Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Jorge Viana diz que tirou carga ideológica da campanha ao Senado: “Minha candidatura é do Acre”

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana afirmou, durante entrevista na última noite da Expoacre Juruá, no Portal Acre, que pretende conduzir a campanha de 2026 com foco no desenvolvimento do Acre e longe da polarização partidária. Filiado ao PT, ele disse que não vai negar sua trajetória política, mas defendeu que a disputa não seja resumida a um confronto ideológico. “Eu tirei a carga ideológica da minha campanha. Minha candidatura ao Senado é uma candidatura do PT, é uma candidatura do Acre”, afirmou.

Jorge Viana disse que o estado atravessa um momento difícil e que a eleição precisa tratar de propostas concretas. “O Acre está vivendo uma fase que não é boa. Se você gastar tua energia errada, aí piora. Eu quero gastar a minha de positiva”, declarou. Ele afirmou que tem encontrado pessoas em busca de “esperança de dias melhores” e que não pretende alimentar disputas políticas diárias. “As pessoas estão querendo ter esperança de dias melhores e não querer saber qual é a briga do dia.”

Ao comentar a rejeição ao PT e ao próprio nome, o ex-governador afirmou que o cenário político mudou com a polarização dos últimos anos. “Quando eu saí do governo, eu tinha 87% de ótimo e bom. Não era de aprovação. Isso era a maior do Brasil”, disse. Na sequência, reconheceu que houve desgaste nas gestões petistas no Acre. “Teve muitos erros nos nossos últimos governos, a gente cometeu falhas graves. Os acertos são maiores, mas teve muitos erros e teve uma rejeição enorme.”

O pré-candidato avaliou que uma campanha baseada em confronto partidário tende a fracassar. “Se fizer uma campanha aí PT contra não sei o quê, vai perder”, afirmou. Para Jorge Viana, a disputa pelo Senado deve ser apresentada como um projeto estadual, não apenas partidário. “O PT é o partido que eu tenho. Ninguém vai questionar. Eu não estou negando minha história. Só estou dizendo que eu não vou votar porque o PT”, disse.

Viana também falou sobre divergências internas no partido e citou a derrota eleitoral de 2018. “O PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram outra candidatura, querendo me tirar”, afirmou. Mesmo assim, disse que não pretende transformar esse episódio em nova disputa interna. “Eu vou brigar? Não. Então não tem briga com ninguém no PT. Não tem briga com nenhum. Mas a minha candidatura é pelo Acre.”

O ex-governador defendeu uma campanha de aproximação com eleitores de diferentes campos políticos. “Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado”, declarou. Ele disse que tem visitado prefeitos e lideranças municipais para tratar de desenvolvimento, infraestrutura e serviços. “Meu propósito é ajudar o Acre, trabalhar com todo mundo, com todos os prefeitos, independente de partido.”

Ao responder sobre adversários políticos, Jorge Viana evitou ataques diretos ao senador Márcio Bittar e ao governador Gladson Cameli. “Eu não vou criticar o Márcio, não vou criticar o Gladson, não vou criticar ninguém”, disse. Em seguida, afirmou que pretende concentrar o debate em propostas como internet de qualidade, desenvolvimento econômico e recuperação de áreas estratégicas do estado. “Eu estava falando agora de botar internet de qualidade pra todo mundo, de ter um modelo de desenvolvimento.”

Viana criticou a dependência política de emendas parlamentares e cobrou planejamento para o Acre. “É uma falácia esse negócio das emendas. Fica todo mundo inventando. Arruma uma emenda pra cá, uma emenda pra lá. Cadê o plano?”, questionou. Para ele, a eleição ao Senado não deve ser movida pelo objetivo de impedir adversários de vencer. “Eu acho ruim uma pessoa ser candidata ao Senado pra derrotar isso, pra impedir que alguém não ganhe aquilo. Você tem que ser por um propósito.”

O ex-governador disse que pretende atuar em Brasília para recolocar o Acre em uma rota de crescimento. “Se eu ganhar, se o Lula for presidente, eu vou lutar pra que o Acre saia desse purgatório, desse borralho e volte a prosperar”, afirmou. “Eu vou ajudar. Então o meu propósito é esse.”

Foto: Cefas Queiróz

Naluh mira “pão e circo”; pasta da Indústria tem R$ 63 milhões em festas e eventos

A fala da conselheira Naluh Gouveia, durante sessão do Tribunal de Contas do Estado do Acre no último dia 2 de julho, colocou em palavras uma pergunta que os números tornam difícil de ignorar: a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia tem financiado uma política de desenvolvimento ou virou uma das principais portas do governo Gladson Cameli e Mailza Assis para bancar festas, shows, feiras e eventos de curta duração?

Naluh foi direta ao tratar dos gastos públicos com festas. Disse que “essa situação dessas festas é um absurdo” e cobrou da Procuradoria-Geral do Estado uma postura menos voltada à defesa de secretários e governadores e mais comprometida com o Estado, a Constituição e o dinheiro público. “A Procuradoria tá nos devendo, como moradores do Acre, essa defesa do nosso Estado”, afirmou.

A manifestação ocorreu na sessão em que o TCE manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. O processo tratava dos Termos de Colaboração nº 3 e nº 4/2026, firmados pela SEICT com a Associação Transformar. Os valores discutidos chegam a cerca de R$ 2,2 milhões para Rio Branco e R$ 2,6 milhões para Cruzeiro do Sul, somando mais de R$ 4,8 milhões.

A cautelar havia sido adotada por falhas no processo, entre elas ausência de pesquisa de preços, falta de comprovação da capacidade técnica da entidade e problemas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou derrubar a suspensão. Alegou que a secretaria entregou depois os documentos cobrados e que a manutenção do bloqueio poderia prejudicar fornecedores e trabalhadores locais, já que os eventos tinham sido realizados. Pediu a liberação dos pagamentos ou, ao menos, o repasse conforme a apresentação das notas fiscais.

A maioria dos conselheiros acompanhou o voto da relatora, conselheira Maria de Jesus, e manteve a suspensão. A entrega posterior dos documentos não bastou para liberar o dinheiro. Pelo volume de recursos e pelas dúvidas abertas no processo, o TCE decidiu que a documentação ainda precisa passar por análise técnica antes de qualquer pagamento.

A crítica de Naluh foi além da Festa do Trabalhador. Ela citou gastos com evento religioso, defendeu o princípio do Estado laico e disse que algumas movimentações em secretarias são “extremamente suspeitas”. No trecho mais duro, falou em “valores imensos para shows” em que o artista “vem aqui, canta e vai embora e não fica nada pro nosso Estado”.

A planilha de despesas da SEICT, após pesquisa no Portal da Transparência, dá tamanho financeiro a essa crítica. A base reúne 1.227 lançamentos entre 2022, 2024, 2025 e o primeiro semestre de 2026. Não há registros de 2023. No período disponível, a secretaria pagou R$ 131,1 milhões. Desse total, R$ 85,2 milhões aparecem na subfunção Promoção Comercial, o equivalente a 65% de tudo que saiu da pasta.

Quando o recorte busca nos históricos termos como Expoacre, evento, feira, show, atrações nacionais, carnaval, festa, festival e Dia do Trabalhador, o valor chega a R$ 63,1 milhões pagos. Na prática, quase metade de todo o dinheiro movimentado pela Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia no período analisado foi para despesas ligadas a festas, feiras, eventos e atrações nacionais.

O contraste é direto. A mesma pasta que carrega no nome as palavras indústria, ciência e tecnologia pagou R$ 7,6 milhões em Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico, R$ 10,7 milhões em Promoção Industrial e R$ 1,3 milhão em Tecnologia da Informação. Somadas, essas três áreas ficam muito abaixo do volume encontrado em eventos.

Só os históricos que citam Expoacre somam R$ 47,1 milhões. A Expoacre Juruá aparece em R$ 33,6 milhões. Os maiores recebedores desse bloco são a Casa da Amizade, com R$ 40,8 milhões em despesas vinculadas a eventos e feiras, e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,5 milhões.

O caso mais expressivo é o Termo de Colaboração nº 3/2025/SEICT, firmado com a Casa da Amizade. O objeto aparece como promoção de eventos com atrações nacionais para as edições da Expoacre Juruá e da Expoacre em Rio Branco. Foram quatro pagamentos: R$ 9,7 milhões, R$ 9,1 milhões, R$ 3,2 milhões e R$ 135 mil. Ao todo, R$ 22,3 milhões.

A programação acompanhou o tamanho da conta. Em 2025, a Expoacre Juruá levou a Cruzeiro do Sul Raça Negra, Gusttavo Lima, Isaías Saad, Marcynho Sensação, Vila Kids Festival, Eric Land e Wesley Safadão. Em Rio Branco, a Expoacre teve Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo & Luciano, Fernanda Brum, Matheus & Kauan, apresentações infantis, Tribe Festival, Ecofest e Jorge & Mateus no encerramento.

O modelo não começou em 2025. Em 2024, a Expoacre em Rio Branco teve Biguinho Sensação, Marília Tavares, Limão com Mel, Nadson o Ferinha, Thalles Roberto e Henry Freitas. Na Expoacre Juruá do mesmo ano, o governo anunciou Murilo Huff, Manu Bahtidão, Som e Louvor e Raquel dos Teclados. O discurso oficial sempre apresentou as feiras como vitrines econômicas e motores para o comércio local.

O Carnaval da Família também entrou na conta da SEICT. A planilha mostra R$ 5,16 milhões em despesas com carnaval. Em 2025, a programação teve atrações nacionais como Tchakabum e Gilmelândia, além de artistas locais.

No Dia do Trabalhador de 2026, a base mostra R$ 1.595.503,29 pagos à Associação Transformar: R$ 914 mil para Cruzeiro do Sul e R$ 681,5 mil para Rio Branco. O valor localizado como pago é menor que o total discutido no TCE porque parte dos repasses foi suspensa. Na programação, o governo levou Joelma para Cruzeiro do Sul e Tierry para Rio Branco.

O governo costuma defender esses eventos como instrumentos de movimentação econômica. A Expoacre aquece hotéis, restaurantes, transporte, comércio, ambulantes e prestadores de serviço. Isso não elimina a pergunta central: essa política deixa uma base permanente de desenvolvimento ou só movimenta dinheiro enquanto o palco está montado?

Naluh resumiu a crítica em uma expressão antiga e incômoda. Disse que muitas vezes se dá “pão e circo” para a população esquecer que “não se tem creche, que não se tem emprego, que não se tem trabalho”. Para ela, quando o Estado escolhe a festa como prioridade, deixa de enfrentar problemas que continuam no dia seguinte ao show.

A conselheira também fez uma comparação com os artistas locais. Disse ver jovens formados em música pela Universidade Federal do Acre sem perspectiva, enquanto artistas de fora recebem R$ 300 mil, R$ 500 mil ou R$ 1 milhão e vão embora. “Isso não é certo”, afirmou. Em outro trecho, disse que esses shows entregam “aquele momento de felicidade naquela hora e depois 300 e poucos dias de sofrimento”.

A concentração dos pagamentos reforça o peso político e financeiro dessa engrenagem. Quase metade de todo o dinheiro pago pela SEICT aparece no elemento de despesa Contribuições, com R$ 64 milhões. Esse tipo de despesa inclui repasses a entidades por meio de parcerias, convênios e termos de colaboração. Os dez maiores credores da pasta receberam R$ 102,9 milhões, cerca de 78,5% de todo o valor pago.

O Acre também acumula investigações e decisões judiciais envolvendo shows, empresários de eventos, inexigibilidades e suspeitas de irregularidades. Em janeiro de 2026, a Operação Graco, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, mirou um contrato de R$ 1,3 milhão para três shows em Sena Madureira, firmado por inexigibilidade de licitação, com suspeita de prejuízo de até R$ 912 mil.

Em outra frente, a Operação Inceptio levou o Ministério Público do Acre a denunciar 14 pessoas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação tratou de um grupo voltado ao envio de drogas para outros estados e à movimentação de dinheiro para esconder a origem dos valores. A imprensa local apontou entre os investigados empresários com atuação no setor de eventos, camarotes, casas noturnas e grandes shows no Acre.

O Ministério Público também já conseguiu suspender shows em municípios acreanos. Em Sena Madureira, a Justiça suspendeu em 2022 a contratação de Bonde do Forró e Mattos Nascimento para a ExpoSena, após ação que apontava desproporção entre festas e prioridades públicas. Em 2026, no Jordão, o MPAC conseguiu manter suspenso contrato de R$ 400 mil para show de Evoney Fernandes, com questionamentos sobre inexigibilidade, possível sobrepreço e compatibilidade da despesa com a realidade social do município.

Nada disso torna todo evento irregular. Feira, show e festa também movimentam economia, dão trabalho a muita gente e podem integrar uma política pública legítima. O problema começa quando uma secretaria criada para cuidar de indústria, ciência e tecnologia passa a concentrar dezenas de milhões em eventos e atrações nacionais sem mostrar, com a mesma clareza, o que ficou de permanente para o Acre.

Depois de R$ 63,1 milhões em despesas ligadas a eventos, feiras, carnaval, Dia do Trabalhador, Expoacre e atrações nacionais, o governo precisa responder quais indústrias foram atraídas, quais cadeias produtivas ganharam força, qual polo tecnológico avançou, quantos empregos permanentes foram criados e que legado econômico ficará quando as luzes da arena se apagarem.

A fala de Naluh Gouveia abriu o incômodo no TCE. A planilha da SEICT mostrou a dimensão da conta. No Acre, o palco passa, o artista embarca de volta e a despesa fica. O que ainda não apareceu, com a mesma força dos contratos de festa, foi a política industrial, científica e tecnológica capaz de justificar uma secretaria com esse nome gastar tanto com evento.

Mulher identificada como Juliana é morta em Cruzeiro do Sul; suspeito se mata após o crime

Uma mulher identificada como Juliana, também conhecida pelo apelido de Xiribilda, foi morta neste domingo (5) no Ramal do Japãozinho, nas proximidades do banho do João Machado, em Cruzeiro do Sul. O caso é tratado inicialmente como feminicídio seguido de suicídio. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, conhecido como Neném, que morreu após o crime.

O corpo do suspeito foi encontrado por moradores próximo a um açude na propriedade. A Polícia Militar, a perícia técnica e o Instituto Médico Legal foram acionados para atender a ocorrência e realizar os procedimentos no local.

Relatos de moradores apontam que o casal havia se separado recentemente. A separação teria ocorrido depois que a mulher descobriu uma traição. O homem teria tentado reatar o relacionamento, mas a vítima recusou.

A ocorrência ainda depende de confirmação oficial das autoridades. A Polícia Civil deve apurar as circunstâncias do crime, ouvir testemunhas e reunir elementos para esclarecer a dinâmica da morte de Juliana e do suspeito.

Obras no Ramal Boa Água devem beneficiar mais de 800 famílias em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco executa obras de recuperação no Ramal Boa Água, na zona rural da capital, para melhorar o tráfego de moradores e produtores rurais, além de facilitar o escoamento da produção agrícola até feiras e mercados públicos. O prefeito Alysson Bestene acompanhou os serviços na manhã de sábado, 4 de julho, ao lado de secretários e gestores municipais.

Com mais de 25 quilômetros de extensão, o ramal atende diretamente mais de 800 famílias produtoras. A intervenção inclui recuperação do sistema de drenagem, reconformação da plataforma da estrada, melhorias no pavimento, tapa-buracos com CBUQ em alguns trechos e aplicação de Tratamento Superficial Duplo na maior parte da via até as escolas.

Os trabalhos são executados pela Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco. O diretor-presidente da Emurb, Abdeel Derze, disse que a orientação foi iniciar os serviços durante o período de estiagem para garantir melhores condições de tráfego. “Nós vamos recuperar todo o sistema de drenagem e fazer toda a reconformação do pavimento”, afirmou.

A recuperação da estrada também deve reduzir custos de transporte e dar mais segurança aos agricultores que dependem do ramal para levar verduras e outros produtos até a área urbana. O secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano, afirmou que a obra atende comunidades que vivem da agricultura familiar e que novos serviços devem avançar por outros acessos rurais, como Oriente 1 e Oriente 2.

Durante a visita, Alysson Bestene afirmou que a intervenção busca garantir mobilidade às famílias do campo e melhorar o transporte dos alimentos produzidos na zona rural. “Todo esse trabalho aqui no Ramal Boa Água é para trazer dignidade às famílias e, acima de tudo, fazer com que essa produção chegue à cidade da melhor forma possível, com segurança, mobilidade e total trafegabilidade”, disse o prefeito.

O produtor rural Sebastião Veras, morador do Ramal Boa Água, disse que a recuperação chega em um período importante para os agricultores. Segundo ele, julho marca o início da retirada da produção para comercialização na cidade, enquanto agosto é dedicado ao preparo da terra para o próximo plantio.

A obra faz parte das ações do programa Prefeitura nas Ruas voltadas à infraestrutura rural. A melhoria do Ramal Boa Água deve beneficiar o transporte da produção, o acesso de moradores às comunidades e o abastecimento de feiras e mercados de Rio Branco.

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

Rio Branco entrega 70 microtratores para fortalecer agricultura familiar

A Prefeitura de Rio Branco entregou, nesta sexta-feira (3), 70 microtratores à Secretaria Municipal de Agropecuária para ampliar o apoio aos produtores rurais e fortalecer a agricultura familiar no município. A ação ocorreu durante solenidade conduzida pelo prefeito Alysson Bestene e também incluiu a entrega de um veículo para reforçar os serviços da pasta.

Os equipamentos fazem parte de um investimento que prevê 140 microtratores, viabilizados por emenda parlamentar federal. As máquinas serão usadas no atendimento aos produtores rurais, com foco na mecanização de atividades como preparo do solo, cultivo e outras etapas do trabalho agrícola.

A medida busca reduzir o esforço manual nas propriedades e aumentar a produtividade no campo. Os microtratores serão destinados principalmente aos pequenos produtores atendidos pelas ações municipais de apoio à agricultura familiar, incluindo comunidades do Cinturão Verde de Rio Branco.

Durante a entrega, Alysson Bestene afirmou que a prefeitura tem ampliado os serviços do programa Prefeitura no Campo, com apoio técnico, mecanização e distribuição de mudas. “Esses microtratores ajudam na mecanização para que eles possam arar a terra e produzir mais. É assim que nós vamos ampliar a produção”, disse o prefeito.

Bestene também agradeceu ao senador Petecão pela emenda que viabilizou os equipamentos. “Trabalhando juntos, vamos poder fazer mais pela nossa gente e pelo nosso povo”, afirmou.

O secretário municipal de Agropecuária informou que Rio Branco tem 2.400 famílias ligadas à agricultura familiar e que os novos equipamentos vão reforçar o atendimento aos pequenos produtores. “A agricultura familiar já vem avançando muito bem e, com esses equipamentos, vai melhorar ainda mais”, disse.

Além dos microtratores, a gestão municipal prevê a chegada de novos implementos e triciclos com caçamba para apoiar o transporte da produção rural. A ampliação da mecanização integra as ações voltadas ao fortalecimento da produção agrícola e à melhoria das condições de trabalho nas comunidades rurais da capital acreana.

Bocalom intensifica agenda no Juruá e amplia articulação para disputa pelo governo do Acre

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, concentrou nesta semana uma série de agendas no Vale do Juruá, com passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, para ampliar alianças políticas, ouvir setores produtivos e reforçar a construção de propostas para a disputa estadual de 2026.

A agenda começou no domingo, 28, com a chegada a Cruzeiro do Sul, onde Bocalom abriu uma rodada de compromissos com empresários, lideranças políticas e representantes de comunidades da região. No dia seguinte, participou do Seminário Estadual de Desenvolvimento do Vale do Juruá, realizado na Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, com debates sobre agronegócio, infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, turismo, cultura, esporte, qualificação profissional e novos empreendimentos.

A passagem pelo Juruá ocorre na mesma semana da Expoacre Juruá 2026, realizada entre 30 de junho e 5 de julho, em Cruzeiro do Sul. A feira movimentou a cidade, reuniu empresários, produtores rurais, empreendedores, lideranças políticas e visitantes de vários municípios, e transformou a região em um dos principais centros de discussão econômica e política do estado nos primeiros dias de julho.

Em Cruzeiro do Sul, Bocalom também cumpriu agenda na APAE, onde conheceu a estrutura de atendimento, conversou com funcionários, pais e alunos, e defendeu a manutenção de parcerias entre o poder público e instituições que prestam assistência a pessoas com deficiência. A entidade atende crianças, adolescentes, jovens e adultos de todo o Vale do Juruá nas áreas social, clínica e pedagógica.

Durante a semana, o pré-candidato também esteve na Expoacre Juruá, percorreu estandes, conversou com expositores e participou da noite gospel da feira, no Parque de Exposições. No contato com produtores e empreendedores, voltou a defender investimentos voltados ao campo, ao setor produtivo e à geração de emprego e renda no interior.

A articulação política avançou em Cruzeiro do Sul com adesões de lideranças locais. Entre os nomes que passaram a apoiar o projeto estão o médico Rondinei Brito, a médica cardiologista e empresária Joseane Tonussi e o ex-vereador Romário Tavares, que exerceu cinco mandatos no Legislativo municipal e atua na coordenação política da pré-campanha no Juruá.

Em Mâncio Lima, Bocalom reforçou a aproximação com o empresário e pecuarista Chicão da Distribuidora, candidato a prefeito nas eleições de 2024. Chicão declarou apoio à pré-candidatura e passou a integrar o grupo de lideranças locais que trabalham para ampliar a presença do tucano no município.

A agenda também chegou a Rodrigues Alves, onde Bocalom se reuniu com lideranças políticas, empresários e representantes do setor rural. No município, visitou o ex-vereador e ex-secretário municipal de Educação Petronilho Araújo e manteve diálogo com o vereador Chico Vaqueiro, ligado à pauta da agricultura e do homem do campo.

A estratégia adotada no Juruá combina encontros públicos, visitas institucionais, conversas com o setor produtivo e articulação com lideranças municipais. A movimentação marca uma tentativa de consolidar presença em uma das regiões mais importantes do estado e de transformar demandas locais em bandeiras para a pré-campanha.

Carta de Flávio Bolsonaro aos EUA expõe cálculo eleitoral em meio a ameaça de tarifaço

A carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a ameaça de novas tarifas contra produtos brasileiros abriu uma crise política para a oposição ao colocar o interesse eleitoral no centro da negociação. Em vez de contestar de forma frontal a pressão americana sobre o Brasil, o parlamentar pediu que a decisão fosse adiada para depois das eleições de 2026, argumento que transformou a própria carta em munição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ponto mais sensível do texto é a admissão de que a sobretaxa poderia favorecer Lula politicamente. Ao levar esse argumento a autoridades americanas, Flávio deslocou o debate do impacto econômico sobre empresas, trabalhadores e exportadores para o efeito da medida sobre sua campanha presidencial. A iniciativa passou a ser lida no meio político como uma tentativa de calibrar o tempo da pressão externa para reduzir danos eleitorais à oposição.

A carta também enfraqueceu o discurso bolsonarista de defesa do Brasil. O pedido não se concentra em barrar definitivamente a tarifa, mas em suspender sua aplicação até depois da eleição. Na prática, a mensagem enviada a Washington sugere que o problema principal não seria a agressão comercial em si, mas o momento em que ela poderia ocorrer. Essa diferença deu ao Planalto espaço para enquadrar a oposição como dependente de uma decisão estrangeira em plena disputa nacional.

O erro político foi agravado pela exposição da estratégia. Ao avisar que o tarifaço ajudaria Lula, Flávio entregou ao adversário a narrativa de que a crise fortalece o discurso de soberania do governo. A carta, que buscava reduzir o custo da medida para a campanha bolsonarista, acabou produzindo o efeito contrário: associou a oposição a uma articulação externa e permitiu ao PT apresentar o episódio como prova de interferência sobre o processo eleitoral brasileiro.

O caso também reacende o histórico de pressão internacional envolvendo integrantes da família Bolsonaro. A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em defesa de sanções contra autoridades brasileiras e medidas de pressão relacionadas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, dificulta a tentativa de separar a discussão comercial da agenda política do bolsonarismo. A nova carta recoloca esse vínculo no centro do debate.

Para Lula, o episódio funciona como ativo de campanha. O presidente passou a tratar o tarifaço como ataque à economia nacional e à soberania do país, enquanto tenta colar em Flávio a imagem de candidato disposto a negociar com uma potência estrangeira a partir de conveniências eleitorais. Para Flávio, o desafio agora é explicar por que um presidenciável recorreu ao governo americano para pedir não a rejeição plena da tarifa, mas o adiamento de uma decisão que poderia prejudicá-lo nas urnas.

A disputa deixou de ser apenas comercial. A carta transformou a ameaça de tarifa em tema central da eleição e deu ao governo uma linha de ataque direta contra o bolsonarismo. O cálculo de Flávio era evitar que a pressão dos Estados Unidos fortalecesse Lula. O resultado imediato foi justamente ampliar esse risco.

Documentos de 2020 enfraquecem discurso de Mailza sobre Alan Rick e viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram indicação somente de Alan Rick para viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram que o recurso federal destinado ao viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco, entrou na emenda de bancada de 2020 por indicação vinculada ao então deputado federal Alan Rick. Conforme o documento afirma, ele foi o único a fazer essa indicação. Os registros enfraquecem o discurso da governadora Mailza Assis, que tratou a obra apenas como resultado de uma construção coletiva da bancada, Sudam, governo federal e governo do Acre.

O ponto central da controvérsia está na diferença entre a tramitação formal e a indicação política do recurso. Formalmente, a verba saiu por meio da Emenda de Bancada nº 71020001. Na prática, os documentos mostram que a parte destinada ao complexo viário aparece atribuída a Alan Rick, dentro da organização interna das indicações parlamentares da bancada federal acreana.

O principal registro é o Ofício nº 020/2020, assinado em 20 de março de 2020 pelo senador Sérgio Petecão, então coordenador da bancada federal do Acre. O documento foi encaminhado ao então governador Gladson Cameli para comunicar a abertura de programa no Siconv referente à construção do viaduto na Avenida Ceará com a Isaura Parente, em Rio Branco.

No quadro anexado ao ofício, a emenda aparece dividida em dois programas vinculados à Seinfra, nos valores de R$ 17.741.160,00 e R$ 1.032.568,00. Juntos, os dois valores somam R$ 18.773.728,00. Logo abaixo, Petecão registrou que a emenda havia sido “proposta e defendida pelo Deputado Federal Alan Rick”.

A planilha de acompanhamento das emendas de bancada de 2020 reforça a mesma informação. Na linha da Emenda 71020001, Alan Rick aparece como parlamentar vinculado ao recurso. O documento aponta a Sudam como unidade orçamentária e descreve o objeto como implantação de Complexo Viário no município de Rio Branco.

A própria comunicação política do governo Gladson Cameli também reconheceu, à época, a participação de Alan Rick. Em postagem antiga, o então governador apresentou a maquete da intervenção na Avenida Ceará, falou em investimento de R$ 20 milhões e agradeceu ao parlamentar pela emenda destinada ao projeto.

A fala de Mailza ganhou repercussão depois da liberação do tráfego no viaduto. Ao comentar a origem dos recursos, a governadora afirmou que a obra não poderia ser atribuída exclusivamente a Alan Rick e citou a emenda de bancada, a Sudam, o governo federal e a participação do Estado.

Os documentos, porém, mostram que a explicação fica incompleta quando ignora a indicação parlamentar que deu origem à destinação. A obra foi executada pelo governo do Acre e tramitou como emenda de bancada, mas os registros de 2020 ligam a escolha do viaduto ao então deputado federal Alan Rick.

Na prática, a documentação não retira o papel do Estado na execução nem o caráter formal da emenda coletiva. Mas enfraquece a tentativa de diluir a participação de Alan Rick na origem do recurso federal. O que os registros mostram é que a indicação política para o viaduto da Avenida Ceará saiu da cota articulada pelo então deputado, antes de a obra deixar o papel e passar a integrar o trânsito da capital.