Jorge Viana diz que vai procurar Zequinha e rejeita ser “senador de um pedaço do Acre”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta segunda-feira (25), em Cruzeiro do Sul, o ex-senador Jorge Viana afirmou que pretende pedir uma audiência com o prefeito Zequinha Lima na próxima visita ao município e disse que, se voltar ao Senado, atuará sem distinção política. No programa, ele afirmou que quer ser “solução do problema” e descartou a ideia de representar apenas parte do estado.

Ao falar sobre a agenda no Juruá, Jorge disse que retornará a Cruzeiro do Sul em cerca de uma semana para conversar com autoridades locais e incluiu Zequinha entre os encontros que quer fazer. “Vou pedir uma audiência com o prefeito Zequinha porque eu tô visitando todos os prefeitos”, declarou, ao defender uma atuação política voltada para todo o Acre.

Na entrevista, Jorge afirmou que um eventual mandato no Senado não pode ficar restrito a aliados. “Se eu quero ser senador, não é pra criar mais problema, é pra ser solução do problema”, disse. Em seguida, reforçou: “Se o prefeito lá tá com uma coisa, não importa se votou em mim ou não, porque eu tenho que defender, ou então eu não vou ser senador do Acre, vou ser senador de um pedaço do Acre.”

Prefeitura de Cruzeiro do Sul anuncia asfaltamento de 2,2 km no ramal do Pentecostes

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou na sexta-feira, 22 de maio de 2026, a ordem de serviço para asfaltar 2,2 quilômetros do ramal da comunidade Pentecostes, com investimento de R$ 3 milhões. A obra começa neste sábado, 23, e inclui drenagem e implantação de meio-fio, com prazo estimado de 90 dias para conclusão.

A pavimentação foi apresentada pela gestão municipal como uma resposta aos problemas de trafegabilidade enfrentados pelos moradores, principalmente no inverno amazônico, quando trechos com atoleiros dificultam o deslocamento, o transporte escolar e o escoamento da produção local. A administração informou que as máquinas já estavam no trecho no momento da assinatura da ordem de serviço.

Durante o ato, o prefeito Zequinha Lima afirmou que a obra deve melhorar o acesso à comunidade e reduzir os transtornos provocados pelo período chuvoso. Segundo ele, a região tem forte atividade produtiva e precisa de melhores condições de mobilidade para moradores, estudantes e produtores rurais.

Os recursos para a execução do serviço são de emenda parlamentar do deputado federal Zezinho Barbary. A expectativa apresentada no evento é de que a pavimentação ajude a dar mais segurança e regularidade ao tráfego no local, sobretudo nos meses de chuva intensa.

Moradores da comunidade acompanharam a assinatura e comemoraram o início da obra. O principal relato foi de dificuldade de locomoção durante as chuvas, com prejuízos no transporte e no acesso à cidade. A avaliação entre os residentes é de que o asfaltamento pode mudar a rotina da região e facilitar a circulação ao longo de todo o ano.

Agenda de Alan e Zequinha no Juruá vira recado político e acende alerta no governo

Neste domingo, 24, a agenda que reuniu ontem o senador Alan Rick e o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, segue repercutindo nos bastidores da política acreana. O que começou no sábado, 23, como uma programação pública de entrega de máquinas, caminhão-pipa e casas de farinha móveis para a produção rural, além de visita ao Mercado do Agricultor, terminou lido no Palácio Rio Branco como um movimento político com endereço certo: a tentativa de Alan de avançar sobre uma das principais lideranças do Juruá e tirar Zequinha da órbita exclusiva do grupo governista.

A agenda de ontem em Cruzeiro do Sul foi montada sobre obras e investimentos. Ao lado de Zequinha, Alan participou da entrega de equipamentos avaliados em cerca de R$ 4,5 milhões para fortalecer a agricultura familiar e a produção rural. No mesmo roteiro, acompanhou a preparação para o início das obras de revitalização do Mercado do Agricultor, bancadas com recursos de emenda parlamentar. Foi nesse ambiente, cercado por entregas e discurso administrativo, que a agenda ganhou peso eleitoral. Zequinha fez questão de registrar que Alan mantém presença antiga no município, lembra das demandas locais e destina recursos com frequência para Cruzeiro do Sul.

O ponto central não foi apenas a foto dos dois juntos, mas o conteúdo político que saiu dela. Em vez de tratar Alan como mais um visitante de pré-campanha, Zequinha reforçou publicamente que não pode se afastar de quem ajuda o Acre e o município. A fala teve peso porque saiu no momento em que Alan tenta consolidar palanque no interior e ampliar presença no Juruá. O gesto foi interpretado como mais que cortesia institucional: soou como demonstração de canal aberto, confiança mútua e disposição para uma conversa que vai além da agenda administrativa.

A repercussão veio rápido. Na manhã deste domingo, o Blog do Crica registrou que um vídeo de Alan, no qual o senador diz estar bem encaminhada uma aliança com Zequinha, acendeu o sinal vermelho no governo. Na mesma linha, Zequinha apareceu em vídeo dizendo que recebe todos os candidatos de forma republicana, citando Mailza Assis, Alan Rick e Tião Bocalom. O discurso foi de equilíbrio, mas sem desfazer o efeito político do encontro de ontem. Na prática, o prefeito tentou manter a porta aberta para todos sem apagar o fato de que, neste fim de semana, quem ocupou o centro da cena em Cruzeiro do Sul foi Alan.

Nos bastidores, a movimentação foi percebida ainda durante o evento de sábado. Relatos repassados à redação apontam que gente ligada ao governo acompanhou de perto os passos de Zequinha ao longo da agenda. O recado do prefeito veio no próprio discurso, quando afirmou não ter medo de espião nem aceitar pressão política. A fala foi entendida como resposta direta ao clima de vigilância criado em torno de sua aproximação com Alan.

Bastidores de 2026: Jorge Viana quebra barreiras ideológicas, atrai o “PIB do Acre” e costura apoios ao centro e à direita

O ex-governador e pré-candidato ao Senado, Jorge Viana (PT), vem operando uma sutil e estratégica aproximação com setores historicamente distantes de seu campo político. Durante a edição desta semana do programa Boa Conversa, produzido pelo portal ac24horas, os jornalistas e colunistas políticos Luís Carlos Moreira Jorge, Astério Moreira e Marcos Venícios revelaram que Viana promoveu um encontro reservado em sua residência com cerca de 40 dos maiores empresários do Acre — um grupo de forte peso econômico e majoritariamente alinhado ao eleitorado bolsonarista.

A movimentação sinaliza uma guinada pragmática do petista rumo ao centro e à moderação, focando no xadrez eleitoral de duas vagas para o Senado no pleito deste ano.

O PIB do Acre na chácara: vinho, café e sem selfies

De acordo com os bastidores detalhados pelos analistas do programa, a reunião ocorreu sob absoluto sigilo e blindagem mútua. Realizado na chácara do ex-governador, o encontro foi marcado pela ausência de registros em redes sociais, atendendo ao perfil discreto do empresariado local de grande porte.

Os colunistas apontaram que a estratégia central de Jorge Viana se ancora no fato de que cada eleitor terá direito a dois votos para o Senado nas eleições de 2026. Ao se apresentar como um interlocutor moderado e aberto ao diálogo com as forças produtivas, Viana tenta se consolidar como a segunda opção viável em um eleitorado que, para o governo estadual ou para a Presidência, votará convictamente em candidaturas de direita.

Para desarmar a barreira do antipetismo na região, o discurso adotado na pré-campanha resgata a retórica regionalista dos anos 1990. Focando no mote de que “o Acre é uma família onde todos se conhecem”, o pré-candidato busca desviar o debate da polarização nacional (Lula versus Bolsonaro) para focar em pautas estritamente locais e econômicas. As caminhadas e agendas de articulação têm contado com o apoio direto do também ex-governador Binho Marques, figura de trânsito leve e respeitada no estado.

Avanço no interior e alianças em Sena Madureira

Além de dialogar com o topo da pirâmide econômica da capital, a capacidade de articulação de Jorge Viana além das fronteiras da esquerda ganhou contornos práticos no interior do estado. Durante o debate no Boa Conversa, os jornalistas confirmaram que lideranças de peso de Sena Madureira estão prestes a formalizar apoio à candidatura do ex-governador.

A aproximação envolve o ex-prefeito Mazinho Serafim e o atual prefeito, Gerlen Diniz, com quem esteve reunido nesta semana, durante visita ao município. O movimento sacode o cenário local, uma vez que ambas as lideranças municipais transitam em palanques ligados à direita e à base da governadora Mailsa Lima (PP), evidenciando o pragmatismo das costuras de bastidores nesta fase de pré-campanha.

O fiel da balança: Como a eleição para o Senado ocorre em turno único e o cenário de direita no Acre se encontra fragmentado entre múltiplas pré-candidaturas fortes, os analistas do Boa Conversa avaliam que essa capacidade de “ciscar para fora do próprio terreiro” recoloca Jorge Viana em uma posição de alta competitividade no epicentro do tabuleiro político acreano.

Alan e Zequinha sorriem para a mesma foto. Falta saber quem entra como vice – Editorial

Alan Rick não respondeu como quem despista. Ao ser perguntado sobre a vontade de ter Zequinha Lima em seu projeto, foi direto ao ponto: disse que a vontade é “no corpo todo”. A frase saiu com jeito de brincadeira, mas na política acreana esse tipo de declaração raramente fica só no campo da simpatia.

O senador sabia o que estava dizendo. Estava em Cruzeiro do Sul, no território político de Zequinha, diante de uma plateia que entende o peso de cada gesto. Chamou o prefeito de amigo, elogiou sua gestão, lembrou a parceria de campanha e fez questão de dizer que nunca deixou de atender os pedidos do município. Em outras palavras, Alan não apenas abriu a porta. Colocou tapete vermelho.

Zequinha também não fechou a porta. Preferiu o caminho mais cuidadoso, como costuma fazer quem sabe que está sendo observado por vários lados. Disse que conversa com todos os que pretendem governar o Acre. Citou Mailza, Bocalom e Alan. Lembrou que Mailza é do seu partido e que teve papel importante em sua trajetória. Disse que Bocalom é amigo. Mas, quando falou de Alan, destacou algo concreto: recursos, emendas e presença em Cruzeiro do Sul.

Foi aí que a fala institucional ganhou temperatura política.

Zequinha afirmou que Alan tem história no município, que todos os anos destinou recursos para ajudar Cruzeiro do Sul e citou a revitalização do Mercado Público Municipal como exemplo dessa relação. O recado, sem precisar ser dito em tom de rompimento, foi entendido: o prefeito não pretende se afastar de quem ajuda sua cidade.

A frase mais importante de Zequinha talvez tenha sido essa. Não pela cortesia, mas pelo cálculo. Ao dizer que precisa estar ao lado dos políticos que ajudam o Acre, o prefeito se coloca numa posição confortável. Não rompe com Mailza, não se entrega a Alan, não fecha com Bocalom. Mas deixa claro que apoio político, para ele, precisa ter retorno administrativo.

É nesse ponto que a aproximação entre Alan e Zequinha deixa de ser apenas troca de elogios e entra no terreno da engenharia eleitoral.

Alan quer crescer no Juruá. Zequinha é hoje a principal liderança municipal da região. Para o senador, ter o prefeito de Cruzeiro do Sul ao lado não seria apenas ganhar um apoio. Seria abrir uma avenida política no segundo maior colégio eleitoral do Acre e reduzir o espaço de movimentação dos adversários.

Para Zequinha, o jogo também é evidente. Ele não precisa correr. Está no comando da Prefeitura, foi reeleito, tem base, tem vitrine e virou peça disputada no tabuleiro estadual. Se entrar no projeto de Alan, dificilmente será para ocupar a plateia. A pergunta que se impõe é outra: qual pedaço da mesa lhe será oferecido?

É aí que aparece a questão do vice.

Nos bastidores, a hipótese de Zequinha indicar o nome para a vice de Alan deixou de ser especulação solta e passou a circular como uma senha política. A lógica é simples: se o prefeito entregar peso regional, estrutura e presença no Juruá, vai querer algo mais que promessa de parceria futura. Vai querer uma marca na chapa.

O nome mais lembrado é Marcelo Siqueira.

Ex-secretário municipal de Saúde, professor doutor da Ufac e filiado ao PSD, Marcelo saiu da gestão de Zequinha em abril e passou a ser tratado como uma peça possível para 2026. Não é um nome aleatório. Tem vínculo com o grupo do prefeito, passou por uma secretaria sensível, circula no campo técnico e pode ser apresentado como representante do Juruá sem obrigar Zequinha a deixar a Prefeitura.

Essa é a vantagem política de Marcelo. Ele poderia carregar a digital de Zequinha na chapa de Alan, enquanto o prefeito permaneceria em Cruzeiro do Sul com a máquina municipal nas mãos. Para Alan, seria um gesto objetivo em direção ao Juruá. Para Zequinha, seria a confirmação de que seu apoio não foi recebido como favor, mas como sociedade política.

Mas Marcelo não corre sozinho nesse tabuleiro.

Janaína Terças, secretária municipal de Turismo, Empreendedorismo e Inovação, aparece como uma possibilidade com outro tipo de leitura. Seu nome permitiria ao grupo de Zequinha apresentar uma alternativa ligada à economia, ao turismo, à inovação e ao discurso de desenvolvimento regional. Em uma campanha estadual, especialmente com o Juruá no centro da conversa, Janaína poderia representar uma tentativa de mostrar Cruzeiro do Sul não apenas como base eleitoral, mas como território de oportunidades.

A presença de Janaína numa lista de possibilidades também teria um efeito simbólico: colocaria uma mulher do entorno de Zequinha em uma composição majoritária e abriria espaço para uma narrativa menos tradicional, mais conectada a empreendedorismo, geração de renda e fortalecimento econômico do interior. Não seria a escolha mais óbvia, mas justamente por isso poderia funcionar como gesto de renovação controlada dentro do grupo.

Milca Santos é outro nome que precisa ser observado.

À frente da Assistência e Desenvolvimento Social, Milca ocupa uma área de contato direto com famílias, bairros, comunidades e pessoas em situação de vulnerabilidade. Em campanha, isso não é detalhe. A assistência social é uma das pontes mais sensíveis entre a gestão e a vida cotidiana da população. Um nome vindo dessa área poderia ajudar a compor uma imagem de cuidado, presença territorial e atenção às demandas mais concretas das famílias.

Se Marcelo Siqueira carrega o perfil técnico e administrativo, Janaína fala com desenvolvimento e economia, e Milca Santos dialoga com o campo social. São três possibilidades diferentes para uma mesma equação: como Zequinha poderia transformar sua força em Cruzeiro do Sul em espaço real dentro da chapa de Alan Rick.

O pano de fundo de tudo isso é a crise recente entre Zequinha e o governo Mailza. Não houve rompimento formal. Houve ruído. E, em política, ruído também comunica. O prefeito demonstrou incômodo com setores do governo, aliados falaram em isolamento, e colunas políticas passaram a registrar a possibilidade de seu grupo olhar para Alan ou Bocalom.

Mailza tenta manter a relação institucional. Zequinha também evita queimar pontes. Mas a dúvida já foi instalada: o prefeito está apenas ampliando diálogo ou preparando uma mudança de lado?

Alan percebeu a fresta e entrou por ela.

Ao dizer que a vontade de ter Zequinha é “no corpo todo”, o senador fez mais do que uma gentileza pública. Ele produziu uma imagem política. Deixou claro para o Juruá, para os aliados e para os adversários que o prefeito de Cruzeiro do Sul é prioridade em sua estratégia.

Zequinha respondeu à altura, mas com freio de mão puxado. Elogiou Alan, lembrou as emendas, destacou a parceria, mas não assinou adesão. É o movimento típico de quem sabe que seu passe valorizou.

A partir de agora, a questão não é mais saber se Alan quer Zequinha. Isso já foi dito. Também não é saber se Zequinha conversa com Alan. Ele mesmo confirmou.

A pergunta que realmente importa é outra: Alan está disposto a entregar a vice ao grupo de Zequinha?

Porque carinho político, por si só, não fecha aliança. Foto bonita ajuda. Frase espirituosa rende manchete. Elogio aquece o ambiente. Mas chapa majoritária se decide em outro balcão.

Se o acordo avançar, o vice será o recibo.

Alan Rick diz que vontade de ter Zequinha no grupo é “no corpo todo”

O senador Alan Rick afirmou, em Cruzeiro do Sul, que deseja ter o prefeito Zequinha Lima em seu projeto político para 2026. Ao ser questionado sobre a possibilidade de aproximação com o gestor, Alan respondeu em tom direto: “A vontade é no corpo todo”.

A declaração realizada hoje, 23, em agenda em Cruzeiro do Sul, ocorre em meio às especulações sobre a composição da chapa majoritária para o governo do Acre. Alan disse que Zequinha é “um amigo querido”, lembrou que esteve ao lado dele na campanha municipal e afirmou que o prefeito de Cruzeiro do Sul sempre teve apoio de seu mandato.

“Zequinha é um excelente gestor. Todo município tem dificuldade. A gente sabe dos problemas que os prefeitos enfrentam com a baixa arrecadação e muitas vezes o prefeito tem que buscar nos parlamentares o recurso para poder realizar as obras”, declarou o senador.

Alan também afirmou que nunca deixou de atender demandas apresentadas por Zequinha. Segundo ele, a relação entre os dois é baseada em “companheirismo, amizade e respeito”. O senador disse ainda que Cruzeiro do Sul sempre contou com sua atuação quando precisou de recursos.

“Todas as vezes que Cruzeiro do Sul precisou, prontamente ele atendeu. E farei isso sempre, porque eu sei que o Zequinha tem no coração o mesmo desejo meu de melhorar a vida do seu povo, de trabalhar pelo seu povo”, afirmou.

Ao comentar a escolha do vice em sua chapa, Alan evitou cravar nomes, mas disse que a movimentação mostra o interesse de partidos e lideranças em participar de seu projeto político.

“Essa questão do vice é muito bonita porque mostra que tem muita gente querendo ingressar no nosso projeto, muita gente colocando nomes, muitos partidos aliados colocando nomes. Isso é muito bonito. Estou vendo do outro lado, parece que ninguém quer ser vice lá, mas aqui todo mundo quer”, disse.

Zequinha, por sua vez, não confirmou adesão a nenhum projeto eleitoral, mas defendeu que precisa manter diálogo com todos os que pretendem disputar o governo do Acre. O prefeito disse que não pode se isolar politicamente e que conversa com Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick.

“Eu tenho conversado com todo mundo. Eu acho que a gente tem que conversar com todos aqueles que pretendem governar o Acre. A gente não pode se isolar politicamente. Ninguém sabe quem é que vai ganhar a eleição. Qualquer um dos três pode ganhar”, afirmou.

O prefeito destacou que mantém relação com Mailza, que é do seu partido, e disse ser grato à governadora por tê-lo incentivado a disputar a Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Também afirmou ter relação política com Tião Bocalom e Alan Rick.

“Assim como eu converso com a Mailza, tenho excelente relação com a Mailza. É do meu partido, e eu sou muito grato a ela porque ela sempre me incentivou a ser candidato a prefeito. Converso com o Boca também. Boca é meu amigo. Foi presidente da Amac por dois mandatos. Eu fui vice-presidente dele”, declarou.

Sobre Alan, Zequinha afirmou que o diálogo ocorre também pela condição do senador como representante do Acre no Congresso. O prefeito citou emendas e investimentos destinados a Cruzeiro do Sul, incluindo ações no Mercado Público Municipal.

“Estou conversando com Alan Rick hoje aqui como senador da República, como representante dos acreanos, como representante do povo cruzeirense. Porque o Alan Rick tem história também aqui em Cruzeiro do Sul. Todos os anos ele colocou recursos para ajudar o povo de Cruzeiro do Sul”, disse.

A aproximação ocorre após semanas de ruídos entre Zequinha e o governo Mailza. Em abril, o ac24horas publicou que um grupo ligado ao prefeito cogitava indicar o vice em uma eventual chapa de Alan Rick ou Tião Bocalom, em meio à insatisfação com setores do governo estadual. A coluna também apontou o nome do ex-secretário Marcelo Siqueira como uma das possibilidades discutidas nos bastidores.

Dias depois, outra publicação registrou que a assessoria de Zequinha negava que ele estivesse integralmente dentro da campanha de Mailza, enquanto interlocutores políticos já apontavam a possibilidade de o prefeito entrar no projeto de Alan com peso na composição, inclusive indicando o vice.

Até agora, não há rompimento formal entre Zequinha e Mailza. O que existe é uma disputa aberta por espaço político em torno do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal liderança municipal do Juruá. Enquanto Alan Rick tenta atrair Zequinha para seu campo, o prefeito evita fechar portas e sustenta publicamente que dialoga com todos os candidatos que podem governar o Acre a partir de 2027.

Jorge Viana chega ao Juruá e Alan Rick reorganiza agenda em meio à disputa por espaço político

A presença de Jorge Viana no Vale do Juruá e a movimentação de Alan Rick no interior do Acre entraram no centro dos comentários políticos do Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 22. Na avaliação feita durante o programa, o Juruá deixou de ser apenas uma região visitada por lideranças em agenda institucional e passou a ocupar lugar estratégico na disputa política que já movimenta o estado.

O tom foi dado logo no início da análise. Ao comentar a passagem de Alan Rick por Feijó, Rogério Wenceslau afirmou que a agenda teve aparência de campanha eleitoral. Segundo ele, o senador reuniu “centenas de carros” em uma cidade pequena, desfilou em carro aberto e foi acompanhado por uma multidão.

“Aquilo ali é carreata de sexta-feira antes do domingo da eleição”, disse Wenceslau. Para o jornalista, a movimentação ultrapassou o limite de uma visita política comum. “Não tem como o Ministério Público Eleitoral não enxergar aquilo como campanha antecipada. Não tem como. Impossível”, afirmou.

A partir daí, o debate se deslocou para o Juruá. Chico Melo observou que “já está todo mundo em campanha”, e Wenceslau completou que a região “virou a bola da vez”. O motivo é a chegada de Jorge Viana, que tem entrevista marcada para segunda-feira na Rádio Integração, em Cruzeiro do Sul. A presença do ex-governador, segundo os comentários feitos no programa, teria provocado uma reorganização da agenda de Alan Rick.

“O senador Alan Rick, que também viria para o Juruá, está refazendo a agenda dele. Ele tinha compromisso aqui na segunda-feira e cancelou esses compromissos em função da presença de Jorge Viana no Juruá”, disse Wenceslau. Chico Melo resumiu a leitura política do episódio: “Não quer dividir os holofotes”.

Durante o programa, Mazinho Rogério atualizou a agenda atribuída à assessoria de Alan Rick. O senador deve estar no sábado em Mâncio Lima, durante a programação de aniversário do município, e no domingo em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. A ida de segunda-feira, no entanto, foi cancelada.

“Alan Rick vai estar sábado em Mâncio Lima, na festa de aniversário, e domingo aqui em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. Mas os compromissos de segunda-feira foram cancelados”, informou Mazinho.

A leitura feita na bancada foi de que a disputa não envolve apenas presença física nos municípios, mas controle de narrativa, espaço de mídia e demonstração de força. Alan Rick tenta manter agenda no Juruá sem dividir o centro das atenções com Jorge Viana. Jorge, por sua vez, chega à região com entrevista marcada e peso político próprio, em um momento em que lideranças já se movimentam como se o calendário eleitoral estivesse aberto.

O programa também registrou uma cobrança direta à assessoria de Alan Rick. Chico Melo disse que a emissora tenta contato desde segunda-feira para entrevistar o senador e criticou a dificuldade de acesso.

“A gente quer também entrevistar o senador Alan Rick. Estamos aguardando a resposta”, afirmou. Em seguida, deixou um recado à equipe do parlamentar: “Você não pode fechar a porta para colega de imprensa. Você não pode criar dificuldade, porque nunca se sabe o dia de amanhã”.

Outro ponto do debate foi a relação entre Alan Rick e a governadora Mailza Assis. Rogério Wenceslau comentou que Mailza teria dito que não convidaria o senador para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. O jornalista lembrou que a obra recebeu emenda de R$ 17 milhões destinada por Alan Rick e interpretou a declaração como tentativa de confronto político.

“Ontem ela deu uma cacetada no Alan Rick. Disse que não vai convidar ele para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco”, afirmou. “Uma das principais obras da capital hoje, a emenda é do senador. Ele botou R$ 17 milhões nessa obra”, acrescentou.

Para Wenceslau, a governadora tenta abrir uma polarização com o nome que aparece na frente da corrida eleitoral. Ele comparou a movimentação à estratégia de Márcio Bittar em relação a Jorge Viana.

“Ela está tentando polarizar com quem está disputando a corrida eleitoral. Alan Rick está liderando. Já tem pesquisa que dá ele ganhando em primeiro turno”, disse. “Márcio Bittar faz isso toda hora com o Jorge Viana, tenta polarizar com quem está em cima, para puxar briga, para puxar mídia”, completou.

O debate no Jornal da Manhã mostrou um cenário em que o Vale do Juruá passa a ser tratado como território central da disputa política acreana. A chegada de Jorge Viana, a agenda de Alan Rick em Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul, a aproximação com o PSD, a cobrança por entrevista e as críticas sobre possível campanha antecipada formaram o pano de fundo de uma leitura comum entre os comentaristas: a campanha ainda não começou oficialmente, mas os movimentos já estão nas ruas, nas agendas e nos microfones.

Wenceslau: “repercussão de entrevista sobre Gladson expôs carência de informação”

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou nesta sexta-feira (22), durante o Jornal da Manhã, que a repercussão em Rio Branco da entrevista exibida no dia anterior com o advogado Emerson Soares revelou, na avaliação dele, uma falta de informação qualificada na capital. Ao comentar as reações ao conteúdo, ele disse que “me parece que em Rio Branco há uma carência de informação relevante, informação verídica e calçada na verdade e no conhecimento técnico”.

A declaração foi feita no momento em que a bancada discutia os desdobramentos da entrevista sobre a situação jurídica de Gladson Cameli e o impacto político do tema. Rogério relatou ter ficado “mais impressionado com a repercussão que teve na capital” e disse que o alcance cresceu com a circulação de cortes nas redes e em aplicativos de mensagem. “Muita gente ouviu, comentou, recebi ligações, comentários, mensagem de WhatsApp”, afirmou.

Ao falar sobre a participação de Emerson Soares, Rogério reforçou o tom elogioso e disse que o advogado “deu uma aula”. Na sequência, acrescentou: “a explicação dele foi impecável em todos os sentidos”. Ele ainda afirmou que a entrevista provocou reação positiva no meio jurídico e entre ouvintes, o que, para ele, mostrou interesse represado em torno do assunto.

Rogério também disse que a resposta do público foi além da repercussão imediata e expôs uma procura maior por debate técnico sobre o cenário político e jurídico do Estado. “A gente percebe que há uma demanda reprimida”, afirmou. Em seguida, resumiu o ambiente que, na leitura dele, tomou conta do debate: “todo mundo quer falar disso, mas nem todo mundo tem coragem de botar a cara”.

No mesmo comentário, o jornalista citou a entrevista concedida mais tarde pela governadora ao jornalista Luciano Tavares e disse que houve novo reforço da defesa da candidatura de Gladson Cameli. Para Rogério, a insistência nessa linha mostra que a versão política enfrenta desgaste. “As coisas são do jeito que elas são, e um dia a realidade bate na porta de todo mundo”, declarou.

Na entrevista que puxou a repercussão, Emerson Soares sustentou que Gladson Cameli está inelegível hoje por causa da condenação imposta por órgão colegiado do Superior Tribunal de Justiça no caso ligado à Operação Ptolomeu. Segundo a explicação apresentada por ele, a exclusão de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal não derrubou a condenação nem anulou todo o processo, enquanto uma eventual reversão dependeria de recurso ao STF ou de liminar, cenário que ele classificou como juridicamente possível, mas remoto. Ao longo da análise, o advogado também afirmou que, se o prazo de registro terminasse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura. Quem quiser acompanhar a explicação completa pode conferir o material publicado pelo portal Integração Net.

Entenda o caso Gladson Cameli: advogado explica por que ex-governador está inelegível após condenação no STJ

O ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão, está hoje inelegível e não poderia registrar candidatura se o prazo terminasse nesta quinta-feira, 21 de maio, conforme análise feita pelo advogado Emerson Soares no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM. A explicação ocorreu em meio à confusão provocada por publicações que passaram a tratar a anulação de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal como se ela tivesse derrubado todo o processo. Para o advogado, a situação jurídica é outra: a condenação permanece válida, os recursos ainda são possíveis, mas a chance de uma liminar devolver a elegibilidade de Gladson foi classificada por ele como remota.

A dúvida central apresentada no programa foi direta: se o último dia para registro de candidatura fosse hoje, Gladson poderia registrar a candidatura ao Senado? Emerson Soares respondeu sem margem para dupla interpretação. “Não. Efetivamente, não”, afirmou. A base da resposta está na Lei Complementar 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis os condenados por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado. Como a condenação de Gladson foi dada pela Corte Especial do STJ, um colegiado, o advogado sustentou que a inelegibilidade já produz efeitos, mesmo sem o trânsito em julgado.

A condenação citada no debate foi a imposta pelo STJ no caso ligado à Operação Ptolomeu. Gladson foi condenado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A pena fixada chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. O tribunal também determinou multa, indenização superior a R$ 11 milhões ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado anteriormente para tentar disputar o Senado.

Emerson Soares explicou que, por envolver crimes contra a administração pública, a inelegibilidade não se encerraria apenas com oito anos contados da condenação. Na leitura apresentada por ele, Gladson teria de cumprir a pena e, depois disso, ainda ficaria oito anos impedido de disputar eleições. “Fazendo uma matemática bem simples, ele está inelegível por 33 anos e nove meses”, disse o advogado. Ele acrescentou que esse cálculo considera apenas a condenação já proferida, sem contar possíveis efeitos de novas condenações em outros processos.

O advogado também tratou da nova ação penal recebida pelo STJ, ligada à duplicação da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Para ele, essa segunda frente ainda está no início e não é, neste momento, o fator que impede a candidatura de Gladson. “Hoje, o que torna ele inelegível é tão somente essa condenação”, afirmou. A nova ação, segundo a explicação dada no programa, ainda terá defesa prévia, instrução e tramitação própria. A condenação já imposta pelo STJ é o ponto jurídico decisivo para o quadro eleitoral atual.

A principal confusão pública, na avaliação do advogado, está na decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte dessas provas foi considerada ilegal por problemas na forma como entrou no processo, sem respeito à cadeia de custódia. Isso, porém, não significaria a queda da condenação. “Essas provas que foram excluídas por serem consideradas ilegais não tiveram influência, não serviram de base probatória para formulação da denúncia, tampouco para imposição da condenação”, afirmou.

Para o advogado, a publicação recente do acórdão do STF não representa um fato novo capaz de reabrir automaticamente o caminho eleitoral de Gladson. Ele classificou a repercussão como uma leitura equivocada do andamento processual. “Foi só a materialização instrumental de uma decisão que já existia desde o ano passado. Então não é fato novo e muito menos é uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, disse. Em outro momento, reforçou: “O que foi divulgado ontem, parecendo que o governador podia ser candidato sem nenhum problema, não é bem assim não”.

A possibilidade de recurso existe. Emerson Soares afirmou que a defesa pode levar o caso ao Supremo por meio de recurso extraordinário, mas explicou que esse caminho é estreito porque exige discussão constitucional, demonstração de repercussão geral e superação de barreiras de admissibilidade. “Possibilidade no direito sempre existe”, disse ele, antes de ponderar que a via recursal não permite rediscutir livremente provas e fatos. Na avaliação dele, o STF não costuma reexaminar o conjunto probatório nesse tipo de recurso.

A alternativa mais comentada no campo político seria uma liminar para suspender os efeitos da condenação e permitir o registro da candidatura. Emerson explicou que essa medida teria de demonstrar dois requisitos: a plausibilidade jurídica do pedido e o risco de dano pela demora, já que o prazo eleitoral se aproxima. Mesmo reconhecendo que o risco da demora seria mais fácil de demonstrar por causa do calendário eleitoral, o advogado avaliou que o ponto mais difícil seria convencer o Supremo de que há chance concreta de reversão da decisão do STJ. “As possibilidades desse recurso extraordinário ser admitido são remotas, mas não são impossíveis, e mais remota ainda é uma peça recursal conseguir desconstruir todo um voto, toda uma instrução do Superior Tribunal de Justiça”, afirmou.

Emerson também comentou o peso político de Gladson, que segue com forte capital eleitoral no Acre e nunca perdeu uma eleição. Ainda assim, afirmou que popularidade não basta para alterar uma decisão judicial. O advogado fez questão de registrar sua relação pessoal com o ex-governador e disse falar “com dor”, por gostar de Gladson e já ter atuado como advogado dele na primeira candidatura à Câmara Federal. “Eu tenho uma admiração por ele, inegavelmente, independentemente de qualquer coisa. É um grande líder político do nosso estado e da região Norte, nunca perdeu uma eleição”, disse. Logo depois, ponderou que, sem Gladson na disputa, “o cenário muda radicalmente” e “as peças se mexem no tabuleiro”.

Outro ponto explicado no programa foi o prazo para recursos. Emerson informou que a defesa já apresentou embargos de declaração, instrumento usado para questionar pontos de obscuridade, omissão ou contradição e também para preparar o caminho do recurso ao STF. Como os embargos interrompem o prazo, o período para o recurso extraordinário ainda não começou. Quando começar, segundo ele, o prazo será de 15 dias corridos, contados a partir da publicação da decisão correspondente, com prorrogação apenas se o vencimento cair em fim de semana ou dia sem expediente.

A análise feita no Jornal da Manhã também separou dois conceitos que têm sido misturados no debate político: o lícito e o justo. Para Emerson, a licitude está ligada ao respeito ao devido processo legal, com contraditório, ampla defesa e julgamento por autoridade competente. Já a justiça social pode variar conforme a percepção de cada pessoa. Ao tratar da condenação de Gladson, ele afirmou que, do ponto de vista judicial, o resultado deve ser compreendido a partir das regras do processo e dos recursos cabíveis. “A decisão do juiz não se questiona, se recorre”, disse.

O quadro, portanto, é este: Gladson Cameli foi condenado por órgão colegiado, está hoje inelegível pela Lei da Ficha Limpa, ainda pode recorrer ao STF e pode tentar uma liminar para suspender os efeitos da condenação. Mas, na avaliação jurídica apresentada por Emerson Soares, essa possibilidade existe mais no campo técnico do que no campo da probabilidade. A anulação de parte das provas pelo STF não derrubou a condenação, não anulou o processo e não devolveu automaticamente a condição de candidato ao ex-governador. Até uma decisão em sentido contrário, o impedimento eleitoral permanece.

Crise política e falta de planejamento aceleram saída de jovens do Acre, dizem Jorge Viana e Binho Marques

A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.

Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.

Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.

O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.

Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.

A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.