Editorial do AC24h mira a direita acreana ao lembrar abandono da BR-364 antes e depois de Lula 3

Editorial publicado pelo AC24h neste domingo, 14 de junho de 2026, joga luz sobre a BR-364 no momento em que o Ministério dos Transportes prepara para 15 de junho uma agenda no Acre com anúncio de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da rodovia, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, além do acesso a Manoel Urbano, com investimento previsto de R$ 714 milhões. O centro do argumento é que a estrada voltou ao radar de Brasília no governo Lula 3, mas a resposta federal ainda não acompanha a gravidade da crise enfrentada por quem depende diariamente da ligação rodoviária no estado.  

O editorial ganha força quando tira o debate do improviso eleitoral e recompõe a linha do tempo da estrada. A provocação central não é aliviar Lula 3. É lembrar que, na leitura do texto, o trecho acreano já vinha se deteriorando desde o fim do governo Michel Temer e entrou em fase de exclusão explícita entre 2019 e 2022, quando a rodovia perdeu prioridade política e orçamentária em Brasília. Os números oficiais ajudam a dar peso a esse argumento: em 2022, último ano do governo Bolsonaro, os investimentos federais em transportes no Acre somaram R$ 85,2 milhões; em 2023, já no primeiro ano de Lula, o valor previsto para o estado saltou para R$ 293,3 milhões, quase 3,5 vezes mais, após a recomposição aberta pela Emenda Constitucional 126 e pela Lei Orçamentária.  

É nesse ponto que o editorial cutuca o acreano de direita. A estrada que o estado cobra como vital passou quatro anos recebendo um volume de recursos tratado como irrisório pelo próprio debate local, e só voltou a ter escala orçamentária no governo petista. A provocação, portanto, não é ideológica no sentido estreito. Ela expõe a contradição de um eleitorado que pede socorro federal para a principal via do Acre, mas evita encarar que o período mais magro da BR-364 coincidiu justamente com o ciclo político mais identificado com a direita nacional.  

Ao mesmo tempo, o texto não absolve Lula 3. A crítica fica mais precisa quando lembra que o início do mandato foi atravessado pelo conflito orçamentário com o Congresso. Na prática, o DNIT no Acre só teve alívio material no fim de maio de 2023, quando o Ministério dos Transportes assinou as ordens de serviço para retomar a manutenção de 116 quilômetros da BR-364 e vinculou essa retomada à recomposição do orçamento federal daquele ano. Até lá, o primeiro semestre correu com a estrada já em estado crítico e sem planejamento capaz de acompanhar a velocidade da deterioração.  

O que veio depois ajuda a explicar por que o editorial fala em “falha” de Lula 3, e não em indiferença pura. Em 2024, o investimento federal em infraestrutura de transportes no Acre subiu para R$ 341,1 milhões. Em agosto de 2025, o governo anunciou R$ 870,9 milhões em obras para a BR-364. Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes lançou outro pacote de R$ 875 milhões para rodovias acreanas, com destaque para a reconstrução de 97,8 quilômetros entre Sena Madureira e Rio Macapá. E, para 15 de junho de 2026, o ministério marcou no Acre o anúncio da licitação de 104 quilômetros da BR-364, no mesmo corredor, com investimento de R$ 714 milhões. Há, portanto, escalada de recursos e decisões. O problema é que a vida real da rodovia continuou piorando em velocidade maior do que a resposta oficial conseguiu entregar. 

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu, em entrevista exibida pela Rede Amazônica no fim de maio, que a BR-364 estava “semidestruída”, que houve recuperação parcial, mas que ainda falta muito, sobretudo em trechos como o de Feijó, onde seria necessário refazer partes da estrada.

No fim, a provocação do AC24h funciona porque desloca a conversa do palanque para a memória. O editorial sustenta que a BR-364 não começou a ruir ontem e tampouco pode ser usada como munição seletiva, como se o colapso tivesse nascido apenas em Lula 3. O que o texto cobra é coerência: reconhecer que houve abandono severo antes, admitir que o governo atual demorou a transformar reforço orçamentário em obra visível e, sobretudo, parar de tratar a principal estrada do Acre como assunto a ser lembrado só quando a lama vira escândalo.

“Não aprendi a fazer política de cara feia”: resposta de Zequinha expõe o comportamento de Zezinho Barbary em Cruzeiro do Sul.

A fala recente do deputado federal Zezinho Barbary no lançamento da Operação Verão, na sede do Deracre em Cruzeiro do Sul, abriu aspas na política local e recebeu resposta pública em tom direto do prefeito Zequinha Lima. Ao defender a “política da verdade” e criticar o que chamou de “tapinha nas costas” sem resultado, Zezinho deixou no ar um recado político que, agora, ganhou devolução pública.

No discurso, Zezinho cobrou mais agilidade da gestão municipal, afirmou que recursos destinados ao município ainda dependem de projetos e reclamou da ausência de representante de Cruzeiro do Sul em um ato de entrega de máquinas. Também reforçou que seu mandato já direcionou R$ 70 milhões ao município . O tom subiu quando o deputado afirmou que faz política “olhando no rosto” das pessoas e não aceita justificar a falta de entrega com gesto ou cerimônia.

A resposta veio com o prefeito Zequinha Lima, também em público, num discurso de recado e contenção. “Eu não aprendi a fazer política de cara feia”, disse, ao defender uma atuação baseada em diálogo, respeito e composição. Zequinha afirmou ainda que divergências políticas não devem respingar na governadora e que problemas pessoais ou políticos precisam ser resolvidos fora daquele ambiente institucional. A fala foi lida nos bastidores como uma reação direta ao discurso anterior de Zezinho.

Há relatos de que acordos de campanha não teriam sido cumpridos com aliados, por parte de Barbary, o que ajuda a explicar o desconforto que agora veio à tona. Entre pessoas próximas ao prefeito, a cobrança pública de Zezinho é tratada como sinal de ingratidão política, sobretudo pelo peso que Zequinha teve na articulação que fortaleceu a eleição do deputado.

É publico e notório, conforme acompanhado por tantos de Cruzeiro, que quando Zequinha esteve na campanha junto de Zezinho Barbary, para sua eleição a deputado federal, os votos chegaram e fortaleceram e muito sua chegada a Brasília. Em 2022, Zezinho Barbary teve 9.215 votos em Cruzeiro do Sul, significa que Cruzeiro do Sul respondeu por 46,17% da votação geral dele, de 19.958 votos.

Que fique o recado, o povo adora a traiagem, mas odeia o traidor

Mâncio Lima recebe 11 máquinas para recuperar ramais e reforçar produção rural

Uma carreata realizada na manhã deste sábado, 13, marcou a chegada de 11 máquinas pesadas que vão reforçar os trabalhos de recuperação de ramais e apoio à produção rural em Mâncio Lima. Os equipamentos integram o Programa Inova e foram entregues pelo Governo do Acre durante o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, na sexta-feira, 12, com a proposta de melhorar o acesso às comunidades rurais e dar suporte ao escoamento da produção agrícola no município.

As máquinas começam a ser usadas de imediato, assim que forem definidos o cronograma de trabalho e o convênio entre a Prefeitura e o Governo do Estado para a doação de combustível. A medida deve garantir as condições necessárias para a execução dos serviços nas estradas vicinais.

Durante a recepção dos equipamentos, o prefeito Zé Luiz afirmou que o investimento é fruto da articulação da bancada federal e estadual do Acre. “Graças a Deus, a gente está recebendo esses equipamentos do Governo Federal, junto com nossos parlamentares. Quero deixar bem frisado que o Programa Inova é um programa financiado pela bancada dos nossos deputados federais e senadores. Eles reuniram um montante de R$ 206 milhões, destinaram ao Ministério da Integração Nacional, que agiu rapidamente e adquiriu esses equipamentos”, declarou.

O prefeito também destacou a participação de parlamentares na destinação dos maquinários para Mâncio Lima e afirmou que o pacote de investimentos vai além da recuperação de ramais. Segundo ele, o município também foi contemplado com ônibus escolares que deverão atender estudantes que se deslocam para o Instituto Federal do Acre e para a Universidade Federal do Acre.

“Entre esses 73 equipamentos que recebemos, também temos ônibus para colocar em prática o projeto de transporte dos alunos para o IFAC e UFAC. Além disso, nossa governadora está firmando convênios com os prefeitos e Mâncio Lima também será contemplado com combustível para garantir o acesso aos ramais e fortalecer esse trabalho”, disse.

Zé Luiz afirmou ainda que os investimentos representam uma mudança para o município, principalmente para as famílias que vivem na zona rural. “Estamos fazendo uma história diferente no nosso município. Estamos trazendo dignidade para a população, para o homem do campo e para todas as pessoas que dependem dos ramais para produzir, trabalhar e viver com mais qualidade”, afirmou.

A Operação Verão prevê a recuperação de cerca de 300 quilômetros de ramais em Mâncio Lima. A expectativa é melhorar o deslocamento até as comunidades rurais, facilitar o transporte da produção agrícola e fortalecer a agricultura familiar.

Coordenado pelo Governo do Acre, o Programa Inova abre uma nova etapa de investimentos voltados à modernização da infraestrutura produtiva. Nesta primeira fase, serão entregues 324 equipamentos para os 22 municípios acreanos e entidades parceiras, ampliando a capacidade de atendimento às demandas do setor rural em todo o estado.

Empresários de Cruzeiro do Sul cobram resposta imediata do governo em agenda da Suframa

No comentário feito no Jornal da Manhã desta sexta-feira, 12, na Rádio Integração 99,9 FM, Rogério Wenceslau levou para o centro do debate um recado que, segundo ele, veio diretamente dos bastidores do setor produtivo de Cruzeiro do Sul: a classe empresarial não quer promessa para depois da eleição nem discurso de aproximação sem efeito prático. A expectativa em torno da presença da governadora Mailza Assis na agenda ligada à Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento, da Suframa, estava menos ligada ao simbolismo político e mais à cobrança por medidas imediatas para aliviar o custo de empreender no Juruá.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

Nesse bastidor, o problema não seria falta de diagnóstico, mas de resposta. O comentário apontou que o setor produtivo conhece com precisão onde estão os gargalos e não se contenta mais com falas genéricas sobre desenvolvimento regional. A demanda, segundo Wenceslau, é por uma agenda objetiva, com reflexos no caixa das empresas e no dia a dia do comércio, capaz de reduzir pressão tributária e criar condições mínimas de competitividade no interior.

Wenceslau também incluiu a BR-364 no centro da cobrança. Para ele, qualquer discussão séria sobre desenvolvimento em Cruzeiro do Sul passa pela estrada que liga o Vale do Juruá ao restante do estado. Ao citar a situação da rodovia, o comentarista sustentou que o governo estadual tem obrigação política de liderar a pressão por solução, ainda que a responsabilidade formal pela via seja federal. Sem logística confiável, afirmou, o discurso de incentivo ao setor produtivo perde força antes mesmo de chegar ao mercado.

Ao fundo dessa expectativa econômica, o comentarista também enxergou movimento político. Ele disse que o governo já entrou em modo de campanha e avaliou que a agenda em Cruzeiro do Sul poderia servir tanto para reforçar alianças quanto para tentar reaproximar o Palácio Rio Branco do empresariado local. Mas, no retrato traçado por Wenceslau, o humor da classe produtiva indica que gesto político, sozinho, não basta. O que o setor quer ouvir é anúncio com efeito imediato, capaz de sair do palanque e entrar na rotina de quem mantém empresa aberta no interior.

Família espera TFD há mais de um mês em Cruzeiro do Sul enquanto gastos do governo com jatos somam R$ 12 milhões

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual voltou a expor a dificuldade de acesso a atendimentos de alta complexidade no Acre. Em Cruzeiro do Sul, uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá aguarda há mais de um mês transferência para avaliação e possível procedimento neurocirúrgico fora do estado. O caso, trazido a tona pelo jornal Notícias do Juruá, ocorre num momento em que registros de pagamento do governo estadual apontam R$ 12,44 milhões em despesas com fretamento de aeronaves descritas como jato entre 2023 e 2025.

Identificada pelas iniciais F.J.S.M., a paciente foi internada em 23 de abril. Cinco dias depois, após exames, houve solicitação médica para encaminhamento via TFD interestadual. Sem resposta até a segunda quinzena de maio, a família procurou o Ministério Público do Acre para cobrar providências.

O quadro clínico é tratado como grave. A equipe de neurocirurgia registrou histórico de hidrocefalia complexa, múltiplas intervenções e necessidade de reavaliação em centro de referência. O laudo aponta risco de agravamento neurológico, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits permanentes e até morte caso a paciente permaneça sem avaliação especializada.

A mãe da jovem, Antônia de Souza Cruz, diz que a filha convive com dor contínua e que a família segue sem qualquer previsão de transferência. “Minha filha sente dor 24 horas por dia. Estamos cansados dessa espera. É um quadro de urgência e até agora não temos previsão de sair do Acre”, afirmou.

A cobrança da família não é direcionada ao atendimento da unidade hospitalar. Antônia relata que a paciente tem recebido acompanhamento da equipe do Hospital Regional do Juruá, inclusive suporte psicológico. A queixa é pela demora na liberação do TFD interestadual e pela ausência de prazo para a remoção.

Nesta sexta-feira, 12, houve inclusive aeronave, geralmente usada pelo governo, chegando a Cruzeiro

Ela também relata que a situação não seria isolada. De acordo com a mãe, outro paciente da unidade, identificado como Emanuel, também espera há mais de um mês por transferência para tratamento fora do estado.

O impasse ocorre em meio ao alto volume de gastos públicos com transporte aéreo. Levantamento realizado pela nossa redação, com base em dados do Portal da Transparência do Estado, mostra R$ 76 milhões em pagamento destinadas à empresa Ortiz Táxi Aéreo. Desse total, R$ 32,4 milhões aparecem vinculados à Secretaria de Estado da Casa Civil.

Dentro desse montante, os registros com menção expressa a “jato” somam R$ 12.440.400, distribuídos em 52 linhas de pagamento e 43 empenhos conciliados entre junho de 2023 e dezembro de 2025. Os históricos tratam, em sua maioria, de fretamento de aeronave a jato, por hora de voo ou por modelo de aeronave, sem descrição dos motivos dos voos.

No Vale do Juruá, onde a oferta de serviços especializados é limitada e a distância dos grandes centros pesa na rotina do atendimento, o TFD é uma etapa decisiva para pacientes que precisam de tratamento fora do Acre. Em casos graves, a transferência depende não só de vaga e autorização, mas também de uma logística rápida, muitas vezes aérea.

É nesse ponto que o caso de Cruzeiro do Sul ganha dimensão maior do que a de um drama individual. De um lado, o estado mantém contratos milionários para deslocamentos oficiais. De outro, pacientes em situação de urgência seguem à espera de autorização, leito e transporte para atendimento fora da rede local. Sem resposta e sem prazo, a espera pela transferência mantém aberta uma das áreas mais sensíveis da saúde pública acreana.

Zezinho Barbary é alvo de apuração da PF por ordem do STF em caso de emendas no Acre

O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.

A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.

A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.

Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.

Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.

Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.

Mâncio Lima recebe 11 máquinas para recuperar mais de 300 quilômetros de ramais

Mâncio Lima vai receber 11 máquinas para reforçar a recuperação de mais de 300 quilômetros de ramais do município, após o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, nesta sexta-feira, 12. A ação do Governo do Acre amplia os investimentos em infraestrutura rural e busca melhorar o acesso de produtores e comunidades da zona rural.

O anúncio foi acompanhado pelo prefeito Zé Luiz, que participou do evento e confirmou o início imediato dos serviços no município. A expectativa é de que o reforço na estrutura permita acelerar a recuperação das estradas vicinais e garantir melhores condições de tráfego em áreas usadas diariamente para o escoamento da produção e o deslocamento de moradores.

Durante o lançamento, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que o governo mantém apoio aos municípios para melhorar a trafegabilidade nos ramais. “Estamos trabalhando em parceria para garantir melhores condições de trafegabilidade nos ramais e atender a população com responsabilidade”, declarou.

A governadora Mailza Assis disse que a operação tem foco no acesso das famílias, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da qualidade de vida da população. “Nosso objetivo é assegurar o acesso das famílias, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.

O prefeito Zé Luiz classificou a chegada das máquinas como um avanço para Mâncio Lima e destacou o impacto da medida para a zona rural. “Receber essas máquinas representa um grande avanço para o nosso município. Vamos iniciar os trabalhos de imediato para garantir melhores condições de trafegabilidade, fortalecer a produção rural e oferecer mais qualidade de vida às famílias que dependem dos ramais”, disse.

A Operação Verão prevê investimentos em diferentes regiões do Acre para a recuperação de ramais, rodovias e pontes, em uma estratégia de atuação conjunta entre o governo estadual, prefeituras e comunidades rurais.

Governo lança linha com juros reduzidos para motociclistas de aplicativo

O governo federal lançou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, em Brasília, uma linha de crédito para motociclistas e entregadores de aplicativos financiarem motos e bicicletas elétricas produzidas no país. Batizado de Move Brasil – Entregadores e Motoapp, o programa prevê juros de 12,5% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, financiamento de 100% do valor do veículo, sem entrada, e prazo de até 48 meses, com dois meses de carência. Durante o anúncio no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida busca tirar esses trabalhadores da invisibilidade e ampliar o acesso ao crédito e à renovação da frota.

Pelas regras divulgadas, poderão aderir ao programa profissionais cadastrados em plataformas há pelo menos seis meses e com no mínimo 100 corridas ou entregas realizadas, além de motofretistas, mototaxistas e ciclistas com carteira assinada há pelo menos seis meses. Para veículos que exigem habilitação, será preciso apresentar CNH na categoria A. O cadastro começa em 15 de junho na plataforma oficial do programa, e a busca pelo financiamento nos bancos participantes poderá ser feita a partir de 13 de julho, depois da confirmação de elegibilidade e da análise de crédito pelas instituições financeiras.

O programa permite a compra de um veículo zero-quilômetro por CPF e abrange motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas, além de modelos elétricos e bicicletas elétricas dentro dos limites definidos pelo governo. Também entram no financiamento o seguro prestamista e, no caso das empresas, baterias, pontos de troca e sistemas de recarga para motos elétricas. A meta oficial é viabilizar a aquisição de cerca de 100 mil motocicletas. Segundo o ministro Guilherme Boulos, a linha foi desenhada para oferecer custo bem abaixo do mercado, onde os juros médios para a compra de motos estão em torno de 27% ao ano.

Cruzeiro do Sul reúne órgãos e cooperativa em ação de limpeza e preservação do Rio Juruá

Cruzeiro do Sul realizou uma ação de limpeza e conscientização ambiental nas margens do Rio Juruá, com participação da prefeitura, órgãos estaduais e federais e entidades locais. A mobilização integrou a programação do Mês do Meio Ambiente e fez parte do Dia D de Limpeza de Cursos Hídricos, com foco na retirada de resíduos e na orientação sobre descarte correto do lixo.

A atividade começou no Porto Central, no cais da cidade, e concentrou esforços na remoção de materiais acumulados nas margens do rio. A ação também buscou orientar barqueiros, ribeirinhos e passageiros que usam a hidrovia entre Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e municípios do Amazonas. Participaram da mobilização a Secretaria Municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, a Secretaria de Obras, por meio do Departamento de Limpeza Pública, a Defesa Civil, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros, a Marinha, o 61º BIS e a Coopersul.

A iniciativa foi tratada pelos organizadores como uma medida de limpeza imediata e de educação ambiental. A secretária municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Edna Fonseca, afirmou que o rio não pode ser tratado como destino final do lixo e defendeu orientação contínua aos usuários da via fluvial. O presidente da Coopersul, Eutimar Sombra, também alertou para os impactos do descarte irregular em um cenário de previsão de estiagem severa, com risco ambiental e reflexos para a saúde das comunidades ribeirinhas.

Durante a mobilização, o Corpo de Bombeiros chamou atenção para os cuidados no transporte de combustível pelos rios durante o período seco. A orientação foi para que embarcações redobrem a atenção com a redução do nível das águas, a fim de evitar acidentes e contaminação. A avaliação entre os participantes é de que a força-tarefa reforça a presença do poder público no rio e tenta consolidar a preservação do Juruá como pauta permanente no Vale do Juruá.

Operação Ptolomeu fica travada no Acre e 12 investigados seguem sem denúncia

Dois anos e meio depois de a Operação Ptolomeu abrir a primeira frente criminal contra o esquema de corrupção investigado no governo do Acre, o processo que mira 12 investigados sem foro privilegiado continua parado no Ministério Público Estadual, em Rio Branco, sem denúncia oferecida, sem data para chegar à promotoria responsável e sem previsão de julgamento. A informação foi trazida pela TV Gazeta, no jornal Gazeta em Manchete de quinta-feira, dia 11, e expõe o contraste entre a condenação do ex-governador Gladson Cameli no Superior Tribunal de Justiça e a lentidão da parte local do caso.

O ex-governador foi condenado pela Corte Especial do STJ a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado. A ação em Brasília tratou de crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, porém, a parte que envolve familiares, ex-secretários, empresários e servidores ainda não atravessou a etapa decisiva da denúncia criminal. Sem esse ato, ninguém vira réu na primeira instância, a instrução não começa e a responsabilização dos demais personagens fica suspensa.

A primeira ação penal nascida da Ptolomeu ficou conhecida como caso Murano. Ela trata de contratos de obras e recuperação de prédios públicos estaduais que, pela acusação, foram usados para desviar dinheiro do Estado por meio de uma empresa de fachada. A engrenagem passava pela cessão de CNPJ, pela contratação formal de uma empresa sem estrutura real para executar o serviço e pela movimentação de cerca de R$ 18 milhões. Desse total, R$ 11 milhões aparecem ligados diretamente a sobrepreço e superfaturamento. Na prática, o que deveria virar obra pública virou prova de um mecanismo que drenava recursos do orçamento acreano por dentro dos próprios contratos oficiais.

A lista dos investigados que desceu para a Justiça de primeiro grau alcança o núcleo familiar e administrativo de Gladson Cameli. Estão nela a ex-esposa Ana Paula Corrêa da Silva Cameli, o irmão Gledson de Lima Cameli, o pai Eládio Cameli, o ex-secretário de Obras Thiago Caetano, os empresários Gabriel Látia de Araújo e Souza e Uudson Marcelo Amaral de Souza, além de servidores estaduais ligados ao funcionamento das licitações. São nomes que, pela investigação original, ajudariam a explicar como uma fraude desse tamanho não nasce apenas da assinatura de uma autoridade, mas de uma rede que prepara edital, valida medição, libera pagamento, empresta empresa e dá aparência legal ao desvio.

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, mandou a parte dos acusados sem foro para a Justiça Federal do Acre em dezembro de 2023. Depois disso, os autos passaram pelo Tribunal de Justiça e chegaram ao Ministério Público do Acre. A instituição reconheceu que recebeu o processo, mas atribuiu a demora ao fluxo interno. “O processo foi recebido pela instituição, mas ainda não chegou à promotoria responsável, que é a Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social”, informou o MPAC à TV Gazeta.

Essa frase resume o impasse. Não se trata de absolvição, arquivamento ou decisão judicial que encerrou a apuração. O processo existe, os nomes existem, os valores existem e a condenação no STJ já fixou, em outro braço da mesma operação, a existência de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos. O que falta, no Acre, é o ato processual básico para que os demais investigados respondam formalmente às acusações perante a Justiça.

A demora cria uma desigualdade difícil de explicar ao cidadão que paga imposto e vê escola, hospital, estrada e prédio público dependerem de cada real do orçamento. O ex-governador recebeu uma pena pesada por crimes ligados a licitações e lavagem de dinheiro, mas a engrenagem local que teria dado sustentação ao esquema continua sem enfrentamento criminal efetivo na primeira instância.

A consequência não é apenas jurídica. Quando um processo desse porte fica parado, o tempo trabalha contra a memória das provas, contra a recuperação do dinheiro e contra a confiança pública nas instituições. Cada mês sem denúncia empurra para mais longe a resposta sobre quem assinou, quem recebeu, quem intermediou, quem lavou dinheiro e quem se beneficiou dos contratos. Também distancia o Estado da possibilidade de recompor o prejuízo causado aos cofres públicos.

No STJ, a condenação de Gladson Cameli tratou de crimes que atravessam a administração pública por dentro: organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, a parte desmembrada ainda espera o Ministério Público transformar os autos em denúncia ou apontar, de forma fundamentada, outro caminho processual.

A Operação Ptolomeu começou como uma investigação sobre corrupção na cúpula do poder estadual e avançou sobre contratos, obras, empresas e movimentações financeiras. O caso Murano é uma das peças dessa arquitetura. Ele não trata de um episódio isolado, mas de uma forma de operação: empresas usadas como fachada, contratos públicos como porta de entrada, servidores e empresários como operadores, dinheiro público como alvo.

É por isso que a estagnação no Ministério Público do Acre pesa mais do que uma demora comum de cartório. Ela mantém sem resposta a parte mais próxima do cotidiano acreano: os personagens que circularam nos órgãos estaduais, as empresas que receberam, os servidores que tocaram os processos e os familiares que aparecem no entorno do ex-governador. Enquanto essa etapa não anda, a Ptolomeu fica partida em duas realidades. Em Brasília, uma condenação histórica. Em Rio Branco, um processo ainda preso antes da largada.