Charge do AC24horas retoma denúncia envolvendo servidora ligada a Mailza

O AC24horas publicou nesta terça-feira (15) uma charge que retoma a denúncia envolvendo a governadora Mailza Assis (PP) e uma servidora comissionada do Governo do Acre que, segundo as acusações tornadas públicas nas últimas semanas, teria realizado atividades de caráter doméstico na residência da então vice-governadora enquanto recebia salário do Estado.

Na ilustração, uma personagem afirma: “Contrata outra babá agora! Eu não consigo focar em nada com esse choro!”. Outro personagem pergunta, em seguida, se a “nova secretária” será colocada no gabinete ou em uma secretaria. Sobre a mesa, aparecem documentos com referências a gabinete e secretaria, em alusão às diferentes lotações atribuídas à servidora.

A denúncia ganhou repercussão após a divulgação de registros que apontariam visitas frequentes da mulher ao condomínio onde Mailza mora com o marido, Madson Cameli. No mesmo período, ela ocupava cargo comissionado e teve vínculo com órgãos da administração estadual.

Entre os elementos apresentados no caso estão registros de entrada e saída do condomínio e informações sobre os cargos e lotações ocupados pela servidora. O material levantou questionamentos sobre quais funções eram efetivamente exercidas durante o expediente e se havia compatibilidade entre as atividades desempenhadas e o cargo público pelo qual ela era remunerada.

A suspeita central é de que a servidora teria prestado serviços particulares na residência de Mailza ao mesmo tempo em que mantinha vínculo remunerado com o poder público. A denúncia, no entanto, permanece no campo das acusações e dos questionamentos sobre a atuação da comissionada.

Ao publicar a charge, o AC24horas usou a frase “Por que choras?”, retomando de forma satírica a repercussão do episódio e as discussões em torno da contratação e da função exercida pela servidora.

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Mailza exonera três parentes de Nayara Lessa; secretária diz que medida “causa estranheza”

A governadora do Acre, Mailza Assis, exonerou três familiares da secretária de Estado de Comunicação, Nayara Lessa, que ocupavam cargos comissionados na administração estadual. Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 15 de setembro, e atingem o marido, a irmã e uma prima da secretária. Os decretos não informam os motivos das exonerações.

Foram desligados Samuel Cabral Feitosa, marido de Nayara; Alice Pessoa Lessa, irmã da secretária; e Marcia Cristina Lessa de Medeiros, prima da gestora. As exonerações passaram a valer na própria data da publicação.

Nayara afirmou que respeita a decisão da governadora, mas lamentou a saída dos familiares. A secretária defendeu a atuação dos três no serviço público e afirmou que eles cumpriam a jornada de trabalho sem privilégios.

Ao comentar a forma como os desligamentos ocorreram, Nayara disse que o episódio “causa estranheza”. Ela afirmou ainda que os familiares possuem formação profissional e desempenhavam regularmente as funções para as quais haviam sido nomeados.

Sobre Marcia Cristina Lessa de Medeiros, Nayara declarou que a prima não havia sido indicada por ela para o cargo. A secretária afirmou que a nomeação ocorreu por iniciativa da responsável pelo órgão em que Marcia trabalhava, com quem ela mantinha relação anterior.

Apesar das exonerações, Nayara informou que continuará à frente da Secretaria de Estado de Comunicação. Ela afirmou que seguirá exercendo as funções e reconheceu que a decisão sobre a permanência de ocupantes de cargos comissionados cabe à governadora.

Mailza Assis assumiu o governo do Acre em abril deste ano, após a saída de Gladson Cameli do cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Desde então, a nova gestão vem promovendo mudanças na estrutura administrativa estadual.

Mailza declara despesa de R$ 1 milhão com empresa de Minas Gerais

A campanha de Mailza Assis (PP) ao governo do Acre declarou à Justiça Eleitoral uma despesa de R$ 1 milhão com a Inteligência Digital e Produções Ltda., empresa sediada em Belo Horizonte, Minas Gerais. O valor representa 60,46% dos R$ 1,65 milhão registrados no ranking de fornecedores da candidatura no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Inteligência Digital e Produções está inscrita no CNPJ 23.978.663/0001-80 e foi aberta em janeiro de 2016. A atividade principal registrada é consultoria em publicidade. A empresa possui capital social de R$ 1,5 milhão e tem como sócios Paulo Augusto Rodrigues de Moura, que também exerce a função de administrador, e Felipe Lavareda Moura.

O contrato coloca a empresa na primeira posição entre os quatro fornecedores registrados pela campanha. Em segundo lugar aparece Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia, com R$ 500 mil, o equivalente a 30,23% do total.

Somadas, Inteligência Digital e Produções e Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia concentram R$ 1,5 milhão, ou 90,69% dos valores declarados no ranking.

Os outros fornecedores são Cipriani Importação e Exportação Ltda., com R$ 119.945, e Dlocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., com R$ 34 mil. Os quatro registros totalizam R$ 1.653.945.

O ranking de fornecedores não detalha, isoladamente, os serviços relacionados a cada contratação nem permite concluir que todos os valores informados já foram efetivamente pagos, uma vez que a prestação de contas também pode reunir despesas contratadas ainda pendentes de quitação.

No campo das receitas, a candidatura registra R$ 3.557.000. Todo o valor informado até o momento tem origem na direção nacional do Progressistas. A despesa de R$ 1 milhão atribuída à Inteligência Digital e Produções corresponde a cerca de 28,1% do total recebido pela campanha.

Os dados refletem a prestação de contas disponível no sistema eleitoral no momento da consulta e podem sofrer alterações com a inclusão de novas receitas, despesas, pagamentos ou retificações durante a campanha.

Governo destina R$ 365 mil para Parada do Orgulho LGBTQIAPN+; eventos religiosos também receberam recursos em 2026

O Governo do Acre empenhou pelo menos R$ 364.999,91 para as comemorações dos 20 anos da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ do Acre, realizada em setembro, em Rio Branco. As despesas incluem R$ 335 mil para a contratação da cantora Gaby Amarantos e quase R$ 30 mil em estrutura de iluminação. Ao longo de 2026, o Estado também destinou recursos para eventos religiosos, como Marcha para Jesus, Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário de Nossa Senhora da Glória.

A maior despesa relacionada à Parada foi autorizada pela Fundação Elias Mansour (FEM) em 8 de setembro. O empenho nº 7173031741, de R$ 335 mil, cobre a contratação de Gaby Amarantos e de sua equipe para a programação dos 20 anos do evento. Desse total, R$ 167,5 mil já haviam sido liquidados e pagos até a última atualização da base consultada.

Outro empenho, de R$ 29.999,91, foi emitido em 1º de setembro para a Legalmart Serviço em Eventos. O contrato prevê a locação de equipamento de iluminação de grande porte para o palco utilizado na programação dos dias 11, 12 e 13 de setembro. O valor ainda não aparecia como liquidado ou pago.

Também foi registrado serviço de instalação e manutenção de iluminação especial na fachada do Palácio Rio Branco, com as cores do arco-íris, entre 1º e 13 de setembro. O serviço está relacionado às comemorações dos 20 anos da Parada, mas o lançamento aparece com valores zerados de empenho, liquidação e pagamento. Por esse motivo, ele não integra os R$ 364.999,91 contabilizados.

Os registros de 2026 mostram que outras programações culturais e religiosas também receberam recursos estaduais por meio de contratos, convênios, termos de fomento e emendas parlamentares.

Em maio, a FEM contratou por R$ 300 mil o cantor gospel Thalles Roberto para se apresentar na 30ª Marcha para Jesus de Rio Branco. O valor aparece integralmente empenhado, liquidado e pago.

Em 30 de junho, a Fundação empenhou e pagou R$ 500 mil ao Município de Xapuri por meio de convênio destinado à Semana Evangélica e à ExpoXapuri 2026. O recurso teve origem em emenda parlamentar do deputado Manoel Moraes. Como o convênio reúne os dois eventos no mesmo objeto, não é possível separar quanto dos R$ 500 mil corresponde especificamente à programação religiosa.

No dia seguinte, outro empenho, de R$ 73.080, foi emitido para a Life Show Produções para a locação de palco da XX Semana Evangélica de Xapuri. Na atualização analisada, a despesa ainda não havia sido liquidada nem paga.

Em julho, o governo empenhou R$ 300 mil para o Instituto Vida Plena realizar a segunda edição do Festival Gospel Day. O recurso veio de emenda parlamentar do deputado Marcus Cavalcante. O valor aparece integralmente liquidado, mas ainda sem pagamento registrado.

Os repasses também alcançaram eventos católicos. Em agosto, a Secretaria de Turismo e Empreendedorismo empenhou R$ 150 mil para a Diocese de Cruzeiro do Sul, por meio de termo de fomento, destinado a uma feira cultural relacionada ao 108º Novenário de Nossa Senhora da Glória.

A FEM destinou ainda R$ 50 mil à Diocese para programação vinculada ao mesmo Novenário e empenhou R$ 9.896,97 para uma apresentação musical na festa de encerramento. Os três registros somam R$ 209.896,97 em despesas empenhadas relacionadas à celebração.

Somados os principais registros referentes à Marcha para Jesus de Rio Branco, Semana Evangélica e ExpoXapuri, estrutura da Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário, os empenhos chegam a R$ 1.382.976,97. O total inclui os R$ 500 mil destinados conjuntamente à Semana Evangélica e à ExpoXapuri, sem divisão individual entre as duas programações.

Em Cruzeiro do Sul, porém, a Marcha para Jesus não foi realizada em 2026. A entidade responsável pela organização informou que não tinha condições financeiras e estruturais de promover o evento sem apoio estadual.

O Governo do Acre negou que a falta de repasse tivesse motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa apoio à Marcha para Jesus, foi cancelado pela Fundação Elias Mansour em 23 de junho por causa das restrições do período eleitoral, da falta de prazo para concluir o chamamento e de apontamentos de órgãos de controle.

A administração estadual também afirmou que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. Na ocasião, classificou a situação como uma “impossibilidade legal e administrativa de financiamento”.

Os registros de despesas ao longo do ano mostram que o Estado utilizou diferentes mecanismos administrativos para financiar ou estruturar eventos culturais e religiosos em diferentes municípios. Em setembro, o mesmo tipo de apoio alcançou a programação dos 20 anos da Parada do Orgulho em Rio Branco, com contratação artística e estrutura para o evento.

Foto: Juan Diaz/Contilnet

Por que servidora comissionada teve acessos em 12 de 14 dias à residência oficial de Mailza?

Em apenas 14 dias, entre 21 de agosto e 3 de setembro de 2026, o controle de acesso do condomínio onde funciona a residência oficial da governadora Mailza Assis registrou 36 eventos vinculados ao nome de Eryclis Feitosa Sá da Silva. Os lançamentos se espalham por 12 datas diferentes, quase todos os dias daquele período, com movimentações pela manhã e à tarde e também aos sábados. Eryclis não é funcionária particular da família. É servidora comissionada do Governo do Acre, recebe salário do Estado, cumpre jornada formal de 40 horas semanais e passou, desde 2024, pelo Gabinete da Vice-Governadora, pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e, atualmente, pela estrutura ligada ao Gabinete da Governadora. É justamente o encontro dessas duas rotinas — a funcional e a registrada na residência onde vivem Mailza e o marido, Madson Cameli — que amplia a pergunta aberta pela denúncia levada ao Tribunal de Contas: que atividade pública exigia presença tão frequente naquele endereço?

Os 36 lançamentos não podem ser tratados como 36 visitas distintas. Em vários momentos, o equipamento facial produziu registros separados por dois ou três segundos, o que impede transformar cada linha em uma entrada independente. Há, porém, um dado que permanece mesmo quando essas repetições são descartadas: Eryclis teve eventos de acesso liberado em 12 dos 14 dias compreendidos entre 21 de agosto e 3 de setembro. Só não aparecem registros nos dois domingos daquele intervalo, dias 23 e 30.

A frequência ganha dimensão quando os horários são colocados lado a lado. Na sexta-feira, 21 de agosto, houve registro às 17h56. No sábado seguinte, dia 22, o nome de Eryclis aparece às 7h42, 14h39 e 15h40, com duas leituras praticamente simultâneas no último horário. Na segunda-feira, 24, houve registros às 16h53. No dia 25, às 7h13 e 16h05. No dia 27, às 7h52 e 14h37. Na sexta-feira, 28, há movimentação às 7h36 e às 16h03. No sábado, 29, os horários se distribuem entre 7h06, 9h15 e 16h44.

A semana seguinte mantém o mesmo padrão. Em 31 de agosto, uma segunda-feira, o sistema registrou Eryclis às 7h36, uma saída de visitante às 9h36, nova entrada às 10h19 e outro evento às 15h16. Em 1º de setembro, há registros às 7h49 e 13h29. No dia 2, às 7h51, 8h27 e 15h10. Em 3 de setembro, último dia abrangido pelo relatório, houve eventos às 7h53, 8h55, 10h06 e 14h02.

Esses horários não permitem afirmar quanto tempo a servidora permaneceu no imóvel nem qual tarefa desempenhou a cada passagem. O sistema registra eventos de acesso, não uma folha de ponto, muito menos a natureza do serviço executado. Essa limitação impede transformar a frequência em prova automática de desvio de função. Ao mesmo tempo, a repetição ao longo de manhãs, tardes e dois sábados consecutivos afasta a ideia de uma presença meramente ocasional e deixa uma questão administrativa verificável: qual era a escala de trabalho de Eryclis e que atribuição funcional correspondia àquela rotina?

A pergunta nasceu de uma representação protocolada pelo Republicanos no Tribunal de Contas do Estado do Acre em 9 de setembro. O partido acusa Mailza, Madson e a administração estadual de utilizarem uma servidora remunerada pelo Estado em atividades particulares da família. A peça pede ao TCE-AC folhas de ponto, controles biométricos, informações funcionais e o levantamento dos valores pagos pelo poder público. O governo nega que Eryclis tenha trabalhado em benefício particular da governadora ou de familiares.

A acusação ganhou repercussão depois da revelação de outro registro. Eryclis foi cadastrada no condomínio em 10 de abril de 2026 como “prestador”, na modalidade recorrente, vinculada ao morador Madson de Castro Cameli. No campo destinado às observações da visita foi inserida a expressão “motorista das crianças”. A autorização foi configurada com validade até abril de 2030.

O governo contesta justamente o peso atribuído a essa descrição. A Casa Civil afirma que o sistema pertence ao condomínio, não é administrado pelo Estado e não define cargo ou atribuição funcional de servidor público. Na resposta divulgada depois da denúncia, a gestão sustenta que Eryclis exerce “atividades de direção e suporte relacionadas ao funcionamento dessa estrutura”, referência à residência oficial. Também afirma que o local demanda segurança, logística, transporte e apoio operacional.

É uma defesa que precisa ser examinada junto com os registros, porque muda o centro da apuração. A pergunta deixa de ser apenas quem escreveu “motorista das crianças” no cadastro privado e passa a alcançar a estrutura administrativa que sustentaria a presença de Eryclis na residência. Se a servidora estava ali cumprindo uma missão oficial, qual missão era essa? Quem a designou? Qual era sua escala? Que atividade de direção exercia? Havia veículo oficial envolvido? Existia ordem de serviço ou controle de deslocamento? E como essa atividade era compatibilizada com sua jornada de 40 horas e com a unidade administrativa onde estava lotada?

A trajetória funcional de Eryclis torna essas perguntas ainda mais relevantes. Em junho de 2024, ela estava no Gabinete da Vice-Governadora. Uma portaria assinada por Mailza Assis a designou como responsável pela Divisão de Material e Patrimônio daquela estrutura. Mailza era, naquele momento, vice-governadora e havia assumido cumulativamente a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

Dois meses depois, em agosto de 2024, Eryclis foi transferida justamente do Gabinete da Vice-Governadora para a SEASDH. A mudança passou a produzir efeitos em 2 de setembro. Mailza continuava à frente da secretaria e permaneceu no comando da pasta até o fim de março de 2026, quando deixou a função para assumir definitivamente o governo do Acre.

A movimentação seguinte ocorreu depois da chegada de Mailza ao Palácio Rio Branco. Em 22 de maio de 2026, já governadora, ela assinou o Decreto nº 14.207-P alterando a lotação de Eryclis, então CAS-4, da SEASDH para o Gabinete da Governadora. O próprio decreto determinou que caberia ao titular da pasta de destino definir a função a ser exercida pela comissionada.

Há uma cronologia que merece resposta. Eryclis foi cadastrada como prestadora recorrente na residência em 10 de abril. A transferência formal da SEASDH para o Gabinete da Governadora só foi assinada em 22 de maio, 42 dias depois. O relatório de eventos disponível começa em 16 de junho e, portanto, não permite afirmar que ela efetivamente entrou no condomínio durante abril ou maio. O que existe para aquele período é a autorização de acesso criada em abril. A diferença entre as datas, porém, abre uma pergunta objetiva: se o cadastro estava relacionado a uma tarefa pública, a que função administrativa ele correspondia quando Eryclis ainda estava formalmente lotada na Assistência Social?

A sequência também ajuda a colocar o caso em seu tamanho correto. Não há base para apresentar Eryclis como “servidora de Mailza” no sentido pessoal da expressão. Ela é servidora comissionada do Estado. O que existe é uma sucessão de lotações em estruturas que, em momentos diferentes, foram comandadas diretamente por Mailza: primeiro o Gabinete da Vice-Governadora, depois a SEASDH e, após Mailza assumir o governo, o Gabinete da Governadora. Em 2026, o Portal da Transparência registra Eryclis na Secretaria de Estado da Casa Civil, em cargo CAS-4, com lotação no Gabinete do Governador e jornada de 40 horas semanais. Em julho, recebeu R$ 7.828,08 brutos e R$ 5.796,81 líquidos.

Essa proximidade administrativa, sozinha, não constitui irregularidade. Cargos comissionados são de livre nomeação e servidores podem acompanhar reorganizações de governo. O ponto de interesse público surge quando essa trajetória é confrontada com uma rotina de acessos frequentes ao lugar onde a governadora mantém sua residência oficial e sua vida familiar. A existência de uma função pública naquele endereço é possível. O que ainda precisa ser esclarecido é qual era essa função e como ela foi formalizada.

O fato de o imóvel ter sido transformado em residência oficial também não encerra a discussão. Ao assumir essa condição, a casa passa a comportar necessidades próprias da função de governadora, como segurança, recepção institucional, apoio logístico e serviços necessários à estrutura pública. Isso torna perfeitamente possível a presença de servidores estaduais no local. Mas a classificação do imóvel não transforma automaticamente qualquer atividade ali realizada em serviço público. A natureza da tarefa continua sendo determinante.

É por isso que a defesa do governo e a denúncia do Republicanos podem ser submetidas ao mesmo teste: a documentação administrativa. Se Eryclis exercia direção, transporte e suporte operacional da residência oficial, devem existir meios de reconstruir essa rotina sem expor informações de segurança ou dados de menores. Lotação, atribuição, escala, frequência, ordens de serviço e, caso houvesse condução de veículos, os controles administrativos correspondentes podem estabelecer a relação entre as horas pagas pelo Estado e o trabalho executado.

Os registros anteriores a 21 de agosto acrescentam outro detalhe que exige cautela. Em julho e no início de agosto, aparecem diversas tentativas identificadas como “perfil de acesso inválido”. Elas não devem ser contabilizadas como entradas confirmadas. Em 19 de agosto, por exemplo, o sistema registrou sucessivas tentativas com essa classificação. Dois dias depois, passam a aparecer eventos “liberados” de maneira contínua. Sem dados técnicos do condomínio, não é possível determinar se houve alteração de perfil, problema no leitor facial ou outra mudança no controle de acesso.

Também não se pode perder de vista o ambiente eleitoral. A representação partiu do Republicanos, partido do senador Alan Rick, adversário de Mailza na disputa pelo governo do Acre. A origem política da acusação exige que alegações sejam separadas de fatos comprovados. O Republicanos afirma que Eryclis atuava como motorista dos filhos da governadora e em apoio doméstico; até agora, essa tese não está comprovada apenas pelos registros de condomínio. Do outro lado, a negativa do governo e a afirmação de que havia trabalho oficial também precisam ser sustentadas pelas rotinas administrativas correspondentes.

O que os registros acrescentam ao caso é algo diferente da denúncia original. Eles permitem sair do campo de uma frase escrita em um cadastro — “motorista das crianças” — e observar uma rotina. Durante duas semanas, Eryclis teve acessos liberados em 12 dos 14 dias, incluindo dois sábados, algumas vezes em horários separados por várias horas. Há manhãs iniciadas pouco depois das 7h e registros que chegam ao meio e ao fim da tarde. É uma frequência suficiente para exigir uma explicação funcional, mas não para dispensar a apuração.

O TCE-AC poderá chegar justamente ao documento que falta para fechar essa distância entre o cargo e o portão do condomínio. A folha de frequência mostrará onde a servidora cumpria sua jornada. A definição de suas atribuições permitirá saber o que ela deveria fazer. Uma eventual escala na residência oficial poderá relacionar os horários do condomínio com o serviço estatal. E os controles de transporte poderão esclarecer se a atividade de direção mencionada pelo governo estava vinculada à estrutura pública ou à rotina particular dos moradores.

No centro da história há uma servidora paga pelo Estado, movimentada ao longo dos últimos anos entre órgãos que acompanharam a própria trajetória de Mailza dentro do Executivo, e uma sequência de acessos a um endereço que reúne duas dimensões ao mesmo tempo: é residência oficial da governadora e também é o lugar onde vive sua família. Separar essas duas dimensões é justamente o desafio da apuração.

A pergunta, portanto, não é por que uma “servidora de Mailza” entrava na casa de Mailza. Essa formulação já pressuporia uma relação pessoal que os atos oficiais não estabelecem. A pergunta é mais precisa e, por isso mesmo, mais difícil de contornar: por que uma servidora comissionada do Estado, com jornada de 40 horas e lotação no Gabinete da Governadora, teve acessos registrados em 12 de 14 dias à residência oficial onde vivem Mailza e Madson, e qual serviço público estava sendo executado durante essa rotina?

Mãe relata ajuda de Alan Rick para conseguir tratamento fora do Acre para filha com cardiopatia

Quando Maria Isis começou a cansar para mamar e a respirar com dificuldade, Adriana já sabia que a cardiopatia descoberta ainda na maternidade exigia uma resposta rápida. A menina tinha pouco mais de dois meses quando foi internada e passou a depender de uma vaga fora do Acre para receber atendimento especializado. Neste domingo (13), a história voltou a público em um vídeo divulgado pelo candidato ao governo Alan Rick, no qual a mãe relata como procurou o então senador e conseguiu encaminhar a filha para tratamento em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Maria Isis nasceu aparentemente saudável. Antes de deixar a maternidade, uma pediatra percebeu um sopro durante a ausculta e pediu um ecocardiograma. O exame confirmou a cardiopatia congênita. A família recebeu alta e voltou para casa, mas a situação mudou poucas semanas depois. Com cerca de um mês, a criança passou a demonstrar cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando a gente internou, ela tinha dois meses e dezessete dias”, conta Adriana.

A partir da internação, começou a espera por uma vaga fora do estado. Adriana conta que a transferência era difícil porque o hospital que poderia receber a filha estava com a UTI lotada. Enquanto isso, Maria Isis permanecia internada no Acre. “A gente ficou no hospital dias e dias sem saber o que fazer”, afirma. Para a mãe, cada dia aumentava a preocupação porque a criança continuava respirando com dificuldade e precisava de atendimento que, segundo ela, não estava disponível no estado naquele momento.

Foi por meio de uma amiga que Adriana decidiu procurar Alan Rick. Ela havia ouvido relatos de famílias que buscaram ajuda do parlamentar para conseguir atendimento médico fora do Acre. Primeiro, passou a enviar vídeos da filha pelas redes sociais. Depois, conseguiu o número pessoal do então senador e mostrou como Maria Isis estava.

“Pedi, por favor, que ele nos ajudasse, que ajudasse a salvar a vida da minha filha, porque, se ela não viajasse, ela não tinha chances de vida aqui”, relembra.

O contato aconteceu durante a noite. Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, Alan Rick telefonou para Adriana e disse que tentaria falar diretamente com um hospital. Cerca de 15 minutos depois, segundo a mãe, veio uma nova ligação. “Adriana, a vaga da Maria já está garantida no hospital de São José do Rio Preto. Agora vocês corram com o TFD para que ela vá o quanto antes”, recorda.

Adriana afirma que ainda guarda o áudio enviado por Alan Rick naquele período, confirmando a vaga. A lembrança está ligada principalmente ao estado da filha nos dias de internação. No vídeo, ela descreve que Maria Isis fazia tanto esforço para respirar que o ombro subia próximo à cabeça. “Qual a outra pessoa que vai se compadecer de ver um vídeo como eu mandei para ele, um vídeo da minha filha respirando com muita dificuldade, e agir?”, questiona.

O relato também assume caráter político ao longo da gravação. Adriana elogia a atuação de Alan Rick e declara apoio à candidatura dele ao governo. “A gente vê ele se compadecendo do outro, tendo empatia, se colocando no lugar do outro”, diz. Ela afirma acreditar que uma eventual gestão do candidato poderia produzir mudanças na saúde e em outras áreas do Acre.

A publicação integra a comunicação eleitoral de Alan Rick e leva para a campanha uma experiência pessoal vivida durante o período em que ele exercia o mandato de senador. Na legenda, o candidato agradece a Adriana e Wanderley por permitirem que ele participe da história de Maria Isis e afirma que outras famílias também o procuram para compartilhar episódios semelhantes.

No caso de Adriana, a memória daquele período permanece concentrada na diferença entre descobrir a doença e conseguir chegar ao atendimento. Depois dos dias de internação, da espera por uma vaga e da busca por ajuda, é esse ponto que ela escolhe para encerrar o depoimento. “A minha filha hoje pode ter um tratamento, pode ter um diagnóstico e, depois do diagnóstico, vem o tratamento. Gratidão a Deus e a ele”, afirma.

Pesquisa mostra Alan Rick na frente, Mailza próxima e Bocalom na disputa pelo Governo do Acre

A corrida pelo Governo do Acre aparece equilibrada entre três nomes, de acordo com pesquisa do Instituto Phoenix realizada entre os dias 8 e 10 de setembro de 2026. Alan Rick (Republicanos) lidera com 28,6% das intenções de voto, enquanto a governadora Mailza Assis (PP) tem 24,1% e Tião Bocalom (PSDB) aparece com 22,8%.

Alan está 4,5 pontos percentuais à frente de Mailza. Entre a governadora e Bocalom, a diferença é de apenas 1,3 ponto percentual. Do primeiro ao terceiro colocado, a distância é de 5,8 pontos.

A margem de erro da pesquisa é de 3,95 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Dentro desse intervalo, o cenário mantém os três principais nomes próximos na disputa.

Na sequência aparecem Thor Dantas, com 4,1%, Dr. Luizinho, com 2,5%, e Eudo Rafael, com 2,4%. Os votos nulos representam 5,1% dos entrevistados.

O número de eleitores que ainda não definiu voto também pode influenciar o cenário eleitoral. Ao todo, 10,4% disseram não saber em quem votar.

O Instituto Phoenix ouviu 615 eleitores em oito dos maiores colégios eleitorais do Acre. A amostra foi formada por 51,6% de mulheres e 48,4% de homens.

O levantamento foi contratado pela LF F Duarte Serviços de Comunicação e tem como responsável técnico o estatístico Augusto da Silva Rocha, registrado no Conselho Regional de Estatística da 1ª Região. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número AC-09678/2026.

O resultado reforça um cenário de disputa aberta pelo Palácio Rio Branco. Levantamentos divulgados anteriormente por outros institutos apresentaram alternância nas primeiras posições, com Alan Rick e Mailza Assis aparecendo à frente em diferentes pesquisas. As comparações, porém, precisam considerar que cada levantamento utiliza metodologia, período de coleta e amostra próprios.

Bocalom também aparece competitivo no levantamento do Phoenix. Com 22,8%, fica a pouco mais de um ponto percentual de Mailza e mantém a disputa concentrada entre três candidaturas neste momento da corrida eleitoral.

Servidora citada em denúncia contra Mailza recebeu R$ 10,4 mil em diárias; viagens incluem Brasília, Rio e Cruzeiro do Sul

Eryclis Feitosa Sá da Silva, servidora comissionada citada em uma representação do Republicanos contra a governadora do Acre, Mailza Assis (PP), aparece em cinco pagamentos de diárias entre 2023 e 2026 que somam R$ 10.457,23. Os registros incluem deslocamentos para Cruzeiro do Sul, Brasília e Rio de Janeiro, além de uma viagem classificada apenas como “evento institucional”, sem destino informado no histórico da despesa.

Os pagamentos foram feitos por três estruturas diferentes do governo estadual ao longo do período: Gabinete do Vice-Governador, Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e Secretaria de Estado da Casa Civil. Todos os cinco empenhos constam como liquidados e pagos.

O lançamento mais recente é de 20 de julho de 2026, no valor de R$ 1.153. A despesa foi paga pela Casa Civil e corresponde a duas diárias para deslocamento a Cruzeiro do Sul. O histórico informa que Eryclis ocupava cargo em comissão no Gabinete da Governadora e que a viagem tinha como finalidade “assessorar a governadora em agenda institucional no Festival Atsa Puyanawa”.

Há uma inconsistência de data no próprio registro desse pagamento. O empenho foi emitido em 20 de julho de 2026 e o processo administrativo também traz 2026 na numeração, mas o histórico da despesa registra o deslocamento nos dias 18 e 19 de julho de 2016.

Em 2025, Eryclis recebeu três pagamentos de diárias, que juntos chegaram a R$ 7.729,86. O primeiro, de R$ 1.288,12, foi destinado a uma viagem a Cruzeiro do Sul entre 10 e 14 de março. A descrição informa que o objetivo era realizar “atendimento presencial para resolução de demandas individuais de servidores”.

O segundo pagamento daquele ano foi de R$ 3.220,87 para uma viagem a Brasília, entre 15 e 19 de junho. A justificativa registrada foi a participação no Encontro Nacional de Gestão de Pessoas do Sipec 2025, evento relacionado aos 55 anos de criação do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.

Outros R$ 3.220,87 foram pagos para um deslocamento ao Rio de Janeiro entre 23 e 27 de setembro de 2025. Nesse caso, foram concedidas quatro diárias e meia para participação em curso sobre eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb voltado a órgãos públicos.

O registro mais antigo do levantamento é de setembro de 2023. Eryclis recebeu R$ 1.574,37 pelo Gabinete do Vice-Governador por um deslocamento realizado entre 27 de agosto e 1º de setembro daquele ano. A descrição informa apenas “evento institucional” e não especifica a cidade ou o estado de destino.

Os registros de diárias não comprovam, por si só, as acusações feitas pelo Republicanos. As despesas apresentam justificativas de atividades institucionais e precisam ser analisadas separadamente da representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC).

A repercussão sobre Eryclis ganhou dimensão nacional após reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 10 de setembro. O Republicanos acusa Mailza de utilizar a servidora comissionada para atividades particulares relacionadas à família da governadora. A representação foi protocolada no TCE-AC em 9 de setembro.

Entre os elementos apresentados pelo partido está um cadastro de acesso a um condomínio no qual Eryclis aparece identificada como “prestador”, com a descrição de “motorista das crianças”. O Republicanos também apresentou registros de entradas e saídas e afirma que a servidora teria realizado atividades domésticas e atuado como motorista dos filhos de Mailza durante períodos que coincidiriam com o expediente público.

O partido pediu que o Tribunal de Contas apure os fatos, obtenha documentos funcionais, folhas de ponto e controles de acesso e levante os valores pagos pelo Estado para verificar a existência de eventual dano ao erário. Mailza, o marido, Madson Cameli, e Eryclis estão entre os nomes citados na representação.

O governo do Acre negou que servidores tenham sido utilizados para atividades particulares da governadora ou de familiares. A Casa Civil afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi transformado oficialmente em residência governamental por decreto de junho de 2025 e necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional. Também declarou que a função atribuída a Eryclis no cadastro privado do condomínio não foi criada nem validada pelo Estado.

Deu em Brasília! Republicanos acusa Mailza de usar servidora em afazeres domésticos

O Republicanos protocolou no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), em 9 de setembro, uma representação contra a governadora Mailza Assis (PP), o marido dela, Madson Cameli, chefe do Gabinete Pessoal do Governo, e uma servidora comissionada. O partido acusa a gestão estadual de usar a funcionária para atividades particulares ligadas à família da governadora. O governo nega qualquer irregularidade.

A servidora citada é Eryclis Feitosa Sá da Silva, nomeada para um cargo comissionado CAS-4, com jornada de 40 horas semanais. O Republicanos sustenta que ela teria sido deslocada das funções públicas para atuar como motorista dos filhos da governadora e prestar apoio doméstico.

Entre os elementos apresentados ao TCE-AC está um cadastro de acesso a um condomínio. No registro, Madson Cameli aparece como responsável pelo imóvel e Eryclis é cadastrada como “prestador”, com a descrição “motorista das crianças”. A autorização de entrada aparece com validade entre abril de 2026 e abril de 2030.

A representação também reúne registros biométricos de entradas e saídas entre 16 de junho e 3 de setembro. O Republicanos afirma que parte dos acessos ocorreu em horários que coincidiriam com o expediente da administração estadual e sustenta que a servidora realizava “afazeres domésticos e cuidados familiares” enquanto recebia salário do Estado.

O partido pediu ao Tribunal de Contas a coleta de documentos funcionais, folhas de ponto, controles biométricos e informações sobre as atividades atribuídas à servidora. Também quer que sejam levantados os valores pagos pelo poder público e apurada a existência de eventual dano ao erário.

A representação solicita ainda o encaminhamento das informações à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público do Acre, ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A direção estadual do Republicanos é presidida por Roberto Duarte Júnior. O senador Alan Rick, filiado ao partido, disputa o governo acreano nas eleições de 2026.

O governo do Acre negou que servidores públicos tenham sido usados para prestar serviços particulares à governadora ou a familiares. A gestão afirmou que o imóvel onde Mailza mora foi formalmente transformado em residência oficial por decreto publicado em junho de 2025 e, por isso, necessita de serviços de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também declarou que a servidora foi designada para funções de direção e suporte relacionadas ao funcionamento da residência oficial. Sobre a identificação de “motorista das crianças” no cadastro do condomínio, o governo afirmou que a descrição foi feita em sistema privado, sem participação ou validação do Estado, e que esse registro não define cargo ou atribuição funcional.

O governo informou ainda que pretende apurar a origem e a divulgação dos dados relacionados à residência oficial, incluindo informações sobre a rotina de segurança e de menores de idade. A gestão afirmou que eventuais acessos ou compartilhamentos ilegais serão investigados.

Três meses após queda, moradores usam escombros enquanto governo não define futuro de ponte em Sena Madureira

Três meses após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, moradores ainda aguardam uma definição sobre o futuro da estrutura e passaram a usar os próprios escombros para atravessar o Rio Iaco. Vídeos divulgados nesta quarta-feira (9) mostram pessoas caminhando sobre os restos da ponte para chegar ao Segundo Distrito, diante das dificuldades enfrentadas no transporte entre as duas margens.

A travessia improvisada ocorre enquanto não há uma solução definitiva anunciada para substituir a ponte, que desabou em 5 de junho. Moradores e estudantes enfrentam problemas para utilizar catraias e parte da população passou a caminhar sobre os destroços, mesmo com o risco de quedas e outros acidentes.

A situação se arrasta desde junho. A ponte havia sido interditada um dia antes do desabamento, depois que uma vistoria encontrou uma fenda na estrutura. Mesmo fechada ao tráfego, quatro pessoas estavam no local no momento da queda e ficaram feridas.

Entregue em dezembro de 2023, a Ponte Frei Paolino Baldassari tinha 232 metros de extensão e recebeu investimento de R$ 36 milhões em recursos públicos estaduais. A estrutura ligava diretamente o Primeiro ao Segundo Distrito de Sena Madureira e reduzia a dependência das catraias e de trajetos terrestres mais longos.

Após o desabamento, o governo do Acre adotou medidas judiciais para buscar a responsabilização da empresa responsável pela construção e mobilizou órgãos estaduais para atender as vítimas e restringir o acesso à área. Passados três meses, porém, a população ainda não recebeu uma definição sobre a construção de uma nova ponte ou sobre uma solução definitiva para restabelecer a ligação.

Outro problema permanece sem conclusão: a perícia que deve ajudar a esclarecer as causas do colapso. No início de setembro, a Polícia Civil informou que o Estado ainda aguardava a contratação de profissionais e equipamentos necessários para realizar os exames. Os destroços também permaneciam no Rio Iaco.

Enquanto os procedimentos administrativos, judiciais e periciais avançam sem uma solução definitiva para a travessia, a rotina pesa sobre quem precisa chegar ao outro lado da cidade para estudar, trabalhar, transportar mercadorias ou acessar serviços. Com a ponte fora de operação, moradores voltaram a depender das catraias ou de percursos mais demorados.

Agora, as imagens de pessoas caminhando sobre os escombros expõem uma nova consequência do impasse. Até a divulgação do vídeo nesta quarta-feira, não havia sido apresentada uma medida definitiva para impedir que moradores recorressem aos restos da ponte como passagem sobre o rio.

Com informações de Extra do Acre