R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Ufac volta a ter aulas presenciais após suspensão causada por crise no transporte de Rio Branco

A Universidade Federal do Acre (Ufac) retomou nesta segunda-feira (10) as aulas presenciais no campus-sede, em Rio Branco, depois de quase um mês com as atividades suspensas. A interrupção começou em 15 de julho, em meio à redução da frota do transporte coletivo da capital e à mobilização dos estudantes.

A volta às salas de aula ocorreu após o encerramento da greve estudantil, aprovado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) em assembleia realizada no dia 4 de agosto. Outro critério para a retomada era a circulação mínima de 66 ônibus no sistema de transporte público de Rio Branco.

A condição havia sido estabelecida pelo Conselho Universitário (Consu) depois que a apreensão judicial de veículos afetou a operação do transporte coletivo e dificultou o deslocamento de estudantes até a universidade.

Com a normalização parcial da frota, a instituição autorizou a retomada presencial. O período sem aulas, porém, vai exigir alterações no calendário acadêmico para garantir a continuidade do semestre.

O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) ficará responsável pela elaboração da nova programação, que deverá ser submetida ao Conselho Universitário. A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), junto às coordenações e aos colegiados dos cursos, também vai organizar a reposição das atividades afetadas pela suspensão.

A crise no transporte provocou manifestações de universitários antes da paralisação. Estudantes realizaram protestos em frente à Prefeitura de Rio Branco e chegaram a bloquear acessos ao campus para cobrar uma solução diante das dificuldades de deslocamento.

A retomada marca o retorno da rotina acadêmica presencial no campus de Rio Branco, enquanto a universidade trabalha na reorganização das aulas e demais atividades previstas para o semestre.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Cruzeiro do Sul homenageia Melissa Sampaio no Dia dos Pais enquanto ela cobra andamento de caso contra Madson Cameli

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa Sampaio, ex-esposa de Madson de Castro Cameli, para uma campanha de Dia dos Pais publicada neste domingo, 9 de agosto. Na arte, Melissa aparece ao lado dos filhos e integra a homenagem dirigida a “todas as mulheres que também são pais”. A publicação ocorre enquanto ela cobra da Justiça andamento no caso em que Madson foi denunciado pelo Ministério Público do Acre por lesão corporal grave e violência psicológica.

A peça produzida pela prefeitura reúne duas mães acompanhadas dos filhos. Melissa aparece na parte superior da imagem, recebendo beijos das crianças. A mensagem principal diz: “Neste domingo especial desejamos feliz Dia dos Pais para todas as mulheres que também são pais!”. A campanha leva a identidade visual oficial da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

O caso envolvendo Melissa e Madson chegou ao Ministério Público em 2024. Em agosto daquele ano, o MPAC informou que Madson era investigado por lesão corporal grave e violência psicológica e que Melissa tinha medida protetiva deferida. Ela também passou a receber acompanhamento do Centro de Atendimento à Vítima.

Posteriormente, a 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul denunciou Madson pelos crimes de lesão corporal grave e violência psicológica. A acusação foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação, entre eles depoimentos e documentos relacionados ao caso. A defesa de Madson contestou as acusações e afirmou que os fatos ocorreram no contexto do fim do relacionamento.

Em 2026, Melissa voltou a falar publicamente sobre o processo. Em junho, ela cobrou rapidez da Justiça em casos de violência doméstica e criticou a demora enfrentada por mulheres que procuram proteção e permanecem durante longos períodos sem uma decisão judicial.

“Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão”, escreveu Melissa ao tratar da necessidade de maior rapidez na tramitação de processos envolvendo violência contra a mulher.

A situação de Madson também mudou desde que o caso ganhou repercussão. Ele se casou com Mailza Assis, atual governadora do Acre, e passou a ocupar o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora, função diretamente ligada ao núcleo administrativo do Palácio Rio Branco.

A campanha da Prefeitura de Cruzeiro do Sul coloca Melissa em uma comunicação oficial voltada ao reconhecimento de mulheres que assumem responsabilidades familiares sem a presença cotidiana do pai. Ao mesmo tempo, ela continua cobrando resposta para um processo que envolve justamente o pai de seus filhos e que permanece sem desfecho judicial.

A arte não menciona Madson, a denúncia ou o processo. A homenagem se concentra na condição de Melissa como mãe e na criação dos filhos. A presença dela, porém, ocorre pouco tempo depois de voltar a público para reclamar da demora da Justiça em um caso iniciado há cerca de dois anos.

Madson não foi condenado pelos fatos relacionados ao processo. Há uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, contestada pela defesa, e uma cobrança pública de Melissa para que o caso avance na Justiça.

Neste domingo, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa como uma das mulheres que representam a mensagem de mães que “também são pais”. A homenagem ocorre enquanto ela permanece à espera de uma resposta judicial sobre as acusações feitas contra o ex-marido.

Elter Nóbrega: de educador e sindicalista à liderança política em Cruzeiro do Sul

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, os direitos dos trabalhadores e a política participativa, Elter Nóbrega vem se consolidando como uma das figuras mais respeitadas da vida pública em Cruzeiro do Sul. Atual presidente da Câmara Municipal, reeleito vereador em 2024 com 1.961 votos, Elter é reconhecido não apenas por sua atuação política, mas também pela sua história de dedicação à população e às causas sociais.

Raízes familiares e formação

Filho de Naly de Queiroz Nóbrega, dona de casa, e de Genildo Braz da Nóbrega, topógrafo (in memoriam), Elter é o caçula de cinco irmãos: Elayne, Elvis (in memoriam), Eleine e Genilsa. Com forte influência familiar e espírito comunitário desde cedo, formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC) no ano de 2004, destacando-se como presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) durante sua passagem pelo campus de Cruzeiro do Sul.

Da sala de aula ao atendimento no banco

Antes de entrar na vida pública, Elter atuou como professor de Química, Física e Matemática por 12 anos, lecionando nas escolas Craveiro Costa, Flodoardo Cabral, Dom Henrique Ruth e Valério Caldas de Magalhães. Em 2006, foi aprovado em concurso público para o Banco do Brasil, onde passou a atender a população com a mesma dedicação que demonstrava nas salas de aula.

Desde 2011, tornou-se educador do Banco do Brasil, referência no atendimento humanizado e igualitário. Colegas e clientes o reconhecem pelo respeito e atenção com todos, independente da posição social ou saldo bancário. “Elter sempre tratou todos com dignidade. Ele nunca fez distinção de ninguém no atendimento”, afirmam muitos dos que passaram pelas agências em que atuou.

Atuação sindical e comunitária

Sua atuação sindical é outro ponto de destaque em sua biografia. Vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Acre e membro executivo da FETEC-CN (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte), Elter é conhecido por sua postura firme contra assédios, maus-tratos e injustiças com os trabalhadores. Defensor incansável das pautas da classe trabalhadora, ganhou respeito entre lideranças regionais e nacionais.

Desde 2012, também preside a AABB de Cruzeiro do Sul, promovendo ações esportivas, culturais e de integração social.

Ascensão política

Eleito vereador pela primeira vez em 2020, com 833 votos, logo foi escolhido como 1º secretário da Câmara Municipal em 2021. Também presidiu por mais de um ano a Ecops (Empresa Cruzeirense de Obras e Serviços Públicos). Em 2024, foi reeleito vereador com uma votação expressiva, quase 2 mil votos, sendo eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara em 2025.

Como presidente, iniciou um projeto inédito na política local: as sessões itinerantes da Câmara. A primeira ocorreu na comunidade Tartaruga, no Rio Val Paraíso, com a presença de 13 dos 14 vereadores, o presidente da ALEAC, Nicolau Júnior, além de outras autoridades e moradores das 14 comunidades ribeirinhas. O evento contou com almoço coletivo, torneio de futebol, atendimentos de saúde, corte de cabelo e ações de beleza e estética. A segunda edição, prevista para a comunidade Santa Luzia, na BR-364, precisou ser cancelada devido à forte chuva no dia.

A voz do povo

A atuação de Elter tem sido motivo de orgulho para seus eleitores. Em depoimento, um morador afirmou:

“Vejo o vereador Elter como um grande e diferente político. Ele não é só mais um vereador, ele é o vereador. Veja o currículo dele, a trajetória, a dedicação e o conhecimento. O conhecendo como conheço, é notável que veio para fazer a diferença. O parlamento mirim está pequeno para seu potencial.”

Um líder em construção constante

Elter Nóbrega se destaca não apenas pela firmeza com que conduz os trabalhos legislativos, mas pela capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade, unindo experiência técnica, sensibilidade social e espírito público. Sua história inspira uma nova geração de políticos e reforça a importância de uma atuação comprometida com a ética, a escuta e a presença ativa nos bairros, comunidades e instituições.

De professor a líder sindical, de bancário a presidente da Câmara, Elter é hoje símbolo de que a política feita com responsabilidade e proximidade com o povo pode, sim, gerar transformação concreta.

Alysson Bestene reúne vereadores na Expoacre e define prioridades para segundo semestre em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, reuniu vereadores da base aliada nesta sexta-feira (7), durante a Expoacre 2026, para discutir as prioridades da administração municipal e da Câmara para o segundo semestre. O encontro ocorreu no gabinete institucional da Prefeitura montado no Parque de Exposições e antecede a retomada das sessões do Legislativo municipal, marcada para terça-feira, 11 de agosto.

Entre os principais temas discutidos estão o transporte público, a infraestrutura urbana e a pavimentação de bairros. A reunião também tratou de projetos que devem entrar na pauta da Câmara nos próximos meses e de ações que dependem da articulação entre Executivo e Legislativo.

Alysson Bestene afirmou que a parceria com os vereadores tem ajudado na execução de projetos municipais e na ampliação dos serviços oferecidos à população. Durante a reunião, o prefeito também apresentou aos parlamentares a estrutura das secretarias municipais instalada na Expoacre, com programas, serviços e iniciativas da gestão.

O presidente da Câmara Municipal, Joabe Lira, afirmou que a retomada do semestre legislativo terá uma agenda concentrada em demandas da capital. Transporte coletivo e pavimentação estão entre os assuntos que devem ocupar as discussões dos vereadores após o retorno das sessões.

Joabe também defendeu a articulação entre Prefeitura e Câmara para acelerar projetos e ações nos bairros. “Essa união, com certeza, vai fazer com que essas ações cheguem mais rápido à população de Rio Branco”, afirmou.

O vereador Bruno Moraes também participou do encontro e afirmou que a reunião serviu para ajustar pontos entre a base e o Executivo antes da retomada dos trabalhos parlamentares. A aproximação ocorre em um momento em que projetos municipais devem voltar à análise dos vereadores com o início do novo período legislativo.

Além da reunião política, os vereadores visitaram os espaços mantidos pelas secretarias municipais na Expoacre. A Prefeitura concentra no Parque de Exposições atendimentos, apresentação de programas e divulgação de ações desenvolvidas nas áreas de responsabilidade do município.

Ao fim do encontro, Alysson Bestene entregou aos parlamentares chapéus personalizados do programa Prefeitura nas Ruas, que reúne serviços municipais diretamente nos bairros da capital. A agenda abriu a articulação política entre Prefeitura e Câmara para as pautas previstas até o fim de 2026.

Sargento Adonis leva trajetória militar e força eleitoral do Juruá à chapa de Bocalom

Escolhido para disputar o cargo de vice-governador do Acre na chapa de Tião Bocalom, do PSDB, Sargento Adonis chega à eleição de 2026 com uma trajetória ligada ao Vale do Juruá, à Polícia Militar e à política de Cruzeiro do Sul. A composição amplia a presença da região na disputa pelo Governo do Estado e leva para a campanha um nome que recebeu mais de 9 mil votos na primeira eleição que disputou.

Adonis Souza nasceu na comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, em uma família que vivia do comércio pelos rios da região. O pai trabalhava como regatão, transportando e vendendo mercadorias em comunidades isoladas, enquanto a mãe era natural de Porto Walter. Nos primeiros anos de vida, a família morava em um batelão usado durante as viagens comerciais.

A mudança para a cidade ocorreu quando Adonis ainda era criança. A decisão dos pais teve como principal objetivo garantir acesso à escola para os filhos. Aos 12 anos, ele já conciliava os estudos com diferentes atividades para conseguir renda, entre elas a retirada e venda de areia, a comercialização de bolinhos de trigo e a revenda de produtos fornecidos por comerciantes de Cruzeiro do Sul.

A rotina de trabalho continuou durante a formação acadêmica. Adonis graduou-se em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre e também concluiu o curso de Direito em Rio Branco.

Posteriormente, ingressou na Polícia Militar do Acre, onde permanece na ativa. A carreira acrescentou à sua trajetória profissional a experiência na segurança pública e o contato direto com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias do Vale do Juruá.

“Durante toda a minha vida, estive servindo as pessoas com aquela atividade simples. Depois, passei a prestar um serviço de segurança pública à sociedade”, afirmou Adonis ao falar sobre a passagem do trabalho no comércio para a atuação policial.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2020. Naquele ano, Sargento Adonis disputou pela primeira vez a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e recebeu 9.077 votos. Ele terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Zequinha Lima e Jéssica Sales.

A votação municipal deu projeção ao nome de Adonis no Juruá e passou a integrar seu principal capital político para a eleição estadual de 2026. Seis anos depois da primeira candidatura, ele deixa uma disputa concentrada em Cruzeiro do Sul para integrar uma chapa que busca votos nos 22 municípios acreanos.

Adonis afirma que decidiu participar da política após acompanhar problemas relacionados à administração pública e questionar a aplicação dos recursos destinados à população.

“Eu sempre tive dentro de mim esse desejo de devolver para a sociedade, de alguma forma, aquilo que é dela por direito”, declarou.

Na chapa de Bocalom, a escolha do policial militar também estabelece uma ligação direta com o segundo maior colégio eleitoral do Acre e com os municípios do Vale do Juruá. A campanha passa a reunir, na mesma composição, uma liderança política sediada em Rio Branco e um candidato a vice com trajetória profissional, familiar e eleitoral construída no interior do estado.

Assista a entrevista:

Patrimônio de Ninawa Huni Kui expõe preconceito contra indígenas nas redes

Ninawa Huni Kui declarou R$ 1,59 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral ao entrar na disputa por uma vaga de deputado federal no Acre. O dado é público, relevante e deve ser tratado como o patrimônio de qualquer candidato: pode ser informado, comparado e investigado. O que veio depois, porém, mostrou que para parte do público a questão não era apenas quanto ele possui. Era quem possui.

“Índio rico em”, escreveu um leitor. Outro insinuou que ONGs dentro de aldeias seriam “excelentes fontes de trabalhos”. Houve ainda quem questionasse como alguém com quase R$ 2 milhões poderia defender os povos originários.

A declaração patrimonial inclui terra, casa e veículos. Não há, por si só, nada de extraordinário nisso. O estranhamento nasce quando a palavra “cacique” entra na mesma frase que R$ 1,59 milhão e aciona uma velha expectativa: a de que um indígena autêntico deveria necessariamente ser pobre.

É aí que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.

Ninawa pode ser cobrado por suas posições políticas, por sua atuação pública e pela origem de seu patrimônio, caso exista algum fato concreto que justifique apuração. O que não pode funcionar como indício de irregularidade é sua identidade indígena.

Um empresário rico pode defender empresários. Um pecuarista pode possuir milhões em terras e representar produtores rurais. Um parlamentar milionário pode dizer que representa trabalhadores pobres. Mas, diante de um cacique com casa, terra e caminhonete, ainda aparece a pergunta carregada de suspeita: como um indígena conseguiu isso?

Essa pergunta carrega séculos de uma imagem construída de fora para dentro. O indígena é aceito no imaginário nacional como vítima, pobre, isolado ou dependente. Quando ocupa espaços de poder, estuda, administra, empreende, disputa eleições ou acumula patrimônio, parte desse mesmo olhar passa da compaixão à desconfiança.

Também houve reação contrária. Entre os comentários apareceram manifestações de respeito e a frase simples: “indígenas no topo”. O contraste importa porque mostra que a disputa não está apenas em torno de Ninawa, mas da própria ideia de qual lugar um indígena pode ocupar na sociedade brasileira.

Patrimônio de candidato é assunto público. Deve ser fiscalizado. Se houver incompatibilidade, investigue-se. Se houver irregularidade, publique-se.

Mas cocar não é comprovante de pobreza.

Ser indígena não exige certificado de miséria.

Talvez a pergunta mais reveladora dessa história não seja como Ninawa Huni Kui chegou a R$ 1,59 milhão em bens. É por que a possibilidade de um indígena possuir patrimônio ainda incomoda tanta gente.

Jorge Viana visita moradores do Cidade Nova e prepara café durante agenda em Rio Branco

O pré-candidato ao Senado Jorge Viana visitou moradores e lideranças comunitárias de Rio Branco nesta sexta-feira (7), em uma agenda que passou pela região da antiga Rodoviária e pelo bairro Cidade Nova. Durante um dos encontros, ele preparou café para uma família que vive há mais de 50 anos na comunidade e agradeceu as manifestações de apoio recebidas nas visitas.

O roteiro começou nas proximidades da antiga Rodoviária, onde Viana conversou com taxistas e trabalhadoras de pensões da região. Depois, seguiu para a Rua Palmeiral, no Cidade Nova, onde foi recebido por dona Luiza, seu Cari e familiares.

O casal mora no bairro há mais de cinco décadas e acompanhou as transformações da região desde uma época em que as ruas ainda não tinham a estrutura atual. Filhos, netos e bisnetos também participaram do encontro, ao lado de representantes comunitários do Cidade Nova e de outros bairros de Rio Branco.

Entre os presentes estavam o presidente do bairro Cidade Nova, Fernando Falcão, o vice-presidente da comunidade, Melo, a presidente do bairro Quinze, Susie Ramos, e a liderança comunitária Graça Lopes. Durante a conversa, os moradores lembraram a trajetória política de Jorge Viana e falaram sobre obras e mudanças ocorridas no bairro ao longo dos anos.

Dona Luiza declarou apoio à pré-candidatura de Viana ao Senado e afirmou que a família pretende acompanhá-lo novamente na disputa eleitoral. Fernando Falcão também falou sobre a relação do ex-governador com a comunidade e defendeu a continuidade de ações voltadas ao desenvolvimento do Acre.

Durante a visita, Viana preparou café para os moradores e convidados. Ele afirmou que o gesto foi uma forma de agradecer pela recepção e disse que o contato com moradores durante as agendas tem reforçado sua disposição para seguir percorrendo o estado e discutindo propostas para o Acre.

Erro técnico tira Binho Marques da suplência de Jorge Viana ao Senado

Um erro técnico no registro da candidatura impediu o ex-governador Binho Marques de integrar a chapa de Jorge Viana ao Senado nas eleições de 2026. Mesmo fora da suplência, ele confirmou que seguirá na campanha e atuará na coordenação das candidaturas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas ao governo do Acre.

Em carta aberta divulgada nesta sexta-feira, 7, Binho afirmou que o problema envolveu prazos e datas do registro eleitoral. Ele disse que reconhece o erro e que respeitará a decisão da Justiça.

“Houve um erro técnico no registro da minha candidatura como primeiro suplente do senador Jorge Viana. Um erro de prazos, de datas. Erramos”, afirmou.

Binho também reforçou que continuará diretamente envolvido na campanha. “Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, declarou.

O ex-governador ainda manifestou apoio a Jorge Viana para o Senado, Thor Dantas para o governo do Acre e Lula para a Presidência da República.