Aleac homenageia cafeicultores e destaca avanço da produção de café no Juruá

A Assembleia Legislativa do Acre realizou nesta sexta-feira, 26, no Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, uma sessão solene em alusão ao Dia Nacional do Café para homenagear produtores rurais, instituições e representantes da cadeia produtiva que impulsionam a cafeicultura no Vale do Juruá e em outras regiões do estado.

Durante a solenidade, mais de 30 homenagens foram entregues a pessoas e entidades ligadas ao setor, com reconhecimento especial a produtores pioneiros e a novos cafeicultores que passaram a investir na atividade. A sessão foi proposta pela Mesa Diretora da Aleac, por meio do Requerimento nº 42/2026, e presidida pelo primeiro-secretário da Casa, deputado Luiz Gonzaga.

A produção acreana de café, baseada principalmente no robusta amazônico, passa por fase de expansão. O parque cafeeiro do estado é estimado em cerca de 1.931 hectares, com forte presença da agricultura familiar. Mais de 83% dos produtores atuam em propriedades de até 20 hectares, o que reforça o peso social da atividade na geração de renda no campo.

Representando o presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior, Luiz Gonzaga afirmou que o café já se consolidou como alternativa econômica para centenas de famílias do Juruá. “O café hoje é uma realidade no Juruá. Está mudando a vida de muitas pessoas, e a Assembleia Legislativa não poderia deixar de reconhecer a importância desses produtores, que têm contribuído para o fortalecimento da economia acreana”, disse.

A solenidade também ressaltou o papel da Coopercafé, da Embrapa, de prefeituras, cooperativas e órgãos de apoio técnico no avanço da produção. Autoridades presentes defenderam que o crescimento do setor depende da continuidade de investimentos em tecnologia, assistência técnica, beneficiamento, crédito e escoamento da produção.

Luiz Gonzaga, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e o prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Pinheiro Magalhães, afirmaram que o Juruá vive um novo ciclo produtivo, com o café como uma das principais apostas para fortalecer a economia regional. Parlamentares que destinaram emendas para fomentar a cadeia produtiva também foram citados durante a solenidade.

O avanço da cafeicultura tem relação direta com a ampliação da estrutura de beneficiamento na região. Em Mâncio Lima, o Complexo Industrial do Café do Juruá foi implantado para agregar valor à produção local e apoiar agricultores familiares, dentro de um modelo cooperativista voltado ao beneficiamento e rebeneficiamento dos grãos.

A sessão foi transmitida pela TV Aleac e encerrada com a entrega das homenagens da Assembleia Legislativa aos produtores e instituições que atuam no fortalecimento do café acreano.

Rio Branco pavimenta sete ruas no bairro Santa Cecília

A Prefeitura de Rio Branco executa obras de pavimentação em sete vias do bairro Santa Cecília, no Segundo Distrito da capital, com recursos próprios do Município. Os serviços fazem parte do programa Prefeitura nas Ruas e foram vistoriados nesta sexta-feira, 26, pelo prefeito Alysson Bestene, que acompanhou o andamento das intervenções no corredor de ônibus e em travessas da comunidade.

As obras buscam melhorar o acesso dos moradores e reduzir problemas antigos de mobilidade no bairro. Durante a visita, Bestene afirmou que a gestão tem percorrido as regionais da cidade para levantar as demandas mais urgentes e levar infraestrutura às comunidades. “São investimentos com recursos próprios que atenderão sete ruas, trazendo mais dignidade para as famílias do Santa Cecília, uma região populosa do Segundo Distrito que há muito tempo não recebia investimentos dessa dimensão”, disse o prefeito.

O presidente da Associação de Moradores do Santa Cecília, Edilson Rodrigues, relatou que a situação das ruas dificultava a entrada de veículos e prejudicava moradores que dependem de deslocamento para tratamentos de saúde. “A situação era crítica. Nesta rua há uma criança que faz diálise e enfrentava dificuldades para sair de casa porque os veículos não conseguiam entrar. Ficamos cerca de cinco anos sem receber um benefício como esse”, declarou.

A vistoria também contou com a presença da deputada federal Socorro Neri e do senador Sérgio Petecão. A agenda incluiu o levantamento de outras demandas da região, como manutenção de ruas, recuperação de ramais e saneamento básico. A articulação com a bancada federal pode ampliar o volume de recursos destinados a obras de infraestrutura na capital.

Petecão citou ainda necessidades de bairros próximos, como Albert Sampaio e Dom Moacir, e defendeu a continuidade das ações em áreas que aguardam intervenções há mais tempo. A Prefeitura informou que o programa Prefeitura nas Ruas deve seguir com serviços de pavimentação, manutenção e recuperação da malha urbana em diferentes regiões de Rio Branco.

Mãe que deu à luz na rua pede doações para cuidar do bebê em Sena Madureira

Uma mãe que deu à luz no meio da rua em Sena Madureira, no interior do Acre, pediu ajuda para cuidar do bebê e manter a família após o nascimento da criança. Ela mora no bairro Ana Vieira e enfrenta dificuldades para garantir alimentos, produtos de higiene e itens básicos para a casa.

O pedido ganhou repercussão nas redes sociais depois que a situação da família foi mostrada em vídeo. Nas imagens, é possível ver a estrutura simples da residência e a necessidade de apoio para a mãe, que agora precisa de condições mínimas para cuidar do recém-nascido.

A campanha busca arrecadar alimentos, fraldas, roupas infantis, produtos de limpeza, gás de cozinha, móveis usados e utensílios domésticos. Também podem ser feitas contribuições em dinheiro para ajudar nas despesas mais urgentes da família.

O caso mobilizou moradores de Sena Madureira, que passaram a compartilhar o apelo para ampliar a rede de solidariedade. A expectativa é que as doações ajudem a mãe a atravessar os primeiros dias após o parto com mais segurança para ela e para o bebê.

Bonde de Londres: diárias da comitiva de Mailza somam R$ 192 mil em viagem que ainda não apresentou resultado concreto

A viagem da governadora Mailza Assis a Londres, divulgada como missão internacional para tratar de créditos de carbono, teve R$ 192.004,21 pagos em diárias internacionais a 12 integrantes da comitiva. A agenda ocorreu durante a Semana do Clima de Londres, mas ainda não há contrato publicado, valor fechado, cronograma de repasse ou documento que mostre o resultado prático da negociação para o Acre.

O maior valor foi pago a Lauro da Veiga Santos, presidente da Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais do Acre, a CDSA: R$ 28.813,04. Em seguida aparece Victor Hugo Rondon Soto, apresentado como gerente-geral do Projeto de Crédito de Carbono do Estado, com R$ 25.593,12 em diárias.

A lista também inclui Elane Cristina da Costa Cabral e Juliana de Oliveira Moreira, da Casa Civil, cada uma com R$ 14.776,85. O mesmo valor foi pago a Madson de Castro Cameli, chefe de gabinete e marido da governadora, que integrou a missão como assessor na agenda institucional do Consórcio Amazônia Legal.

A comitiva ainda teve integrantes da área jurídica, segurança e comunicação. Janete Melo de Albuquerque Lima, da Procuradoria-Geral do Estado, recebeu R$ 14.013,63. Aldeir Araujo da Costa, Jeffersson Pereira da Silva e Theanne Louise Gonçalves Souza Medeiros, da Casa Militar, receberam R$ 14.241,60 cada um. Jefson Marques Dourado, da Secretaria de Comunicação, recebeu R$ 12.796,56. Francisco Lucena da Costa Neto, fotógrafo, recebeu R$ 11.882,52, e Joscinei Gomes Bastos, videomaker, R$ 11.849,99.

Na prática, o “Bonde de Londres” levou representação institucional, assessoria, segurança, comunicação, foto, vídeo e equipe técnica para uma negociação que, até agora, segue sem resultado público concreto. Enquanto o dinheiro dos créditos de carbono permanece no campo da promessa, as diárias da viagem já aparecem como despesa efetiva para o Estado.

Mailza em Londres: uma reunião que poderia ter sido um e-mail

Governadora vai ao centro financeiro europeu tratar de créditos de carbono, mas negociação segue sem resultado concreto apresentado ao Acre

A governadora Mailza Assis atravessou o Atlântico com uma comitiva oficial para cumprir agenda em Londres, durante a Semana do Clima, em torno de uma das pautas mais sensíveis e milionárias do governo do Acre: a venda de créditos de carbono. A viagem foi apresentada como missão estratégica para atrair investimentos, fortalecer parcerias e transformar a floresta em pé em benefícios para a população. Mas, depois das fotos, vídeos, discursos e reuniões no centro financeiro europeu, o Acre segue diante da pergunta principal: o que foi efetivamente firmado?

As próprias falas públicas da agenda mostram que o negócio continua aberto. Ao lado de Marisa Drew, alta executiva global de sustentabilidade do Standard Chartered Bank, Mailza disse estar no centro econômico de Londres, mas com o coração voltado para a população acreana. Falou em reverter a preservação da floresta em benefícios para ribeirinhos, povos indígenas, produtores rurais e moradores que mais precisam. Em seguida, definiu o estágio real da agenda ao afirmar que estava ao lado de uma representante de “um banco que estamos negociando os créditos de carbono”.

A frase desmonta o tom de conquista. Se o governo ainda negocia, não há acordo concluído. Marisa Drew reforçou essa leitura ao dizer que o banco e o governo conversam “há alguns meses” sobre como criar um mecanismo financeiro para ampliar os recursos e fazer o dinheiro chegar às pessoas locais. Quando o mecanismo ainda está sendo criado, continuam sem resposta pública o valor fechado, o contrato final, o cronograma de repasse, a governança, a fiscalização, as comunidades beneficiadas e a forma concreta de aplicação do dinheiro.

Na prática, a agenda vendida como compromisso internacional em favor do povo acreano parece ter sido mais uma rodada de tratativas. Uma reunião que, pelo que foi apresentado até agora, poderia ter ocorrido por videoconferência, troca técnica entre equipes ou e-mail institucional.

Não se trata de negar a importância da pauta ambiental. O Acre tem floresta, experiência acumulada em políticas de serviços ambientais, histórico no REDD+ jurisdicional, construído no governo da Frente Popular, e potencial real para disputar recursos internacionais. A questão é outra. Quando uma comitiva oficial viaja a Londres com dinheiro público, segurança, comunicação, assessoria e representação institucional, o mínimo esperado é que o governo volte com algo mais concreto do que uma promessa de futuro, do que um aperto de mãos.

A viagem também precisa ser lida pelo custo público e pelos nomes que compuseram a missão. Levantamento no Portal da Transparência do Acre localizou R$ 192.004,21 pagos em diárias internacionais a 12 beneficiários da agenda oficial em Londres, incluindo Victor Hugo Rondon Soto, apresentado pelo governo como gerente-geral do Projeto de Crédito de Carbono do Estado.

O maior pagamento foi destinado a Lauro da Veiga Santos, presidente da Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais do Acre, a CDSA, que recebeu R$ 28.813,04. Victor Hugo Rondon Soto aparece em seguida, com R$ 25.593,12. Também receberam diárias Elane Cristina da Costa Cabral e Juliana de Oliveira Moreira, ambas da Casa Civil, com R$ 14.776,85 cada uma, e Madson de Castro Cameli, chefe de gabinete e marido da governadora Mailza Assis, que recebeu R$ 14.776,85 para assessorá-la na agenda institucional do Consórcio Amazônia Legal durante a Semana do Clima de Londres.

O pagamento a Madson carrega peso político próprio. Ele não aparece apenas como servidor em uma agenda técnica. É o marido da governadora, chefe de gabinete, acompanhando Mailza em uma viagem internacional cujo resultado concreto ainda não foi apresentado ao público. Em uma missão tratada pelo governo como estratégica para o futuro climático e financeiro do Acre, a presença dele amplia a obrigação de transparência sobre quem foi, por que foi, quanto recebeu e qual função efetiva desempenhou.

A presença de Victor Hugo Rondon Soto exige atenção ainda maior. A Agência de Notícias do Acre o apresentou na comitiva como gerente-geral do Projeto de Crédito de Carbono do Estado. Ao mesmo tempo, Victor é sócio-administrador da VR Consultoria Empresarial LTDA, empresa que recebeu R$ 3.256.745,01 do governo do Acre entre 2023 e 2026, em contratos associados à CDSA e ligados justamente à pauta de captação de recursos, mercado financeiro, REDD+, créditos de carbono jurisdicionais, rating internacional, relações corporativas e atuação junto a atores nacionais e internacionais.

A comitiva também incluiu Janete Melo de Albuquerque Lima, da Procuradoria-Geral do Estado, com R$ 14.013,63; Aldeir Araujo da Costa, Jeffersson Pereira da Silva e Theanne Louise Gonçalves Souza Medeiros, da Casa Militar, cada um com R$ 14.241,60; Jefson Marques Dourado, da Secretaria de Comunicação, com R$ 12.796,56; Francisco Lucena da Costa Neto, fotógrafo, com R$ 11.882,52; e Joscinei Gomes Bastos, videomaker, com R$ 11.849,99. A missão teve representação institucional, segurança, comunicação, assessoria jurídica, comando da CDSA e presença direta da área do crédito de carbono. Houve equipe para produzir notícia, foto, vídeo e redes sociais. O que ainda não houve foi contrato publicado, valor garantido, cronograma de repasse ou instrumento formal capaz de mostrar o que foi fechado em Londres.

Relatório de despesas por fornecedor mostra que os pagamentos à VR Consultoria Empresarial LTDA, entre 2023 e 2026, foram registrados como prestação de serviços de consultoria. Os objetos associados aos empenhos conversam diretamente com a vitrine montada em Londres: captação de recursos, mercado financeiro, bancos de investimento, REDD+, créditos de carbono jurisdicionais, rating financeiro internacional, relações corporativas e atuação junto a atores públicos e privados no Brasil e no exterior.

O ano de 2025 concentrou a maior parte dos pagamentos, com mais de R$ 2,5 milhões. Entre as despesas aparecem serviços voltados à obtenção de rating financeiro internacional do programa de créditos de carbono jurisdicionais do Acre e à avaliação de integridade do Programa Jurisdicional de REDD+ ISA Carbono para habilitação em negociações de mercado financeiro. Por isso, a cobrança não se resume ao que Mailza foi buscar em Londres. A questão é o que o Acre já recebeu depois de pagar consultorias milionárias para estruturar justamente essa pauta de carbono, mercado internacional e captação de recursos.

Mudando o rumo, depois de anos de nada resolvido

O governo apresenta a missão como abertura de uma nova fronteira para o desenvolvimento sustentável. A trajetória recente, porém, é mais complexa do que a comunicação oficial deixa transparecer. Antes do Standard Chartered assumir o centro da negociação, o Acre caminhava pela rota da Coalizão LEAF/Emergent, iniciativa internacional voltada à certificação e comercialização de créditos de carbono florestal jurisdicional. No fim de 2023, o Estado chegou a assinar carta de intenções nesse caminho, apresentado como alternativa com regras rígidas de governança, integridade ambiental e repartição de benefícios.

Depois, a estratégia mudou. A negociação passou a ser conduzida com o banco britânico Standard Chartered, em modelo mais ligado ao mercado financeiro internacional. O banco anunciou acordo para vender créditos de carbono florestal do Acre ao longo de cinco anos, com possibilidade de levar milhões de créditos ao mercado a partir de 2026. O discurso oficial fala em floresta em pé, integridade, comunidades locais e destinação de 72% dos recursos líquidos aos povos indígenas e comunidades tradicionais.

No papel, a promessa é poderosa. Na vida real, ela depende de respostas que ainda não chegaram ao público: quanto será vendido, a que preço, para quem, quando o dinheiro entrará, quanto ficará com intermediários, quem fiscalizará a conta, quem decidirá a aplicação dos recursos e como as comunidades terão controle sobre aquilo que o governo negocia em nome delas.

Essas perguntas estão no centro da crise de confiança instalada em torno da política de carbono do Acre. Organizações da sociedade civil e representantes da governança do Sisa passaram a questionar a forma como a CDSA conduziu as negociações. A Comissão Estadual de Validação e Acompanhamento, a Câmara Temática Indígena e a Câmara Temática das Mulheres são espaços que deveriam acompanhar decisões dessa magnitude. As críticas apontam falta de transparência e diálogo insuficiente com esses instrumentos de controle social.

A reportagem do Varadouro, publicada com o título “Vende-se carbono”, colocou a mudança da rota LEAF para o Standard Chartered no centro do atrito entre a CDSA e a sociedade civil. Lideranças relataram que a governança soube das tratativas pela imprensa oficial e que o argumento do sigilo comercial passou a impedir o acesso a informações sobre uma política pública construída historicamente com participação social.

Depois, organizações entregaram carta ao governador Gladson Cameli pedindo mudanças na CDSA e no Sisa. A cobrança era por transparência, revisão da condução política e fortalecimento dos espaços de participação. 

Outras vozes, a mesma pergunta

A Comissão Pró-Indígenas do Acre também levou a crise para dentro da história do próprio Sisa. Em artigo publicado em 20 de abril de 2026, Simen Kokkvoll e Aldalúcia F. Carvalho reconhecem que o sistema criado pela Lei Estadual nº 2.308, de 2010, fez o Acre virar referência em serviços ambientais e REDD+ jurisdicional, especialmente com o Programa REM, que arrecadou mais de US$ 50 milhões em 15 anos por meio do ISA Carbono. Mas os autores apontam que os pilares que deram força ao modelo — transparência, participação social e controle — passaram a ser justamente seus pontos mais frágeis.

O texto mostra que a revisão da Estratégia de Repartição de Benefícios, em 2025, ampliou a fatia dos povos indígenas de 12% para 22% e definiu 26% para territórios extrativistas, 24% para produtores e agricultores familiares e 28% para o Estado. A crítica, porém, é que percentual não basta. Sem critérios claros, acompanhamento público, relatórios atualizados e funcionamento real da CEVA e das câmaras temáticas, a repartição de benefícios vira promessa sem controle social.

A parte mais sensível para a agenda de Londres está na atuação da CDSA. Segundo Kokkvoll e Aldalúcia, a partir de 2025 a companhia passou a conduzir negociações internacionais de créditos de carbono sem comunicação prévia à governança do Sisa. As tratativas com o Standard Chartered e o rompimento com a LEAF/Emergent aparecem como marco de uma crise institucional marcada por falta de transparência e pelo uso do argumento de “sigilo comercial”.

É essa crítica que torna a viagem de Mailza mais delicada. O Acre não discute apenas vender ou não vender carbono. Discute quem decide, com quais documentos, sob qual controle público e com que participação dos povos indígenas, extrativistas, agricultores familiares e sociedade civil. O governo fala em transformar floresta em benefício. A CPI-Acre recoloca a pergunta que vem antes de qualquer contrato: quem autorizou a negociação e como a confiança será reconstruída dentro da governança que sustentou o Sisa por mais de uma década?

Também pesa a consulta aos povos indígenas e comunidades tradicionais. O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Acre recomendaram que o governo garanta consulta livre, prévia e informada antes da inclusão de territórios indígenas e tradicionais no Programa ISA Carbono. A recomendação afirma que as comunidades devem ter o direito de decidir se querem ou não participar do programa e, se desejarem, desenvolver seus próprios projetos de crédito de carbono.

Esse ponto é decisivo. Não basta o governo fazer reuniões regionais sobre repartição de benefícios e depois apresentar isso como autorização ampla para negociar créditos de carbono em nome de territórios e modos de vida de povos tradicionais. Consulta sobre divisão futura de recursos não é a mesma coisa que consentimento sobre a comercialização dos créditos. Uma coisa é discutir percentuais. Outra é decidir se o território, a floresta, a permanência das comunidades e seus modos de vida podem servir de base para uma operação financeira internacional.

É aí que a agenda de Londres fica mais frágil. Mailza diz que está negociando para garantir que o dinheiro chegue à população. Marisa Drew diz que o banco conversa há meses sobre como criar o mecanismo financeiro. O governo fala em compromisso. O banco fala em modelo. A Agência fala em parceria firmada. Mas, no centro da floresta, continuam sem resposta pública as perguntas essenciais: quem autorizou, quem foi consultado, onde estão as atas, qual é o contrato, qual é o valor, qual é o prazo e qual é a garantia de que o dinheiro chegará aos ribeirinhos, indígenas, extrativistas e produtores familiares citados nos discursos oficiais.

A contradição está diante do Acre. O governo usa a imagem dos povos da floresta para valorizar a negociação em Londres, enquanto parte das instâncias de representação e controle social questiona a forma como a negociação foi conduzida. O discurso fala em dignidade, futuro e prosperidade. As cobranças falam em consulta, transparência e governança.

No fim, a ida a Londres parece menos uma entrega e mais uma tentativa de revestir de solenidade uma negociação que continua aberta. A Agência de Notícias do Acre anunciou a missão como oportunidade para posicionar o Estado no centro das discussões internacionais sobre mecanismos financeiros, mercado de carbono e captação de recursos. Depois, publicou que Mailza e a executiva do banco “firmaram compromisso em favor do povo acreano”. Mas o conteúdo das falas aponta para outro cenário: o mecanismo financeiro ainda está sendo desenhado, o recurso ainda não está garantido e o caminho de chegada do dinheiro às comunidades ainda precisa ser comprovado.

Se houve contrato, que seja publicado. Se houve valor, que seja informado. Se houve cronograma, que seja apresentado. Se houve compromisso jurídico, que seja disponibilizado. Se houve consulta aos povos afetados, que sejam divulgadas as atas, os protocolos, os registros e as respostas dadas às recomendações do MPF, do MPAC e das organizações da sociedade civil.

Enquanto o dinheiro do carbono segue no campo da promessa, os custos da agenda já são concretos. Diárias foram pagas. Consultorias foram pagas. A comunicação oficial foi mobilizada. A comitiva viajou. E o povo acreano continua sem saber quanto virá, quando virá, por qual contrato virá e como o recurso chegará, de fato, às comunidades citadas nos discursos.

O governo pode dizer que a negociação é complexa. E é. Mercado de carbono jurisdicional, ART/TREES, repartição de benefícios, consulta prévia, governança do Sisa, rating internacional e venda por banco global não são temas simples. Justamente por isso, exigem mais transparência, não menos. Exigem mais controle social, não menos. Exigem mais cuidado com os povos da floresta, não apenas o uso de suas imagens e nomes nos discursos oficiais.

A reunião em Londres poderia ter sido um e-mail porque, até agora, trouxe a público essencialmente uma atualização de tratativas: o governo negocia, o banco conversa, o mecanismo financeiro está sendo construído e a promessa é fazer o dinheiro chegar. Mas isso o Acre já sabia. O que o Acre ainda não sabe é o principal: o que foi realmente fechado, quanto isso vale e quando a população verá algum resultado concreto.

Jorge Viana percorre sete municípios do Juruá e defende agenda suprapartidária pelo Acre

O pré-candidato ao Senado Jorge Viana cumpre nesta semana uma agenda política em sete municípios do Vale do Juruá e de regiões de difícil acesso do Acre, com visitas a Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa do Purus. A viagem faz parte da estratégia de ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais, lideranças comunitárias e moradores em torno de uma plataforma voltada a investimentos, infraestrutura e fortalecimento dos municípios.

Durante os encontros, Jorge Viana defendeu que a disputa eleitoral seja conduzida sem centralidade em pautas ideológicas. O ex-senador afirmou que pretende construir um movimento suprapartidário e atuar em Brasília como representante dos interesses do Acre. “Quero ser senador do Acre, não de um partido. Meu compromisso é representar todos os acreanos e fazer a interlocução necessária para trazer investimentos e soluções para os problemas do nosso Estado”, disse.

Em Cruzeiro do Sul, maior cidade do Vale do Juruá, Jorge visitou a prefeitura e se reuniu com o prefeito Zequinha Lima. Também manteve conversas com vereadores, empresários, produtores rurais e representantes de diferentes setores da sociedade. A agenda tratou de demandas locais e de projetos considerados prioritários para a região.

Em Mâncio Lima, Jorge esteve acompanhado do ex-deputado Jonas Lima e foi recebido pelo prefeito José Luiz. A programação incluiu reunião na Câmara Municipal, com a presença do presidente da Casa e da maioria dos vereadores. O pré-candidato também participou de encontros com produtores rurais, especialmente cafeicultores, e de uma agenda da Coopercafé, que reuniu cooperados e lideranças políticas, entre elas a ex-deputada federal Perpétua Almeida.

A cafeicultura e a agricultura familiar foram tratadas como áreas estratégicas para a economia regional. Jorge afirmou que o Juruá tem potencial para ampliar a produção, gerar renda e fortalecer cooperativas, desde que os municípios tenham apoio técnico, crédito, infraestrutura e canais de escoamento.

Em Rodrigues Alves, Jorge foi recebido pelo prefeito Salatiel Magalhães, pelo presidente da Câmara, vereador Marcelo, e por vereadores do município. A pauta incluiu alternativas para fortalecer a economia local, com foco na agricultura familiar, além da defesa de projetos estruturantes para os municípios do Juruá. Ele também se reuniu com apoiadores na casa do ex-prefeito Burica e de sua esposa, Mônica.

Após passar por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, Jorge seguiu para os municípios mais isolados da região. Ao longo da viagem, ele repetiu que o Acre precisa retomar uma agenda de planejamento, cooperação institucional e investimentos. Entre as prioridades citadas estão a recuperação da BR-364 e obras capazes de melhorar a integração entre os municípios.

O pré-candidato também afirmou que pretende atuar como interlocutor do Acre junto ao governo federal e a uma eventual nova gestão do presidente Lula, caso o petista dispute e vença a eleição presidencial. Para Jorge, a superação da polarização política é uma condição para o Estado ampliar sua capacidade de negociação em Brasília e garantir recursos para áreas consideradas estratégicas.

“Aqui tem Acre” tem sido a mensagem usada por Jorge Viana nas agendas no interior. A frase resume o esforço de apresentar a pré-campanha como uma articulação voltada aos municípios, com ênfase em desenvolvimento regional, diálogo político e aproximação com lideranças locais.

No “Aqui Tem Acre”, Jorge Viana e Binho Marques apresentam plano para recuperar BR-364

Os ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques apresentaram, em episódio do podcast Aqui Tem Acre, um plano de recuperação para a BR-364, principal corredor rodoviário do Acre. A proposta prevê intervenções em 15 quilômetros de trechos considerados intrafegáveis e manutenção em outros 65 quilômetros com condições precárias, com foco no deslocamento entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

Jorge Viana afirmou que o diagnóstico da rodovia foi feito após avaliação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, para definir os pontos mais críticos da estrada. A previsão apresentada no programa é que as intervenções avancem ao longo dos próximos meses e melhorem o fluxo de veículos até setembro.

“Não se trata apenas de política, é uma questão de cidadania. A estrada é o meio pelo qual chegam a saúde, a educação e a segurança para a população do Acre”, disse Viana ao defender a recuperação da rodovia mesmo fora de um cargo executivo.

A BR-364 voltou ao centro do debate político por causa das dificuldades de tráfego em trechos afetados pelo solo amazônico, pelas chuvas e pela falta de manutenção permanente. A estrada liga regiões estratégicas do estado e tem impacto direto no transporte de passageiros, alimentos, combustíveis, insumos e serviços públicos.

Binho Marques afirmou que as más condições da rodovia ampliam o isolamento de comunidades e dificultam o acesso da população a direitos básicos. Ele também criticou adversários políticos que, na avaliação dele, tratam o tema como disputa eleitoral sem apresentar soluções para o problema.

“Enquanto o Jorge trouxe o ministro dos Transportes e um plano técnico de ação, há quem prefira apenas a crítica vazia”, afirmou Marques durante a conversa.

Os ex-governadores também defenderam a união da bancada federal do Acre para garantir a continuidade dos investimentos na rodovia. O plano discutido no podcast inclui soluções de engenharia de longo prazo, com obras estimadas em mais de R$ 3 bilhões para adequar a estrada às condições do solo e do clima da região.

O programa também resgatou obras realizadas durante as gestões de Jorge Viana e Binho Marques no governo do Acre. Entre os projetos citados estão a pavimentação de estradas, a construção de pontes e ações voltadas à integração regional.

Férias das escolas municipais de Cruzeiro do Sul serão de 1º a 7 de julho

Os alunos da rede municipal de ensino de Cruzeiro do Sul terão férias entre os dias 1º e 7 de julho, com retorno das aulas marcado para 8 de julho. O recesso vale para todas as escolas municipais das zonas urbana, rural e ribeirinha e foi antecipado neste ano para coincidir com o período da Expoacre Juruá.

Tradicionalmente, a pausa do meio do ano ocorria em agosto. Em 2026, a Secretaria Municipal de Educação decidiu mudar o calendário após conversa com a equipe técnica da pasta e gestores escolares, levando em conta a experiência de anos anteriores.

A secretária municipal de Educação, Rosa Lebre, afirmou que a mudança busca evitar prejuízos à aprendizagem e permitir que os estudantes acompanhem a programação do evento com as famílias. “Com a experiência de anos anteriores resolvemos trazer o recesso escolar do meio do ano para o período da Expoacre Juruá. Como os pais participam e haverá programação para as crianças, com essa medida, buscamos garantir que nossos alunos não sejam prejudicados nem na aprendizagem nem na participação do evento junto com suas famílias”, explicou.

Com a alteração, as unidades municipais retomam normalmente as atividades escolares no dia 8 de julho, após uma semana de recesso.

Bocalom rejeita ser vice e mantém candidatura ao governo do Acre

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a negar, nesta quarta-feira (24), qualquer possibilidade de compor como vice em uma chapa governista e manteve a candidatura ao governo do Acre nas eleições deste ano. Filiado ao PSDB, ele disse que deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o Palácio Rio Branco e não para ocupar posição secundária em uma aliança com a governadora Mailza Assis, do PP.

“Alguém acha que eu deixei a prefeitura para ser vice de alguém? Quem espalha esse tipo de boato quer me tirar da frente, porque sabe que ganharei o governo. Ninguém tem nem a coragem de vir com essa conversa comigo”, afirmou Bocalom.

A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão estadual, num cenário em que partidos da base governista discutem alianças, composição de chapa e espaços nas disputas para o Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Bocalom tenta se firmar como alternativa fora da chapa de Mailza e aposta no legado de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco para sustentar a campanha.

O ex-prefeito disse que seu grupo começou a distribuir à população um jornal com realizações de sua gestão municipal. Segundo ele, a receptividade nas ruas mostra que há espaço para crescimento eleitoral. “Meu pessoal está distribuindo um jornal com as minhas realizações como prefeito, e noventa por cento dos que são abordados para receber o material, recebe e ainda me elogia. O povo quer o Bocalom no governo”, afirmou.

Bocalom também pretende usar como bandeira de campanha o argumento de que não responde a processos por mau uso de recursos públicos nas gestões em Acrelândia e Rio Branco. Mesmo aparecendo atrás de adversários em pesquisas recentes, ele minimizou os levantamentos e disse confiar no desempenho nas urnas.

“São pesquisas feitas para agradar. Quando foi que uma pesquisa me colocou na liderança? Sempre me colocaram como sem chance de ser eleito, e quando as urnas são abertas o Bocalom é que ganha. Foi assim nas duas últimas eleições para a prefeitura da capital”, disse.

A posição de Bocalom reduz, no momento, a possibilidade de uma composição com a chapa governista e mantém a disputa pelo governo aberta entre os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral acreano.

Acreano participa de livro lançado pelo CAMP durante o Compol Brasil

“Marketing Político no Brasil 2 – Eleições” reúne mais de 40 especialistas para debater campanhas, comunicação pública e estratégias digitais

Florianópolis (SC) — O Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP) lançou nesta terça-feira (23), durante o Compol Brasil, em Florianópolis (SC), o livro *Marketing Político no Brasil 2 – Eleições.

A publicação reúne mais de 40 profissionais de diferentes regiões do país para discutir temas ligados às campanhas eleitorais, comunicação pública, legislação, estratégias digitais, produção de conteúdo e os limites entre informação institucional e publicidade política.

O lançamento integrou a programação do Compol Brasil e colocou em circulação uma obra voltada a profissionais, pesquisadores, gestores, comunicadores, consultores e estudantes interessados no cenário eleitoral brasileiro.

Entre os participantes está o jornalista e publicitário acreano Alexandre Nunes Nobre, associado ao CAMP desde janeiro de 2025. Na publicação, ele aborda a comunicação como instrumento de conexão entre instituições e cidadãos e discute a distinção entre a persuasão das campanhas eleitorais e o dever de informar que orienta a comunicação pública.

“É uma alegria poder fazer parte deste projeto, ao lado de profissionais que ajudam a ampliar o debate sobre comunicação, eleições e democracia no Brasil”, afirmou Alexandre Nunes Nobre.

Com formação em Marketing e Comunicação Digital, Alexandre atua há mais de 36 anos nas áreas de criação, direção de arte, comunicação visual, marketing e publicidade. É pós-graduado em Comunicação Digital pela FASB e possui MBA pela Universidade Gama Filho.

Sua trajetória na comunicação política começou nos anos 1990, com participação em campanhas proporcionais e majoritárias na Região Norte, incluindo disputas para prefeituras, governos estaduais e Senado. Desde 1996, exerce funções como direção de arte, redação, gestão de mídia e equipes, produção audiovisual, locução e edição em campanhas eleitorais.

Também possui experiência em planejamento integrado de comunicação e marketing, gestão de mídias, redes sociais, crises, monitoramento de dados, produção de conteúdo audiovisual e desenvolvimento de estratégias de governança participativa.

Alexandre iniciou a carreira como executivo em 1994 e fundou uma agência de Publicidade e Propaganda em 1996. Atuou como executivo de mídia em veículos de comunicação e exerceu funções de direção comercial, programação e produção em radiodifusão. Entre 1998 e 2002, trabalhou como diretor de TV e jornalista na TV União, afiliada da Band. De 2002 a 2018, dirigiu produção e programação da Rede Pública de Comunicação, incluindo a TV Aldeia, a Rádio Difusora e a Rádio Aldeia FM.

O livro Marketing Político no Brasil 2 – Eleições está disponível na Livraria do COMPOL e deverá ser disponibilizado para compras online.

Serviço
Livro: Marketing Político no Brasil 2 – Eleições
Lançamento: Compol Brasil, Florianópolis (SC)
Realização: CAMP — Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político
Disponibilidade: Livraria do COMPOL e, em breve, vendas online