Autoridades cobram investigação e prestam solidariedade a Chico Melo após ataque em Cruzeiro do Sul

Autoridades, lideranças políticas e entidades de classe prestaram solidariedade ao jornalista Chico Melo e cobraram uma investigação rápida sobre a invasão de sua residência e as agressões sofridas durante a madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Cruzeiro do Sul. As manifestações trataram o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa e defenderam a identificação dos autores e de possíveis mandantes. O caso está sob investigação da Polícia Civil.

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, suspendeu parte da agenda para prestar solidariedade pessoalmente ao jornalista. Ele afirmou conhecer Chico desde a infância e disse confiar no caráter e na seriedade do profissional.

“Eu suspendi minha agenda para vir aqui e dar um abraço no Chico. Conheço o Chico desde a infância e sei do caráter e da seriedade que ele sempre teve em sua vida”, declarou.

Zequinha afirmou que o ataque não deve ser tratado apenas como uma violência individual. Para o prefeito, a agressão alcança todos os profissionais que trabalham com informação no Acre.

“O Chico teve a liberdade de expressão ameaçada. Quando eu falo do Chico, falo de todos os jornalistas acreanos. A partir do momento em que um jornalista sofre violência por noticiar informações, todos estão ameaçados”, disse.

O prefeito cobrou uma resposta das instituições estaduais e afirmou que divergências políticas ou editoriais não podem transformar jornalistas em inimigos. “Quero cobrar do Estado uma resposta para esse episódio e para essa afronta à democracia. As instituições não podem se calar diante de um caso tão grave.”

Zequinha também pediu uma reação da sociedade. “Hoje aconteceu com o Chico, mas amanhã poderá acontecer com outras pessoas. A sociedade e as instituições precisam levantar a voz.”

O ex-governador e ex-senador Jorge Viana defendeu proteção para Chico Melo, sua residência e o exercício da atividade jornalística. Ele afirmou que profissionais da imprensa precisam ter liberdade para investigar e publicar informações sobre corrupção, irregularidades e outros temas de interesse público.

“Jornalista tem que ter total liberdade para denunciar e falar de todos os temas. O Chico Melo é uma pessoa que trabalhou comigo e nunca agiu fora dos princípios que devem orientar um servidor e um colaborador”, afirmou.

Jorge Viana questionou o que aconteceria caso jornalistas fossem impedidos de publicar denúncias. “Se os jornalistas não puderem denunciar corrupção e irregularidades, terão que ficar todos calados? Isso é gravíssimo.”

Ele também defendeu medidas concretas de segurança. “O Chico precisa de proteção para a sua casa, para a sua integridade e para o exercício do seu trabalho. Ele não está apenas se sentindo ameaçado: sofreu uma agressão.”

Para Jorge Viana, pessoas ou instituições que se sintam prejudicadas por uma reportagem devem recorrer ao Poder Judiciário. “Quem se sentir atingido por uma notícia deve procurar a Justiça. Agredir, ameaçar e praticar um atentado exige uma ação firme das autoridades.”

O senador Alan Rick afirmou que o ataque precisa ser apurado e que os responsáveis devem receber punição prevista em lei. Ele classificou como inadmissíveis ameaças, invasões e agressões contra Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau.

“Isso precisa ser apurado e os culpados devem ser punidos com todo o rigor da lei. É inadmissível agir contra o Chico e o Rogério com ameaças, invasões e agressões”, declarou.

Alan Rick afirmou que divergências fazem parte da democracia, mas não podem resultar em violência. “As divergências e os pontos de vista diferentes fazem parte da democracia, mas partir para a agressão, como esses covardes fizeram, é uma barbárie.”

O senador pediu que Chico continue trabalhando. “Chico, não abaixe a cabeça. Siga em frente. Ninguém pode intimidar jornalistas que estão cumprindo o seu papel e mostrando aquilo que a sociedade espera deles.”

Alan Rick também colocou seu mandato à disposição para colaborar com providências relacionadas ao caso. “Conte com o meu total apoio e solidariedade. No que estiver ao meu alcance, estaremos contribuindo.” Ele ocupa uma das cadeiras do Acre no Senado Federal.

O senador Sérgio Petecão defendeu a participação das forças estaduais de segurança e, caso seja necessário, da Polícia Federal. “Isso é um absurdo e ultrapassa todos os limites. Precisamos envolver as polícias Civil, Militar e, se for necessário, a Polícia Federal.”

Petecão afirmou que a invasão de uma residência e a exposição da família da vítima criam um precedente perigoso. “As divergências políticas, ideológicas e partidárias não podem chegar à invasão da casa de uma pessoa e à colocação de sua família em risco.”

O senador disse que poderá ajudar no encaminhamento das denúncias. “Quero prestar minha solidariedade e me colocar à disposição para ajudar na apresentação das denúncias às autoridades.”

Ele encerrou a manifestação cobrando responsabilização. “Esse caso não pode ficar impune. Não podemos nos calar diante desses fatos.” Sérgio Petecão exerce mandato no Senado pelo Acre até 2027.

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o ataque atingiu o direito da sociedade acreana à informação. Ele também reconheceu o trabalho realizado pela equipe da Rádio Integração no Vale do Juruá.

“Vocês estão cumprindo o papel extraordinário de levar à população do Acre, especialmente ao Vale do Juruá, informações às quais antes não se tinha acesso”, afirmou.

Edvaldo declarou que a agressão não pode ser analisada somente como um crime contra Chico Melo. “O direito à informação é um dos princípios e pilares da democracia. Na madrugada desta quarta-feira, a democracia foi atingida.”

“O atentado não foi apenas contra a vida do Chico Melo. Foi contra o Estado Democrático de Direito”, acrescentou.

O parlamentar anunciou que pretende levar o caso à Assembleia Legislativa do Acre. “Apresentarei uma denúncia e pedirei que a Assembleia Legislativa vote uma moção de repúdio e solidariedade à equipe da Rádio Integração, cobrando a apuração imediata dos fatos.”

O jornalista Itaan Arruda também prestou solidariedade a Chico Melo, Rogério Wenceslau e aos demais profissionais do Jornal da Manhã. Ele afirmou que o episódio não pode ser normalizado e precisa ser investigado até que a motivação e a autoria sejam esclarecidas.

“Nós não podemos nos calar nem normalizar uma situação como essa. Eu me solidarizo com Chico Melo, com Rogério Wenceslau e com toda a equipe do Jornal da Manhã”, declarou.

Itaan defendeu uma resposta das instituições de segurança e afirmou que o Governo do Estado deveria ter interesse direto no esclarecimento do crime. “É preciso saber quem teria interesse em sufocar e calar a voz de jornalistas que estão trabalhando.”

“O que aconteceu com Chico Melo é gravíssimo. Antes da agressão física, a imprensa já vinha sofrendo uma agressão institucional”, afirmou.

O jornalista também alertou para o risco de novos casos. “Hoje foi a equipe do Jornal da Manhã. Amanhã poderá ser qualquer outro jornalista. As autoridades precisam dar uma resposta forte e verdadeira.”

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom afirmou que recebeu com tristeza a notícia do ataque e defendeu o diálogo como caminho para resolver divergências.

“Esse não é o Acre com que sonhamos. Queremos um Acre de paz e sem violência, principalmente contra quem tem o dever de informar”, disse.

Bocalom prestou solidariedade em nome de amigos de Rio Branco e pediu que Chico continue exercendo seu trabalho. “Não abaixe a cabeça e não se intimide. Vamos continuar lutando para que o Acre se liberte desse tipo de comportamento.”

O Partido dos Trabalhadores do Acre também publicou uma nota de solidariedade ao jornalista, aos familiares e aos profissionais do Grupo Integração. O documento foi assinado pelo presidente estadual da legenda, André Kamai.

O partido afirmou que todas as possíveis motivações devem ser investigadas, inclusive uma eventual ligação com a atividade jornalística. O PT cobrou uma apuração “rápida, rigorosa e independente”, além da adoção de medidas de segurança para Chico Melo, seus familiares e os demais integrantes da emissora.

“Nenhuma divergência política ou editorial pode justificar ameaças, agressões ou perseguições. A imprensa deve exercer seu trabalho com liberdade e segurança”, afirmou o diretório estadual. André Kamai ocupa a presidência do PT no Acre.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas também repudiaram o ataque. As entidades cobraram da Polícia Civil uma investigação célere, transparente e independente para esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias do crime.

A Fenaj informou que levará o caso ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Informar não é crime. Questionar não é crime. Fazer jornalismo não é crime”, afirmaram o presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro de Souza, e a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

As manifestações convergem na cobrança por uma investigação sem interferências, na proteção de Chico Melo e na defesa do direito dos jornalistas de trabalhar sem ameaças. Até o esclarecimento da autoria e da motivação, as declarações políticas sobre uma possível relação entre o ataque e a atividade profissional permanecem como hipóteses que dependem da apuração policial.

Jornalista Chico Melo relata invasão, agressões e ameaça de morte dentro de casa em Cruzeiro do Sul

Jornalista Chico Melo relata invasão, agressões e ameaça de morte dentro de casa em Cruzeiro do Sul

O jornalista e diretor da Rádio Integração FM, Chico Melo, afirmou que homens armados invadiram sua casa durante a madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Cruzeiro do Sul, quebraram uma janela, entraram no quarto e o agrediram enquanto procuravam documentos e o telefone celular. Ferido na cabeça e com hematomas pelo corpo, ele recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento e relatou o ataque horas depois, durante o Jornal da Manhã.

“Eles quebraram a janela, entraram no meu quarto e começaram a procurar uma pasta, documentos e o meu telefone”, afirmou Chico. Segundo o jornalista, a ação não tinha características de um roubo comum porque dinheiro e bens de valor não foram levados. “Não estavam procurando dinheiro nem objetos de valor. Estavam claramente procurando documentos.”

Chico contou que dormia com a luz apagada quando percebeu a entrada dos invasores. Um deles usava uma lanterna, tinha porte físico maior e calçava coturno. Outros dois homens participavam da ação. O jornalista disse que o grupo se comunicava de forma organizada e parecia ter conhecimento sobre o que buscava dentro da residência.

“A forma como um deles me colocou no chão, me imobilizou e manuseava a arma demonstra que eram pessoas preparadas”, declarou. Durante a agressão, Chico sangrou na região da cabeça e teve dificuldade para enxergar porque o sangue atingiu seus olhos. Ele tentou limpar o rosto com roupas que estavam próximas à cama.

O momento de maior tensão ocorreu quando um dos homens o colocou de frente para a parede e encostou uma arma em sua cabeça. “Um deles me virou para a parede e colocou a arma na minha cabeça. Enquanto um dizia ‘vamos matar’, o outro respondia: ‘não viemos aqui para isso’”, relatou.

Chico afirmou que os invasores abriram o guarda-roupa, vasculharam o quarto, foram até a garagem e procuraram materiais dentro do carro. A pasta exigida pelo grupo não foi encontrada. “Eu tive muito medo de morrer. Essa é a verdade. Foi uma sensação horrível.”

Entre os materiais que Chico acredita terem motivado a invasão está um contrato de intenção de compra e venda da Rádio Integração FM, firmado em 12 de junho de 2020. O negócio não foi concluído. O jornalista também citou recibos e outros registros financeiros, mas não detalhou durante a entrevista todo o conteúdo desses documentos.

“Os documentos serão entregues às autoridades para que tudo seja investigado”, afirmou. Ele disse que pretende encaminhar o material à Polícia Federal e colaborar com as investigações, mas reforçou que tem direito constitucional ao sigilo das fontes. “Espero que as autoridades tomem providências. Sou jornalista e não sou obrigado a revelar minhas fontes. Sou amparado pela Constituição.”

O jornalista associa o ataque à procura pelos documentos e ao trabalho editorial desenvolvido pela emissora. Essa relação faz parte da avaliação apresentada por Chico após a invasão. A autoria, a motivação e a eventual participação de mandantes ainda dependem de investigação policial e de provas.

Dias antes do ataque, Chico percebeu um carro branco da marca Citroën parado em frente à residência. Ele afirmou que uma pessoa dentro do veículo parecia observar sua movimentação. O jornalista chegou a circular pelo quarteirão, mas não encontrou novamente o automóvel e não conseguiu anotar a placa.

Chico chegou à emissora com a cabeça enfaixada, roupas manchadas de sangue e marcas das agressões. Durante a entrevista, afirmou que os familiares ficaram com medo de retornar à residência. “A madrugada de hoje foi uma madrugada de terror. Minha família está muito abalada e não quer voltar para casa.”

Mesmo após receber atendimento médico, Chico decidiu participar do programa e tornar público o ataque. “Eu temo pela minha vida, mas poderia me calar, me acovardar e ficar quieto. Não vou fazer isso”, afirmou.

O jornalista também relacionou sua decisão de continuar trabalhando aos 30 anos dedicados à profissão. “Eu tenho 30 anos de profissão. Todo mundo nesta cidade me conhece e nunca tinha acontecido algo assim comigo.”

Ao encerrar o relato, Chico disse que não pretende abandonar o jornalismo por causa das ameaças. “Estou aqui cumprindo o meu papel de jornalista. Vão ter que tirar a minha vida para conseguirem me calar.”

Jornalistas do Grupo Integração recebem apoio após denunciarem ameaças no Acre

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo, do Grupo Integração, receberam manifestações de solidariedade nesta sexta-feira, 17, em Rio Branco, depois de relatarem, durante o programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, supostas ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre. O caso levou entidades da categoria a cobrarem apuração e ampliou a repercussão política sobre uma possível tentativa de intimidação contra profissionais da imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiaram o episódio e defenderam a responsabilização de eventuais envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. As entidades afirmaram que jornalistas não podem ser intimidados, coagidos ou ameaçados em razão do trabalho que exercem e que o uso de qualquer estrutura pública para constranger profissionais da comunicação afronta a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação.

A nota também trata como grave a denúncia de que alguém teria afirmado ser “dono da Polícia Civil” ou possuir poder para determinar a prisão de jornalistas. A Polícia Civil do Acre é comandada pelo delegado-geral Pedro Paulo Silva Buzolin, dentro da estrutura do Governo do Estado, hoje sob gestão da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação das entidades não cita nominalmente os supostos autores das ameaças.

A repercussão alcançou nomes da política acreana. O senador Alan Rick, do Republicanos, enviou mensagem de apoio a Chico Melo e Rogério Wenceslau e classificou o episódio como uma “tentativa nefasta, ilegal e covarde de intimidação”.

O deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PCdoB, também se manifestou em defesa dos jornalistas. “Você tem minha solidariedade e minha defesa institucional. Não se calem. Força. Sigamos!”, publicou. Edvaldo está no quinto mandato na Assembleia Legislativa do Acre e tem atuação ligada ao movimento sindical dos trabalhadores em educação.

Outra manifestação veio do prefeito de Feijó, Railson Ferreira da Silva, o Delegado Railson, do Republicanos. Ele afirmou que a Polícia Civil “não tem dono” e que a instituição é “forte” e não pode ser tratada como “braço investigativo de um grupo”. Railson é delegado e exerce o mandato de prefeito no quadriênio 2025-2028.

O caso reacendeu a discussão sobre garantias ao exercício do jornalismo no Acre, especialmente em situações que envolvem denúncias contra agentes públicos ou grupos políticos. Rogério Wenceslau e Chico Melo relataram que as supostas ameaças estariam ligadas à atuação profissional dos dois no Grupo Integração.

O Sinjac e a FENAJ cobraram apuração pelas autoridades competentes e defenderam a integridade física e moral dos profissionais de comunicação. As entidades afirmaram que permanecerão vigilantes na defesa da liberdade de imprensa e do pleno exercício do jornalismo no Acre.

Chico Melo e Rogério Wenceslau denunciam ameaça de prisão arbitrária 

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.

Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular. 

Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.

Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.

A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.

A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.

No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.

A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli. 

O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.

Bittar acusa imprensa, mas é cobrado a provar quem recebeu dinheiro de ONGs no Acre

A resposta veio no ar, na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul. No Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Chico Melo e Rogério Wenceslau rebateram a fala do senador Márcio Bittar (PL-AC), que havia acusado parte da imprensa acreana de ser custeada por ONGs e chamado entrevistas feitas no Juruá de “quase combinadas”. A cobrança foi direta: se há jornalistas ou veículos pagos por ONGs para conduzir entrevistas, Bittar precisa apresentar nomes, valores, contratos e provas.

Chico abriu o programa colocando a acusação no centro da bancada. “A imprensa do Acre, em especial a imprensa do Juruá, é vendida, é comprada por ONGs”, disse ele, ao reproduzir o teor da fala de Bittar. Em seguida, marcou o ponto que atravessou toda a resposta: “Esse negócio de pagamento a jornalista, a veículo de imprensa, para fazer pauta combinada, é um negócio que tem que ser provado. Nem todo mundo está nesse balaio aí”.

Rogério Wenceslau respondeu com ironia, mas também com incômodo de quem viu uma categoria inteira ser colocada sob suspeita. “Me passa por favor o contato dessa ONG que você se vendeu, que eu quero me vender também”, disse. Chico manteve o tom e devolveu a provocação ao senador: “Eu quero saber onde depositaram essa grana. O meu extrato bancário está à disposição, senador Márcio Bittar. Será que o seu está à disposição?”.

A reação da bancada não foi uma defesa vazia da imprensa. Foi uma cobrança por prova. Bittar pode criticar entrevistas, cobrar perguntas mais duras e exigir que Jorge Viana responda sobre BR-364, ponte sobre o Rio Juruá, Serra do Divisor, ligação com o Peru e políticas ambientais. Esse debate é legítimo. O que não se sustenta é usar a tribuna do Senado para lançar suspeita sobre jornalistas e veículos sem dizer quem recebeu, quanto recebeu, de qual ONG recebeu e para fazer qual pauta.

Chico também fez questão de separar crítica política de acusação sem prova. “A imprensa do Juruá não está vendida. Eu não estou”, afirmou. Depois, cobrou que a fala de Bittar tenha consequência concreta: “Vai ter que provar”. A frase resume o ponto central da resposta. Em política, a palavra pode ser dura. Mas quando a palavra acusa, precisa vir acompanhada de documento.

A bancada levou ao ar um levantamento feito a partir da transparência do Senado. Entre maio de 2025 e março de 2026, aparecem pelo menos R$ 281.323,65 em gastos da cota parlamentar de Bittar com serviços ligados à divulgação da atividade parlamentar, imprensa, publicidade, marketing e comunicação. Desse total, R$ 198.933,65 são de 2025 e R$ 82.390,00 dos três primeiros meses de 2026. Janeiro de 2026 concentrou o maior volume, com R$ 55.390,00. O maior pagamento individual reunido no material foi de R$ 31.590,00, descrito como trabalho técnico de apoio ao mandato parlamentar.

Chico fez a ressalva necessária: o uso da cota parlamentar para divulgação do mandato não é ilegal por si só. “A legislação permite isso”, disse. Mas a pergunta política ficou de pé. Se Bittar acusa a imprensa de financiamento oculto, seus próprios gastos públicos com comunicação também podem ser examinados. O levantamento reúne repasses a serviços de comunicação, publicidade, produção, marketing, outdoor e impulsionamento em redes sociais.

O apresentador também deixou claro que a bancada não recebeu dinheiro do gabinete do senador. “Essa bancada não recebeu um real do senhor”, afirmou. Em seguida, reforçou o convite ao confronto público de informações: “Eu deixo à disposição meu extrato bancário”. A resposta mirou o ponto mais sensível da acusação: quem fala em dinheiro escondido precisa aceitar transparência total, inclusive sobre o próprio mandato.

A Rádio Integração não fechou portas. Fez o contrário. Bittar foi convidado a ir ao programa, sentar na bancada, tomar café e responder. “O senhor pode vir aqui tomar um cafezinho com a gente. Está convidado”, disse Chico. Ele lembrou que o senador já foi entrevistado gratuitamente na emissora e que nunca pagou nada por isso. “O senador já teve aqui, já tomou cafezinho com a gente, já tomou água e nunca pagou nada”, afirmou.

A resposta também devolveu a cobrança sobre infraestrutura. Se Bittar quer perguntar a Jorge Viana sobre a BR-364, a ponte e a ligação com o Peru, também deve responder o que fez quando teve força em Brasília, quando foi relator do Orçamento e quando dizia ter influência para mandar recursos ao Acre. “Como é que ele vai criticar a BR-364 se, quando teve a oportunidade de fazer, não fez?”, questionou Chico.

O Juruá não precisa apenas saber quem impediu obras. Precisa saber quem prometeu, quem teve caneta, quem tinha poder e quem não entregou. Foi esse o sentido da pauta que Chico disse que enviaria ao gabinete do senador. “Eu queria combinar aqui uma pauta com o senador Márcio Bittar. Tenho algumas perguntas aqui. Eu vou mandar para sua assessoria e, se o senhor tiver coragem, o senhor vem aqui e responde”, disse.

Chico também fez questão de preservar o tom institucional da cobrança. “Sem ranço, sem ofensa. A gente faz uma gozação porque também nós temos esse direito, já que fomos achincalhados publicamente”, afirmou. A frase mostra o limite da resposta: houve ironia, houve indignação, mas também houve convite ao contraditório. Bittar pode responder no Senado, por nota, pela assessoria ou no próprio Jornal da Manhã. O microfone está aberto.

No fim, o Jornal da Manhã colocou a discussão no lugar certo. A imprensa do Juruá não é extensão de gabinete, nem de Jorge, nem de Bittar, nem de qualquer outro grupo político. Ela existe para perguntar. Se há entrevista combinada, que se prove. Se há ONG pagando jornalista, que se mostre. Se não há prova, a acusação vira apenas tentativa de intimidar quem trabalha com microfone aberto diante da população.

Bittar acertou ao trazer a infraestrutura para o centro do debate. Errou ao atacar a imprensa sem apresentar provas. Quem cobra transparência precisa praticá-la. Quem exige perguntas duras precisa responder perguntas duras. E quem usa a tribuna do Senado para acusar jornalistas deve ter coragem de voltar ao Juruá, sentar diante dos microfones e explicar, com documentos na mão, exatamente o que quis dizer.

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.