Fase rural dos Jogos Escolares reúne cerca de 200 alunos em Cruzeiro do Sul

A fase rural dos Jogos Escolares 2026 começou nesta terça-feira (1º), na Vila Olímpica de Cruzeiro do Sul, com a participação de estudantes de comunidades do interior do município. A competição reúne cinco escolas, 15 equipes e cerca de 200 alunos-atletas e vai definir os classificados para enfrentar as equipes da fase urbana.

Participam das disputas as escolas 07 de Setembro, Braz de Melo, Universo Infantil, Marcílio Nunes Ribeiro e Maria de Nazaré Santiago. A etapa contempla estudantes das vilas Assis Brasil, Santa Luzia do Pentecostes, Santa Rosa e São Pedro.

A abertura já teve decisão no futsal feminino da categoria infantil. A Escola 07 de Setembro, localizada na AC-405, venceu a Escola Universo Infantil, da Vila Assis Brasil, e ficou com o título da modalidade.

Os campeões da etapa rural vão avançar para a próxima fase dos Jogos Escolares, quando enfrentarão as equipes classificadas na área urbana de Cruzeiro do Sul.

O diretor municipal de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, afirmou que a realização de uma etapa específica para as comunidades rurais amplia a participação dos estudantes na competição. “É uma fase importante para escolher os campeões que irão disputar com as equipes da fase urbana”, afirmou.

A programação é organizada pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Diretoria de Esportes e Lazer, e envolve crianças e adolescentes das escolas participantes.

Presidente do Deracre é multado em R$ 5 mil por propaganda antecipada para Mailza

O presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Gilberto Lucas de Oliveira, foi condenado pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada em benefício da governadora Mailza Assis, candidata à reeleição. A decisão envolve publicações feitas no Instagram antes de 16 de agosto, data de início do período autorizado para propaganda nas eleições de 2026.

A condenação foi aplicada pelo juiz auxiliar da Propaganda Eleitoral Leandro Leri Gross, do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), após representação apresentada pelo partido Democracia Cristã. O processo tramita sob o número 0600600-28.2026.6.01.0000.

A ação teve como base duas publicações feitas no perfil pessoal de Gilberto Lucas. Os conteúdos associavam obras públicas executadas ou previstas para Senador Guiomard à imagem da governadora e utilizavam a frase “Em Senador Guiomard tem obra da Mailza sim”.

Uma das postagens também apresentava marcas do Governo do Acre e do Deracre e convidava os usuários a seguir o perfil de Mailza. Outro conteúdo exibia a imagem da governadora vinculada às ações de infraestrutura.

Ao julgar o caso, o magistrado considerou que a simples divulgação de obras públicas não configura propaganda eleitoral irregular. A forma utilizada nas publicações, porém, transformou as ações administrativas em promoção pessoal da então pré-candidata.

Na decisão, o juiz afirmou que a expressão “obra da Mailza”, combinada à imagem da governadora, à identidade visual de órgãos públicos e ao convite para acompanhar o perfil pessoal dela, criou associação direta entre as obras executadas pelo Estado e a imagem política da candidata.

A defesa de Gilberto argumentou que as publicações tinham caráter informativo, não continham pedido explícito de voto e foram retiradas após determinação judicial. Os argumentos não afastaram a condenação.

A Justiça Eleitoral entendeu que a propaganda antecipada não depende necessariamente do uso de expressões como “vote em”. O contexto da mensagem e os elementos utilizados na publicação também podem caracterizar tentativa de promoção eleitoral antes do período permitido.

A retirada posterior das postagens também não eliminou a irregularidade. A ordem para exclusão dos conteúdos, concedida anteriormente, foi confirmada na decisão.

Gilberto Lucas foi responsabilizado por ter publicado o material em sua conta pessoal e recebeu multa de R$ 5 mil, valor mínimo previsto para esse tipo de infração eleitoral.

Mailza Assis foi considerada beneficiária das publicações, mas não recebeu multa no processo. Não ficou comprovado que a governadora tivesse conhecimento prévio ou participação direta na produção e divulgação dos conteúdos.

Governo Mailza Cameli destina mais de R$ 7 milhões à publicidade durante período eleitoral

O governo de Mailza Assis destinou R$ 7,1 milhões a serviços de publicidade nos meses de julho, agosto e setembro de 2026, justamente o período em que a legislação eleitoral restringe a divulgação institucional de órgãos públicos antes das eleições de outubro. O valor consta no Portal da Transparência do Acre e está concentrado em um único empenho da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), aberto no primeiro dia das restrições eleitorais mais rigorosas.

Os recursos estão registrados no Empenho nº 7110010458, emitido pela Secom em favor da Thera Publicidade Ltda. A despesa foi empenhada em 4 de julho, data que marcou o início do período de três meses que antecede as eleições e durante o qual a legislação estabelece limites específicos para a publicidade institucional do poder público.

Na descrição da despesa, os recursos aparecem destinados à contratação de serviços de publicidade por meio de veículos de comunicação, com a finalidade de atender ao princípio da publicidade e informar a população. O próprio registro define como objetivo a “divulgação dos atos e ações do Governo do Acre” durante julho, agosto e setembro.

O empenho chegou a R$ 7,1 milhões. Desse total, R$ 2.298.865,18 já passaram pelas etapas de liquidação e pagamento.

A cifra chama atenção também porque o mesmo empenho está no centro de uma investigação aberta pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). Quando o caso chegou ao Tribunal, o valor registrado era de R$ 4,6 milhões.

Empenho investigado pelo TCE era de R$ 4,6 milhões

O Processo Eletrônico nº 150.460 foi aberto no TCE-AC a partir de uma representação que colocou sob análise justamente o Empenho nº 7110010458. Naquele momento, a despesa somava R$ 4,6 milhões e ainda não registrava valores liquidados ou pagos.

O mesmo número de empenho, com a mesma data de emissão e a mesma descrição, passou a aparecer posteriormente no Portal da Transparência com valor de R$ 7,1 milhões.

São R$ 2,5 milhões a mais do que o montante inicialmente levado ao Tribunal, crescimento de aproximadamente 54%.

A mudança não ocorreu apenas no valor global. Parte do dinheiro já percorreu todas as etapas da despesa pública. Dos R$ 7,1 milhões empenhados, R$ 2,29 milhões foram liquidados e pagos. Outros cerca de R$ 4,8 milhões permanecem empenhados, sem pagamento registrado.

A representação levada ao TCE pediu uma medida cautelar para suspender o empenho e impedir novas liquidações e pagamentos enquanto as circunstâncias da contratação fossem examinadas. Também solicitou que a Secom e a Thera apresentassem documentos relacionados à execução da verba, entre eles o contrato, eventual aditivo e o plano de mídia.

O aumento do valor ocorre enquanto o processo ainda está sob análise e amplia o volume de recursos alcançado pela discussão no Tribunal.

Publicidade é restrita durante campanha eleitoral

A controvérsia gira em torno do artigo 73 da Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições, que impõe restrições à publicidade institucional nos três meses anteriores à votação.

Nesse intervalo, agentes públicos não podem autorizar publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos. A legislação abre exceções para a publicidade de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado e para situações de grave e urgente necessidade pública, desde que reconhecidas previamente pela Justiça Eleitoral.

No Acre, o governo conseguiu autorização do Tribunal Regional Eleitoral para manter determinadas campanhas consideradas de interesse público durante o período eleitoral. Entre elas estão ações de prevenção às queimadas, vacinação, combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo à doação de sangue.

Essas autorizações, contudo, estão vinculadas a campanhas e materiais específicos. Não funcionam como uma liberação genérica para a publicidade institucional de qualquer ato do governo.

É nesse ponto que a descrição do empenho de R$ 7,1 milhões assume peso na discussão. Em vez de relacionar individualmente as campanhas autorizadas pelo TRE, o registro traz como finalidade a “divulgação dos atos e ações do Governo do Acre” ao longo de julho, agosto e setembro.

A diferença entre campanhas previamente autorizadas pela Justiça Eleitoral e uma descrição ampla de divulgação das ações governamentais está entre os pontos que precisam ser esclarecidos na análise da execução da verba.

Gastos com a Thera chegam perto de R$ 20 milhões em 2026

O empenho de R$ 7,1 milhões representa apenas uma parte dos recursos destinados à Thera Publicidade em 2026.

Os registros do exercício reúnem R$ 6.742.260,50 empenhados pela Secom em janeiro; R$ 777.115,55 pelo Detran em março; R$ 4.486.000 pela Secom em abril; R$ 875 mil pelo Detran em junho; e outros R$ 7,1 milhões pela Secom em julho.

Somados, os cinco registros chegam a R$ 19.980.376,05 em empenhos para a agência ao longo de 2026.

Desse total, cerca de R$ 18,3 milhões estão vinculados diretamente à Secretaria de Comunicação. Outros R$ 1,65 milhão correspondem a despesas do Detran. Mais de R$ 14 milhões já aparecem como liquidados ou pagos à empresa no exercício.

Antes mesmo do início das restrições eleitorais de julho, a Secom já havia empenhado R$ 11.228.260,50 para a Thera apenas no primeiro semestre.

Esse volume abre uma segunda frente de discussão, porque a legislação eleitoral também estabelece um teto para despesas com publicidade nos seis primeiros meses do ano da eleição.

Limite do primeiro semestre também está sob análise

A representação apresentada ao TCE não se limita aos R$ 7,1 milhões empenhados para julho, agosto e setembro. O processo também colocou sob análise o volume de despesas com publicidade assumidas pelo governo durante o primeiro semestre de 2026.

A Lei das Eleições estabelece que, nos seis primeiros meses do ano eleitoral, os órgãos públicos não podem empenhar despesas com publicidade acima de seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores.

Para a eleição de 2026, a conta considera os exercícios de 2023, 2024 e 2025.

Nos três anos, a Secom empenhou para a Thera aproximadamente R$ 64,48 milhões. Em uma conta nominal, sem aplicar a atualização monetária exigida pela legislação, esse montante produziria uma referência próxima de R$ 10,74 milhões para os seis primeiros meses do ano eleitoral.

No primeiro semestre de 2026, a Secom empenhou R$ 11.228.260,50 para a agência, cerca de R$ 481 mil acima dessa referência nominal.

A diferença, isoladamente, não permite afirmar que o limite legal foi ultrapassado.

A legislação determina que os valores dos anos anteriores sejam atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A conta também deve considerar apenas os empenhos que não tenham sido cancelados. Sem incorporar esses dois elementos, não é possível estabelecer o teto definitivo nem afirmar a existência de extrapolação.

O cálculo final, portanto, depende da atualização monetária dos valores de 2023, 2024 e 2025 e da identificação de eventuais cancelamentos ocorridos nesses exercícios.

TCE ainda analisa possível irregularidade

A análise deverá esclarecer como a verba destinada à publicidade está sendo executada durante o período eleitoral, quais campanhas foram custeadas, se os materiais veiculados estão abrangidos pelas autorizações concedidas pela Justiça Eleitoral e como foi calculado o limite de despesas do primeiro semestre.

Há, porém, um elemento novo no centro dessa apuração. O principal empenho questionado no processo passou de R$ 4,6 milhões para R$ 7,1 milhões, aumento de R$ 2,5 milhões, sem alteração do número, da data de emissão ou da descrição que registra como finalidade a divulgação dos atos e ações do Governo do Acre nos meses de julho, agosto e setembro.

Além do crescimento de aproximadamente 54% sobre o valor inicialmente levado ao TCE, R$ 2.298.865,18 já foram liquidados e pagos.

A combinação entre o aumento do empenho, o início dos pagamentos e a execução da verba durante os três meses que antecedem a eleição amplia o alcance da apuração. O ponto central agora não é apenas quanto o governo Mailza reservou para publicidade em plena campanha eleitoral, mas quais ações estão sendo financiadas com esses recursos e se cada uma delas cabe dentro das exceções previstas pela legislação.

Foto: AC24h

Juiz do TRE-AC defende, em artigo, que advogado não deve ser confundido com cliente

O juiz titular do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) Thalles Vinícius de Souza Sales defendeu que advogados não podem ser associados às condutas, posições políticas ou acusações atribuídas aos clientes que representam. O jurista abordou o tema em artigo publicado em 14 de abril e alertou que essa associação pode levar à criminalização indevida da advocacia.

Thalles, que também integra a Comissão Nacional de Defesa de Prerrogativas e Valorização da Advocacia do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), afirma que a atuação profissional deve ser compreendida como parte do direito de defesa e do funcionamento do Estado Democrático de Direito.

Na área criminal, o magistrado sustenta que a defesa de uma pessoa acusada de crime não significa concordância do advogado com a conduta atribuída ao cliente. A função do profissional é assegurar o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa durante o julgamento.

“O advogado não é o cliente”, afirma Thalles ao abordar a diferença entre o exercício profissional e as ações da pessoa representada. Para ele, responsabilizar moral ou politicamente o defensor pelos atos atribuídos ao cliente enfraquece garantias previstas no sistema jurídico.

O mesmo entendimento é aplicado à advocacia ligada à política. A prestação de serviços jurídicos para partidos, candidatos ou grupos políticos, na avaliação do jurista, não representa necessariamente adesão pessoal ou ideológica do advogado às posições defendidas pelo contratante.

Thalles argumenta que partidos e candidatos estão submetidos a normas eleitorais e, como qualquer pessoa física ou jurídica, precisam de profissionais habilitados para interpretar a legislação e exercer a defesa de seus interesses dentro dos limites legais.

A preocupação também envolve situações de constrangimento, ataques pessoais e tentativas de intimidação contra profissionais em razão das causas que assumem. O magistrado afirma que a liberdade no exercício da advocacia precisa ser preservada mesmo quando o cliente ou a causa enfrentam forte rejeição pública.

A garantia, conforme sustenta, não beneficia apenas os integrantes da advocacia. O direito a uma defesa técnica protege qualquer cidadão submetido a um processo e impede que julgamentos ocorram sem a observância das regras estabelecidas pela Constituição e pela legislação.

A atuação independente do advogado, portanto, integra o próprio funcionamento da Justiça. Para Thalles, transformar o defensor em extensão moral, política ou ideológica do cliente compromete não apenas as prerrogativas profissionais, mas o direito de defesa assegurado a todos.

Confira o artigo completo aqui

Justiça nega pedido de Mailza para retirar vídeo de suplente de Alan Rick sobre Marcha para Jesus

A Justiça Eleitoral do Acre negou nesta terça-feira, 1º de setembro, o pedido de tutela de urgência apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis Cameli e pela Coligação Avança Acre para retirar das redes sociais uma publicação de Gemil Salim de Abreu Júnior, primeiro suplente do senador e candidato ao governo Alan Rick. O vídeo atribui a uma suposta perseguição política do Governo do Estado a falta de apoio à Marcha para Jesus de 2026 em Cruzeiro do Sul.

A manifestação que provocou a disputa judicial foi publicada por Gemil após a confirmação de que o evento evangélico não receberia neste ano a estrutura e os recursos estaduais utilizados em edições anteriores. No vídeo, o suplente relacionou a decisão ao cenário político do município e às alianças formadas para as eleições.

“O Governo do Estado do Acre, por perseguição e por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio”, afirmou Gemil ao tratar do evento.

A declaração faz referência à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul e à situação política na região do Juruá. Gemil sustentou que a falta de estrutura, como palco, trio elétrico e apoio para atrações, compromete a realização do evento pelas igrejas locais.

Mailza e a Coligação Avança Acre recorreram à Justiça Eleitoral contra a publicação e pediram a retirada do conteúdo em caráter de urgência. O pedido, porém, foi negado, mantendo a postagem disponível nesta fase do processo.

O Governo do Acre já havia contestado publicamente a acusação de perseguição. A gestão informou que a impossibilidade de financiar a Marcha para Jesus está relacionada ao cancelamento do Edital nº 001/2026 da Fundação Elias Mansour, ocorrido em 23 de junho, antes da definição das atuais alianças eleitorais.

A administração estadual atribuiu o cancelamento a restrições relacionadas ao período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. A demanda específica apresentada por lideranças religiosas de Cruzeiro do Sul teria chegado ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital.

O Executivo sustenta que a sequência das datas afasta a relação entre a falta do repasse e os apoios políticos firmados posteriormente no município. A gestão também declarou que pretende manter o diálogo com as igrejas para futuras parcerias dentro das regras administrativas e eleitorais.

Gemil Júnior é o primeiro suplente da chapa que elegeu Alan Rick para o Senado em 2022. Caso Alan seja eleito governador do Acre e deixe o mandato no Senado, Gemil poderá assumir a vaga atualmente ocupada pelo parlamentar.

O episódio ocorre em meio ao avanço da campanha pelo governo do Acre e amplia o embate entre os grupos de Alan Rick e Mailza Assis. As acusações de perseguição política já vinham sendo usadas pelo grupo do senador em críticas ao atual governo, enquanto integrantes da gestão estadual rejeitam a existência de retaliações contra adversários.

Eduardo Velloso defende centros cirúrgicos nos 22 municípios e fim da escala 6×1

O candidato ao Senado Eduardo Velloso defendeu a implantação de centros cirúrgicos nos 22 municípios do Acre, a valorização dos profissionais de saúde e o fim da escala de trabalho 6×1 durante sabatina realizada na noite de segunda-feira (31), em Rio Branco. Na entrevista, ele também apresentou propostas para habitação, infraestrutura e atuação parlamentar.

Na área da saúde, Velloso afirmou que pretende ampliar a capacidade de atendimento no interior para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até a capital. A proposta prevê centros cirúrgicos adaptados à estrutura e à demanda de cada município.

O candidato também defendeu a criação de um plano de cargos e carreira para médicos e outros profissionais da saúde como forma de estimular a permanência de trabalhadores no interior do estado. “A saúde como um todo merece um avanço, merece um plano de cargos e carreira, sim”, afirmou.

Na habitação, Velloso citou articulações feitas junto ao Ministério das Cidades para viabilizar projetos do Minha Casa, Minha Vida no Acre. Ele afirmou ter contribuído para o direcionamento de 150 unidades habitacionais a municípios do interior e disse que pretende manter diálogo com o governo federal, independentemente de quem estiver no comando do Executivo.

“Eu estou lá para representar você, para dialogar”, declarou ao defender uma relação institucional entre o mandato parlamentar e o governo federal.

A jornada de trabalho também entrou na sabatina. Velloso se posicionou contra a escala 6×1 e favorável ao modelo 5×2, com um período de transição para trabalhadores e empresas. Para o candidato, a mudança pode ampliar o tempo destinado ao descanso e à convivência familiar sem comprometer necessariamente a produtividade.

“Eu sou contra a escala 6×1”, afirmou.

Velloso também respondeu a perguntas sobre fundo partidário, emendas parlamentares e alianças políticas. Ao tratar da atuação no Congresso Nacional, disse que não pretende seguir automaticamente orientações partidárias e que as decisões do mandato devem considerar os interesses do Acre.

O candidato relacionou parte das propostas à experiência como médico e deputado federal. Segundo ele, a decisão de disputar uma vaga no Senado foi tomada após viagens pelos municípios acreanos e conversas com moradores, especialmente sobre dificuldades enfrentadas na saúde pública.

“Eu decidi escutar a população. Houve um chamado para que eu fizesse mais do que o mandato de deputado proporciona, as pessoas pediam por mais ações na saúde, que no Senado podem ser feitas”, afirmou.

Bocalom participa de sabatina do Grupo Integração e apresenta propostas para o Governo do Acre

Candidato falou sobre saúde, produção rural, infraestrutura, combate à corrupção e cenário eleitoral durante entrevista ao Jornal da Manhã

O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) participou, nesta terça-feira, 1º de setembro, da série de sabatinas promovida pelo Grupo Integração com os candidatos aos cargos majoritários nas eleições de 2026. A entrevista foi realizada ao vivo no Jornal da Manhã, da Integração FM, em Cruzeiro do Sul, e teve duração prevista de 30 minutos, seguindo o mesmo formato estabelecido para os demais candidatos.

Acompanhado do candidato a vice-governador, sargento Adonis, Bocalom falou sobre a campanha no Vale do Juruá, apresentou propostas do plano de governo e respondeu a questionamentos sobre saúde, agricultura, infraestrutura, situação financeira do Estado e alianças políticas.

Logo no início da entrevista, o candidato voltou a defender o projeto “Produzir para Empregar”, bandeira utilizada por ele em campanhas anteriores e também durante suas gestões municipais. Bocalom afirmou que pretende aplicar no Estado medidas de incentivo à produção rural e à instalação de agroindústrias.

“O meu projeto é o mesmo: Produzir para Empregar”, declarou. Segundo ele, o Acre precisa mudar o modelo de desenvolvimento para ampliar a produção local e reduzir a dependência de alimentos trazidos de outros estados.

Na área da saúde, Bocalom reconheceu dificuldades no atendimento público e apresentou como uma das propostas a implantação de hospitais de pequeno porte nos municípios do interior. A ideia, segundo ele, é aproveitar estruturas existentes e ampliar a capacidade para procedimentos de urgência, incluindo pequenas cirurgias.

“Cada município do Estado do Acre terá um hospital de pequeno porte”, afirmou. Bocalom disse ainda que pretende buscar recursos federais e envolver as prefeituras na gestão das unidades.

A produção rural também ocupou parte significativa da entrevista. O candidato defendeu a recuperação de ramais, mecanização agrícola, distribuição de calcário, assistência técnica e a retomada da atuação da Emater. Bocalom citou o avanço da cafeicultura no Juruá como exemplo de atividade capaz de movimentar a economia dos municípios.

Segundo ele, o Estado deve atuar junto aos produtores desde a preparação da terra até a organização da produção e industrialização. “A riqueza nasce e multiplica no campo e vem para a cidade”, disse.

Integração com o Peru

Questionado sobre a ligação rodoviária entre o Vale do Juruá e o Peru, passando pela região da Serra do Divisor, Bocalom defendeu a execução do projeto e afirmou que pretende pressionar o Governo Federal para viabilizar a obra.

O candidato citou o decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor, que prevê a possibilidade de implantação da BR-364 observadas as medidas de proteção ambiental, e atribuiu a ausência da estrada à falta de decisão política.

“Essa estrada vai sair”, afirmou. Bocalom disse que pretende dialogar com o Governo Federal e defendeu que a integração com o Peru pode abrir uma nova rota para exportações acreanas em direção aos portos do Pacífico.

Durante a sabatina, ele também voltou a tratar das condições da BR-364 e defendeu que trechos da rodovia sejam reconstruídos em concreto. Bocalom criticou os sucessivos investimentos realizados na estrada sem que, segundo ele, os problemas tenham sido definitivamente solucionados. Também afirmou que pretende cobrar a execução da ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.

Gestão financeira e combate a irregularidades

Ao falar sobre as finanças públicas, Bocalom citou sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco e afirmou que pretende adotar no Governo do Acre uma política de controle de despesas e formação de caixa antes da execução de grandes investimentos.

O candidato declarou que pretende chegar ao fim do terceiro ano de um eventual mandato com mais de R$ 1 bilhão disponível em caixa.

“Agora o dinheiro está na conta, agora a gente vai fazer grandes obras”, afirmou ao explicar o modelo que pretende aplicar.

Bocalom também fez críticas à administração estadual ao ser questionado sobre corrupção. Ele afirmou que pretende aumentar o controle sobre contratos e despesas e encaminhar eventuais irregularidades aos órgãos de fiscalização e investigação.

Ao ser perguntado se considera que ainda existe “roubalheira” no Estado, respondeu: “E muita. Desculpe, mas a roubalheira não diminuiu”. A declaração foi feita pelo candidato durante a entrevista. Ele disse manter relação de amizade e respeito com integrantes do atual grupo político, mas defendeu maior fiscalização sobre a estrutura administrativa.

Senado e cenário eleitoral

A disputa eleitoral também esteve entre os assuntos abordados. Bocalom afirmou acreditar que Eduardo Veloso, candidato ao Senado apoiado pelo seu grupo, será o mais votado para o cargo no Acre.

“Eduardo Veloso será o senador mais bem votado do Estado. Eu não tenho dúvida”, declarou.

Questionado sobre o desempenho de Gladson Cameli nas pesquisas, Bocalom reconheceu a popularidade do ex-governador, mas levantou dúvidas sobre a situação de sua candidatura. O candidato informou ainda que, neste momento, sua campanha trabalha prioritariamente com o nome de Eduardo Veloso para o Senado, sem descartar uma definição sobre um segundo nome na reta final.

No encerramento da sabatina, Bocalom descartou fazer projeções sobre alianças para um eventual segundo turno e afirmou acreditar que poderá vencer a disputa ainda na primeira votação.

“Nós vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”, disse. Ao comparar sua estrutura de campanha com a dos adversários, utilizou a expressão “o tostão contra o milhão” e pediu aos apoiadores que atuem como multiplicadores da candidatura.

A entrevista com Tião Bocalom integra a rodada de sabatinas do Grupo Integração com os candidatos majoritários das eleições de 2026, realizada pelo Jornal da Manhã, na Integração FM.

Após cancelar edital da Marcha para Jesus, governo Mailza empenhou mais de R$ 1 milhão em outros eventos religiosos

Estado alega impedimentos legais e administrativos para não apoiar evento em Cruzeiro do Sul; levantamento mostra recursos para Semana Evangélica, Gospel Day, novenário e outros eventos após cancelamento do edital

O cancelamento da Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul, prevista para 26 de setembro, abriu uma discussão sobre o apoio do Governo do Acre a eventos religiosos em 2026. Enquanto a Associação dos Ministros Evangélicos do Acre (AMEACRE) afirma que a programação se tornou inviável após a confirmação de que não haveria apoio estadual, dados de execução orçamentária mostram que o governo continuou empenhando recursos para outros eventos religiosos, inclusive depois do cancelamento do edital usado como justificativa pelo Estado.

A Marcha do Vale do Juruá é realizada há cerca de 15 anos. Segundo a AMEACRE, o governo vinha sendo um dos principais parceiros da programação nos últimos anos. Para a edição de 2026, a entidade iniciou tratativas e levantamento de custos, mas foi posteriormente informada de que o Estado não poderia oferecer o apoio solicitado. Sem condições financeiras, estruturais e operacionais para manter a programação, a associação decidiu cancelar o evento.

Em nota divulgada após a repercussão, o Governo do Acre negou motivação política para a ausência do repasse. A gestão informou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa apoio à Marcha para Jesus, havia sido cancelado pela Fundação Elias Mansour em 23 de junho, por restrições relacionadas ao período eleitoral, falta de prazo para conclusão regular do chamamento e apontamentos de órgãos de controle, entre eles o Tribunal de Contas do Estado.

O governo também afirmou que a demanda específica de Cruzeiro do Sul só teria chegado à gestão em 15 de julho, quando pastores procuraram informalmente representantes do Estado. Segundo a nota, naquele momento o edital estava cancelado havia mais de três semanas. O Executivo classificou o caso como uma “impossibilidade legal e administrativa de financiamento” e rejeitou a versão de que a decisão teria ocorrido por razões políticas.

Edital previa R$ 2,4 milhões

Antes do cancelamento, o Edital nº 001/2026 já estava sendo acompanhado pelos órgãos de controle. Em 28 de maio, o Ministério Público do Acre abriu procedimento para fiscalizar aproximadamente R$ 2,4 milhões previstos para a realização da Marcha para Jesus.

O MPAC solicitou estudos técnicos, planilhas de custos, justificativas para o valor, critérios de seleção e cronograma financeiro. O órgão também determinou uma comparação entre o montante previsto para a Marcha e os investimentos estaduais realizados em outros eventos culturais, religiosos e tradicionais.

Em julho, o Ministério Público divulgou recomendação para suspensão dos atos relacionados ao edital, destinado à realização itinerante da Marcha para Jesus em 21 municípios, com exceção de Rio Branco. A recomendação citou apontamentos técnicos do TCE, como critérios religiosos para seleção das entidades, restrições quanto à experiência anterior das organizações e prazo de inscrição inferior ao previsto na legislação federal.

Empenhos continuaram após cancelamento

Um levantamento sobre a base de despesas do Governo do Acre, com registros disponíveis até 27 de agosto, mostra, porém, que o cancelamento do edital da Marcha não interrompeu a destinação de recursos estaduais a outros eventos religiosos.

Considerando apenas despesas diretamente identificadas como relacionadas a eventos religiosos entre junho e agosto, foram encontrados mais de R$ 1,12 milhão em empenhos. Desse total, aproximadamente R$ 520,7 mil já aparecem como pagos na base.

Mais significativo é o recorte posterior a 23 de junho, data apontada pelo próprio governo como a do cancelamento do edital. Depois dessa data, foram empenhados mais de R$ 1,08 milhão para eventos ou programações com componente religioso.

Um dos maiores valores aparece em 30 de junho, apenas sete dias depois do cancelamento do edital. A Fundação Elias Mansour empenhou R$ 500 mil para o Município de Xapuri por meio do Convênio nº 11/2026. O objeto registrado é a realização da “Semana Evangélica e ExpoXapuri 2026”. O recurso decorre de emenda parlamentar do deputado Manoel Moraes e aparece integralmente pago.

Neste caso, existe uma ressalva: os R$ 500 mil atendem conjuntamente à Semana Evangélica e à ExpoXapuri, e a base não informa quanto do recurso corresponde especificamente à programação religiosa.

No dia seguinte, 1º de julho, a FEM empenhou mais R$ 73.080 para a Life Show Produções, destinados à estrutura de palco da XX Semana Evangélica de Xapuri, realizada em agosto.

Dois dias depois, em 3 de julho, foram empenhados outros R$ 300 mil para o Instituto Vida Plena realizar a segunda edição do Festival Gospel Day. O recurso veio de emenda parlamentar do deputado Marcus Cavalcante. O valor aparece liquidado, embora ainda não estivesse pago até a atualização da base.

Novenário recebeu mais de R$ 200 mil

Os registros também mostram apoio expressivo a uma programação católica em Cruzeiro do Sul.

Em agosto, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo empenhou R$ 150 mil para a Diocese de Cruzeiro do Sul realizar uma feira cultural vinculada ao 108º Novenário de Nossa Senhora da Glória.

No dia seguinte, a Fundação Elias Mansour empenhou mais R$ 50 mil, por meio de emenda do deputado Pedro Longo, também para uma feira cultural relacionada ao Novenário.

Além dos dois termos de fomento, a FEM empenhou R$ 9.896,97 para contratação de uma banda destinada à festa de encerramento da programação.

Assim, somente nesses três registros diretamente ligados ao Novenário de Nossa Senhora da Glória são R$ 209,9 mil empenhados em agosto.

Há ainda despesas menores depois do cancelamento do edital, como R$ 3.199,96 para painel de LED no Congresso da CIBE, da Igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira, além de recursos para uma cruzada evangélica em Rio Branco e outras programações religiosas.

Marcha de Rio Branco teve R$ 300 mil para show

A comparação se amplia quando são considerados outros meses de 2026.

Em 18 de maio, pouco mais de um mês antes do cancelamento do edital estadual, a Fundação Elias Mansour empenhou, liquidou e pagou R$ 300 mil à empresa Novidade Urbana Agenciamento Ltda. para a contratação exclusiva do cantor Thalles Roberto.

O histórico do empenho informa expressamente que o show foi contratado para a 30ª Marcha para Jesus de Rio Branco, realizada em 30 de maio. O evento reuniu milhares de pessoas na capital e teve participação da governadora Mailza Assis. A programação oficial confirmou Thalles Roberto como atração nacional.

Outro grande desembolso ocorreu em fevereiro. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia destinou R$ 350 mil à Prefeitura de Xapuri para apoio às ações da Festa de São Sebastião, tradicional evento católico do município. O próprio governo divulgou oficialmente sua participação na programação.

Somados apenas esses dois grandes investimentos — São Sebastião e Marcha de Rio Branco — aos empenhos religiosos identificados entre junho e agosto, os valores passam de R$ 1,77 milhão em 2026. O levantamento é conservador e não inclui diversos repasses a instituições religiosas para projetos sociais, aquisição de equipamentos, obras ou outras atividades que não estejam diretamente caracterizadas como eventos.

Instrumentos são diferentes

A comparação mostra que a alegada impossibilidade administrativa não representou uma proibição geral de aplicação de recursos estaduais em eventos religiosos durante o período. Mesmo após 23 de junho, o Estado registrou novos empenhos para eventos evangélicos e católicos.

O ponto que permanece sem explicação é por que a Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul não poderia receber qualquer modalidade de apoio enquanto outros eventos religiosos continuaram recebendo recursos por instrumentos distintos.

Também chama atenção a cronologia: enquanto o governo afirma que o edital foi cancelado em 23 de junho, o MPAC publicou em 14 de julho recomendação para suspensão imediata dos atos relacionados ao mesmo chamamento, citando possíveis irregularidades identificadas pelo TCE.

Os dados da execução orçamentária utilizados no levantamento têm como última data de empenho 27 de agosto de 2026. A base informa a data do empenho e os valores posteriormente liquidados e pagos, mas não apresenta a data específica em que cada pagamento foi efetivamente realizado.

Em entrevista, Pedro Longo defende agro, turismo e integração com o Peru para desenvolver o Acre

O deputado estadual e candidato a deputado federal Pedro Longo afirmou, nesta segunda-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM, que pretende levar para Brasília pautas ligadas à produção rural, infraestrutura e desenvolvimento regional, com atenção especial ao Vale do Juruá.

Vice-presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Longo destacou a presença política que mantém na região e disse que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por considerar que o mandato estadual já não consegue atender à quantidade de projetos apresentados por associações, cooperativas e grupos organizados.

Segundo ele, desde 2020 mantém um escritório em Cruzeiro do Sul com equipe técnica voltada à elaboração de projetos e atendimento de demandas coletivas.

“O mandato começou a ficar pequeno. O valor das nossas emendas já não dava mais conta de atender isso”, afirmou ao explicar a decisão de concorrer a deputado federal.

Na entrevista, Pedro Longo também criticou a elaboração de normas federais que, segundo ele, não consideram a realidade dos pequenos produtores da Amazônia. O parlamentar citou dificuldades relacionadas à regularização ambiental e defendeu maior articulação entre os estados da Região Norte no Congresso.

“Uma coisa que me incomoda muito é ver sempre se fazerem leis do que pode e do que não pode ser feito no Acre por pessoas que não são do nosso estado, que não conhecem a nossa realidade”, declarou.

Ao falar sobre o futuro econômico do Acre, Longo apontou três áreas que considera fundamentais: fortalecimento da produção agropecuária, turismo e integração regional com países vizinhos, especialmente o Peru.

Para o deputado, o crescimento da produção deve começar pelo pequeno agricultor, com condições para geração de renda e permanência das famílias no campo.

“É muito fácil dizer que temos que fixar o homem no campo. Só que você fixar o homem no campo sem ele ter uma perspectiva de renda, sem ele poder levar um filho para uma faculdade, isso não vai acontecer”, disse.

No turismo, Pedro Longo citou destinos como Serra do Divisor, Croa, Rio Moa e Igarapé Preto e afirmou que o Juruá ainda não possui roteiros turísticos estruturados capazes de aproveitar o potencial da região.

Ele também defendeu maior aproximação econômica com o Peru, inicialmente por meio de voos regionais permanentes, para estimular o contato entre empresários e facilitar a comercialização de produtos.

“Eu sou um entusiasta desse Acre do futuro, de um Acre desenvolvido. O agronegócio, o turismo e essa integração regional são perspectivas principais para desenvolver o nosso estado”, afirmou.

A BR-364 também apareceu entre as prioridades citadas pelo deputado. Longo afirmou que as condições da rodovia afetam diretamente o custo das mercadorias que chegam ao consumidor e disse que pretende ampliar a fiscalização sobre o tema caso seja eleito para a Câmara Federal.

Outra pauta mencionada foi a construção da ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. Para ele, a obra é essencial para melhorar a circulação de pessoas e mercadorias e deve permanecer entre as prioridades da bancada federal acreana.

Pedro Longo também falou sobre os trabalhos da Assembleia Legislativa durante o período eleitoral. Entre as matérias que considera mais importantes para os próximos meses estão a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento do Estado para 2027.

O deputado disse ainda esperar que o Estado consiga superar as limitações fiscais que atualmente impedem avanços em planos de cargos e carreiras de algumas categorias. Citou demandas da Saúde, Comunicação e Educação e defendeu a recomposição de direitos dos trabalhadores do setor educacional.

Ao avaliar o cenário após as eleições, Longo afirmou que o resultado das urnas deverá alterar a composição política e os alinhamentos dentro da Assembleia Legislativa.

“A perspectiva de poder, às vezes, é mais forte do que o poder em si”, declarou ao comentar a possibilidade de mudanças na relação entre os deputados e o próximo governo.

Em entrevista à Integração FM, Gemil critica retirada de apoio à Marcha para Jesus

O líder evangélico Gemil Júnior afirmou nesta segunda-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM, que atribui a uma decisão política a retirada do apoio do Governo do Acre à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul.

Segundo ele, a ausência da estrutura que seria disponibilizada pelo Estado inviabilizou a realização do evento neste ano.

“Cruzeiro do Sul, em 2026, não tem a Marcha para Jesus. E, se você me perguntar os motivos, eu tenho os meus motivos pessoais e acredito que, devido à questão política, o apoio foi retirado”, afirmou.

Gemil é membro da Igreja Batista do Bosque e ligado à Associação dos Ministros Evangélicos do Acre, a Ameacre. Durante a entrevista, ele afirmou que as igrejas não têm condições financeiras de assumir sozinhas despesas com palco, estrutura e organização.

“Não tem como as igrejas arcarem com o custo de uma Marcha para Jesus. É impossível”, declarou.

O líder evangélico também questionou a justificativa apresentada pelo governo para a retirada do apoio. Na avaliação dele, as manifestações dos órgãos de controle foram relacionadas aos valores envolvidos, e não a uma determinação para que a Marcha fosse cancelada.

Gemil citou como comparação a realização do mesmo evento em Tarauacá.

“Na sexta-feira teve uma Marcha para Jesus em Tarauacá com apoio do Governo do Estado do Acre. Então isso é ilógico”, afirmou.

Ele também relacionou o episódio ao atual cenário eleitoral. Gemil destacou que, em Cruzeiro do Sul, o prefeito Zequinha Lima declarou apoio a uma candidatura ao governo que não é a apoiada pelo atual grupo governista, enquanto Tarauacá teria posição diferente.

“Tarauacá realizou a Marcha para Jesus com apoio do governo e com a presença da governadora. Cruzeiro do Sul não tem Marcha. Então aqui não é um assunto que a gente pode passar em branco”, disse.

Para Gemil, o episódio deverá provocar reflexos na relação das lideranças evangélicas com o poder público.

“As igrejas começam a se preparar de uma forma diferente para o ano que vem”, afirmou.

No fim da entrevista, ele reforçou que acredita em uma mudança de postura do segmento evangélico do Juruá após o episódio e disse que as igrejas deverão ter “um posicionamento totalmente diferente” a partir do próximo ano.
Gemil também afirmou que a Ameacre não recebe diretamente os recursos destinados à realização da Marcha para Jesus. Segundo ele, contratos, pagamentos e execução financeira ficam sob responsabilidade do Governo do Estado.

“Pastores não pegam recurso, a Ameacre não recebeu recurso”, declarou.