Complexo Esportivo de Cruzeiro do Sul suspende atividades para montagem do Festival da Farinha

O Complexo Esportivo de Cruzeiro do Sul terá as atividades físicas e esportivas suspensas temporariamente a partir de segunda-feira, 17 de agosto. O espaço será interditado para a montagem da estrutura do Festival da Farinha 2026, marcado para ocorrer entre os dias 26 e 29 de agosto.

A suspensão será mantida durante o período de preparação e realização do festival. A medida busca garantir a segurança das pessoas que utilizam o complexo e das equipes responsáveis pela organização e montagem da estrutura do evento.

Com a interdição, moradores que utilizam o local para práticas esportivas e exercícios físicos deverão interromper temporariamente as atividades no espaço. O Complexo Esportivo será uma das estruturas utilizadas para receber a programação do Festival da Farinha deste ano.

As atividades esportivas serão retomadas normalmente após o encerramento do festival e a liberação do espaço. A 9ª edição do Festival da Farinha será realizada de 26 a 29 de agosto em Cruzeiro do Sul.

MPAC apura irregularidades na queda de ponte em Sena Madureira e vai à Justiça por documentos

A queda de parte da ponte Frei Paulino Baldaçari, em Sena Madureira, ocorrida no dia 5 de junho, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Acre (MPAC) sobre possíveis falhas no projeto, na execução, nos materiais utilizados e na fiscalização da obra. As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Adailson Oliveira, exibida no jornal Gazeta em Manchete desta segunda-feira (10).

A apuração conduzida pelo promotor Júlio César de Medeiros também busca esclarecer se alertas anteriores sobre as condições do terreno foram ignorados. Um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico do Brasil já apontava a ocorrência do fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo que atinge as margens do rio Iaco e provoca instabilidade do solo.

Mesmo com o histórico de erosão na área, a ponte foi construída no local. A investigação agora busca determinar qual foi o grau de participação do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da construtora Cidade nas decisões tomadas durante o planejamento e a execução da obra.

Risco às famílias e medidas cobradas

Com o desmoronamento do barranco ainda em andamento, o Ministério Público cobrou da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Acre a retirada das famílias que vivem nas proximidades da ponte. Existe o risco de que o avanço da erosão alcance residências instaladas na área.

O MPAC também deu prazo de 15 dias para que a Polícia Civil conclua o laudo pericial sobre o desabamento e solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma investigação sobre os contratos firmados entre o poder público e a empresa responsável pela obra.

Técnicos do Ministério Público também devem realizar uma avaliação independente para verificar se foram feitos estudos adequados do solo e se as dimensões dos pilares da ponte atendiam aos padrões técnicos e de segurança exigidos para uma estrutura construída em uma área sujeita à erosão.

Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. O caso mais grave foi o do juiz aposentado Ednaldo Muniz dos Santos, que segue em tratamento médico fora do Acre.

Documentos viram alvo de impasse e MPAC vai à Justiça

Outro ponto revelado pela reportagem de Adailson Oliveira envolve a dificuldade enfrentada pelo Ministério Público para obter a documentação completa da obra. O MPAC requisitou os arquivos, mas recebeu respostas divergentes sobre quem estaria de posse dos documentos.

O Deracre informou que os papéis estavam com a construtora Cidade. A empresa, por sua vez, afirmou que a documentação estaria com o órgão estadual. Diante do impasse, o Ministério Público decidiu recorrer à Justiça para obrigar a apresentação dos arquivos necessários à continuidade das investigações.

A Procuradoria-Geral do Estado também encaminhou ao MPAC um documento no qual sustenta que o governo não deveria ser responsabilizado pelo desabamento. O argumento apresentado é de que a contratação foi feita de forma integral, abrangendo desde a elaboração do projeto até a execução da obra.

O promotor Júlio César de Medeiros rejeitou a tese de afastamento da responsabilidade do Estado e afirmou que a atuação do Deracre será apurada em todas as etapas, desde a escolha e aceitação do local da construção até a fiscalização da obra e a existência de seguro que pudesse reduzir eventuais prejuízos aos cofres públicos.

“É preciso investigar a participação do Deracre em todos os níveis. Começa por aceitar a obra em local reconhecidamente com erosão, passa pela fiscalização, até o seguro da obra, que poderia ressarcir o prejuízo do Estado”, afirmou o promotor.

Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

Ex-governador Binho Marques lamenta morte de Gilberto Siqueira, ex-secretário de Planejamento do Acre

O ex-governador do Acre Binho Marques manifestou pesar pela morte de Gilberto Siqueira, que foi secretário de Estado de Planejamento durante sua gestão e teve atuação marcante na administração pública acreana.

Em sua manifestação, Binho relembra a amizade, os ensinamentos e a contribuição de Gilberto para projetos que marcaram o Acre, destacando sua visão de que os espaços e serviços públicos devem ser bonitos, acolhedores e pensados especialmente para quem mais precisa.

Confira a manifestação na íntegra:

Gilberto Siqueira se foi, mas não nos deixará nunca.
Gil foi meu professor. Também foi do Jorge e de muita gente que sonha com um Acre Chic, como ele dizia. Falava que as coisas públicas têm que ser as mais lindas de uma cidade. Porque são para quem mais precisa, para quem mais rala e para quem faz as coisas acontecerem com suor e luta. Nossas escolas públicas são bonitas e acolhedoras? Nossa biblioteca pública é tão linda quanto a de um país europeu? A OCA é incrível? A Usina João Donato é a cara de uma juventude que deseja um mundo novo? Não tenho dúvida que sim. Aprendi tudo com o Gil. Ele sim era Chic, alegre e colorido. Além de tudo, nos ensinou a entender, valorizar e amar nossas diferenças. Éramos muito diferentes. Muito mesmo. Nos amamos por sermos exatamente o que somos. Ele vai ficar para sempre em nós, nas mentes e corações, apurando nossa forma de pensar, de ver as coisas e de nos emocionar. Nos encontraremos de novo um dia, querido amigo, para muitas risadas deliciosas. Já tenho muitas saudades.

Binho Marques – Governador do Acre de 2007 a 2010

Jorge Viana lamenta morte de Gilberto Siqueira e relembra parceria no Acre

O ex-governador do Acre Jorge Viana lamentou a morte de Gilberto Siqueira, a quem definiu como um dos principais companheiros de sua trajetória profissional e pública. Em manifestação divulgada nesta terça-feira (11), Viana afirmou ter recebido a notícia durante as atividades de sua candidatura ao Senado e relembrou projetos desenvolvidos ao lado do amigo em Rio Branco e no estado.

Viana disse que Gilberto, conhecido como Gil, teve participação importante em diferentes momentos de sua vida pública. Entre os trabalhos citados está a atuação ligada à Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), além de iniciativas realizadas durante as gestões de Viana.

“O Gil foi uma das pessoas mais importantes que tive na minha vida profissional e pública. Sem ele, eu não teria conseguido realizar, junto com uma boa equipe, tantas coisas que fizemos por Rio Branco e pelo Acre”, declarou.

Gilberto enfrentava problemas de saúde relacionados à diabetes. Jorge Viana contou que esteve com o amigo no hospital há menos de uma semana e acompanhou seu estado de saúde ao lado de Dingo, irmão de Gilberto.

“Fui me despedir, orar por ele e viver aquele momento ao seu lado. Hoje, recebo a notícia da sua partida”, afirmou.

Ao recordar a convivência dos dois, Viana também falou sobre a preocupação de Gilberto com a situação do Acre nos últimos anos. Segundo o ex-governador, o amigo mantinha a esperança de ver o estado voltar a prosperar.

Na despedida, Jorge Viana agradeceu pela amizade, pelo apoio recebido ao longo da vida e pela contribuição de Gilberto ao Acre. “Só tenho uma palavra para dizer a ele: obrigado. Obrigado, Gil, pelo amor que você tinha pelo Acre, por ter me dado todo o apoio ao longo da vida, em tudo o que fiz, e, principalmente, por ter sido meu amigo e meu irmão, um irmão que Deus me deu.”

Viana encerrou a manifestação desejando que o amigo descansasse em paz e voltou a reconhecer a importância de Gilberto em sua trajetória. “Você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida profissional e pública. Por isso, faço questão de repetir esse reconhecimento e de agradecer: obrigado por tudo, meu irmão.”

Jorge Viana convida Bira Vasconcelos para primeira suplência ao Senado

O ex-governador Jorge Viana (PT), candidato ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026, convidou nesta segunda-feira, 10, o ex-prefeito de Xapuri Bira Vasconcelos (PT) para assumir a primeira suplência da chapa. O convite ocorre após a saída do ex-governador Binho Marques, que havia sido escolhido inicialmente para a função.

Binho Marques foi oficializado como primeiro suplente de Jorge Viana durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, realizada em 30 de julho. A delegada Carla Brito, do Podemos, foi definida como segunda suplente.

A composição precisou ser alterada após Binho informar, na sexta-feira, 7, que não poderia permanecer na chapa por causa de um problema relacionado aos prazos e às formalidades do registro eleitoral. O ex-governador afirmou que acataria a decisão da Justiça Eleitoral e continuaria participando da campanha.

Com a mudança, Jorge Viana passou a buscar um novo nome para ocupar a primeira suplência. A escolha de Bira Vasconcelos mantém a vaga dentro do PT e aproxima da chapa uma liderança com trajetória política ligada a Xapuri e ao grupo que governou o Acre durante os anos da Frente Popular.

Bira foi prefeito de Xapuri por três mandatos e permaneceu filiado ao PT mesmo durante o período em que outras lideranças municipais deixaram o partido. Ele também mantém uma relação política de longa data com Jorge Viana e já participou de agendas do ex-governador em diferentes momentos.

Jorge Viana disputa uma das duas vagas do Acre no Senado que estarão em jogo nas eleições de outubro. Ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador por dois mandatos e ex-senador, o petista voltou à disputa por uma cadeira no Congresso Nacional após concorrer ao governo estadual em 2022.

A eventual entrada de Bira Vasconcelos ainda depende da definição da chapa e dos procedimentos eleitorais necessários para a substituição do primeiro suplente.

Escola Arthur Maia lidera Ideb municipal em Cruzeiro do Sul

A Escola Municipal Arthur Maia alcançou o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as escolas da rede municipal de Cruzeiro do Sul. A unidade obteve nota 6,3 na avaliação aplicada aos estudantes do 5º ano do ensino fundamental. O resultado foi celebrado nesta segunda-feira, 10 de agosto, durante visita do prefeito Zequinha Lima e da equipe da Secretaria Municipal de Educação à escola.

Além da liderança da Arthur Maia, seis escolas municipais de Cruzeiro do Sul ficaram acima da média nacional, de 6,0. A rede municipal também registrou crescimento de 16,7% no Ideb em comparação com o resultado de 2023.

O prefeito Zequinha Lima atribuiu o desempenho ao trabalho desenvolvido pela Secretaria de Educação, gestores, professores, estudantes e famílias. A administração municipal pretende agora concentrar esforços na manutenção dos índices e na melhoria dos resultados nos próximos ciclos de avaliação.

O acompanhamento das escolas foi reforçado a partir de 2025, com formação de professores, produção de materiais pedagógicos, aplicação de simulados e análise do desempenho dos estudantes. Os resultados das avaliações eram usados pelas equipes para identificar dificuldades e definir conteúdos que precisavam de maior atenção em sala de aula.

O Ideb leva em consideração o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, além de dados relacionados à aprovação e à permanência dos alunos na escola. No ensino fundamental, a avaliação contempla estudantes do 5º ano e, nas redes que oferecem essa etapa, também do 9º ano.

A gestora da Escola Municipal Arthur Maia, Sara Rosa, afirmou que o desempenho foi construído ao longo dos anos, com participação de professores de diferentes séries e dos próprios estudantes. “Esse resultado é coletivo. Ele não aconteceu somente no momento em que a prova foi realizada”, afirmou.

Segundo a direção, a meta inicial era superar a nota obtida na avaliação anterior. Com o avanço, a escola terminou na primeira colocação entre as unidades municipais de Cruzeiro do Sul e passa a ter como desafio manter o desempenho nas próximas avaliações.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.

R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Ufac volta a ter aulas presenciais após suspensão causada por crise no transporte de Rio Branco

A Universidade Federal do Acre (Ufac) retomou nesta segunda-feira (10) as aulas presenciais no campus-sede, em Rio Branco, depois de quase um mês com as atividades suspensas. A interrupção começou em 15 de julho, em meio à redução da frota do transporte coletivo da capital e à mobilização dos estudantes.

A volta às salas de aula ocorreu após o encerramento da greve estudantil, aprovado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) em assembleia realizada no dia 4 de agosto. Outro critério para a retomada era a circulação mínima de 66 ônibus no sistema de transporte público de Rio Branco.

A condição havia sido estabelecida pelo Conselho Universitário (Consu) depois que a apreensão judicial de veículos afetou a operação do transporte coletivo e dificultou o deslocamento de estudantes até a universidade.

Com a normalização parcial da frota, a instituição autorizou a retomada presencial. O período sem aulas, porém, vai exigir alterações no calendário acadêmico para garantir a continuidade do semestre.

O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) ficará responsável pela elaboração da nova programação, que deverá ser submetida ao Conselho Universitário. A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), junto às coordenações e aos colegiados dos cursos, também vai organizar a reposição das atividades afetadas pela suspensão.

A crise no transporte provocou manifestações de universitários antes da paralisação. Estudantes realizaram protestos em frente à Prefeitura de Rio Branco e chegaram a bloquear acessos ao campus para cobrar uma solução diante das dificuldades de deslocamento.

A retomada marca o retorno da rotina acadêmica presencial no campus de Rio Branco, enquanto a universidade trabalha na reorganização das aulas e demais atividades previstas para o semestre.