Rio Branco acelera obras no Vitória e no Chico Mendes e prepara expansão do Prefeitura nas Ruas

A Prefeitura de Rio Branco intensificou nesta quarta-feira, 20, a recuperação de vias nos bairros Vitória e Chico Mendes e anunciou a ampliação do programa Prefeitura nas Ruas para outras regionais da capital. Durante vistoria nas frentes de serviço, o prefeito Alysson Bestene afirmou que o período de estiagem deve acelerar o cronograma e abrir espaço para novas equipes atuarem em diferentes pontos da cidade.

A agenda começou no bairro Vitória, na regional São Francisco, onde as equipes trabalham em terraplanagem, remendo profundo, tapa-buraco, drenagem, limpeza, calçamento e iluminação pública. Depois, a vistoria seguiu para a Rua Maestro Sandoval, no Chico Mendes, incluída no cronograma de recuperação viária do município.

Ao lado do secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, do diretor-presidente da Emurb, Abdel Derze, e do secretário de Articulação, Márcio Pereira, o prefeito disse que a meta é reforçar a presença da prefeitura nos bairros com a chegada do verão amazônico. A previsão da gestão é ampliar as frentes de trabalho em até 30 dias, com apoio de novas empresas após a conclusão de licitações em andamento.

No bairro Vitória, a Emurb mantém três equipes em campo, divididas entre terraplanagem, remendo profundo e tapa-buraco. A prefeitura também informou que o plano inclui atendimento a indicações de vereadores, ruas judicializadas e demandas previstas no cronograma próprio da infraestrutura urbana.

Segundo a gestão municipal, a previsão é investir R$ 50 milhões em obras de infraestrutura, com recursos sustentados pelo aumento da arrecadação e pelo controle das contas públicas. A aposta é aproveitar o período mais seco para avançar em intervenções de pavimentação, drenagem e urbanização em áreas com maior acúmulo de problemas.

Moradores do bairro Vitória relataram transtornos recorrentes no inverno, principalmente por causa dos buracos e do acúmulo de água nas ruas. A chegada das máquinas foi recebida como resposta a uma demanda antiga da comunidade, que espera melhora na trafegabilidade e na drenagem antes do próximo período chuvoso.

Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos, drenagem e limpeza em vários bairros

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul reforçou nesta quarta-feira, 20 de maio, os serviços de infraestrutura urbana com equipes da Secretaria Municipal de Obras mobilizadas em várias frentes para recuperação de ruas, drenagem e limpeza em diferentes regiões da cidade. A ação alcança bairros e avenidas com o objetivo de melhorar o tráfego, reduzir os impactos das chuvas e ampliar a segurança de motoristas e pedestres.

Entre os trabalhos em andamento está a operação tapa-buracos, com a aplicação de cerca de 30 toneladas de asfalto em vias dos bairros Formoso, Cohab e Lauro Muller, além de avenidas da cidade. A medida busca recuperar trechos desgastados e dar melhores condições de circulação em áreas com fluxo diário de veículos e pedestres.

Duas frentes de serviço também atuam na recuperação e melhoria de ruas nos bairros São Luís e Cinturão Verde. No bairro João Alves, as equipes executam serviços de drenagem, enquanto no Remanso o trabalho se concentra na melhoria dos dispositivos de escoamento da água para reduzir os problemas provocados pelas chuvas.

A programação inclui ainda roçagem e retirada de entulhos no Loteamento Jardim Primavera e no Conjunto Cumaru, além da roçagem na subida da Avenida 25 de Agosto. A limpeza dessas áreas faz parte da manutenção urbana e do esforço para manter vias e espaços públicos em melhores condições de uso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o município mantém atuação diária em diferentes pontos da cidade para acelerar a recuperação da infraestrutura. “Estamos trabalhando diariamente para melhorar a infraestrutura dos bairros e garantir mais qualidade de vida para a população. São várias equipes atuando ao mesmo tempo, levando serviços essenciais como recuperação de ruas, drenagem, limpeza e manutenção urbana”, disse.

Acre embarca 27 toneladas de carne bovina para o Peru e abre nova frente de exportação

O Acre abriu nesta terça-feira, 19 de maio, uma nova rota de exportação de carne bovina com o embarque de 27 toneladas produzidas pelo Nosso Frigorífico e destinadas a Lima, no Peru. A carga saiu de Rio Branco no fim da tarde e deve chegar à capital peruana em até três dias, ampliando a presença da proteína animal acreana no mercado internacional poucos dias depois do primeiro envio da empresa para Singapura.

A operação marca o início de uma sequência de seis carregamentos para o mercado peruano. Murilo Leite, sócio do Nosso Frigorífico e presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, afirmou que os demais embarques estão programados para o próximo mês. “Os demais seguem no mês que vem”, disse.

O novo fluxo comercial reposiciona parte da carne que antes era enviada principalmente para estados do Sudeste e do Nordeste. A estimativa do setor é que 70% da produção processada pelos frigoríficos acreanos vinha sendo comercializada para outros estados brasileiros, enquanto 30% permaneciam no mercado local. Agora, uma parcela desse volume começa a atravessar as fronteiras do país em busca de novos compradores.

O avanço sobre o mercado peruano ocorre em um momento de expansão das exportações acreanas. Reportagem publicada na última semana informou que o Nosso Frigorífico havia embarcado o primeiro contêiner de carne bovina do estado para Singapura, num movimento de diversificação que levou a empresa de cinco para 17 países atendidos, com meta de chegar a 25 até o fim de 2026. A unidade industrial emprega diretamente 450 trabalhadores e mantém busca por mais profissionais para ampliar a produção.

A abertura do mercado peruano para a carne bovina acreana tem um histórico anterior. Em dezembro de 2022, o governo do Acre anunciou a autorização para exportação de carne suína e bovina ao Peru, com validade de três anos. Em abril deste ano, novas articulações federais voltaram a tratar da ampliação de mercados para as carnes produzidas no estado, incluindo negociações para Chile e Vietnã, enquanto o Peru seguia como destino estratégico para a proteína animal acreana.

No caso do Peru, o desafio comercial passa também pelo perfil de consumo. O país vizinho mantém consumo per capita mais elevado de carne de frango e suína, enquanto a bovina ainda ocupa espaço menor na dieta da população. A aposta do setor frigorífico acreano é crescer nesse mercado com oferta regular, proximidade logística e expansão da presença regional da carne produzida no estado. “Essa carne era comercializada em outros estados do país, mas agora está ampliando a presença do trabalho do produtor de carne do Acre e do trabalhador da indústria do Acre em outros lugares do mundo”, afirmou Murilo Leite.

Cruzeiro do Sul apresenta projeto de reciclagem em premiação nacional do Sebrae

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, destacou nas redes sociais, nesta terça-feira, 19, a participação do município no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, em Brasília. A cidade representou o Acre com o projeto Verde & Renda: Economia Circular e Reciclagem Comunitária, iniciativa voltada à sustentabilidade, à reciclagem e à geração de renda.

A participação ocorre após Cruzeiro do Sul vencer a etapa estadual da premiação na categoria Sustentabilidade e Meio Ambiente. O projeto é desenvolvido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, com apoio à cadeia de reciclagem e à atuação dos catadores no município.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Cruzeiro do Sul foi anunciado durante o evento nacional com o projeto de economia circular e reciclagem comunitária. A postagem de Zequinha também registrou a presença da comitiva municipal na cerimônia e classificou a premiação como um reconhecimento às iniciativas que fortalecem o empreendedorismo e o desenvolvimento dos municípios.

O projeto tem como foco a ampliação da coleta seletiva, o reaproveitamento de materiais recicláveis e o apoio à Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Cruzeiro do Sul, a Coopsul. A proposta busca reduzir o descarte irregular de resíduos, fortalecer a organização dos trabalhadores da reciclagem e transformar a gestão ambiental em oportunidade de renda.

Com a iniciativa, a Prefeitura tenta consolidar uma política pública que une sustentabilidade, inclusão produtiva e economia circular. A ação também busca dar maior estrutura ao trabalho dos catadores, responsáveis por parte importante da destinação correta dos resíduos produzidos na cidade.

O Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora reconhece práticas de gestões municipais que contribuem para melhorar o ambiente de negócios, incentivar pequenos empreendedores e promover soluções de desenvolvimento local. Na edição 2025/2026, a premiação reúne projetos de municípios de todo o país em áreas como sustentabilidade, empreendedorismo rural, turismo, inclusão socioprodutiva, compras públicas e gestão inovadora.

Ao levar o projeto à etapa nacional, Cruzeiro do Sul busca dar visibilidade a uma experiência construída a partir de uma demanda concreta da cidade: organizar melhor a destinação dos resíduos, fortalecer quem vive da reciclagem e inserir a pauta ambiental na agenda de desenvolvimento do município.

“Tenho uma família e preciso priorizar minha família”: Clodoaldo abre lado pessoal e fala da alegria que encontra na política

A decisão de não levar adiante a candidatura da esposa a deputada federal abriu o trecho mais pessoal da entrevista concedida pelo deputado estadual Clodoaldo Rodrigues ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul. Ao sair do discurso sobre eleição, alianças e mandato, ele falou da rotina longe de casa, da criação dos filhos, da responsabilidade da mulher com os pais e do limite que decidiu impor à própria vida política. “Tenho uma família e preciso priorizar minha família”, afirmou.

Clodoaldo disse que a política não pode ser tratada como projeto familiar e explicou que a escolha de não avançar com o nome da esposa passou menos por cálculo eleitoral e mais pela necessidade de preservar a estrutura da casa. Contou que a família não se mudou para Rio Branco, apesar das exigências do mandato, e que a distância virou parte da rotina. “Vivo nessa ida e vinda pela BR, chegando de noite, às vezes correndo risco nessas viagens”, disse. Na mesma resposta, resumiu o motivo que pesou na decisão: “Se minha família não foi para Rio Branco, imagine se ela estivesse em Brasília e eu em Rio Branco. Como ficariam nossos filhos?”

O deputado também falou do peso que as perdas familiares têm sobre a forma como enxerga a própria trajetória. Ao lembrar que perdeu pai e mãe cedo, puxou a conversa para um terreno mais íntimo e menos comum no vocabulário político. “Há coisas na vida em que o tempo não volta. Perdi meus pais muito cedo, pai e mãe, e sei a falta que fazem. Chega um momento em que quero curtir meus filhos, minha família e cuidar deles”, afirmou.

Foi a partir daí que Clodoaldo tentou mostrar onde, segundo ele, ainda encontra sentido na vida pública. Em vez de falar em cargo ou projeção, preferiu descrever a satisfação que sente quando é reconhecido por alguém atendido ao longo do mandato. “Eu amo a política. Gosto de fazer política porque gosto de ajudar as pessoas”, disse. Em seguida, completou com a lembrança que, segundo ele, resume o melhor da atividade política: “O melhor momento da política é quando chego ao aeroporto, estou na BR ou chego ao município, e uma pessoa vem me agradecer porque ajudei em um tratamento de saúde.”

Na mesma linha, Clodoaldo procurou afastar a imagem da política ligada a privilégio e enriquecimento. Disse que não foi para Rio Branco em busca de poder ou patrimônio e afirmou encarar a trajetória até aqui como uma etapa de serviço público. “A política, para mim, é isso. Não é dizer que o Clodoaldo está andando de SW4, tem mansão ou fez negócio. Eu não fiz negócio na política”, afirmou. “Sempre disse que fui para Rio Branco para trabalhar, não em busca de poder nem de riqueza.”

Quando voltou a falar do contato com a população, o deputado repetiu uma ideia que atravessa boa parte da entrevista: a de que o mandato só faz sentido se continuar perto de quem procura ajuda. Ao lembrar a passagem de quatro meses pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, disse que aquele período o aproximou ainda mais das demandas do dia a dia. “Quando estive na prefeitura, pude olhar para as pessoas”, afirmou. Logo depois, reforçou a visão que tenta associar ao próprio estilo político: “Eu gosto de estar no gabinete atendendo as pessoas. Quem não gosta do povo tem que sair da política e dar espaço para quem gosta.”

A família voltou ao centro da fala quando Clodoaldo disse que costuma lembrar à esposa, hoje vice-prefeita, que mandato não é posse definitiva. “Nunca esqueça quem colocou você na cadeira, porque o povo coloca e o povo tira”, afirmou. Na sequência, resumiu a regra que diz seguir dentro e fora da política: “Nosso foco tem que ser estar perto do povo e ouvir.”

No fim, o que ficou dessa parte da entrevista foi menos o deputado em pré-campanha e mais o homem que tentou explicar por que decidiu frear um projeto político dentro da própria casa. Ao falar dos filhos, dos pais que perdeu cedo e da alegria que encontra quando alguém o procura apenas para agradecer, Clodoaldo procurou dar à política um tamanho mais próximo da vida comum, onde mandato passa, eleição passa, mas o tempo longe da família não volta.

Rio Branco usa verão amazônico para tirar pacote de R$ 50 milhões do papel e abrir força-tarefa nos bairros

A Prefeitura de Rio Branco abriu uma força-tarefa de serviços urbanos e obras viárias com investimento inicial de R$ 50 milhões e colocou o bairro Vitória como ponto de partida do programa Prefeitura nas Ruas. A ofensiva começou nesta segunda-feira, 18, no Parque Urbano Vale do Açaí, na Rua Flôr de Maio, na região do Eldorado, com a promessa de aproveitar a estiagem para acelerar intervenções em ruas, espaços públicos e estruturas urbanas nas dez regionais da capital.

O novo gancho da gestão municipal está no calendário climático da cidade. Com a redução das chuvas, a prefeitura decidiu concentrar equipes, máquinas e secretarias em um modelo de atuação simultânea para dar escala à recuperação de vias e à limpeza urbana. A primeira etapa prevê serviços em 22 ruas do bairro Vitória, na parte alta de Rio Branco, em uma frente que reúne roçagem, retirada de entulho, manutenção de iluminação pública, tapa-buracos, calçamento e aplicação de revestimentos conforme a necessidade de cada trecho.

Ao lançar o programa, o prefeito Alysson Bestene afirmou que o objetivo é concentrar a presença da administração municipal nas áreas com maior demanda. “A gente vai chegar nas comunidades que mais necessitam, com limpeza, roçagem, recuperação de pavimento, calçamento e revitalização de espaços públicos”, disse. A previsão da prefeitura é manter o cronograma de forma contínua até alcançar todas as regionais da cidade.

A dinâmica do programa foi montada em etapas. Primeiro, entram as equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade com serviços de limpeza e preparação das áreas. Em seguida, a prefeitura faz reparos na iluminação, quando houver necessidade. Depois, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana assume a recuperação das ruas. Segundo o secretário Cid Ferreira, o município vai usar diferentes soluções, entre elas tapa-buracos, TSD, TSS e microrevestimento, de acordo com as condições técnicas e a disponibilidade financeira. “Primeiro entra a Secretaria de Cuidados com a Cidade, fazendo a limpeza. Se houver problemas de iluminação, os reparos também serão feitos. Ao final, a Seinfra entra com a recuperação das ruas, garantindo trafegabilidade”, afirmou.

A estrutura mobilizada na largada do programa reúne cerca de 50 trabalhadores e aproximadamente 20 máquinas. O secretário Tony Roque afirmou que a prefeitura pretende manter o avanço mesmo com variações no tempo durante o período de transição entre inverno e estiagem. “Estamos aproveitando essa trégua do inverno para avançar. Faça sol ou faça chuva, a prefeitura está nas ruas, trabalhando e atendendo a população”, disse.

O lançamento também serviu para medir a expectativa das lideranças comunitárias sobre o alcance da iniciativa. Presidente do bairro Chico Mendes, Hércules Marcos Mendes defendeu que a ação vá além da recuperação viária e inclua demandas históricas de infraestrutura básica. “Esperamos que as ruas sejam atendidas, mas também outros serviços essenciais, como esgoto, encanação de água e demais melhorias para os bairros”, afirmou.

Com o programa, a prefeitura tenta transformar o período de verão amazônico em janela de execução para obras e serviços acumulados nos bairros, em uma estratégia que combina resposta rápida, presença territorial e pressão por resultados em áreas que há anos cobram melhorias de acesso, mobilidade e urbanização.

Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.

Zequinha Lima recebe apoio de prefeitos em reunião da Amac e reforça retomada da entidade

Em reunião da Associação dos Municípios do Acre, em Brasília, nesta segunda-feira, 18, o presidente da entidade e prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, afirmou que a presença maciça de gestores municipais devolve credibilidade e confiança à Amac. “Quando eu cheguei aqui e vi a Amac repleta de prefeitos, isso me alegrou”, disse, ao defender a preservação da história da associação e a retomada da confiança das prefeituras no trabalho técnico e político da instituição. O encontro ocorre um mês depois de Zequinha ser eleito para comandar a entidade até 31 de dezembro de 2026, após a saída de Tião Bocalom da presidência.

A fala de Zequinha se encaixa no discurso que ele vem adotando desde a eleição, centrado na reorganização da Amac e na reaproximação com os municípios. Ao assumir o comando, ele afirmou que a entidade precisava destravar uma fila de 107 projetos, reforçar o apoio às prefeituras e reconstruir a confiança dos prefeitos. A associação atua justamente no suporte técnico aos municípios, com elaboração de projetos, engenharia e apoio administrativo, área considerada estratégica sobretudo para as cidades do interior, mais dependentes de emendas e convênios.

O apoio dos prefeitos presentes deu o tom político da reunião. O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, afirmou que Zequinha “está aqui nos representando muito bem”. Já a prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, disse estar “muito feliz” com o novo comando da Amac por considerar que a atual presidência conhece de perto os problemas enfrentados pelos prefeitos do interior. A sinalização reforça o peso da eleição de Zequinha, apontado como o primeiro prefeito do interior escolhido por votação para presidir a associação.

A nova fase da Amac coincide com uma agenda decisiva para os municípios acreanos. Nos últimos dias, a entidade abriu o cadastramento das emendas especiais do Orçamento-Geral da União de 2026 e manteve a mobilização para a Marcha dos Prefeitos. Em outra frente de articulação, Zequinha já havia dito ao governo estadual que há cerca de R$ 300 milhões em projetos dentro da Amac à espera de suporte para andamento.

A reunião desta segunda amplia o gesto de apoio político ao presidente da entidade e recoloca a associação no centro da disputa por recursos, projetos e presença institucional dos municípios acreanos em Brasília, onde começou hoje a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, marcada para 18 a 21 de maio.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Intercâmbio nos EUA leva alunos de Rio Branco da sala de aula à experiência internacional

A volta de seis estudantes da rede municipal de Rio Branco após um intercâmbio nos Estados Unidos reposiciona uma aposta da prefeitura na educação como porta de entrada para experiências fora do país. Depois de uma semana em Orlando, com visitas à NASA e a atrações da Disney, o grupo retornou à capital acreana com relatos que misturam aprendizado, contato com tecnologia e episódios de forte emoção.

A viagem reuniu Yasmin Silva Matos, Carlos Davi da Silva de Mendonça, José Pedro Rebouças Felix, Ana Luisa da Silva Montalvão, Kauã Victor Soliza da Silva e Miguel Lima da Costa, todos selecionados a partir do desempenho escolar. O embarque ocorreu no dia 8, e o retorno a Rio Branco foi marcado pelo encontro com familiares e pela repercussão de uma experiência rara para alunos da rede pública municipal.

Ao longo da programação, os estudantes circularam por espaços voltados à ciência, inovação e entretenimento, em uma agenda montada para combinar formação e vivência cultural. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a passagem pela NASA e pelos parques ampliou o repertório dos alunos em áreas que vão além do conteúdo tradicional da sala de aula. “Na NASA eles puderam aprender sobre o primeiro homem que foi à Lua, conheceram o Saturno V, o maior foguete construído pela NASA. Nos parques também aprenderam sobre tecnologia, velocidade, física e produção cinematográfica”, disse.

O encerramento da viagem concentrou uma das cenas mais lembradas pelo grupo. Durante a queima de fogos, os alunos fizeram uma transmissão ao vivo para as mães. “Todo mundo se emocionou na queima de fogos. Fizemos uma transmissão ao vivo para as mães e foi muito especial. É uma oportunidade que todos podem alcançar”, afirmou Pacheco.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Educação, o intercâmbio foi tratado como uma ação de impacto pedagógico e de estímulo dentro da própria rede. O gerente do Departamento de Ensino Fundamental, Hélio Sebastião, afirmou que a experiência cria referências concretas para os estudantes e reforça o papel da escola na transformação de trajetórias. “Não se trata somente de uma viagem. Essas crianças trazem na bagagem conhecimento, experiências e contato com tecnologias que antes elas viam apenas pela televisão. Isso contribui diretamente para a formação delas e motiva outros alunos a acreditarem que a educação pode transformar vidas”, disse.

Entre os relatos do grupo, um dos episódios mais celebrados foi vivido por Carlos Davi da Silva de Mendonça, que completou aniversário durante a viagem e foi surpreendido com uma comemoração ao lado de personagens da Disney. “Foi incrível. A gente se abraçou, tirou muitas fotos. Foi uma experiência muito especial”, afirmou.

O retorno dos estudantes amplia o alcance político e simbólico do projeto. Para a prefeitura, a viagem funciona como vitrine de um modelo que associa mérito escolar, acesso a novas experiências e valorização da rede municipal. Para os alunos, a semana nos Estados Unidos deixa um efeito mais direto: a ideia de que o esforço na escola pode levar a destinos antes vistos como distantes.