Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Expoacre Juruá 2026 anuncia shows de Natanzinho Lima, padre Fábio de Melo e Leonardo

A Expoacre Juruá 2026 será realizada de 30 de junho a 5 de julho, em Cruzeiro do Sul, com shows nacionais já confirmados de Natanzinho Lima, Banda Morada, Tierry, padre Fábio de Melo e Leonardo. A programação do dia 3 de julho ainda não teve atração divulgada.

O anúncio da grade foi feito nesta quinta-feira, 11 de junho, durante encontro entre representantes do governo do Acre e da Prefeitura de Cruzeiro do Sul. A feira chega à 21ª edição com a expectativa de movimentar setores como hotelaria, comércio, entretenimento e agronegócio na região do Juruá.

Natanzinho Lima abre a programação no dia 30 de junho. No dia 1º de julho, a noite gospel terá show da Banda Morada. Tierry sobe ao palco em 2 de julho. Padre Fábio de Melo se apresenta em 4 de julho. Leonardo encerra a programação no dia 5.

Durante o lançamento, o prefeito Zequinha Lima afirmou que a estrutura do município está sendo preparada para receber o evento e destacou o impacto da feira para os empreendedores locais. Representando o governo estadual, Rosa Sampaio disse que a meta é fazer da edição de 2026 um marco para a região e confirmou a festa oficial de lançamento da Expoacre Juruá para 13 de junho, no estádio Arena do Juruá.

Rodrigues Alves recebe novos maquinários para reforçar obras e manutenção de ramais

A Prefeitura de Rodrigues Alves começou a receber novos maquinários para ampliar a frota municipal e reforçar os serviços públicos na cidade e na zona rural. O município foi contemplado com duas escavadeiras hidráulicas, uma motoniveladora e dois tratores de esteira, que devem ser usados na recuperação e manutenção de ramais, apoio à produção rural, execução de obras e outras ações de infraestrutura.

A chegada dos equipamentos amplia a capacidade operacional do município em áreas consideradas estratégicas para o atendimento da população, sobretudo em regiões que dependem de estradas vicinais para deslocamento, escoamento da produção e acesso a serviços públicos. A expectativa da gestão municipal é dar mais agilidade aos trabalhos e melhorar as condições de atendimento em diferentes frentes.

Os maquinários foram viabilizados por meio de emendas parlamentares destinadas pelo senador Sérgio Petecão e pelos deputados federais Zezinho Barbary e Antônia Lúcia. Os recursos reforçam a estrutura da prefeitura em um momento de ampliação dos investimentos em infraestrutura e apoio às atividades do campo.

Com os novos equipamentos, a administração municipal busca aumentar a eficiência dos serviços e atender com mais rapidez as demandas da população, tanto na área urbana quanto na zona rural.

Sumiço da Arenga du Acre repercute nas redes após página ampliar pressão sobre políticos

A página Arenga du Acre saiu do ar e o desaparecimento do perfil provocou reação imediata nas redes sociais acreanas, com questionamentos sobre o que aconteceu com uma conta que vinha ocupando espaço frequente no debate político local. A repercussão ganhou força a partir de publicações do sena_news_ e da acre.diario e foi ampliada por prints de stories que passaram a circular entre seguidores da página.

Em um dos stories, Gina Menezes questiona diretamente o caso: “Como assim derrubaram a conta do Arenga do Acre? Censura? ah não. Bom demais acompanhar o Arenga”. Em outra publicação, Hermington afirma que a conta, “com milhares de seguidores”, saiu do ar “misteriosamente” e cobra atenção da imprensa acreana para o episódio. As duas manifestações ajudam a medir o tamanho da repercussão em torno do sumiço de uma página que deixou de ser apenas um perfil de humor para virar presença constante nas disputas de narrativa no Acre.

A Arenga du Acre já havia alcançado um patamar raro para uma página desse tipo. O perfil recebeu uma Moção de Aplauso na Assembleia Legislativa do Acre, reconhecimento que formalizou a relevância que a página passou a ter no ambiente público local. O gesto foi simbólico porque deu tratamento institucional a uma conta que cresceu com linguagem popular, ironia e ataque direto a temas sensíveis da política acreana.

Nos conteúdos mais recentes, a página vinha reforçando pressão sobre a bancada acreana em pautas nacionais. Uma das frentes foi a escala 6×1. Em publicações compartilhadas antes de sair do ar, a Arenga expôs nomes de parlamentares do Acre ligados ao debate e tentou mobilizar seguidores em torno do tema. Em uma peça, citou Márcio Bittar e Sérgio Petecão entre os signatários da PEC 12/2026. Em outra, destacou a pressão popular em torno da votação sobre o fim da escala 6×1 e associou o tema à defesa dos trabalhadores.

A página também vinha ampliando o discurso em defesa da imprensa alternativa. Em material recente, a Arenga convocava apoio a veículos e coletivos fora do circuito tradicional e falava em fortalecer a comunicação ligada à democracia e à informação livre. Esse movimento mostrava uma guinada mais clara do perfil para além da sátira política, com tentativa de se colocar como peça de apoio a causas e atores que disputam espaço no debate público local.

Esse conjunto de pautas ajuda a explicar por que o sumiço da página teve repercussão rápida. A Arenga não estava restrita ao humor cotidiano. Ela vinha pressionando políticos acreanos, aderindo a agendas trabalhistas, defendendo mais visibilidade para a imprensa alternativa e usando alcance digital para ampliar temas que nem sempre encontram espaço na cobertura tradicional. O desaparecimento do perfil, por isso, foi lido por seguidores não como um simples problema técnico, mas como o sumiço de uma conta que vinha se tornando cada vez mais barulhenta e incômoda.

Até agora, o caso segue cercado de questionamentos públicos e sem uma explicação clara apresentada aos seguidores. O que se sabe é que a Arenga du Acre saiu do ar no momento em que acumulava visibilidade, ampliava o tom político das postagens e consolidava presença em pautas que atingem diretamente a classe política e o debate sobre comunicação no Acre.

Edvaldo defende comissão da Aleac para acompanhar investigação sobre queda de ponte em Sena Madureira

A continuidade das discussões sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, levou o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) a defender uma atuação mais direta da Assembleia Legislativa do Acre no acompanhamento das investigações sobre o caso. Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (10), o parlamentar anunciou que vai apresentar um requerimento para criar uma comissão de representação externa e afirmou que a medida busca dar uma resposta institucional aos impactos já sentidos pela população. “Não proponho uma CPI. Proponho algo que permita à Assembleia cumprir seu papel institucional de acompanhar os fatos e garantir que todas as informações sejam devidamente esclarecidas à sociedade”, disse.

Ao comentar a repercussão do desabamento, Edvaldo afirmou que o episódio já ultrapassou o debate político e passou a afetar a vida cotidiana em Sena Madureira. Segundo ele, os prejuízos vão além dos transtornos na mobilidade urbana e atingem moradores, comerciantes e empreendedores que fizeram investimentos no Segundo Distrito após a inauguração da ponte. “O assunto já entrou no cotidiano das pessoas, mas as consequências são muito sérias. Há famílias, comerciantes e empreendedores que organizaram suas vidas acreditando naquela ligação permanente entre os dois lados da cidade”, afirmou.

A proposta apresentada pelo deputado prevê a criação de uma comissão formada por parlamentares e presidida por um integrante da Mesa Diretora. A ideia é que o grupo acompanhe oficialmente as apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis pelo caso, entre eles Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Polícia Civil e, se houver, instâncias federais envolvidas na investigação.

Edvaldo explicou que decidiu não defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito por considerar mais viável, neste momento, um instrumento previsto no Regimento Interno da Aleac. A avaliação do parlamentar é que a Assembleia precisa estar presente no processo de apuração, com acesso às informações produzidas ao longo das investigações e capacidade de cobrar esclarecimentos públicos.

Segundo o deputado, a comissão terá a função de acompanhar os trabalhos técnicos e administrativos até a conclusão das apurações. “O que queremos é acompanhar os trabalhos técnicos e garantir que, ao final, a população saiba exatamente o que aconteceu, quais foram as causas e quem deve ser responsabilizado. A sociedade acreana merece respostas claras sobre esse episódio”, declarou.

A queda da ponte segue no centro do debate político no Acre e amplia a pressão por respostas sobre as causas do desabamento, os critérios adotados na execução da obra e as responsabilidades pelo caso.

Coronel Ulysses defende endurecimento penal, cobra geração de emprego e confirma pré-candidatura à reeleição no Acre

O deputado federal Coronel Ulysses afirmou nesta terça-feira, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, que pretende manter o discurso centrado em segurança pública, geração de emprego e desenvolvimento econômico do Acre. Ao longo da conversa, ele defendeu mudanças na legislação penal, criticou a audiência de custódia, cobrou mais oportunidades para os jovens e confirmou que hoje é pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Logo no início da entrevista, Ulysses disse que estava no Juruá para cumprir agenda e participar da entrega da ordem de serviço de melhorias no ramal São Luís, no Passo Fundo. “É uma honra poder estar aqui com vocês” e “é sempre prazeroso estar em Cruzeiro do Sul, a cidade que eu nasci”, afirmou, ao citar ainda compromissos na região.

O principal eixo da entrevista foi a segurança pública. O parlamentar disse que tem atuado para endurecer a legislação e voltou a defender mudanças nas regras da audiência de custódia. “Esse é o objetivo desse projeto, ou seja, moralizar a audiência de custódia”, declarou. Na mesma linha, afirmou que o mecanismo “tem sido utilizado como um instrumento de impunidade e de aumento da violência” e disse que a proposta em debate busca impedir que reincidentes e acusados de crimes graves sejam soltos novamente.

Ao tratar da situação do Acre, o deputado afirmou que o Estado recebeu recursos para a área, mas sustentou que o enfrentamento da violência não pode ficar restrito ao policiamento. “Segurança não se faz só com polícia não”, disse. Em seguida, reconheceu que o problema passa também por educação, gestão e mercado de trabalho. “Infelizmente, nós não temos gerado a quantidade de emprego necessária para que o jovem, adolescente, realmente tenha oportunidade de trabalhar”, afirmou.

Na parte econômica, Coronel Ulysses defendeu que o Acre aposte no agronegócio, na pecuária e na agricultura familiar como caminho para ampliar renda e vagas de trabalho. Para ele, o Estado precisa criar ambiente para produção e empreendedorismo. “Nós temos que gerar emprego e temos que gerar renda”, disse. Ele também afirmou que a vocação econômica acreana está ligada ao setor primário e criticou entraves que, na avaliação dele, travam o crescimento local.

A entrevista também entrou no cenário eleitoral de 2026. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado, o deputado disse que, neste momento, seu projeto é a reeleição. “Eu sou pré-candidato a deputado federal”, afirmou. Em seguida, admitiu que já avaliou uma candidatura majoritária, mas alegou falta de estrutura financeira para esse movimento. “Pra mim falta estrutura. Eu não tenho estrutura econômica pra vir pra uma candidatura de senador”, declarou.

Ao encerrar a participação, Coronel Ulysses reforçou o apelo por uma escolha mais criteriosa dos eleitores e disse que a política decide temas centrais da vida da população, da segurança à economia. A entrevista manteve o deputado em um tom de pré-campanha, com críticas a adversários, defesa de pautas conservadoras e tentativa de se firmar como um nome da direita acreana para 2026.

Edvaldo cobra esclarecimentos sobre queda de ponte em Sena Madureira

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira, 9 de junho, esclarecimentos na investigação sobre a queda da ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrida no último dia 5. O parlamentar levantou dúvidas sobre alterações entre o anteprojeto apresentado pelo Deracre e o projeto executivo da obra, além da origem dos recursos e da forma de execução do contrato.

No discurso, Edvaldo afirmou que a apuração precisa explicar por que o projeto final teria ficado diferente da proposta inicial elaborada pelo órgão estadual. Entre os pontos citados por ele estão a redução no tamanho e na circunferência das estacas e a retirada de anéis de aço previstos no anteprojeto. Para o deputado, a investigação deve identificar quem autorizou as mudanças e se elas tiveram relação com eventual redução de custos.

O parlamentar também defendeu a verificação da origem do dinheiro aplicado na obra. Segundo ele, o volume de recursos teria superado R$ 45 milhões e há suspeita de participação de verba federal por meio de emenda Pix. Caso isso seja confirmado, Edvaldo disse que a Polícia Federal também deve atuar nas investigações.

Outro ponto levantado foi a execução da obra pela Construtora Cidade. Edvaldo questionou se a empresa tocou o empreendimento sozinha ou se houve algum tipo de parceria não formalizada. Ao citar esse aspecto, ele relacionou o caso a problemas já apontados em outra obra pública, o Anel Viário de Brasiléia, e cobrou que a apuração avance sobre possíveis conexões administrativas e contratuais.

Ao final da fala, o deputado disse que Sena Madureira precisa recuperar o projeto de ligação viária e elogiou a articulação para levar o tema ao governo federal. A defesa dele é que a solução para a ponte corra em paralelo às investigações sobre responsabilidades técnicas, administrativas e financeiras.

MP inicia apuração sobre desabamento da Ponte Frei Paolino em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar as causas do desabamento parcial da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, após o acidente ocorrido na noite de sexta-feira, 5 de junho, que deixou quatro pessoas feridas, duas delas em estado grave. A estrutura liga a região central da cidade ao Segundo Distrito, e o colapso interrompeu uma das principais rotas de mobilidade urbana do município.

A apuração foi instaurada pelos promotores de Justiça Júlio César de Medeiros Silva e Júlia Fernandes de Brito, diante dos possíveis impactos ao patrimônio público, à segurança da população e à aplicação dos recursos usados na obra. Logo após o acidente, houve atuação para viabilizar a transferência de pacientes em estado mais grave para o Pronto-Socorro de Rio Branco, com apoio de ambulância de suporte avançado.

Na manhã de sábado, 6 de junho, equipe técnica do Núcleo de Apoio Técnico e servidores da Promotoria fizeram vistoria no local ao lado de órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Imac e Deracre. O procedimento aberto pelo MPAC mira possíveis falhas de projeto, execução, fiscalização e uso de materiais inadequados, e já levou ao envio de ofícios ao DNIT, ao Deracre, à empresa Cidade Ltda., ao Estado do Acre, ao Corpo de Bombeiros Militar, à Defesa Civil Municipal e a outros órgãos envolvidos.

Entre as medidas pedidas estão perícia técnica na estrutura, envio de documentos de fiscalização, cópias do projeto executivo, informações sobre aditivos contratuais e esclarecimentos sobre eventuais interdições anteriores. O Ministério Público também quer saber quais providências foram adotadas para garantir o deslocamento da população afetada, a assistência às famílias da área atingida e a eventual remoção de moradores em situação de risco. A ponte já havia sido interditada preventivamente no dia 4 de junho, após recomendação técnica relacionada ao avanço de “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.

Com a chegada das respostas e dos laudos, o procedimento poderá ser convertido em inquérito civil. Nesta segunda-feira, 8 de junho, o boletim mais recente da Secretaria de Estado de Saúde informou que um dos pacientes seguia internado em estado grave na UTI do Huerb, em Rio Branco, mas com sinais de melhora clínica.

Perpétua Almeida cobra investigação federal sobre ponte e diz que cadeia do café mudou renda no Juruá

A ex-deputada federal Perpétua Almeida cobrou, nesta segunda-feira, 8 de junho, a entrada imediata do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na apuração do desabamento da ponte em Sena Madureira e afirmou que o caso exige resposta rápida diante das vítimas e do prejuízo aos cofres públicos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, ela disse que “há uma sede de resposta hoje no Acre” e defendeu que a origem dos recursos da obra seja esclarecida.

Ao comentar o caso, Perpétua afirmou que “o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente, convocar a Polícia Federal e as coisas andarem o mais rápido possível”. Na avaliação dela, a investigação precisa avançar sobre os detalhes do financiamento e da execução da obra. “Virou mania no Acre, do governo do Estado e de algumas prefeituras, não dizer de onde vêm recursos que estão fazendo algumas obras”, disse.

Ela também sustentou que há suspeitas sobre a participação de verbas federais no empreendimento. “Há desconfiança de que tem emenda parlamentar do Orçamento da União envolvida nessa ponte, que nunca foi dito”, afirmou. Em seguida, reforçou a cobrança por transparência e responsabilização: “Se há desconfiança, o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente.”

Na mesma entrevista, Perpétua mudou o foco para a agenda econômica e afirmou que os investimentos na cadeia do café já produziram efeitos concretos no Vale do Juruá. Ao relatar visitas a propriedades rurais, ela disse ter encontrado aumento da contratação de diaristas e maior presença feminina no trabalho da colheita. “Eu era diarista, eu recebia 60 reais por diária, e hoje eu tô pagando entre 120 e 200 reais pras pessoas que estão fazendo diária aqui pra mim”, relatou, ao reproduzir a fala de um produtor.

Segundo ela, a transformação mais visível está em Mâncio Lima, onde a atividade passou a abrir espaço para mulheres e pequenos produtores. “Eu nunca vi tantas mulheres empregadas aqui na nossa região”, disse Perpétua, ao lembrar o que ouviu durante uma das visitas. De acordo com a ex-parlamentar, muitas trabalhadoras passaram a enxergar autonomia financeira na atividade. “Agora eu tenho meu negócio, agora eu tenho de onde tirar dinheiro para cuidar dos meus filhos, da minha casa”, contou, ao resumir o depoimento recebido no campo.

Perpétua afirmou que os resultados aparecem também nos indicadores levantados sobre a atividade cafeeira. “A renda dos cooperados começou em 2023 em R$ 1.300, depois subiu para R$ 2.530, e em 2025 a medição deu que a renda dos cooperados está hoje em R$ 4.554 por mês”, declarou. Ela acrescentou que a dependência do Bolsa Família caiu no mesmo período, de 40% para 30,6%, e usou os números para rebater críticas dirigidas aos beneficiários de programas sociais. “Esse discurso não é verdadeiro. As pessoas, quando melhoram de vida, não querem depender da ajuda de ninguém.”

A ex-deputada também defendeu uma articulação maior entre os investimentos industriais e as políticas públicas no campo. Para ela, o avanço da produção precisa vir acompanhado de melhoria em ramais, distribuição de mudas, oferta de adubo e apoio técnico. “A gente precisa que o governo do Estado, através da Secretaria de Produção, através de outras secretarias, o próprio Sebrae, a própria prefeitura e as prefeituras que estão recebendo esse investimento façam também investimento em ramais, em adubos, em mudas”, afirmou.

Ao falar de projetos futuros, Perpétua disse que deixou recursos assegurados para novas cadeias produtivas antes de deixar a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. “Lá em Feijó eu já deixei na ABDI o orçamento garantido pra gente construir a indústria de beneficiamento de açaí”, afirmou. Segundo ela, foram reservados R$ 9 milhões para a estrutura, dentro de uma cadeia que inclui barcos frigoríficos e caminhões para atender produtores do município.

Na parte final da entrevista, Perpétua confirmou a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e vinculou uma eventual volta a Brasília à pauta da industrialização e do apoio à produção local. “Se Deus me der essa oportunidade de voltar a trabalhar pelo Acre, sim, eu vou continuar nessa mesma pegada”, declarou.

Ação de saúde evita deslocamentos e leva 3,1 mil atendimentos ao km 19 da Estrada de Porto Acre

Moradores da zona rural de Rio Branco receberam no sábado, 6 de junho, uma força-tarefa de saúde no km 19 da Estrada de Porto Acre, em uma ação que somou 3.173 procedimentos e reduziu a necessidade de deslocamento até a área urbana. A segunda parada do programa Saúde Rural – Edição Terrestre foi realizada na Escola Luiza de Lima Cadaxo e reuniu consultas, exames, vacinação e atendimentos especializados.

A mobilização levou à comunidade consultas médicas, de enfermagem e odontológicas, pré-natal, PCCU, inserção de Implanon, testes rápidos, vacinação humana e antirrábica, aferição de pressão arterial e glicemia, entrega de medicamentos e atendimento de endemias voltado para malária e leishmaniose. Também houve práticas integrativas, como auriculoterapia e ventosaterapia, atualização do Bolsa Família e atividades recreativas para crianças.

De acordo com a coordenação do programa, cerca de 200 pessoas passaram pela ação ao longo do dia. O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a proposta é ampliar o acesso aos serviços para famílias que vivem em áreas mais distantes. Já o coordenador Jhon Willer destacou que a presença das equipes no interior ajuda a atender uma demanda que muitas vezes esbarra na distância e no custo do deslocamento.

Para os moradores, a ação representou a chance de resolver várias demandas de saúde no próprio local onde vivem. Entre os serviços mais procurados estavam atendimento odontológico, consultas de rotina e procedimentos de planejamento reprodutivo, além da vacinação de animais. A avaliação entre os participantes foi de que a iniciativa facilita o acesso a cuidados básicos e especializados em regiões onde a assistência costuma chegar com mais dificuldade.