Petecão diz que assinatura não muda texto da Câmara e defende debate no Senado sobre jornada 6×1

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, o senador Sérgio Petecão afirmou que o apoio dele à abertura de discussão no Senado sobre a jornada de trabalho não significa adesão a uma mudança no texto já aprovado pela Câmara. Segundo o parlamentar, a intenção é permitir que a proposta seja debatida com mais profundidade antes de qualquer votação. “Não tem uma proposta fechada”, disse. “O que se fez foi nós apoiarmos esse pedido pra que a gente possa abrir um debate também no Senado. Não tem nada mais democrático que isso.”

Petecão reagiu à repercussão criada em torno da assinatura dele e disse que parte do noticiário tratou o tema como se o Senado já estivesse prestes a rever o conteúdo aprovado pelos deputados. Na versão do senador, não é isso que está posto agora. “Isso é fake news”, afirmou ao reforçar que “no Senado não mudamos nada” e que o objetivo é apenas abrir espaço para discussão. Na entrevista, ele repetiu que a proposta aprovada pela Câmara, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, continua sendo a referência principal, mas sustentou que o Senado não pode abrir mão de ouvir outros setores antes de decidir.

Foi justamente nesse ponto que Petecão concentrou a explicação dele. Segundo o senador, a tramitação no Senado ainda depende de debate político e técnico, e a assinatura em apoio à discussão não representa voto antecipado nem texto alternativo sacramentado. “Lá no plenário é quem vota. Ou eu voto a favor ou eu voto contra. Todo mundo vai conhecer meu voto, o voto é aberto”, disse. Antes disso, afirmou, a ideia é ouvir trabalhadores, sindicatos, lideranças do movimento e empresários. “Nós vamos abrir agora para ouvir os sindicatos, ouvir as lideranças desse movimento e vamos ouvir também os empresários, tanto os pequenos, os médios e os grandes empresários.”

Na prática, a explicação de Petecão é a seguinte: a proposta que saiu da Câmara chega ao Senado e passa a ser discutida pelos senadores, que podem manter o texto, alterar pontos ou até ampliar o debate com outras sugestões. É nesse espaço que ele diz defender a abertura de conversa, sem fechar posição de saída. Por isso, o senador insiste que a assinatura dele não deve ser lida como recuo em relação ao texto da Câmara nem como apoio automático a uma flexibilização maior. “A proposta que foi apresentada na Câmara eu acho que é uma proposta interessante”, afirmou. “Sou a favor da proposta da Câmara, mas não impede que eu possa ouvir outros companheiros aqui no Senado.”

Ao longo da entrevista, Petecão tentou se colocar no meio do embate entre trabalhadores e empregadores. Disse que a preocupação principal dele é com a preservação dos direitos de quem trabalha, mas acrescentou que o impacto sobre as empresas, principalmente as menores, precisa entrar na conta. “Eu me preocupo com o empresário, não vou mentir pra você, como também me preocupo com o trabalhador”, afirmou. “Esse debate é muito complexo.” Em outro trecho, resumiu a posição dele com mais franqueza: “Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Questionado sobre o temor de perda de direitos como férias, décimo terceiro e FGTS, o senador disse que não vê risco imediato nesse ponto, mas reconheceu que essa será uma das frentes mais sensíveis da discussão. “Eu não vejo isso. Eu acho que tudo tem que ter diálogo”, declarou. Para ele, o desafio do Senado será construir uma saída que preserve o trabalhador sem empurrar empresas para demissões. “O nosso grande desafio é que nós possamos estar cuidando do nosso trabalhador, criando condições melhores pra ele, mas também não podemos tratar o empresário achando que o empresário é bandido.”

Petecão levou essa preocupação para exemplos do dia a dia e citou o caso de pequenos negócios que funcionam com escala apertada. Na visão dele, uma mudança brusca na jornada pode exigir novas contratações e elevar custos num ritmo que parte do mercado talvez não consiga suportar. “Se vai diminuir os dias de trabalho, ele vai ter que contratar mais”, disse. “Vamos dizer um cara do restaurante, que trabalha a semana toda. Aí, quando for sábado e domingo, ele vai fechar? Se ele fechar sábado e domingo, ele vai quebrar.” A partir dessa leitura, ele passou a defender que o debate sobre a jornada venha acompanhado de alguma discussão sobre contrapartidas do governo para setores mais atingidos.

O senador também reclamou da politização da pauta e afirmou que a discussão corre o risco de ser contaminada pelo ambiente eleitoral. “Eu não posso só por conta dos votos politizar esse debate. Não pode ser politizado”, disse. “Hoje não tem um abençoado que não faça o movimento se não for pensando em voto.” Na avaliação dele, esse tipo de disputa esvazia a discussão central, que deveria estar voltada para a relação entre trabalhador, empregador e mercado de trabalho.

Ainda durante a entrevista, Petecão contou que foi cobrado por eleitores e por empresários depois que a assinatura dele se tornou pública. Disse ter ouvido dúvidas de quem teme aumento de custo para manter funcionários e também de quem receia perda de direitos. Esse choque de interesses, segundo ele, explica por que o Senado precisa tratar o tema com cuidado. “Só tem uma forma de saber: é sentar numa cadeira com muita responsabilidade”, afirmou. “Eu não posso defender uma proposta porque isso aqui me dá mais voto. Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Ao fim, Petecão tentou resumir a mensagem que quis passar: o Senado ainda não deu a palavra final sobre a jornada 6×1, a proposta da Câmara segue no centro do debate e a assinatura dele teve o objetivo de abrir a discussão, não de substituir o texto por outra saída já acertada. “Vamos abrir um debate pra que, se Deus quiser, nós possamos sair com consciência”, afirmou. “Não tem nada disso de que nós já mudamos alguma coisa.”

Prefeitura de Rio Branco faz balanço inicial do Prefeitura nas Ruas e amplia frente de serviços

A Prefeitura de Rio Branco reuniu secretários municipais na sexta-feira, 29 de maio, para avaliar os primeiros resultados do programa Prefeitura nas Ruas e definir a ampliação das ações em bairros da capital. O encontro foi conduzido pelo prefeito Alysson Bestene e serviu para ajustar a próxima etapa do trabalho integrado entre as pastas.

A proposta do programa é concentrar serviços em uma mesma região para acelerar o atendimento à população. Entre as ações previstas estão limpeza urbana, recuperação de vias, drenagem, calçamento e outras intervenções de infraestrutura. A gestão municipal avalia que a atuação conjunta das equipes tem dado mais alcance às operações e melhorado a resposta às demandas dos moradores.

Durante a reunião, o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, defendeu a continuidade do modelo de força-tarefa nos bairros. A estratégia, segundo a prefeitura, é manter o acompanhamento das áreas atendidas e organizar novas frentes de trabalho a partir das necessidades mais urgentes.

Alysson Bestene afirmou que a prefeitura tem monitorado os pontos que exigem manutenção e reforçou que a meta é dar mais agilidade aos serviços. A administração municipal também aposta na integração entre os setores para manter as ações de infraestrutura e conservação de forma contínua.

No mesmo encontro, a prefeitura confirmou a realização da ciclística educativa “Olhar que Salva”, marcada para domingo, 31 de maio. A atividade integra a agenda de conscientização sobre segurança no trânsito e incentivo à prevenção.

Aos 24 anos, indígena Huni Kuĩ se torna professor federal no Acre e leva representatividade à sala de aula

Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.

A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.

No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.

A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.

Porto Acre recebe 1ª indústria de beneficiamento de café para atender produtores do Projeto Tocantins

Porto Acre passou a contar neste sábado, 30, com a primeira indústria de beneficiamento de café do município, instalada no Ramal Boa União, no Projeto Tocantins. A estrutura foi entregue para atender cerca de 40 famílias produtoras e permitir que o café seja seco e processado na própria região, sem a necessidade de transporte até Acrelândia.

O investimento total foi de R$ 400 mil, sendo R$ 300 mil destinados por Perpétua Almeida e R$ 100 mil por Edvaldo Magalhães. A unidade recebeu equipamentos como secador e descascador, etapa considerada decisiva para reduzir custos de produção e ampliar a renda das famílias envolvidas na atividade.

Com a nova estrutura, os produtores deixam de arcar com o deslocamento da colheita para outro município, o que consumia parte do lucro da produção. A expectativa é que o beneficiamento local fortaleça a cafeicultura em Porto Acre e mantenha mais recursos circulando dentro da própria comunidade.

Durante a entrega, a avaliação entre lideranças locais foi de que a indústria representa um avanço para a agricultura familiar e para a organização da cadeia produtiva do café no município. A produção local vem crescendo nos últimos anos, e a nova unidade deve ampliar a capacidade de processamento e dar mais autonomia aos agricultores.

A instalação da indústria também reforça o movimento de expansão da cafeicultura no Acre, com foco em agregar valor ao produto ainda na origem e estimular a industrialização de pequenas cadeias rurais. Em Porto Acre, a aposta é que a estrutura ajude a consolidar a atividade como uma das principais fontes de renda das famílias do campo.

Prefeitura de Rio Branco inicia edição terrestre do Saúde Rural na Transacreana

A Prefeitura de Rio Branco iniciou neste sábado, 30, a edição terrestre do programa Saúde Rural com uma ação na Escola Major João Câncio, no km 80 da AC-90, a Transacreana. A mobilização levou atendimento de saúde e serviços de apoio à população da zona rural, com foco em moradores que enfrentam dificuldade de acesso às unidades da área urbana.

A ação reuniu cerca de 70 profissionais e ofereceu consultas médicas, atendimento odontológico, vacinação, testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites, pequenas cirurgias, implantação de Implanon, atendimento pediátrico e práticas integrativas. A programação também incluiu atividades voltadas às famílias e às crianças.

A iniciativa marca a ampliação do atendimento itinerante no período de verão, quando as condições das estradas e ramais facilitam o deslocamento das equipes até comunidades mais afastadas. A proposta é levar para a zona rural parte da estrutura de atendimento disponível na cidade e reduzir a necessidade de longos deslocamentos por parte dos moradores.

Segundo a prefeitura, a etapa terrestre complementa o trabalho já realizado em áreas ribeirinhas e deve avançar para outras localidades rurais nos próximos meses. A estratégia é reforçar a atenção básica e ampliar a cobertura de serviços essenciais nas regiões mais distantes de Rio Branco.

Prefeitura amplia operação de limpeza na Baixada da Cadeia Velha, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco intensificou nesta sexta-feira, 29 de maio, os serviços de limpeza e manutenção na Baixada da Cadeia Velha, com capina, retirada de entulho e limpeza de vias. A ação integra o programa Prefeitura nas Ruas e faz parte da estratégia da gestão municipal para reforçar a zeladoria em bairros da capital.

A operação contou com sete equipamentos pesados e cerca de 25 trabalhadores. Enquanto as equipes atuavam na Baixada da Cadeia Velha, outras frentes mantinham o cronograma de atendimento nas dez regionais de Rio Branco, com serviços em áreas urbanas e rurais.

De acordo com a administração municipal, o descarte irregular de resíduos segue como um dos principais problemas enfrentados pelas equipes. O acúmulo de entulho em calçadas e ruas aumenta o custo da operação e exige mais tempo para a conclusão dos serviços.

A prefeitura informou ainda que as ações de limpeza são comunicadas com antecedência às lideranças comunitárias para que os moradores possam organizar o descarte de materiais antes da chegada das equipes. A medida busca dar mais regularidade ao serviço e reduzir pontos de acúmulo de resíduos na cidade.

Seminário do PSDB no Acre reúne Bocalom e lideranças em debate sobre desenvolvimento do estado

O seminário estadual “Acre: Desenvolvimento e Oportunidades”, também divulgado como “Acre de Oportunidades: Diálogo, Gestão e Desenvolvimento”, será realizado neste sábado, 30 de maio, no auditório do Sebrae, em Rio Branco, reunindo lideranças políticas, representantes do setor produtivo e convidados para discutir propostas voltadas ao desenvolvimento do estado. Organizado pela Federação PSDB-Cidadania no Acre, o encontro é conduzido pelo presidente estadual do partido, Tião Bocalom, e foi apresentado como uma etapa de construção de ideias para áreas como economia, infraestrutura, saúde, segurança, educação, tecnologia e turismo.

A programação prevê debates ao longo da manhã com participação de nomes ligados ao partido e a diferentes setores da gestão pública e da atividade econômica. Bocalom está entre os participantes do primeiro painel, voltado a agronegócio, indústria e infraestrutura, num formato que busca reunir contribuições para um diagnóstico mais amplo sobre os desafios e as oportunidades do Acre.

A proposta do seminário é ampliar a discussão sobre caminhos para o estado em temas que também incluem qualificação profissional, inovação, cultura, esporte, meio ambiente e políticas sociais. A organização trata o evento como um espaço de diálogo com empresários, estudantes, lideranças comunitárias e representantes de diferentes segmentos da sociedade.

Ao divulgar o encontro, Bocalom resumiu a proposta do seminário com a frase: “O Acre que queremos construir passa pelo diálogo, pelas ideias e pela participação de todos.” A declaração reforça o tom político do evento e a tentativa de aproximar o debate partidário de setores que devem participar da formulação das propostas apresentadas durante a programação.

O seminário ocorre num momento de maior movimentação política no Acre e amplia a agenda pública de Bocalom à frente do PSDB no estado. A expectativa da organização é que as discussões sirvam de base para consolidar eixos de atuação e propostas para os próximos anos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul mantém frentes de obras em bairros e ramais do município

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul executou na terça-feira, 26 de maio, uma série de serviços de infraestrutura em áreas urbanas e rurais do município, com ações de recuperação de vias, tapa-buracos, drenagem, melhorias de acesso, manutenção de ramais e revitalização de espaços públicos. Os trabalhos foram concentrados em bairros da cidade e em comunidades mais afastadas, com foco em mobilidade, escoamento da água e abastecimento.

Entre as intervenções, a gestão municipal fez a recuperação da pista da Vila Olímpica, que passa por revitalização para receber uma competição esportiva prevista para esta semana. Também houve melhorias no acesso à Creche Anexo da Escola São Cristóvão, no bairro Igarapé Preto.

Na Rua Alfredo Teles, no bairro João Alves, as equipes atuaram com instalação de bueiros e aterro da área. A obra integra o pacote de drenagem levado a diferentes pontos da cidade para reduzir os transtornos provocados pelas chuvas e melhorar o escoamento da água.

Na zona rural, os serviços chegaram aos ramais do Cunha e Lorinho, na Estrada da Canela Fina, com terraplanagem e recuperação da camada vegetal para melhorar as condições de tráfego. Na comunidade da Praia Grande, o trabalho incluiu a substituição da tubulação danificada pela força do rio no sistema de abastecimento de água, além da continuidade do desvio que busca restabelecer o acesso e retirar moradores do isolamento.

De acordo com a prefeitura, as equipes também mantiveram serviços nos bairros São Luís e Nossa Senhora das Graças e no Ramal do Remanso, dentro de um cronograma de atuação simultânea em diferentes regiões do município.

Jorge e Binho avaliam crise na educação do Acre e apresentam projeto de conectividade escolar

O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.

A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.

Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.

A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.

A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.