Prefeito de Rio Branco recebe convite para participar da 30ª Marcha para Jesus

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, recebeu nesta quarta-feira (27) lideranças da Associação dos Ministros Evangélicos do Acre para tratar da 30ª edição da Marcha para Jesus, marcada para sábado (30), na capital acreana. Durante o encontro, a comitiva formalizou o convite para que o prefeito participe da programação ao lado da esposa, de familiares e de secretários municipais.

A reunião contou com a presença do pastor Eldo Gama, presidente da entidade, e do apóstolo Edgar Araújo, coordenador da Marcha, além de outros pastores. O grupo esteve com o prefeito para alinhar a participação no evento religioso, que chega à 30ª edição em Rio Branco.

A programação terá concentração a partir das 15h, em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da cidade. Depois, os participantes seguirão em caminhada por ruas da capital. O encerramento também está previsto para o Palácio Rio Branco.

A edição deste ano terá show nacional do cantor gospel Thalles Roberto no fim da programação. A organização espera reunir milhares de fiéis em um ato público de fé, louvor, oração e comunhão.

A Marcha para Jesus integra o calendário de eventos religiosos da capital e deve mobilizar igrejas evangélicas, lideranças religiosas e moradores de diferentes regiões da cidade ao longo da tarde de sábado.

Justiça afasta chefe da Funai em Feijó por suspeita de irregularidades com benefícios indígenas

A Justiça Federal afastou cautelarmente o chefe da Unidade Técnica Local da Fundação Nacional dos Povos Indígenas em Feijó, no interior do Acre, após ação civil pública do Ministério Público Federal que aponta retenção de cartões bancários, controle irregular de benefícios previdenciários e exploração econômica de indígenas das etnias Ashaninka e Madijá/Kulina. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (27) e considerou que a permanência do servidor no cargo pode comprometer a proteção das comunidades e a credibilidade institucional da Funai.

O processo reúne relatos de práticas que, segundo a decisão, não seriam isoladas. As suspeitas envolvem comunidades marcadas por barreiras linguísticas, dificuldade de acesso ao sistema bancário e dependência da atuação estatal para obter direitos sociais básicos. Para a Justiça, manter o servidor em uma função estratégica da política indigenista federal pode ferir os princípios da moralidade e da legalidade administrativa.

A decisão também cita risco para a apuração dos fatos e para a proteção integral das comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade social, econômica e geográfica. O entendimento foi de que o afastamento é necessário para evitar a manutenção de um ambiente institucional incompatível com os deveres constitucionais de proteção aos povos indígenas.

O caso ainda resgata registros de suspeitas semelhantes desde 2012, com novos procedimentos em 2022 e 2024 ligados à estrutura administrativa da Funai em Feijó. Parte das investigações anteriores foi arquivada, mas a decisão menciona limitações logísticas, barreiras linguísticas e dificuldade de acesso às aldeias como fatores que dificultaram o aprofundamento das diligências. Neste mês de maio, a Justiça já havia imposto medidas cautelares a outras pessoas envolvidas em irregularidades do mesmo tipo.

Além do afastamento, a Justiça determinou a suspensão imediata da nomeação, proibiu nova designação do servidor para funções de direção, chefia ou assessoramento ligadas à política indigenista até o julgamento final da ação e ordenou a devolução, em 24 horas, de eventuais bens da Funai mantidos sob sua posse. O servidor também ficou proibido de acessar a unidade da fundação em Feijó enquanto durar a medida cautelar. A Funai terá cinco dias para cumprir a decisão, sob pena de multa diária. Cabe recurso.

Cruzeiro do Sul fará blitz para cadastrar jovens no ID Jovem entre 8 e 12 de junho

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul vai realizar, entre 8 e 12 de junho, a Blitz da Juventude para orientar e cadastrar jovens no programa ID Jovem. A ação será conduzida pela Casa Civil, com atividades em escolas estaduais de ensino médio, no centro da cidade e no Coreto da Praça Orleir Cameli, com a proposta de ampliar o acesso da juventude aos benefícios do programa.

Nos três primeiros dias, as equipes vão visitar unidades escolares e também promover atividades informativas na região central do município. Nos dias 11 e 12 de junho, o atendimento ficará concentrado no Coreto da Praça Orleir Cameli, das 8h às 14h, onde os participantes poderão tirar dúvidas e fazer o cadastro.

De acordo com a organização, a mobilização busca aproximar os jovens das políticas públicas e facilitar o acesso ao ID Jovem. O representante da Juventude, Igor Gabriel, afirmou que a meta é ampliar o conhecimento sobre os direitos garantidos pelo programa e aumentar o número de cadastros no município.

O ID Jovem é um documento gratuito voltado a pessoas de 15 a 29 anos inscritas no CadÚnico, com renda familiar mensal de até dois salários mínimos e cadastro atualizado nos últimos 24 meses. O benefício garante meia-entrada em eventos culturais e esportivos, além de duas vagas gratuitas e duas com 50% de desconto no transporte interestadual convencional. O programa não exige que o beneficiário esteja estudando.

A expectativa da prefeitura é usar a blitz para alcançar jovens que ainda não acessaram o benefício ou que precisam de orientação para concluir o cadastro. Durante a ação, as equipes vão prestar atendimento direto e explicar como funciona o uso da carteira digital.

Operação em Mâncio Lima prende quatro suspeitos e apreende armas no Vale do Juruá

Uma operação integrada das forças de segurança realizada na manhã desta quarta-feira, 27 de maio, no bairro Guarani, em Mâncio Lima, terminou com a prisão de quatro suspeitos e a apreensão de armas, munições, celulares e dinheiro. A ação foi montada após meses de investigação sobre a atuação de um grupo apontado por envolvimento com organização criminosa e tráfico de drogas na região do Vale do Juruá.

Participaram da ofensiva equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre. Segundo as informações divulgadas pelas forças de segurança, um dos alvos já era monitorado havia meses e tinha mandado de prisão em aberto, o que levou à incursão em imóveis ligados ao grupo investigado.

Entre o material recolhido estão armas de grosso calibre, munições de diferentes calibres e cerca de R$ 3,1 mil em espécie. Os suspeitos foram levados para a delegacia e permaneceram à disposição da Justiça, enquanto o material apreendido será periciado para aprofundar as investigações.

A apuração policial aponta que os investigados usavam armamento pesado para dar cobertura a carregamentos de drogas na rota do Juruá, com destino a Cruzeiro do Sul e outros municípios da região. A partir da análise dos celulares e dos demais itens recolhidos, a expectativa das autoridades é identificar outros possíveis envolvidos e ampliar o cerco às organizações criminosas que atuam no interior do Acre.

Com informações do Juruá 24horas

Edvaldo cobra convocação de aprovados da Sefaz e nova análise do TCE no Acre

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) defendeu nesta quarta-feira, 27 de maio, a convocação dos aprovados no concurso da Secretaria de Estado de Fazenda do Acre e pediu que o governo volte a consultar o Tribunal de Contas do Estado para reabrir a discussão. No plenário, ele afirmou que a pasta enfrenta déficit de pessoal e criticou a possibilidade de contratação de terceirizados para atividades ligadas a carreiras típicas de Estado.

Durante o pronunciamento, o parlamentar disse que há “necessidade urgente de recomposição dos quadros” da secretaria e sustentou que o aumento da atividade econômica e do volume de negócios no estado elevou a demanda de trabalho na área fazendária. Para ele, a falta de servidores efetivos já pressiona a estrutura da pasta e compromete a capacidade de resposta do Estado.

Edvaldo também argumentou que a terceirização para esse tipo de função pode abrir questionamentos jurídicos, além de ampliar despesas. Segundo ele, a saída mais adequada é retomar a análise sobre o chamamento dos concursados, com participação da Procuradoria-Geral do Estado e da própria Sefaz em nova consulta ao TCE.

Na defesa do pedido, o deputado citou como precedente a discussão recente envolvendo o Corpo de Bombeiros, em que o tribunal recebeu consulta relacionada à convocação de 140 candidatos diante do cenário de emergência climática. A avaliação dele é que a mesma lógica excepcional pode ser aplicada à Secretaria de Fazenda, diante da necessidade de reforço no quadro funcional.

O parlamentar lembrou ainda que medidas internas já precisaram ser adotadas para atender à sobrecarga de trabalho, como a ampliação de plantões na unidade da Tucandeira. Ao final, reforçou o apelo para que o governo trate a convocação como prioridade administrativa.

Acre abre Censo Escolar 2026 com foco em repasses, planejamento e inclusão de alunos

O governo do Acre lançou nesta quarta-feira, 27 de maio, em Rio Branco, a etapa estadual do Censo Escolar 2026, levantamento que orienta a distribuição de recursos, o planejamento educacional e a formulação de políticas públicas para a educação básica. Na abertura da coleta, a governadora Mailza Assis afirmou que o censo é decisivo para fazer os investimentos chegarem às escolas e aos estudantes que mais precisam.

A cerimônia reuniu gestores, secretários municipais, representantes de escolas públicas e privadas e equipes ligadas à educação. No Acre, as redes estadual e municipal somam 251 mil alunos, dos quais 136,9 mil estão na rede estadual. Durante o evento, Mailza disse que “quando realizamos um censo com responsabilidade e compromisso, estamos garantindo que os recursos cheguem aonde realmente são necessários”. O levantamento é coordenado pelo Inep, tem preenchimento obrigatório para escolas públicas e privadas e, nesta primeira etapa, apura dados sobre estabelecimentos de ensino, turmas, estudantes, gestores e profissionais escolares.

O secretário de Educação, Reginaldo Prates, afirmou que a meta é alcançar 100% das escolas e associou a qualidade da coleta ao acesso a recursos e programas. Ele também citou investimentos recentes da rede, como a contratação de 2,5 mil professores e 500 profissionais administrativos. Mailza destacou ainda o programa Prato Extra e informou que o estado já aplicou R$ 74 milhões na alimentação escolar.

O Acre chega ao início do Censo Escolar 2026 após fechar a coleta de 2025 com 100% de cobertura dentro do prazo pelo sétimo ano seguido, resultado apontado pelo governo estadual como referência nacional. Outro dado apresentado na abertura foi o avanço da internet nas escolas públicas de educação básica do estado, que alcançou 51,2% das unidades, alta de 26 pontos percentuais em relação a 2015. Nacionalmente, a primeira etapa da coleta começou em 27 de maio e segue até 31 de julho, com a última quarta-feira de maio como data de referência para a declaração das informações.

Acórdão do STJ contra Gladson é publicado e abre fase decisiva de recursos

A publicação nesta quarta-feira (27) do acórdão da Ação Penal 1.076, que condenou o ex-governador Gladson Cameli a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, abriu uma nova etapa no caso Ptolomeu e colocou em contagem os próximos prazos da defesa. A decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça envolve os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, peculato-desvio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de multa, indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado ao mandato no início de abril para tentar disputar o Senado.

O acórdão é a peça formal que reúne a decisão dos ministros, os fundamentos da condenação, as teses acolhidas e recusadas, a dosimetria da pena e os efeitos jurídicos. Na prática, ele transforma o resultado do julgamento em documento oficial completo e abre espaço para os recursos cabíveis. O primeiro caminho da defesa são os embargos de declaração, usados para apontar eventual omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Em processo penal, esse prazo é de 2 dias corridos, contado a partir da intimação formal. Depois disso, ou após o julgamento dos embargos, pode ser aberto o prazo para recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, de 15 dias corridos, quando houver discussão constitucional.

A dúvida sobre esses prazos, sobre a possibilidade de candidatura e sobre o alcance das decisões do STJ e do STF já havia sido tratada na semana passada pelo Grupo Integração. No Jornal da Manhã da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, o advogado Emerson Soares, com 30 anos de atuação, foi entrevistado por Chico Melo, Mazinho Rogério e Rogério Venceslau justamente para separar o que era fato jurídico, o que era possibilidade recursal e o que vinha sendo confundido no debate político. A pergunta central foi direta: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele dia, Gladson poderia registrar a candidatura? Emerson respondeu: “não, efetivamente não”.

A explicação dada por Emerson partiu da Lei Complementar 64/90, a Lei da Ficha Limpa. Para ele, a condenação por órgão colegiado já cria impedimento eleitoral, mesmo sem trânsito em julgado. Como a decisão saiu da Corte Especial do STJ, um colegiado judicial, a situação de Gladson entra no campo da inelegibilidade, ainda que a defesa possa recorrer. Emerson também calculou que, em crimes contra a administração pública, a inelegibilidade pode alcançar o período da pena mais 8 anos após o cumprimento, o que, pela condenação atual, chegaria a 33 anos e 9 meses.

O ponto mais sensível da entrevista foi a confusão criada em torno da decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte das provas foi afastada por problema na forma de obtenção, mas que isso não significou anulação do processo nem derrubada da condenação. Ele lembrou que a ministra Nancy Andrighi retirou dos autos os elementos atingidos pela decisão do Supremo e que, mesmo assim, a condenação foi sustentada em provas autônomas. “Não é fato novo e muito menos uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, afirmou.

Essa distinção ganhou ainda mais peso com a publicação do acórdão. A defesa poderá insistir em teses sobre nulidade, competência, cadeia de custódia e validade das provas, mas o STJ já enfrentou essas questões no julgamento. A Corte Especial manteve a condenação com base no entendimento de que os elementos invalidados pelo STF não serviram como fundamento para condenar Gladson. A notícia oficial do STJ registrou que as investigações seguiram com provas autônomas e que a Corte entendeu haver participação direta do ex-governador no esquema.

Na semana passada, Emerson também tratou do recurso extraordinário ao STF. Ele explicou que esse caminho é estreito porque o Supremo não reabre o processo para reavaliar todo o conjunto de provas. O recurso precisa discutir matéria constitucional e demonstrar repercussão geral. Para o advogado, uma liminar para suspender os efeitos da condenação é possível em tese, mas as chances são remotas diante da densidade do julgamento do STJ.

O calendário agora pesa contra a defesa porque o processo judicial corre ao lado do calendário eleitoral. Emerson lembrou que o prazo de registro de candidaturas vai até 15 de agosto e que eventual tentativa de candidatura depende de uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação colegiada. Na avaliação dele, os embargos de declaração podem até ser necessários para preparar o recurso ao STF, especialmente por causa do chamado prequestionamento, mas também fazem o relógio avançar. “O prazo do recurso é quinze dias”, explicou, ao tratar do recurso extraordinário, com contagem corrida.

O acórdão também reforça o peso político da condenação. Gladson foi um dos nomes mais fortes da política acreana nas últimas duas décadas, eleito deputado federal, senador e governador, além de reeleito ao governo.

A publicação do acórdão, portanto, não encerra o caso, mas reduz o espaço das incertezas. A condenação está formalizada. Os recursos ainda podem ser apresentados. A defesa pode buscar esclarecimentos no próprio STJ e depois tentar levar matéria constitucional ao STF. A candidatura, se houver tentativa de registro, dependerá da Justiça Eleitoral e de eventual decisão que suspenda os efeitos da condenação. O que muda agora é que o debate deixa de girar em torno de versões soltas e passa a caminhar sobre prazos, peças processuais e decisões formais.

No ar da Integração, Emerson resumiu a lógica do processo com uma frase que ajuda a entender o momento: “a decisão do juiz não se questiona, se recorre”. É exatamente essa a fase aberta agora. Gladson foi condenado por um órgão colegiado, a defesa ainda pode recorrer, mas o acórdão publicado coloca o caso em uma etapa mais dura, com menos espaço para narrativa e mais peso para o calendário.

Bittar acusa imprensa, mas é cobrado a provar quem recebeu dinheiro de ONGs no Acre

A resposta veio no ar, na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul. No Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Chico Melo e Rogério Wenceslau rebateram a fala do senador Márcio Bittar (PL-AC), que havia acusado parte da imprensa acreana de ser custeada por ONGs e chamado entrevistas feitas no Juruá de “quase combinadas”. A cobrança foi direta: se há jornalistas ou veículos pagos por ONGs para conduzir entrevistas, Bittar precisa apresentar nomes, valores, contratos e provas.

Chico abriu o programa colocando a acusação no centro da bancada. “A imprensa do Acre, em especial a imprensa do Juruá, é vendida, é comprada por ONGs”, disse ele, ao reproduzir o teor da fala de Bittar. Em seguida, marcou o ponto que atravessou toda a resposta: “Esse negócio de pagamento a jornalista, a veículo de imprensa, para fazer pauta combinada, é um negócio que tem que ser provado. Nem todo mundo está nesse balaio aí”.

Rogério Wenceslau respondeu com ironia, mas também com incômodo de quem viu uma categoria inteira ser colocada sob suspeita. “Me passa por favor o contato dessa ONG que você se vendeu, que eu quero me vender também”, disse. Chico manteve o tom e devolveu a provocação ao senador: “Eu quero saber onde depositaram essa grana. O meu extrato bancário está à disposição, senador Márcio Bittar. Será que o seu está à disposição?”.

A reação da bancada não foi uma defesa vazia da imprensa. Foi uma cobrança por prova. Bittar pode criticar entrevistas, cobrar perguntas mais duras e exigir que Jorge Viana responda sobre BR-364, ponte sobre o Rio Juruá, Serra do Divisor, ligação com o Peru e políticas ambientais. Esse debate é legítimo. O que não se sustenta é usar a tribuna do Senado para lançar suspeita sobre jornalistas e veículos sem dizer quem recebeu, quanto recebeu, de qual ONG recebeu e para fazer qual pauta.

Chico também fez questão de separar crítica política de acusação sem prova. “A imprensa do Juruá não está vendida. Eu não estou”, afirmou. Depois, cobrou que a fala de Bittar tenha consequência concreta: “Vai ter que provar”. A frase resume o ponto central da resposta. Em política, a palavra pode ser dura. Mas quando a palavra acusa, precisa vir acompanhada de documento.

A bancada levou ao ar um levantamento feito a partir da transparência do Senado. Entre maio de 2025 e março de 2026, aparecem pelo menos R$ 281.323,65 em gastos da cota parlamentar de Bittar com serviços ligados à divulgação da atividade parlamentar, imprensa, publicidade, marketing e comunicação. Desse total, R$ 198.933,65 são de 2025 e R$ 82.390,00 dos três primeiros meses de 2026. Janeiro de 2026 concentrou o maior volume, com R$ 55.390,00. O maior pagamento individual reunido no material foi de R$ 31.590,00, descrito como trabalho técnico de apoio ao mandato parlamentar.

Chico fez a ressalva necessária: o uso da cota parlamentar para divulgação do mandato não é ilegal por si só. “A legislação permite isso”, disse. Mas a pergunta política ficou de pé. Se Bittar acusa a imprensa de financiamento oculto, seus próprios gastos públicos com comunicação também podem ser examinados. O levantamento reúne repasses a serviços de comunicação, publicidade, produção, marketing, outdoor e impulsionamento em redes sociais.

O apresentador também deixou claro que a bancada não recebeu dinheiro do gabinete do senador. “Essa bancada não recebeu um real do senhor”, afirmou. Em seguida, reforçou o convite ao confronto público de informações: “Eu deixo à disposição meu extrato bancário”. A resposta mirou o ponto mais sensível da acusação: quem fala em dinheiro escondido precisa aceitar transparência total, inclusive sobre o próprio mandato.

A Rádio Integração não fechou portas. Fez o contrário. Bittar foi convidado a ir ao programa, sentar na bancada, tomar café e responder. “O senhor pode vir aqui tomar um cafezinho com a gente. Está convidado”, disse Chico. Ele lembrou que o senador já foi entrevistado gratuitamente na emissora e que nunca pagou nada por isso. “O senador já teve aqui, já tomou cafezinho com a gente, já tomou água e nunca pagou nada”, afirmou.

A resposta também devolveu a cobrança sobre infraestrutura. Se Bittar quer perguntar a Jorge Viana sobre a BR-364, a ponte e a ligação com o Peru, também deve responder o que fez quando teve força em Brasília, quando foi relator do Orçamento e quando dizia ter influência para mandar recursos ao Acre. “Como é que ele vai criticar a BR-364 se, quando teve a oportunidade de fazer, não fez?”, questionou Chico.

O Juruá não precisa apenas saber quem impediu obras. Precisa saber quem prometeu, quem teve caneta, quem tinha poder e quem não entregou. Foi esse o sentido da pauta que Chico disse que enviaria ao gabinete do senador. “Eu queria combinar aqui uma pauta com o senador Márcio Bittar. Tenho algumas perguntas aqui. Eu vou mandar para sua assessoria e, se o senhor tiver coragem, o senhor vem aqui e responde”, disse.

Chico também fez questão de preservar o tom institucional da cobrança. “Sem ranço, sem ofensa. A gente faz uma gozação porque também nós temos esse direito, já que fomos achincalhados publicamente”, afirmou. A frase mostra o limite da resposta: houve ironia, houve indignação, mas também houve convite ao contraditório. Bittar pode responder no Senado, por nota, pela assessoria ou no próprio Jornal da Manhã. O microfone está aberto.

No fim, o Jornal da Manhã colocou a discussão no lugar certo. A imprensa do Juruá não é extensão de gabinete, nem de Jorge, nem de Bittar, nem de qualquer outro grupo político. Ela existe para perguntar. Se há entrevista combinada, que se prove. Se há ONG pagando jornalista, que se mostre. Se não há prova, a acusação vira apenas tentativa de intimidar quem trabalha com microfone aberto diante da população.

Bittar acertou ao trazer a infraestrutura para o centro do debate. Errou ao atacar a imprensa sem apresentar provas. Quem cobra transparência precisa praticá-la. Quem exige perguntas duras precisa responder perguntas duras. E quem usa a tribuna do Senado para acusar jornalistas deve ter coragem de voltar ao Juruá, sentar diante dos microfones e explicar, com documentos na mão, exatamente o que quis dizer.

Acre tem o terceiro menor IDHM do Brasil em 2024 e expõe desigualdade

O Acre chegou a 2024 com Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,754, o terceiro menor resultado entre as 27 unidades da federação, à frente apenas de Alagoas, com 0,746, e Maranhão, com 0,745. O dado foi divulgado nesta terça-feira, 26, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em parceria com o IBGE e a Fundação João Pinheiro, e coloca o estado no ponto mais sensível de uma contradição brasileira: o país alcançou pela primeira vez a faixa de muito alto desenvolvimento humano, com 0,805, mas a Amazônia acreana ainda convive com renda baixa, dificuldade de acesso à educação, isolamento territorial e desigualdades que atravessam a vida de quem mora longe dos centros urbanos.

O IDHM mede três dimensões que definem a chance concreta de uma pessoa viver melhor: longevidade, educação e renda. O índice vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. No Acre, essas três dimensões não avançam no mesmo ritmo. A longevidade puxa o resultado para cima, a educação mostra recuperação depois da pandemia, mas a renda segue como o ponto mais frágil.

A posição atual do Acre na parte baixa do ranking não apaga uma trajetória anterior de avanço. Os dados mostram uma mudança de patamar: o estado saiu de 0,517 em 2000 para 0,663 em 2010, entrando na faixa de desenvolvimento humano médio. Depois, na série anual, passou de 0,701 em 2012 para 0,739 em 2019, já na faixa de desenvolvimento humano alto. A pandemia interrompeu esse ciclo de crescimento mais firme. Em 2021, o índice caiu para 0,702 e só voltou a ganhar fôlego nos anos seguintes, até alcançar 0,754 em 2024.

A curva revela duas coisas ao mesmo tempo. O Acre avançou de forma consistente por quase duas décadas, mas a recuperação recente ainda não foi suficiente para tirá-lo da parte inferior do ranking nacional. Enquanto estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste já aparecem acima de 0,800 ou perto disso, o Acre permanece distante do Distrito Federal, que lidera com 0,866, e de São Paulo, com 0,838.

O componente que mais ajuda o estado é a longevidade. O IDHM Longevidade do Acre chegou a 0,848 em 2024. Esse resultado carrega décadas de ampliação do atendimento básico, vacinação, redução da mortalidade e políticas públicas que empurraram a expectativa de vida para cima. Mesmo assim, viver mais não significa necessariamente viver com renda suficiente, escola sólida e oportunidades distribuídas de forma equilibrada entre capital, municípios isolados, zona rural, rios e florestas.

A educação continua como um dos gargalos centrais. O IDHM Educação do Acre passou de 0,636 em 2012 para 0,740 em 2024, crescimento importante, mas ainda marcado pela queda provocada pela pandemia. Em 2020, o índice educacional acreano tinha alcançado 0,748. No ano seguinte, caiu para 0,685. A recuperação veio depois, mas a perda deixou marcas em crianças e adolescentes que enfrentaram escola fechada, internet precária, aulas remotas desiguais e dificuldades para retomar o ritmo de aprendizagem.

A renda pesa como a dimensão mais vulnerável. O IDHM Renda do Acre ficou em 0,684 em 2024, dentro da faixa de médio desenvolvimento humano e abaixo do desempenho geral do estado. Em 2012, esse componente era 0,670. Em doze anos, o avanço foi pequeno. Essa lentidão ajuda a explicar por que a melhora do desenvolvimento humano nem sempre aparece com força na mesa das famílias, no emprego formal, no transporte, no preço dos alimentos e na permanência dos jovens no próprio estado.

O ranking nacional também impede uma leitura simplista sobre atraso ou progresso. O Acre cresceu, mas outros estados cresceram mais ou partiram de bases sociais e econômicas mais fortes. Tocantins, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Amazonas e Pará aparecem à frente do Acre no IDHM geral de 2024. A diferença entre alguns desses estados parece pequena, mas cada centésimo no índice concentra anos de políticas públicas, estrutura produtiva, acesso a serviços e redução de desigualdades.

No Acre, desenvolvimento humano não se mede apenas pela distância entre governo e cidadão. Mede-se também pela distância física entre casa, escola, hospital, emprego e Estado. O mesmo índice que cabe em uma tabela nacional precisa atravessar rios, ramais, comunidades indígenas, reservas extrativistas, fronteiras e bairros urbanos crescidos com pouca infraestrutura. A média estadual junta realidades muito diferentes: a de quem vive em Rio Branco, a de famílias em municípios isolados como Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo, e a de comunidades rurais onde chegar a um serviço público ainda exige tempo, dinheiro e resistência.

O resultado de 2024 funciona como cobrança sobre prioridades. O Acre melhorou desde 2000, consolidou avanços entre 2010 e 2019 e conseguiu recuperar parte das perdas recentes. Mas ainda chega a 2024 preso a um desenvolvimento desigual, dependente de políticas de longo prazo e vulnerável a crises sanitárias, econômicas e climáticas. Para deixar a parte baixa da tabela, o estado terá de transformar escola em aprendizagem, renda em trabalho estável, saúde em acesso territorial real e infraestrutura em ligação concreta entre comunidades e oportunidades.

O IDHM mostra que o Acre vive mais, estuda um pouco mais e recuperou parte do terreno perdido na pandemia. Mas também mostra que esse avanço ainda não chegou com a mesma força ao bolso, à sala de aula e ao futuro das famílias acreanas.

Foto: Secom/CZS