Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

Prefeitura leva limpeza, tapa-buracos e drenagem ao bairro Maria Íris, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta terça-feira (11) uma nova frente do programa Prefeitura nas Ruas no bairro Maria Íris, na regional Floresta. As equipes municipais atuam com limpeza, desobstrução de bueiros, recuperação de pontos danificados das vias, tapa-buracos e intervenções na rede de drenagem.

O prefeito Alysson Bestene acompanhou o início dos trabalhos ao lado de gestores municipais, vereadores e representantes da comunidade. Durante a agenda, moradores apresentaram demandas relacionadas principalmente às condições das ruas e à necessidade de melhorias na infraestrutura do bairro.

A vice-presidente da Associação dos Moradores do Maria Íris, Francineide Dias, afirmou que a comunidade aguardava a chegada dos serviços, especialmente devido às condições de algumas vias. Ela disse que os moradores esperam que as intervenções melhorem a mobilidade e a estrutura do bairro.

Os trabalhos começaram pela limpeza e pela desobstrução de bueiros. A Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb) também prevê serviços de tapa-buracos e ações para corrigir problemas no sistema de drenagem.

O secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, afirmou que equipes do programa atuam diariamente em diferentes regiões da capital. A estratégia reúne setores da administração municipal para executar serviços de manutenção de acordo com as demandas de cada comunidade.

Bestene afirmou que o programa deve atender as dez regionais de Rio Branco e que a definição das prioridades passa pelo contato com moradores e lideranças comunitárias. A gestão também pretende manter a atuação conjunta entre secretarias, autarquias e demais órgãos envolvidos nos serviços.

O prefeito citou ainda a participação da Câmara Municipal no encaminhamento das solicitações feitas pelos bairros. O vereador Matheus Paiva, que participou da visita ao Maria Íris, afirmou que os parlamentares recebem demandas da população e acompanham a execução dos serviços solicitados ao município.

O Prefeitura nas Ruas mantém frentes de trabalho em diferentes pontos de Rio Branco, com ações de limpeza urbana, manutenção, infraestrutura, drenagem e recuperação de vias.

Complexo Esportivo de Cruzeiro do Sul suspende atividades para montagem do Festival da Farinha

O Complexo Esportivo de Cruzeiro do Sul terá as atividades físicas e esportivas suspensas temporariamente a partir de segunda-feira, 17 de agosto. O espaço será interditado para a montagem da estrutura do Festival da Farinha 2026, marcado para ocorrer entre os dias 26 e 29 de agosto.

A suspensão será mantida durante o período de preparação e realização do festival. A medida busca garantir a segurança das pessoas que utilizam o complexo e das equipes responsáveis pela organização e montagem da estrutura do evento.

Com a interdição, moradores que utilizam o local para práticas esportivas e exercícios físicos deverão interromper temporariamente as atividades no espaço. O Complexo Esportivo será uma das estruturas utilizadas para receber a programação do Festival da Farinha deste ano.

As atividades esportivas serão retomadas normalmente após o encerramento do festival e a liberação do espaço. A 9ª edição do Festival da Farinha será realizada de 26 a 29 de agosto em Cruzeiro do Sul.

MPAC apura irregularidades na queda de ponte em Sena Madureira e vai à Justiça por documentos

A queda de parte da ponte Frei Paulino Baldaçari, em Sena Madureira, ocorrida no dia 5 de junho, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Acre (MPAC) sobre possíveis falhas no projeto, na execução, nos materiais utilizados e na fiscalização da obra. As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Adailson Oliveira, exibida no jornal Gazeta em Manchete desta segunda-feira (10).

A apuração conduzida pelo promotor Júlio César de Medeiros também busca esclarecer se alertas anteriores sobre as condições do terreno foram ignorados. Um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico do Brasil já apontava a ocorrência do fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo que atinge as margens do rio Iaco e provoca instabilidade do solo.

Mesmo com o histórico de erosão na área, a ponte foi construída no local. A investigação agora busca determinar qual foi o grau de participação do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da construtora Cidade nas decisões tomadas durante o planejamento e a execução da obra.

Risco às famílias e medidas cobradas

Com o desmoronamento do barranco ainda em andamento, o Ministério Público cobrou da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Acre a retirada das famílias que vivem nas proximidades da ponte. Existe o risco de que o avanço da erosão alcance residências instaladas na área.

O MPAC também deu prazo de 15 dias para que a Polícia Civil conclua o laudo pericial sobre o desabamento e solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma investigação sobre os contratos firmados entre o poder público e a empresa responsável pela obra.

Técnicos do Ministério Público também devem realizar uma avaliação independente para verificar se foram feitos estudos adequados do solo e se as dimensões dos pilares da ponte atendiam aos padrões técnicos e de segurança exigidos para uma estrutura construída em uma área sujeita à erosão.

Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. O caso mais grave foi o do juiz aposentado Ednaldo Muniz dos Santos, que segue em tratamento médico fora do Acre.

Documentos viram alvo de impasse e MPAC vai à Justiça

Outro ponto revelado pela reportagem de Adailson Oliveira envolve a dificuldade enfrentada pelo Ministério Público para obter a documentação completa da obra. O MPAC requisitou os arquivos, mas recebeu respostas divergentes sobre quem estaria de posse dos documentos.

O Deracre informou que os papéis estavam com a construtora Cidade. A empresa, por sua vez, afirmou que a documentação estaria com o órgão estadual. Diante do impasse, o Ministério Público decidiu recorrer à Justiça para obrigar a apresentação dos arquivos necessários à continuidade das investigações.

A Procuradoria-Geral do Estado também encaminhou ao MPAC um documento no qual sustenta que o governo não deveria ser responsabilizado pelo desabamento. O argumento apresentado é de que a contratação foi feita de forma integral, abrangendo desde a elaboração do projeto até a execução da obra.

O promotor Júlio César de Medeiros rejeitou a tese de afastamento da responsabilidade do Estado e afirmou que a atuação do Deracre será apurada em todas as etapas, desde a escolha e aceitação do local da construção até a fiscalização da obra e a existência de seguro que pudesse reduzir eventuais prejuízos aos cofres públicos.

“É preciso investigar a participação do Deracre em todos os níveis. Começa por aceitar a obra em local reconhecidamente com erosão, passa pela fiscalização, até o seguro da obra, que poderia ressarcir o prejuízo do Estado”, afirmou o promotor.

Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

Ex-governador Binho Marques lamenta morte de Gilberto Siqueira, ex-secretário de Planejamento do Acre

O ex-governador do Acre Binho Marques manifestou pesar pela morte de Gilberto Siqueira, que foi secretário de Estado de Planejamento durante sua gestão e teve atuação marcante na administração pública acreana.

Em sua manifestação, Binho relembra a amizade, os ensinamentos e a contribuição de Gilberto para projetos que marcaram o Acre, destacando sua visão de que os espaços e serviços públicos devem ser bonitos, acolhedores e pensados especialmente para quem mais precisa.

Confira a manifestação na íntegra:

Gilberto Siqueira se foi, mas não nos deixará nunca.
Gil foi meu professor. Também foi do Jorge e de muita gente que sonha com um Acre Chic, como ele dizia. Falava que as coisas públicas têm que ser as mais lindas de uma cidade. Porque são para quem mais precisa, para quem mais rala e para quem faz as coisas acontecerem com suor e luta. Nossas escolas públicas são bonitas e acolhedoras? Nossa biblioteca pública é tão linda quanto a de um país europeu? A OCA é incrível? A Usina João Donato é a cara de uma juventude que deseja um mundo novo? Não tenho dúvida que sim. Aprendi tudo com o Gil. Ele sim era Chic, alegre e colorido. Além de tudo, nos ensinou a entender, valorizar e amar nossas diferenças. Éramos muito diferentes. Muito mesmo. Nos amamos por sermos exatamente o que somos. Ele vai ficar para sempre em nós, nas mentes e corações, apurando nossa forma de pensar, de ver as coisas e de nos emocionar. Nos encontraremos de novo um dia, querido amigo, para muitas risadas deliciosas. Já tenho muitas saudades.

Binho Marques – Governador do Acre de 2007 a 2010

Jorge Viana lamenta morte de Gilberto Siqueira e relembra parceria no Acre

O ex-governador do Acre Jorge Viana lamentou a morte de Gilberto Siqueira, a quem definiu como um dos principais companheiros de sua trajetória profissional e pública. Em manifestação divulgada nesta terça-feira (11), Viana afirmou ter recebido a notícia durante as atividades de sua candidatura ao Senado e relembrou projetos desenvolvidos ao lado do amigo em Rio Branco e no estado.

Viana disse que Gilberto, conhecido como Gil, teve participação importante em diferentes momentos de sua vida pública. Entre os trabalhos citados está a atuação ligada à Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), além de iniciativas realizadas durante as gestões de Viana.

“O Gil foi uma das pessoas mais importantes que tive na minha vida profissional e pública. Sem ele, eu não teria conseguido realizar, junto com uma boa equipe, tantas coisas que fizemos por Rio Branco e pelo Acre”, declarou.

Gilberto enfrentava problemas de saúde relacionados à diabetes. Jorge Viana contou que esteve com o amigo no hospital há menos de uma semana e acompanhou seu estado de saúde ao lado de Dingo, irmão de Gilberto.

“Fui me despedir, orar por ele e viver aquele momento ao seu lado. Hoje, recebo a notícia da sua partida”, afirmou.

Ao recordar a convivência dos dois, Viana também falou sobre a preocupação de Gilberto com a situação do Acre nos últimos anos. Segundo o ex-governador, o amigo mantinha a esperança de ver o estado voltar a prosperar.

Na despedida, Jorge Viana agradeceu pela amizade, pelo apoio recebido ao longo da vida e pela contribuição de Gilberto ao Acre. “Só tenho uma palavra para dizer a ele: obrigado. Obrigado, Gil, pelo amor que você tinha pelo Acre, por ter me dado todo o apoio ao longo da vida, em tudo o que fiz, e, principalmente, por ter sido meu amigo e meu irmão, um irmão que Deus me deu.”

Viana encerrou a manifestação desejando que o amigo descansasse em paz e voltou a reconhecer a importância de Gilberto em sua trajetória. “Você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida profissional e pública. Por isso, faço questão de repetir esse reconhecimento e de agradecer: obrigado por tudo, meu irmão.”

Jorge Viana convida Bira Vasconcelos para primeira suplência ao Senado

O ex-governador Jorge Viana (PT), candidato ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026, convidou nesta segunda-feira, 10, o ex-prefeito de Xapuri Bira Vasconcelos (PT) para assumir a primeira suplência da chapa. O convite ocorre após a saída do ex-governador Binho Marques, que havia sido escolhido inicialmente para a função.

Binho Marques foi oficializado como primeiro suplente de Jorge Viana durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, realizada em 30 de julho. A delegada Carla Brito, do Podemos, foi definida como segunda suplente.

A composição precisou ser alterada após Binho informar, na sexta-feira, 7, que não poderia permanecer na chapa por causa de um problema relacionado aos prazos e às formalidades do registro eleitoral. O ex-governador afirmou que acataria a decisão da Justiça Eleitoral e continuaria participando da campanha.

Com a mudança, Jorge Viana passou a buscar um novo nome para ocupar a primeira suplência. A escolha de Bira Vasconcelos mantém a vaga dentro do PT e aproxima da chapa uma liderança com trajetória política ligada a Xapuri e ao grupo que governou o Acre durante os anos da Frente Popular.

Bira foi prefeito de Xapuri por três mandatos e permaneceu filiado ao PT mesmo durante o período em que outras lideranças municipais deixaram o partido. Ele também mantém uma relação política de longa data com Jorge Viana e já participou de agendas do ex-governador em diferentes momentos.

Jorge Viana disputa uma das duas vagas do Acre no Senado que estarão em jogo nas eleições de outubro. Ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador por dois mandatos e ex-senador, o petista voltou à disputa por uma cadeira no Congresso Nacional após concorrer ao governo estadual em 2022.

A eventual entrada de Bira Vasconcelos ainda depende da definição da chapa e dos procedimentos eleitorais necessários para a substituição do primeiro suplente.

Escola Arthur Maia lidera Ideb municipal em Cruzeiro do Sul

A Escola Municipal Arthur Maia alcançou o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as escolas da rede municipal de Cruzeiro do Sul. A unidade obteve nota 6,3 na avaliação aplicada aos estudantes do 5º ano do ensino fundamental. O resultado foi celebrado nesta segunda-feira, 10 de agosto, durante visita do prefeito Zequinha Lima e da equipe da Secretaria Municipal de Educação à escola.

Além da liderança da Arthur Maia, seis escolas municipais de Cruzeiro do Sul ficaram acima da média nacional, de 6,0. A rede municipal também registrou crescimento de 16,7% no Ideb em comparação com o resultado de 2023.

O prefeito Zequinha Lima atribuiu o desempenho ao trabalho desenvolvido pela Secretaria de Educação, gestores, professores, estudantes e famílias. A administração municipal pretende agora concentrar esforços na manutenção dos índices e na melhoria dos resultados nos próximos ciclos de avaliação.

O acompanhamento das escolas foi reforçado a partir de 2025, com formação de professores, produção de materiais pedagógicos, aplicação de simulados e análise do desempenho dos estudantes. Os resultados das avaliações eram usados pelas equipes para identificar dificuldades e definir conteúdos que precisavam de maior atenção em sala de aula.

O Ideb leva em consideração o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, além de dados relacionados à aprovação e à permanência dos alunos na escola. No ensino fundamental, a avaliação contempla estudantes do 5º ano e, nas redes que oferecem essa etapa, também do 9º ano.

A gestora da Escola Municipal Arthur Maia, Sara Rosa, afirmou que o desempenho foi construído ao longo dos anos, com participação de professores de diferentes séries e dos próprios estudantes. “Esse resultado é coletivo. Ele não aconteceu somente no momento em que a prova foi realizada”, afirmou.

Segundo a direção, a meta inicial era superar a nota obtida na avaliação anterior. Com o avanço, a escola terminou na primeira colocação entre as unidades municipais de Cruzeiro do Sul e passa a ter como desafio manter o desempenho nas próximas avaliações.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.