de R$ 58 mil e outra de R$ 432,6 mil passam a ter significado para quem está fora dos gabinetes. Ambas aparecem sob a mesma rubrica geral de fretamento, mas envolvem aeronaves, capacidades, velocidades e custos operacionais muito diferentes. Sem a abertura das rotas, horas voadas, passageiros e justificativas de cada missão, o cidadão enxerga o valor pago, mas não consegue reconstruir sozinho a viagem que originou a conta.

A renovação do contrato de quase R$ 10 milhões amplia esse debate por mais um ano. A Casa Civil chega ao novo período contratual depois de ter movimentado R$ 9 milhões em pagamentos à Ortiz apenas no recorte de 2026 já consolidado até julho. Ao mesmo tempo, a empresa aparece em uma relação contratual com o Estado que o Ministério Público calcula em mais de R$ 84 milhões desde 2019.

O dado mais concreto está no caixa: R$ 9.019.272 já pagos pela Casa Civil à Ortiz em 89 lançamentos de fretamento no período analisado de 2026. O histórico dos cinco anos mostra que a contratação deixou de envolver apenas Sêneca e Caravan, passou por contratos milionários, incorporou King Air e chegou ao jato. O