Prefeitura de Rio Branco faz balanço inicial do Prefeitura nas Ruas e amplia frente de serviços

A Prefeitura de Rio Branco reuniu secretários municipais na sexta-feira, 29 de maio, para avaliar os primeiros resultados do programa Prefeitura nas Ruas e definir a ampliação das ações em bairros da capital. O encontro foi conduzido pelo prefeito Alysson Bestene e serviu para ajustar a próxima etapa do trabalho integrado entre as pastas.

A proposta do programa é concentrar serviços em uma mesma região para acelerar o atendimento à população. Entre as ações previstas estão limpeza urbana, recuperação de vias, drenagem, calçamento e outras intervenções de infraestrutura. A gestão municipal avalia que a atuação conjunta das equipes tem dado mais alcance às operações e melhorado a resposta às demandas dos moradores.

Durante a reunião, o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, defendeu a continuidade do modelo de força-tarefa nos bairros. A estratégia, segundo a prefeitura, é manter o acompanhamento das áreas atendidas e organizar novas frentes de trabalho a partir das necessidades mais urgentes.

Alysson Bestene afirmou que a prefeitura tem monitorado os pontos que exigem manutenção e reforçou que a meta é dar mais agilidade aos serviços. A administração municipal também aposta na integração entre os setores para manter as ações de infraestrutura e conservação de forma contínua.

No mesmo encontro, a prefeitura confirmou a realização da ciclística educativa “Olhar que Salva”, marcada para domingo, 31 de maio. A atividade integra a agenda de conscientização sobre segurança no trânsito e incentivo à prevenção.

Aos 24 anos, indígena Huni Kuĩ se torna professor federal no Acre e leva representatividade à sala de aula

Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.

A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.

No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.

A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.

Porto Acre recebe 1ª indústria de beneficiamento de café para atender produtores do Projeto Tocantins

Porto Acre passou a contar neste sábado, 30, com a primeira indústria de beneficiamento de café do município, instalada no Ramal Boa União, no Projeto Tocantins. A estrutura foi entregue para atender cerca de 40 famílias produtoras e permitir que o café seja seco e processado na própria região, sem a necessidade de transporte até Acrelândia.

O investimento total foi de R$ 400 mil, sendo R$ 300 mil destinados por Perpétua Almeida e R$ 100 mil por Edvaldo Magalhães. A unidade recebeu equipamentos como secador e descascador, etapa considerada decisiva para reduzir custos de produção e ampliar a renda das famílias envolvidas na atividade.

Com a nova estrutura, os produtores deixam de arcar com o deslocamento da colheita para outro município, o que consumia parte do lucro da produção. A expectativa é que o beneficiamento local fortaleça a cafeicultura em Porto Acre e mantenha mais recursos circulando dentro da própria comunidade.

Durante a entrega, a avaliação entre lideranças locais foi de que a indústria representa um avanço para a agricultura familiar e para a organização da cadeia produtiva do café no município. A produção local vem crescendo nos últimos anos, e a nova unidade deve ampliar a capacidade de processamento e dar mais autonomia aos agricultores.

A instalação da indústria também reforça o movimento de expansão da cafeicultura no Acre, com foco em agregar valor ao produto ainda na origem e estimular a industrialização de pequenas cadeias rurais. Em Porto Acre, a aposta é que a estrutura ajude a consolidar a atividade como uma das principais fontes de renda das famílias do campo.

Prefeitura de Rio Branco inicia edição terrestre do Saúde Rural na Transacreana

A Prefeitura de Rio Branco iniciou neste sábado, 30, a edição terrestre do programa Saúde Rural com uma ação na Escola Major João Câncio, no km 80 da AC-90, a Transacreana. A mobilização levou atendimento de saúde e serviços de apoio à população da zona rural, com foco em moradores que enfrentam dificuldade de acesso às unidades da área urbana.

A ação reuniu cerca de 70 profissionais e ofereceu consultas médicas, atendimento odontológico, vacinação, testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites, pequenas cirurgias, implantação de Implanon, atendimento pediátrico e práticas integrativas. A programação também incluiu atividades voltadas às famílias e às crianças.

A iniciativa marca a ampliação do atendimento itinerante no período de verão, quando as condições das estradas e ramais facilitam o deslocamento das equipes até comunidades mais afastadas. A proposta é levar para a zona rural parte da estrutura de atendimento disponível na cidade e reduzir a necessidade de longos deslocamentos por parte dos moradores.

Segundo a prefeitura, a etapa terrestre complementa o trabalho já realizado em áreas ribeirinhas e deve avançar para outras localidades rurais nos próximos meses. A estratégia é reforçar a atenção básica e ampliar a cobertura de serviços essenciais nas regiões mais distantes de Rio Branco.

Prefeitura amplia operação de limpeza na Baixada da Cadeia Velha, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco intensificou nesta sexta-feira, 29 de maio, os serviços de limpeza e manutenção na Baixada da Cadeia Velha, com capina, retirada de entulho e limpeza de vias. A ação integra o programa Prefeitura nas Ruas e faz parte da estratégia da gestão municipal para reforçar a zeladoria em bairros da capital.

A operação contou com sete equipamentos pesados e cerca de 25 trabalhadores. Enquanto as equipes atuavam na Baixada da Cadeia Velha, outras frentes mantinham o cronograma de atendimento nas dez regionais de Rio Branco, com serviços em áreas urbanas e rurais.

De acordo com a administração municipal, o descarte irregular de resíduos segue como um dos principais problemas enfrentados pelas equipes. O acúmulo de entulho em calçadas e ruas aumenta o custo da operação e exige mais tempo para a conclusão dos serviços.

A prefeitura informou ainda que as ações de limpeza são comunicadas com antecedência às lideranças comunitárias para que os moradores possam organizar o descarte de materiais antes da chegada das equipes. A medida busca dar mais regularidade ao serviço e reduzir pontos de acúmulo de resíduos na cidade.

Seminário do PSDB no Acre reúne Bocalom e lideranças em debate sobre desenvolvimento do estado

O seminário estadual “Acre: Desenvolvimento e Oportunidades”, também divulgado como “Acre de Oportunidades: Diálogo, Gestão e Desenvolvimento”, será realizado neste sábado, 30 de maio, no auditório do Sebrae, em Rio Branco, reunindo lideranças políticas, representantes do setor produtivo e convidados para discutir propostas voltadas ao desenvolvimento do estado. Organizado pela Federação PSDB-Cidadania no Acre, o encontro é conduzido pelo presidente estadual do partido, Tião Bocalom, e foi apresentado como uma etapa de construção de ideias para áreas como economia, infraestrutura, saúde, segurança, educação, tecnologia e turismo.

A programação prevê debates ao longo da manhã com participação de nomes ligados ao partido e a diferentes setores da gestão pública e da atividade econômica. Bocalom está entre os participantes do primeiro painel, voltado a agronegócio, indústria e infraestrutura, num formato que busca reunir contribuições para um diagnóstico mais amplo sobre os desafios e as oportunidades do Acre.

A proposta do seminário é ampliar a discussão sobre caminhos para o estado em temas que também incluem qualificação profissional, inovação, cultura, esporte, meio ambiente e políticas sociais. A organização trata o evento como um espaço de diálogo com empresários, estudantes, lideranças comunitárias e representantes de diferentes segmentos da sociedade.

Ao divulgar o encontro, Bocalom resumiu a proposta do seminário com a frase: “O Acre que queremos construir passa pelo diálogo, pelas ideias e pela participação de todos.” A declaração reforça o tom político do evento e a tentativa de aproximar o debate partidário de setores que devem participar da formulação das propostas apresentadas durante a programação.

O seminário ocorre num momento de maior movimentação política no Acre e amplia a agenda pública de Bocalom à frente do PSDB no estado. A expectativa da organização é que as discussões sirvam de base para consolidar eixos de atuação e propostas para os próximos anos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul mantém frentes de obras em bairros e ramais do município

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul executou na terça-feira, 26 de maio, uma série de serviços de infraestrutura em áreas urbanas e rurais do município, com ações de recuperação de vias, tapa-buracos, drenagem, melhorias de acesso, manutenção de ramais e revitalização de espaços públicos. Os trabalhos foram concentrados em bairros da cidade e em comunidades mais afastadas, com foco em mobilidade, escoamento da água e abastecimento.

Entre as intervenções, a gestão municipal fez a recuperação da pista da Vila Olímpica, que passa por revitalização para receber uma competição esportiva prevista para esta semana. Também houve melhorias no acesso à Creche Anexo da Escola São Cristóvão, no bairro Igarapé Preto.

Na Rua Alfredo Teles, no bairro João Alves, as equipes atuaram com instalação de bueiros e aterro da área. A obra integra o pacote de drenagem levado a diferentes pontos da cidade para reduzir os transtornos provocados pelas chuvas e melhorar o escoamento da água.

Na zona rural, os serviços chegaram aos ramais do Cunha e Lorinho, na Estrada da Canela Fina, com terraplanagem e recuperação da camada vegetal para melhorar as condições de tráfego. Na comunidade da Praia Grande, o trabalho incluiu a substituição da tubulação danificada pela força do rio no sistema de abastecimento de água, além da continuidade do desvio que busca restabelecer o acesso e retirar moradores do isolamento.

De acordo com a prefeitura, as equipes também mantiveram serviços nos bairros São Luís e Nossa Senhora das Graças e no Ramal do Remanso, dentro de um cronograma de atuação simultânea em diferentes regiões do município.

Jorge e Binho avaliam crise na educação do Acre e apresentam projeto de conectividade escolar

O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.

A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.

Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.

A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.

A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.

Virgílio Viana entra no debate eleitoral com crítica à falta de oportunidades no Acre

Em uma edição especial, no Vale dos Buritis, o Jornal da Manhã, da Rádio Integração, recebeu o ex-governador Tião Viana e o advogado Virgílio Viana, de 23 anos, pré-candidato a deputado federal. A entrevista, conduzida por Chico Melo e Rogério Venceslau, colocou no centro da conversa a entrada de Virgílio na política, o peso do legado familiar, a saída de jovens do Acre, a falta de oportunidades e a disputa sobre o rumo do Estado nos últimos anos. A entrevista foi ao ar na manhã desta quinta-feira (28), em cadeia no Youtube e na 99,9 FM.

Logo na abertura, Chico Melo apresentou Tião como parte da história política do Acre e Virgílio como um jovem que tenta ocupar espaço em um momento de desgaste da política tradicional. Tião tratou a presença do filho como uma passagem entre gerações. Para ele, estar ao lado de Virgílio naquele cenário era “uma entrega do passado do Acre, dos últimos anos, do presente e entregando ao futuro uma oportunidade”. A frase resumiu o tom da entrevista: Virgílio não aparece apenas como filho de um ex-governador, mas como alguém que tenta transformar herança política em projeto próprio.

Virgílio negou que tenha sido empurrado para a disputa. Contou que a decisão nasceu de uma inquietação pessoal diante do que vê no Estado. “Eu tô muito incomodado com o cenário que eu vejo o Acre vivendo hoje”, disse. O pré-candidato afirmou que passou a sentir esse incômodo ao ver amigos, familiares e jovens de sua geração deixando o Acre em busca de oportunidade e qualidade de vida em outros lugares. Para ele, esse êxodo juvenil virou uma ferida aberta no Estado.

O ponto mais forte da fala de Virgílio foi a defesa de que o Acre precisa voltar a oferecer futuro para quem nasce, estuda e quer trabalhar aqui. Ele citou jovens que concluem o ensino médio, entram na universidade, formam-se e, depois, não encontram espaço no mercado. Disse que muitos acabam dependendo de algum arranjo em prefeitura, governo ou secretaria. Na avaliação dele, essa falta de caminho empurra parte da juventude para a frustração e, nos casos mais graves, para o crime. “Isso não pode ser o novo normal do Acre”, afirmou.

Tião Viana revelou que a decisão do filho não foi recebida de imediato com entusiasmo dentro de casa. Disse que, como pai, tentou convencê-lo a seguir outro caminho. Chamou o Congresso Nacional de ambiente contaminado por práticas ruins e afirmou que chegou a aconselhar Virgílio a atuar como advogado ou criar uma organização para ajudar pessoas fora da política. “Esse mundo tá podre”, disse Tião, ao lembrar a reação que teve quando ouviu do filho que ele queria disputar uma vaga de deputado federal.

Virgílio, porém, insistiu. O argumento que convenceu a família, segundo Tião, foi o de que o espaço público não pode ser abandonado. “Se não for pessoa boa pro parlamento, vão ficar só as ruins”, afirmou o ex-governador, ao reproduzir a fala do filho. A partir daí, disse que ele e a ex-primeira-dama Marlúcia Viana aceitaram acompanhar a caminhada. “Pai e mãe tão na chuva e no sol com filho que ama”, completou.

A entrevista também abriu espaço para Tião defender o legado de seus governos. Ele citou a integração da BR-364, investimentos em infraestrutura, saneamento, mecanização agrícola, saúde, educação e desenvolvimento regional. Disse que a estrada foi tratada como prioridade porque era a “espinha dorsal” do Acre. Na comparação com o cenário atual, afirmou que o Estado perdeu capacidade de investimento e passou a viver preso à folha de pagamento.

Na educação, Tião fez uma das críticas mais duras. Afirmou que o Acre chegou a ocupar a oitava posição no Brasil e a primeira na Amazônia durante sua gestão, mas hoje aparece em situação muito pior. Também citou a criação do curso de Medicina e a formação de jovens médicos no Estado. Ao falar da saúde, lembrou relatos de moradores de Feijó sobre a perda de estrutura hospitalar e a dificuldade de acesso a cirurgias e especialistas.

Virgílio tentou ligar essa memória administrativa ao presente. Disse que o Acre precisa recuperar prestígio em Brasília, buscar recursos federais, tratar emendas parlamentares com responsabilidade e priorizar áreas que cheguem à vida real das pessoas. Falou em agricultura familiar, cultura, esporte, programas sociais e políticas para a juventude. Para ele, cultura e esporte são “vacinas contra a criminalidade” e contra a falta de perspectiva.

A conversa também entrou no tema do desenvolvimento econômico. Tião defendeu industrialização, bioeconomia, produção de alimentos, uso inteligente da terra e valorização da floresta em pé. Virgílio reforçou a ideia com exemplos como granjas, suínos, açaí, cacau, café, cooperativas e produção rural em pequenas áreas. “O Acre pode se desenvolver, pode se industrializar de uma forma sustentável”, disse.

No campo político, Virgílio reconheceu que encontra uma juventude descrente e dividida pela polarização nacional. Defendeu o diálogo e citou programas federais como Pé-de-Meia, crédito para trabalhadores de aplicativo, Pronampe, Desenrola Brasil, reformas habitacionais e Vale Gás. Para ele, a política precisa sair da briga permanente e chegar ao cotidiano das famílias.

A imagem mais concreta usada por Virgílio foi a de uma criança de quatro anos, no bairro São Francisco, em Rio Branco, cozinhando em um fogão quebrado, com lenha, perto do igarapé. A lembrança serviu para amarrar o principal recado da entrevista: política não pode ser apenas disputa de poder, cargo ou sobrenome. Precisa chegar à casa de quem vive sem estrutura, ao jovem que quer ficar no Acre, ao produtor que precisa trabalhar e às famílias que não aguentam mais promessas distantes.