No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.

Socorro Rodrigues aceita ser vice de Thor Dantas na disputa pelo Governo do Acre

A advogada Socorro Rodrigues, do Podemos, aceitou nesta quarta-feira, 29 de julho, o convite para ocupar a vaga de vice na chapa do médico Thor Dantas, pré-candidato do PSB ao Governo do Acre. A composição será oficializada nesta quinta-feira, 30, durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, marcada para as 17h, no Parque das Acácias, em Rio Branco.

Thor foi à casa de Socorro para formalizar o convite, que já havia sido discutido por telefone e em encontros anteriores. Ao confirmar a entrada na chapa, a advogada afirmou que recebe a decisão com responsabilidade e relacionou sua participação à presença das mulheres na política acreana.

“Recebo esse convite com muita alegria e confirmo minha total adesão. É motivo de muita honra”, declarou Socorro. Ela afirmou que pretende representar as mulheres do Acre e citou como características dessa representação a coragem, a força, a determinação e a sensibilidade.

A escolha de Socorro encerra a definição da chapa majoritária da aliança formada por PT, PCdoB, PV, PSB e Podemos. Thor afirmou que procurava uma candidata com experiência profissional, compromisso ético e atuação na defesa de direitos.

“Uma mulher forte, competente, experiente, que tem sólida atuação na advocacia e na luta pelos direitos fundamentais”, afirmou Thor ao justificar a escolha. O pré-candidato também relacionou a composição à união de experiências diferentes, com um médico e uma advogada na disputa pelo governo estadual.

Socorro atua nas áreas de Direito Tributário e Direito Eleitoral. Ela foi vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre e ocupa o cargo de conselheira federal da entidade. Também participa de ações de combate à violência contra as mulheres. A eleição de 2026 será sua primeira disputa por um cargo majoritário estadual.

A convenção desta quinta-feira também deverá oficializar a candidatura do ex-governador Jorge Viana ao Senado, além dos nomes da coligação para as disputas de deputado federal e deputado estadual. A Frente Ampla pelo Acre prevê apresentar cerca de 100 candidatos aos cargos proporcionais.

Alysson reforça continuidade da gestão em Rio Branco e declara apoio a Bocalom

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, apresentou nesta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, um balanço das ações executadas desde que assumiu o comando da capital e reafirmou o apoio à pré-candidatura de Tião Bocalom ao governo do Acre. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bestene colocou a continuidade administrativa, o cuidado com os recursos públicos e a lealdade política como bases da parceria construída entre os dois.

Alysson assumiu a Prefeitura de Rio Branco em 4 de abril de 2026, após a transmissão do cargo feita por Bocalom. Desde então, passou a conduzir uma estrutura administrativa que ajudou a construir como vice-prefeito e integrante direto da gestão municipal. A prefeitura mantém Bestene como atual prefeito da capital acreana.

A relação entre os dois atravessa mais de uma década. Alysson lembrou que a aproximação política começou em 2012, quando disputaram juntos a Prefeitura de Rio Branco, com Bocalom como candidato a prefeito e ele como candidato a vice. A parceria voltou a ser formada na eleição de 2024 e chegou ao comando da capital.

“Os nossos princípios sempre convergiram nesse sentido de fazer com que a coisa pública, de fato, chegasse às pessoas em primeiro lugar. Deus permitiu que, a partir de 2024, nós reeditássemos essa dupla e agora possibilitou que a gente assumisse a capital para dar sequência nesse trabalho inovador, moderno e com cara de capital”, afirmou Alysson.

Nos primeiros meses à frente da prefeitura, Bestene manteve obras que estavam em andamento e avançou em ações nas áreas de infraestrutura, transporte, produção rural e educação. Ele citou a preparação do Mercado Elias Mansour para entrega, as obras de unidades básicas de saúde, entre elas a da Vila Betel, e a recuperação de quadras e praças em diferentes bairros.

Segundo Alysson, dez espaços públicos foram revitalizados e entregues durante os primeiros cem dias de sua administração. Entre eles está a quadra com piso modular no bairro Doca Furtado, iniciada durante a gestão de Bocalom e concluída após a mudança no comando da prefeitura.

“Nesses cem dias, a gente vem dando sequência a obras importantes que ainda vamos entregar ao longo deste ano. São várias quadras e praças que estamos revitalizando e recuperando. Só ao longo desses cem dias foram dez que a gente já revitalizou e entregou”, disse.

A continuidade também alcançou o sistema de transporte coletivo. Alysson afirmou que a prefeitura iniciou um novo processo emergencial para ampliar e melhorar o atendimento aos passageiros, com a previsão de colocar 120 ônibus à disposição da população. A medida fazia parte das discussões mantidas com Bocalom ainda durante o período em que os dois administravam juntos a capital.

Bestene relacionou a capacidade de manter os investimentos ao equilíbrio financeiro construído pela gestão. Ele afirmou que recebeu a prefeitura com mais de R$ 150 milhões em caixa e que os recursos estão sendo aplicados em serviços e projetos voltados diretamente aos moradores.

“Isso é uma demonstração de um serviço sério e honesto, que só é possível diante da quantidade de recursos trabalhados com seriedade. Foram mais de R$ 150 milhões deixados em caixa, que a gente está aplicando bem para que esses benefícios voltem para a população”, declarou Alysson.

A estrutura municipal de obras recebeu atenção especial. O prefeito afirmou que a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco conta atualmente com mais de 85 máquinas e equipamentos, incluindo caminhões destinados aos serviços de pavimentação, manutenção das ruas e recuperação dos corredores de ônibus. Parte desse maquinário foi adquirida durante a administração de Bocalom e permanece em operação na atual gestão.

Na área rural, Alysson informou que as equipes municipais recuperaram aproximadamente 330 quilômetros de ramais e estradas vicinais durante o início do período de verão. A prefeitura também manteve a entrega de calcário, fertilizantes e outros insumos usados pelos produtores.

Outro programa citado pelo prefeito prevê a distribuição de 150 mil mudas de café para propriedades localizadas no entorno do cinturão verde de Rio Branco. Para Alysson, o trabalho desenvolvido na capital comprova que o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar pode ampliar a produção, gerar renda e fortalecer a economia.

“Estamos distribuindo 150 mil mudas de café no entorno do cinturão verde. É uma marca que tenho certeza de que será implementada ao longo do estado, porque já demonstrou que funciona na capital: o avanço da produção, apoiando o pequeno produtor e a agricultura familiar”, afirmou.

A educação também ocupa espaço central na gestão. Alysson lembrou que assumiu a Secretaria Municipal de Educação quando ainda era vice-prefeito e acompanhou investimentos em tablets, computadores, material escolar, fardamento e calçados para os estudantes. Ele também citou o projeto que levou alunos da rede municipal a uma experiência educacional nos Estados Unidos, com visitas à NASA e à Disney, iniciativa criada durante a administração de Bocalom e mantida pela atual prefeitura.

“A educação transforma. Quando ela é bem conduzida, prepara as crianças para o futuro. A gente evita a violência e cria condições para que essas crianças possam se tornar grandes profissionais, médicos, advogados, cientistas e, quem sabe, futuros prefeitos e governadores”, declarou Alysson.

Alysson apresentou os resultados da capital como consequência de uma gestão compartilhada, iniciada ao lado de Bocalom e mantida depois da transmissão do cargo. Para ele, a relação entre os dois permanece sustentada por princípios comuns, pela confiança e pelo compromisso de levar os serviços públicos até as famílias.

Bocalom afirmou que acompanhava o desempenho de Alysson com tranquilidade porque conhecia a capacidade administrativa do antigo vice. “Ele surpreendeu todo mundo, mas a mim não surpreendeu, porque eu sabia que ele ia fazer isso”, disse o ex-prefeito, ao comentar os primeiros meses da nova administração.

O reconhecimento foi acompanhado pela defesa de que o trabalho realizado em Rio Branco pode servir como referência para os demais municípios. Bocalom afirmou que deixou a prefeitura com segurança porque o projeto administrativo continuaria sob o comando de alguém em quem confia.

“Nós deixamos a nossa marca. Estou muito feliz de ter deixado a prefeitura para disputar o governo porque sei que podemos fazer no estado aquilo que fizemos em Acrelândia e em Rio Branco, em parceria com todos os prefeitos, para mudar a vida da população. Estou feliz de estar acompanhado do Alysson”, declarou Bocalom.

No campo político, Alysson reafirmou que apoiará Bocalom na disputa pelo governo estadual. O prefeito explicou que comunicou sua decisão ao Progressistas e se afastou temporariamente das atividades partidárias para evitar constrangimentos internos, mas permanece filiado à legenda.

Bestene afirmou que tomou a decisão com transparência e que pretende manter a palavra dada ao antigo parceiro de administração. “Desde que o meu amigo Tião Bocalom decidiu partir para esse desafio de governar o estado do Acre, pela experiência, pela história e pela gestão de resultados, eu me comprometi a apoiá-lo. Esse compromisso eu vou honrar sempre, até o final”, declarou.

Para Alysson, a experiência acumulada por Bocalom nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco oferece uma base administrativa para a construção de um projeto estadual. O prefeito defendeu uma gestão voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de oportunidades e ao atendimento das crianças, dos idosos e das famílias.

“Acredito nesse trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Rio Branco tem mudado e avançado com uma gestão séria e competente. Espero que o estado do Acre seja conduzido com esses mesmos princípios, que também são os meus: servir as pessoas em primeiro lugar, com seriedade e honestidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Bocalom tratou o apoio de Alysson como uma das principais forças políticas de sua caminhada. “Eu tenho o apoio do prefeito que administra a capital, que representa metade da população do estado. Tenho certeza de que nós vamos honrar cada voto e lutar para melhorar a vida das pessoas”, disse.

A presença dos dois em Cruzeiro do Sul levou ao Juruá a imagem de uma parceria que atravessou eleições, chegou à Prefeitura de Rio Branco e permaneceu unida depois da mudança de comando. Alysson voltou para a capital com a responsabilidade de manter obras, programas e serviços, enquanto Bocalom passou a apresentar ao estado uma experiência administrativa que continua em execução pelas mãos do antigo vice e atual prefeito.

Bocalom apresenta projeto para fortalecer produção e gerar emprego no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom apresentou, na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, as bases do projeto político que pretende levar à disputa estadual ao lado do pré-candidato a vice-governador Sargento Adonis. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bocalom colocou a geração de emprego, o fortalecimento da agricultura e a aproximação entre o Vale do Juruá e as demais regiões do estado no centro de sua proposta.

A passagem por Cruzeiro do Sul ocorreu após a apresentação pública de Sargento Adonis como integrante da chapa. Bocalom afirmou que a escolha nasceu de uma sequência de conversas e da identificação de valores comuns entre os dois. Para ele, o militar reúne ligação com a população, disposição para percorrer o estado e conhecimento da realidade vivida pelas famílias do Juruá.

“Deus colocou no coração dele e colocou no meu coração que a gente tinha que andar juntos”, disse Bocalom. O pré-candidato contou que recebeu manifestações favoráveis ao nome de Adonis vindas de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e de outras cidades acreanas.

Bocalom também lembrou a participação de Adonis na eleição municipal de 2020, quando o militar disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e conquistou uma votação expressiva por meio do contato direto com os moradores. A trajetória, segundo ele, demonstrou capacidade de mobilização e abriu caminho para a formação de uma chapa com presença política no Juruá.

“Eu tenho certeza absoluta de que o Adonis vai representar muito bem o nosso Vale do Juruá. Não é só Cruzeiro do Sul. A família dele tem raízes em Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Isso é muito importante”, afirmou Bocalom. Ele definiu o pré-candidato a vice como um homem simples, cristão, leal e comprometido com uma forma de fazer política voltada ao atendimento da população.

A produção rural ocupou a maior parte da entrevista. Bocalom defendeu uma política estadual que ofereça ramais em condições de tráfego, assistência técnica, mecanização, tratores, combustível, peças e acompanhamento permanente aos produtores. O objetivo, afirmou, é criar condições para que as famílias aumentem a produtividade, ampliem a renda e movimentem o comércio dentro dos próprios municípios.

O pré-candidato usou sua experiência com o cultivo de café para explicar o potencial da agricultura acreana. Ele relatou que mantém uma área de quatro hectares e que a produção passou de 140 sacas por hectare, no ano anterior, para 204 sacas por hectare na colheita mais recente. Para Bocalom, resultados como esse podem alcançar milhares de famílias quando o poder público garante estrutura, conhecimento técnico e apoio contínuo.

“Eu quero que o produtor ganhe dinheiro. Não tem outra saída para a agricultura familiar. É o café, é o cacau, é o leite, é o arroz, é o milho e é o feijão, produtos que são consumidos aqui”, declarou. Bocalom calcula que o aumento da produção local pode manter mais de R$ 2 bilhões por ano circulando no Acre, reduzir a compra de alimentos de outros estados e criar novas oportunidades de trabalho.

Na visão apresentada durante a entrevista, a riqueza produzida no campo chega às cidades por meio da compra de máquinas, veículos, materiais de construção, alimentos, serviços e outros produtos. Bocalom resumiu essa relação ao afirmar que “campo rico é cidade rica”, defendendo uma economia na qual o desenvolvimento rural fortaleça também os comerciantes e trabalhadores das áreas urbanas.

A agroindustrialização aparece como uma etapa desse processo. Bocalom explicou que fábricas de café, arroz, leite, óleo, carne suína e carne de frango precisam de matéria-prima em quantidade suficiente para operar durante todo o ano. Por isso, o primeiro passo de seu projeto será ampliar a produção e organizar as cadeias produtivas.

“Só existe indústria se tiver matéria-prima. Vamos fazer matéria-prima primeiro, que as indústrias vêm”, afirmou. A proposta prevê que o crescimento da agricultura abra espaço para novos empreendimentos, agregue valor aos produtos acreanos e mantenha uma parcela maior da riqueza dentro do estado.

Bocalom também apresentou o trabalho como instrumento de transformação social. Ele afirmou que deseja criar oportunidades para que as famílias possam aumentar a renda, comprar a casa própria, adquirir veículos, investir na propriedade e garantir melhores condições de estudo aos filhos.

“Eu quero dar oportunidade para o povo ganhar dinheiro, comprar seu caminhão, comprar seu carro, comprar sua casa e colocar o filho para estudar. É isso que eu quero”, declarou. O pré-candidato associou essa visão aos projetos de café desenvolvidos no Juruá e elogiou os produtores que vêm ampliando a atividade em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e municípios próximos.

Sargento Adonis afirmou que assumiu o projeto com responsabilidade e disposição para percorrer todas as regiões acreanas. “O que eu tenho para ofertar ao povo do Acre é a minha sinceridade e a minha lealdade. Nós vamos caminhar de Assis Brasil a Mâncio Lima, carregando nas costas o projeto do Tião Bocalom”, disse.

A entrevista marcou o início de uma agenda conjunta no Juruá e apresentou uma chapa baseada na experiência administrativa de Bocalom e na presença regional de Adonis. Com a produção rural como principal caminho para gerar emprego e renda, os dois defenderam um projeto de integração do Acre, apoio ao trabalhador e criação de oportunidades para as famílias nos municípios.

No Jornal da Manhã: ataques à esposa de Alan Rick abrem limite perigoso na disputa política

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou nesta quinta-feira, 18, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que os ataques dirigidos a Michele Miranda, esposa do senador Alan Rick, abriram um limite perigoso na disputa política no Acre. A declaração surgiu durante o debate sobre a decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador em Rio Branco e colocou no centro da discussão a forma como aliados do governo passaram a reagir à defesa pública feita por Michele nas redes sociais.

Wenceslau disse que a ofensiva contra Alan Rick deixou de atingir apenas o senador e passou a alcançar sua família. Para ele, Michele entrou no debate depois de defender o marido diante da judicialização dos outdoors, mas acabou virando alvo de blogs e sites que, na avaliação do comentarista, atuam em sintonia com a defesa política do governo.

“Eles partiram para o ataque contra o senador, mas principalmente contra a mulher do senador, a esposa dele, a Michele Miranda”, afirmou Wenceslau durante o programa. O jornalista lembrou que Michele não costuma ocupar a linha de frente da política, mas reagiu após a decisão contra a propaganda do mandato de Alan Rick. A partir daí, a disputa deixou o terreno da crítica institucional e avançou sobre a vida pessoal de quem está ao redor do pré-candidato.

O ponto mais duro da análise de Wenceslau foi o alerta sobre o risco de transformar familiares em alvos permanentes da pré-campanha. “Se for para atacar cônjuges, o governo tem muito mais a perder”, disse. A frase expôs a avaliação de que esse tipo de confronto pode sair do controle e produzir desgaste também para quem tenta explorar politicamente o episódio.

A discussão nasceu da ação movida pelo Progressistas, partido da governadora Mailza Assis, contra outdoors de Alan Rick em Rio Branco. As peças divulgavam ações do mandato do senador. Depois da decisão judicial pela retirada da propaganda, aliados de Alan Rick passaram a defender que o caso reforça a narrativa de perseguição política, enquanto adversários sustentam que a exposição extrapolava os limites da divulgação parlamentar.

Wenceslau afirmou que o episódio fortaleceu Alan Rick ao colocá-lo na posição de alvo de uma ação política e judicial. Ele também questionou a diferença de tratamento entre o senador e outros agentes públicos que usam outdoors, painéis e campanhas institucionais para divulgar ações, emendas e obras no Acre. Para o comentarista, a mesma régua precisa valer para todos, inclusive para campanhas do governo com a imagem da governadora.

Chico Melo, âncora do programa, reforçou que o debate não se limita aos outdoors de Alan Rick. Ele afirmou que a pré-campanha de 2026 também deve discutir uso da máquina pública, propaganda institucional e exposição de gestores e parlamentares antes do período eleitoral. “Essa discussão entra nesse outro campo. A estrutura do Estado nessa pré-campanha também vai ser questionada”, disse.

A bancada também tratou da retirada de propaganda de Alan Rick em telas da rede Arasuper, em Rio Branco. Wenceslau avaliou que a medida levou para dentro da disputa um grupo empresarial que não buscava participar do embate político. Para ele, a articulação governista errou ao ampliar o alcance do conflito e transformar uma discussão sobre outdoors em uma crise política com novos personagens.

No fim do debate, Chico Melo afirmou que a Rádio Integração mantém espaço aberto para o Progressistas e para o governo apresentarem suas versões. A bancada defendeu o cumprimento das decisões judiciais, mas também afirmou que Alan Rick tem direito de recorrer e de questionar se a mesma regra será aplicada a outros políticos que usam propaganda de mandato no Acre.

Zequinha manda recado e expõe ruídos na pré-campanha de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, entrou no centro da pré-campanha ao governo do Acre nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma mensagem enviada por seu assessor de imprensa, Paulo de Sá, à coluna do Crica. O recado afastou rumores de traição à governadora Mailza Assis, mas também cobrou uma correção de rumo dentro do próprio grupo governista.

“Prefeito Zequinha tem partido, tem lado e já tratou diretamente com a governadora Mailza Assis. Não iremos ficar martelando isso todos os dias”, escreveu Paulo de Sá. A frase surgiu em meio a especulações sobre uma possível aproximação de Zequinha com o senador Alan Rick, adversário direto de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A mensagem, porém, foi além da defesa pessoal. O assessor criticou pessoas próximas à governadora que, segundo ele, “vivem de fofocas” e deveriam “rever a metodologia adotada na pré-campanha, porque os números das pesquisas mostram que algo precisa ser corrigido”. Com isso, Zequinha deixou claro que permanece no barco de Mailza, mas não aceita ser tratado como suspeito enquanto a campanha enfrenta dificuldades para crescer.

Cruzeiro do Sul tem peso decisivo nesse tabuleiro. Maior cidade do interior e centro político do Juruá, o município não pode ser tratado como detalhe por nenhuma candidatura competitiva ao governo. Quando o prefeito da cidade precisa reafirmar lealdade em público, o problema já não é apenas boato. É sinal de que a base governista ainda busca unidade, comando e comunicação mais eficiente.

A cobrança nasce em um momento delicado. Pesquisa Veritá divulgada em maio colocou Alan Rick à frente, com Mailza em segundo lugar e Tião Bocalom em terceiro. Mesmo com a estrutura do governo e o apoio do grupo de Gladson Cameli, a governadora ainda tenta transformar presença institucional em força eleitoral nas ruas.

O recado de Paulo de Sá também conversa com uma crítica recorrente nos bastidores: Mailza precisa ser mais presente junto ao eleitor comum, menos presa à agenda oficial e mais próxima dos bairros, ramais, mercados e lideranças locais. No Acre, campanha não se vence apenas com fotografia de gabinete. O eleitor quer ver presença, escuta e resposta.

O episódio também se conecta à movimentação de Jéssica Sales, que descartou ser vice e passou a tratar o Senado como prioridade caso Gladson Cameli não consiga disputar. Essa posição mexe diretamente na composição da chapa governista e aumenta o peso político de lideranças como Zequinha na sustentação regional de Mailza.

No fim, a mensagem do assessor não foi apenas uma nota de fidelidade. Foi uma advertência. Zequinha reafirmou lado, mas cobrou respeito e estratégia. Para Mailza, o aviso é claro: antes de procurar traidores dentro da base, a pré-campanha precisa corrigir método, organizar aliados e encontrar o eleitor fora dos corredores do poder.

Foto: Felipe Freire/Secom