Francisco Piyãko alertou por anos sobre ameaças; “Proteger a floresta para nós é proteger a nossa própria vida”

A frase de Francisco Piyãko, registrada no documentário Povos do Juruá, ganha um novo significado diante da crise de segurança vivida nesta semana na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. O líder Ashaninka, que há décadas denuncia a pressão crescente sobre a fronteira entre Brasil e Peru, viu o território que sempre procurou proteger se tornar alvo da invasão de um grupo armado que procurava lideranças indígenas.

A resposta do Estado veio com a deflagração da Operação Ashaninka, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre, com equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e articulação com órgãos federais. Mas, para quem acompanha a trajetória de Francisco Piyãko, os acontecimentos desta semana não representam uma surpresa. Eles confirmam alertas feitos há anos e registrados em dois documentários lançados pelo portal Épop.

As produções Povos do Juruá (2024) e Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta (2025) ajudam a compreender por que o rio Amônia se tornou uma das regiões mais sensíveis da Amazônia brasileira. Mais do que contar a história dos povos indígenas do Vale do Juruá, os filmes mostram como a combinação entre ausência do Estado, pressão por grandes obras, exploração ilegal de recursos naturais e avanço do crime organizado vem transformando a fronteira em uma área de permanente tensão.

Um alerta construído ao longo de décadas

Em Povos do Juruá, Francisco Piyãko conduz o espectador por uma narrativa sobre a formação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), a luta pela demarcação das terras indígenas e a defesa da floresta.

Ao recordar esse processo, ele afirma:

“Graças à nossa coragem, creio que a gente tem um lugar ainda. Nem que seja do tamanho da nossa força, mas é um lugar seguro para a gente morar com as nossas crianças.”

A declaração sintetiza uma ideia presente durante todo o documentário: o território não foi apenas demarcado pelo Estado, mas protegido pela mobilização permanente dos próprios povos indígenas.

Em outro momento, Francisco chama a atenção para um aspecto pouco conhecido da região. A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia está localizada em uma extensa faixa de fronteira, onde a presença permanente do poder público sempre foi limitada. Segundo ele, essa realidade faz com que as comunidades acabem exercendo um papel importante na proteção da floresta e até da própria fronteira brasileira.

Essa condição, no entanto, também expõe as aldeias aos impactos provocados por atividades ilegais que se expandem no lado peruano, como exploração clandestina de madeira, abertura de estradas, narcotráfico e circulação de grupos armados.

Estradas que preocupam as comunidades

Outro eixo central das falas de Francisco Piyãko diz respeito aos projetos de infraestrutura planejados para a região.

Nos documentários, ele questiona a narrativa de que as ligações rodoviárias entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, seriam necessariamente sinônimo de desenvolvimento para quem vive na floresta.

“Essa estrada não foi feita para atender nós, o povo da floresta.”

A preocupação apresentada por ele não se limita à construção de uma rodovia. O alerta é para os efeitos que essas ligações costumam provocar em áreas de floresta preservada: aumento da exploração ilegal de madeira, ocupações irregulares, conflitos fundiários e maior facilidade para a atuação de organizações criminosas.

Nos filmes, Francisco defende que qualquer empreendimento dessa natureza seja precedido por estudos ambientais, consulta aos povos indígenas e avaliação dos impactos sobre os territórios tradicionais.

O segundo documentário amplia o debate

Se Povos do Juruá apresenta a história e a identidade dos povos indígenas do Vale do Juruá, Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta aprofunda a discussão sobre os conflitos atuais da região.

Lançado pelo portal Épop em 2025, o documentário reúne documentos, estudos técnicos, decisões judiciais e depoimentos de lideranças indígenas sobre as ameaças que cercam a fronteira Acre–Ucayali.

No filme, Francisco Piyãko reforça que a defesa feita pelas organizações indígenas não busca impedir o desenvolvimento econômico.

“O direito dos povos indígenas está reconhecido na Constituição Brasileira.”

Para ele, o debate precisa ser conduzido dentro das regras estabelecidas pela Constituição e pelos tratados internacionais, garantindo consulta prévia às comunidades e proteção dos territórios indígenas.

Essa posição também aparece em outro momento do documentário, quando afirma que a luta da Opirj busca apenas que a legislação existente seja efetivamente cumprida.

A realidade alcançou os documentários

Poucos meses depois do lançamento do segundo filme, os alertas registrados nas produções ganharam contornos concretos.

Segundo a denúncia apresentada por Francisco Piyãko às autoridades, homens armados entraram na Aldeia Apiwtxa nos dias 5 e 6 de julho procurando lideranças indígenas e ameaçando moradores.

Durante a chegada das equipes do Gefron, Francisco afirmou que a comunidade vivia um momento de tensão, mas destacou que as lideranças permaneceriam no território.

Também fez um apelo para que a presença das forças de segurança não seja apenas temporária, reforçando que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação permanente do Estado.

As declarações dialogam diretamente com os documentários, nos quais ele explica que os povos indígenas conhecem profundamente a floresta e colaboram com sua proteção, mas não podem ser deixados sozinhos diante da expansão de atividades criminosas na fronteira.

Um convite para conhecer a região

A crise vivida hoje no rio Amônia torna os dois documentários ainda mais relevantes.

Quem assistir às produções encontrará muito mais do que um registro sobre cultura indígena. Os filmes apresentam a história da organização dos povos do Juruá, explicam a importância estratégica da fronteira entre Brasil e Peru, mostram como nasceram as articulações entre comunidades dos dois países e ajudam a compreender por que Francisco Piyãko insiste, há tantos anos, que a proteção da floresta depende também da proteção dos povos que vivem nela.

Os acontecimentos desta semana mostram que os alertas feitos pelas lideranças Ashaninka não tratavam de um cenário hipotético. Eles descreviam uma realidade que se aproximava lentamente e que agora chegou ao coração da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.

Governo federal vai revisar tarifas de pedágio da BR-364 em Rondônia

O governo federal decidiu reavaliar os cálculos usados para definir as tarifas de pedágio no trecho concedido da BR-364, entre Vilhena e Porto Velho, em Rondônia. A medida foi anunciada neste fim de semana após uma reunião, em Brasília, entre a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, representantes do setor produtivo, empresários do transporte, vereadores de Vilhena e lideranças ligadas ao transporte de cargas.

A comitiva relatou problemas no funcionamento do sistema eletrônico de cobrança, como débitos em duplicidade, além dos atrasos provocados por trechos operados no sistema “pare e siga”. Transportadores afirmam que as falhas aumentam os custos das viagens e prejudicam o cumprimento dos prazos de entrega.

Empresários presentes no encontro informaram que as cobranças duplicadas podem superar R$ 100 mil por mês em algumas empresas. Os valores seriam devolvidos posteriormente, mas o período entre o débito e o ressarcimento compromete o fluxo de caixa das transportadoras.

Durante a reunião, Miriam Belchior entrou em contato com a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT deverá fazer uma nova análise dos parâmetros usados na composição das tarifas e concluir o trabalho em até 60 dias.

A revisão poderá reduzir os valores cobrados dos motoristas, caso sejam encontradas distorções nos cálculos. O procedimento também deverá avaliar as reclamações relacionadas ao reconhecimento de placas e ao processamento das cobranças pelo sistema de livre passagem, conhecido como free flow.

O encontro foi articulado pelo ex-senador Acir Gurgacz. “Nosso papel é levar os problemas de Rondônia diretamente a quem pode resolvê-los. Foi isso que fizemos, ao lado dos empresários, dos caminhoneiros e das lideranças de Vilhena”, afirmou.

A concessão administrada pela Nova 364 abrange 686,7 quilômetros da rodovia, entre Vilhena e Porto Velho. O contrato foi assinado em julho de 2025, tem duração de 30 anos e começou a operar em agosto daquele ano. A cobrança do pedágio eletrônico teve início em 12 de janeiro de 2026.

Avião de Gladson permanece no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul dez dias após notícia de apreensão

A aeronave PT-WGK, registrada em nome do ex-governador Gladson Cameli, permanece no pátio do Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul no sábado, 11, dez dias depois de ser divulgada a informação de que o avião havia sido alvo de uma nova ordem de busca e apreensão.

O caso veio a público no dia 1º de julho por meio do jornalista Leonildo Rosas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou ter recebido a informação de que a Polícia Federal havia cumprido um mandado contra a aeronave enquanto ela estava em Cruzeiro do Sul.

Segundo Leonildo, a ordem teria sido expedida pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça. O jornalista também afirmou que o avião estava sob a responsabilidade de Gladson Cameli como fiel depositário e teria sido utilizado em uma viagem ao município durante a Expoacre Juruá.

A informação apresentada por Leonildo foi repercutida pelo Integração Net no mesmo dia, em matéria que destacou a relação da aeronave com as medidas judiciais adotadas no âmbito da Operação Ptolomeu. Até o momento, não foi divulgada publicamente uma manifestação detalhada da Polícia Federal sobre o cumprimento da ordem em Cruzeiro do Sul.

Dez dias depois da publicação da notícia, o PT-WGK continua estacionado no aeroporto. Não há informação pública sobre eventual transferência da aeronave para outro local, liberação judicial ou mudança na condição em que o avião se encontra.

O PT-WGK é um Beechcraft Baron 58 e consta no Registro Aeronáutico Brasileiro em nome de Gladson Cameli. A aeronave foi incluída entre os bens alcançados por medidas de sequestro e indisponibilidade determinadas durante as investigações da Operação Ptolomeu.

Em documentos apresentados ao Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral da República já havia defendido a venda antecipada de bens apreendidos ou sequestrados no processo, sob o argumento de evitar a desvalorização. O avião foi avaliado por peritos da Polícia Federal em aproximadamente R$ 3,47 milhões.

A permanência da aeronave no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul mantém aberta a expectativa por esclarecimentos oficiais sobre a natureza da medida cumprida, a responsabilidade atual pela guarda do bem e qual será a destinação do avião.

Ele decide por ela: Vagner Sales e o desejo do poder por procuração

Na política, às vezes, o silêncio diz tanto quanto os discursos. Nos últimos dias, o nome de Jéssica Sales voltou ao centro das discussões após a indicação do MDB para compor, como vice, a chapa encabeçada por Mailza Assis. Mas uma pergunta permanece sem resposta:

Por onde anda Jéssica?

Desde a derrota na eleição municipal de 2024, em Cruzeiro do Sul, Jéssica praticamente desapareceu do debate político acreano. Morando em Brasília, não protagonizou a articulação que culminou em sua indicação como vice de Mailza Assis. Pelo contrário, de forma discreta, chegou a externar insatisfação com a condução do processo.

Com sua ausência, quem ocupou esse espaço foi Vagner Sales, seu pai, principal articulador e mentor político.

Foi Vagner quem concedeu entrevistas, participou das negociações e esteve presente até mesmo no anúncio da composição da chapa, em um encontro marcado justamente pela ausência da própria pré-candidata a vice.

Um simbolismo difícil de ignorar.

Mais do que apresentar Jéssica, Vagner parece falar por ela. Em suas declarações, alterna críticas aos adversários, revive disputas antigas e se coloca, de forma controversa, como intérprete exclusivo da vontade política do Juruá. Nesse roteiro, Jéssica acaba ocupando um papel secundário em uma história que deveria ser protagonizada por ela. O pano de fundo parece ser outro: não estão em primeiro plano os interesses de Jéssica, do MDB ou do Juruá, mas os do próprio Vagner.

O desafio da candidata não será apenas conquistar a confiança de setores do PP, onde sua chegada desperta resistências. Será, sobretudo, demonstrar que possui voz própria, autonomia política e capacidade de conduzir o próprio destino, sem permanecer à sombra do capital político e do desgaste acumulado por seu pai.

Em eleições, procurações têm valor jurídico. Na política, porém, o eleitor costuma preferir ouvir a voz do candidato, e não a de quem fala em seu nome. Se já foi difícil para Jéssica enfrentar uma disputa na cidade onde nasceu e construiu sua trajetória política, o desafio de percorrer todo o Acre se apresenta ainda maior. E ele começa por uma tarefa essencial: fazer com que sua própria voz seja ouvida.

Prefeitura mobiliza 300 trabalhadores para preparar Parque de Exposições para a Expoacre 2026

A Prefeitura de Rio Branco mobilizou cerca de 300 trabalhadores neste sábado (11) em uma força-tarefa de limpeza e manutenção no Parque de Exposições Wildy Viana, no Segundo Distrito, para preparar o espaço que vai receber a Expoacre 2026. A operação também alcança avenidas e bairros do entorno, com equipes distribuídas para manter os serviços de zeladoria em outras regiões da capital.

A ação faz parte do programa Prefeitura nas Ruas e reúne frentes de serviço voltadas à limpeza urbana, lavagem, pintura de meio-fio, revitalização de calçadas e remoção de entulho. Do total de trabalhadores, cerca de 100 atuam dentro do Parque de Exposições, com apoio de aproximadamente 30 máquinas e equipamentos.

Outros 200 colaboradores foram deslocados para pontos do Segundo Distrito, incluindo a região da Seis de Agosto, Santa Helena, Santa Cecília e áreas próximas. A previsão é retirar entre 400 e 500 toneladas de materiais do Parque de Exposições durante a operação.

A antecipação dos serviços busca garantir condições para que expositores e trabalhadores iniciem a montagem das estruturas da feira com o espaço limpo e organizado. O trabalho ocorre em parceria entre a Prefeitura de Rio Branco e o Governo do Acre, para evitar que a maior parte da limpeza fique concentrada nos dias mais próximos ao início do evento.

“Hoje são mais de 300 homens trabalhando no Parque de Exposições e também nas principais avenidas do entorno, realizando limpeza, lavagem, pintura de meio-fio, revitalização de calçadas e remoção de entulho”, afirmou o prefeito Alysson Bestene. Ele disse ainda que as equipes seguem em outras comunidades e regionais com serviços de limpeza, retirada de entulho e manutenção.

Mesmo com a concentração de trabalhadores nos preparativos para a Expoacre, a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade mantém equipes em outras áreas de Rio Branco. A medida busca atender a demanda da feira sem suspender as ações de manutenção urbana nos bairros.

Zequinha Lima rebate Vagner Sales após acusação de traição política

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, rebateu neste sábado, 11, as críticas do presidente estadual do MDB, Vagner Sales, e afirmou que não entrará em disputas pessoais. A reação ocorreu após o dirigente emedebista acusá-lo de traição política durante um encontro realizado em Rio Branco para confirmar o apoio do partido à pré-candidatura da governadora Mailza Assis.

No evento, Vagner cobrou uma posição mais dura do Progressistas contra Zequinha, que decidiu apoiar o senador Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre. O presidente do MDB também voltou a questionar o resultado da eleição municipal de 2024, quando o prefeito derrotou Jéssica Sales, filha do dirigente, por 197 votos.

Zequinha afirmou que aceita críticas relacionadas à atuação política, mas classificou as declarações como ataques pessoais.

“Críticas fazem parte, já ataques pessoais dizem mais sobre quem faz do que sobre quem recebe. Enquanto alguns gastam tempo me atacando, eu sigo trabalhando e entregando resultados”, declarou.

O prefeito disse que pretende concentrar sua atuação na administração de Cruzeiro do Sul e na apresentação de propostas, sem responder a novos confrontos pessoais.

“Prefiro investir minha energia no que realmente faz diferença, não em discussões. Vai brigar sozinho, eu faço política com propostas e não com ataque e baixaria”, completou.

A troca de declarações ocorre durante a reorganização das alianças para a eleição estadual de 2026. O MDB confirmou apoio à pré-candidatura de Mailza e apresentou a ex-deputada federal Jéssica Sales como nome do partido para a vaga de vice-governadora.

A aproximação entre Alan Rick e Zequinha aumentou a distância entre o senador e o grupo político da família Sales. O prefeito de Cruzeiro do Sul anunciou apoio ao pré-candidato do Republicanos no fim de junho e, dias depois, pediu afastamento temporário das funções que ocupava no Progressistas.

Apesar da decisão, Zequinha permanece filiado ao partido de Mailza. O pedido encaminhado à direção estadual suspende suas atividades partidárias até o fim de 2026.

A nova composição também leva para a disputa estadual a rivalidade da eleição municipal de Cruzeiro do Sul. Em 2024, Zequinha foi reeleito com 24.478 votos, contra 24.281 recebidos por Jéssica Sales.

Com as alianças anunciadas, Mailza terá no Juruá o apoio da família Sales, enquanto Alan Rick contará com a estrutura política do prefeito de Cruzeiro do Sul. A divisão coloca a região entre os principais centros da disputa pelo Governo do Acre em 2026.ões.

O que o governo Gladson e Mailza deixa para a indústria do Acre

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, a Secretaria de Indústria, Ciência, Tecnologia e Turismo do Acre pagou R$ 170,4 milhões. Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em históricos ligados à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, Carnaval, festas, festivais, shows, atrações nacionais, eventos e comemorações do Dia do Trabalhador. A execução financeira revela uma contradição que atravessa o governo Gladson Cameli e Mailza Assis: enquanto o discurso oficial fala em industrialização, inovação e geração de empregos, o orçamento concentrou seus maiores volumes na promoção comercial e na realização de eventos.

A discussão ganhou força após a conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, questionar os elevados gastos públicos com festas e shows. Durante sessão do TCE, ela afirmou que artistas “vêm aqui, cantam e vão embora”, enquanto permanecem desafios como emprego, renda e infraestrutura. A provocação serve como ponto de partida para uma pergunta maior: o que fica para o Acre depois que o palco é desmontado?

A resposta passa pela própria execução orçamentária da pasta.

A maior subfunção da despesa foi Promoção Comercial, que consumiu R$ 85,2 milhões. A Promoção Industrial recebeu R$ 16,5 milhões. Na prática, para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram direcionados à promoção comercial.

A diferença ajuda a explicar a prioridade construída ao longo do governo. Em vez de concentrar recursos na expansão da capacidade industrial, qualificação profissional, infraestrutura produtiva, inovação aplicada e fortalecimento das cadeias econômicas, a secretaria operou principalmente como organizadora de feiras, vitrines comerciais e grandes eventos.

A Expoacre tornou-se o principal símbolo dessa política. Os pagamentos que mencionam diretamente a feira somam R$ 50,9 milhões, sendo R$ 35,5 milhões relacionados à Expoacre Juruá. Entre os maiores beneficiários aparecem a Casa da Amizade e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, em contratos destinados à promoção de eventos, estruturação de ambientes de negócios e contratação de atrações nacionais.

Em 2025, a Expoacre Juruá reuniu artistas como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Raça Negra, Isaías Saad, Marcynho Sensação e Eric Land. Na edição de Rio Branco, Jorge & Mateus liderou a programação. O Carnaval da Família também recebeu recursos da estrutura responsável pela política de desenvolvimento econômico.

Os próprios editais mostram essa opção. O Chamamento Público nº 002 da SEICT teve como objeto a promoção de eventos com atrações nacionais durante a Expoacre Juruá e a Expoacre de Rio Branco. Em 2026, a Festa do Trabalhador foi apresentada como evento voltado ao comércio, tecnologia e cultura.

Nada disso significa que feiras e eventos não movimentem a economia. Movimentam hotéis, restaurantes, transporte, ambulantes, fornecedores e pequenos comerciantes. Também aproximam produtores, compradores e investidores. A diferença está entre estimular negócios por alguns dias e construir uma política industrial permanente.

O palco gera renda temporária. A indústria produz riqueza continuamente. Ela exige infraestrutura, energia, logística, qualificação profissional, crédito, pesquisa, tecnologia, mercado consumidor e segurança para investir.

É justamente esse discurso que o governo apresenta.

Em junho de 2025, anunciou um plano de fortalecimento industrial e reforçou a atuação da Comissão da Política de Incentivo às Atividades Industriais do Acre (Copiai), responsável pela concessão de incentivos tributários e áreas em distritos industriais. Também lançou o Comprac, programa destinado a ampliar as compras públicas de produtos fabricados no estado.

Meses antes, o governo informou ter atraído R$ 16,5 milhões em investimentos para novas indústrias instaladas em Rio Branco, Brasileia e Epitaciolândia. Também inaugurou o Hub de Inovação do Acre e ampliou a campanha Feito no Acre, desenvolvida em parceria com a Federação das Indústrias, Sebrae e Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento.

O problema não está na existência dessas iniciativas. Elas existem. A questão é que ocupam espaço muito menor na execução financeira do que as despesas destinadas à promoção comercial.

Apesar disso, o Acre demonstra possuir uma base industrial capaz de crescer.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o estado possui PIB industrial de R$ 1,9 bilhão e emprega 18.564 trabalhadores. Ainda representa apenas 0,1% da indústria nacional, mas reúne cadeias produtivas consolidadas na proteína animal, café, castanha, frutas, madeira manejada e bioeconomia.

A Dom Porquito é um dos exemplos mais conhecidos. Instalada em Brasileia, a agroindústria reúne 387 colaboradores, processa cerca de 20 toneladas de carne suína por dia, abate entre 350 e 380 animais diariamente e comercializa aproximadamente 60 produtos dentro e fora do Acre.

Em 2025, foi anunciado um pacote superior a R$ 200 milhões destinado à cadeia da proteína animal. O valor reúne diferentes fontes de investimento. Cerca de R$ 82 milhões correspondem a financiamentos do Banco da Amazônia destinados à construção de 250 galpões de suínos e 40 de aves. Outros investimentos privados foram anunciados para modernização da indústria frigorífica bovina.

Nesse processo, a ApexBrasil, presidida por Jorge Viana, participou da articulação institucional voltada à abertura de mercados, exportação e aproximação entre empresas e instituições financeiras. Não há elementos para atribuir integralmente à Apex ou a Jorge Viana os mais de R$ 200 milhões anunciados, mas houve participação relevante na construção desse ambiente de investimentos.

A Acreaves representa outro exemplo de industrialização permanente. O complexo instalado no Alto Acre foi estruturado para gerar cerca de 300 empregos diretos e aproximadamente 1,5 mil indiretos, fortalecendo a cadeia integrada da avicultura e reduzindo a dependência de produtos vindos de outros estados.

Outro caso emblemático é o da Cooperacre.

A cooperativa já atua no beneficiamento de castanha-do-Brasil, borracha, palmito, café e frutas, envolvendo milhares de famílias extrativistas e agricultores familiares. Agora decidiu ampliar essa estrutura utilizando recursos próprios.

Em Rio Branco, a Cooperacre investe R$ 60 milhões na implantação de uma nova agroindústria de frutas tropicais. A unidade terá capacidade para processar até 10 milhões de quilos de polpas por ano, dez vezes mais que a estrutura anterior, utilizando frutas como açaí, cupuaçu, cajá, maracujá, acerola, manga, goiaba, caju, abacaxi e graviola.

A nova planta utilizará envase asséptico, permitindo armazenamento sem refrigeração por até dois anos, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso aos mercados nacional e internacional. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 5 mil famílias produtoras.

Esse investimento evidencia uma diferença importante. Enquanto a feira apresenta produtos, a indústria compra matéria-prima, processa alimentos, gera empregos, movimenta fornecedores, amplia exportações e mantém renda circulando durante todo o ano.

O café acreano oferece outro exemplo de política industrial baseada em estrutura permanente.

Em Mâncio Lima, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) financiou R$ 8 milhões para a construção do Complexo Industrial do Café do Juruá. A Coopercafé investiu outros R$ 2 milhões. O empreendimento reúne secagem, classificação, armazenamento e beneficiamento do café produzido principalmente pela agricultura familiar.

A articulação foi conduzida dentro da ABDI pela diretora Perpétua Almeida. O complexo atende mais de 180 cooperados e integra uma cadeia produtiva formada por milhares de pessoas ligadas ao cultivo do café.

Posteriormente, a ABDI assinou novo convênio, desta vez com a Cooperacre, no valor de R$ 14,7 milhões, destinado à construção de dois novos complexos industriais de café em Capixaba e Acrelândia.

Os projetos demonstram que a industrialização acontece quando o investimento chega ao galpão, à máquina, ao laboratório e à cooperativa. É ali que a matéria-prima ganha valor antes de deixar o estado.

Os dados do comércio exterior reforçam esse potencial.

As exportações acreanas passaram a ser lideradas pela carne bovina, seguidas pela castanha-do-Brasil, carne suína, soja e outros produtos agroindustriais. Cada etapa de beneficiamento realizada dentro do estado amplia empregos, arrecadação e renda local.

Outro gargalo continua sendo a mão de obra.

O Senai calcula que o Acre precisará qualificar aproximadamente 23 mil profissionais entre 2025 e 2027, sendo cerca de 4 mil novos trabalhadores e outros 19 mil em requalificação profissional. São vagas ligadas à automação, manutenção industrial, alimentos, logística, refrigeração, tecnologia e produção.

Esse talvez seja um dos maiores desafios para qualquer política industrial consistente.

A execução financeira também desperta dúvidas sobre a transparência de alguns investimentos.

A secretaria destinou aproximadamente R$ 18 milhões para integralização de capital da Agência de Negócios do Acre (Anac). Em tese, trata-se de um importante instrumento de desenvolvimento econômico. Entretanto, os históricos dos pagamentos não permitem identificar claramente quais empresas foram financiadas, quantos empregos surgiram, quais cadeias produtivas foram fortalecidas ou qual retorno econômico efetivamente foi obtido.

Essa falta de transparência dificulta medir resultados.

O balanço final mostra uma realidade menos simples do que o debate político costuma apresentar.

Não é correto afirmar que o governo Gladson e Mailza abandonou completamente a indústria. Houve incentivos fiscais, distribuição de terrenos, campanhas de valorização da produção local, apoio institucional à exportação, inovação tecnológica e aproximação com investidores.

Também não seria correto ignorar investimentos estruturantes realizados por cooperativas, empresas privadas, instituições financeiras e órgãos federais que ampliaram a capacidade industrial do Acre.

A questão central está na prioridade orçamentária.

Quando Promoção Comercial recebe R$ 85,2 milhões e Promoção Industrial R$ 16,5 milhões, a execução financeira revela que a principal função da pasta deixou de ser construir indústria para organizar vitrines da indústria.

Uma feira pode abrir mercados.

Um show pode movimentar hotéis.

Um festival pode aquecer o comércio durante alguns dias.

Mas são as fábricas, as agroindústrias, as cooperativas, os frigoríficos, os laboratórios, os centros tecnológicos e os trabalhadores qualificados que permanecem produzindo riqueza quando tudo isso termina.

O legado industrial de um governo não é medido pelo tamanho do palco.

É medido pelo que continua funcionando depois que ele é desmontado.

Nicolau afirma que novo PCCR organiza Aleac e aproxima realização de concurso público

O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior, afirmou nesta sexta-feira (10) que a aprovação do novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) organiza o quadro funcional da Casa, amplia direitos dos servidores e permite avançar na preparação de um concurso público. A proposta foi aprovada pelos deputados estaduais durante sessão extraordinária realizada de forma virtual.

“Agora a gente pode sonhar com o concurso público. A Casa está organizada, com um novo PCCR que estruturou todos os quadros. Esse sonho agora está mais próximo de se tornar realidade”, declarou Nicolau após a votação.

O presidente informou que a Assembleia já concluiu um levantamento das necessidades de pessoal e pretende avançar na elaboração do edital e na contratação da empresa responsável pelo certame. A intenção é iniciar esses procedimentos ainda em 2026.

“Já temos um levantamento das necessidades da Casa. O próximo passo será a elaboração do edital e a contratação da empresa responsável pelo concurso. Vamos trabalhar para que isso aconteça ainda este ano”, afirmou.

Nicolau classificou a aprovação do plano como resultado de uma reivindicação antiga dos servidores. O texto reorganiza as carreiras, estabelece regras de ingresso, progressão e promoção e amplia a segurança jurídica dos trabalhadores efetivos.

“Esse era um desejo de muitos anos dos nossos servidores. O PCCR organiza a Casa, traz humanização, segurança jurídica e garante direitos, principalmente para aqueles que recebem as menores remunerações”, disse.

Segundo o presidente, a construção da proposta levou mais de dois anos e foi acompanhada por estudos técnicos sobre o impacto financeiro. Ele afirmou que as mudanças foram planejadas para valorizar o funcionalismo sem comprometer o orçamento do Legislativo.

“Nada foi feito da noite para o dia. Foram mais de dois anos de estudos, sempre observando a saúde fiscal da Casa. Tudo foi planejado com responsabilidade para garantir a valorização dos servidores sem comprometer as finanças do Legislativo”, declarou.

O novo PCCR prioriza os servidores com menores remunerações e prevê que futuros reajustes sejam calculados sobre a remuneração total. O texto também reduz a carga horária de servidores com deficiência e cria benefícios que deverão entrar em vigor a partir do próximo ano.

“Priorizamos quem ganha menos. Além disso, os futuros reajustes passarão a incidir sobre a remuneração total do servidor, o que representa um ganho importante para a categoria”, explicou Nicolau.

O presidente afirmou que a proposta recebeu a contribuição dos 24 deputados estaduais e representa uma etapa da reorganização administrativa da Assembleia. Para ele, o plano permitirá que os servidores avancem na carreira e cheguem à aposentadoria com maior segurança.

“A palavra que resume esse momento é humanização. Esse plano garante direitos, organiza a Casa e permite que os servidores possam chegar à aposentadoria com mais segurança. Foi um trabalho construído com muita responsabilidade e pensando principalmente em quem mais precisava”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

Perpétua Almeida alerta para impacto das apostas online no orçamento das famílias brasileiras

O crescimento das plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, e os reflexos desse mercado sobre a vida financeira da população brasileira foram tema de um pronunciamento da ex-deputada federal Perpétua Almeida divulgado nas redes sociais. Ao abordar o avanço do setor, ela afirmou que o país enfrenta uma crise silenciosa, marcada pelo comprometimento da renda das famílias e pelo aumento de casos de dependência relacionados aos jogos de azar.

Durante a manifestação, Perpétua apresentou números sobre o alcance das apostas no Brasil. Segundo ela, cerca de 11 milhões de brasileiros já enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas, enquanto aproximadamente R$ 37 bilhões são movimentados mensalmente nas plataformas. Ela também lembrou que, somente durante a Copa do Mundo, mais de R$ 640 milhões foram direcionados ao setor no país.

A ex-parlamentar criticou a estratégia de divulgação adotada pelas empresas do segmento e afirmou que campanhas publicitárias têm estimulado a adesão de novos apostadores. “Eles usam celebridades e influenciadores para vender um sonho que já virou pesadelo na vida de muitas pessoas”, declarou.

Na avaliação de Perpétua Almeida, a popularização das apostas tem provocado consequências diretas no orçamento doméstico. Ela afirmou que valores destinados às plataformas deixam de ser utilizados em despesas essenciais das famílias brasileiras.

“O dinheiro que vai para as bets está fazendo falta na feira do mês, na compra dos remédios, do material escolar e até no pagamento da conta de luz”, afirmou.

Outro ponto abordado foi o destino dos recursos movimentados pelas empresas de apostas. Segundo a ex-deputada, grande parte desse dinheiro sai do bolso dos trabalhadores brasileiros e beneficia grupos econômicos sediados fora do país, sem retorno proporcional para a economia nacional.

Para ela, o tema exige uma discussão mais ampla e medidas para enfrentar os impactos sociais e econômicos provocados pela expansão do setor. “É preciso enfrentar esse problema com muita coragem, e nós vamos debater esse assunto”, concluiu.

Cruzeiro do Sul reduz casos de dengue e malária com reforço nas ações de saúde

Cruzeiro do Sul registrou queda nos casos de dengue e malária em 2026, no Acre, após reforçar ações de prevenção, monitoramento e assistência à população. Entre a 1ª e a 27ª semana epidemiológica deste ano, os casos prováveis de dengue caíram de 2.367, no mesmo período de 2025, para 179. No caso da malária, os registros passaram de 1.536 para 797 entre 1º de janeiro e 6 de julho, redução de 48%.

A queda nos casos de dengue ocorre em meio ao trabalho de agentes de endemias em visitas domiciliares, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e orientação aos moradores. A atuação é voltada principalmente para pontos com acúmulo de água, que favorecem a reprodução do mosquito transmissor da doença.

Mesmo com a redução, as equipes de saúde devem intensificar o trabalho durante o período de estiagem. O coordenador da Divisão de Controle de Vetores, Leonísio Messias, afirmou que a atenção será ampliada para reservatórios mantidos nos quintais. “Com menos chuvas, os depósitos nos quintais estão secos, mas nós temos um risco em potencial que são as caixas d’água no nível do solo, que concentram o maior número de larvas”, disse.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta que moradores com febre, dores no corpo, dor de cabeça e manchas na pele procurem a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce ajuda no tratamento e reduz o risco de agravamento da doença.

Na malária, a redução de 48% também está ligada à ampliação das ações de vigilância e atendimento. Com o verão amazônico, o acesso aos ramais melhora e permite que as equipes cheguem a comunidades rurais onde a incidência da doença costuma ser maior.

Leonísio Messias afirmou que a melhora das condições de acesso deve ampliar a presença dos agentes nas áreas mais afastadas. “A vigilância vai ser intensificada para que os agentes cheguem até as residências nesses locais, tratando de forma oportuna e garantindo um diagnóstico de qualidade para reduzir ainda mais os casos de malária”, declarou.